AMOR INOCENTE
Por: Rosana (Rô)
Revisora: Bruna (Yoruki)
Capítulo 04
- Então hoje é o grande dia. – Touya disse em tom de brincadeira enquanto terminava de fazer o suco de laranja para o café da manhã.
- Quer parar? – Sakura resmungou arrumando a mesa.
- Oras, Sakura, não é todo dia que a minha irmãzinha vai ser acompanhada ao colégio pelo namorado.
- Ai Touya, tem vezes que acho que você não cresceu sabia? – ela falou já ficando vermelha. Não queria nem ver de que cor estaria quando chegasse ao colégio de mãos dadas com Syaoran.
- Vamos lá, maninha. Tenta ficar calma, se não agüenta as minhas brincadeiras, vão fazer você de gato e sapato no colégio. – Touya falou tentando conter a risada enquanto passava geléia em uma torrada.
- Quer dizer que você só está tentando me ajudar?
- Na verdade... não.
- Ai Buda, dai-me forças. – ela sussurrou.
Esse foi o clima do café da manhã, Touya fazendo piadinhas e Sakura tentando se controlar. Quando a campainha da porta tocou, a garota deu um pulo na cadeira, o que provocou mais risadas do irmão. Sakura foi atender a porta irritada, mas quando deu de cara com Syaoran o sorriso veio fácil.
- Oi. – ele disse devolvendo o sorriso.
- Bom dia. Quer comer algo?
- Não, obrigado.
- Entra, você também tem que ouvir umas gracinhas do Touya. Não sei porque só eu tenho que passar por isso. – ela falou pegando-o pela mão.
Syaoran deu risada só imaginando o que Sakura já ouvira de Touya nessa manhã.
A garota sentou-se no último degrau da escada para colocar seus tênis quando Touya apareceu vindo da cozinha.
- Bom dia, Syaoran. Pronto para enfrentar o pelotão de fuzilamento?
- Oi Touya. Prontíssimo. Mas acredito que não teremos problemas. – ele falou pensativo.
- Hum! Vejo uma nuvem escura por cima da sua cabeça.
Sakura encarou Syaoran e o olhar que trocaram disse tudo. Mayu.
- Daremos um jeito. - Syaoran disse com um sorriso tranqüilizador para Sakura.
- Boa aula. – Touya disse irônico da porta da casa, quando os dois saíram.
- Odeio esse tom dele. – Sakura resmungou.
Syaoran tinha um sorriso no rosto. Mal acreditava que estava indo para o Colégio com Sakura ao seu lado.
No ano anterior, ele a acompanhara todos os dias, mas uns bons passos para trás. Adorava vê-la caminhar, o jeitinho que ela balançava os lindos cabelos, a maneira com que cumprimentava as pessoas na rua. Em resumo, adorava tudo nela. Parou de repente, quando um pensamento súbito passou por sua cabeça. Não, era muito precipitado.
Sakura percebeu que não tinha Syaoran mais ao seu lado, voltou-se para trás vendo-o absorto.
- Que houve?
- Você não me deu bom dia.
- Claro que dei...
- Não da maneira certa. – ele falou aproximando-se, segurou ambas as mãos dela e baixando a cabeça lentamente lhe deu um breve beijo nos lábios. – Essa é a maneira certa.
- Ah, você deveria ter me explicado. – ela falou sorrindo.
- Pode deixar, a partir de hoje começarei a instruí-la direitinho.
- Hum! Você é um especialista por acaso? – ela perguntou irônica.
- Não exatamente. Mas sou bom observador. – ele falou dando risada.
- Sei.
- Ciúmes?
- De jeito nenhum. Você sabe que nunca namorei, mas você ficou com algumas meninas...
- Fiquei. Você disse a palavra certa, nunca chegou a ser namoro. Acredito que nós dois vamos aprender juntos.
Os dois ainda discutiam as particularidades do namoro quando foram interrompidos por uma voz chamando Sakura. Era Tomoyo.
- Olá para vocês dois. – a morena cumprimentou aproximando-se, e no ato percebeu a intimidade dos amigos, abriu um lindo sorriso, os olhos brilhando. – Tem alguma coisa que queiram me contar? – perguntou sem desviar os olhos das mãos unidas.
Syaoran e Sakura caíram na risada ante a curiosidade nada disfarçada da amiga.
- Estamos namorando. – Sakura falou depois de trocar um olhar de assentimento com Syaoran.
