CAPITULO 8

Depois de uma noite sem pregar o olho, esperando que o telefone junto a sua cama soasse ou a aparição de Edward no quarto, Bella chamou à porta de sua patroa e entrou.

- Tris diz que querias ver-me.

- Sim - contestou Daphne, tombada ainda na cama - É uma pena o uniforme. - Não creio que se sinta bem à próxima babá.

- Como dizes?, a próxima babá?

- Edward esteve falando comigo ontem à noite - disse Daphne - Não te disse nada?

- Não - respondeu ruborizada Bella.

- Não podes seguir trabalhando para nós, coração. Depois de saber que a pequena Flo é filha sua é normal que não queira que andes cuidando de meus filhos - explicou Daphne.

- Não quer? - Bella estava vermelha pela falta de discrição.

- Nós também nos sentiríamos incômodos - continuou Daphne - Harold e Edward têm negócios juntos. - Tu és a mãe da filha de Edward. - Não podes trabalhar para nós.

Era evidente que a mulher já tinha tomado a decisão. - Não queres que siga até que encontres a outra babá ao menos?

- Não. Edward já chamou a uma agência para que comece este mesmo fim de semana. É um bom homem, Bella - disse Daphne de repente - Não entendo por que te enfadas com ele por querer fazer o que deve e cuidar de ti e do bebê.

Um minuto depois, Bella percorreu o corredor e desceu as escadas furiosa. Chegou num instante ao vestíbulo principal, onde se encontrou com Edward.

- Bom dia! - a saudou.

- Boníssimos! - espetou ela - Sobretudo depois de saber de que fizeste que me despeça!

Edward se acercou, agarrou-lhe uma mão e a levou com suavidade para o quarto de que acabava de sair. - Não faz sentido ter esta discussão em público, cara.

- Agora te importa? Ontem à noite te deu igual contar o meu maior segredo a Daphne!

- Por que Florenza vai ser um segredo? - Estou orgulhoso de ser seu pai e não tenho intenção de ocultá-lo - afirmou Edward com aprumo - E não me digas que te parte o coração ter que te despedir desse ridículo uniforme.

- Era um bom trabalho - disse Bella - Era bem pago...

- Mas não há babá que continue nessa família. - E sabes por que? se adiantou Edward – Por Daphne. - Normalmente é muito amável, mas tem muito gênio e as vezes se comporta como uma autêntica tirana. Ainda não a fizeste enfadar? - Não é muito difícil.

Bella recordou a acidez com que a mulher lhe tinha reprovado ter baixado as malas cinco minutos mais tarde o dia anterior.

- Claro que mal levas umas semanas com eles - continuou Edward Mas te asseguro que se tivesses seguido mais tempo, terias acabado conhecendo o afiada língua que tem. É famosa.

- Ainda assim, não tinhas direito de interferir - contestou Bella - Posso cuidar de mim mesma.

- Mas, por desgraça, não és a única pessoa implicada. Quero o melhor para os três - disse Edward lançando-lhe uma mirada aos olhos com a que a fazia a que o escutasse - Não creio que seguir trocando-nos reprovações conduza a nada bom. A vida é demasiado curta. - Eu também quero compartilhar a vida de Florenza. - Assim estou disposto a pedir-te que te cases comigo.

Bella estava assombrada, mas o modo com que lhe tinha proposto o casamento lhe feria o orgulho.

Como que estava disposto a pedir-lhe que se casasse com ele? Era o primeira pedido de casamento que recebia e lhe chegava quando estava vermelha de ira e com o único fim de poder controlá-la.

Primeiro lhe tinha tirado o posto de trabalho e depois lhe oferecia a segurança de converter-se em sua esposa.

- Me parece que não me expressei bem - reconheceu Edward depois de uns segundos de tenso silêncio.

- Quero casar-me contigo.

- Nossa relação foi uma sucessão de catástrofes - disse entre dentes.

- Eu não a descreveria assim...

- Tu mesmo vieste dizê-lo na casa de tia Tilly - lhe recordou Bella - Terminamos no sofá porque tinhas bebido muito e te arrependias. - Não me parece que seja uma base sólida para o casamento. - Ademais, não quero casar-me com um homem que se sente obrigado a pôr um anel no meu dedo.

- Não é nenhuma obrigação - contestou exasperado Edward - Fizemos amor porque não podia conter-me. Basta te olhar para que me suba a temperatura, cara... - E isso não é uma catástrofe: - é atração. - Se não tivesses trabalhado para mim, teríamos intimado muito antes.

- Não o creio - contestou ela, por mais do que lhe teria agradado fazê-lo.

Edward lhe tirou o chapéu do uniforme, o avental, depois lhe desabotoou os botões superiores do vestido.

- Que fazes?

- Queres que te demonstre quanto me excitas? - perguntou Edward esboçando esse sorriso luminoso que tanto tinha temido não rever.

- Não... - disse Bella com voz trêmula.

- Não o que? - Edward posou os lábios sobre o pescoço de Bella, provocando-lhe uma descarga elétrica de desejo.

- Não me faças isto...

Edward localizou um ponto erógeno embaixo da orelha e se demorou ali. Bella tremeu, ouviu-se gemer. Depois se agarrou ao paletó de Edward e se abandonou ao calor desse corpo que tanto tinha lutado por esquecer. Até que notou seus lábios sobre a boca num beijo ardente e fugaz que a deixou com vontades de bem mais.

