Escondido. Sango e Miroku estão namorando escondido.
Uma graça, não é?
Parece que logo depois que eu saí do elevador e ele entrou, foram exatamente pra onde eu achei que tivessem ido: pro almoxarifado. E o Miroku totalmente pegou a chave com a maior facilidade, mas não usou o seu olhar "Eu sei que você me quer", porque dessa vez era um cara. Só que foi fácil mesmo assim, porque o cara lhe devia uns 20 favores, porque o Miroku conseguiu garotas pra ele, conseguiu que o chefe o desse um aumento, conseguiu que o chefe do tal cara não soubesse das besteiras que ele fazia, tipo levar a garota que Miroku arranjou pra ele pra dentro do prédio e totalmente transado com ela no banheiro masculino, (ele se esqueceu das câmeras de vigilância, que gravaram tudo!) e outras coisas.
Então foi pra lá que eles foram, Miroku e Sango, pro almoxarifado. Onde ficaram se agarrando por mais de uma hora, e só não foram aos "finalmentes" porque lá é muito abafado e apertado e Sango ficou com nojo.
Mas o caso é que ele foi todo carinhoso com ela, ficava dando beijos carinhosos no rosto e no pescoço, dizendo que ela era maravilhosa e disse que, se ela deixasse, ele a faria muito, muito feliz. E Sango resolveu dar a ele uma chance. E depois disso eles quase chegaram aos "finalmentes", mas daí um inseto enorme passou perto deles e eles saíram de lá.
E agora estão namorando. Só que ninguém sabe. Bom, a não ser eu.
Eu e Inuyasha.
Sabe, porque ele é o melhor amigo de Miroku, e eles concordaram em contar aos melhores amigos.
E eu estou muito feliz por ela, mesmo. Já estava mais do que na hora de eles se acertarem.
Mas eu não consigo expressar essa alegria. Porque estou nervosa demais.
Já são 20h30min. Eu estou no meu caminho pra casa, e o meu celular não pára de tocar.
Eu não preciso olhar pra saber quem é.
Estou uma pilha, isso sim. Uma pilha de nervos é o que eu estou. Já comi uns 10 bolinhos daqueles que Yuka me comprou. Não almocei.
E de novo. Olho para o telefone celular no banco do passageiro.
É ele. De novo.
Chego em casa e saio correndo na direção do elevador. Preciso da minha cama. Preciso do meu travesseiro.
Preciso da minha mãe.
Só que oh, meu Deus! Minha mãe não vai poder me ajudar agora, porque ela e papai estão em uma quarta ou quinta lua-de-mel no Egito, e eu nem sei que horas são no Egito!
Sango também não pode me ajudar. Porque eu não exatamente contei a ela. Quer dizer, que tipo de amiga eu seria se jogasse meus problemas em cima dela no mesmo dia em que ela começou a namorar o seu príncipe encantado? Não uma amiga muito boa, eu lhe digo.
Então só o que eu tinha a fazer era me jogar em minha cama e perguntar pro teto: o que eu faço?
Mas nem isso eu consegui fazer.
Assim que eu coloquei o pé em casa, o telefone começou a tocar estridentemente.
Eu sabia que era ele do novo, mas, vamos lá, eu não ia conseguir fugir pra sempre.
-Alô?
-Eu não disse para você que nós íamos jantar? O que faz em casa? – o tom brincalhão e sexy me fez ter vontade de chorar.
Oh, eu o queria tanto!
-Inuyasha, ouça...
-Não, não, não. Sem desculpas. Eu estou passando aí. Esteja pronta.
E desligou o telefone.
Eu sentei no sofá e esperei.
Devo ter esperado uns 25 minutos.
25 minutos deitada no meu sofá, no meu apartamento totalmente escuro, a não ser pela luz do abajur da mesa do telefone.
Eu ia lavar o rosto para esfriar as idéias quando a campainha soa.
Caminhei até a porta bem devagar.
E quando a abri sim, foi que eu tive de fazer muita força pra não chorar.
E lá estava ele de novo: Ainda com as roupas do trabalho. Terno preto, só que havia tirado a gravata, e os dois primeiros botões da camisa branca estavam abertos, assim como o paletó.
-Olá.
Ele deu um passo à frente, me puxou pela cintura e me deu um beijo rápido, antes que eu pudesse reagir.
-Inuyasha, escute, eu tenho que te contar uma coisa.
-O que foi? Acha melhor ficarmos aqui e tomarmos um pouco daquele vinho que eu te dei? Acho uma excelente idéia.
E entrou me empurrando pra dentro do meu apartamento, colando a boca na minha.
Ah, nossa, eu sei, eu sei que não deveria ter aceitado os beijos dele, mas, por Deus, ele é tão tudo o que eu quero! Tudo, tudo, tudo, mesmo!
