-Ah, Inuyasha, não se incomode! Sango mora perto de mim, e...
-Não, não. Vamos. Eu lhe levo. Boa noite, Sango. – de novo aquele beijinho na testa. – Até mais Miroku. – e saiu me puxando sem que eu tivesse tempo de responder.
Eu poderia processá-lo por seqüestro, mas eu já disse aqui o quanto eu gosto de homens autoritários? Já disse? Pois é... Não resisto.
-E então? Onde você mora?
-Você tem certeza, Inuyasha? Eu não quero atrapalhar... E além do mais, Kikyou deve estar em casa, ela disse que estava passando mal. Você deveria ir checar se ela está bem... – eu disse isso, mas por dentro eu estava dizendo "Certo, e quando nós chegarmos você poderia subir, e quem sabe, caso fique muito tarde, ou chova, você passe a noite lá em casa. E se ficar frio demais eu até posso abrir um espacinho pra você na minha cama, pra, você sabe, um esquentar o outro...".
Mas eu seria muito vadia se dissesse isso.
Em todo o caso, ele me cortou, apertou a minha mão e disse, em uma voz muito mais grave e baixa do que aquela que ele usou com Meg.
-Apenas me diga o seu endereço. Eu juro que não vou morder você.
Quase eu digo "Mas eu QUERO que você morda!".
Não me julgue! Você também diria isso se estivesse olhando aqueles olhos dourados que parecia estar me mandando tirar a roupa.
-Certo. Você venceu.
-Ótimo.
O carro (uma BMW preta lindíssima!) dele chegou e o manobrista o entregou a chave.
Ele foi todo cavalheiro abrindo a porta para eu entrar. Só que eu sei que ele fez isso só pra dar uma bela olhada no meu decote.
O caminho pra casa foi muito divertido. Ele é capaz de ser realmente engraçado.
Mas a melhor parte foi quando chegamos à frente do meu prédio.
Ele abriu a porta para eu descer e me deu um beijo de boa noite na bochecha bem na hora que a minha vizinha estava chegando, sem o namorado gostoso.
-Boa noite. – ele disse em um tom casual demais por meu gosto. Nem foi um tom cheio de mistério, nem cheio de mensagens escondidas. Não. Foi um "Boa noite" totalmente inocente, tipo aqueles que os jornalistas usam no jornal das oito.
-Boa.
Entrou no carrão, ligou o motor e deu a partida.
Foi-se sem nem ao menos um beijinho...
-Ah! Kagome, querida! Quem era o gatão?! – perguntou Eri. A vizinha.
-Ah, ele? Não... Só... Você sabe... – Fiz aquela cara de cúmplice.
-Oh céus! Você está transando com um desconhecido!! – ela disse, toda empolgada.
Não se assustem. Eri é bem pervertida. Outro dia eu estava fazendo exercícios e ela bateu na minha porta perguntando se eu estava fazendo sexo grupal.
-Não! Eri, pare com isso!
-Desculpe! Mas vá explicando!
-Ah... Você sabe, ele é o advogado da minha chefe...
-Oh meu Deus! Você está transando com o advogado da sua chefe!!
-Eri, pelo amor de Deus! Deixe-me falar! – entramos no elevador e eu apertei o botão de número 9, onde eu e ela moramos. –Ele é advogado da minha chefe, como eu disse. E eu estou de olho nele. E eu acho que ele também está de olho em mim! Você precisava ver hoje, no desfile! Ele estava com a baranga da noiva dele. Só que cresceu o olho pro meu decote. E ele ficava me dando uns olhares do tipo "Eu sei que você me quer, eu também quero você". Foi o máximo! – eu contei toda contente.
Ela fez uma cara de tédio.
-Só isso?
-Como "só isso"? Você acha pouco?
-Vocês não estão transando?
-Ai! Não tem como falar com você! – eu saí do elevador quando a porta se abriu.
-Ora, me desculpe se eu não vejo mais graça nessa coisinha de ficar brincando de conquista. Quer dizer, eu fazia isso no colegial!
