Tem vezes que eu penso que eu deveria bater lá na porta do convento e dizer: "Oi irmã, tudo bem? Pois é... Devido ao meu estado de abstinência amorosa e sexual eu resolvi ouvir ao recado divino e me tornar uma freira. Tudo beleza pra senhora?"!

Você já deve ter passado por isso ou pelo menos algo parecido. Mas, se não passou, vou lhe fazer o favor de lhe contar a minha drástica história.

Eu era noiva há três anos. Ele, o cara mais perfeito que eu poderia pedir: Alto, loiro dos olhos verdes, forte, simpático, carinhoso, um amante excelente, amigo, lindo e rico. Muito rico.

É, queridas... Eu, durante três maravilhosos anos, vivi uma vida de princesa. Tinha um homem perfeito, um trabalho perfeito, uma casa perfeita, e tudo o que eu queria na minha mão. Jimmy era capaz de me comprar a cidade, se eu pedisse.

E você agora deve estar se perguntando: "E o que aconteceu para que tudo isso fosse pro espaço?". Eu lhe respondo: Ele é gay. Sim, amiga, sim... Passei três anos da minha vida noiva de um gay enrustido.

Você tem noção do que é pensar que seu futuro perfeito estava garantido, e de repente descobrir que aquele médico sarado gosta da mesma fruta que você? Não... Você não sabe...

A separação foi tranqüila. Ele um dia chegou pra mim, e foi tão gentil. Nunca levei um fora tão carinhoso. Nos tornamos amigos. Grandes amigos. Jimmy é um ótimo conselheiro de moda, se você quer saber.

Acabou que ele voltou pra Europa. Me mandou postais. Ele casou. Casou! Com um homem!!! Muito bonito por sinal... E eu, depois da separação amigável, nunca mais tive um relacionamento. É sério... Já estou há um ano nessa seca.

Minha vida é bela, não?

Eu sou estilista. Trabalho nas empresas Takahashi há uns quatro anos. Ganho bem o suficiente pra me sustentar, ter um apartamento decorado do meu jeito e um carrão. O quê foi? Eu tenho meus caprichos!

Só que isso meio que perde a graça quando eu ouço que o namorado gostoso da minha vizinha chegou, e imagino, pelos sons estranhos que eu ouvi, ele deveria ter prensado ela contra a parede e feito o que bem entende, como ela mesma um dia já me disse que eles faziam.

É por isso que nesse último ano eu tenho me dedicado mais ao trabalho do que para a minha vida pessoal. Quem gostou dessa minha dedicação exagerada foi a minha chefinha, Sango. Ela é muito minha amiga. E tem muita sorte... O organizador de eventos mais badalado de toda a empresa, o Miroku, vive dando em cima dela. Ele é muito gostoso... Só que tem um probleminha: é um tarado incorrigível. Já passou o rodo em metade das mulheres daquela firma. Já deu em cima de mim também, mas eu era noiva na época... E depois disso meu orgulho falou mais alto e eu acabei por recusar todas as investidas dele.

E foi por causa do Miroku que um belo dia me aconteceu aquilo.

Eu estava na minha salinha, linda e cheirosa, trabalhando tranqüila quando ele abre a porta com um daqueles sorrisos safados dele.

-Kagome, minha flor de primavera! – Ele se apoiou no vão da porta com uma mão, enquanto a outra segurava a porta aberta, olhando pra mim.

-O que foi, Miroku? O que você quer desta vez?

-Minha lindinha, paixão da minha vida! Eu preciso do desenho do decote do vestido da Meg na minha sala em 5 minutos! É o que falta pra fechar o desfile de sábado! Você pode fazer isso pra mim, querida?

-Claro, só to arquivando e já te levo. Mas pra que você precisa do desenho de um vestido?! Você não produz o desfile?

-Sim, querida... Mas Meg é a minha atração principal. Eu vou fazer um cenário e iluminação do palco de acordo com a roupa dela. Entende? Sou brilhante ou não sou?

-Sim, Miroku, você é brilhante...

-E você é demais, Kagome! – Ele me disse piscando um olho e logo depois fechando a porta.

Eu terminei de fazer o desenho (certo, menti quando disse à ele que havia terminado...), arquivei e me levantei para ir à sala dele uns 10 minutos depois. Encontrei o corredor quase vazio, a não ser por um funcionário ou outro que corria apressado com papéis e pastas nas mãos. Apressei um pouco o passo, já que a sala de Miroku era do outro lado do enorme corredor.

Só que parece que outra pessoa também precisava chegar ao outro lado do corredor, o lado de que eu estava vindo.

Um cara com um terno cinza trombou comigo e os papéis que ele segurava caíram todos no chão, junto com o meu desenho.

-Oh, me desculpe, eu não estava prestando atenção! – comecei, enquanto ele simplesmente se abaixava para pegar os papéis e me devolver meu desenho.

-Tudo bem, não tem importância. – ele me respondeu, num tom sério.

Meu queixo quase caiu, mas eu sou muito pomposa para deixar que isso aconteça, é claro.

Costas largas, cabelos de um loiro muito, muito claro, quase branco, olhos dourados, rosto forte e (eu suponho) um peito e braços fortes de morrer. O cara era a coisa mais deliciosa com que eu já tive o prazer de trombar.

-Higurashi, certo?

-Certo... Como você sabe?

-Sou Inuyasha Taisho, o advogado de Sango. Ela me fala muito de você. E eu já vi você perambulando por aqui. – Ele me disse simpático, porém não tanto... Um misterioso...

-Ah sim... Como nunca vi você por aqui? – Eu disse, jogando o cabelo para trás e colocando a mão na cintura, fazendo um charme básico. Um pouco de sedução nunca é indispensável. Mas... Parece que ele estava impassível.

-Não venho muito aqui. E quando venho vou direto à sala de Sango.

-Ah sim... Bom, eu realmente tenho que ir, senhor Inuyasha, foi um...

-Oh, por favor... Sem isso de "senhor"... Muito formal. Apenas me chame de Inuyasha. Certo? – e sorriu bonito. Eu quase o agarro ali mesmo. Naquele maldito corredor vermelho vazio e incrivelmente apropriado para um "rala e rola" rapidinho! Mas eu sou muito fina e me controlei.

-Certo, Inuyasha. Foi um prazer conhecê-lo. Mas agora eu realmente tenho que ir. Vejo-o por aí?

-Com certeza. Até mais.

-Até... – e saí em direção à sala de Miroku, rebolativa. Que homem era aquele?!

Abri a porta do escritório de Miroku e dei de cara com as costas de sua cadeira de couro. Ele falava qualquer coisa no telefone e estava virado para a janela panorâmica da sua sala imensa. Me sentei na cadeira na frente da mesa dele toda sorridente, esperando que ele pudesse me atender. Uns 30 segundos depois ele virou a cadeira de frente para a mesa, desligou o telefone e me olhou com cara de poucos amigos.

-Você sabe que eu faço tudo por você, não é princesa? Sabe que eu faria tudo pra aliviar a sua barra. Mas se você atrasar com a única coisa que falta pra eu fechar o desfile complica, meu bem!

-Eu sei, eu sei... Aconteceu um imprevisto...

-Que imprevisto? Seu sutiã arrebentou? Quer ajuda para consertá-lo? – Ele me olhou com um sorriso maroto no rosto.

-Não, Miroku. Meu sutiã está inteirinho... Aqui está o seu desenho. Posso ir agora?

Ele pegou o desenho do decote, riu daquele jeito pervertido que só ele sabe e olhou pra mim.

-Eu adoraria ver você nesse decote, princesa...

-Nos seus sonhos, Miroku... Nos seus sonhos... Precisa de mais alguma coisa?

-Sim, sim! Poderia levar esse recado à Sango, se você foi à sala dela ainda hoje? – ele me entregou um papelzinho dobrado.

-Tá, tudo bem.

-Obrigado, princesa!

-Mais alguma coisa?

-Não, não, nada. Pode ir. A não ser que você queira vir aqui e me dar um beijinho... – Sorri e me aproximei dele. Virei seu rosto e dei um estalado beijo em sua bochecha esquerda.