- Ai meu Deus! Ai meu Deus! – Tomoyo exclamou duas vezes por pura falta de outra expressão. – Quando? Onde? Como?
O casal deu risada da excitação da amiga.
- Bom, basta saber, que estou esperando por isso já tem um ano. – Syaoran falou passando o braço pelos ombros de Sakura.
- E eu resolvi acreditar nele e dar uma chance. – Sakura brincou com Syaoran dando uma risadinha.
- Touya sabe?
Sakura ia começar a falar, mas Syaoran a interrompeu.
- Sabe sim, e deu sua total aprovação. – e em tom bem baixinho para Sakura acrescentou: - Se você abrir a boca é uma namorada morta.
A menina se conteve para não cair na risada, na verdade não o constrangeria contando do pedido de namoro.
- Ai meu Deus! – dessa vez o tom de Tomoyo foi de preocupação.
- Que houve? – Syaoran perguntou.
- Não sei se vocês pensaram em tudo, mas tem uma pessoa que não vai gostar nadinha disso.
- Mayu! – exclamaram ao mesmo tempo.
- Tomem cuidado.
- Pode deixar, não tirarei os olhos de Sakura.
- Ah qual é gente, ela pode ficar decepcionada de início...
- Eu não diria decepcionada, maluca de raiva seria melhor. – Tomoyo cortou a amiga.
- ... Mas ela supera. – Sakura completou esperançosa.
Nesse momento os três passaram pelo portão do colégio, e de imediato chamaram atenção. Os observadores notaram as mãos do casal entrelaçadas, e comentavam baixinho com os amigos ao lado.
Os amigos de Syaoran do time de futebol iam começar a fazer piadinhas, mas engoliram as palavras, rapidinho, quando deram de cara com a expressão fechada do chinês.
Chiharu, Rika e Naoko, juntamente com Yamazaki, aproximaram-se dos amigos, mais para tirarem-nos da atenção que estavam chamando.
- Valeu pessoal. Eu já estava ficando constrangida. – Sakura comentou.
- Tem um preço. – Chiharu disse. – Vão ter que nos contar tudinho depois.
Os outros concordaram sorrindo.
- Fechado. – Syaoran disse.
- Depois do treino hoje. Tenho uma surpresa para vocês. – Sakura falou às amigas.
- É hoje? – Syaoran perguntou.
- Claro que é.
- A coisa tá bem séria. Já estão até de segredinhos. – Yamazaki falou para as meninas.
- Vocês vão saber na hora do treino. – Sakura disse misteriosa.
A turma aproximava-se da sala de aula, Sakura e Syaoran indo mais a frente quando deram de cara com ninguém menos que Mayu parada à porta com os braços cruzados e uma expressão nada feliz no rosto.
- Vieram contar-me que vocês dois estavam de mãos dadas, mas eu duvidei. Até parece que Syaoran iria namorar uma bobinha como você Sakura. – a garota falou encarando Sakura nos olhos, com expressão nada amistosa.
- A fofoca é real Mayu. Mas não ficaria bem entrarmos na classe de mãos dadas, não é mesmo? – Sakura disse passando pela garota. Se a outra pensava que a intimidaria chamando-a de bobinha estava muito enganada.
- Sakura pode ser bobinha, mas é a minha bobinha. Por isso tome cuidado quando se referir a ela. – Syaoran falou em tom sério para Mayu, encarou-a durante alguns segundos e também entrou na sala.
A garota ficou parada à porta com uma expressão abestalhada, sem reação alguma.
Namorando? Eles estavam namorando? Não conseguia acreditar que aquela infeliz da Kinomoto tinha lhe passado a perna Ainda por cima não queria crer que tudo começara quando ela caíra de patins. Com sua ajuda.
Mayu apertou as mãos em punhos, lançando um olhar mortal a Sakura. Isso não ficaria assim, não ficaria mesmo.
As aulas daquele dia foram pontuadas de piadinhas e ironias que Sakura e Syaoran agüentaram estoicamente, o pior foram os olhares glaciais de Mayu para Sakura, se olhar matasse já estaria dura na sua carteira.
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Sakura foi conversar com o treinador para falar da sua idéia; ele adorou. Conhecia Syaoran e sabia que era um excelente capitão, sempre envolvido com o time e levantando o astral de todos.
