Conspiracy.
Escuro.
Ela não sabia onde estava, sabia que estava com ele, mas não sabia
nem por que e nem como.
Ele a arrastou para um quarto ainda mais
escuro, ela estava apenas semi-consciente. O lugar estava vazio, não
se ouvia nada além dos passos que ecoavam. Estava ensangüentada.
Por quê? Aquilo não podia estar acontecendo com ela.
-
Hermione? Você está me ouvindo?
Ela estava com a respiração
ofegante, extremamente cansada. E ele parecia preocupado, varinha em
mãos. Colocou-a deitada no chão.
- Responda, Hermione!
Ela
apenas o olhou, não conseguia dizer nada até então. Ele se
levantou e foi até a porta do quarto, fechando-a.
- Malfoy... –
disse, com dificuldade.
- Sim.
- Eles já foram?
Ele tapou a
boca dela.
- Shii – cochichou. – Você quer que eles
descubram que está aqui? E
na minha companhia?
Please
speak softly, for they will hear us
And they'll find out why we
don't trust them
Speak up dear cause I cannot hear you
I need
to know why we don't trust them
Ouviram
passos
vindo
pelo
corredor,
ficaram
calados,
Hermione continuava
com a respiração
forte.
- Malfoy, eles
vão
me matar.
-
Sim,
eles
vão.
Mas
se você calar a sua maldita boca, não.
- A única coisa que eu
queria saber, é porque me perseguem.
- Você sabe todos os
motivos.
Ela se ajeitou no chão. Ficaram calados novamente.
- Será que, é simplesmente porque eu sou amiga do
Harry?
- Não, e você sabe que não é só por isso.
- Por
causa de você, talvez...
- Não, porque não sabem que estamos
juntos.
- Mas você disse que contaria.
- Eu não sou
idiota.
Explain
to me this conspiracy against me
And tell me how I've lost my
power
-
Agora é proibido amar...
- Cale a boca, já disse.
Eles se
entreolharam. De repente, silêncio no corredor, silêncio no quarto.
Será que já sabiam que eles estavam ali? Podia ser que sim.
-
Isso é ridículo, Malfoy! Eles conseguiram acabar com a minha
vida...
Ele andou de um lado para o outro do quarto, pensativo.
-
My Darling, eles não estão te perseguindo porque você está
comigo, simplesmente porque eles não sabem que estamos juntos.
-
Devem saber, não é possível – disse, alterando a voz.
Ele
tapou a boca dela.
- Fale baixo! – ele a abraçou. – Você não
quer que descubram que estamos aqui, quer?
- Não.
- Então,
por gentileza, fale baixo.
Ela tinha a respiração mais ofegante
agora, tudo estava muito quieto. Continuaram calados.
- Meus pais,
minha casa, meu emprego... Não tenho nada. Só você. E isso, eu
espero que eles não tirem de mim.
Ele a olhou fixamente, os olhos
dela se encheram de lágrimas. Ele a beijou.
- Hermione, eu já
corri riscos muito maiores do que esse.
Ele a abraçou,
confortando-a, como um pai que abraça uma filha com medo.
Medo.
Era isso que ela sentia.
Where
can I turn? Cause
I need something more
Surrounded by uncertainty I'm so unsure
Tell
me why I feel so alone cause I need to know to whom do I owe
A
porta se escancarou com um forte baque. Os
dois pularam de susto. Draco levantou imediatamente, com a varinha em
riste. Três comensais entraram no quarto. Fizeram cara de deboche.
-
Então é assim, Draco, que anda ocupando seu tempo? Com
sangues-ruins como a Granger?
Ele riu.
- É.
- E pelo que
ouvi, vocês estão tendo um caso. Que lindo!
Hermione tinha os
batimentos acelerados, estava desesperada. Aquele, talvez seria seu
fim.
- Pra vocês verem. Eu consegui passar a perna em todos, sem
que ninguém percebesse – disse Draco, debochando.
- Você é um
traíra – gritou um comensal. – Essa sangue-ruim já nos mandou
para Azkaban, destruiu a nossa reputação, é metida a espertinha...
E você ainda tem a moral de gostar dela?
- Sim. E não sou
traíra. Não contei, é simples. É que eu não confio em vocês,
são pessoas falsas.
- Você também.
- Eu sou, mas com ela
fui sincero.
- Duvido. Todos irão saber que você está nos
traindo. Sendo infiel conosco.
- Já disse que não confio em
nenhum de vocês, e não devo contar tudo o que faço.
- Deve,
sim! – gritou de volta.
Draco apontou a varinha para o rosto do
Comensal, como se fosse espeta-la nele.
- Eu acho melhor você
falar baixo, porque eu não sou um dos trouxas que você costuma
ameaçar na rua. Fala baixo, senão eu vou ser obrigado a partir pra
ignorância.
Ele riu debochado.
- Ta tentando colocar medo em
mim, Malfoy? Que pena.
Draco o olhou com ódio. Hermione
continuava no chão.
Um dos comensais chegou perto dela,
agachou-se, e colocou a varinha em seu pescoço.
- Granger... Se
isso aqui fosse uma faca, eu cortaria seu pescoço agora. Mas é uma
varinha. E Avada Kedavra pode ser conjurada de longe. Basta ter uma
boa mira. E isto eu tenho.
Ela cuspiu no rosto dele.
- Idiota,
cretino – disse, chorando. – Vocês não se cansam? Mataram meus
pais, destruíram minha casa, me fizeram largar o emprego por causa
das ameaças... Chega!
- Não, não meu bem. Falta te matar.