Então eu meio que permiti que ele me prensasse contra a parede e me beijasse o quanto ele quisesse.
É, até deixei que ele fizesse mais três marcas roxas no meu pescoço.
É, pois é. Agora eu tinha mais marcas que Sango.
Bom, não sei, já que ela e Miroku estavam se agarrando o dia inteiro, ela já deveria ter umas 10 marcas dessas por toda a extensão do pescoço.
Ah, não interessa. Só sei é que eu o agarrei pelo pescoço e por um momento esqueci tudo o que tinha que falar pra ele.
-Porque não retornou minhas ligações hoje? – ele perguntou baixinho enquanto tirava o paletó e o jogava na direção do sofá.
-É sobre isso que eu quero falar com você...
-Falar? Ah, não estou muito a fim de conversa agora.
Então ele prendeu o meu corpo na parede com o dele, e ficou beijando meu rosto.
-Oh, hoho! – Deu uma risada debochada. – Veja só o que temos aqui! – e passou a mão pelo meu pescoço.
-É, e é tudo culpa sua. – Eu me afastei do corpo dele e fui olhar meu pescoço no espelho da sala.
Ai, meu Deus.
Ai... Meu... Deus.
É sério, parece que eu fui martelada, muito martelada no pescoço.
Não estavam todas muito roxas ainda, mas já dava pra ver o estrago.
-Você só pode estar de brincadeira. – eu disse, olhando através do espelho. Ele havia se prostrado do meu lado, e agora tentava tirar uma sujeirinha da camisa branca.
-Por quê?
-Eu não posso ir trabalhar assim amanhã.
-E porque não? Miroku vai, quase toda segunda-feira, não?
Eu ignorei o fato.
-E por falar em Miroku, você já soube sobre ele e Sango? – ele me perguntou, desistindo de limpar a mancha da camisa.
-Já.
-Finalmente, não? Aqueles dois já estavam quase se comendo com os olhos! – ele se vira pra mim, sorrindo todo maroto. –Assim como nós dois.
-Ah! – é tudo o que eu consigo dizer, depois de piscar várias vezes.
E antes que ele possa me agarrar de novo e, por Deus, começar a me beijar, eu meio que saio correndo e me coloco em posição de defesa atrás do sofá, segurando uma almofada.
Certo, eu sei que isso é meio ridículo.
-Inuyasha, escute, é sério. Eu preciso te contar uma coisa.
Ele suspirou, como se para liberar o cansaço que havia acumulado durante dia e sentou-se no sofá.
Bom. Isso é bom. Com ele sentado, não dá pra me atacar de repente.
Ou dá?
Ah, sei lá.
Eu sentei ao lado dele, bem na pontinha do sofá.
-Inuyasha... Er...
-O que foi, meu bem? – ele me olhou, com um sorriso confortador.
-É que... Kikyou me procurou hoje.
-O quê? – ele me olhou com cara de espanto.
-Kikyou foi até a empresa hoje e me procurou.
-Ela fez o quê? O que ela queria? O que você disse a ela? – ele passou a mão direita no cabelo.
-Escute!
Ele me olhou, meio desesperado. E eu sabia exatamente o que estava passando na cabeça dele:
"Kikyou descobriu. Perdi minha noiva. Perdi a mulher que eu amo."
E bem... Isso meio que totalmente me destruiu.
Então eu suspirei.
-O que ela disse a você, Kagome?
-Ela foi me pedir um favor. Ela me pediu que... Bom...
-Pediu o quê?
-Pediu que eu a ajudasse a se tornar mais... Atraente... Pra você.
Ele ficou me olhando como cenho franzido, como se estivesse fazendo muito esforço pra entender.
-Perdão, eu acho que eu não entendi muito bem. Ela pediu que você lhe desse aulas de etiqueta?
-Não. Pediu que eu ajudasse-a a fazer você se re-apaixonar por ela. E isso consiste em ensiná-la a vestir-se de um jeito que agrade você, caminhar, falar, comer, agir, e se portar, tudo para que você, de acordo com ela, passe a amá-la de verdade.
Encaramos-nos por uns dez segundos.
Nos olhos dele, desespero. Nos meus, angústia.
-Ela disse isso? Quer dizer, a parte de que eu passe a amá-la de verdade?
-Mais ou menos isso. Não foram estas as exatas palavras, mas foi isso o que ela quis dizer.
Ele levantou e se virou de costas lentamente, passou as duas mãos pelos cabelos, forçando-os para trás, andando devagar de um lado para o outro da minha sala escura.
-Então eu pensei, quer dizer, eu achei que não seria certo nem comigo, nem com você, nem com ela, se nós continuássemos com... Isso. - Eu disse, passando as mãos no meu próprio cabelo.
Ele se sentou de novo.
-Tem, tem certeza de que ela estava sendo... Sabe, sincera?
Eu pisquei, surpresa com a pergunta.