- Aqui meninas. – Sakura chamou as garotas, na hora do treino, para se sentarem nas arquibancadas. – Como vocês sabem, o nosso time anda meio que esquecido de que somos um time. Não estamos unidas o suficiente para participarmos do campeonato colegial. Então eu convidei o capitão do time de futebol do colégio para falar um pouco da experiência dele em instruir os jogadores. Vai nessa Syaoran. – Sakura disse virando-se para ele.
O garoto olhou para as meninas e percebeu como elas se continham para não dar risadinhas. Sorriu de leve.
- Eu acho que todas vocês sabem como o nosso time de futebol era desorganizado no início. As atitudes eram egoístas, muitos dos rapazes jogavam visando apenas a si próprios e ao gol. Num ponto é até interessante. Em uma ou outra jogada, pode até dar certo, mas não indefinidamente. Em uma equipe é necessário depender de todos, pois todos estão em busca de um mesmo objetivo. No vôlei, vocês sabem que não dá para fazer uma jogada, sozinho. O importante é acreditar no companheiro que está ao seu lado, depender dele, e saber que ele depende de você também.
- Já sabemos de tudo isso que você está falando. – interrompeu Mayu.
- Então por que o time não está dando certo, Mayu? – Sakura interrompeu.
A garota ia começar a falar, mas não soube o que dizer.
- Vocês têm que esquecer o que está fora de quadra. Quando começam um jogo, têm que se concentrar apenas naquele momento. Manterem-se unidas acima de tudo. – Syaoran continuou, e dessa vez encarou Mayu nos olhos. – A motivação é muito importante em um time. Determinem uma meta: "Ganhar o jogo", e vão atrás da vitória. Vocês gostam de jogar vôlei? – ele perguntou olhando-as.
As meninas com os olhos fixos em Syaoran acenaram que sim.
- Se vocês gostam do esporte esse é meio caminho andado para o time dar certo. Aprendam a motivarem umas às outras. Tentem com palavras de incentivo colocar umas às outras para cima. Dê bronca quando necessário, cobre, mas não precisa pisar em ninguém ao fazer isso. Com disciplina, trabalho e obstinação vocês chegarão a campeãs no Campeonato Colegial. Acreditem nisso.
Sakura estava de olhos arregalados. Syaoran fora demais, nossa. Olhou as meninas percebendo algumas de boca aberta, outras com os olhos brilhando de admiração. Para surpresa do rapaz elas se levantaram e começaram a aplaudir com animação. Sakura, com dois dedos na boca, deu um assovio agudo e também começou a bater palmas.
- Ah que é isso. – ele falou constrangido.
- Você foi incrível. Eu sabia que seria demais, mas superou as minhas expectativas. – Sakura falou, aproximando-se dele.
- Exagerada.
- Que nada. A Sakura está certa. Eu não teria falado melhor. – o técnico Akinori disse dando a mão em cumprimento a Syaoran.
- Tive uma grande idéia. – Chiharu disse chamando a atenção. - Podíamos marcar um jogo com os meninos.
- É uma boa idéia. – Kori concordou.
- Apesar dos meninos não treinarem vôlei eles jogam bem. – Sakura disse pensativa, também aprovando. – Podíamos marcar um amistoso no domingo. O que vocês acham? Syaoran?
- Por mim tudo bem. Só preciso falar com os rapazes.
- Ótimo.
Syaoran e Sakura despediram-se das meninas e seguiram para o campo de futebol.
- Pronto. Está entregue. – Sakura disse ao garoto.
- Não quer ficar para assistir ao treino? – ele perguntou.
- Hoje não posso, é dia de fazer o jantar. Quer ir lá para casa depois do treino?
- Eu dou uma passada para te dar um oi.
- Tá bom. – e dando um adeus ela virou-se para ir embora, mas foi segura pela mão. – Que foi? – perguntou surpresa.
- Você está esquecendo de uma coisa.
Sakura olhou-o por segundos sem entender e ao ver a expressão marota dele caiu na risada.
- Ah, mas é claro. – apoiou as mãos nos ombros do garoto e deu-lhe um suave beijo nos lábios.
- Assim está bem melhor.
- Você é muito safado, Syaoran Li. – Sakura disse enquanto se afastava dele.
- A culpa é sua por beijar tão bem. – ele ainda gritou.
- Eu aprendi com o melhor. – ela retrucou, dando risada.
Syaoran ficou olhando a menina afastar-se com um sorriso besta na cara.
