Sugestão de música: Come away with me, Norah Jones

Eu estava quase ficando louca. Meu telefone tocava à todo minuto, Yuka entrava na minha sala toda hora para entregar desenhos,pegar esboços no arquivo, entregar recados, me passar esboços de Rin, pedidos e ordens de Sango, solicitações de Miroku e afins. Aquela empresa estava toda correndo ao mesmo tempo.

O caso era: nós estávamos quase em cima da hora para terminar o desfile do festival de inverno. E desta vez era diferente. Nós íamos ser assistidos pelos representantes das melhores grifes do mundo. Vinha gente de Milão, Londres, Paris, e tudo quanto é lugar.

Naraku estava cuspindo ordens pra todo lado. Estava estressado. Eu odeio quando Naraku fica estressado. Sempre sobra pra mim, mesmo que eu não tenha feito nada de errado. No momento, ele cismou que queria que eu desse conta de todas os modelos, masculinos e femininos, e checasse se estava tudo dando certo, pessoalmente, a todo momento, até com as reservas de tinta florescente nas solas dos sapatos delas, que tinha que formar o símbolo da Takahashi no chão quando elas passassem. O palco seria iluminado também comLuz Negra,o que faria a tinta aparecer no chão. Essa é boa.

No momento eu estava correndo feito uma louca para a sala de Sango, onde eu tinha que pegar as combinações que ela havia feito dos penteados, modelitos, tecidos e cor de pele de todas as modelos. Sem falar das medidas e dos calçados, o que era trabalho de Naraku, mas tudo bem.

Dei duas batidinhas na porta e encontrei Sango e Miroku com as cabeças juntas olhando para um papel imenso na mesa dela, cada um com um marcador colorido na mão. Ele azul, ela vermelho. Sango estava com a trança, que no início do dia esteve intacta, um tanto bagunçada, devido a tantas vezes que ela a jogou de um lado para o outro do ombro, nervosa com os prazos. E os cabelos de Miroku já estavam de pé, de tanto que ele os puxava para cima, tentando pensar em alguma coisa.

-Mas se essa cortina for por aqui, como é que as modelos vão ser vista lá de trás? – Sango rebatia, fazendo uma grande linha no desenho, por cima do esboço de uma cortina que Miroku havia desenhado mal e porcamente. Pensei em pedir, mas estavam os dois tão concentrados que nem perceberam quando eu entrei. Então fui eu mesma direto para o arquivo no canto da sala e comecei a mexer nas gavetas, procurando o que eu queria.

-Eu não sei por que é que você insiste nessas mesas aqui! Não são necessárias!

-É claro que são necessárias! Se não ficarem aí isso vai ser um vão enorme e desocupado!

-Eu já disse que posso cobrir isso com qualquer coisa! Até uma outra mesa de buffet, uma segunda pista de dança! – Miroku abriu os braços, como se ela não pudesse recusar aquela idéia.

-E eu já disse que não iria ficar bom. Outra mesa de buffet iria distrair os convidados. Você sabe como sempre tem um esfomeado que não consegue parar de comer, e eu não posso deixar que eles fiquem se empanturrando perto da passarela.

-Mas e quanto à pista de dança?

-Na hora do desfile irá se tornar o mesmo vão vazio de que eu estava falando.

-É só mantermos as luzes acesas!

-Mais luzes? Você já me fez aceitar luzes extras na passarela, de jeito nenhum vou deixar luzes piscando atrás da passarela. Seria um desastre.

-É, tem razão... – ele recostou-se na cadeira para pensar, e logo depois se inclinou para frente de novo. –Já sei! – e começou a desenhar alguma coisa no papel enorme.

Sango aproveitou para coçar os olhos e mudar a trança de lado de novo. Pegou o telefone.

-Kagura, você pode pedir para alguém trazer aqui dois cafés... Espere aí... - ela colocou a mão no bocal. –Quer café, Kagome?

-Por favor.

-Kagura? Sim, três cafés, bem fortes, por favor? O mais rápido possível, obrigada.

-Vocês já decidiram qual vai ser a luz da terceira?

-Já. Veja se concorda. – Sango me deu um esboço colorido.

-Ótimo, adorei. Já falou com Rin?