-Não me provoque Kagome...

-Provocar?! Eu?! Não estou provocando ninguém! – Disse, fingindo brincar com uns papéis na mesa dele.

-Depois não vá ficar reclamando dizendo que eu sou tarado.

Apenas sorri e andei até a porta.

-Até mais, Miroku.

E virei as costas e fui embora. Atravessei o corredor novamente e fui para minha sala.

Sentei na minha cadeira e olhei meu local de trabalho. As paredes vermelhas intensas e os móveis negros davam um ar sofisticado à minha sala. O designe de tudo ali era diferente, alternativo. Orgulho-me do dia em que decorei esta sala. Particularmente eu acho que essa é a sala com mais estilo do prédio inteiro! Amo minha sala! Um toque de malícia, sensualidade, e simpatia. Lindo.

Olhei meu computador ligado e chequei minha agenda. Eu já estava livre. Poderia ir pra casa. Mas não sem antes ir exigir uma satisfação de Sango. Como é que ela havia escondido aquele advogado gostoso de mim por tanto tempo?! Eu precisava ir lá. Levantei-me e dei uma checada no meu visual: A saia branca que ia até os joelhos, a blusinha amarela levemente decotada e a sandália de salto me davam um ar de malícia ingênua. Chequei o cabelo e abri a porta. Olhei para minha secretária e avisei para ela que iria dar um pulo na sala de Sango, e não demoraria.

Logo depois estava eu, andando no corredor novamente, torcendo para que o advogado mais gostoso de todos os tempos trombasse comigo de novo. Cheguei à porta da sala de Sango e encontrei Kagura, a secretária dela.

-Olá Kagura. Sango está aí?

-Sim senhorita, mas está com o advogado. – Eu quase tive um ataque cardíaco.

-O... Senhor Inuyasha?

-Sim, sim. Ele mesmo. Quer esperar?

-Ah... Você poderia anunciar que eu estou aqui, e ver se eu posso entrar agora?

-Sim, claro. – Kagura pegou o telefone e falou com Sango.- A senhorita Kagome está aqui... Ok, certo. A senhorita pode entrar.

-Obrigada, Kagura. – Me empinei e abri a porta. A sala ensolarada de paredes róseas e móveis amarelos de Sango me pareceu um ambiente totalmente inapropriado para encontrar o "meu" querido advogado.

-Olá Sango. Oh... Senhor Inuyasha! Não sabia que o senhor estava aqui!

-Olá Kagome. E eu já lhe disse para não me chamar de senhor, não é? – ele disse, sorrindo em minha direção.

-Oh, claro. Me desculpe.

-Vocês já se conheciam? - Sango disse, logo depois de tomar um gole do chá que estava sobre sua mesa.

-Nos conhecemos hoje, no corredor. Acidentalmente eu quase joguei Kagome no chão.

-Ah sim...

-Bom, então já está tudo resolvido, Sango? Passarei os processos para você amanhã pela tarde.

-Sim, Inuyasha, obrigada!

-De nada. Então eu já estou de saída.

-Ah, espere! – eu disse, como se me lembrasse de algo naquele momento. – Porque não vem no desfile de sábado? Vai ser ótimo!

-Ah! Até parece que Inuyasha viria a algum desfile! – Sango disse olhando qualquer coisa no computador cor de rosa.

-Ah... Você não gosta de desfiles?

-Geralmente não. Mas posso abrir uma exceção neste sábado.

-Oh, sério? Então você vem?

-Com certeza!

-Oh, que ótimo! Então eu vou pedir que Miroku ponha seu nome na lista de convidados.

-Não precisa, eu mesmo peço.

-Vocês se conhecem?

-Sim, amigos de colegial. Estava vindo da sala dele quando ataquei você. – E aquele sorriso de novo.

-Ah... entendi.

-Bom, eu tenho que ir. Vejo vocês sábado?

-Sim, claro! – Sango disse lá da mesa, sorrindo como uma irmã mais nova.

-Até lá, Kagome. – Me lançou um sorriso e foi embora.

-É impressão minha ou rolou "O clima" nesta sala, neste momento? - Sango disse, se levantando da cadeira fofa.

-Você acha?!

-Não! Eu só acho que esta sala ficou tão quente que eu pensei que vocês dois fossem tirar as roupas naquele momento! – ela se encostou na mesa e cruzou os braços, olhando pra mim como se dissesse "Conte-me tudo, não esconda-me nada!".

-Você me deve uma explicação, Sango!

-Eu?! O que eu fiz?!

-Escondeu seu advogado gostoso de mim durante eu sei lá quanto tempo!

-Eu não escondi!

-Escondeu sim! Você sabe que eu estou numa seca desgraçada e guarda seu avogado tesudo só pra você!

-Eu não o estava guardando!

-Que seja! Por que não me apresentou a ele antes?!

-Bom, eu achei que você não ia querer sair com um cara como ele!

-Ah... Tanto faz! Agora eu já o conheço...

-Conhece bem, pelo que eu pude ver!

Eu sorri travessa. Quem me dera conhece-lo BEM!

Ei, não me chame de pervertida! Se você estivesse na seca há um ano você me entenderia!

-Sango eu quero o relatório completo! Ele tem filhos?! É casado?! Comprometido?! Divorciado?!

-Bom... não, não, mais ou menos e não.

-Mais ou menos o que?! Ele é casado?

-Não, ele é comprometido...

-Droga! Os melhores sempre têm dona!

-Mas está com muitos problemas na relação e está dando um tempo.

-Tempo?! Que tipo de tempo? Tempo que volta um dia ou tempo "terminou pra sempre"?!

-Eu não sei que tipo de tempo. Só sei que ele e a noiva estão dando um tempo.

-Noiva?! – literalmente caí sentada no sofá no canto da sala de Sango. O cara era noivo... Então o tempo não ia durar muito... Droga... Eu poderia tirar o meu cavalinho da chuva.

-É. Que é um saco por sinal. Ô mulherzinha nojenta!

-Você a conhece? Ela é bonita?

-Hmm... Normal. Magrela. Metida. Parece que é feita de barro!

-Nossa! Onde é que o Inuyahsa, gostoso do jeito que é foi arranjar uma mulher dessas?

-Eu não sei. Só sei que agora eu tenho que trabalhar.

-Eu já vou pra casa. To livre por hoje. Vou passar na costureira e ver se meu vestido já está pronto.

-Sorte sua... Encontro com você amanhã, então.

-Até lá – Ia saindo quando me lembrei. – Ah sim! Miroku me pediu para te entregar isso. – Entreguei o bilhetinho que Miroku havia me pedido para entregá-la poucos minutos antes.

Ela o abriu com uma expressão desconfiada, e fez uma cara estranha quando terminou de ler.

-O que foi?

-Veja isso: "Meu amor, será que pode passar aqui na minha sala quando não estiver ocupada? Preciso resolver alguns detalhes com você, certo? Muitos beijos carinhosos, Miroku." – me olhou com uma cara de quem diz "Que safado, não?!". Eu apenas sorri.

-Ai, Sango. Você é tão boba! Se fosse um bilhete para mim ele me chamaria de flor de primavera, raio de sol... Mas com você ele é... Tão sincero! Acho que ele gosta mesmo de você!

-Aquele pervertido? Duvido!

-Será que você não percebe?! Ele é todo sutil quando se trata de você!

-Tá, tá, que seja! Será possível que ele enganou até você?! – e saiu para ver o que ele queria. Eu saí em direção à minha sala e qual foi minha surpresa ao chegar e ouvir Suki me dizer que havia um advogado me esperando?!

-Quem? Que advogado?

-Ah... – Ela pegou um papelzinho e o leu – o Dr. Houjo.

PORCARIA!

-Houjo? O que ele quer aqui? – Não vou gastar tempo descrevendo Houjo. Só uma frase: Amor platônico desde o colegial.

-Ele não disse, senhorita. Fiz mal em tê-lo deixado entrar?

-Não, não... Eu vou ver o que ele quer. – Na verdade eu queria ter dito "FEZ, sua vaca ordinária!", mas o fato de eu ser muito polida me impediu.