- Acorda, Syaoran. – Yamazaki chegou, dando-lhe um tapa no ombro.
- Parece um sonho mesmo. – ele falou baixinho.
Yamazaki caiu na risada, só ele sabia como o amigo ficara o ano passado inteiro encantado por Sakura.
- Vamos. Vamos treinar, Yamazaki. – Syaoran chamou o amigo e ambos foram para o campo onde o resto do time já esperava.
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Sakura seguia para casa sorrindo bobamente. Então era assim um namoro. Piadas e brincadeiras, beijos que nos deixavam caminhando nas nuvens, uma emoção nova a cada encontro, e estava namorando há apenas um dia. Não conseguia nem imaginar o que ainda viria pela frente.
Tão concentrada estava em seus pensamentos que não percebeu de imediato algo diferente ao chegar em casa. Mas ao colocar os pés na entrada algum sexto sentido a deixou alerta.
Havia algo errado. Não sabia exatamente o que era. Talvez os chinelos em posições trocadas, e um vento anormal.
Olhou dos lados procurando algo com que se defender, na falta de uma arma melhor pegou o guarda-chuva preto do pai. Nem passou por sua cabeça virar as costas e sair rápido de casa, ao contrário, de arma em punho, andou nas pontas dos pés até a sala, colocando o guarda-chuva a sua frente para se defender, mas o que viu deixou-a pasma por alguns segundos. A sala estava toda revirada com almofadas retalhadas no chão, os objetos da estante quebrados e espalhados. Alguém entrara na casa, e poderia ainda estar ali.
Virou-se rápido de olhos arregalados, um estremecimento passando por sua espinha e arrepiando os cabelos da nuca, seguiu para a cozinha, encontrando-a menos bagunçada, algumas gavetas no chão com seu conteúdo espalhado, passou os olhos pelo lugar, encontrando-o vazio. A porta escancarada indicando-lhe o vento que sentira e por onde o gatuno entrara.
A casa estava em silêncio, provavelmente quem fizera a bagunça já saíra. Estava saindo da cozinha quando um vulto pulou a sua frente.
- AHHHHHHHH. – gritou pulando para trás e balançando o guarda-chuva para todos os lados, atingindo no processo o que estava em cima do balcão. Voou a lata de açúcar e de chá fazendo uma bagunça ainda maior pelo chão.
Quando Sakura percebeu que ninguém a atacava parou e abriu os olhos lentamente, já que havia fechado-os durante o ataque de pânico. Um miado mostrou-lhe quem era o vulto que lhe 'atacara'. O gato da vizinha.
- Espantalho! Seu idiota, quase me matou do coração. – ralhou com o gato pegando-o no colo e colocando-o para fora.
Nesse momento Sakura ouviu um som leve vindo do alto. Virou-se assustada. Havia alguém na casa sim. O arrepio que passou pelo corpo e os olhos lacrimejantes indicaram que estava com medo.
- Ai meu Deus. Ai meu Deus. – disse baixinho. – Calma Sakura. Se era Espantalho na cozinha só pode ser Dorothi, ou um dos outros gatos nos quartos. – a senhora vizinha à casa de Sakura tinha quatro gatos, e todos com nomes de personagens do Mágico de Oz, pois ela era fã de carteirinha da história.
Sakura colocou o pé no primeiro degrau da escada, e sem fazer barulho subiu, pulando o quinto degrau que sempre rangia.
No final da escada agachou-se e olhou o corredor, vendo-o vazio. A porta de seu quarto estava fechada, mas a do quarto de Touya e do pai estavam abertas, e tinha certeza de que o quarto de seu pai estava fechado de manhã, como sempre. Engoliu em seco e caminhou até lá, olhou rapidamente para dentro não vendo ninguém, apenas a enorme bagunça como no andar de baixo.
Começou a ficar com raiva. Agora tinha certeza que a bagunça não havia sido feita pelos gatos. Eles não poderiam ter tirado o colchão da cama. Se visse o cretino que invadira a casa o encheria de tanta pancada que ele imploraria por piedade.
Entrou no quarto do pai, vendo as roupas, que ela e Touya ainda não tinham tido coragem de se desfazer, espalhadas pelo chão. Os documentos e pesquisas jogados, rasgados e alguns objetos de valor inestimável do pai, quebrados.
