CAPÍTULO DEZESSEIS
Minutos depois de Edward chegar à tarde no prédio da Devlin Systems, Bella foi chamada a sua sala.
Edward deitou os olhos frios sobre ela.
– Por que você veio hoje? Está maluca?
Maluca? Como as pessoas recorrem automaticamente as suas rotinas nos momentos de crise, não ocorrera a Bella permanecer em casa.
– Eu... eu...
– Você achou que eu iria querer encontrar meu filho pela primeira vez em uma creche do ambiente de trabalho? – Suas feições estavam marcadas pela hostilidade de seu olhar. – Desça e tire meu filho daquela creche. Então suba no carro que está esperando e leve Ben para minha casa.
Aflita com a amarga hostilidade de Edward, Bella aquiesceu. Deveria ter ocorrido a ela que Edward desejaria encontrar Ben. Mas somente quando Edward a presenteou com o coelho de pelúcia, significando sua boa vontade em aceitar a criança que acreditava ser de outro homem, foi que Bella se deu conta do quão forte poderiam ser os sentimentos de Edward acerca do próprio filho.
– Você decidiu que eu havia dormido com outra mulher e como vingança negou-me o direito de conhecer meu filho – condenou Edward.
– Nós terminamos antes de eu saber que estava grávida – protestou Bella. – Você se lembra de ter comentado sobre um amigo seu que teria caído em uma armadilha feita por uma mulher... você disse que ela tinha dado o golpe da barriga?
– Não tente se justificar com esse argumento. Qualquer um entre meia dúzia de homens poderia ser o pai do filho daquela mulher! E o que nós tivemos foi algo muito diferente... ou, pelo menos, eu pensei que fosse...
Bella se sentiu derrotada.
– Mas eu acreditava que você poderia me acusar de estar dando o golpe da barriga, porque você era rico... eu não queria o mesmo rótulo!
– Você irá assinar sua demissão... – continuou Edward, passando por cima da fala de Bella, parecendo querer deixá-la sem defesa.
– Está me demitindo?
– Estou protegendo minha reputação e a reputação da tola mãe de meu filho de prejuízos futuros.
– Ontem mesmo você me disse para não dar atenção a essas tolices...
– Você deveria ter me contado no instante que entrei nesse prédio, que tinha tido um filho e que esse filho era meu! – Então Edward deu uma risada sem graça. – Você deveria ter me contado no dia em que descobriu estar grávida. Eu não teria deixado nenhuma mulher lutando sozinha para criar meu filho...
– Mesmo se fosse por minha responsabilidade que isso tivesse acontecido?
– Certamente eu sou maduro o suficiente para aceitar que fazer amor pode resultar em um bebê! E que em algumas ocasiões esse acontecimento criativo particular está além do nosso controle...
Ela se viu em uma poça de lama. Tinha procurado e encontrado a culpa. De todos os ângulos ele deixava isso claro. Ela o julgara mal, tomara as decisões erradas, presumira o pior, capitulando ante as próprias expectativas pessimistas.
À beira das lágrimas desde que entrara naquele escritório, a garganta de Bella doía, mas ela ainda precisava perguntar a ele uma coisa:
– Então, se eu tivesse vindo até você há um ano e admitido que estava grávida, o que você teria dito?
Os olhos atraentes de Edward penetravam os seus como facas douradas.
– Teria lhe dito que era o destino... e teria casado com você.
– É fácil ser perfeito e íntegro... depois que tudo aconteceu. – Bella partiu sentindo que tinha rasgado seu coração.
