Dormimos na mesma cama, eu e Jimmy.

Logo depois que paramos de dançar, fomos para a cozinha e ficamos comendo biscoitos recheados de chocolate que meu avô mandou pra mim. E logo depois fomos pro meu quarto, onde ficamos conversando até o transito lá embaixo se tornar intenso.

E eu percebi que Jimmy se tornou o irmão mais velho que eu nunca tive. Sempre me senti na obrigação de cuidar de Souta. Por ser a irmã mais velha, me obrigava a defendê-lo de tudo o que pudesse ameaçá-lo, só que nunca tive a quem me defendesse. Por mais que Souta tentasse, ele é quatro anos mais novo que eu, então sempre acabava deitado no meu colo, me obrigando a passar a mão pelos cabelos dele até que ele dormisse.

E ontem à noite eu finalmente tive a quem passasse os dedos pelos meus cabelos, para que eu dormisse. Nós nos deitamos um em cada lado da cama, e conversamos até o meio-dia, eu acho. E ele ficou fazendo cafuné na minha cabeça enquanto ouvia tudo o que eu tinha que contar sobre Inuyasha ser tudo o que eu sempre quis, sobre Kikyou ser a personificação de tudo o que eu nunca quis ser (exceto a parte de ela ser noiva do cara que é tudo o que eu sempre quis), e que eu não conseguia evitar sentir um pouquinho de inveja por Sango estar tão feliz e ocupada se agarrando com Miroku que nem me liga mais pra cuidar de mim ou ver se eu estou bem. E ele ouviu tudinho, passando os dedos no meu cabelo, como num mantra silencioso que dizia "Eu estou aqui, vai ficar tudo bem. Eu estou aqui, vai ficar tudo bem...".

0o0o0o0

Domingo foi um dia nada produtivo. Jimmy me trouxe café da manhã e almoço na cama, enquanto eu, debaixo dos meus edredons, tentava trabalhar em alguma coisa nova para a coleção de inverno.

E eu não conseguia pensar em nada além da cor dourada.

Adivinha por quê?

Sapatos, saias, blusas, vestidos, casacos, estolas, chapéus, tudo! Tudo tinha que ser dourado.

Ora, não seja boba! É claro que eu não podia fazer nada dourado. Porque é inverno! Quem, em sã consciência, usa dourado no inverno, por Deus?

E depois, ele não seria idiota o suficiente pra não perceber a insinuação. Seria?

Em todo o caso, eu já estava ficando desesperada.

Era oficial: ele havia me destruído. Eu não conseguia nem levantar da cama! Parecia que alguém havia pegado a minha cabeça e batido no liquidificador.

Segunda-feira também não foi lá essas coisas. Jimmy me acompanhou até a empresa pra cumprimentar Sango e Miroku.

Minha nossa!

Sango está ligeiramente despenteada, as roupas estão amarrotadas, e ela colocou a maquiagem com pressa, pelo que eu pude ver.

Miroku está despenteado também. Mas não aquele despenteado sexy e charmoso que ele usa de propósito. É um despenteado por falta de interesse mesmo.

Posso fazer um parêntese pra dizer que estava sexy mesmo assim?

Obrigada.

E havia esquecido de fazer a barba. Estava um caos.

Um caos sexy, mas um caos.

Estou começando a achar que se ele não fosse apaixonado por Sango, e fosse recíproco, e eu não estivesse totalmente babando pelo melhor amigo dele, eu acho que haveria uma chance de eu ter um caso com Miroku. Um daqueles que só acontece de noite, porque durante o dia ele é meio insuportável.

Em todo o caso, Jimmy foi visitar a irmã dele, que ele não via desde que ela havia tido bebê. E eu obviamente não podia contar com Sango e Miroku pra me fazer companhia no almoço.

Não preciso explicar porque, preciso?

O caso é, a falta de companhia me deixou sem escolha, a não ser ir almoçar sozinha, e permanecer deste jeito até que Jimmy fosse ao meu encontro mais tarde.

-Senhorita Kagome! Mas que surpresa! Nunca mais apareceu por aqui!

A recepcionista do restaurante francês da qual eu era freguesa havia anos me recebeu com um sorriso de orelha a orelha.

-Oh, é verdade sim, Suzanna, mas é que eu tenho andado tão ocupada que não há tempo para nada, nem pra desfrutar do melhor camarão ao molho que eu já provei na minha vida. – eu sorri simpática. Sempre me tratou como uma rainha, a Suzanna. Mas eu sei que é só porque ela tinha uma queda pelo Jimmy, e que eu sempre dei gorjetas muito gordas pra ela.

-Oh, não por isso! Vou mandar escolherem os melhores camarões e fazerem o molho especialmente o jeito que eu sei eu a senhorita gosta: com uma pitadinha de pimenta, não é?

-Só você sabe a quantidade certa, Suze.

-Vou arrumar a melhor mesa. São quantos? – Ela falou, espiando por cima do meu ombro.

-Oh, por enquanto sou só eu, mas acho que Jimmy irá se juntar a mim depois, então pode ser uma para dois.

-Oh! O senhor Jimmy voltou?

-Não, não. Só está de passagem.

-Que bom! Será um prazer revê-lo! – os olhos extremamente negros brilharam. –Então, eu vou acompanhá-la até sua mesa.

Ela me acompanhou até uma simpática mesa, perto do bar.

-Obrigada, Suzanna.

-Não por isso. Com licença. – e foi embora.

Meu camarão ao molho branco com champanhe e uma pitada de pimenta chegou logo, junto com uma taça de vinho.

Comecei a comer, mas não queria dar liberdade à minha mente, então, enquanto comia, tentei esboçar alguns desenhos no guardanapo.

E ficaram uma beleza! Fiz uns dois ou três modelitos para noite. Ficaram um xuxuzinho, como diria vovó.

-Com licença, senhorita. – o mesmo garçom que havia me servido meus deliciosos camarões chegou colocando uma taça de champanhe na minha frente.

-Ah, não, não. Eu não pedi isso.

-Oh, perdão senhorita. Isto é do senhor sentado ao bar. Mandou-lhe isso também. Com licença. – e foi embora.

Ora, eu sabia quem era.

Jimmy. Foi assim que nos conhecemos, neste mesmo restaurante. Ele me mandou um Dry Martini. Pobrezinho, não sabia que eu odeio Dry Martini's.

Eu olhei para o bar e nem sinal dele. Aliás, o bar do restaurante estava meio fraco no quesito espécimes masculinas. Só haviam alguns adolescentes ricos sem nada pra fazer, uns velhos ricos aposentados também sem nada pra fazer, uns empresários não muito bonitos que assim como eu estavam em horário de almoço e também algumas executivas. Ah sim. E também dondocas ricas sem nada pra fazer.

Desisti de procurar Jimmy e olhei para a taça. O garçom havia deixado um papelzinho junto a esta. Peguei-o. Era um bilhete.

"Se eu ganhasse uma moeda por todas às vezes que sorrio quando a vejo, receio que não estaria tão rico como se ganhasse uma a cada vez que penso em você."

Jimmy. Enviando-me bilhetinhos românticos? O mesmo Jimmy que eu sei que é gay? Acho que não. Levantei os olhos e vi, bem na minha frente, a algumas mesas de distância, Inuyasha sentado sozinho, me olhando com um sorriso no rosto.

Não preciso nem dizer que meu coração deu um salto mortal duplo turbo super jato max plus nível 3, preciso?

Só fiquei pensando "Ai meu Deus, o que eu faço? Será que eu corro? Será que eu peço a conta? Será que eu sorrio? O que eu faço?", e uma segunda voz na minha cabeça me lembrava: "Kikyou, Kikyou, Kikyou, Kikyou, Kikyou...".