Entrei na sala e o achei olhando os quadros da minha parede.

-Ah, olá Kagome!

-Olá Houjo. Como vai?

-Bem, muito bem. Escute, você vai no desfile de sábado, obviamente.

-Obviamente.

-Então... Já tem companhia?

A minha vontade foi dizer: "Já, querido, desculpe. Vou com Inuyasha, conhece? O advogado de Sango. Sinto muito...". Mas, o que eu tive que dizer foi:

-Não... Ainda não.

-Então... Que tal ir comigo? – os olhos azuis pareceram mais carentes do que nunca. Houjo é o tipo de cara que as mães chamam de bom partido. Bonito, gentil, trabalhador e estável financeiramente. Mas... Ele namorou minha prima, então... Sem chance de um relacionamento. Mas... Eu NUNCA ia aparecer no desfile sozinha, e não me restava muito tempo para arrumar um par, então...

-Claro Houjo, vai ser ótimo.

-Ótimo então! – Ele disse, olhando no relógio. –Eu tenho que ir agora. Uma audiência importantíssima, e estou ligeiramente atrasado. Pego você às 20:00 na sua casa no sábado?

-Claro! Com certeza... – falei o mais simpática que pude.

-Ok. Até lá então. – ele saiu com um sorriso vitorioso.

Até que não seria má idéia. Quer dizer, todos iriam acompanhados, e é lógico que eu não iria só. Houjo era uma boa companhia, afinal.

Guardei meus documentos na gaveta, arrumei minha mesa, peguei minha bolsa e fui. Estava naquele escritório desde cedo, preparando os detalhes do desfile. Estava um trapo!

Eu, modéstia à parte, sou demais!

Olhava-me no enorme espelho da minha sala: O vestido preto longo e o preto transparente ficaram simplesmente magníficos em mim! Ótimo! Quero só ver a cara do Miroku, haha! Se bem que ele provavelmente vai babar pelo que for que Sango esteja usando. Eu posso estar vestida de mulher gato, e se Sango aparecer vestida de mendiga, Miroku a comeria com os olhos. É verdade!

Estava apenas colocando os brincos quando o telefone tocou.

-Alô?

-Kagome, sou eu! Já cheguei.

-Ah, certo. Estou descendo. – desliguei o telefone e chequei meu visual mais uma vez para ver se estava tudo ok, peguei a bolsa, abri a porta e saí.

Desci e pude ver o carro luxuoso de Houjo parado em frente ao meu prédio.

Vi-o descer do carro quando me aproximei, para abrir a porta para mim.

-Está linda! – ele me disse com um sorriso.

-Ah, obrigada! Você também não está nada mal. – ele vestia um terno preto. Terno, terno, terno! Eu só vejo esse homem de terno! Só muda a cor!

Ele sorriu com o elogio e deu a partida no carro para o local do desfile.

Holofotes giravam pra todo lado. Fotógrafos corriam de um lado para outro, seguindo as celebridades que chegavam. Houjo parou o carro na entrada e abriu a porta para que eu descesse. Alguns fotógrafos dispararam os flashs de suas câmeras na minha cara. Afinal, eu tinha desenhado a maioria dos vestidos daquela noite.

Sorri forçada e tratei de caminhar – com o braço de Houjo enroscado no meu – para dentro do salão, onde as luzes piscavam, as pessoas andavam pra lá e pra cá, com suas roupas impecáveis. Sorri para alguns conhecidos, dei dois beijinhos na face de algumas madames fúteis, e finalmente, encontrei Sango, sorrindo como nunca, com uma taça de champanhe na mão esquerda.

-Ah! Kagome! Que bom que chegou!- Ela me deu um meio abraço – Uau! Você arrasou! – ela disse, olhando meu vestido.

-Obrigada! E você está linda!

Realmente, ela estava. Sango tem um gosto maravilhoso, quando se trata de roupas. Usava um vestido preto, com detalhes cor de rosa claro, aqui e ali. A sandália de amarrar na canela dava a ela um ar de rainha. Estava lindíssima!

-Ah, obrigada. Olá Houjo, como vai?

-Muito bem, Sango. E você? – ela nem teve tempo de responder. Miroku chegou com toda a sua pose.

Usava uma camisa branca um tanto colada no peito forte. A calça preta estilo largada o deixava quase irresistível.

-Boa noite Kagome! Está divina, minha flor. – eu apenas sorri como elogio. Logo depois de sorrir para mim, ele levou os olhos até Sango e seu rosto mudou radicalmente de expressão.

-Uau, Sango... Você está linda... – ele disse sorrindo, por mais inacreditável que isso possa parecer, sincero como nunca. Tão fofo... Parecia estar nervoso de estar olhando pra ela. Juro! Miroku! Nervoso!!

-Ah, obrigada Houshi. –Ela disse, olhando desconfiada na direção dele.

-Houjo, como vai? – ele e Miroku deram uns tapas nas costas (não sei como é que eles agüentam aqueles tapas que mais parecem socos!) e ficaram conversando sobre qualquer assunto chato de homens. Eu aproveitei a distração para cochichar para Sango.

-E aí? Nosso advogado já chegou?

-Já, chegou um pouco antes de você.

Eu quase dei um gritinho de felicidade, mas Houjo ainda estava ali, e eu tenho certeza que ele ficaria me pentelhando até descobrir o motivo de tanta felicidade.

-E ele veio acompanhado?

-Veio... A chata está com ele.

-A noiva, huh? – perguntei, sentindo a minha felicidade evaporar.

-Ela mesma. Toda metida! Falou comigo como se fosse minha chefe, ou coisa assim. Acho que ela se esqueceu que o marido dela trabalha pra mim, não o contrário! – ela falou, ficando vermelha de raiva.

-Noivo! – falei com raiva, quase pude sentir fumacinha saindo pelos meus ouvidos.

-Tanto faz. – Sango disse fazendo pouco caso e dando mais um gole do seu champanhe.

-Droga... Meu plano já era.

-Você tinha um plano?

-É, você sabe... O plano que sempre usamos...

-Ah sei. Jogar o cabelo pra trás, mão na cintura e coisa e tal? – ela disse, fazendo os gestos, o que chamou a atenção de Miroku atrás dela, que entortou a cabeça para olhá-la melhor.

-É, isso aí. – E então ela começou a me contar sobre o novo vizinho gostoso dela. Droga! Todas têm um vizinho gostoso, menos eu?! Porcaria de vida!

Em todo o caso, Sango não pôde terminar a história do vizinho, pois começou a me cutucar de repente, olhando disfarçadamente pra trás de mim.

-Kagome, não olhe agora, mas Inuyasha está vindo com a noiva.

Eu senti meu coração dar um salto. Ele estava vindo, estava vindo!!

-Ok, o plano vai começar agora. – Do nada, dei uma gargalhada, como se Sango tivesse contado a piada mais engraçada do mundo. E – é claro! - coloquei a mão na cintura e joguei o cabelo pra trás.

-Boa noite... – Uma voz máscula, sexy, rouca, pausada e incrivelmente safada falou atrás de mim. Infelizmente não foi esse "atrás" que vocês estão pensando. Quem me dera! Não. Foi um "atrás" distante. Como se ele tivesse se prostrado a um metro de mim, mais ou menos.

Eu me virei, como se para saber quem havia falado atrás de mim. Fiz a cara mais surpresa que eu pude. Lá estava ele, parado, sorrindo simpático para mim. Infelizmente, não era aquele sorriso maroto que eu havia recebido uns dias atrás. Foi um sorriso totalmente inocente, como o sorriso de um primo para uma prima.

Apensar de que, eu conheço alguns casos de relações entre primos... Então não. Foi mais um sorriso... De primo para priminha pentelha de quatro anos de idade. Isso mesmo, foi esse tipo de sorriso. Mas se bem que... existem os pedófilos e...

Ah esquece! Vocês entenderam!

-Dr. Inuyasha!! Como vai? Que bom que pôde comparecer! - Eu falei, sorrindo boba.