-Bom, eu acho que sim. Ela estava nervosa, e claramente odiando estar ali, praticamente se humilhando me pedindo ajuda.
Ele se recostou no sofá e soltou outro suspiro cansado, desta vez com os olhos fechados.
E depois se virou pra mim.
-Kagome, eu não sei o que... Verdade, eu não... Quer dizer...
-Não, não, por favor. Não há nada o que dizer pra mim. Eu estou perfeitamente bem. – eu disse, com uma mão estendida para ele, fazendo-o parar de falar.
Era uma grande mentira, é claro. A parte do "estou perfeitamente bem".
-Mas eu pensei que nós dois...
-Não, Inuyasha. Isso não ia dar certo de qualquer jeito. – desta vez eu me levantei – Eu não sei onde estava com a cabeça aquele dia, ou mesmo hoje. Eu acho que isso foi o melhor que poderia ter acontecido, no final das...
-Kagome, olhe pra mim. – ele se levantou do sofá e virou-me de frente para ele pelo braço. –Eu não estou preocupado com Kikyou. Não é a primeira vez que ela tenta algo desse tipo. Certo, é a primeira vez que ela chega tão longe. Mas, nossa, o meu noivado já desceu pelo ralo há muito tempo! Agora você... – ele analisou meu rosto com os olhos. – Eu nunca senti isso por Kikyou. Nunca, nem quando começamos a namorar no colegial. Não senti isso quando a pedi em casamento, não senti nada parecido com isso quando ela disse "sim".
-Inuyasha, por favor. Nós nos conhecemos há menos de um mês, não há como sentirmos...
-Há sim, e você sabe que há. Porque você sentiu exatamente a mesma coisa. Desde aquele dia em que nos conhecemos. Não sentiu, Kagome?
Eu já estava com as pernas tremendo. Meu coração batia tão forte que eu podia ouvi-lo. E, por algum motivo, eu não conseguia parar de piscar.
-Inuyasha, preste atenção. Sua noiva me pediu ajuda para reconquistar você. E eu disse sim. Que tipo de pessoa eu seria se ao mesmo tempo em que a ajudo, desfaço tudo enquanto me encontro com o referido noivo, ás escondidas? Isso não vai dar certo, nunca daria! Então eu acho melhor que nos esqueçamos de tudo o que aconteceu ontem e hoje, você vá pra casa e pense com muito carinho na noiva maravilhosa que tem.
Certo, nem eu acreditei nessa de noiva maravilhosa, mas tanto faz.
Ele me olhou e afastou uma mecha de cabelo dos meus olhos.
-Você está terminando comigo? - Falou numa voz extremamente doce.
Eu dei uma risadinha.
-Terminar o que?
-Isso está tão errado... Tão incrivelmente errado.
-Está sim, muito errado. Você não deveria estar aqui na minha sala, desabotoando os botões da minha blusa.
Ele sorriu.
-Mas é exatamente onde eu quero estar.
Outro suspiro, desta vez meu.
-Certo, vá pra casa. Tome um banho quente, coma alguma coisa e durma profundamente. Eu também vou fazer isso. Pra clarear as idéias.
Se ele dissesse "Podemos clarear as idéias juntos..." eu sinceramente acho que não negaria.
Ah, caramba.
Mas ele simplesmente fez o que eu pedi. Se afastou de mim, pegou o paletó que estava jogado de qualquer jeito sobre o braço do sofá e caminhou até a porta. Eu fui atrás dele e abri a mesma.
Ele se encostou à porta aberta com o rosto pra dentro do apartamento.
-Eu vou sentir sua falta, sabe?
Eu sorri. Também vou sentir falta dele. Bastante. Vou ter que me esforçar pra não dar todas as dicas erradas para Kikyou.
-Venha aqui.
Ele puxou minha cabeça e colou os lábios nos meus. Bem de leve. E durou menos de um minuto, até.
Mas foi bem intenso.
Eu me afastei, segurando as lágrimas. Sorri de leve, respondendo a um sorriso dele.
E aí ele virou as costas e foi embora.
Foi de escada, acho que para não ter que ficar esperando o elevador e criar aquele clima chato entre nós dois.
Eu fechei a porta e sentei-me no chão.
Ai, que ódio!
Ele disse exatamente tudo o que eu queria dizer!
Eu também não havia sentido nada parecido quando eu e Jimmy começamos a namorar, ou quando ele me pediu em casamento, ou quando eu disse sim. E é lógico que ele também não sentiu nada parecido, até porque ele é gay, e eu não sou homem, então acho que ele não ouviu fogos quando eu disse que aceitava ser noiva dele.
E eu meio que escuto fogos cada vez que vejo Inuyasha.
Droga. Droga de homem perfeito. Droga de coração burro, que aponta pra ele. Droga de Noiva Cadáver, por tê-lo. Droga de Kagome por ajudá-la a reconquistá-lo. Droga de universo, que conspira pra que tudo isso aconteça.
