Ainda devo ter ficado meia hora sentada sozinha em minha sala quando decidi que já era hora de ir embora.
Quando cheguei em casa deveriam ser umas onze e meia da noite.
Eu estava totalmente leve.
Ainda podia sentir as mãos dele passeando pelo meu corpo, a força com que ele apertou minha perna, a pressão dos lábios dele sobre os meus...
É, havia sido uma noite bem produtiva, afinal!
Terminei meu banho e sentei-me na cama para pentear os cabelos. O telefone começou a tocar mordendo minha orelha s o pesocço deleefone, mas no bem n tornar t
"Olá, aqui é Kagome Higurashi. Não posso ou não quero atender no momento. Pode deixar o seu recado após o bipe, que talvez eu lhe retorne a ligação."
-Kagome, sou eu, Sango, você está aí? Oh, céus, você deve estar dormindo, e eu estou te acordando. Desculpe, eu te ligo ama...
Sango! Era a pessoa que eu mais queria falar no momento!
Agarrei o telefone antes que ela desligasse. Na pressa, derrubei a escova no chão e bati o pé no encosto da cama. Doeu!
-Sango! Estou aqui!
-Ah, Kagome! Que bom! Eu preciso falar com você!
-Eu também! Está em casa?
-Estou , acabei de chegar! Posso passar aí?
-Pode! Estou te esperando!
-Certo, daqui a pouco eu chego.
E desligamos o telefone.
Sango parecia aflita, sua voz estava nervosa. O que será que havia acontecido?
Será que ela estava bem? No meio de tanto alvoroço eu nem tive a delicadeza de perguntar se estava tudo certinho...
Alguns minutos depois, eu corri para abrir a porta quando a campainha soou.
E foi aí que começou:
Sango estava lá, com uma cara de quem havia feito uma besteira, das grandes.
E parece que nós duas vimos a mesma coisa, ao mesmo tempo. Ela apontou pra mim, e eu apontei pra ela, que também estava com uma marca roxa no pescoço.
Mas a marca dela, eu devo dizer, era muito mais roxado que a minha! E eram três, pelo que eu consegui ver.
Sango havia levando não um, nem dois, mas TRÊS chupões, dos bons, no pescoço branquinho.
E aí nós duas começamos a rir que nem duas loucas, e nos abraçamos, como se tivéssemos acabado de presenciar a cena mais engraçada de toda a história da humanidade.
-Kagome, o que foi isso aí?! – ela me perguntou quando eu fechei a porta. Fomos as duas para o meu quarto, e literalmente pulamos na minha cama, como duas amigas de treze anos de idade.
-Por acaso foi... Não foi Inuyasha quem... – apontou para o meu pescoço – Foi?
Eu confirmei com a cabeça, mordendo o lábio inferior para segurar a risada.
-Aahhh!! Você conseguiu! – Sango deu um salto pra cima, batendo palmas. –Como foi?!
E eu contei como ele tinha aparecido na empresa sem aviso, me presenteado com uma garrafa de Shafer, insinuado que me queria como presente de aniversário e como ficamos quase meia hora nos agarrando na minha sala.
-Kagome, eu poderia demitir você por ficar se agarrando em local de trabalho!
Nós duas rimos.
-Mas pelo visto sua noite foi melhor do que a minha! – e apontei para os três chupões muito roxos que marcavam o pescoço bonito de Sango.
Ela escondeu a cara no meu travesseiro.
–Quem foi que fez isso aí?
Ela murmurou alguma coisa.
-Sango, olhe pra mim. - Ela levantou os olhos do travesseiro, o nariz e a boca ainda escondidos pelo tecido branco. –Foi Jakotsu?
Ela me jogou o travesseiro.
-É, até parece que Jakotsu me daria chupões!
Começamos a rir de novo.
-Foi Miroku, não foi?
Ela escondeu o rosto entre as mãos.
-Não foi, Sango?
Ela confirmou com a cabeça.
-Aaahh, finalmente! – eu bati palmas animadas. –Conta, conta!
-Ah... – ela baixou as mãos e as pousou no colo. – Nós já estávamos indo para a festa de Inuyasha, logo depois de eu ter falado com você. E desci e o encontrei dando em cima daquela recepcionista nova de novo. Eu disse que já estava pronta e que já podíamos ir. Ele ainda ficou uns três minutos enrolando, anotando o novo telefone dela, ou algo assim. Depois nós fomos para o estacionamento, íamos pra festa no carro dele. E por algum motivo, nós meio que começamos a discutir, e...