Então eu só fiquei lá, parada, olhando meio desconcertada enquanto ele se levantava e caminhava na minha direção, com aquele terno de risca de giz. E também não tive nenhuma reação especial ao vê-lo sentar-se em uma das cadeiras vagas na minha mesa, bem na minha frente.

-Olá. – ele disse, sorrindo. Mas não era um daqueles sorrisos galantes, maliciosos, perfeitos e congelantes que vocês já conhecem. Era um sorriso quase tão triste quanto o meu.

-Olá. – eu respondi.

-Me desculpe o costume tão antiquado, mas acho que esta seria a única maneira de eu tomar coragem e vir falar com você.

-Tomar coragem?

Ele suspirou e ficou analisando meu rosto com os olhos.

-Como você está?

-Eu... Vou bem. – menti descaradamente. A resposta sincera seria "Eu? Bom, vejamos: estou com uma dor de cabeça irritante por ter chorado o final de semana inteiro por sua culpa, estou com medo de terminar esse almoço porque sei que quando isso acontecer o tempo vai voar e eu vou ter que me encontrar com sua noiva para ensiná-la a ser uma pessoa melhor, e neste exato momento estou com ganas de pular no seu pescoço na frente de todos esses ricaços, empresários e garçons. Normal. E você?"

-Tem certeza? Porque eu não estou nada bem.

-Não? E porque? – a educação exigia que eu perguntasse. A educação, e nem um pouquinho de curiosidade.

-Porque já faz uma semana que eu não paro de pensar na pessoa que tem transformando Kikyou em uma pessoa totalmente diferente. Ontem mesmo ela apareceu sem mais nem menos no meu apartamento com uma caixa de comida chinesa na mão, e uma garrafa de vinho na outra, dizendo-me que queria comemorar o nascimento de uma nova Kikyou.

-Ah... Que bom pra ela, não? Deve star feliz.

-Está. – Ele me olhou no fundo dos olhos. – E durante duas horas ela não parou de citar as qualidades de uma certa pessoa, dizendo estar tão arrependida de tê-la julgado tão mal ao conhecê-la. E sabe o que eu tive vontade de fazer?

-Pedir mais Yakisoba?– Eu estava tentando desviar os meus olhos dos dele. Mas sempre voltava a encará-lo.

-Eu tive vontade de dizer que eu sei de todas e mais algumas das qualidades que ela ressaltava, e tive vontade de deixá-la falando sozinha e ir visitar você.

-Me visitar?

-Sim. Você me causou um estrago, senhorita. Dos grandes. – ele falou com um sorriso.

Desgraçado. Ele tinha que dizer isso?

-Ah... Inuyasha...

-Kagome! Achei você. – A voz de Jimmy me interrompeu, e logo depois eu o senti virar meu queixo e estalar um beijo nos meus lábios, e sentou-se ao meu lado. –Me desculpe a demora. – Ele olhou para Inuyasha. –Quem é o seu amigo?

Eu, muito confusa, os apresentei.

-Ah, Este é Inuyasha Taisho, um amigo. Inuyasha, este é James Higthel...

Você não achava que o nome dele era "Jimmy", achava? É só um apelido.

-Oh, por favor, querida, não vá dizer que sou um amigo, sim? – Ele e Inuyasha apertaram as mãos –Eu e Kagome já fomos noivos. Nos reencontramos por acaso. Acho que não preciso dizer que me arrependi de tê-la deixado escapar no minuto em que olhei para ela, preciso? –Jimmy dizia a Inuyasha, me olhando como se estivesse muito, muito apaixonado.

-Claro que não. Qualquer um se arrependeria.

E de repente, os dois travaram uma conversa. Oh, não, não viraram amigos. Olhavam-se como se a qualquer momento fossem sacar uma arma e atirar um no outro no meio da testa.

Ai, gente, não pude evitar de sentir um certo orgulho nascendo dentro de mim. Quer dizer, o que você faria se o homem dos seus sonhos e o seu ex-noivo (que você sabe que apesar de ser homossexual, tem uma pegada que te faz querer nunca, nunca mais usar roupas de novo na presença dele) se matando com os olhos, em uma disputa silenciosa por você? É de inflar o ego de qualquer uma!

-Oh, veja só a hora! – Jimmy olhou para o relógio depois do que me pareceu meio século. – Já estamos atrasados, querida. –Fez um sinal para que o garçom trouxesse a conta. –Com licença, vou ao banheiro um instante. – Ele sacou a carteira do bolso, tirou o cartão de crédito e me entregou –Eu pago. –Me deu mais um beijinho nos lábios e se levantou para ir ao banheiro.

Ficamos só eu e Inuyasha.

-Ex-noivo? Você não me contou nada sobre isso.

-Oh, e deveria? – eu tomei um gole do meu vinho.

-Não, não deveria. Mas eu gostaria de saber.

E me olhou nos olhos de novo. E acho que nós dois pensamos a mesma coisa. Pensamos em esquecer Jimmy, Kikyou, o trabalho para o qual teríamos que voltar depois do almoço e fugir pro fim do mundo, onde ninguém pudesse nos encontrar, e nós ficássemos pra sempre a sós, nos apaixonando cada vez mais a cada dia.

Ou talvez, só eu tenha pensado nisso, e ele só estivesse pensando em dar uns amassos comigo antes de voltar pro escritório e mais tarde para sua noiva, e passar a noite toda planejando o casamento.

É, deve ter sido isso.

Ei, pelo menos ele queria das uns amassos, não?

-Bom, eu preciso ir. Foi um prazer.

-Foi? - Ele se levantou, acompanhando meu movimento. – Oh, eu tenho uma definição bem diferente de prazer.

Eu o olhei. Agora sim, o sorriso era aquele que vocês já conhecem. Quase um enigma.

-Com licença. Lembranças a Kikyou.

Ele só sorriu mais. Como se achasse muita graça no que eu havia dito.

-Vamos, querida? – Jimmy chegou do banheiro, colocou a mão esquerda na minha cintura e olhou a mesa, checando se havia esquecido alguma coisa. Deve ter decidido que sim, porque pegou a taça de champanhe que Inuyasha havia me mandado e tomou um dois ou três goles. Depois virou-se pra mim:

-Chardonnay. Você sabe que eu adoro.

0o0o0o0

Depois do almoço perturbador, eu descobri que eu tenho chances de não ser uma pessoa horrível. Sabe por quê? Porque Rin chegou do almoço com uma cara péssima, e eu fui totalmente capaz de me sentir feliz por ela!

Quer dizer, era óbvioo que ela tinha feito durante o almoço, não era?

Pois bem, eu encontrei-a no elevador. A porta se abriu e ela estava com as duas mãos juntas segurando a bolsa na frente do corpo, a cabeça encostada na parede, os olhos fechados, a expressão muito cansada. Eu sorri e entrei. Ela nem me ouviu andar (os sapatos que eu estava usando realmente faziam barulho, com aquele saltinho fino). Acho que ela nem percebeu que o elevador parou, pra início de conversa. Então, eu me coloquei ao lado dela.

-Bom almoço, Rin?

Ela se assustou, abriu os olhos e esfregou-os.

-Oh, Kagome! Eu nem vi você entrar, como... – e um bocejo beeem longo -... Como vai?

-Eu vou bem, querida. E você? Por que tanto cansaço?

-Oh, minha nossa, estou um caco! Sesshoumaru não me tem deixado dormir faz uma se... – ela percebeu que estava me entregando o ouro todinho. -Er... É, eu ando bem cansada. Naraku tem em dado muito trabalho. E minha prima teve bebê, e a criança chora a noite toda, eu mal consigo...

