Maldito Tronco
Ótimo. Marlene Mckinnon é minha amiga. Não namorada, não garota da semana. Amiga. O problema nisso? Nenhum, só que isso me fez entrar numa crise existencial, fato que foi discutido com James num dia em que Lily estava em ronda (o único dia em que ele e ela não se comportavam como se tivessem nascido grudados pela cabeça).
- Prongs?
- Sim?
- Onde está Lily? Achei que precisasse dela todo o tempo.
- Idiota. O que quer?
COMO ASSIM O QUE EU QUERO?
- Você não falava assim comigo. – comentei, me sentindo meio idiota.
- Foi mal. O que foi?
- Acho que estou tendo uma crise de meia idade. Antes da meia idade.
- Por quê?
- Porque arranjei uma amiga.
Ele se virou para mim e ergueu as sobrancelhas.
- Mas você tem várias "amigas".
- Não esse tipo de amiga. Marlene.
- Marlene é uma diferente?
- James, porcaria! Estou tentando explicar. Ela não me beija, ou me abraça. É minha amiga.
- Dou uma semana para você beijar e abraçar Marlene.
- Estamos amigos há duas semanas. Perdeu a aposta. O que ia me dar caso eu ganhasse?
- Nada. Por que não me disse antes?
- Porque você e Lily vivem juntos.
- Ela não dorme no mesmo dormitório que eu.
- Graças a Merlin, porque se dormisse vocês não me deixariam dormir.
- Ela não é desse tipo de garota, Sirius.
- Dou uma semana para ser.
- Dar.
Olhei para ele, e ele olhou para mim. Então começamos a rir.
- OK, Marlene é sua amiga. – ele admitiu.
É claro que é. Quero dizer, nas últimas duas semanas tem sido pelo menos. Eu não consigo beijá – la, ou fazer qualquer outra coisa perto dela. Não sei o que acontece comigo. NAÕ CONSIGO. Gente, preciso de um psicólogo. OU uma namorada.
- Padfoot?
- Hum?
- Está gostando da Marlene?
- Sirius Black não se apaixona. Por ninguém. Vou encontrar Marlene.
Levantei, e meu mau humor meio que desapareceu. Sei lá, a perspectiva de achar alguém legal me deixou mais leve. Só isso.
- Oi, Lene! – gritei, correndo pelos jardins em direção a ela. Ah, eu me amo, todos me amam, sou um gato e... Ai. Eu amo meu ego. Ele é tão legal que me faz tropeçar em troncos que algum retardado deixou jogado no meio do jardim!
- Você tá bem? – escutei a voz de Marlene dizer, rindo da minha cara.
- Não. – respondi, sentindo um delicioso sanduba de grama e terra entrar na minha boca. Quando virei a cara para cima, uma explosão de risos me deixou quase surdo.
- Sirius, você devia ver a sua cara.
O QUE ACONTECEU COM A MINHA CARA?
- O QUE ACONTECEU? ESTOU COM ALGUM DENTE FORA DO LUGAR, MEU CABELO ESTÁ RUIM? O QUE ACONTECEU MARLENE? – gritei (com razão!) e puxei Marlene pelas vestes. Ela parou de rir e tirou minhas mãos lentamente da roupa dela.
- Calma, Sirius, mantenha a calma. Vamos até a Madame Pomfrey e...
OH, DEUS! O QUE ACONTECEU COM A MINHA CARA? SERÁ QUE QUEBREI O NARIZ E VOU FICAR QUE NEM O RANHOSO? Não, por favor!
Fechei os olhos enquanto ela me guiava até a Ala Hospitalar, imaginando quantos feitiços estéticos eu iria precisar por causa daquele maldito tronco parado ali, na grama, espreitando para me pegar.
- Sirius, o que aconteceu com você? – ouvi Madame Pomfrey perguntar, mas não respondi. Odeio chorar, mas estava perto disso. Quero dizer, minha beleza está em jogo! Imagina se eu ficar feio, meu deus, eu me mato.
- Dá pra você relaxar?
- Marlene, você não está me entendendo... – comecei, e ela veio com um espelho.
Ah, não estou preparado. Tire isso de perto de mim.
- Sirius, olha.
- Não! Melhor não, Marlene. Sério, posso ter um ataque, desmaiar e até morrer. Não, por favor.