Sakura sentia a raiva chegando a limites estratosféricos, ela que era sempre calma e controlada, saiu do quarto como um furacão e entrou com tudo no quarto do irmão, encontrando-o vazio, mas também revirado. Restava seu quarto. Não hesitou, deu um tremendo pontapé na porta e quando viu seus bichinhos de pelúcia rasgados pelo chão, sua cama revirada, seu colchão retalhado, gritou de tanta raiva.
- Aparece agora seu infeliz, que eu vou quebrar a sua cara. – gritou para o quarto vazio. – Vou te socar tanto, mas tanto, que você nunca mais vai pensar em fazer essa barbaridade. – gritou mais ainda.
Abriu os armários e olhou em baixo da cama, mas não encontrou ninguém escondido, quando ouviu um som vindo de fora, correu para a janela. Deu de cara com um homem em cima da árvore, os dois se encararam surpresos, o homem recobrou-se rapidamente e ágil, pulou no chão.
Sakura não pensou muito, desceu as escadas, escancarando a porta da frente e correu atrás dele com o guarda-chuva erguido pronto para desferir um golpe, mas o homem já ia longe, então arremessou o guarda-chuva, errando por milímetros, e o intruso conseguiu entrar em um carro em movimento.
- Volta aqui, seu infeliz. – ainda correndo, ela gritou. Parou, ao ver, ser impossível alcançar o carro. Olhou a placa, mas ao menos havia uma.
Alguns vizinhos, ao ouvirem a gritaria e chiado de pneus, saíram para ver o que ocorria. A polícia foi chamada e Touya avisado, e quando ele chegou em casa o pandemônio já estava armado.
Encontrou Sakura sentada no sofá, ao lado da Sra. Hibicky, a vizinha fã de O Mágico de Oz, respondendo às perguntas de uma policial feminina.
- Sakura!
- Touya! – ela gritou correndo para os braços do irmão. – Olha só o que fizeram aqui em casa, se você ver como o quarto do papai está. E meus bichinhos de pelúcia? Você vai ter que me comprar outro colchão, e sinto dizer que o seu não está em melhores condições...
- Calma Sakura, uma coisa de cada vez. Você está bem? – perguntou preocupado olhando a irmã nos olhos.
- É claro que estou bem. Estaria melhor se eu tivesse pegado o bandido que fez isso. – Sakura parecia ainda não ter se dado conta do perigo que correra, a adrenalina ainda à solta.
- Ele ainda estava aqui? – Touya quase gritou.
- Estava. Mas eu o pus prá correr. – ela respondeu satisfeita de seu feito.
- O QUÊ? – agora ele estava mesmo gritando.
- Senhor Kinomoto. – a policial aproximou-se dos irmãos. – Gostaria que o senhor conversasse com sua irmã e lhe dissesse que é muito perigoso entrar em uma casa que foi invadida, o risco do ladrão ainda estar dentro é muito grande. Ela teve sorte do homem ter ficado assustado o suficiente para fugir.
- Sakura, por Deus, o que deu nessa sua cabeça? – Touya olhava para a irmã sem acreditar no que ela tinha feito.
- Ora Touya, quando eu entrei, não sabia que a casa tinha sido invadida. – ela disse tranqüila.
- E depois que ficou sabendo? – ele perguntou já começando a ficar irritado com a calma da irmã.
- Eu queria dar uma olhada, na verdade não pensei muito. Aí quando o Espantalho me atacou, pensei que ele poderia ser o autor da bagunça, foi quando ouvi um som vindo de cima, achei que fosse um dos outros gatos, já que era o Espantalho aqui em baixo, foi quando eu subi para pegá-los e acabei dando de cara com o ladrão fugindo pela árvore...
- Eu não acredito no que estou ouvindo.
- Fica tranqüilo Touya, eu estava armada.
- Armada? – ele perguntou cada vez mais espantado.
- É, com o guarda-chuva do papai.
Touya encarou Sakura por alguns segundos, atônito. Não sabia o que dizer, se ficava bravo pela idiotice da irmã, ou orgulhoso pela coragem dela. Acabou abraçando-a forte
- Sua tonta. Nunca mais faça isso. Quer me deixar de cabelos brancos com a minha pouca idade?
- Ah Touya, desculpa, não aconteceu nada, não se preocupe. – ela respondeu com a voz abafada por estar sendo quase esmagada pelo irmão.
- Poderia ter acontecido Sakura, e me diga o que eu faria sem você?
Nesse momento parecia que Sakura finalmente percebera a temeridade que fizera, seus olhos se encheram de lágrimas, pois não tinha pensando que algo de ruim pudesse acontecer.