-Você não tem primas, Rin. Só um primo bem mais velho que você, e vocês não se vêem desde que tem sete anos de idade porque ele foi morar no meio da Mata Atlântica com a esposa e a comunidade Hare-Krisna que ele conheceu no McDonald's.

Ela me olhou, surpresa.

-Como é que você sabe tanto sobre a minha vida?

-Você fala bastante quando estamos fazendo compras. Mas me diga – eu dei uma leve cotovelada em seu braço –Sesshoumaru tem exigido muito de você, huh?

Isso acontece com muita freqüência, mas sempre é engraçado quando Rin cora até o pescoço.

-Bem... Ele... Er, eu...

-Oh, Rin, não se preocupe! Ele é um gatão! Eu estaria fazendo o mesmo!

Ela me olhou, tentado sufocar um sorriso.

-Oh, Kagome! Eu precisava tanto conversar com alguém!

-Conte tudo, meu bem! – eu tirei meu espelhinho da bolsa e passei a arrumar meu cabelo.

-Oh, ele é tão perfeito! Me leva para jantar fora todos os dias! E me liga sempre perguntando com aquela voz toda grave: "Você está bem, amor? Está precisando de alguma coisa?"! É tão atencioso! E ele nuncame deixa pagar a conta. Nunquinha mesmo! Ele simplesmente me olha com aquela cara dele e diz assim... – ela pegou minha mão e fez cara de homem gato sedutor - "Só dessa vez, eu prometo..." Ahaha! Ele é lindo, Kagome! Você não imagina!

-E você já conheceu a família dele?

-Já! Oh, o pai dele é um amor! Um coroa muito enxuto, se você quer saber. Todo em forma e tal. Muito simpático e inteligente. O cara é uma enciclopédia ambulante de tudo!

-Bem típico de Sesshoumaru, não?

-Sim, bastante.

-E a mãe dele?

-Ah, não. A mãe de Sesshy faleceu quando ele tinha seis anos. A mãe de Inuyasha que o criou.

O elevador abiu as portas. Eu segui Rin até a sala dela.

-A mãe de Inuyasha?

-Sim, ela conheceu a mãe de Sesshy na faculdade, e veio para a cidade quando soube do acidente. Parece que foi amor à primeira vista. Sesshy gosta muito da madrasta. – Ela abaixou a voz – Às vezes, quando ele pensa que eu não estou olhando, ele a chama de mãe. É tão bonitinho!

-E... Inuyasha não tem ciúmes?

-Ah – ela revirou os olhos em tom de graça. – Inuyasha morre de ciúmes, mas não admite nem pra ele mesmo.

-E você costuma jantar muito em família na casa do... Sesshy? – eu ri, pra disfarçar.

-Duas vezes nos últimos dois meses. Uma no aniversário de Sesshy, outra no de Inuyasha. São muito divertidos, os jantares, a não ser pela noiva maluca e tremendamente irritante de Inuyasha, que não cala a boca nem um segundo! Só sabe falar de como a Grécia é magnífica, como Veneza é um encanto quando se vai na época certa. Quer dizer, ela foi a Paris milhares de vezes e nunca sequer chegou perto do Museu do Louvre. Isso é ridículo!

-É, é ridículo.

-Haha! É engraçado quando a mãe de Inuyasha a imita. Eu sempre vou ajudá-la na cozinha só pra ouvir as piadas que ela faz sobre Kikyou. É divertidíssima, a Sra. Taisho.

-Ela não gosta de K... da noiva dele?

-O quê? Ela não a suporta! E com razão. Ela diz que Inuyasha estava dopado e bêbado quando a pediu em casamento, e deve tomar umas boas doses todas as manhãs para continuar com o noivado. Quer dizer, já dura um ano, esse noivado e o cara não se toca.

-É. Quer dizer, se nem a família dele gosta dela...

-Exato. - Rin, pegou meu espelhinho e mirou o próprio reflexo. Depois olhou pra mim com cara de cúmplice. – Mas, aqui entre nós... –Olhou para os lados. O que foi meio ridículo, porque só estávamos nós duas na sala dela. – Inuyasha já está em outra.

Eu prestei mais atenção.

-Como assim?

-Ele tem andado muito estranho ultimamente. Sesshy me contou que ele revira os olhos a cada dois minutos quando Kikyou está falando sobre... Qualquer coisa, e ele nunca fazia isso. Pelo contrário, parece que ele aturava qualquer coisinha, era meio que bobão por ela. Mas parece que... – ela parou de falar de repente para mexer em uma gaveta de sua mesa.

-Parece que o que Rin, pelo amor de Deus?

Ela me olhou com o cenho franzido.

-Nossa, quanto interesse na vida alheia, Kagome!

-Oh, só me conte! – eu sentei-me na cadeira que ficava em frente à mesa de desenhos dela.

-Bom, parece que há uma nova mulher.

-Uma nova mulher?

-Sim. Uma mulher misteriosa, que Inuyasha não conta pra ninguém quem é. Só Miroku a conhece, e ele também não conta pra ninguém quem é, nem para "Sangozinha". Sabe como é, coisas de melhor amigo.

Oh, céus. Miroku sabia? É, eu já devia ter previsto. Eu contei para Sango, não contei? Ai, que vergonha. Miroku sabia de toda a minha paixonitezinha pelo melhor amigo dele. Que droga.

Isto é, isso se eu for a tal misteriosa. Será que Inuyasha já tem outra na cola dele? Minha nossa, que cafajeste!

-Continuando... – Rin abaixou a voz ao sentar-se ao meu lado, com um lápis na mão. – Essa tal mulher apareceu na vida dele, e ele só consegue citar as inúmeras qualidades dela todas as segundas-feiras, quando ele e Sesshy vão jantar na casa dos pais, uma tradição deles. O caso é, quando Sesshy ou os pais deles perguntam quem é essa tal mulher ele só sorri e diz que eles não a conhecem, que é uma moça do trabalho.

Eu murchei que nem um balão furado.

-Do trabalho?

-É. E eu não duvido nada, tem cada mulher bonita na empresa deles! Eu fico até com medo de competição, haha. Sesshy já namorou sério uma moça de lá. Mas ela era tão séria quanto ele, nenhum dos dois agüentou tanta seriedade.

Oh, meu Deus. Isso era tãotípico que eu quase não acreditei. Lógico! Com uma noiva insuportável daquelas, eu também ia querer ter pelo menos uns cinco estepes diferentes!

Mentira. Eu terminaria com ela, oras. Isso é de longe o melhor e o mais digno a se fazer.

Que... Ah!! Que raiva!

-Ora,mas se ele, Sesshoumaru e o pai trabalham na mesma empresa... Trabalham, não?

-Sim.

-Então! Se eles trabalham na mesma empresa, Sesshouamru deve pelo menos desconfiar quem é.

-Ah, sim. Bom, ele não tem certeza nem gosta de ficar fazendo suposições, mas ele desconfia de Abi, uma das advogadas do grupo de confiança de Inutaisho. Sabe, o grupo que trabalha com ele nos casos mais difíceis. Sesshoumaru diz que todas as vezes que eles se reúnem, ela fica olhando Inuyasha de forma sexy, usa roupas um pouco mais provocantes do que as outras mulheres, coisas do tipo. Uma vez ele até já a pegou sentada em cima da mesa de Inuyasha, enquanto ele falava ao telefone. E ainda por cima, Inuyasha finge que não percebe, o que faz Sesshoumaru pensar, e eu concordo com ele, que não é nada sério, ele só gosta de dormir com ela.