-É, mas nem todo mundo é pervertido que nem você! – eu abri a porta do meu apartamento e ela entrou atrás de mim.
-Pois deveriam!
-Você não acha que é legal conhecer a pessoas primeiro? Trocar uns olhares sedutores? Umas conversas hipócritas?
-Como assim, conversas hipócritas? – ela se sentou no meu sofá e penteou os cabelos lisos e curtos com os dedos.
-Ah, você sabe. Aquela conversa onde os dois já estão loucos de vontade de tirar a roupa, mas ficam naquela hipocrisia, mantendo uma conversa formal, como se nada estivesse acontecendo.
-É... Pode ser.
-Você tem que concordar comigo que isso aumenta muito mais o tesão na "hora h" do que ir direto ao ponto.
-Você quer parar de ficar inventado códigos? Fale logo sexo e pronto!
Vocês viram? Me entendem agora? Eri é uma pervertida total! Eu me sinto uma santinha perto dela!
Ela se justifica com a desculpa esfarrapada de sempre:
"Eu tenho 22 anos, Kagome! Eu quero mais é curtir! Daqui a pouco vou estar com trinta e cinco e vou me arrepender se não curtir o máximo que eu posso agora, enquanto sou jovem!"
-E você? A quantas anda o seu namoro?
-Ah... Bem. Um pouco parado. Ele viajou pra Boston á negócios. Então eu estou sozinha por uma semana inteira. Eu tenho evitado sair de casa pra não encontrar com nenhum amigo gostoso... Sei lá, vai que... Você sabe né?
-É, sei. – me olhei no espelho e vi o quão lindo era o meu vestido. Não me admira que Inuyasha não tenha resistido dar uma boa olhada no meu decote.
Mas aí me veio aquele sentimento...
De repente eu me lembrei de Rin e Sesshoumaru.
Os dois eram tão lindos juntos. E ela usou apenas de sua meiguice, boa educação e charme natural para conquistá-lo, tenho certeza. E eu tinha que ficar me produzindo toda para chamar a atenção de Inuyasha.
Eu nunca vou me esquecer do que Jimmy me disse quando terminou comigo.
"Você é uma mulher extraordinária, Kagome. Tem tudo o que um homem procura, e mais um pouco."
Que "tudo" é esse de que ele estava falando? Eu sou interessante como pessoa ou como caso passageiro?
E me deu raiva de mim mesma, quando eu me lembrei de como Sesshoumaru olhava nos olhos dela, todo apaixonado... Enquanto eu fazia um esforço pra chamar os olhos de Inuyasha para o meu decote.
Isso é realmente frustrante.
-Kagome, querida. Você não quer ir comigo amanhã fazer as compras? Você sabe como eu sou horrível no supermercado...
-Claro, Eri. Vou sim.
-Ah, obrigada, querida. Eu vou dormir, já está muito tarde. Até amanhã.
-Até... – e ela foi embora pro apartamento dela, fechando a porta atrás de si. Eu fiquei ali parada no meio da sala olhando meu reflexo no espelho.
Eu não queria ser só um corpo bonito...
Mas eu nem pude continuar meus devaneios. Eri ressurgiu pela porta, entrou e fechou a mesma bem rápido, apoiando-se nela logo depois.
-Kagome! Rápido!
-O que foi? O que aconteceu?!
-O seu advogado gostoso! Ele está vindo! Eu o vi no corredor!
-O quê? Tem certeza?
-Bom, eu acho que reconheceria o gostoso que tava beijando seu rosto lá na entrada.
-Ai meu Deus! – e eu só tive tempo de colocar as mãos na cabeça antes que a campainha tocasse.
-Kagome! O que eu faço? Eu quero ir embora! Eu não quero ver vocês se agarrando! – Eri se desencostou da porta e sussurrou perto de mim.