-Kagome, eu lhe disse para não me chamar de senhor, e agora você me aparece com "Doutor"... Por favor... Deixe de lado essas besteiras. – aí sim. Foi que ele me deu aquele sorriso. Eu, logicamente, devolvi imediatamente. Mas a minha alegria foi curta, porque ele se voltou para uma vareta branca que o segurava pela mão, e começou a dizer aquelas palavras que me cortaram o coração:

-Kagome, deixe-me apresenta-la à minha noiva, Kikyou Ahitaka. Kikyou, esta é Kagome Higurashi.

A vareta branca se aproximou de mim com um sorrisinho nojento, estendeu as mãos para que eu as pegasse e começou, com aquela voz grave e pausada:

-Ah, senhorita Kagome... Eu já ouvi muito a respeito de seu trabalho. Fiquei surpresa quando Inuyasha me disse que havia conhecido-a.

-Ah, que bom! Fico contentíssima em saber que conhece meu trabalho, Srta. Kikyou! – falei, com o melhor sorriso que pude oferecer a ela. Notei, pelo canto dos olhos, que Inuyasha me olhava. Um meio sorriso tomava seus lábios.

-Confesso que estou ansiosa para ver seus projetos na passarela hoje. Estou certa ao pensar que serão menos antiquados que os do último desfile, certo querida?

Antiquados?! ANTIQUADOS?! Quem aquela víbora pensa que é para julgas minhas roupas?! Fui colocada como a mais inovadora desenhista do ano neste desfie! Quem ela pensa que é para julgar meus projetos?!

Apenas dei um sorrisinho e acenei com a cabeça.

-Não, querida, me desculpe. Acho que deve acreditar que desta vez, minhas roupas estão mais ousadas e inovadoras do que você nunca viu. Agora, se me dão licença, eu preciso ir até as minhas modelos, ver se está tudo correndo como o planejado. Com sua licença. Foi um prazer, Inuyasha. - O olhei e acenei com a cabeça. Ele fez o mesmo, mas parecia desconfortável.

-Ah, eu vou com você. – Sango disse, me acompanhando até o corredor dos camarins das modelos. Houjo e Miroku estavam entretidos conversando qualquer coisa, nem viram quando eu e Sango nos afastamos. Pelos gestos que faziam deveriam estar conversando sobre peitos ou coisa parecida.

Chegamos ao corredor quase vazio, a não ser pela balbúrdia que havia dentro dos camarins, e um ou outro maquiador correndo de lá pra cá, entrando e saindo.

Eu e Sango entramos em um dos enormes camarins, nos deparando com várias modelos correndo apressadas. Algumas usando apenas a lingerie, outras sendo maquiadas, outras calçando os sapatos altos, outras arrumando os cabelos. Sentei em uma cadeira e Sango sentou-se de frente pra mim.

-Quem aquela bruxa pensa que é?! Quero vê-la desenhar coisa melhor! – eu disse exasperada.

-Ah, Kagome! Eu te avisei que ela era nojenta! Não ligue pra ela! Isso é inveja! Você viu o vestido brega que ela estava usando?! Minha nossa! Aquilo saiu de moda no século passado!

-Quer saber? – eu me levantei, recuperei a minha pose e chamei a atenção de todos ali. –Meninas! – eu falei alto, sorrindo – Hoje, vocês vão brilhar! Mais do que nunca! Tem uma baranga lá fora, que duvida do nosso talento. Então vamos mostrar pra ela quem nós somos, e o estrago que podemos fazer!

As modelos aplaudiram e deram gritinhos histéricos. Adoro causar alvoroço!

-Kagome! Kagome! Eu preciso da sua ajuda aqui! – Meg me chamou, desesperada, com o vestido preto nas mãos. –Kagome, me ajude a vestir isto! É muito complicado!

Eu a ajudei e logo depois eu e Sango voltamos para a festa.

Houjo e Miroku nos esperavam perto do palco.

-Vamos, meninas! Vamos nos sentar. A nossa mesa está a nossa espera.

-Você vai se sentar conosco? – Sango perguntou a Miroku, com um olhar descrente.

-Claro que sim, amor. Onde mais eu me sentaria? – e deu um sorriso singelo para ela, e fez um carinho romântico em seu queixo.

Ai, como Sango é idiota!

Chegamos á nossa mesa e eu notei algo estranho. Éramos eu, Sango, Houjo e Miroku. Porque haviam seis lugares?

É... Tudo bem. Você, com certeza, deve estar pensando: "Nossa, como ela é burra! Não é óbvio que os lugares eram para Inuyasha e a noiva dele?!". É. Realmente, era óbvio. Mas eu não esperava que ela teria coragem para vir se sentar na minha mesa depois de ter ofendido meu trabalho.

Dito e feito. Quando nos sentamos – Houjo tratou de se plantar do meu lado ¬¬' – Eu avisto um vestido verde-musgo jogado por cima de uma vareta vindo na nossa direção, sendo acompanhada por um corpo masculino que eu preferi não analisar muito.

-Ah, que bom que vocês já encontraram a mesa! Poupará meus pés. Nossa! Já estou cansada, e até agora nada de muito interessante aconteceu.

Ela se sentou na cadeira que estava ao lado de Miroku, e Inuyasha sentou ao lado de Houjo, na mesa redonda.

Até Miroku, que em ocasiões normais, ficaria sorrindo para qualquer mulher que sentasse ao lado dele, respirou fundo disfarçadamente, tentando controlar a irritação.

Ela havia ofendido o trabalho DELE desta vez. E deixe-me esclarecer, a festa não estava nada chata. Quer dizer, com quatro ambientes diferentes é de se esperar que alguém se divirta, não? Miroku tinha feito um excelente trabalho

-Então... Kikyou, querida... – eu comecei, cruzando as mãos sobre a mesa. – Em que você trabalha?

Ela pareceu se contorcer disfarçadamente.

-Não estou trabalhando no momento, querida. – ela disse, e eu comecei a gostar.

-Ah, que pena. Agora entendo...

-Entende o que?

-Sua falta de tato e bom senso no que diz respeito a críticas. Como você não trabalha, certamente não deve sair muito, então não sabe avaliar a qualidade de uma coleção de outono, tampouco a grandiosidade de um evento magnífico como esse. Não é mesmo... Querida?

Percebi que os olhos de Miroku brilharam, e um sorriso satisfeito se fez em seu rosto. Sango tossiu de leve e olhou para os lados, tentando controlar a risada que estava prestes a vir. Houjo olhou para baixo controlando-se, e até mesmo Inuyasha parecia ter gostado.

A cara da vareta ficou vermelha de repente. Ela apertou os lábios e estreitou os olhos. Ficou parecendo uma planta pegando fogo.

-Eu proponho um brinde! – Miroku disse, levantando a taça de champanhe que estava a sua frente. – Um brinde, ao magnífico evento, e a uma coleção de , maravilhosamente charmosa e... Nada nada antiquada. – ele disse a ultima palavra com um olhar cínico para Kikyou, que respirou fundo, os lábios ainda comprimidos, como se tivesse tomado um remédio muito, muuuuuito ruim.

Todos nós levantamos as taças e levamos à boca. Era um ótimo champanhe.

-Então, Inuyasha. Como anda o escritório? – Miroku falou de repente, se virando para Inuyasha.

-Ah! Um caos! Nunca trabalhei tanto.

Ele começou, descansando as costas na cadeira. A camisa branca estava meio aberta, deixando o peito forte à mostra.

É, eu totalmente acertei quando supus que ele tinha um peito ótimo.

O paletó preto totalmente aberto dava a ele um estilo "formal-desleixado" sexy. A calça também preta, infelizmente, não me deixava descobrir se as pernas eram fortes como eu imaginei.

No momento em que ele ia falar mais alguma coisa, as luzes do salão se apagaram, as luzes amarelas e vermelhas do palco se acederam, e a voz de Ayame surgiu, formal e pausada.

"E agora, senhoras e senhores, o momento que todos nós esperávamos: A coleção de inverno, por Naraku Onigumo, Rin Kosaka e Kagome Higurashi."