Tive que me controlar para não jogar retrato de Rin com o ator de Harry Potter no chão. Primeiro porque seria meio suspeito, segundo que o pobre do retrato não tem culpa de nada, e terceiro porque ela me mataria. Ela gosta muito do Ron.

-Sabe, Rin, eu tenho um monte de coisas pra fazer, Naraku tem me enchido a paciência, quer ver os projetos de inverno rápido.

-É, eu também! Tenho umas idéias, mas estou tendo dificuldades para pô-las no papel.

Eu sorri.

-Certo, então eu já vou.

-Tchauzinho! Passe aqui mais vezes, precisamos conversar mais!

É Rin, precisamos conversar mais. Só certifique-se que a próxima fofoca não vá me deixar de coração partido, sim?

0o0o0o0

-Entendeu, querida? – Jakotsu perguntou, soltando a cintura de Kikyou.

-Entendi, acho. É um tanto complicado, não? –ela perguntou, arrumando os cabelos.

-Não quando se tem prática. Vamos, de novo.

Mas antes que ele pudesse abraçá-la pela cintura novamente, alguém deu três batidinhas discretas na porta.

-Entre! – Kikyou pediu.

Josy, a ama seca abriu a porta e falou, sem um pinguinho de emoção:

-Perdão incomodar, senhorita, mas o senhor Inuyasha está aqui para vê-la.

Minha agenda só não caiu por que eu a segurei bem forte, eu só não tropecei no salto porque Deus não quis. Mas nada nem ninguém pôde impedir Jakotsu de dar um gritinho agudo de espanto.

-Oh, meu amor! – Kikyou se adiantou na direção dele, abraçou-o pelo pescoço e deu-lhe um beijo nos lábios, enquanto ele retribuiu sorrindo muito calmo, com uma mão pousando na cintura dela. Eu não olhei, é claro. É que deu pra ver pelo reflexo da porta de vidro do closet de Kikyou.

Devo admitir que fazem um casal bonito, eles dois.

Que droga. Ponto pra ela.

Ora, eu não deveria estar nervosa. Ele estava se dando bem triplamente! Nem sei se essa palavra existe! Bom, se não existe, eu acabei de inventá-la.

Mas apesar de ter sido horrível ver a cena de casal enamorado, também foi muito engraçado ver a cara de espanto de Inuyasha quando viu Jakotsu ali parado no meio do quarto de sua noiva, todo vestido de rosa pink.

-Olá, querido. Como vai? – Jakotsu se precipitou e, assim como Kikyou, foi na direção dele e deu-lhe um beijo em cada face.

-O-olá. O que faz aqui?

-Jakotsu está me dando aulas de dança, não é maravilhoso? – Kikyou perguntou contente, abraçando o braço direito dele. Não sei por que, mas eu caminhei mais para dentro do closet, me escondendo. Ele ainda não havia notado que eu estava ali.

-Aulas de dança?

-Sim, sim. E não podemos ficar de conversinha, se você quiser aprender. – Jakotsu falou. –Vamos, vamos, continuemos.

Ele colocou a música, e ele e Kikyou começaram a treinar de novo.

-E... Um, dois, três, um, dois, três... Girando! Hmm... Quase, vamos de novo.

Ficaram treinando o giro por um bom tempo, enquanto Inuyasha olhava meio confuso, e eu, escondida, via o que podia salvar dos sapatos de Kikyou. Devo acrescentar que a pilha de sapatos perdidos era quase três vezes maior do que os sapatos aproveitáveis.

-Ai, meu Deus, não. Querida, o pé direito vai na frente, entendeu?

-Não acha melhor pularmos essa parte, eu não consigo fazer esse giro.

Coitada, parecia frustrada.

-Não. De jeito nenhum. Agora, deixe-me ver... O que você precisa é... Hmm...

-De outro professor? – Inuyasha sugeriu sentado à poltrona perto do closet, de costas para este, então eu estava bem escondida.

-Inuyasha, não seja mal-educado! – Kikyou ralhou.

-Ah! É claro! –Jakotsu juntou as mãos fazendo barulho! –Kagome!

Inuyasha parou de analisar a bolsa rosa de Jakotsu e olhou para ele, meio espantado.

-Como assim?

-É lógico! Kagome é a melhor pessoa para mostrar-lhe como dançar! Como não pensei nisso antes?

Eu já estava com os olhos apertados e amaldiçoando Jakotsu em pensamento.

-Mas, como assim... Kagome... Higurashi? – Inuyasha perguntou, ainda sentado.

Jakotsu olhou-o como se ele fosse uma barata. Uma barata muito burra.

claroque sim. Por acaso você conhece outra pessoa com esse nome? Não seja estúpido.

-Mas, Jakotsu, você acha que Kagome...

-Querida, você já viu Kagome dançar? Não, né? Ora, é lógico que ela é perfeita.

-Se você diz...

-Diva! Diva, querida! Venha aqui!

-O quê, ela está aqui? – Inuyasha quase se levantou.

Eu saí do closet e ele me olhou bastante surpreso.

-Ai, diva! Eu preciso de você. Venha aqui e mostre a Kikyou como se faz o giro, sim?

-Eu?

-É, diva, você. Venha.

Jakotsu me abraçou e me guiou pelo tapete. Eu fiz o tal giro.

-Oh! Isso! Viu Kikyou? É assim! Prestou atenção aos pés dela?

-Um-hum! Acho que entendi agora! – Ela se levantou da cama.

-Então venha, mais uma vez! Obrigada, diva!

-De nada, Jakotsu. - Eu me virei para voltar ao closet e encontrei Inuyasha em pé, me sorrindo como se eu tivesse aprontado alguma coisa.

-Não sabia que estaria aqui.

-Eu sei que não. Como vai, Inuyasha?

-O que está fazendo aqui?

-Eu pensei que já soubesse que eu estou ajudando sua noiva a mudar o guarda-roupa, não?

-E o seu noivo? Já foi embora, eu espero.

-Jimmy não é meu noivo.

-Não por falta de vontade.

-Nós somos amigos, Inuyasha.

-Não é o que pareceu.

Eu o olhei.

-Se eu não o conhecesse diria que está com ciúmes.

-E se eu estiver? –ele baixou o tom de voz quando Jakotsu se fez ouvir:

-Isso, já está melhorando. Ainda precisa adquirir ritmo. Vamos lá.

-Se você estiver eu recomendo que passe um pouco mais de tempo com sua noiva.

Ele me olhou.

Doeu dizer aquilo, mas foi necessário.

-Ah, acho que já está ficando bom. Vamos fazer um teste. Taisho! Venha aqui, por favor.

Inuyasha desviou os olhos de mim e olhou Jakotsu.

-Venha aqui. Quero que troque uns passinhos com ela, para eu avaliar.

-Eu? Ah, não, não. Não vai acontecer.

-Inuyasha, deixe de ser teimoso. Vamos, quero ver se estou aprendendo!

Kikyou puxou-o e o fez colocar-se em posição de dança com ela.

-Certo, vamos devagar primeiro, sim? Somente o básico. E... Um, dois, três. Um, dois, três. Um...

Eu já havia dançado com Inuyasha, uma vez, mas vê-lo dançar também era muito bom. Dançava muito bem, como poucos homens hoje em dia. Tinha postura, ritmo e sabia conduzir muito bem. Pena que Kikyou ainda estava tão insegura, teria sido uma cena muito bonita de se ver.

-Isso, está melhorando, Kikyou. Está melhorando, mas ainda falta... Paixão, e... – Jakotsu parou de falar, com a mão no ar, e olhou para o nada por alguns segundos. –Paixão... E ... –Sussurrou. E de repente me olhou, e depois para Inuyasha. E depois para mim de novo.