-Já ela disse que está de acordo. Agora está tentando se comunicar com Naraku. Ele está enfurnado na sala dele desde... Sei lá.

-Veja! – Miroku largou a caneta na mesa e mostrou o desenho para Sango.

-É, está melhor. Mas ainda há o problema das câmeras e fotógrafos. Aqui não há espaço.

-É.- ele voltou a pegar a caneta e coçou a bochecha esquerda. Quando afastou a mão, estava com um borrão azul imenso pela face.

-Ai, meu Deus! – Sango viu e passou um lenço umedecido pelo rosto dele, enquanto ele voltava a desenhar no papel.

-Miroku, você já sabe onde vai a cabine de luzes?

-Já, aqui está. – ele me passou a planta. – Você já tem os primeiros modelitos? Eu preciso dar uma olhada neles.

-Vim aqui para entregá-los a você. – Passei a pasta que estivera segurando para ele.

Sentei-me na cadeira para analisar a planta e Kagura entrou com uma bandeja com três grandes copos de café sobre uma bandeja.

-Os cafés. Ligação na linha dois, é o seu irmão. – ela disse a Sango. – E Yuka me pediu para avisá-la que o Dr. Kouga a está esperando em sua sala, senhorita. – ela me disse.

-Ah, certo. Obrigada, Kagura. – Levantei-me do sofá, peguei o café e olhei para Sango, que falava ao telefone e tentava limpar o rosto de Miroku, que falava consigo mesmo, desenhando no papel imenso de novo. Eu fiz um "psiu" pra ele, que levantou o rosto e me olhou.

-Me avise se tiver qualquer problema com as roupas, ok?

-Não haverá, fique tranqüila. – ele me sorriu, e eu devolvi.

-Eu já vou indo! - Joguei um beijo para Sango, que devolveu, e fui embora.

O corredor ainda estava um caos. Gente correndo pra tudo quanto é lado. Horrível.

Entrei na minha sala a encontrei Kouga sentado no sofá lendo uma revista. Me olhou quando eu entrei e sorriu.

-Nossa, nem vi o tempo passar! – eu disse, colocando sobre a mesa as pastas que Yuka me dera antes de eu entrar. Ele levantou do sofá e me deu um beijo nos lábios.

Oh, não contei? Estamos juntos. Faz três semanas. Mas você já sabia.

-Está uma correria por aqui, não?

-Ai, estou para ficar doida!

-Vim buscar você para almoçarmos. Você vai poder se afastar daqui?

-É, não poderia. Tenho que entregar essas pastas para Naraku. Mas se eu passar mais um minuto aqui dentro eu vou pirar! Vou deixar com a secretária dele. Volto num minuto, sim?

-Certo. Vou esperar aqui. Posse checar meus e-mails?

-Fique à vontade. - Pisquei para ele e saí da sala, enquanto ele se sentava em minha cadeira e digitava qualquer coisa no teclado do computador.

Apressei o passo. Queria sair dali o mais rápido possível. Não me entenda mal, amo trabalhar aqui, mas ninguém merece! Desde que colocara os pés na empresa de manhã, tudo voou pra cima de mim! Ninguém merece tanto estresse!

O corredor do andar de Naraku estava estranhamente vazio. É impressionante como ele tem o poder de intimidar tanto as pessoas, que elas não passam por ali nem se estivesse chovendo notas de 100.

Um corredor desnecessariamente escuro, sem janelas. Me dava arrepios. Eu continuei meu caminho longo até a sala do chefe.

Não era um andar muito movimentado. Só havia a sala de reuniões, a própria sala de Naraku, um banheiro e-nor-me privativo dele, com hidromassagem e tudo, e a sala onde ele desenhava.

E um corredor escuro imenso, onde eu me encontrava no momento.

Virei a direita e avistei a mesa de Yura, uma mulher de estatura média e muito fininha que tinha fixação pelo próprio cabelo e academias.

-Bom-dia, Yura. O senhor Naraku está em reunião?

-Sim, senhorita. Quer que eu a anuncie?

-Não, não, não será necessário. Apenas entregue isso a ele quando ele estiver livre, por favor? E diga que eu fui almoçar.