- Acredita agora que te desejo? - sussurrou ele com a respiração entrecortada.

- Não... não funcionaria - Bella deu um passo atrás.

- Porquê?

- É que não podes aceitar um não por resposta? - perguntou desde a porta Bella.

- O fiz da última vez. E me custou perder os três primeiros meses da vida de minha filha - replicou Edward um segundo antes que Bella saísse da habitação na que se achavam, aliviada porque não a seguisse.

Mudou de roupa, pôs-se uma calça e uma blusa de malha, pôs a Florenza no carrinho e saiu para dar um passeio. Lhe ocorreu que sempre tinha pensado mal de Edward e que não tinha feito mais do que fugir dele. Para começar, se teriam poupado muitos mal-entendidos se não tivesse desaparecido depois da noite da festa. Tinha reagido como uma menininha com medo de enfrentar à realidade.

Tinha dado por certo que tudo quanto tinha passado tinha sido culpa dela e lhes tinha negado a ambos a possibilidade de explorar o que sentiam um pelo outro.

Bella se sentou sobre um tronco caído. Logo tinha aceitado que Edward se tinha comprometido a Rosalie Halle e, em vez de enfrentar-se a ele, tinha-se refugiado em seu orgulho ferido. Mas o que mais lhe pesava era ter tomado a Edward por um mentiroso quando sempre tinha sido sincero e franco com ela.

Tinha-lhe deixado bem claro de que se soubesse do bebê, estaria a seu lado. Se em vez de escrever uma carta o tivesse chamado por telefone, teria feito parte da vida de Florenza desde seu primeiro dia de vida. E quando seus caminhos tinham voltado a se cruzar, não teria duvidado em pedir-lhe casamento...

Edward parou a uns cinqüenta metros para ver Bella sentada sobre o tronco enquanto mexia o carrinho de Florenza. Não parecia contente. O pedido de casamento não tinha tido sucesso. E, ainda que não queria pensar que tinha promovido a demissão de Bella como babá, a verdade era que a idéia de vê-la desaparecer numa das limusines dos Brewett e não voltar a vê-la o tinha feito perder os nervos. Se fosse totalmente sincero, devia reconhecer que tinha sido uma manobra para colocá-la numa situação mais vulnerável.

Bella girou o pescoço. Como sempre que o via, sentiu que se derretia. Engoliu saliva. Se teria precipitado ao recusar sua oferta?

- Não sentirão sua falta os convidados? - perguntou ela enquanto Edward se agachava para olhar Florenza.

- Seguro que se arrumam sós. Ademais, a maioria está dormindo. Contanto que apareça para o jantar, ninguém se ofenderá - disse sem afastar a vista da menina - É preciosa, não é verdade?

Deixando se levar por um impulso, Bella tirou Florenza do carrinho e a pôs nos braços de Edward.

- Nunca tive um bebê em meus braços - disse nervoso E se a assusto?

- É muito calma. Tu ajeita-lhe a cabeça para que se sinta segura.

Edward mexeu à pequena com muito cuidado. Olhou os grandes olhos castanhos de sua filha e esboçou um sorriso orgulhoso, terno, quase tímido, que umedeceu os olhos de Bella.

- Não chora. - Crês que sabe quem sou?

- Pode ser... - disse Bella com a voz quebrada.

- E pode ser que não, mas pode inteirar-se Edward a olhou com seriedade. - Tomara que Florenza não me faça nunca o que eu fiz a minha mãe. - Estou em dívida pelo que disseste na noite da festa de que me pus do lado de meu pai quando se divorciaram.

- Como em dívida? - Bella pestanejou.

- Fui a Itália ver minha mãe e me dei conta do idiota que fui - admitiu Edward com um sorriso agridoce -. A culpei pelo divórcio e ela não quis danar minha relação com meu pai dizendo-me que ele tinha tido um montão de amantes durante o casamento.

- Eu sinto muito - disse Bella, sabedora do perto que se tinha sentido Edward de seu pai por toda a vida.

- Não o faças - Edward sorriu. - Obrigado ao que disseste, minha mãe e eu vamos ter a oportunidade de voltar a conhecer-nos.

- Que bem! - exclamou super feliz.

- Eu nunca te seria infiel - lhe assegurou Edward.

- Até estou propondo-me mudar meus critérios em relação os gráficos rosas - caçoou.

- Eras tu? - Bella ficou gelada. - Foste tu quem me escreveu pelo correio eletrônico?

- Quem mais seria? - contestou Edward ao mesmo tempo em que se inclinava para devolver à menina ao carrinho.

Saber que tinha sido ele quem tinha velado por sua segurança, aconselhando-lhe que tivesse cuidado para não receber um terceiro aviso, encheu-lhe o coração de um sentimento desbordante. Tanto que não pôde conter-se e Bella se lançou nos braços de Edward.

- Creio que talvez sim me agrade casar-me contigo, depois de tudo. A oferta segue de pé?

- Por certo que sim - Edward a olhou entusiasmado. - Que te parece se nos casamos na semana que vem na Itália? - adicionou, temeroso de dar-lhe tempo, para que não fosse mudar de idéia outra vez.

- Tão... tão cedo?

- Não sou partidário dos noivados longos - disse ele com solenidade.

- Eu também não - conveio Bella com idêntica convicção, com o coração trincando de alegria.

Afinal de contas, resultava significativo que um homem estivesse tão ansioso por chegar ao altar.