-Calma... - Eu sussurrei de volta, olhando para a porta. Dava pra ver a sombra dele pelo vão da porta. – Vai lá pra cozinha. Quando eu abrir a porta pra ele você sai pela porta de lá.
A campainha soou de novo. Eri andou na ponta dos pés até onde eu havia indicado, enquanto eu ia atendê-lo.
Girei a maçaneta e dei de cara com ele.
O braço esquerdo apoiado no vão da porta, na altura dos olhos dourados. Um sorriso carinhoso emoldurava o rosto forte.
-Olá. – Foi o que ele me disse. Quase sussurrando.
-Olá... O que faz aqui? – eu não poderia ter dito muita coisa. Eu pensava que ele tinha ido embora. Realmente não esperava que ele viesse até aqui.
Oh, céus! Por que será que ele veio até aqui?!
-Não gostou de me ver, Kagome? – ele desencostou o braço da parede, para se segurar com a mão, dando um passo á frente.
-Não! Não é isso, imagine. Eu só não esperava vê-lo aqui. Pensei que já tivesse ido.
-É... – ele ficou me olhando, bem nos olhos, sorrindo como se soubesse de alguma coisa que eu quisesse saber. –Eu esqueci uma coisa. E como não tenho seu telefone, vir aqui foi o único modo que encontrei de convidá-la.
Convidar. Ai, meu pai. Ele ia me convidar pra alguma coisa. Seria um encontro? Um encontro às escuras? Em um lugar onde ninguém pudesse nos incomodar?!
-Bom, não quer entrar? Beber alguma coisa?
-Não, na verdade não vou demorar muito. Só vim dizer isso e já vou pra casa.
-Tem certeza? Eu posso lhe servir um café, se você quiser. – "Posso lhe oferecer uma toalha, lençóis e uma cama bem quentinha pra passar a noite. Só não lhe garanto o pijama.".
-Não, obrigado. Eu só vim convidá-la para a comemoração do meu aniversário. Eu, pessoalmente, não gosto, mas Kikyou insistiu, então...
-Oh, seu aniversário?!
-Sim... Então, posso contar com você? – por que ele ficava sorrindo daquele jeito? Parece que estava escondendo alguma coisa!
-Claro, quando é?
-Depois de amanhã, logo depois do expediente. Uma coisa simples, nada demais.
-Certo, estarei lá...
-Ótimo. Sango sabe onde é, mas por precaução... – ele se desencostou da porta e meteu a mão por dentro do paletó, nos bolsos internos. A mão voltou segurando um pedaço de papel branco. –Aqui está.
Eu peguei o pedaço de papel, tomando todo o cuidado para não fazer nenhum contato com a mão dele.
-Boa noite, então... – ele piscou um olho e virou de costas para ir.
Eu baixei os olhos para o cartão antes de fechar a porta, mas antes que eu pudesse ler alguma coisa ele falou de novo, da porta do elevador.
-E eu só quero que saiba que caso você não apareça, eu venho pessoalmente aqui te buscar. – piscou um olho e sumiu atrás da porta de metal que se fechava atrás dele.
O que você me diz disso? Depois de ter me convencido de que iria conquistá-lo sem mostrar nada além do que mamãe diria que devo, ele bate na minha porta e, juro, praticamente me devora com os olhos. Vou lhe dizer, aquilo não era nada justo.
Então eu fechei a porta e entrei.
Olhei o papelzinho e vi um endereço rabiscado com uma caligrafia bonita. Deveria ser dele.
-Ai, minha nossa...
Voltei pra sala e parei automaticamente na frente do espelho.
E nessa hora meu coração quase pulou pela boca.
Além de mim, havia outra pessoa refletida no espelho.
Isso, ela mesma.
A idiota da Eri não havia ido embora. Muito pelo contrário. Pelo visto tinha armado um plano para me infartar.
Imagine, você pensa que está sozinha, na santidade da sua casa, e de repente aparece o reflexo de uma garota branca de cabelos bem negros e curtos na altura da nuca, com rosto de criança, segurando uma faca na mão direita e outra coisa na esquerda. A faca e o outro objeto que ela segurava estavam sujos com uma pasta vermelha. Igual a sangue.