- Desculpa Touya, fiz besteira mesmo. – falou fungando.
- Não precisa chorar, agora já foi.
- Mas é que eu fui ficando com tanta raiva, mexeram nas coisas do papai. – ela completou baixinho.
Touya ergueu os olhos encontrando os da policial, os dois entendendo na hora o que movera a menina.
- Vou deixar para terminar o relatório amanhã senhor Kinomoto. E uma rádio patrulha ficará de prontidão nas proximidades.
- Obrigado, oficial.
- Vou fazer um chá. – a Senhora Hibicky disse dirigindo-se para a cozinha.
Um tumulto começou a se armar na parte da frente da casa e ouviram quando a voz de um garoto gritou.
- Deixem-me passar. Saiam da frente.
- É o Syaoran, ele disse que passaria aqui depois do treino. – Sakura falou desvencilhando-se do irmão.
Encontrou o namorado sendo barrado por dois oficiais da polícia.
- Deixem-no passar. – Sakura pediu.
Quando Syaoran ergueu os olhos encontrando os de Sakura, seu coração quase parou, ela estava toda descabelada, o uniforme do colégio torto e tinha chorado.
- O que houve? – ele perguntou enquanto se aproximava.
Sakura passou os braços pela cintura dele apertando forte e não disse nada. Syaoran sentiu-a estremecer de leve e levou-a para dentro onde Touya os olhava em pé no meio da sala bagunçada, com a expressão carregada de preocupação.
- O que aconteceu? – Syaoran perguntou a Touya.
- Um ladrão entrou aqui em casa.
- Vocês estão bem? – ele perguntou, olhando Sakura ainda abraçada a ele.
- Eu não estava aqui. E, você, tente colocar juízo na cabeça da maluca da sua namorada. Eu ainda estou tremendo. – Touya disse sentando-se pesadamente no sofá. – Nunca dirigi tão rápido em toda a minha vida.
- Tome esse chá, querido. – disse a senhora Hibicky oferecendo a Touya uma xícara. – É de camomila, ótimo para os nervos.
Serviu uma a Sakura, mas ela negou com a cabeça.
- Você estava em casa, Sakura? – Syaoran perguntou, recebendo um aceno positivo.
Touya observou o silêncio de Sakura. Pelo visto a sua preocupação mostrara a ela o risco que correra ao enfrentar o bandido dentro de casa. Deus! Só de pensar no que poderia ter ocorrido. Levantou-se nervoso, postando-se à janela para que a irmã não visse sua emoção, mas ela sentiu.
- Desculpa, Touya. – ela falou baixinho, sentando-se no sofá com Syaoran ao seu lado.
- Tudo bem, Sakura. – ele disse, sem se virar. - Só me prometa que nunca mais fará isso. Nunca mais se colocará em perigo, por algo que não vale a pena. Bens materiais são recuperáveis, minha irmã, você não.
Syaoran nem precisou fazer mais perguntas, entendeu na hora o que ocorrera. Abraçou mais forte Sakura que se encolheu junto a ele. A senhora Hibicky vendo os dois rapazes cuidando da menina despediu-se, oferecendo qualquer ajuda que precisassem. Touya acompanhou-a até a porta, agradecendo-a por ter feito companhia à Sakura.
- Eu não pensei muito antes de entrar. – Sakura disse baixinho. – Sabe quando você vê toda a bagunça, mas não consegue acreditar que pode acontecer com você? Achei que na verdade não estava acontecendo, que um ladrão não poderia ter entrado em casa. Acreditei mesmo que não havia ninguém aqui, até vê-lo em cima da minha árvore. Mas eu estava com tanta raiva, nunca na vida senti tanta raiva de alguém. Na verdade ele teve é sorte de eu não ter conseguido pôr as minhas mãos nele.
Touya parado à porta da sala ouvia a irmã. Sabia o sentimento de raiva que ela estava descrevendo, pois ele sentia o mesmo, mas não pela destruição da casa e sim, pelo que poderia ter acontecido com ela. Se tivessem machucado Sakura, ele não sabia do que seria capaz de fazer, talvez muito mais que apenas bater no culpado.
- Infelizmente o carro não tinha placa. – Sakura continuou.
- Você o seguiu até a rua? – Syaoran em silêncio até o momento, perguntou espantado.