Droga de Sango e droga de Miroku, por estarem tão felizes.
Ai meu Deus, não! Não, não, não, não!
Eles estão felizes e isso é uma coisa boa. Muito boa. Eu amo os dois, do fundo do meu coração, e sei que são perfeitamente perfeitos um para o outro, e não devo, em situação nenhuma, ficar triste por eles estarem felizes, e eu estar miseravelmente triste.
Droga de inveja.
0o0o0o0
Sábado chegou voando. Só porque eu havia marcado com Kikyou que começaríamos as "aulas" neste dia.
Eu acordei, já me sentindo nauseada. Não estava lá muito ansiosa, se é que você me entende.
Mas, vamos lá. "Você prometeu, você vai ter de cumprir", dizia a minha consciência chata.
Sabe, eu realmente acho que viveria muito melhor sem ela. Minha consciência, quero dizer.
Então eu me levantei e me olhei no espelho.
Oh, aquilo não daria certo. Não mesmo.
Se ontem parecia que eu havia sido martelada, hoje parecia que eu havia sido jogada em um moedor de carne.
Meu cabelo estava um desastre ambulante, minha cara estava amassada e inchada (eu havia chorado um bocado noite passada, depois que Inuyasha fora embora e o namorado de Eri, minha vizinha pervertida, chegou de viagem e eles ficaram fazendo sabe-se lá o que. Só sei que dava pra ouvir.), minha camisola era um blusão da Minnie Mouse enorme que eu não usava há décadas... E estava com várias marcas roxas no pescoço.
Umas quatro ou cinco, pra ser mais exata. E eram bem grandes.
Credo, que imagem dos infernos.
A minha sorte é que estava frio. Chovendo horrores, céu nublado, e uma nuvem preta que indica que a chuva ainda não vai acabar tão cedo.
Bom, isso é muito bom pra mim.
Tomei um banho, lavei o cabelo, tomei um bom café da manhã, me arrumei e saí ao encontro da bruxa, da malvada, maligna e venenosa Noiva Cadáver.
É claro que eu imitei a idéia da minha amiga gênia e coloquei uma blusa de gola role.
Odeio essas blusas. Pinicam. Muito. Eu odeio coisas que pinicam. A não ser barbas por fazer, aí eu gosto.
Jimmy usava muito a barba por fazer. Mas que inglês safado e charmoso, que ele é. É uma pena, uma pena mesmo.
De qualquer forma, lá fui eu para o endereço que me foi dado.
Uma bela de uma casa. Imensa, fachada impecável, jardins maravilhosamente bem cuidados, um chafariz lindo na entrada, e uma bela piscina na parte de trás. Dava pra ver um pouquinho.
Desci do carro e, veja só. Entreguei a chave para o manobrista. Manobrista. Em uma residência. É, dava pra ver que tinha muuuuuita grana no meio disso tudo.
-Senhorita Kagome, a senhorita Kikyou a receberá na sala de leitura. Siga-me por favor.
Uma governanta. De Coque, colar de pérolas, terninho azul claro, meia calça e sapato de boneca. Igualzinha as dos filmes.
Que coisa estranha.
Eu e Mary Poppins caminhamos até a sala de leitura. Uma sala bem longe, por sinal. Entrei por vários corredores, virei aqui e ali, e nada a sala de visitas.
Muitos quadros de Velásquez pelo caminho. E Monet, Picasso, e Van Gogh. Muito bom senso de arte. Admirável.
Finalmente chegamos à sala de leitura onde Kikyou me esperava.
A ama seca (perdão, sempre quis dizer "ama seca") abriu a porta depois de dar duas batidinhas e me anunciou.
-A senhorita Kagome está aqui.
Vi Kikyou sentada em uma poltrona azul no canto da sala, lendo à luz de um abajur. Ela olhou para a ama seca quando ela falou meu nome e se levantou ao me ver.
-Kagome, que bom que chegou! Venha, venha.- ela estendeu a mão para mim. –Obrigada Josy, pode ir.
A ama seca se retirou e fechou a porta.
-Uma bela casa, a sua.
-Oh, obrigada.
Eu sorri.
-E então, vamos ao assunto? – eu disse. –Comecemos.
-Tudo bem... – ela se levantou novamente se meio que abriu os braços para que eu avaliasse. –Pode dar o diagnóstico. Por onde você quer começar?
Eu juntei as mãos.
-Não, não, Kikyou. Acho que não é assim que funciona. Você é quem vai dar as coordenadas. Você sabe os gostos de Inuyasha, sabe o que o agrada. Eu só vou ajudá-la a alcançar o seu próprio objetivo.
-Okay, então... Eu acho que deveríamos começar pelas roupas. Inuyasha não gosta do jeito que eu me visto.