Juro que Eri parecia a garota d'O Chamado, com os cabelos mais curtos.
Eu não gritei nem nada. Apenas congelei. Comecei a suar frio.
-Ai! Kagome! Eu ouvi tudo! Estou tão empolgada!! – ela começou a despejar. A faca acompanhava o movimento da mão pequena.
-Eri... Você... Achei que você tinha ido embora! Meu Deus, você me deu um susto! Eu pensei que fosse uma assassina!
-Eu? Assassina? Que absurdo!
-Porque diabos você está com uma faca na mão?!
-Eu estava passando geléia de amoras no pão, algum problema? Quem lhe deu a receita desta geléia fui eu, então eu não vi mal nenhum em pegar um pouco...
-Tá, ta bom! – eu cobri o rosto com as mãos. – O que ainda está fazendo aqui?
-Eu ia embora. Juro. Mas aí eu comecei a ouvir a conversa. Nossa, ele está totalmente na sua, amiga! Até convidou pro aniversário!
-Você acha?
-Tenho certeza! "Caso você não apareça, eu venho pessoalmente aqui te buscar" – ela fez uma imitação (horrível, se me permitem acrescentar) da voz de Inuyasha. – Que perfeito!!
-Eu acho que não... Ele tem noiva, e coisa e tal...
-Você não disse que ela é uma magrela insuportável?
-Disse, mas...
-Então! Ora, confie no seu taco, querida! Agora eu tenho que ir! Boa noite Kagome! Eu quero notícias!! – e ela saiu pela porta da frente, a bolsa no ombro, faca na mão direita e pão com geléia na mão esquerda.
Caminhei para o meu quarto com o papel na mão. Coloquei a bolsa dentro do armário, os sapatos no devido lugar, e me sentei na cama.
Olhei o papel novamente. Conhecia aquela rua. Era em um bairro nobre da cidade, próximo da minha casa, até.
O telefone começou a tocar. Eu estava cansada demais para atender, então deixei a tecnologia fazer a sua mágica.
"Olá, aqui é Kagome Higurashi. Não posso ou não quero atender no momento. Pode deixar o seu recado após o bipe, que talvez eu lhe retorne a ligação."
Beeeep...
-Kagome? Sou eu, Houjo - ¬¬' –Mil perdões por ter sumido no meio da festa!! Eu recebi uma ligação urgente e tive que ir. Peço mil desculpas! Você deve estar me odiando, não é? Posso te levar pra almoçar amanhã? Me ligue, certo? Boa noite...
Ai! Houjo!
A última coisa que eu queria pensar agora é que tinha sido abandonada na festa pelo meu par.
E espero que Inuyasha também não se dê conta disso...
Acordei no dia seguinte com o barulho estridente do telefone. Abri os olhos querendo que aquele maldito aparelho não existisse.
Vou lhes contar, eu poderia ser uma ótima decoradora, se quisesse.
Meu quarto era o local mais apropriado para se acordar em um domingo de manhã. Eu havia posicionado minha cama de modo que os raios de sol não batessem em meu rosto quando eu acordasse. A cortina branca e azul bloqueava os raios sem escurecer totalmente meu quarto, deixando-o em uma iluminação perfeita para acordar, e logo depois voltar a dormir. E o friozinho do ar-condicionado fazia parecer que aquele era o edredom mais macio, quentinho e cheiroso do mundo.
Eu estava no paraíso.
A não ser por aquele telefone maldito. Você deve saber como é horrível colocar o braço pra fora do cobertor para atender o telefone enquanto o resto de seu corpo está quentinho e relaxado.
-Alô?
-Kagome, amiga!!
-Sango... Que horas são?
-Umas... Sete horas. Eu acordei você?
-Sango... Hoje é domingo... Porque você está ligando pra minha casa às sete da manhã de um domingo?