Exatamente, você acertou o que ele estava pensando. E eu também. Não posso dizer que desejei que ele não completasse o pensamento, porque realmente gostei da idéia. Era errado e perigoso, mas eu gostei.

-Kagome, você... Os dois, aqui. Venham, venham!

Eu e Inuyasha fomos até onde ele estava. Inuyasha estava meio confuso ainda.

-Inuyasha, você dança tango, não dança?

-Ô, se dança! – Kikyou se manifestou. – Uma vez ele deixou Kaede, minha irmã, sem fôlego depois de dançar tango com ela em sua festa de noivado. Foi lindo! Ele dança muito bem.

-Ótimo! Eu quero que você dance com Kagome. Quero ver uma coisa. Pode fazer isso?

-É claro que posso. Será um prazer.

Nós dois nos olhamos. E, desta vez, eu tenho certeza de que ele pensou exatamente a mesma coisa que eu: "Que todos desapareçam, vamos dançar."

E, não sei de onde, surgiram as primeiras notas.

Inuyasha deu um passo a frente e me estendeu a mão. Eu a aceitei, e logo estávamos na posição de tango.

E, lentamente, demos o primeiro passo. E o segundo. E o terceiro.

E o giro. Rápido, veloz, preciso.

A mão esquerda de Inuyasha veio parar na minha barriga, eu estava de costas para ele, nossos corpos colados. E nesta mesma posição, caminhamos pelo tapete.

Nós nunca ensaiamos, ou combinamos os passos, ou os movimentos. Mas acho que não era preciso. Sabíamos exatamente como nos mover, que passos andar, que movimentos fazer.

Logo ele já havia tirado o paletó, e meus cabelos haviam se soltado sozinhos do coque em que eu os havia prendido.

E de repente Kikyou e Jakotsu não mais estavam ali. Ou existiam. Éramos eu e ele, naquela cena mais do que clichê, como num filme extremamente antigo, dançando um tango que nunca antes havíamos ouvido.

Trocamos olhares, carícias escondidas, que sabíamos ser proibidas. Dissemos coisas, juramos coisas, sorrimos, choramos.

Nos amamos. Sem nenhuma palavra.

Acho que nunca poderei esquecer a sensação do braço dele ao redor do meu corpo, as mãos fortes conduzindo-me pelo quarto como se eu pesasse o mesmo que uma flor.

Tenho certeza de que minhas mãos e meu corpo nunca mais conhecerão um homem como conheceram Inuyasha naquela dança onde, por alguns poucos minutos, eu era dele, e ele era meu. Apenas meu.

Foi apenas quando Jakotsu e Kikyou levantaram e bateram palmas que eu acordei dos olhos dele e percebi em que situação nos encontrávamos: O corpo de Inuyasha estava inclinado sobre o meu, a única sustentação que me impedia de cair no chão era sua mão esquerda, que me amparava pelas costas, enquanto a direita segurava minha perna contra seu quadril, nossos rostos muito próximos, as respirações sôfregas.

Jakostu batia palmas, eufórico.

-Isso! É issoque eu quero! Exatamente isso! Paixão, amor, raiva, ciúmes! Pecado...! Oh, meu Deus! Vocês acabaram de me dar uma nova razão de viver!

Inuyasha e eu nos separamos. Eu não tinha coragem de olhar em seus olhos.

-Oh, meu amor! Eu não tinha idéia de que você dançava tão bem assim! Veja só, estou toda arrepiada! – eu ouvi Kikyou dizer a Inuyasha, encantada com a possibilidade de ser conduzida da mesma maneira alguma dia.

-Oh, minha diva! – Jakotsu sussurrou apenas para mim, enquanto eu tentava recuperar o fôlego. –Eu sabia que havia alguma coisa entre vocês, mas eu não imaginava que... Céus!

-Do que está falando, Jakotsu?

-Ah, minha querida, não se faça de boba. Se há duas coisas de que entendo nesta vida, essas coisas são amor e dança. E, meu Deus, Kagome... – Ele me sorriu.

-Pare com isso, Jakotsu. Não há nada parecido com amor nisso. Nós... Gostamos da aparência um do outro, nada mais. É apenas físico.

-Não negue isso a você mesma, minha flor.

-Kagome! Porque não me contou? – Kikyou veio ao meu encontro.

-Não contei o quê, Kikyou?

-Que é uma dançarina extraordinária? Meu Deus, isso foi tão lindo! Acho que nunca poderei fazer igual! Parecia um filme, só que melhor!

Eu sorri para ela.

-Com licença, eu vou tomar um pouco de ar fresco. Preciso recuperar o fôlego.

-Vá, diva. E enquanto isso, Kikyou, eu e você vamos tentar colocar em prática o que vimos aqui, certo?

Eu saí do quarto de Kikyou e atravessei todos aqueles infinitos corredores até a saída. Só Deus sabe como não me perdi. Cheguei à porta da frente e o mordomo a abiu para mim.

-Já de saída, senhorita?

-Não, não. Vim apenas tomar um pouco de ar fresco.

-Certo.

Eu saí e desci as escadarias da frente da mansão. Caminhei até o jardim e senti um arrepio pelo corpo, não sei se devido ao vento frio, ou à lembrança do corpo de Inuyasha colado ao meu.

Respirei bem fundo o ar gelado da noite. Que droga, por que eu tinha que ser tão sensível a qualquer toque dele? Eu não me apaixonava assim desde... Sei lá, acho que nunca havia sentido isso por ninguém. E tenho que estrear logo com quem? O cara mais errado pra isso. Só o cara que tem duas estepes pra noiva chata!

Coração idiota.

-Idiota...

-Oh, desculpe se dancei tão mal assim, Kagome.

Ai, meu Deus. Era só o que me faltava.

-Estou tentando tomar um pouco de ar, Inuyasha. A "festa" é lá em cima, não há nada de interessante para ver aqui.

-Oh, eu vou ter que discordar. – Ele se posicionou de frente para mim. – Fiquei feliz em ver você hoje. Já estava com saudades.

-Oh, por favor. – eu caminhei para pelo menos uns 5 metros dele.

-O que foi? Não acredita?

-Estou tendo um pouco de dificuldades.

-Kagome – ele pegou meu braço e me fez olhar para ele. Encontrei seu rosto sério. – Está diferente comigo. O que houve?

-Oh, não. Não houve nada. – tentei sorrir, mas tenho a plena certeza de que o que surgiu foi um sorriso extremamente debochado.

-Não? Então porque está tão fria comigo?

-Fria? Oh, eu não estou fria, Inuyasha.

-Está sim. Desde aquele dia no restaurante. Eu tenho ligado pra você, tem recebido meus recados?

É, eu recebi. 36 recados em uma semana na minha secretária eletrônica.

-Oh, não, Inuyasha, desculpe. – eu passei a mão pelos cabelos, como se para expressar cansaço. – Estou tão atolada no trabalho que não tenho tido tempo nem para ouvir meus recados.

Ele me olhou nos olhos.

-Bom, então me deixe levar você para jantar amanhã. Ninguém pode ficar estressado assim.

-Ah, não, eu não acho que seja uma boa idéia.

-E porque não?

-Bom, vejamos... – coloquei a mão no queixo e olhei para o lado, como se estivesse realmente pensando num motivo. Era um deboche, é claro. – Acho que Kikyou não iria gostar nadinha disso.

-Ela não precisa saber.

Será que os homens acham que isso realmente agrada as mulheres? Quer dizer, eu sei que algumas mulheres só saem com caras que já tem "dona", mas espera aí! Nem todas são assim! Eu não sou uma delas, e acho que já deu pra perceber, não?