A platéia soou em palmas e uma música instrumental soou. A primeira modelo surgiu, vestindo um terninho preto com listras bancas, o cachecol vermelho ao redor do pescoço. Botas vermelhas cintilantes cano longo... Criação minha.

Olhei para a cara de Kikyou e ela estava olhando a modelo com raiva.

HÁ! Agüenta essa, queridinha.

Logo, várias modelos começaram a caminhar pela passarela. Ora uma minha, ora uma de Rin, ora uma de Naraku.

-E... O Gran finalle!- Miroku disse quando a última modelo da noite, Meg, apareceu com aquele decote "poderoso", em tons amarelados e marrons, estampa mista.

As luzes do palco imediatamente mudaram de cor, os painéis com fotos das roupas das odelos anteriores subiram e foram substituídos por fotos de diferentes partes da roupa que Meg usava, assim como um cenário totalmente diferente surgiu, não sei de onde.

Olhei para Miroku que sorria orgulhoso olhando para o decote ousado da modelo.

Sango tinha um sorrisinho no rosto. Eu sabia que ela estava orgulhosa dele. Só que não admitiria isso nem que fosse torturada.

Enquanto Meg caminhava até o fim da passarela, eu me levantei. Era a hora.

Pedi licença e me afastei da mesa. Todos me olharam intrigados, menos Sango, que sorria cúmplice. Caminhei até o camarim rapidamente.

As modelos começaram a andar em duas filas indianas na passarela, sob os aplausos e assovios do público. Eu e Rin estávamos atrás da cortina, esperando nossa vez de entrar.

Rin Kosaka trabalha comigo há um ano e meio. Ela é um amor de pessoa. Somos muito parecidas em vários aspectos. Por exemplo: compras! Nós duas já fomos capazes de gastar quase nosso salário inteiro de uma vez só, em uma maratona de shoppings por Tóquio.

Mas ela é beeeeem diferente de mim no que diz respeito à conquista.

Rin é um doce. Meiguinha, fofinha, princesinha. Ela conquista sem querer.

Eu não. Eu jogo meu charme em cima do meu alvo até conseguir o que eu quero. Gosto de um jogo de sedução. Rin não. Rin adora os romances. E isso se reflete totalmente no estilo com que ela desenha.

Suas roupas são geniais. Ela faz o básico se transformar em novidade. Faz o brega virar moda. E tudo muito sutilmente, com um toque romântico aqui e ali.

Eu sou diferente. Faço mais o estilo caça e caçador. Posso tanto ser a presa, quanto o predador (rimou!).

Minhas roupas são ousadas. Não tenho medo de inovar, ousar, explorar tudo o que posso.

E vem uma magrela feita de barro e diz que eu sou antiquada.

HÁ! Muito engraçado.

-Ah, estou tão nervosa! – Rin contorcia as mãos por cima do colo do vestido branco cintilante claro.

-Ih, querida! Desencane! Você arrasou. – eu digo enquanto Tsubaki passa um gloss básico nos meus lábios. Eu poderia muito bem fazer isso sozinha, mas é impressionante como Tsubaki faz a nossa boca ficar incrivelmente irresistível apenas com um simples gloss transparente por cima do batom.

-Prontinho. – ela disse, olhando para mim satisfeita. – Vai arrasar!

-Meninos, meninos! Vamos, está na hora! – Jakotsu entrou todo alvoroçado, com uma prancheta na mão, usando aquela calça de couro.

Vou lhe falar, Jakotsu é o melhor coreógrafo que você pode conhecer. O meu segundo homossexual favorito, depois de Jimmy, é claro.

-Vamos, minhas delícias! É a sua deixa! Não se esqueçam do olhar que eu ensinei!! – enquanto os meus modelos masculinos entravam na passarela para a despedida, Jakotsu analisava o meterial, se é que você me entende.

-Mãe de misericórdia! Eu queria ter nascido com um traseiro assim! – ele falou, se virando para mim e para Rin. –Ah! Minhas adoradas! Estão chiquérrimas! – Ele pegou as mãos de Rin e deu um look no visual romântico. –Ah, com licença, minha linda... – e sem aviso prévio, arrancou o primeiro botão do vestido dela, fazendo o que antes era um decote comportado, virar o que Miroku chamaria de visão do paraíso.

-Jakotsu!! – ela exclamou, olhando o tecido meio danificado, devido à força com que Jakotsu arrancou aquele botão.

-Não se preocupe, querida! Dou um jeito nisso em dois tempos! – ele estalou os dedos e uma mulher baixinha surgiu atrás dele. Ela deveria ser da altura do meu umbigo! Sério mesmo!

Só sei que a mulher começou a costurar o vestido de Rin, que olhava totalmente vermelha.

Quando a criatura se afastou, Rin possuía um verdadeiro decote! Tinha até umas lantejoulas prateadas!

-Ah! Eu quero lantejoulas também! – reclamei, apontando para o decote de uma Rin que olhava incrédula.

-Jakotsu! – ela disse – Eu estou com cara de vadia!

-Ah, claro que não, meu amor! – e, como se não bastasse, ele começou a passar glitter em toda a extensão do colo dela!

-Jakotsu! Eu também quero glitter!

-Kagome, querida... Se eu aumentasse seu decote e lhe aplicasse glitter você iria ofuscar todas as modelos e Rin. Sem falar de Naraku. Todos só iriam olhar para você. Você sabe que já é poderosa sem precisar destes artifícios! – ele deu uma olhada na minha roupa. – E além do mais... – Ele se aproximou e tirou o meu . Olhou meu vestido preto, com o decote provocante: uma fenda entre os meus seios que ia até abaixo do umbigo. –... Você já está bastante avassaladora esta noite.

Avassaladora... Gostei disso!

Kagome... Avassaladora!

É!

-Uau, uau... uau! – Bankotsu estava passando por ali. – Kagome, você está... Uma delícia, se me perdoa.

Bankotsu era o típico garotão pegador. Era ele, depois de Miroku, quem se encarregava de levantar a minha autoestima. Bonitão, musculosão, gostosão... Era um filinho de papai rico, que resolveu seguir a carreira de modelo para unir o útil ao agradável: trabalho fácil e fama.

É. Fácil pra ele, que só faz vestir, andar e mandar um olhar sexy na direção da platéia.

-Obrigada, Bankotsu. – eu pisquei um olho e ele levou a mão ao coração, como se fosse ter uma taquicardia.

Háhá! Amador.

-Vá, querido, vá! Está na sua vez! – Jakotsu empurrou-o em direção à passarela. Ele fez uma cara sexy e entrou atrás de outro cara que eu não me lembro o nome.

-Jakotsu... Meu vestido! Dê um jeito nisso! – Rin ainda reclamava.

-Ah, querida! Relaxe! Você está um arraso! Não está vadia! E além do mais, ele está aí esta noite...- Jakotsu falou para ela, todo cúmplice.

-Ele? Ele quem? Quem está aí, Rin?! Por que eu não estou sabendo de nada?

-O cara em que ela está de olho. Vou te dizer amiga, um tesão de homem, pelas fotos que vi! – Jakotsu me revelou, abanando-se com a mão direita.

-Como é que você não em conta nada disso, Rin?! – eu olhei para ela, que sorria encabulada.

-Ah, é que... Não tive tempo...

-Sei, sei...

Que droga! Eu sempre conto minhas paquerinhas para Rin. Por que ela não me contou essa?! Que abuso!

-Eeee... Está na hora! – Jakotsu falou, olhando o relógio no pulso.

"Senhoras e senhores, vamos receber nossas maravilhosas estilistas: Kagome Higurashe e Rin Kosaka!". De novo a voz de Ayame surgiu. Eu e Rin respiramos fundo e entramos.

Adoro andar na passarela depois de um desfile produtivo! Sempre sou recebida com palmas e assobios!

Olhei em direção à mesa que antes estava sentada. Sango levantou o polegar pra mim e piscou um olho, muito discreta.

Miroku estava - é claro – de boca aberta, literalmente. Não sabia se olhava para mim ou para Rin. Kikyou estava com uma cara amarga. Houjo afrouxou o nó da gravata.