-Eu ia te chamar para caminharmos. Você está a fim?
-Ahh... Não podemos caminhar mais tarde?
-Bom... Podemos... Mas eu pensei que você gostaria de pegar um pouco do sol da manhã.
-No momento eu estou mais interessada em me enrolar no meu edredom...
-Ah... Está certo, então. Mas eu acho que você vai querer me encontrar no clube mais tarde.
-E porque você acha isso?
-Porque meu advogado vai estar lá... Sozinho.
Eu me levantei num pulo.
-Não brinque comigo, Sango. Não brinque mesmo! Jura que ele vai estar lá?
-Sim, ele e Miroku. Sem a noiva cadáver.
-Ó céus! Eu não posso, não posso, perder essa chance.
-Agradeça a mim, que os convidei.
-Você é um anjo do reino dos céus, e já sabe disso. A que horas eu devo encontrar vocês lá no clube?
-Umas nove. Nós vamos caminhar e depois jogar uma partida de tênis. O que você acha?
-Ora! Então eu vou caminhar com vocês. Eles já chegaram?
-Não, eu estou em casa. Acabei de chamá-los Se você quiser passar aqui pra irmos juntas...
-Não, não! Eu vou encontrar com vocês lá.
-Certo, mas não demore. Leve o traje para o jogo, de banho e para a caminhada. E, é lógico um banho depois.
-E me diga uma coisa. Inuyasha e Miroku vão caminhar também?
-Não sei, acho que não. Acho que eles vão ficar na academia do clube.
-Certo. Beijos querida! Te encontro no clube! – e desliguei o telefone.
Mas antes de levantar, desliguei o ar condicionado e fiquei debaixo do edredom até o frio do quarto se esvair.
Eu estava linda. Uma camisetinha branca, calça para caminhar, óculos escuros e a linda bolsa com as outras roupas para depois.
"Lá vou eu, Inuzinho. Prepare-se"
Entrei no carro, dei a partida e fui.
Será que ele sabe que eu vou estar lá? Será que ele sabe que eu vou caminhar com Sango e depois jogar tênis com eles?
E se sabe, será que gostou da idéia?
Fiquei me perguntando essas coisas o caminho todo. Meu coração deu um salto quando eu cheguei ao clube.
Entreguei as chaves para o chofer e entrei. Um domingo lindo, estava fazendo. Não havia uma nuvem no céu. Nenhumazinha.
Andei até o bar da piscina, onde Sango geralmente está tomando seu suco de laranja.
-Kagome, aqui! – Eu olhei na direção da voz fina. Sango me sorria, sentada em uma mesa para quatro pessoas.
Juro que eu fiz a conta: Miroku Sango Kagome Inuyasha 4 pessoas 2 casais Quatro pessoas se dando bem hoje.
Só para ter certeza de que não havia mais ninguém.
-Olá, querida! – eu dei um sorriso sincero ao vê-la. Sentei na cadeira à sua frente, já que vi uma camisa preta pendurada na cadeira que estava ao lado dela e uma carteira masculina em cima da mesa, na direção da cadeira. Supus que fossem as coisas de Miroku. Olhei para o lugar ao meu lado. Um celular e uma carteira estavam em cima da mesa, assim como as coisas de Miroku. Olhei para a cadeira e encontrei uma camisa azul claro. Será que eram as coisas dele?
-E onde estão os dois? – perguntei em voz baixa, sem disfarçar a ansiedade. Ela apenas apontou para o vidro que separava o bar e a área da piscina, enquanto tomava um gole de seu suco pelo canudinho. Eu olhei através do vidro e vi: Dois pares de braços fortes, nadando muito rápido um ao lado do outro. Não soube distinguir quem era quem.