- Segui. Ainda joguei o guarda-chuva nele, mas errei feio.
- Viu o que eu quis dizer quando a chamei de maluca? – Touya disse ao garoto.
- Sakura, o que é que você tem na cabeça? – agora o indignado era Syaoran.
- Na verdade eu não pensei muito.
- Desmiolada. – Touya falou baixinho.
- É um elogio. – Syaoran acrescentou.
- Querem parar? – Sakura levantou do sofá olhando-os brava. – Já foi. Fiz o que fiz, e não aconteceu nada...
- Pura sorte. – Touya falou.
- ... Por isso, o assunto encerra aqui. – ela completou, saindo da sala e subindo a escada correndo.
Touya e Syaoran ficaram olhando-a sair da sala, ambos suspirando pesadamente ao mesmo tempo, ao ouvirem a porta do quarto da menina bater com toda força.
- Roubaram muita coisa? – Syaoran perguntou ainda sem desviar os olhos da porta.
Touya não respondeu, o que acarretou a atenção de Syaoran voltar para ele.
- Touya?
O que dizer? Que nada fora roubado? Isso lhe traria mais problemas, pois teria que dizer a Syaoran o que ainda não contara à irmã. Mas devido a essa invasão na casa, teria que contar com a ajuda do rapaz, para ficar de olho em Sakura. Um medo obscuro apertou seu peito.
Continua...
N.A.:
Oi Pessoal!
Acho que eu estava ainda no clima de Sem Barreiras quando escrevi esse capítulo, por isso relevem... ehehehe...
Bom, perceberam que algo está se formando não? O que será? Na verdade eu ainda não sei bem... Bom, eu sei, não exatamente... E isso está ficando confuso... ahahah...
A parte em que o Syaoran fala com o time de vôlei, quem me deu a idéia foi o Bernardinho, técnico da Seleção Brasileira de vôlei masculino, inclusive deve ter algumas palavras dele no discurso do Syaoran.
Que mais... Ah, essa semana eu estava revendo um dos eps. de CCS, aquele em que Sakura vai até a faculdade do pai dela, e a Carta Sono aparece, teve uma cena, do Touya observando a Sakura que me deu um aperto forte no peito, ai que lindo, quando ela não presta atenção, ele a observa de um jeito tão meigo, senti tanto amor naquele olhar... Boba, é eu sei, você deve estar dizendo isso... Mas foi tão fofo... Quero um mano Touya pra mim...
Pessoal, obrigada pelos reviews, adorei todos eles... Obrigadas às minhas novas leitoras, adorei receber reviews de gente nova. Desculpa não ter agradecido a vocês em particular, (os que vieram com endereços, eu respondi, outros sem endereço não respondi, e quem está cadastrado no FF, não deu para pegar endereços dessa vez), mas eu estava sem meu computador, desde antes de postar o terceiro capítulo, e é tão difícil usar outro... Agora que as coisas estão entrando nos eixos, mas eu ainda não estou no meu ritmo.
Quem acompanha Destinos Entrelaçados de HP e Uma Luz na Minha Vida de FMA, por favor, paciência, eu ainda não decidi como proceder.
Espero que vocês continuem acompanhando AI, logo Eriol aparece... ehehehe...
Beijos
Rô
Deixo vocês com minha excelente revisora...
Yoru: (com o ego inflado) Aiai... Não pense que estou feliz com esse elogio, viu?? (dançando sem conseguir se controlar) Eu não estou feliz! Não estou... (olhos 'brilhandinho')... Nya...
A Sakura é corajosa, nee? Mas eu acho que numa situação semelhante eu agiria da mesma forma... Leva algum tempo até percebermos o que está acontecendo... Até acreditarmos no que está acontecendo... (assumindo atitude séria de revisora responsável) O Li foi o máximo no discurso para o time de vôlei... Desafio o Dunga a fazer melhor!! Hehehe...
E aquela Mayu... Ela começa a me dar nos nervos... O que será que ela vai aprontar?? Será que ela está por trás da bagunça na casa da Sakura?? O que será que significa essa confusão toda?? Por que eu estou fazendo perguntas como o narrador de Saint Seiya???
Bem, como a grande Rô já disse que o otou-san vai aparecer logo, acredito que não haja nada mais a ressaltar... Apenas que esse capítulo está demais, apesar de curtinho... E que a demora para atualizar foi culpa minha... (-.-.-.-.-.-.-.-o//... sai correndo)...