-Certo, então deixe-me dar uma olhada no seu guarda-roupa.
E ela me levou até o quarto dela. Mais uns cinco corredores, uma enorme escadaria, e mais cinco corredores.
Ela abriu a porta. Sério, aquele era o quarto que eu sonhava quando era criança.
Um cômodo imenso, cheio de fotografias de perfil, corpo inteiro, quadros dela mesma de vários estilos diferentes. Janelas grandes, que nos permitem ver a maravilhosa vista que é o jardim. Uma cama com dossel, muito bem arrumada, e uma porta, que eu imaginei ser o guarda-roupa. Nós passamos por aquela porta e eu pude ver que ali era onde o quarto se dividia. O banheiro ficava à frente (um belo banheiro, com hidromassagem, um chuveiro bem convidativo, um espelho bem grande para escovar os dentes e lavar as mãos.) e o closet ficava à esquerda.
Okay, eu sou estilista. Certo. Mas eu não tenho um closet assim. Uma parede era exclusiva para sapatos. E outra era para vestidos, jeans, blusinhas e camisetas. E nada dali se podia aproveitar, até onde eu vi.
Quanto dinheiro gasto à toa...
-Anh... Kikyou... Quanto dinheiro você pretende gastar para renovar o guarda-roupa?
-Ah, não, isso não é problema. É só me dizer o que eu tenho que fazer, e eu faço. Não se preocupe com gastos.
-Okay, então. Bom, essa parte do guarda-roupa vai ser um pouquinho mais demorada, então eu vou cuidar disso. Só preciso das suas medidas. Todas elas, incluindo quanto você calça.
-Certo, eu vou pegar. Só um minutinho. – e ela saiu andando do closet. Eu me vi ali, sozinha no meio de um monte de vestidos de poliéster. Como é que uma pessoa com tanto dinheiro tem tanto poliéster?
Então eu precisava cuidar da operação dois. Dança. E eu sabia exatamente o que fazer a esse respeito.
-Jakotsu?
-Minha perua mais perfeita de todas as peruas! A que devo a honra?
-Eu preciso de um favor, querido. Um favor que vai doer em nós dois, mas um favor.
-Ai, paixão, o que houve?– a voz dele pareceu bem confortadora pelo telefone.
-Ai, Jakotsu, você não sabe onde eu estou, neste exato momento.
-Hmm, deixe-me ver, no banheiro de algum motel chiquérrimo com aquele pedaço de mal caminho esperando por você do outro lado da porta?
É claro que o pedaço de mal caminho que ele se referia era Inuyasha. Ele meteu na cabeça que nós estamos transando.
Quem me dera, eu digo.
-Ai, não. Não. É um lugar horrível
-Horrível? Não sei. Diga logo, você está bem? O que houve?
-Eu estou bem. Mas eu preciso de você. Eu estou parada no meio do closet da Kikyou, a Noiva Cadáver.
Eu tinha que falar realmente baixo, caso a referida noiva entrasse pela porta de vidro branco esfumaçado.
-O quê? O que você está fazendo aí, pelo amor da deusa?
Eu expliquei toda a história pra ele, com a garganta dando um nó.
-Ah, minha querida! Você deve estar um caco...
-Estou, e preciso que você me ajude, por favor?
-Oh, meu Deus, é lógico que eu vou te ajudar. Não sei por que você aceitou fazer isso, mas já que aceitou, eu ajudo você no que você quiser.
-Obrigada, Jakotsu. Obrigada mesmo.
-Não me agradeça, querida. Eu já estou a caminho.
Desliguei o celular e uns cinco segundos depois Kikyou entrou de novo no closet com um papelzinho na mão.
-Aqui, minhas medidas.
Olhei o papel depois guardei-o no bolso.
-Tudo certo. Bom, mas como nós não vamos poder resolver esse quesito imediatamente, eu já resolvi o quesito número dois.
-Que quesito?
-Dança.
-Oh, que ótimo! Inuyasha gosta de dançar, e eu sou uma total negação numa pista de dança.
-Não vai mais ser. Eu já resolvi isso. Mas enquanto a solução não chega, vamos trabalhar por aqui.
Eu me virei para as roupas e comecei a mágica.
E em dez minutos eu já sabia o que ia comprar para Kikyou de sapatos, calças jeans, blusinhas, camisetas, roupas sociais e vestidos de festa ou casuais. Tinha tudo anotado na minha agenda de couro vermelho que Jimmy me mandou de presente de Natal.
E nós ouvimos a campainha tocar.
-Deve ser ele.
-Ele quem? – ela me perguntou enquanto fechava a porta do closet.
-A solução dos seus problemas dançantes.
Dois minutos depois, a ama seca bate na porta do quarto de Kikyou novamente e quando ela a abre, vejo Jakotsu vestido muito "fashionmente"para um coreógrafo gay, na verdade.