-Você brigou com ele por ficar dando em cima de Yuri de novo, não é? – eu a interrompi.
-Bom... – ela pareceu desconcertada – Tanto faz. O caso é que, depois de algum tempo, quando chegamos à festa, eu ainda estava dando um meio sermão nele. Aí nós descemos, e quando eu fiz menção de entrar no prédio, ele, muito brutalmente se quer saber, me encostou na porta do carro e me beijou!
-Aaahh, que lindo! – eu caí deitada na cama.
-E, Kagome, eu juro que tentei me desvencilhar, mas ele é tão forte e musculoso, que eu juro que não consegui! Fiz toda a força do mundo para afastá-lo, mas não pude! Ele simplesmente me prendeu e usou toda a força que tinha pra me manter ali, entre ele e o carro!
-E você?
Ela me olhou, com culpa.
-Ai, Kagome, o que eu poderia fazer? Não tinha como sair dali, e além do mais... Ele beija tão bem que eu... Meio que comecei a corresponder, e quando eu vi já estava atracada no pescoço dele!
-Ai Sango! Que lindo!!
Ela mordeu o lábio inferior.
-E como foi pra chegar a isso aí?!
-Ah... – ela passou a mão por onde estavam as marcas - Bom, um foi nessa hora mesmo, eu afastei o meu rosto do dele com a total intenção de dar um basta naquilo, quando ele simplesmente fez isso...
-E os outros?
-O segundo foi no elevador, quando estávamos subindo para a festa. Inuyasha mora na cobertura, no 20° andar, é tempo suficiente pra... Sabe...
-Uns amassos?
-É!
E recomeçamos a rir.
-E o terceiro?
-Foi quando ele foi me deixar em casa. Ai, nós ficamos bem uns dez minutos nos beijando encostados no muro. E vou te dizer, Miroku sabe ser agressivo quando quer! Me deu uns puxões no cabelo que me arrepiaram toda!
-Ah, já era hora! Eu não agüentava mais de pena quando o via ficar olhando pra você com cara de uma criança que quer um brinquedo, só que sabe que não pode ter.
Ela deu um sorrisinho olhando pra baixo.
E foi aí que o telefone começou a tocar.
E eu e Sango olhamos para o aparelho na minha cabeceira como se ele estivesse dançando a macarena.
Pois é. Nós duas totalmente sabíamos quem era.
"Olá, aqui é Kagome Higurashi. Não posso ou não quero atender no momento. Pode deixar o seu recado após o bipe, que talvez eu lhe retorne a ligação."
-É, eu sei que sou um pé no saco, mas só queria saber se você chegou bem. Bom, pela hora, você já deve estar dormindo, então vou parar de ficar tagarelando. Me ligue quando receber a mensagem, sim? Boa noite.
E desligou.
-Oh, meu Deus, Kagome... – Sango disse quase num sussurro – Eu acho que você enfeitiçou o Inuyasha!
-Enfeiticei? Você está me chamando de bruxa ou coisa parecida?
-Ai! Claro que não! Só estou dizendo que você conseguiu o que muitas mulheres não conseguem: ele ligou depois do primeiro amasso!
¬¬
-Sango. Ora, ele não é um moleque de colegial, por favor. É um homem feito. – e muito bem feito, por sinal – É claro que ele me ligou.
-Eu ainda acho que você o enlaçou de jeito, amiga! Ah! E quem sabe se vocês...
Blublublublublu!
"Olá, aqui é Kagome Higurashi. Não posso ou não quero atender no momento. Pode deixar o seu recado após o bipe, que talvez eu lhe retorne a ligação."
-Eu de novo. Eu só estava pensando... Esqueça o almoço amanhã. Eu pensei e cheguei à conclusão de que seria muito melhor se fôssemos jantar. Eu não quero ouvir reclamações, certo? Só não fique pensando que vai se esconder no escritório de novo. Por que eu posso muito bem ir atrás de você de novo. E lhe digo que não seria muito sacrifício...
-Kagome... – Sango sussurrou –Inuyasha quer totalmentepassar a noite com você! Você vai aceitar?!
-Shhh!
-...Então, não precisa usar nada muito sofisticado. Vista-se do jeito que se veste todos os dias, já está mais que perfeito pra mim. Até amanhã então. Sonhe comigo.
Disse as últimas duas palavras em um tom brincalhão-sexy. Lindo.