-Competindo. – eu ouvi Sango dizer, enquanto eu ainda olhava os braços baterem na água com uma certa força. –Eles estavam aqui 5 minutos antes de você chegar. Mas aí começaram a lembrar dos tempos de colégio, Inuyasha dizendo que sempre ganhava de Miroku nas competições de natação, e Miroku dizendo que quem ganhava era ele. Aí, como duas crianças, resolveram tirar a limpo e lá estão eles. Competindo. Aqueles garotinhos estão cronometrando o tempo deles. – e ela apontou para um garoto loiro e outro moreno parados de pé à beira da piscina, sorrindo enquanto olhavam do cronômetro para eles, deles para o cronômetro.
-Está falando sério? – eu perguntei.
-Por incrível que pareça. Eu já pedi um suco de abacaxi com hortelã para você, certo?
-Oh! Obrigada! Meu favorito!
Ela sorriu.
-Me diga... – eu comecei, olhando para a piscina pra me certificar de que eles ainda estavam lá. –Quem está sentado aí do seu lado?
Ela sorriu.
-Inuyasha.
Como assim? Porque ele estava do lado dela e não do meu? Miroku deveria estar do lado dela! Ele gosta dela, não gosta? Então ele deveria ficar do lado dela, não do meu.
-Como assim? Estão essas coisas aqui do meu lado são de Miroku?
-Bingo! – ela levantou um braço em sinal de vitória.
-Ah! Que absurdo!
-Ih, lá vêm eles.
Eu olhei para a piscina e vi uma coisa que eu juro, vai ficar marcado na minha memória pra sempre.
Miroku estava usando uma bermuda azul de um ou dois tons mais escuros que sua camisa. Ele tem um corpo perfeito e tal... Mas Inuyasha... Uau! Inuyasha!
Estava com uma bermuda de uma cor verde azulada, lisa. Que peito era aquele?! Que pernas eram aquelas?!
Que BRAÇOS eram aqueles?!
Lembra quando eu disse que nós dançamos no desfile, que eu pude sentir os bíceps dele? Pois é. Mesmo sentindo, eu não fazia idéia de que eram tão... Oh, céus.
E pra completar, ele tinha uma tatuagem no enorme bíceps direito.
Uma tatuagem linda, uma cruz daquelas medievais, perto do ombro. Linda!
Eu sou LOUCA por tatuagens em homens.
-Você venceu por sorte, e apenas por um segundo e meio! No colégio eu era muito melhor que você! – Miroku veio falando enquanto se aproximava, secando os cabelos com uma toalha.
-Pára de falar besteiras! Pode ligar pra qualquer pessoa que estudava coma gente que todos vão confirmar que eu era melhor! – Inuyasha já tinha pendurado a toalha branca no pescoço e passava a mão pelo cabelo, espirrando água pra todo lado.
-Duvido! – Miroku emburrou a cara, depois virou o rosto para a mesa onde eu e Sango tomávamos nosso suco. –Kagome! Já chegou! – Ele puxou minha mão e a beijou, todo galante. – Era só o que faltava para deixar meu dia completo! - E se sentou do meu lado.
-Como vai, desde ontem à noite Kagome? – Inuyasha disse sorrindo daquele mesmo jeito que estava sorrindo noite passada.
-Muito bem, poso dizer, Inuyasha – eu sorri contente.
-Bom, eu e Kagome vamos caminhar. Vocês vão se juntar a nós ou não? – Sango terminou o suco e se levantou da cadeira, atraindo a atenção dos olhos azuis de Miroku para sua camiseta cor de rosa e sua calça branca.
-Não, prefiro ficar na academia – Inuyasha terminou a vitamina de cor avermelhada que estava bebendo e também se levantou da cadeira que estava sentado. Miroku fez o mesmo, mas como não estava bebendo nada, bebeu o resto do meu suco de abacaxi com hortelã.
-Eu também. Adoraria me juntar a vocês garotas, mas não gosto de ficar andando. Vou ficar aqui pela academia também.
Eu posso jurar que metade da empolgação de Sango para caminhar se foi depois disso.