-Pode deixar. Ah, ele me pediu para entregar-lhe isso, não é nada urgente, mas já faz um tempo que ele quer que você dê uma olhada. São modelos de calçados que ele esboçou há um tempo, e pede que você confira se pode desenvolver alguma ciosa que combine, sem muita extravagância.

-Certo, pode deixar. Obrigada Yura.

E saí rapidinho dali. Aquele lugar me dava arrepios. Yura parecia gostar de música gótica clássica. Daquelas bem sombrias que toda mansão mal assombrada toca. E agora ela estava com um radiozinho do lado dela, tocando uma múo mal assombrada toca. E agora ela estava com um radinho ndo lado dela, tocando uma mava.

ao mesmo tempo eu sica horrorosa.

Sabe quando você é criança e fica com sede no meio da noite e tem que ir buscar água na cozinha, que por mais perto que seja, parece beeeem longe do seu quarto, porque tá tudo escuro? Aí você vai, bebe a água, e quando volta sai correndo de volta pro quarto, e se puder, dá um gritinho de pavor? Pois é. Sempre que viro as costas para Yura fico com a impressão que ela vai levantar de onde está sentada e vai sair correndo atrás de mim pra me matar, e me dá vontade de agir que nem uma criança com medo da cozinha.

Mas ia ser ridículo se eu saísse correndo dando gritinhos, então eu me contentei em apressar o passo, agarrada à pasta preta que ela havia me entregado. Assim que virei o corredor e me vi livre das vistas dela, porém, desembestei a correr.

Não corro muito bem, veja bem. Sempre que aconteciam aqueles campeonatos esportivos interescolares, eu chegava em último na corrida. E uns cinco minutos depois de todo mundo. Era bem chato.

Mas as minhas notas em artes eram as melhores!

Então, voltando. Eu estava correndo, com a mente em um belo sorvete de chocolate com calda quente e granulado, em uma tigela bem grande, salpicado de moranguinhos e flocos. Oh! E também poderia haver brownies com...

PAM!

Só não caí sentada porque fui pega pelo braço, mas a pasta antes minha mão voou para algum lugar que não vi onde.

-Ah, eu adoro trombar com você, Kagome.

É. Ele mesmo.

-O que está fazendo aqui, Inuyasha?

-Vim falar com Sango.

-Que eu saiba a sala de Sango é dois andares abaixo. Está perdido?

-Não, não estou perdido. Estava com Sesshoumaru.

-Oh, seu irmão está aqui?

-Conversando com Naraku. Mas não vamos falar de Sesshoumaru, por favor. Me dá náuseas.

Oh, céus. Eu tenho que admitir, Kikyou tirou a sorte grande.

Ok, Kouga é muito bonito, é verdade. E eu estava realmente satisfeita ao lado dele. Não sei como ele é no quesito cama, ainda não tínhamos... Sabe, chegado lá. A desculpa de que estávamos ambos muito atarefados era perfeita. Mas a verdade é que eu ainda não me sentia confortável o suficiente para fazê-lo.

Mas ele é muito bom nos amassos. De verdade.

Mas só de olhar para Inuyasha eu tinha vontade de tirar a roupa, que droga. Só de olhar nos olhos dele eu ficava com calor, e só de vê-lo sorrir daquele jeito já me deixava de pernas bambas.

E me lembrar dos beijos que trocamos era torturante demais.

-Certo. Bom, eu já vou. Um bom dia, Inuyasha.

-Você está formal demais ultimamente. Pensei que já havíamos cruzado essa linha.

Eu juro. Ele me abraçou e estava total e completamente escorregando a mão para minhas coxas.

Pensei em mil maneiras de afastá-lo, mas acabei apenas dizendo:

-E sua noiva, como vai? O pé dela já está melhor?

Touché.Ele se afastou com uma expressão contrariada.

-Nós precisamos falar de Kikyou?

-Ó, sim. Precisamos. Diga-lhe que mandei lembranças. Até mais.

Peguei minha pasta no chão e entrei no elevador.

Ora, que coisa! Eu ainda não havia me esquecido do dia em que Kikyou se acidentara. Uma hora ele estava tentado me seduzir, para se divertir um pouco, e segundos depois estava chamando-a de meu amor, mimando-a e enchendo-a de carinhos.

E ainda havia a terceira, do escritório.