Usando uma calça de couro bem apertada, uma camisa de seda cor de rosa cheia de purpurina, um lencinho amarrado ao redor do pescoço e óculos escuros bem fashion, Jakotsu de um passo à frente e veio em minha direção.
-Olá, meu amor! Vim o mais rápido que pude. Divina, linda como sempre. – e me deu um beijinho em cada face, e um estalinho, como sempre nos cumprimentamos.
-Você também está ótimo, querido. – Virei-me para a esquerda, e fiz Jakotsu fazer o mesmo. –Esta é Kikyou, é noiva de Inuyasha Taisho. Você o conheceu no desfile passado, lembra?
-Oh, é lógico que me lembro. Não se esquece um homem daquele facilmente, haha. – ele disse enquanto cumprimentava Kikyou. Não do mesmo modo que me cumprimenta, é claro.
-E exatamente em que eu serei necessário? – Jakotsu lançou o cabelo imaginário para trás dos ombros.
-Bom, Kikyou e eu estamos trabalhando em uma coisinha, que requer que ela saiba dançar muito, muito bem. E eu logo pensei em você, porque você é, de longe, o melhor...
-É por causa de um homem, não é?
Kikyou piscou. Eu tentei disfarçar, mas Jakotsu é tudo, menos discreto.
-Você... Você contou... Contou que... – Kikyou gaguejou para mim.
-Oh, não, por favor, Kagome não me contou nada. Mas, olhe pra mim, por favor. Sou a pessoa mais perceptiva que você conhece e vai conhecer.
Kikyou e eu respiramos aliviadas. Ela, por constatar que eu havia guardado seu segredo. Eu, por Jakotsu não ter me denunciado.
-E então? O bofe é o seu noivo-pedaço-de-mau-caminho?
-Bom, sim. É sobre ele. Eu e Kagome estamos tentando...
-Oh, por favor, não em diga mais nada! Eu já sei o que devo fazer. Uma mulher não é uma mulher se não dominar a arte da dança. E um homem não é um homem se não souber admirar uma mulher que sabe bailar.
Eu sorri.
-Exato. E foi por isso que eu chamei você.
-É claro. – ele disse, novamente jogando o cabelo imaginário pelo ombro.
-Então, comecem. Eu vou continuar a avaliar o guarda-roupa.
E assim se foram três horas.
Eu fazendo anotações sobre roupas, sapatos e acessórios, e Jakotsu tentando domar os dois pés esquerdos de Kikyou.
-Minha querida, minha querida... Minha querida. - Apesar de ficar dizendo "Minha querida" o tom de voz dele era bastante severo. Sabe, tão severo quanto um homossexual pode ser. –Preste atenção.
E continuava tentando fazê-la aprender a dançar.
Começaram com a dança básica. Aquela em que o casal dança juntinho. Eu não sei como é o nome, perdoe.
E finalmente acabou. Meu trabalho de observar e montar uma estratégia de conserto para o guarda-roupa dela terminou antes da aula de dança. Mas ao final, ela já estava deslizando pelo chão nos braços de Jakotsu, leve como uma pluma, graciosa como uma flor de primavera.
Ora, mas que coisa! Porque Jakotsu me deixou fazer aquele curso caríssimo de seis meses se em três horas e meia poderia me fazer dançar melhor do que a Ginger, parceira do Fred Astaire?
-Okay, terminamos aqui. Quando será a próxima aula?
-Não sei. Que tal no próximo sábado? – Kikyou falou arfando. Estava bastante feliz por finalmente saber dançar. Pelo menos um pouquinho.
-Veremos Kikyou. Eu tenho alguns compromissos, mas eu ligo pra você, certo?
-Certo, claro que sim. Você é quem manda!
-Okay, então vamos, querida? Eu já estou um tanto atrasada para um compromisso. -Jakotsu disse, se abanando, apesar de não estar nem um pouquinho suado.
-Certo, vamos. Até mais Kikyou.
-Até, muito obrigada, aos dois.
E saímos da mansão, depois de atravessar uns 27 corredores e o manobrista trazer meu carro.
-Ai, meu amor, no que você foi se meter? – Jakotsu reclamou enquanto sentava no banco do carona.
-Eu sei, eu sei... Mas o que você faria?
-Eu? Eu daria um belo chute no traseiro anoréxico dela e me daria bem com o gato, ora. Você me conhece.
-É, nem sei por que perguntei.
-Ai, que horror. Modelos e bailarinas com as pernas amputadas dançam melhor do que essa mocréia! Que nojo!
-Sério que ele dança mal assim?
-O quê? Meus pés estão clamando por uma bacia de água quente com limão e um bom hidratante francês!
Eu ri. Só Jakotsu pra me animar numa hora dessas.
-E o que você vai fazer agora?