E Inuyasha... Era difícil definir a expressão dele. Só sei que não tirava os olhos de mim.

E agora, Kikyou?! Seu noivo está praticamente me comendo com os olhos! E você aí, com esse vestidinho verde musgo de poliéster.

Brega.

Eu e Rin demos a nossa voltinha, para os fotógrafos, é lógico.

Penas que estava de costas... Queria só ver a cara do Inuyasha quando eu dei meu rebolado matador.

"Com vocês, nosso queridíssimo... Naraku Onigumo!"

Naraku entrou, Pomposo, sério e imponente. Ele até que é um coroa enxuto, se você quer saber.

Impecável, como sempre.

Ele andou até mim e Rin, que aplaudíamos junto com as modelos, nos deu um beijinho simpático na bochecha, e juntos, caminhamos até o final do palco.

Foi uma cena bem clichê: Naraku tinha a mão direita na minha cintura, e a esquerda na de Rin. E nós três sorríamos contentes, andando daquele jeito que modelos andam, até o fim da passarela, ao som de Ain't No Other Man, Christina Aguilera.

Fazer o quê, se Jakotsu é fanático por essa música.

Depois de muitas palmas, flores, assobios e os cumprimentos à modelo estrela da noite – que por acaso era Meg -, eu, Rin e Naraku fomos para os bastidores do novo.

-Meninas... Ótimo trabalho. Estamos todos de parabéns. – ele sorriu daquele jeito "Eu sou o chefe!" dele e foi embora receber seus convidados vip's.

Ele é sempre assim. Misterioso, de poucas palavras.

Mas isso não vem ao caso.

-Rin! Me explique agora mesmo por que foi que eu não fiquei sabendo que você está de caso!

-Eu não estou de caso, Kagome... – ela falou, os olhinhos chocolates brilhando.

-Por que não me disse que está a fim de alguém?!

-Ah, não sei...

-Pois agora você vai me contar. Quem é ele? Está aqui esta noite? Como ele é?

-Nossa, calma! – ela levantou as mãos em minha direção, como se me forçando a frear. – Ele, é simplesmente o cara mais, como você diria, tesão que eu conheço!

-Ah! E como é o nome dele?!!

-Ah... É um nome lindo... – nós saímos dos bastidores neste momento.

-Sesshoumaru Taisho... – ela disse toda sonhadora...

-O quê?! Taisho? Tem certeza?!

É o mesmo sobrenome do Inuyasha!!

-Rin, querida. Tem certeza de que não é Inuyasha Taisho?

-O quê? Não, claro que não! Você acha que eu não saberia o nome dele, Kagome?! Este é o irmão dele.

Irmão! Tem DOIS dele!!

-Oh, minha nossa! Você só pode estar brincando!! – Eu falei, toda animada! Quer dizer, Rin iria ficar com um irmão, e eu com outro! Que coisa perfeita! Seríamos parentes!!

Quer dizer... Isso se o Inuyasha se tocar e largar aquela magrela.

Mas antes que eu pudesse explicar a situação à ela, eu vejo um pequeno aglomerado de pessoas vindo em nossa direção: Miroku, Sango, Houjo, Inuyasha e a vareta caminhavam ao nosso encontro. As três primeiras pessoas citadas tinham um sorriso de ponta a ponta da cara.

-Vocês arrasaram, meninas! Sério mesmo! Estavam fabulosas! – Sango nos deu aqueles abraços amigáveis que vive distribuindo quando está contente.

-Eu não tenho nem palavras. O ponto alto da noite, com certeza. Kagome, você está... Eu não vou nem dizer! – Miroku pregou os olhos azuis no meu decote, que estivera escondido pelo xale delicado até antes de eu entrar na passarela. – E Rin... Eu estou embasbacado! – ele disse, olhando o decote dela.

Rin nunca usa decotes. Nunca MESMO!

-Ah, Miroku! Pare com isso... – ela disse, sorrindo toda encabulada. Ela é tão gracinha!

Houjo não foi capaz de falar coisa alguma. Só ficou ali, parado, parecendo um idiota de colegial que não consegue falar quando vê a garota que gosta.

-Meus sinceros parabéns, Kagome. Você esteve fantástica... – Inuyasha se soltou do aperto de Kikyou e beijou minha mão direita, todo galã.

Pode até ter sido ilusão minha, mas eu posso jurar que ele me deu um olhar todo significativo antes de abaixar os olhos para beijar minha mão.

Que safado!

Adoro essas coisas!

-Rin, o que posso dizer? – uma voz que eu não conhecia se fez presente. Eu olhei por cima do ombro de Inuyasha e vi.

A cópia mais madura do espécime masculino que segurava minha mão com firmeza: um pouco mais alto, o cabelo também loiro muito claro.

Sexy.

Vestia um terno azul marinho, nada de gravata.

Imediatamente me veio na mente que eu adoraria ganhar os dois irmãos como presente de Natal. Seria um presente bem útil, se você quer saber.

-Você está encantadora! – era uma voz bem grave e sexy. Eu, pessoalmente, obedeceria qualquer ordem que aquela voz me desse. Desde "Kagome, faça isto." até "Cale a boca e tire a roupa!".

-Sesshoumaru! - Rin ficou toda sorrisos, quando ele chegou e lhe deu um beijo no cantinho da boca, segurando a cintura dela como quem diz: "Afaste-se, propriedade minha"

Ora, era mais do que claro que eles estavam transando.

Perdoe o termo.

-Sesshy, essa é Kagome Higurashi, a minha amiga de quem lhe falei. Ela desenhou metade das roupas do desfile desta noite.

-Muito prazer, Sesshoumaru Taisho. – ele também beijou a minha mão.

Ah! Que calafrio que eu senti!

-Encantada. Espero que Rin tenha falado coisas boas de mim! – eu disse toda sorridente.

-Só coisas maravilhosas. Você fez um excelente trabalho. Assisti o desfile hoje. Aceite meus sinceros parabéns.

-Muito obrigada.

-Como vai, Houshi, Houjo? Olá Sango. – ele deu um beijinho no topo da cabeça de Sango, que agiu de novo como se fosse uma irmãzinha mais nova sendo protegida pelo irmão gostoso.

-Olá, Sesshoumaru, como está?

-Bem, obrigado. Irmãozinho? – Sesshoumaru encarou Inuyasha com uma cara divertida. Ele respondeu com um aceno de cabeça desleixado.

-Como anda Kikyou?

-Bem, Sesshoumaru. Obrigada. – a vareta respondeu como se estivesse com nojo dele.

Ah, eu tenho vontade de quebrar a cara dessa mulher!!

Foi aí que eu me toquei. Ele cumprimentou todo mundo. Como se já fossem amigos de infância! Isso era um complô contra mim?! Porque só eu era privada de conhecer os gostosos da turma? Eu tive que descobrir Inuyasha por conta própria, e agora, se eu não perguntasse Rin não iria me falar de Sesshoumaru.

Eu estou começando a achar que estão todos com um plano para que eu permaneça na seca por tempo in'definido!

-Inuyasha, eu não estou me sentindo bem... Não quer me levar pra casa? – a vareta falou.

-Agora?

-É, tive um dia cheio hoje...

-Ah claro... Deve ter sido muito cheio... Vegetar no sofá deve ser realmente exaustivo... – Sango sussurrou para que só eu ouvisse.

Inuyasha se afastou de nós levando-a pelo braço até um canto. Eu não fiz questão de ficar olhando.

-Então – eu comecei sorrindo – Quer dizer que você e Inuyasha são irmãos?

-Meio-irmãos. Sesshy e Inuyasha são irmãos apenas por parte de pai. – Rin explicou.

Nossa! O pai desses dois deve ser uma coisa!! Aquele "Sesshy" tinha cara de ser bem safadinho também.

-Entendo. Você também é advogado, Sesshoumaru?

-Promotor. – ele respondeu, todo polido. –Prefiro enfiar um cara na cadeia do que tirar ele de lá.

Uau! Promotor!

Ele devia ser bem mandão... Do tipo que fala grosso na hora de "você-sabe-o-quê".