Que idiota.

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Acabou que eu e Kouga fomos almoçar, e eu tive que voltar sozinha pro escritório. Acontece que bem quando eu estava deslizando meu pé direito pela perna dele por baixo da mesa, totalmente pronta para tirar Inuyasha da minha mente de uma forma ou de outra, uma enfermeira liga desesperada dizendo que um tal paciente havia sofrido um derrame, que ele precisava ir lá urgentemente.

Só o que ele pôde fazer foi me dar um beijo muito indiscreto na frente de todos, e prometer que me compensaria mais tarde, e depois sair correndo.

Fazer o quê, voltei pra empresa, pra testar modelos, costurar os primeiros modelos de alguns vestidos, consertar detalhes, bolar maquiagens, aprovar e desaprovar outras coisas e bla bla bla.

A única coisa interessante no meio disso tudo foi que, no final do expediente, Sango veio correndo até minha sala convidar-me para a festa de aniversário de Miroku, que coincidiria com a festa de dois meses, uma semana e três dias de namoro deles, naquele final de semana.

E aqui estou eu, num vestido azul discreto, sandálias e cabelos soltos no carro de Kouga, indo para a festa que, sinceramente, não estava nem um pouquinho a fim de ir.

Mas o que não se faz pelos amigos?

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Tudo estava digno de Miroku, com um toque À la Sango. O apartamento dele havia sido transformado em uma espécie de casa noturna, com música alta, luzes piscantes e tudo o que é necessário numa festa bem badalada.

E parece que todos estavam lá: Rin, acompahada de Sesshoumaru, Jakotsu, acompanhado do namorado (bonitão), várias funcionárias que olhavam Sango com um misto de adoração e ódio, Bankotsu, Meg, Ayame, o cara do almoxarifado, as recepcionistas, várias modelos enchendo a cara, a assistente pessoal da Jennifer Aniston, o dono do restaurante favorito dele... Muita, muita gente.

E Inuyasha. Acompanhado de Kikyou, que colocara uma calça horrorosa para esconder a bota sintética que estava usando.

Parece que eu não consegui ensinar-lhe nada.

Inuyasha sorriu e quase veio na minha direção quando eu cheguei, mas parou ao ver Kouga atrás de mim, segurando-me pela mão.

-Oh, minha paciente mais tagarela! Como anda? – Kouga cumprimentou Kikyou, que estava sentada em uma mesa com Inuyasha.

-Podia estar melhor. Como vai, doutor?

-Bem, bem, obrigado. Dr. Inuyasha, como está?

-Bem, obrigado, Dr. – apertaram as mãos.

A festa estava realmente animada. Eu é que não estava com humor. Passados quase trinta minutos, Kouga deixou de lado o drinque que estivera tomando e pediu licença ao cara com quem estivera conversando.

-Ah, adoro essa música. Acompanha-me, meu bem? – e estendeu-me a mão.

Eu, que estive espiando Inuyasha com o canto do olho, aceitei. Não agüentava mais vê-lo atender às chatices Kikyou, e ás vezes lançar olhares significativos em minha direção. Que ele visse que ele não é o único que se interessa por mim.

Aceitei a mão de Kouga e fomos para a pista, onde muitos casais dançavam, inclusive Miroku e Sango, parecendo absortos em seu próprio ninho de amor, e Rin e Sesshoumaru. Ela aparentemente o havia arrastado para lá, mas ele parecia esta gostando do cheiro do cabelo dela.

-Ahh, que bom poder ficar pelo menos uns minutos sozinho com você. Não agüentava mais. –Kouga me disse quando eu o abracei pelo pescoço e começamos a dançar.

-Não está se divertindo?

-Até que estou, mas preferia estar em outro lugar.

-Ia me deixar sozinha aqui? – eu perguntei, passando a mão pelos cabelos negros dele.

-Oh, não... Você com certezaestaria comigo... – ele desceu a mão pela minha cintura e voltou, acariciando as minhas costas.

-É... É uma boa idéia... Nós poderíamos ir embora...

-Poderíamos, mas eu não teria muito tempo... – os lábios dele passearam pelo meu pescoço – eu estou de plantão hoje à noite.

-De novo?