-Não faço idéia. Sango não vai poder sair, e obviamente que eu não vou chamar Rin, que deve estar se agarrando com o irmão do cara que eu deveria estar me agarrando, então sei lá.
-Ah, por falar nisso, eu já soube do babado! Sango e Miroku estão tendo um caso, não estão?
Eu arregalei os olhos e olhei-o rapidamente.
-O que? Como é que você... Quem te disse isso?
-Oh, pff! Até parece que eu preciso que alguém me aponte onde é o incêndio. Minha diva, hello-o! Eu tenho um sexto sentido pra essas coisas! Eu vi os olhares, os sorrisos cúmplices, e você acha que eu não notei que ele ficou enfiado na sala dela quase o dia inteiro? Por favor, Kagome, me dê um pouco de crédito.
Eu me calei. Não havia o que falar. Só dei um sorrisinho.
-Mas e você? Como é que está com tudo isso? Você já falou com Inuyasha?
-Já. Ontem mesmo. Ele foi na minha casa.
-Ohhh... Que lindo!
-É, foi me buscar para irmos jantar. Ai, eu juro que antes de Kikyou me pedir ajuda eu pensei que estivesse, finalmente, vivendo o romance da minha vida! É claro que não me esqueci da existência de Kikyou, lógico que não, mas, de algum modo, eu pensei que era tudo parte de um, sei lá, plano cósmico pra que tudo acontecesse! Como num filme, sabe?
-Ah, minha diva de Hollywood... Não me diga isso, eu vou me desmanchar em lágrimas!
Olhei para Jakotsu e o vi abanado o rosto com as duas mãos e piscando para afastar as lágrimas.
-Jakotsu! Não exagere, por favor! Não é pra tanto!
-É sim, é sim, é sim! Ele é o amor da sua vida, diva! Você não pode dar o amor da sua vida pra sua rival!
-Jakotsu! – Eu estava rindo só pra não chorar junto com ele, porque, meu Deus, isso ia ser patético. Imagine uma solteirona e um homossexual aos prantos dentro de um carro em movimento, no meio da avenida principal? Que horror. –Ela não é minha rival. E, pense bem, se isso fosse um filme, a vilã seria eu, porque eu é que estou me colocando entre o amor incontrolável entre dois apaixonados que...
-Aaaaahh!! – ele berrou.
Berrou, e foi MUITO agudo. Acho que eu não consigo berrar daquele jeito.
Nota mental: Tentar berrar igual ao Jakotsu quando chegar em casa. Talvez a Eri escute e pense que eu estou com alguém. Legal.
-Kagome! Credo! Você não é vilã de filme nenhum, que horror! Você só é a protagonista do filme de maior bilheteria de todos os tempos! E sabe qual é o nome?
-Qual o nome, Jakotsu?
-Avassaladora! Estrelando a belíssima e sensual Kagome Higurashi e o charmosérrimo e irresistível Inuyasha... Como é mesmo o sobrenome? Tahashi?
-Taisho.
-Inuyasha Taisho. Kagome Higurashi-Taisho. Senhora Kagome Taisho. Soa muito bem, diva.
-E você acha que eu não sei?
Eu e ele suspiramos.
-Pra onde você está indo mesmo, querido?
-Ah, sim. Não se preocupe, estou fazendo o seu caminho. Estou indo para o chá de bebê de uma amiga de infância.
-Certo.
Eu deixei Jakotsu no tal chá de bebê e rumei pra casa.
Estacionei o carro, caminhei até o elevador, abri a porta do meu apartamento, coloquei a bolsa na mesinha onde ela sempre fica, tirei os sapatos e os coloquei bem arrumadinhos na porta, sentei-me no sofá, liguei a televisão, tirei todo o som do filme e comecei a chorar.
Chorei, chorei, chorei e chorei.
Chorei porque estava tudo dando errado. Tudo.
Eu não conseguia mais me concentrar no trabalho, não conseguia mais conversar com alguém sem olhar em volta pra verificar se ele estava me admirando de longe, não conseguia mais viver sem pensar no sorriso lindo daquele advogado idiota que entrou na minha vida na hora completamente errada, e ainda por cima parece brincar de casinha comigo, porque ao mesmo tempo que ele indica estar interessado em mim, ele tem uma noiva da qual não tem nenhuma intenção de largar por minha causa, e a prova disso era que ele não havia me ligado, me procurado nenhuma vez depois do que eu lhe contei sobre Kikyou. E aquela história de "Eu nunca senti isso com ninguém, só com você"? Tudo mentira.
Tudo mentira.
Adivinhe só, Jimmy. Eu não sou tão maravilhosa e encantadora e perfeita assim como você disse que eu era. Certo, finalmente eu percebi que você só disse aquilo porque é um amor de pessoa e não queria me deixar desiludida. Pode me ligar agora e dizer "É, verdade, Kagome, era tudo mentira.", porque eu já sei que é, então você e o resto do mundo podem parar de fingir que eu sou uma pessoa que valha a pena estar junto.
