Gellert estava sentado à cama de Albus com o mesmo, aninhados um ao outro. Sua cabeça estava deitada no ombro de seu amado, que lhe acariciava gentilmente as costas com as pontas dos dedos.
O calor estava forte, e ambos já estavam bastante suados. Quase não entrava brisa ou vento pela janela. Os dois ofegavam. Haviam acabado de fazer amor.
- Eu te amo, Gell. – Disse Albus, pousando a cabeça sobre a dele. – Demais.
Gellert apertou mais o corpo de Albus contra o seu, suspirando, como se o amado lhe fosse escapar. Não respondeu, achou que não houvesse necessidade de muitas palavras; Albus entenderia perfeitamente se ele não falasse nada.
Albus levantou a cabeça e Gellert repetiu o gesto, e se encararam. Encostaram a testa na do outro e continuaram a se olhar. Alguma coisa no olhar de Gellert incomodava ao jovem Albus.
Mesmo quando Gellert se deitou sobre Albus, beijando-o e tocando-o, Dumbledore pode sentir que estava vendo o seu Gellert escapar por suas mãos, sentiu que o estava perdendo para algo mais forte. E quando fizeram amor, ambos sentiram que não foi a mesma coisa.
O jovem Albus terminara de escrever a carta e a amarrara ao pé de sua coruja. Cochichou para a ave:
- Leve para Gellert, por favor, Astoria.
Ao perceber que a coruja de Albus batia o bico na sua janela, Gellert levantou-se e foi até ela, a abrindo e convidando a pequena coruja-das-torres para entrar. Astoria se recusou e esticou a pata onde estava a carta de Albus. Grindelwald pegou o pedaço de pergaminho e passou levemente os dedos pela cabeça da corujinha.
- Mande meus melhores sentimentos à Albus, por favor, Assy.
Com um pio de concordância, Astoria levantou vôo, misturando-se ao negrume da noite. Gellert puxou a janela para baixo, a fechando novamente. Abriu a carta de Albus e a leu.
"Quero te ter e te ver amanhã novamente. Eu te amo demais, Gell. Sei que isso soa clichê demais, me desculpe. Mas eu tenho saudades, Gellert. Saudades de quando éramos você e eu, sem pretensões e objetivos. Já te disse isso, mas este sentimento está me consumindo. Amo você. Boa Noite. AL.".
Ao terminar, sentiu-se a beira do choro e de um arrependimento que, pela primeira vez, sentia. Rasgou da folha a despedida de Albus e a guardou dentro do bolso das vestes. Soprou as velas que iluminavam o seu quarto e, ainda vestido, deitou-se na cama e tentou adormecer, sem sucesso.
O que havia escrito naquele pedacinho de pergaminho que fora cravado em Gellert mais do que qualquer coisa e mesmo no futuro, ele lembraria pra sempre, independente de quem fosse o Gellert Grindelwald do futuro.
Nessa hora, ele desejou ardentemente não amar Albus o tanto que amava. Isso freava seus objetivos e ele não podia deixar isto acontecer. Suspirou lentamente e fechou os olhos pedindo para Merlin para poder esquecer aquilo tudo. E adormeceu, como fazia nos braços de seu amado Albus.
Aberforth escancarara a porta com um movimento brusco, e seu rosto, já lívido de raiva, ficara púrpura ao encontrar Gellert Grindelwald curvado sobre Albus na sala de sua casa. Aberfoth explodiu.
- ALBUS DUMBLEDORE! EU JÁ CANSEI DESSES SEUS "PLANOS MIRABOLANTES". – Seu rosto todo e seu corpo tremiam inclusive sua voz esganiçada. – E AGORA MAIS ESSA! ARIANA!
Nesse meio tempo, Albus já havia se levantado e Gellert se postara ao seu lado, as varinhas de ambos erguidas, mas o jovem Dumbledore tentaria ser diplomático. Quando falou, sua voz era o mais tranqüilo possível.
- Abe, calma, não há necessidade de gritar...
-CALA A SUA BOCA, TÁ? – Continuou Aberforth, berrando. – EU NÃO TERMINEI DE FALAR, SEU...
- Agora chega, não? – A voz de Gellert, mesmo baixa e fria como era se fez ouvir no meio da gritaria de Aberforth. Ele continuou impassível. – Você não tem nada a ver com isso.
Se fosse possível, o irmão mais novo de Albus mudara de púrpura para um tom pior do que esse. Ele apontou o dedo para Gellert, como se o desafiasse e depois levantou a varinha, com a outra mão, na direção do irmão.
- Abaixa a varinha, Abe. – Pediu Albus, ainda calmamente.
- Não. – Respondeu o irmão, encarando Gellert. – E você? Quem você pensa que é? – Seu tom era medido com as palavras vindo com a intenção de ofender. – Você e meu irmão ficam com isso para todo canto, se pegando, se agarrando, e não res...
O rapaz o olhou como se isso fosse demais. Mas antes que pudesse dizer alguma coisa, Aberforth já abrira a boca para lançar um feitiço.
- Rictusempra!
Albus fora mais rápido e conjurara um escudo e protegeu a ele e Gellert.
- Mas o que...? – Começou a perguntar Grindelwald, mas novamente, antes de terminar se viu no meio de uma briga, uma troca de feitiços dentro da sala de Dumbledore.
Gellert notou um olhar desesperado em Albus, e não pôde deixar de entendê-lo. Albus conjurava escudos e feitiços protetores para Aberforth e Gellert. Não queria que nenhum dos dois se ferissem. Mas ao ouvir o irmão berrando novamente, é que seu coração disparou.
- Vocês não vão tirar Ariana de mim!
Ao dizer isso, Albus viu a irmã mais nova, arrastando os pezinhos fracos até a sala. Seu rosto pálido ficou ainda mais branco ao ver os três duelando.
- Calma, Abe... – Disse ela, voz quase não audível no meio do barulho estrondoso dos feitiços. – Vou te ajudar!
- Ariana, não! – Gritaram Albus e Aberforth juntos. Mas já era tarde demais.
Algum feitiço atingiu Ariana bem no peito e ela desmontou de uma vez no chão. Albus sentiu ao despencar de dentro dele. Depois disso, só pôde lembrar de Aberforth o empurrando e pulando por cima do sofá destruído e chegando até o corpo frágil e morto de sua irmã. E lembrou-se também de Gellert segurando sua mão, o puxando para fora, indo à direção da porta. Albus se soltou. E em sinal de despedida, Gellert deixou a sua mão deslizar pela de Albus, lançando-lhe aquele último olhar apaixonado.
Albus entendera claramente aquilo. Não objetou. Saberia que quando Gellert saísse por aquela porta, ele não voltaria mais, por nenhuma. Sentiu que mais uma parte dele despencava por dentro ao ver que os cabelos loiros cacheados de Gellert sumiram atrás da grande porta de madeira da entrada de sua casa.
Mas, ao contrário de sua mãe, seu pai, ou Ariana, Albus sentia que veria Gellert novamente.
Sabia também que isso não o faria seu outra vez.
Essa parte, ele sempre achou que nunca recuperaria. E de fato, nunca recuperou, em todos esses anos que se passaram.
Wee, terminei :D
Reviews, para deixar a gente feliz! xD
;*