Sério, eu já estava ficando frustrada. Todas as vezes que eu começava a me empolgar com ele, esse maldito hospital se metia.

-Eu não sabia que seria tão complicado namorar um médico... – eu o abracei mais pelo pescoço, aumentando o contato de nossos corpos.

-Ah, não faz isso comigo... – ele puxou um pouco do tecido do meu vestido, fazendo-o subir um ou dois centímetros.

-Você vai ter que sair agora?

-Em dez minutos, mais ou menos... Quer que eu te deixe em casa?

-Não, acho que vou ficar mais um pouco. Ainda não pude conversar com Rin.

-Tem certeza? Não queria ir embora e deixar você sozinha...

-Não confia em mim?

-Confio em você, não confio é em um certo Dr. Inuyasha, que não tira os olhos de você desde o momento em que chegamos.

Não pude controlar um rubor de orgulho dentro de mim.

-Ora, não se preocupe com ele... Ele tem que cuidar de Kikyou.

Ele pareceu se conformar com a alternativa.

-Cá entre nós... Não posso culpá-lo. Se eu fosse noivo dela também estaria olhando você.

-Porque diz isso?

-O restrito tempo que passei perto dela já me fez desejar que ela melhore o mais rápido possível, para que eu possa me ver livre. Ela é insuportável! Parece pensar que o mundo gira em torno dela.

-Oh, nem me fale!

Kouga levantou o rosto da dobra do meu pescoço e me olhou.

-Você concorda? Pensei que fossem amigas.

-Amigas? Eu e Kikyou? – eu ri, meio debochada. – É mais provável que Jakotsu dê em cima de mim, que eu e Kikyou sermos amigas.

-Pensei em ter ouvido você dizer que eram muito próximas, naquele dia do acidente.

-Ah, bom... – eu o puxei de leve pela nuca e mordi seu lábio – eu falei aquilo para chamar a sua atenção de alguma forma.

Ele sorriu e subiu a mão pelas minhas costas.

-Está tentando me fazer abandonar o plantão hoje, Kagome?

-Não era a minha intenção, mas se você estiver considerando...

-Se eu lhe disser o que estou considerando você vai fugir de mim.

-Hmm... Tenho quase certeza de que não vou fugir. – eu subi os dedos por dentro da jaqueta dele, arranhando-o por cima da camisa.

Ele abaixou o rosto em direção ao meu e me beijou. Era pra ter sido um beijo realmente urgente, mas não é nem um pouquinho elegante ficar se agarrando na frente dos outros, então mantivemos o ritmo calmo.

Quando a música acabou ele beijou meu rosto várias e várias vezes.

-Aahh que droga! Eu preciso ir. Preciso mesmo. Estou atolado de coisas pra fazer hoje. – ele parecia frustrado por um motivo além de não poder continuar comigo.

-Algum problema por lá? – eu perguntei.

-Ah, é um caso que está me intrigando. Uma espécie de câncer que eu nunca tinha visto, em um adolescente. Bastante jovem, mas é grave. Vou examiná-lo hoje de novo, ver se descubro alguma coisa.

-Nossa. – Nós estávamos voltando para a mesa onde estávamos sentados, onde ele se despediu das pessoas. – Espero que fique tudo bem com ele.

-Eu também. Onde está o Miroku, eu gostaria de me despedir dele.

-Ah, bom, não se preocupe. Ele e Sango não devem aparecer tão cedo. Eu aviso que você mandou lembranças.

-Faça isso. – Ele me deu um beijo leve nos lábios. – Vou ficar te devendo essa.

-Eu vou cobrar! – mais um beijo, e ele foi embora.

Eu voltei para a festa e fui ao bar tomar alguma coisa. Encontrei uma Ayame muito tonta por causa do álcool.

-Oh, Kagome! Você acreditanos homens? Quer dizer, uma hora eles dizem que você é o mundo, e depois você escuta esse mesmo discurso para outra! Dá vontade de moer a cara deles com um trator e depois ir fazer a festa com o motorista no mesmo trator!

Incrível, mas acho que, esta noite, eu e Ayame temos mais em comum do que ela pensa.

-Oh, nem me fale!

E me juntei a ela no trabalho de esvaziar algumas taças dos drinks especiais de Miroku.