-Até parece! Claro que não! –Sango protestou quando eu perguntei se estava acontecendo alguma coisa entre ela e Miroku, que eu ainda não estivesse sabendo. –Eu, sinceramente, não sei de onde é que você tira essas idéias, Kagome.
-De onde eu tiro? Das caras que você faz quando alguma super modelo se aproxima dele. Do seu mau humor quando sabe que ele está de caso com alguém. Ou da sua cara de paisagem quando ele vai em uma direção oposta a sua.
-Isso é tudo coisa da sua cabeça. Esqueça essas bobagens, Kagome. Não quero nada com Miroku.
-Certo, você é quem sabe.
-Agora, eu posso saber que sorrisinho cínico era aquele no rosto de Inuyasha quando ele perguntou se você etava bem... "desde ontem à note"? – ela imitou a voz dele, me fazendo rir. – Por acaso ele te fez se sentir muito bem ontem a noite quando te levou pra casa?
-Há! Quem me dera, querida. Ele está sorrindo assim desde que foi embora ontem à noite.
-Embora de onde?
-Da minha casa, ora.
-O que?! Ele esteve na sua casa?! E o que aconteceu?
-Nada, ele me deixou no saguão de entrada, e eu subi. E, quando eu pensei que ele já tivesse ido embora, ele toca a minha campainha pra me convidar pra festa de aniversário dele.
-Ah, sim! A festa! Ele me disse, lá no desfile que iria convidar você. Eu até me ofereci para fazê-lo, mas ele disse que preferia fazer pessoalmente.
Eu sorri.
-E ele está com esse sorriso cínico desde ontem à noite. Parece até que ele sabe de alguma coisa que eu quero saber.
-Ou então que está tramando alguma coisa...
Eu virei o rosto para ela.
-Como assim? Do que é que você sabe, Sango? Me diga logo!
-Eu? Eu não sei de nada! Como é que eu iria saber de alguma coisa?
-Não sei, Sango. Você o conhece a mais tempo que eu, são amigos e coisa e tal...
-Mas nem por isso ele me conta os planos de conquista dele, se você quer saber.
-E quem me garante que você não sabe de alguma coisa?!
-Ah, querida, você vai ter que acreditar em mim!
Que GRANDE garantia, aquela!
Voltamos da caminhada e paramos na lanchonete para beber água. Depois fomos até a academia ver se Inuyasha e Miroku ainda estavam lá.
Oh... Eles estavam... Estavam sim.
Miroku estava exercitando os braços em um aparelho q qualquer, e Inuyasha estava andando na esteira.
Estavam os dois suados. Com o peito molhado, sem camisa.
Mas, veja que coisa linda, havia uma garota, dentro de um mini top e um micro short, andando na esteira ao lado da de Inuyasha, Os dois conversavam animadamente! Estavam sorrindo e aparentemente se divertindo muito juntos.
-Ih, amiga! Parece que tem alguém de olho no seu gato... – Sango falou para mim, toda sarcástica e tal.
-Pois é, amiga... Mas se você não tomar cuidado é o SEU gato que vai pra cucuia... – apontei discretamente para Miroku, que havia levantado para ir atrás de uma daquelas mulheres que claramente passam 24hrs por dia na academia.
-MEU gato? Ora, você só pode estar brincando, Kagome... De quem você está falando, do Miroku? Por favor, sim? Eu tenho mais coisa com o que perder meu tempo do que me interessando por Miroku, pra início de conversa. Sem contar que ele nem é tão...
Vou lhe contar! Quando Sango tenta provar que eu estou errada em relação a alguma coisa, quando é um fato que eu estou CERTA, ela pode ficar falando horas sem parar! Chega a ser irritante.
Pra falar a verdade, eu não estava muito a fim de ficar ali parece uma idiota espiando Inuyasha pela janela da academia. Então o que foi que eu fiz?
Exato. Entrei na academia cheia de músculos enormes e homens suados e sedentos por barras de ferro de 10 quilos. Caminhei até a esteira dele toda linda e maravilhosa.
-Olá, você ainda está aí?