-Oh, Kagome! Você está tendo um romance tórrido!
-Eu? Você é quem está trocando amassos com Miroku a cada cinco minutos.
Ela não conseguiu controlar um sorriso.
-Ah! Porque não liga pra sua caixa postal e vê se ele deixou alguma mensagem?
-Ah, não sei... E se ele não tiver deixado nada? Só vou ficar me criticando por ter aceitado as investidas dele.
-E você se arrepende agora?
-Bom, não... Não mesmo
-Então! Pegue! – passei o telefone para ela.
Ela pegou-o, discou o número da própria casa, e depois de ouvir a mensagem da própria caixa postal, digitou o código de três números que permitiam ouvir os recados.
-Ponha no viva-voz! – eu pedi.
Ela rapidamente apertou o botãozinho e a voz da mulher robô que mora dentro de todas as secretárias eletrônicas do mundo anunciou, sem um pingo de emoção:
-Você tem 29 mensagens novas.
-É, você agora não tem desculpa nenhuma pra não sair com ele.
-Shhh, cale a boca! Eu quero escutar!
-Para ouvir suas mensagens, tecle 2. Para apagar uma mensagem de cada vez, tecle 3, para apagar todas as mensagens, tecle 4.
Antes que ela pudesse fazer qualquer besteira, eu teclei o botão de número 2. Um bipe veio e uma cachoeira de intermináveis mensagens narradas pela voz grave e máscula de Miroku foi derramada.
Após longos 15 minutos ou mais, eu já não agüentava mais ouvir coisas do tipo:
"Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida", ou "Eu já estou contando as horas para ver você amanhã", ou "Eu nunca pensei que ir a festa de Inuyasha fosse ser tão recompensador pra mim", ou "Ah, Sango, eu realmente não vejo a hora de encontrar com você amanhã...".
E durante todos os 15 minutos, Sango esteve com a cara enfiada no travesseiro. 15 minutos OU MAIS! Quer dizer, como é que ela não morreu sufocada?
-Ai, Kagome! Com que cara eu vou falar com ele amanhã? Quer dizer, eu sou totalmente péssima nisso! Encontros-pós-amassos, quero dizer.
-Ah, querida. Você realmente acha que ele vai deixá-la falar em algum momento? Assim que ele a vir vai querer retomar de onde pararam hoje. Você conhece Miroku.
Foi aí que me ocorreu.
-Sango... Me diga. Até onde vocês foram hoje?
Ela me olhou.
-Ah... Como disse?
-Até onde você e Miroku foram hoje? Eu digo, até que ponto os amassos ficaram sendo só amassos?
Ela ficou calada, me olhando.
-Oh, meu Deus, Sango! Você dormiu com ele?
-Não! Não, Kagome! Só ficamos no meu sofá por uma meia hora, só isso.
-Ai céus! E vocês estavam vestidos?
-É claro que estávamos vestidos, Kagome. – ela fez uma pausa para um longo suspiro. –Mas eu bem que gostaria que algo mais tivesse acontecido.
-Sango! – Disse sorrindo, enquanto batia nela com o travesseiro que eu mesma agarrava como se fossem os bíceps de um certo advogado. Não pude deixar de me surpreender. Quer dizer, Sango era a minha amiga mais santinha depois de Rin! Romântica e muito delicada na maior parte do tempo. Uma verdadeira lady.
-Ah, eu não tenho culpa! Miroku tem algo que quase me fez esquecer de meus princípios e rasgar aquela maldita camisa Armani que ele estava usando.
Oh... Inuyasha também estava usando uma camisa Armani por baixo do paletó. E eu também fiquei com vontade de arrancá-la.
-É, amiga... –Me deitei ao lado de Sango na cama, ambas olhávamos para o teto com os olhos vidrados. -Eles totalmente conquistaram a gente.
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No dia seguinte eu e Sango fomos para o trabalho juntas. Ambas sabíamos que não havia motivo para isso, já que eu totalmente sairia de perto se Miroku e ela ficassem pelo menos perto um do outro. E ela também não iria dar as caras caso Inuyasha aparecesse pela empresa hoje. Iria mandá-lo diretinho para a sala nº1 do 19º andar: a minha. Mas era só para uma dar forças à outra. Coisa de amigas, vai entender.
-Bom, amiga. É bom você se preparar. Miroku já deve estar aí, andando de um lado para o outro na sala dele, olhando pro relógio a cada três minutos.