-Sucesso!! – Jakotsu apareceu todo serelepe. –Sango, querida!! Não vejo você faz uma semana!! – deu dois beijinhos em cada face de Sango. – Depois quero saber de tudo o que está rolando com você! – Sango sorriu para ele.

-Pode deixar, Jakotsu! Eu estava precisando colocar os assuntos em dia com você!

-Mirokinho!! – ele capturou a face de Miroku e deu dois beijinhos estalados no rosto dele, assim como fez com Sango.

-Ah... Oi Jakotsu... – ele disse, todo embaraçado.

-Minha nossa, Rin! Quem é o seu acompanhante bonitão? – ele disse, avaliando Sesshoumaru de cima a baixo.

Como se ele não soubesse. Eu sabia que ele estava disfarçando.

Rin apresentou os dois. Sesshoumaru pareceu tão desconfortável quanto Miroku, diante da alegria exagerada de Jakotsu.

Inuyasha voltou, desta vez sem a magrela.

-Me desculpem, Kikyou não estava se sentindo bem, tive que manda-la para casa.

Jakotsu arregalou os olhos.

-Minha nossa! Esta é a noite dos homens bonitos!! – ele andou na direção de Inuyasha e estendeu a mão para que ele apertasse. Estava claramente esperando que eu apresentasse os dois, já que Inuyasha se prostrou ao meu lado.

-Jakotsu, este é Inuyasha Taisho, o advogado de Sango. Este é Jakotsu, meu coreógrafo mais que perfeito.

-Minha nossa! São dois?! – às vezes Jakotsu tem o poder de pensar igual a mim!

-São irmãos. – eu disse.

-Que belo trabalho, os pais destes dois fizeram, não acham?!

Inuyasha sorriu sem graça ao apertar a mão de Jakotsu.

-Kagome, você pode me acompanhar à mesa do bufett por um instante?

Não foi Jakotsu quem disse isso. Nem Rin, ou Sango, ou Miroku. Ou Houjo. Sim, Houjo ainda estava lá, ainda que não falasse nada. Acho que ele estava tentando se fazer invisível para Jakotsu, que ainda não o tinha notado.

Quem falou foi Inuyasha.

-Ah, claro. Com prazer. Com licença – eu disse às pessoas que ficaram conversando na rodinha. Jakotsu tinha avistado Houjo, e agora, sem brincadeira, estava apalpando o peito dele por cima da camisa, ainda que Sango tentasse impedi-lo. Eu nem olhei para Houjo. Coitado.

Inuyasha estendeu o braço para que eu enroscasse o meu próprio nele. Eu o fiz, ora. Sem pestanejar.

-Kikyou está bem? – eu perguntei como se estivesse preocupada com a saída repentina dela.

-Está, só estava fazendo drama. – ele disse, olhando para frente, logo depois virando o rosto para mim ao continuar. –A propósito, eu peço desculpas pelo que ela disse no início da noite, eu realmente...

-Ora, não se preocupe. Ninguém é obrigado a gostar do meu trabalho, não é?

Nossa! Estou impressionada com a minha capacidade de parecer inocente!

-Mesmo assim, peço desculpas.

-Não se preocupe.

-E então? De onde conhece Houjo? – ele perguntou, voltando a olhar para frente.

-Ah, desde o colegial. Por que?

-Nada, só achei curioso... Já trabalhei com ele.

-Sério? Quando?

-Em um caso do homicídio, faz mais ou menos seis meses... Devo dizer que ele pode ser bem irritante.

Eu pensei em concordar, mas achei melhor não.

-E então? Aonde estamos indo? A mesa do buffet já passou. – eu disse sorrindo na direção do rosto forte.

Ele fez uma expressão de surpresa ao olhar para trás, e ver a tal mesa já um pouco distante.

-Ah é, eu... Nem havia notado... – ele me sorriu, denunciando a própria mentira. –Será... Que me concede? – estendeu a mão direita para mim quando a música lenta começou e os casaizinhos começaram a se aglomerar no meio do salão.

O que eu podia fazer? Aceitei o convite e peguei a mão forte dele.

Particularmente, eu me considero uma boa dançarina. Quer dizer, eu fiz um curso completo de Tango depois de assistir Moulin Rouge. Não sou o que se pode considerar uma pessoa com dois pés esquerdos.

Mas eu NUNCA havia dançado com um par que me pegasse daquele jeito. Com força, firmeza, quase querendo que eu me fundisse ao próprio corpo.

Eu nem sei dizer se era força, o que ele usava pra me segurar. Era tão delicado e preciso, tão cuidadoso e firme. Eu não sei que tipo de truque ele usou pra dançar comigo.

Só sei que eu fiquei quase entregue.

Ai! Aquele homem ainda ia me deixar louca!

A dança acabou, e ele soltou minha cintura. Olhou pra mim com um sorrisinho.

-Além de linda, ótima estilista, é uma dançarina impecável. – ele me disse, me oferecendo o braço novamente, para que nós continuássemos o nosso passeio.

-Oh, bondade sua...

O que foi? O que você esperaria que eu dissesse? Ou fizesse? Só por que ele me chamou de linda não quer dizer que esteja insinuando alguma coisa. Quer?

Ta bom, ele TEM um sorriso lindo. Ele TEM todo um porte. E eu totalmente SENTÍ os bíceps voluptuosos do cara em volta de mim enquanto dançávamos. E ele TOTALMENTE, POSITIVAMENTE ficou passando o nariz pelo meu pescoço, mas o que eu podia fazer?

-Fiz apenas algumas aulinhas de dança, mas nada que me fizesse profissional... – o que é a maior mentira, por que eu tenho um diploma de melhor aluna da minha classe de valsa e tango emoldurado em algum lugar do meu quarto.

Ele apenas sorriu e continuou a caminhar calmamente, em volta das pessoas que passavam sorridentes por nós.

-Inuyasha! Não acredito! O que VOCÊ faz aqui, querido?! – Ayame veio, toda ruiva e branquinha, do jeito que é, dando uns beijinhos no rosto do Inuyasha. Ela estava acompanhada de Bankotsu, eu notei.

-Ayame, como vai? – Ele disse sorrindo, devolvendo os beijinhos. Que ódio!

Deixe-me esclarecer uma coisa aqui. Ayame nunca gostou de mim, por causa de Houjo. Ela tem uma paixonite aguda por ele desde que o conhece, e o fato de o cara ser afim de mim, faz ela me odiar com todas as forças.

Então o que há entre nós duas não é o que se possa chamar de amizade sólida.

-Vou bem, muito obrigada. Este é Bankotsu, ele é um dos modelos desta noite. – ela falou, os olinhos verdes brilhando, apresentando Bankotsu a Inuyasha.

-Kagome, você está linda! Já lhe disse isso, hoje, não? – O Bankotsu falou, depois de apertar a mão de Inuyasha.

-Já, Bankotsu... Já sim.

-Vocês dois se conhecem? Que mundo pequeno! – Ayame falou, olhando ora para mim, ora para Inuyasha, que sorria com o canto da boca.

-Conheci Kagome há três dias. Quase a derrubei no chão do corredor da empresa. – e olhou pra mim sorrindo, como se estivesse contando a história de como foi que nos casamos.

-Quisera eu esbarrar em Kagome no corredor...

Às vezes Bankotsu parece uma criança.

-E como vai Kikyou? Nunca mais falei com ela!

-Ela foi pra casa. Estava se sentindo mal.

-Ah... Uma pena! Bom, deixe-me ir. Ainda tenho muito o que fazer hoje. Boa noite, querido! – ela estalou um beijo no rosto dele.

Desgraçada.

-Boa noite, Kagome. Te vejo por aí.

Juro! Bankotsu me deu um beijo provocante na bochecha. Que coisa mais infantil, meu Deus do céu!

-Acho que o garotão tá de olho em você... – Inuyasha falou, olhando Ayame ir embora rebolando parece um pião, pendurada no modelo.

-Que nada! Aquele ali atira pra tudo quanto é lado! – e dei meu melhor sorriso.