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Acordei com medo de abrir os olhos. E acho que, pela falta da visão, meu corpo teve que se virar para identificar o espaço sozinho.

Pelo frio e pelo barulho, estava chovendo bem forte lá fora. Eu estava coberta com um pesado edredom, e estava nua. Bom, não que isso quisesse dizer alguma coisa, não é difícil eu dormir nua. As vezes simplesmente esqueço de vestir o pijama. Isso acontece quando se mora sozinha.

De qualquer forma, eu estava nua.

Apertei os olhos e forcei a memória para garantir que não fora um sonho. Na noite passada, a festa de Sango, isso mesmo. Muita chuva... Inuyasha e Kikyou... Jakotsu a levou embora! O apagão, e... Oh, meu Deus!

Depois que eu estava na terceira ou quarta taça de M's Paradise (um drink que Miroku inventou, muito bom por sinal), tudo apagou. Lembro-me de ter ouvido Myouga mandar que todos ficassem calmos, que ele resolveria o problema. Lembro-me também que Sango e Miroku sumiram, provavelmente foram comemorar a sós o aniversário de dois meses, uma semana, três dias, quarto horas e... Vinte e sete minutos de namoro, segundo Miroku. E depois... Ah, é.

Depois, não sei como, Inuyasha me achou no meio do escuro, tirou a taça de M's Paradise da minha mão e me puxou para longe do bar (onde eu estivera a noite toda, pronta para me embebedar caso ele e Kikyou começassem a dar demonstrações públicas de afeto) e me puxou até um lugar onde eu concluí que era a cozinha, pelo forte cheiro de comida.

-Tá legal – ele disse – Eu não sei o que você está tentado fazer, mas seja o que for está dando certo.

-Do que você está falando? – perguntei.

Pode parecer que sim, mas eu não estava me fazendo de desentendida. Eu nem ouvi direito o que ele disse, estava tentando adivinhar no que eu havia pisado com meus sapatos Prada novos. Acho que era um canapé, não tenho certeza.

-Estou falando daquele show quase erótico que você e Kouga deram minutos atrás.

-Perdão... O quê?

Pela pouca luz que entrava pela janela, eu vi que ele me olhou um tanto impaciente.

-Primeiro Houjo, depois aquele inglês metido à besta, e agora Kouga? Tenha dó, Kagome.

Eu já estava ficando irritada.

-Em primeiro lugar: não chame Jimmy de metido à besta. Em segundo lugar, Houjo é apenas um amigo. E em terceiro lugar, o que há de errado com Kouga?

-O que há de errado? Que tal o fato de ser um idiota completo? Ou de ser extremamente irritante? Ou de...

-Espere aí um minuto! – eu me permiti falar um tanto alto, já que o barulho havia voltado à sala, onde todos riam muito entretidos com qualquer coisa – Você está me criticando por sair com Kouga?

-É claro que estou.

-E com que direito?

-Oh, Kagome... – ele apoiou o braço na mesa e deu um passo à frente, em minha direção – Não finja que não há nada entre nós.

-Como? – eu já estava ficando realmente irritada .

-Não finja que nós nunca nos beijamos, ou que nunca nos pegamos pensando um no outro no meio da madrugada.

Fiquei tão perplexa por ele ter dito isso, que demorei meio minuto para processar a informação.

-Mesmo que nós dois saibamos o que houve, eu vou, sim, fingir que nada disso aconteceu...

-Você não quer fazer isso.

-...Pelo simples e inegável fato de que você tem uma noiva, e eu estou saindo com outra pessoa.

-Pessoa que você largaria por mim, não?

Sabe quando parece que seus nervos estão fritando de tanta irritação? Pois é. Mas eu me aproximei dele e o olhei fundo nos olhos, bem séria.

-Você largaria Kikyou por mim, Inuyasha?

Ele não respondeu. Apenas devolveu o olhar.

-Foi o que eu pensei. – disse isso e saí andando para a sala.

Que ódio que eu estava dele! E de mim, por ficar com vontade de chorar.

E que ódio daquele canapé maldito, que não queria desgrudar da sola do meu sapato novo!