-É... Eu não acredito que não preparei nada pra falar em caso de um silêncio constrangedor!
-Não vai haver silêncio constrangedor, confie em mim.
Olhei para o espelho do elevador: Sango usava uma camisa de gola role. Sabe, para esconder as marcas roxas que denunciavam que ela esteve se amassando noite passada. Eu havia jogado quase um quilo de maquiagem em cima da marca que Inuyasha me fez, mas tudo o que consegui foi que a cor suavizasse um pouco. Então tive que fazer um belo rabo-de-cavalo e jogá-lo por cima do ombro esquerdo, e casualmente esconder a o roxo que denunciava ou que alguém havia brincado gostoso ali, ou que eu havia levado uma bela de uma martelada no pescoço.
Anyway.
O elevador apitou de leve e as portas se abriram. E eu quase tenho uma taquicardia.
Lá estava ele. Parado, esperando o elevador com uma cara tensa. Parece que esteve passando a mão no cabelo constantemente. Parecia nervoso.
E quando a porta se abriu ele adotou uma expressão que me surpreendeu.
Total satisfação. Alegria mesmo, como se ele acabasse de ganhar o Oscar de melhor tudo e mais um milhão de caminhões com um milhão de dólares dentro de cada um. Só que além de alegria, havia carinho. Muito, muito carinho.
Eu não esperava vê-lo ali, então meu coração deu um salto mortal, do tipo três piruetas.
E ele estava, oh meu Deus, um gato! Usava uma calça preta de linho, sapatos pretos bem polidos, mas não brilhantes. Uma camisa pólo bege. Muito elegante, cheirando à Calvin Klein. E, oh meu Deus, eu estava prestes a desmaiar, quando percebi que deveria sair correndo.
Porque, sabe, não é lá muito legal presenciar os amassos de um casal amigo seu.
Sabe, Sango e Miroku.
Então eu me certifiquei de que a minha trança estava no lugar onde deveria estar, e virei o rosto para Sango.
-Vejo você mais tarde, então. – dei um beijinho no rosto dela, que eu nem sei se ela percebeu, pelo jeito como estava olhando para Miroku.
Depois dei um passinho pra frente e saí do elevador.
-Bom dia, Miroku. – eu disse sorrindo.
-Bom... dia. – ele nem olhou pra mim. Sério mesmo. Nada de "Bom dia? Com uma visão dessas, meu dia só pode ser mais que maravilhoso, minha flor!" e beijos na mão. Nada disso. Só um bom dia do tipo "Quer dar o fora daqui, sua intrometida sem semancol?"
E, bom, foi o que eu fiz. Ele entrou no elevador, e esse fechou as portas que eu estivera segurando.
E Sango foi com ele. É, eles provavelmente foram para o almoxarifado. Nunca tem ninguém lá antes de meio dia, e Miroku consegue todas as chaves que quer, basta lançar um olhar do tipo "Eu sei que você me quer...". Eu mesma já quase entreguei as chaves do meu apartamento pra ele, imagine. Só que eu era noiva de Jimmy na época, e aí... Sabe né? Não dei. As chaves, por Deus!
Ai, meu Deus, que coisa linda. Estou tão feliz!
Caminho em direção à minha sala, feliz da vida. Minha vida amorosa estava começando a caminhar. Um pouco manca, mas caminhando.
-Bom-dia, Yuka. – eu sorrio para a morena de cabelos curtinhos sentada à mesa quase em frente à minha porta.
-Bom dia, senhorita. Como vai?
-Bem, obrigada. Algum recado de alguém?
-Não. Só que a senhorita pediu para que eu a lembrasse de sua reunião com o Senhor Naraku, a senhorita Rin, Sra. Yukoko e os acessores.
-Sim, obrigada. E a que horas vai ser mesmo?
-9:30.
-Certo, obrigada.
Entrei em minha sala e foi como se eu estivesse vendo a um filme. Olhei para minha mesa e vi, nitidamente, Inuyasha deitado por cima de mim. Estávamos nos beijando.
Olhei para a parede e nos vi novamente, nos beijando, enquanto ele soltava o meu cabelo. E depois o vi me abraçando no escuro, logo depois de ter apagado as luzes. E me correu um arrepio no corpo só de lembrar da sensação de tê-lo ali, comigo.
Mas não se pode sonhar para sempre. Sacudi a cabeça e mandei todas as Kagome's e Inuyasha's se mandarem dali, porque eu tinha muito trabalho a fazer.