-Inuyasha, eu não vou sair com você pelas costas de Kikyou. Isso seria errado.

-Só seria errado se acontecesse algo entre nós. E você quer saber? – Ele deu um passo à frente, na minha direção. – Eu não estou nem aí.

Teria sido ótimo se ele tivesse dito isso com a expressão séria. Aí eu ia pensar que ele estava a ponto de terminar com ela para ficar comigo. Mas ele estava sorrindo. Sorrindo como se dissesse "Vamos fazer uma travessura?".

Que idiota. Daqui a pouco ele ia querer que saíssemos os três: eu, ele e a tal mulher misteriosa do trabalho.

Eu estava a ponto de formular um frase legal pra dizer quando Josy saiu correndo da casa e veio em nossa direção.

-Senhor Inuyasha, senhor Inuyasha, rápido! É a senhorita Kikyou!

Eu e Inuyasha caminhamos até ela.

-O que foi, Josy? O que houve com Kikyou? – Inuyasha perguntou, assumindo um tom preocupado.

-Ela torceu o pé, o senhor Jakotsu foi ao banheiro, acho que ela tentou fazer um... Giro, não tenho certeza. Só sei que ela caiu e torceu o tornozelo! Já está inchado como um melão!

-Oh, meu Deus! – eu exclamei – Isso pode ser sério! Josy, já chamou uma ambulância?

-Já, eles estão a caminho! – ela estava tentando recuperar o fôlego. – Achei que deveria avisar o senhor Inuyasha!

-Sim, claro. Inuyasha, nós devíamos... – Virei-me para falar com ele, dizer que deveríamos imobilizar o pé dela, mas ele já estava na porta da mansão, correndo para dentro.

Eu suspirei, resignada. Bom, é lógico que ele deveria correr para ver como ela estava. Mas uma coisinha dentro de mim dizia que ele não correria assim se... Bom, se não fosse muito apaixonado por ela. O cara praticamente me deixou falando sozinha.

Então Josy e eu caminhamos de volta para a mansão, atrás de Inuyasha. Chegamos ao quarto de Kikyou e encontramos Jakotsu caminhando de um lado para o outro, tagarelando qualquer coisa sobre nunca tentar fazer um passo complicado sem supervisão, Inuyasha já estava imobilizando o pé dela, sentado à beira da cama onde ela repousava com a expressão de muita dor.

Exato. Exatamente. E que eupoderia fazer? Sentar lá e segurar a mão dela? Chorar junto? Gritar por socorro? O quê?!

-Kagome... – ela me chamou.

-S-sim? – eu caminhei até ela, ainda me sentindo meio inútil.

-Como você consegue fazer aquilo? É monstruosamente... – ela ia completar, mas Inuyasha pegou sua mão e a fez se calar.

-Amor, não. Fique quietinha, procure mexer o pé o mínimo possível.

Bam! Tiro um.

Amor? Não era ele que estava enjoando dela a cada dia?

-Ok... – ela concordou, olhando o pé muito inchado e vermelho.

-Eu definitivamente ouvi um barulho estranho! Mas pensei que fosse alguém na cozinha, ou na sala! Realmente não lembrei que seria im-pos-sí-vel ouvir alguma coisa da cozinha daqui de cima, considerando o tamanho desta casa! – Jakotsu disse, ainda caminhando de um lado para outro.

-Eu sei que não deveria tentar sozinha, mas quando Kagome fez o giro pareceu tão... –Kikyou falou com um pouco de dificuldade devido à dor.

-Meu amor, olhe pra mim. – Inuyasha pegou a mão dela e a fez olhar para ele - procure não falar, certo? Você tem que ficar o mais quieta possível, seu pé deve ficar parado. – Aproximou-se e deu-lhe um beijo nos lábios. -Certo?

Bam! Tiro dois.

Logo depois disso ouvimos o som de uma sirene. Corri e olhei pela janela: dois paramédicos desciam da ambulância estacionada na porta da frente do casarão com uma maca e alguns equipamentos e caminhavam para dentro.

-Eles chegaram. – anunciei para a pequena platéia dentro do quarto de Kikyou.

-Oh, graças a Deus! – Josy juntou as mãos e olhou para cima.

Depois de um minuto ou dois (os paramédicos também devem ter se confundido com tantos corredores) ouvimos duas batidinhas na porta e, sem esperar um comando para que entrasse, o mordomo, com suas luvas brancas e roupa muito engomada entrou seguido dos paramédicos. Paramédicos bem gostosões, se você quer saber.

Eles nem perguntaram quem era a vítima. Se prostraram do lado da cama de Kikyou, colocaram a cadeira de rodas no chão e enquanto um examinava o pé de Kikyou com as a mãos, outro preparava faixas e bandagens.

-Certo... – Um deles falou – Senhorita...

-Kikyou – Josy respondeu.

-Senhorita Kikyou, eu vou fazer pressão em alguns pontos e você terá de me dizer onde dói, certo?

Kikyou confirmou com a cabeça, olhando para o pé agora quase redondo.

O paramédico começou a apertar de leve alguns pontos do pé dela, e quando ela reclamava, ele olhava com mais atenção. Foi quando ele chegou ao tornozelo que fez uma cara preocupada.

-É, isso aqui está um pouco pior do que eu pensei. – Olhou para o outro paramédico que havia pego seringa e um remedinho transparente. –Acho que ela pode ter fraturado algum osso, dê uma olhada nisso.

O outro avançou para perto dos pés dela e apertou o calcanhar de Kikyou.

-Ai! – ela reclamou, quase chorando.

-É. Rachou, e vai fraturar se não engessar. – Ele pegou a seringa. – Senhorita Kikyou, vou aplicar-lhe uma pequena dose desse remédio para que os vasos sanguíneos se expandam e a circulação possa voltar um pouco ao normal. Isso pode aliviar um pouco a dor. Certo? – e aplicou-lhe o remédio.

-Devemos levá-la ao hospital. Isso deve ser tratado logo. Alguém vai acompanhá-la na ambulância? – o paramédico perguntou, enquanto transportava Kikyou da cama para a cadeira de rodas.

-Eu vou. – Inuyasha levantou-se e pegou o paletó na poltrona onde havia deixado-o.

-Nós vamos de carro! – Jakotsu pegou minha mão e seguiu os paramédicos, Kikyou, Inuyasha, Josy e o mordomo para fora do quarto.

-Ei! – eu sussurrei para ele, puxando-o de volta – Como assim, nós?

-Diva, nós temos de ir. Ficaria muito mal se nós simplesmente fôssemos embora. Vamos. E além do mais, eu não estou de carro, e quero saber se ela vai ficar bem. - E me puxou.

Então foi assim: Inuyasha foi com Kikyou na ambulância, e eu e Jakotsu os seguimos com meu carro.

Chegando ao hospital, todos entramos atrás da cadeira de rodas de Kikyou. Ela foi recebida por um médico e uma enfermeira, que os esperavam na porta do hospital. Nem pude ver a cara dos dois (médico e enfermeira) porque assim que Kikyou desceu, eles, os paramédicos e ela, saíram quase correndo para dentro, discutindo o caso. Nós fomos guiados por uma terceira enfermeira até uma sala de espera.

-A senhorita Kikyou será tratada e devidamente medicada, e poderão vê-la assim que ela for transferida para um quarto.

-Mas - eu perguntei – Não é nada grave, não é?

-O médico vai responder a todas as suas perguntas, mas ela não corre nenhum risco grave. Com licença.

E fomos deixados lá. Só eu e Inuyasha.