Por fim nós acabamos por voltar ao grupinho. Sesshoumaru e Rin haviam desaparecido, bem como Houjo e Jakotsu. Só restavam Miroku e Sango.

-Você quer parar com isso? Mas que coisa, Miroku! Já dancei com você uma vez! Não se acostume! – Sango dizia irritada a um Miroku que sorria bobo.

-Ah! Inuyasha! Diga a ela! Diga a ela que ela deve dançar comigo mais uma vez! Vamos, amigo! Diga a ela!

-E por que eu diria isso? Você provavelmente iria pisar no pé dela. – Inuyasha me ofereceu a cadeira ao lado da dele.

-Você sabe que isso é mentira. Por acaso já esqueceu quem foi o rei da festa de formatura no colégio?

Inuyasha resolveu ignorar o fato.

-Me digam, de onde saiu aquela bicha revoltada? – ele disse, apoiando a canela direita no joelho esquerdo, descansando as costas na cadeira e – quase morri – um braço passou por cima do encosto da minha cadeira. Quem visse de longe poderia pensar que ele estava me abraçando!!

-Ah, não fale assim de Jakotsu! Ele é adorável! – Sango o defendeu.

-Adorável por que não foi a sua bunda que ele ficou olhando.

Eu e Sango rimos. Miroku ficou sério de repente, ao ouvir falar no nome de Jakotsu.

-Não gosto dele. – ele disse, os olhos azuis concentrados em um ponto fixo no arranjo da mesa redonda. Parecia uma criança assustada, uma graça! – Todas as vezes que ele me vê me chama de Mirokinho. Eu odeio quando ele me chama de Mirokinho.

-Ah... Mas você é tão charmoso, Miroku! Como você espera que Jakotsu resista a essa sua virilidade avassaladora?

Ele me olhou com os olhos estreitados.

-Kagome, não me provoque. Você me conhece.

Eu apenas sorri.

-Miroku, querido!! – eu levei um choque ao ver Meg ali parada, toda arrumada prostrada atrás da cadeira dele.

-Meg! Minha vida! Sente-se, sente-se! – Miroku arrumou uma cadeira para ela bem ao lado dele. Eu notei que Sango fechou a cara.

-Querida, este é Inuyasha, o advogado de Sangozinha, e meu amigo desde os tempos de colégio. – Miroku fez questão de apresentar.

Foi com desgosto que vi Inuyasha estender a mão para pegar a de Meg, e, com um sorrisinho safado, beijá-la os dedos longos e cheios de anéis.

Igualzinho como tinha feito comigo! Que idiota!!

-É um prazer, senhorita.

Eu NUNCA havia ouvido aquela voz. Sério! Nunca mesmo! Nem comigo ele usou!

Que ódio.

-Ah, e então? Gostaram do desfile?

-Sim, sim, anjo! Você estava... Como dizer... Uma deusa! – Miroku falou com tanto entusiasmo que Sango chegou a cruzar os braços na frente do peito, em um sinal de irritação.

-Sério? Ah, que bom. Mas também, Kagome é um gênio! Aquele vestido estava perfeito! Caiu perfeitamente sobre o meu corpo. Você entende, ser muito magra às vezes é problema! Certas roupas ficam parecendo panos sobre um fantasma! É por isso que eu faço questão de um personal stilist! Quero dizer, seu eu não tiver um, com certeza vou virar um desastre! Por que você sabe...

Meg é aquele tipo de modelo que você pensa que não existe mais: burra, faladeira, fútil e egocêntrica. Pois é. Ela começou a falar e falar! Não parava!

Ela tem muita sorte de ter um rostinho lindo.

Até Miroku, que atura horas de conversas idiotas se tiver uma chance de levar a garota pra cama (e Meg estava TOTALMENTE na dele), suspirou várias e várias vezes.

Mas esse falatório todo serviu pra uma coisa: Inuyasha totalmente desencantou. Sério! Ele ficou olhando pro teto, pros lados, pro chão, brincou com a ponta da toalha de mesa...

E me dirigiu um sorrisinho safado de vez em quando.

Não, queridas. Não era aquele sorriso descarado que diz tipo "Vamos arrumar um quarto?" que vocês estão pensando. Era um sorriso discreto, seguido de um olhar penetrante, nada muito escrachado.

Um sorriso que só profissionais usam.

E depois olhava para Meg. Suspirava, olhava para o teto, para o chão, para a mesa...

-Meg, querida. – Sango de repente falou, interrompendo a explicação de Meg de como o ex-namorado dela sempre reclamava por que ela gastava tanto tempo comprando roupas e sapatos.

-Você sabe se Kana já colocou aqueles vestidos da coleção para leilão?

-Que vestidos?! – Meg agarrou o braço da cadeira, e arregalou os olhos para Sango.

-Ah, você sabe, aqueles que você usou no desfile passado, ela já deve estar colocando para leilão. Você não sabe?

-Leilão?! Não! Onde está Kana?

-Ah, não deve estar nos bastidores escolhendo os modelitos. – a face de Meg ficou branca. Ela respirou fundo e deu um sorriso amarelo.

-Ah, com licença, mas eu preciso ir falar com Kana neste momento! Boa noite! – ela se levantou e saiu andando apressada em direção aos bastidores.

-Eu já disse pra você o quanto eu te amo? É sério! Eu não sei nem o que dizer! – Miroku começou, fazendo as graças de sempre.

-Ah, pare! Sai pra lá! Ninguém mais agüentava aquela praga!

E o resto da noite prosseguiu assim. Miroku fazendo as graças que sempre faz, Sango tentando afastá-lo sem a real intensão de que isso acontecesse, Inuyasha narrando os micos que Miroku pagava no colegial, eu toda "Hahahahaha!", e coisa e tal...

No fim da noite, eu já tinha perdido Houjo de vista. Ele provavelmente foi capturado por Ayame ou coisa assim, ou então se esqueceu de mim.

-Sango, pode me levar até em casa? Houjo sumiu, e eu vim com ele... – eu pedi, depois de recuperar meu xale com Jakotsu, e depois de ele dar um tapinha no bumbum de Inuyasha quando ele estava distraído.

-Claro, K-chan... Com certeza! Vamos.

-Ah, por favor. – Inuyasha apareceu e pegou minha mão. –Deixe-me levá-la para casa.

N.A: Olá meus amores!!

Uau, vocês não sabem como eu estou com MEDO de estar postando isso hoje. Eu e minha irmã (a perfeita Ella Evans) fizemos uma espécie de trato, que só postaríamos as próximas fics quando a tivermos terminado por completo. E bom, eu já estou escrevendo esta desde o ano passado, nem me lembro mês, dia e hora exatos. E já está com 72 páginas no Word, e eu já não agüentava mais esperar pra saber o que vocês iam achar, então queberi o trato e aí está.

Que medo.

Então a coisa é: eu já tenho uns quatro ou cinco capítulos prontos, mas vou logo avisando, não esperem atualizações super pontuais e bem rápidas, porque em 2007 eu estou indo para o terceiro ano do ensino médio, e embora alguns de vocês não estejam lá ainda, todos já sabem que é nessa fase que você pensa "Ai, meu Deus, o vestibular!", e eu realmente quero passar de primeira, e pra isso eu tenho que estudar muito, então eu espero que vocês entendam. Okay?

Vocês são uns amores!

Mas e aí, o que acharam? Gostaram da minha experiência? Juro, ela veio como uma simples idéia que eu nunca apensei que fosse postar um dia. Eu tenho muito disso, começo várias fics que eu não tenho intensão de terminar, ou postar. Só impulsos momentâneos.

É, eu sei que algumas de vocÊs devem estar se perguntando o que aconteceu com a terceira parte de "Dançando com Estranhos", e eu lhes digo: está saindo! Eu estou quase terminando! Juro!

Hey, sabia que esse primeiro capítulo tem 24 páginas? Acho que nunca fiz isso numa fic. Nunquinha! Fui bem boazinha com vocês. Acho que os outros não vão ser tão grandes.

Bom, amores, é isso. Mandem reviews pra saber o que acharam ta? Eu pereciso saber.

Mil beijos,

Nat'