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Oh, meu Deus. Eu odeioreuniões com Naraku, o irmão dele e aquela maluca acionista que brinca de empresária. Não há como dialogar com uma pessoa que berra o tempo todo, fazendo observações inúteis como o ar-condicionado não combinar em nada com a sala, o que é estranho, já que a Takahashi é uma empresa de moda, e não decoração. Ou que o tapete é felpudo demais, e isso provoca sua alergia. Oh, céus.
E além do mais, Naraku sempre se esquece que, diferentemente dele, nós somos criaturas vivas e que nosso organismo precisa de alimento, do contrário nós podemos cair mortos no chão de mármore polido da sala de reuniões exageradamente grande.
Quando saímos da reunião já eram quase 14:00hrs. Meu estômago implorava por qualquer grãozinho de arroz que fosse.
-Yuka, algum recado? – eu cheguei na minha sala pronta para pegar minha bolsa e sair em disparada para qualquer lugar onde vendesse qualquer coisa que me alimentasse.
-Sim, do senhor Inuyasha Taisho. Pediu que o ligasse assim que pudesse. E a senhorita Sango disse que não vai poder almoçar com você.
-Ok, certo.
-Está bem, senhorita? Está pálida.
-Sim, sim, só estou morrendo de fome.
-Oh, eu imaginei que a reunião fosse demorar, então fui à lanchonete e comprei uns bolinhos diet. Estão em cima de sua mesa. – ela me sorriu.
Oh, pelos deuses, eu amo a minha secretária.
-Você é um anjo divino, Yuka, muito obrigada! Estou para desmaiar. Por causa disso, pode ir embora mais cedo hoje, se quiser.
-Oh, obrigada. – ela sorriu satisfeita.
Eu entrei em minha sala feito um animal. Joguei os sapatos de salto em qualquer canto não visível caso alguém entrasse de repente e saí correndo em direção a minha mesa.
E lá estavam eles. Deliciosos bolinhos de arroz/trigo diets em um pratinho, quentinhos, com fumaça saindo deles. E uma garrafinha de suco de laranja do lado deles.
Oh, Yuka é tão atenciosa!
Alguns pensam que são sem gosto. Mas não são. São na verdade muito gostosos.
Eu estava no meu quinto bolinho sem gordura hidrogenada quando o telefone tocou.
-Sim?
-Sennhorita Kagome, há alguém aqui que deseja falar com a senhorita.
-Quem é, Yuka?
-A... senhorita Kikyou Taisho.
Eu quase engoli um bolinho de trigo inteiro.
-Como disse? Kikyou?
-Exato. Posso mandá-la entrar?
Taisho? Desde quando noivos já adotavam o nome de casada? Até onde eu sei, a única senhora Taisho que existe é a mãe de Inuyasha.
-Sim, Yuka, pode mandá-la entrar.
Desliguei o telefone e mastiguei o bolinho que quase engoli inteiro. Alguns segundos depois a porta se abre e eu me deparo com a figura branquela da noiva cadáver. Usando uma calça jeans branca, com uma blusa rosa-shoking de algodão com um enorme beija-flor de brilhantes como estampa.
Calça branca? Hello-o! Estamos no inverno. Blusa rosa-shocking de algodão com um pássaro de brilhantes? Quantos anos você tem, 15?
-Olá Kikyou, que surpresa. Sente-se, por favor.
Ela caminhou em direção á mesa com a cara azeda de sempre.
-Olá, Kagome.
-Em que posso lhe ser útil?
Ela me olhou por alguns instantes e depois começou a despejar.
-Ok, eu não sei como dizer isso sem parecer ridícula, então vou apenas dizer.
Depois disso meu queixo caiu e se recusava a voltar par o lugar original.
-Eu sei que não sou um exemplo de mulher a seguir. E sei que não sou o tipo de mulher que um homem espera casar-se. E bom, acho que Inuyasha só me pediu em casamento porque nos conhecemos desde o colegial. O caso é que... Eu vi como ele olhou pra você no dia do desfile. E, estranhamente, depois que ele conheceu você, as visitas dele a esta empresa aumentaram consideravelmente. Ontem, na festa ele não ficou quieto enquanto você não chegou. Disse que ia comprar cerveja, só que eu sei que ele foi buscar você. Voltou todo sorridente, sem nenhuma lata de cerveja. Eu sei que vocês conversaram. Ele só sabe sorrir depois que fala com você. Então, o que eu quero dizer é...