Mas antes que eu chegasse à porta da cozinha, ele me puxou pelo braço e me fez virar para ele, que me abraçou com um braço, enquanto agarrava meus cabelos com a mão livre e sussurrava no meu ouvido:

-Você pode até fingir, mas eu não consigo fazer de conta que você não mexeu comigo.

Segurou meu queixo e, por Deus, me beijou.

E eu comecei a ficar mole no mesmo instante. E por mais que meu cérebro gritasse "Afaste-se dele! Afaste-se dele, sua idiota! Não caia na dele!", meu corpo (que novidade!) não obedeceu. Nem passou perto de obedecer! Meus braços ganharam vontade própria e se lançaram ao redor do pescoço dele. Meu estômago deve ter ficado muito feliz, porque começou a dançar feito doido, e meu coração parecia estar treinando para ser baterista.

-Vamos só... – ele disse no meu ouvido, ofegante – Esquecer Kikyou e Kouga, só... Só por um momento.

Eu sei. Eu sei que este é o mais conhecido discurso dos caras que não tem intenção nenhuma de largar a noiva/namorada/esposa. E eu sei que não há justificativa nenhuma para uma mulher aceitar o discurso. Mas neste momento até meu cérebro me traiu, e quando eu mais precisava dele, ele, na maior cara de pau, disse "Dane-se!" e se juntou aos amigos traidores, fazendo a parte dele de criar imagens muito incoerentes e imorais. Que droga de corpo que eu fui arranjar.

E depois eu só me lembro de ter saído escondida pela porta dos fundos, guiada por Inuyasha. Minha mãe não iria gostar disso, eu sei. Aí depois, não sei como, ele já estava abrindo a porta do próprio apartamento (ele e Miroku moram no mesmo prédio), e me empurrando pra dentro com o corpo.

Estava tudo escuro, e dava pra ouvir a chuva batendo forte contra as janelas. E estava fazendo um frio de gelar até os ossos.

Mas naquela hora eu estava sentindo bastante calor. Um calor que vinha de dentro pra fora.

E foi bem na hora em que meu cérebro caiu na real e acordou do transe, que aconteceu.

Inuyasha simplesmente parou de me beijar e me abraçou. Me abraçou bem forte, e ficou respirando no meu cabelo. Eu pude sentir o coração dele batendo tão rápido quanto o meu.

Ele me abraçou forte mesmo, eu até pensei em dizer "Ai, ta machucando.", mas não tive coragem.

Quer dizer, pára pra pensar: Quantos caras você conhece que no meio de um beijasso, te abraça com tanto... Carinho? Pelo menos eu não conheço muitos. E, fala sério, quem é que não gosta de ser abraçada?

Bom, acho que ficamos um minuto abraçados quando ele me olhou, sussurrou alguma coisa que eu não entendi e baixou a cabeça para novamente me beijar, cheio de carinho.

E, no meu coração, um fiozinho de esperança nasceu. Talvez eu não seja tão ruim assim. Talvez ele possa, de verdade, gostar um pouquinho de mim.

E depois... Bom, eu só posso esperar que a noite de Kouga e Kikyou tenha sido tão boa como a minha foi.

0o0o0o0

N.A.:Uh! E aí? Gostaram? Não gostaram? O QUE ACHARAM?

Desculpem a hora, mas é que passei o dia inteiro fora. Compreendem, não?

Sei que esse não ficou muito grande. Mas se eu aumentasse, não ia fazer sentido. Acreditem, está do tamanho ideal.

Estou bemsatisfeita como as reviews, obrigada a todas! Não deixem de comentar neste também, por favor.

Nota: No segundo capítulo, no clube, a Kagome repara que o Inuyasha tem uma tatuagem no braço. Se alguém não entendeu como a tatuagem era, é só dar uma olhada na tatuagem do braço do Justin Timberlake. Juro que imaginei aquela tattoo antes de ver a dele. Na verdade, descobri que ele tinha uma tatto no mesmo dia que postei o cap passado. É só dar uma olhadinha, é igualzinha a que eu imaginei.

Neherenia: Ei, que bom que gostou! Bom, ta aí a resposta da sua review! Respondi bem? xD Espero que tenha gostado desse também! E, se for comentar, deixe seu email para eu responder por lá, ok? Mil beijos!

Obrigada por lerem, pessoas!

Mil beijos,

Nat'