Que droga de mundo.
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Acho que acordei umas cinco e meia da manhã. A campainha do meu apartamento soou uma vez, e eu acordei. Estava usando o blusão que meu irmão me deu quando ele passou pra Harvard. Ai, que saudades do Souta...
Caminhei até a porta, imaginando que fosse Eri, vindo me contar as aventuras sexuais da madrugada, como ela faz às vezes.
Mas não era.
Eu abri a porta e quase caí com meu bumbunzinho no chão do corredor.
Acontece que eu abri a porta e parecia que eu estava num filme de antigamente.
Trajando um paletó preto desabotoado, uma camisa preta, e calças e sapatos da mesma cor, lá estava a última pessoa que eu pensei que fosse bater à minha porta às cinco da manhã de um domingo. Estava apoiando o braço no alto da cabeça no vão da porta, olhava pra baixo, escondendo os olhos.
E eu só pude sorrir, surpresa e contente.
-Me desculpe a hora, mas eu não pude dormir sabendo que você não está bem.
-Oh, meu Deus, o que você está fazendo aqui?
-Não está feliz por me ver, minha querida?
Ele levantou o rosto, me exibindo o sorriso mais sincero e reconfortante que eu já vi em toda a minha vida.
-Ah, meu Deus, é claro que estou! Só estou surpresa, só isso!
Ele entrou, e me deu um abraço tão gostoso, tão perfeito, tão lindo e apertado e carinhoso que eu, de novo, abri as torneirinhas que ficam embaixo dos meus olhos, e várias lágrimas silenciosas saltaram para as minhas bochechas.
-Ah, eu sabia... Sabia que você não estaria bem...
-Mas, mas... – eu me afastei do abraço e olhei pra ele – Como você sabia? Como chegou aqui tão rápido?
-Ora, você me conhece, querida... Sinto o cheiro das suas lágrimas a quilômetros de distância.
-É, pode ser, mas Londres?
Jimmy me sorriu, daquele jeito que só ele sabe sorrir.
-Certo, Jakotsu me ligou há algumas horas.
-E você veio de Londres até aqui?
-Eu não estava em Londres. Estava em Madri, resolvendo alguns assuntos de família. Meus irmãos entraram em conflito de novo, eu tive que ir lá intervir.
Eu o olhei. E percebi que ele me fazia tanta falta!
-Jakotsu me contou o que aconteceu, e eu não vi opção, a não ser pegar um avião e vir até aqui cuidar de você.
Eu sorri.
-Ah, meu amor... Ele machucou você, não machucou?
-É, machucou. Sem querer, mas machucou.
-Sabe, você pode estar triste, com sono, toda descabelada. E o cara que você gosta pode estar desfrutando de um sono maravilhoso, reparador, ao lado da tal namorada. Mas por nada nesse mundo eu vou deixar você ficar assim, e eu sei exatamente o jeito certo de curar essa depressão.
E, sem nenhum aviso prévio ou sinal, ele me abraçou, e nós começamos a dançar no meio da minha sala escura, sem música nenhuma, com os primeiros raios de sol entrando pela janela e batendo sobre nós dois.
E, na minha cabeça, estávamos os dois, dançando ao som da melhor e mais suave das músicas, e toda essa história estúpida não existia, e eu podia ficar ali, dançando pra sempre, e Jimmy iria me proteger de todos que quisessem me fazer mal.
Só que de repente os olhos dele não eram verdes, e ele não era inglês. E seu nome não era Jimmy Higthel.
De repente ele tinha olhos dourados, cabelos quase brancos, 1,80m de altura, e se chamava Inuyasha Taisho.
Jimmy de repente sumira, e eu estava dançando com Inuyasha.
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N.A: Olá, a todos! Aqui está, outro. Espero que tenham gostado.
Resolvi postar hoje, só pra comemorar a vitória do meu time do coração. É, ataca Guanabara é nossa. De novo!
Desculpe a todas as Botafoguenses, Vascaínos, Tricolores e afins. Sem ofensa mesmo. É só que estou feliz! Foi um jogasso! E a todas as Flamenquistas, como eu: UHUUL! MENGOOO!!
Agora, sério!
Obrigada, de verdade por todas as reviews! Alegraram meu coração! Espero que comentem nesse capítulo também. Quero saber o que acharam do Jimmy!
Um beijo enorme a todos! E um bom finalzinho de domingo e uma semana maravilhosa!
Mil beijos,
Nat'
P.S.: De novo, se o site cortou alguma parte, e não deu pra entender, mande a pergunta por review, que eu esclareço, ok?
P.P.S.: Sério, Vascaínas, Botafoguenses, Tricolores e todos vocÊs que odeiam o Flamengo, não deixem de me mandar reviews por causa disso ok? A fic também é pra vcs ;)