Oh, céus. Até aquele momento eu estava estática. Sem saber o que fazer. A mulher realmentefoi ao meu escritório pra dizer que o noivo está apaixonado por mim? Ela ia me comunicar que saía de cena e deixava o caminho livre pra mim?
Doce ilusão.
-Eu estou tentando fazer um pedido a você.
-Um pedido? Que... Que tipo de pedido?
-Ah, minha nossa! – ela passou as mãos nos cabelos muito longos. – Eu quero que você me ajude a ficar mais atraente para o Inuyasha.
Bum! Ela jogou a bomba na minha cabeça.
-Ah, perdão? Como disse?
-Basicamente é isso. Eu quero que você me ensine a chamar a atenção do meu noivo.
Eu tinha pensado em dar uma boa gargalhada. Em dizer as palavras "NÃO MESMO" bem altas na cara dela. Em dizer que ela estava ficando louca se eu ia ajudá-la a conquistar o homem que eu estava afim.
Mas ela disse as duas palavras mágicas.
Oh, não, claro que ela não pediu por favor. As palavras foram muito mais mágicas do que por favor.
Meu noivo.
Meu. Noivo.
Meu – Kikyou. Noivo – Inuyasha.
Meu Inuyasha.
Inuyasha dela. Não de Kagome. De Kikyou.
E foi como se tudo o que eu havia planejado, imaginado, construído, projetado e sonhado se virasse pra mim e dissesse "Acorda. O cara tem dona. E ela está bem aí, pedindo a sua ajuda para reconquistá-lo. Fim de jogo pra você.".
E eu a vi de novo. Estava lá, com aqueles grandes olhos castanhos me encarando, esperando a minha resposta minha.
E o que eu podia fazer?
-Kikyou, eu confesso que achei que você meio que... Me odiasse.
-Eu tentei. Sabe, odiar você. Mas só o que eu pude nutrir foi um sentimento de inveja. Não inveja do tipo que se quer o mal da pessoa, mas sim do tipo em que se pensa "Eu quero ser como ela.". E não vi melhor alternativa a não ser vir aqui, pedir ajuda a você.
Dá pra acreditar? Quer dizer, dá pra acreditar nisso? Só pode ser brincadeira.
Ok, eu já entendi. O noivo é dela. Não vou mais me meter entre os dois. Agora chega.
Que nada, ela ainda estava lá.
-E então? – ela me pergunta, as mãos se retorcendo no colo.
-Bom, Kikyou, eu realmente não esperava. Você me pegou um tanto de surpresa.
-Oh, se você precisar de algum tempo pra pensar, eu posso... – ela se levantou e apontou para a porta.
-Não, não. Sente-se.
Ela sentou na cadeira onde estava. Eu podia perceber que ela estava quase morrendo por estar me fazendo aquele pedido.
-Kikyou, você realmente me pegou de surpresa. Eu nunca imaginei que você fosse me pedir isso.
Ela se manteve calada, me olhando, esperando por uma resposta.
-Mas tudo bem. Eu ajudo você.
"O quê?", você deve estar se perguntando. É isso mesmo. Não sei por que cargas d'água, eu resolvi ajudar a noiva do cara que eu quero a reconquistá-lo.
-Oh, sério? Ai, que bom! Muito obrigada, Kagome! Obrigada mesmo! Eu nem sei como lhe agradecer!
-Não há de quê.
-Então, quando podemos começar?
-No final de semana, que tal?
-Oh, certo, esperarei ansiosa. Eu ligo pra você.
-Certo.
Ela sorriu e levantou-se. Quando chegou à porta, virou-se.
-Ah, e... Desculpe-me sobre o que eu disse no desfile, sobre as suas roupas serem antiquadas e tudo o mais... Acho que só estava com raiva por Inuyasha estar olhando para você, e não para mim.
-Sem problemas.
Ela sorriu de novo e foi embora.
Eu olhei para os meus bolinhos de arroz e trigo.
Frios, sem gosto e sem graça.
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Estrelinha: Você não deixou e-mail pra eu responder! Eu gosto de responder por e-mail! Haha! Fico feliz que você tenha gostado! E acredite: se eu pudesse, eu fazia várias cópias dele e saia distribuindo pra todas nós que amamos esse jeito peculiar. Mas não posso. Ainda xD
Obrigada pela sua review, de verdade mesmo! Mil beijos!