Ela
o olhou com medo. Draco a pegou pelo braço levantando-a do chão. O
Comensal trancou a porta do quarto rapidamente. Tudo
Escuro. Não se via nada.
Explain
to me this conspiracy against me
And tell me how I've lost my
power
Hermione
entrou em pânico. Draco
a segurou pela cintura.
- E agora, casal de pombinhos? Vocês não
vêem nada?
Draco riu.
- Lumus... Idiota.
- Você não
pode segurar essa luz para o resto da vida... Vamos te matar junto
com a sua namoradinha.
- NÃO!!! – Hermione gritou. – Ele não
vai morrer. Porque eu não vou deixar! Se ele morrer eu morro em
seguida.
- Não vai precisar, querida. Iremos fazer tudo numa
tacada só.
Ela arrancou a varinha da mão de Draco.
-Cruccio!
Cruccio! Cruccio!
Hermione soltou-a logo em seguida, mal podendo
acreditar no que acabara de fazer. O Comensal atingido berrava de
dor. Os outros dois partiam para cima dela. Draco a puxou pela blusa.
- Crucio!!! - ele berrou.
Agora sobrava apenas um Comensal.
Hermione caiu no chão, chorando. Ela estava coberta de sangue. Draco
lutava com o último que restara enquanto os outros dois permaneciam
caídos, urrando de dor. O loiro era resistente, a única coisa na
qual conseguia pensar era em como fazia um mês que sua vida se
transformara num inferno. Só perseguições. Vivia se escondendo,
sem poder estar com Hermione, pois ninguém podia saber que estavam
juntos, nem mesmo Harry. Mais um grito de Crucio e Draco conseguiu
deter o último dos Comensais.
Pegou Hermione no colo e a tirou
dali imediatamente. Aparataram no esconderijo da moça e ele a
colocou na cama.
- Você está muito machucada, Hermione.
Ela não conseguia mais falar. Sentia fortes dores.
- Eu
nunca vou te abandonar. A essa hora, já deve ter mais gente atrás
de você.
- Draco... Você já fez muito por mim. Eu nunca vou
esquecer disso.
Ele a beijou. Ela ainda estava com a respiração
fraca. A roupa toda ensangüentada.
- Vá tomar um banho pra
tirar esses ferimentos.
- Não, Draco – ela pegou na mão dele.
– A dor que estou sentindo não há medico no mundo que cure, nem
magia. Além do físico, minha alma dói. Eu não estou mais
suportando viver desse jeito, fugindo, me escondendo, sem poder
contar pra ninguém, sem poder ficar com você em paz, sem
perturbações... Essa dor que eu sinto só quem cura é a morte.
-
Não, você não vai morrer.
- Vou.
- Não vai – uma lágrima
desceu pelo rosto dele. – Você não pode me deixar assim,
Hermione. Depois
de tudo
que
passamos...
-
É o jeito.
I
thought that we'd make it
Because you said that we'd make it
through
And when all security fails
Will you be there to help
me through?
Hermione
se ajeitou na cama. Realmente estava muito fraca, sua vista já
escurecia.
- Eu vou morrer, Draco. Mas eu nunca vou te deixar. Vou
sempre estar do seu lado.
- Se você morrer, minha alma vai junto,
serei uma pessoa desalmada, sem coração.
- Não vai. Eu não
vou gostar que faça isso.
- Vou, sim...
Ela apertou sua mão
com força. Suspirou fundo.
- Eu te amo – ele disse.
Ela
apenas sorriu, ele nunca havia dito isso antes. Draco chorou, pela
primeira vez, as lágrimas tinham sentimento. Amor e ao mesmo tempo
tristeza, sabia que perderia a pessoa que mais amara na vida. O único
amor.
- Vai, Draco, eu não quero que saibam que está aqui.
-
Não, eu vou ficar aqui com você.
- Vai, Draco, eles já
conseguiram o que queriam de mim, tiraram minhas coisas, meus pais,
emprego, meu poder. Acabaram comigo.
- Eu não vou deixar você
morrer, nem que eu morra antes... – Ele segurou seu rosto. – Eu
não vou suportar ver você morrer.
- Infelizmente temos que
suportar tudo nessa vida. Mas nem sempre conseguimos. Temos que
continuar vivendo mesmo assim...
- Não aceito isso.
- Tem que
aceitar.
Ela passou a mão no rosto dele. A respiração estava
mais fraca. A vista mais escura.
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to me this conspiracy against me
And tell me how I've lost my
power
Acariciou
seu rosto ainda mais uma vez. Ele chorava. Hermione sabia que agora
seria seu fim, depois de tanto sofrimento. Seria o melhor. Mesmo que
tivesse que deixa-lo. E era isso que a preocupava. Mas nunca deixaria
de amá-lo. Afinal, ele aparecera num momento especial de sua vida,
quando tudo corria bem. Mas ninguém podia saber. Até que o mundo
passou a conspirar contra ela. Uma maré de azar. Mas ele esteve
sempre ali, nunca a deixou sozinha. Estiveram juntos, até o
fim.
Hermione tirou as mãos do rosto de Draco. Ele a observou por
um instante.
Sua vista escureceu de vez e ela fechou os olhos.
Ele passou a mão em seus cabelos, fazendo-lhe carinho. Ela suspirou.
Pela última vez. Ele a abraçou com força, deixando escapar um
grito de horror. Medo, desespero. A amava de verdade, e só pôde
dizer no último minuto da vida de quem amara. Agora era um homem sem
alma, sua alma estava com ela. Um nada.
I've lost my Power
N/A : Fic repostada. Mas jamais esquecerei o sacrifício que foi pra escrever. Presentinho da Vick *-*.