Ele desviou a atenção da loira atlética com quem estava conversando e me olhou.
-Kagome, oi. Eu estava esperando vocês chegarem. Miroku deve... – ele olhou para onde Miroku estaria e parou de falar. –Onde ele está? Estava aqui agora mesmo...
-Saiu atrás de uma par de pernas bronzeadas que passou na frente dele... – Eu olhei na direção em que Miroku havia ido.
-Bom, eu já acabei aqui. – Ele pressionou alguns botões e parou a esteira. –Você me faria um favor, Kagome?
-Sim, claro.
-Pode encher de água pra mim, se não for incômodo, enquanto pego minhas coisas?
-Ah, claro!
Eu o vi descer da esteira e falar qualquer coisa com a loira, provavelmente se despedindo.
Eu fui até o bebedouro de água mineral que havia em um canto e enchi a garrafa com água gelada.
Miroku veio caminhando para onde estava antes, e quando me viu, abriu um sorrisão daqueles.
-Minha perfeição! Já chegaram!
-Sim. Você é fogo, não? Já deu uns amassos lá atrás, não foi?
-Amassos, não sei do que você está falando. – ele me deu um beijo na testa. –Onde está Sangozinha?
-Sangozinha está lá fora, pegando as chaves dos armários onde deixamos nossas coisas.
-Vamos? – Inuyasha chegou e se juntou a nós, a mochila esportiva preta pendurada em um dos ombros.
-Vamos, vamos. Aqui está a sua água. – eu entreguei a garrafa a ele, que tomou um generoso gole, depois olhou para mim sorrindo daquele jeito.
-Bem gelada, como eu gosto. Obrigado.
E aí eu, ele e Miroku saímos da academia do clube em direção ao bar da piscina, onde Sango provavelmente estava nos esperando.
Durante o percurso, eu fui entre eles. Miroku do meu lado esquerdo, e Inuyasha do meu lado direito.
Juro que durante o percurso, a mão dele me guiava pela cintura, mesmo quando ele sabia que eu sabia para onde deveríamos ir.
Eu vou te contar. Que mãos fortes! Firmes! Ele me carrega fácil, fácil...
Bom... O resto do dia foi ótimo: nós jogamos tênis, tivemos um almoço delicioso, e no final, tivemos que nos despedir.
Sango me deu o abraço que sempre me dá quando passamos o dia juntas e depois nos despedimos. Miroku me deu um beijo na mão e no rosto.
E Inuyasha... Ah, Inuyasha...
Calma, calma... Não aconteceu nada demais.
Ele apenas beijou minha outra mão, e depois ficou segurando-a, enquanto perguntava se nos víamos amanhã, na festa de aniversário dele.
-Ah, sim, claro. Sem dúvida! – eu afirmei, dando o meu melhor sorriso de menina inocente.
-Não vá me decepcionar, Kagome. Eu não suporto essas festas ridículas, vou ficar realmente irritado se você não for.
-Não se preocupe. Estarei lá.
N/A: Voltei, voltei! Vivas! Champanhe e bebidas! Não, estou brincando.
Depois de um looongo tempo, cá estou eu, queridas e queridos. Perdoe, por favor, a demora abusiva.
Boa notícia! Desta vez a fic vai andar, vou postar com muito mais freqüência, porque está terminada. Isso mesmo, terminadinha, prontinha.
Espero que tenham gostado desse capítulo. Eu gostei. Foi um pouco de enrolação, mas ele vai ser importante no futuro, creiam-me.
Desculpe os erros, não foi betada. Estava com tanta pressa para postar para vocês que nem mandei para revisão. E quanto aos erros causados por causa dos cortes que o próprio site faz às vezes, caso alguma coisa fique confusa, ficarei feliz em esclarecer, é só me mandar uma review ou email (no profile) perguntando.
Obrigada pelas reviews no capítulo passado. Se eu não respondi, é porque você não deixou email de contato.
Beijos meus amores, e até a próxima!
Nat'