Ah é, e Jakotsu.

Que trio maravilha, não?

Depois de uns 20 minutos, todos estávamos calados, a não ser por Inuyasha, que fazia mil ligações, a porta se abriu e o médico entrou.

Foi aí que uma das maiores frustrações da minha vida foi compensada.

Deixe-me explicar.

Desde adolescente, eu assisto aquela série de médicos, ER. E desde então me frustro a cada vez que entro em um hospital. Quer dizer, não há nenhum médico bonitão na vida real como o Dr. Doug Ross, interpretado pelo maravilhoso George Clooney, o Dr. Luka Kovac, o Dr. Carter, Dr. Pratt, Dr. Ray e etc. Só há médicos gagás, com mãos geladas e meio carecas. Muitíssimo simpáticos, com sorrisos que me lembram meu pai, mas nada bonitões.

Mas daquela vez era diferente. Não era gagá, não era corcunda, não tinha mãos geladas e não tinha cabelos brancos.

Moreno, cabelos negros, olhos bem azuis, alto e forte, eu achei o Luka da vida real! Uau! Quais as chances de isso acontecer?

Pois é. O médico gatão entrou na sala de espera e eu e Jakotsu nos levantamos das poltronas.

-Boa-noite. – ele disse, olhando a prancheta na mão dele – Estão aqui pela Senhorita Kikyou, certo?

-Sim. – Foi a única coisa que eu consegui dizer.

-Ótimo, ele ajeitou as folhas da prancheta e me olhou sorrindo. – eu sou o Dr, Kouga, estou tratando dela – ele estendeu a mão para que eu apertasse.

É. Nada de mãos geladas. Nadinha.

-Sua irmã já está bem, poderia ter sido pior se não tivesse sido tratada a tempo. Nós a medicamos com...

-Oh, perdão. Minha irmã?

Como é que é? Era só o que me faltava.

-Sim, a senhorita Kikyou. – ele me olhou, um pouco confuso.

-Oh, não, não. Ela não é a minha irmã. Nós não somos parentes. Sou apenas uma... Amiga.

É, tá bom! Nem eu acreditei nessa de amiga!

-Oh, me desculpe. É que são muito parecidas.

Ah, fala sério. Era tudo o que eu não precisava. Como assim, parecidas? Eu e Kikyou? A Noiva Cadáver? Ah, qual é a sua? Não tem nada a ver! Total viagem!

-Perdão, quem está responsável por ela? – ele me perguntou.

-Eu estou – Inuyasha desligou o celular e caminhou até nós. –Sou o noivo.

Bam! Tiro três. Tudo bem, eu já devia estar acostumada que a palavra "noivo" era a única coisa que definia o grau de parentesco entre Inuyasha e Kikyou, mas era como receber um tiro. Todas as vezes.

-Ah, certo. – O Dr. Kouga olhou para Inuyasha, e logo depois olhou para a prancheta em sua mão novamente. – Ela está se recuperando bem. Por sorte não rompeu nenhum vaso sanguíneo e não fraturou nenhum osso, foi apenas uma rachadura de leve. Demos uma pequena dose de morfina para aliviar a dor e engessamos o pé. Ela deve ficar de repouso, se não descansar pode ter complicações mais graves, uma lesão destas pode levar a um problemas mais grave, como uma fratura ou até mesmo, quebrar o osso, se não receber o tratamento adequado. Se quiserem me acompanhar, ela já deve estar no quarto. Ela deverá...

Enquanto caminhávamos para o quarto onde Kikyou estaria repousando, eu observei com atenção. Por favor, interajam comigo.

Por favor, levantem a mão aquelas que algum dia já sonharam com um belo de um médico, vestido naquele jaleco branco, caminhando charmoso na sua direção.

Levantem a mão aquelas que já pensaram em se casar com um médico bonitão. Levantem a mão aquelas que já pensaram em alguma sacanagem com algum médico bonitão.

Só pra constar, a minha mão se levantou em todas as opções, só por causa do Dr. Kouga.

E devo acrescentar que foi uma visão bem bonita ele e Inuyasha caminhando lado a lado.

Ai,meu Deus.

-Kagome! – Jakotsu agarrou meu braço – Você percebeu?

-Percebi. Agora cale a boca senão quem vai perceber é ele.

-Ai, diva, você é tonta? Você não vê a chance?

-Que chance, Jakotsu?

-A chance, diva! De você fazer ciúmes no Inuyasha! Quer dizer, ele fica com esse papo de "amor", "meu amor" pra Kikyou, e quando se vê livre dela, ataca você. Está na hora de você dar o troco!

Eu gostei do que ouvi. Gostei mesmo.

-E como você espera que eu faça isso? Quer que eu me jogue em cima do doutor? Não sou dessas, você sabe disso.

-Eu sei. Você só precisa ser perfeita como todos os dias. Agora vá. – me deu um tapinha no traseiro e me empurrou na direção onde Inuyasha e o doutor andavam.

-Aqui. – chegamos a uma porta com o número 13. Era o quarto de Kikyou.

13. O número do azar. O número do azar era o número do quarto de Kikyou. Coincidência? Eu acho que não.

O Dr. Kouga bateu na porta e logo depois a abriu. Kikyou estava sentada na cama, o pé engessado, uma enfermeira ajudava-a a se sentar.

-Olá, minha paciente tagarela. Como vai? – O Dr. Kouga sorriu ao entrar no quarto.

-Oh! Estou uma lástima!

-Deixe de exagero, está muito bem. Só que não poderá andar por um tempo.

-Você ouviu isso, Jakotsu? Não poderei andar, quanto mais dançar! Estou perdida!

-Oh, querida. Não se preocupe. Assim que puder caminhar nós retomaremos as aulas. – Jakotsu disse.

Eu conheço Jakotsu muito bem, e podia jurar que ele estava adorando o fato de ela não poder dançar. Isso queria dizer que ele não precisaria mais passar as tardes com ela. Mas não posso dizer que o culpo por estar feliz. Quer dizer, quem, em sã consciência, gostade passar todas as tardes com Kikyou? Nem o noivo dela consegue, ora.

-E quando poderei andar de novo? – ela perguntou, enquanto deitava-se novamente na cama.

-Isso pode levar algum tempo. De três a quatro semanas. Talvez dois meses.

-Dois meses? Vou ter que ficar dois meses com esse gesso nojento?

-Não, você pode trocar por uma bota sintética.

-Oh, meu Deus. Estou perdida. Kagome, e agora? Vou ter que ficar desfilando por aí com uma bota sintética! Isso é horrível para o meu novo guarda-roupa, não é?

-Oh, - eu disse – Não é tão ruim. Todos sabem que você não a está usando por vontade própria.

Ela pareceu aceitar a sugestão.

-Oh meu Deus! Inuyasha! Como é que eu vou á festa de aniversário de casamento de seus pais assim?

Eu olhei para o lado e vi Inuyasha suspirar.

Eu sei que quando nós queremos que alguma coisa aconteça, nossa imaginação começa a criar coisas, mas eu tenho quase certeza que ele estava com um semblante mais leve. Quase feliz. Só não me perguntem o motivo.

-Daremos um jeito. – ele disse simplesmente.

-Bom, se me dão licença, eu preciso ir. Qualquer coisa podem chamar a enfermeira. Uma boa noite. – o Dr Kouga disse, e logo depois saiu.

Eu olhei para Jakostu e ele estava abanando a mão para mim, dizendo para eu ir atrás dele.

E dizer o quê? Mas eu fui.

-Ah... Dr Kouga? – Eu chamei quando o avistei no corredor, um pouco mais adiante.

-Sim?

-Me desculpe, mas eu... Eu queria saber... Exatamente, quanto tempo Kikyou ficará de gesso?

Isso! Foi uma desculpa bem convincente, não?

-Bom... Não posso precisar exatamente, mas eu diria que... Dois meses, em média. Talvez até mais.

-Oh, tudo isso?

-Sim, eu lamento.

-Eu ia inscrevê-la em um curso de dança, mas agora...

-Oh, não se preocupe. Ela poderá fazer o curso dentro de alguns meses.

-É, isso vai atrasar meus planos. Será que pode me dizer com o que ela está sendo medicada, doutor?

Eu não precisava saber, mas eu precisava arranjar algum motivo para mantê-lo perto de mim, falando.

-Eu sinto muito, só posso dar a informação ao responsável ou familiares.

-Oh, tudo bem. Entendo. De qualquer forma... – Joguei os cabelos soltos pra outro lado com a mão, como quem não quer nada, e estendi a mão para ele -... muito obrigada pela atenção.- e um sorrisinho simpático.

Ele pegou minha mão, e pareceu hesitar.

-Hmm, eu posso acreditar que você e a Srta Ahitaka são muito próximas...

-É, bastante próximas. – a mão dele até que era bem quentinha, para um médico.

-Então acho que não seria um problema dar-lhe as informações.

Fiz cara de quem havia achado 10 dólares na rua.

-Oh, eu agradeceria muito.

-Então, será que pode me esperar aqui um minuto? Meu turno acabou de acabar, podemos conversar na lanchonete do último andar?

-Sim, claro. Sem problema! – eu estava sendo o mais simpática possível.

Ele me dirigiu um sorriso bonito.

-Certo, então me espere aqui, eu já volto. – e saiu caminhando pelo corredor. Eu vi uma enfermeira pará-lo no meio do caminho e fazê-lo analisar uma prancheta. Ele o fez rapidamente e assinou alguma coisa, logo depois de dar alguma instrução para a enfermeira, que voltou de onde vinha, apressada. E continuou o caminho dele.

Virei-me de costas e caminhei para sentar-me em uma cadeira próxima. Até que não era má idéia. Me desligar de Inuyasha. Era o melhor pra mim, pra ele, pra Kikyou, melhor para todos. Até pra Miroku e Sango, que não teriam mais que ficar escondendo informações para não me magoar. Eu sabia que estavam fazendo isso, pela falta de perguntas da parte de Sango.

Depois de uns cinco minutos ele reapareceu, sem o jaleco branco, as pranchetas e o estetoscópio. Estava com uma calça social preta, uma camisa também social azul escuro e uma mochila nos ombros.

-Vamos? È lá em cima.

-Ah, sim, vamos.

E fomos ao elevador.

A lanchonete era muitíssimo agradável. Várias pessoa saindo do trabalho, assim como o Dr. Kouga, conversavam em diversas mesas, com cafés, pizzas, petiscos, vinhos e afins, uma agradável música instrumental ao fundo. Kouga arrumou uma bela mesa perto da varanda. E logo estávamos entretidos conversando como se já nos conhecêssemos de longa data.

-Aaah, é isso que dá tentar discutir basquete com mulheres.

-Discordo, é isso que dá discutir basquete com um machista.

Kouga me sorriu. Havíamos concordado em nos tratarmos apenas pelo nome de batismo.

-Veremos depois do campeonato se essa sua fidelidade aos Knick's vai continuar.

-Veremos sim, logo depois que eles derem uma surra nos Lacer's!

-Você é a primeira mulher que converso que entende de basquete tanto quanto eu, Kagome. E olhe que sou quase um fanático!

-Vivi 19 anos com um irmão que me fez levá-lo a todos os campeonatos dos Knick's. Seria quase uma louca se não entendesse e gostasse. – Sorri para ele, que dava um gole no café com baunilha. Era uma companhia bastante agradável, o Kouga. Muito simpático, muito bonito. E o melhor: solteiro, desimpedido, livre, disponível! Isso era muito importante.

A conversa foi se estendendo, até que o barulho das pessoas ao nosso redor se tornasse tão intenso que nós tínhamos que quase gritar para nos ouvirmos. Depois uns conhecidos dele chegaram e nós juntamos três mesas para que pudéssemos conversar. Kouga, que antes estava sentado de frente pra mim, agora estava do meu lado direito. Do meu lado esquerdo estava uma muito simpática obstetra. Muito morena, quase negra, em pouco tempo me fez rir como há tempos eu não ria. Estava se separando do marido, e adivinhe porque? Ele é gay! Coincidência demais, não é mesmo?

No grupo havia também cardiologistas, oftalmologistas e uma decoradora, esposa do um outro obstetra. Todos muito sorridentes e simpáticos.

Ouvi histórias engraçadas dos micos, dos fiascos, dos casos amorosos que ninguém quer no currículo, de todos. Inclusive de Kouga. Foi muito divertido.

E eu consegui me desligar total, completa e inteiramente de Inuyasha. Minha mente não voou pra ele nem um segundinho, nem uma vezinha. E isso é ótimo. Percebi isso uns minutos depois de me despedir dos médicos e de Kouga, entrar no meu carro e seguir para casa.

E dormi muito bem naquela noite, sem nem ouvir os dois recados novos na minha secretária eletrônica.

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N.A.: Uh! Capítulo grande esse, não? O que acharam? Eu gostei desse, em particular! De verdade! Ai, espero que tenham gostado também! E é aquela mesma ladainha de sempre: se o site cortou alguma coisa, me perguntem que eu respondo e blá blá blá... E reviews também! Isso eu não me canso de pedir! xD

E aí, quem levantou a mão na enquête de Kagome?! ;D

Vivia: Olá! Ai! Enfim uma Flamenguista que concorda comigo! Já estava ficando triste, achando que eu estava "só" aqui no site. Haha, é, a história está um pouco dramática. Que engraçado! Várias pessoas querem ver agarração! Ahuahauha! Porque será? Bom, vejamos o que acontece no futuro! Espero que tenha gostado desse, e espero a sua reveiew! E deixe o seu email também, pra que eu possa te responder por lá, ok? Obrigada por ter comentado! Mil beijos e saudações Rubro-Negras pra vc!

kagome universe: Uau, que review pra levantar o astral de qualquer um! Puxa, fico feliz demais de ver que esá gostando! Me dediquei muito nessa fic, é maravilhoso ver que as pessoas estão gostando. O Jimmy é simplesmente o reflexo de tudo o que eu queria num amigo gay! Ai, eu acho que sonho com isso desde que a minha mãe arranjou um. Andam pra cima e pra baixo juntos! Ele é super fofo! Se bem que o Jakotsu, acho que seria legal ter ele como amigo. Nunca iria ficar triste pensando que se ele não fosse gay, poderia ser meu, como é o caso do Jimmy, que é um Uh-Lalá! Também adorei o apelido da Kikyou. Não cabe perfeitamente? xD Uh, queria mto responder sobre um possível hentai no futuro,mas não posso, senão ia desmotivar alguns, e motivar outros! Mas vc vai descobrir rápido, prometo! É 1. É 2. É 1, 2, 3 e: "Eu sempre te amarei, onde estiver estarei, ó meu Mengo!!"Uhuul! Bicampeãããão! Mil beijos pra vc e saudações rubro negras!

P.S.: Desculpa não te responder por email, é que o meu próprio email deu erro. Desculpa ok?

Espero que tenham gostado, galera! De verdade! Desculpem não postar ontem, mas meu computador se recusava a conectar-se à Internet, sabe-se lá porque!

Reviews everybody!

Mil beijos,

Nat'