Mas ela afastou as minhas mãos. Eu abri um olho, e depois o outro. E sabem o que eu vi?
BELZEBU.
OH, MEU DEUS. NÃO VOU AGUENTAR. NÃO, NÃO, NÃO! NÃO É POSSÍVEL, OH, DEUS.
- Porque fez isso? – eu disse, e senti minha cabeça pesando.
- Sirius, se acalma. Só precisa lavar a cara!
- Não, você não está entendendo! Vou surtar, ter um ataque, vou...
- Estupefaça.
Estou feio. Nunca mais vou conseguir nenhuma garota. Posso mudar de país. Talvez usar um chapéu, ou um véu. Posso me matar também, ou virar um solteirão vagabundo que só come doce e escuta rádio o dia todo.
- Sirius?
Abri os olhos, e duas bolas azuis me encaravam, preocupadas. Marlene me encarava, e eu senti o rosto esquentar ao notar que estava só de cuecas embaixo da manta.
- O que aconteceu?
- Você correu pelo gramado, tropeçou num tronco caído, manchou a cara de terra e então te levei para a Ala Hospitalar. Como você enlouqueceu, eu me assustei e te estuporei, e madame Pomfrey viu que você tinha alguns hematomas, então a gente te colocou para dormir e ela curou os hematomas.
- James sabe disso? – eu resmunguei, sem querer ver as horas.
- Não. Achei que você ia se constranger.
- Obrigado. Estou feio ainda?
- Não, Sirius. Você continua bonitão.
Então ela me acha bonitão? Acho que vou me aproveitar disso. Sentei na cama e senti o olhar dela pelo meu peito.
- Me acha bonitão?
- Não vou sair com você, Sirius.
- Não era a intenção.
Deixa de ser idiota, Sirius. Não quero estragar a minha amizade com ela. Ou quero? Não, você não quer, Sirius. Não. Quer. Menino mau.
- Posso ir?
- Madame Pomfrey disse que pode.
Levantei e fui até uma cadeira próxima, onde vi meu uniforme estendido. E eu realmente amo minha vida, porque só um pouco mais tarde reparei que coloquei o uniforme na frente de Marlene. Bom, ela não disse nada.
Saímos juntos pelo corredor, e logo percebi que minha cara estava normal e sexy como sempre. Um grupo de garotas passou rindo e disseram: "Oi, Sirius!". Sorri para elas, e ouvi Marlene rir ao meu lado.
- Bem – Vindo de volta, garanhão.
Chegamos atrasados na última aula do dia, Minerva.
- Sr. Black, Srta. Mckinnon, estão atrasados.
- Estávamos na ala hospitalar. – Marlene disse. A Professora olhou para nós dois com uma cara desconfiada, mas deixou passar. Fui até onde James estava e cutuquei as costelas dele.
- Oi.
- Ouvi dizer que tropeçou num tronco.
- Foi um acidente...
- Um acidente? Que espécie de idiota tropeça num tronco?
O MESMO IDIOTA QUE NÃO RESPIRA SEM A NAMORADA!
- Eu.
Se eu dissesse tudo que quero dizer a ele...
- Sirius, você está bem? – Lily me perguntou, depois da aula acabar.
Então quer dizer que eles me ignoram por quase um mês e depois que eu quase sou morto por um troco todos se preocupam comigo? Vou me jogar da torre de astronomia.
Naquela noite, James e os outros foram dormir bem mais cedo, e me pergunto se não é só enrolação pra me encher o saco. Escutei uma voz chamar, e olhei para o lado. Marlene estava sentada perto de mim. Na luz da lareira, eu podia ver a pele dela brilhando, os cabelos...
- Sirius, lembra da ideia da vingança?
- Lembro.
- Está com fome?
- Não. Qual é o plano.
- Quer namorar comigo?
Olhei para ela, que me encarava, sorrindo maliciosamente. Ah, entendi o esquema. Oho, eles vão sofrer. Peguei a mão dela e beijei.
- Quero.
- James e Lily vão pagar por isso.
- Sim. – eu disse. E, num impulso, beijei os lábios dela, me sentindo o próprio "poderosos chefão", seja lá quem for esse imbecil.
N/a: Bom, devo dizer que estou extremamente feliz com as reviews que o primeiro capítulo recebeu, e elas me incentivaram a escrever mais dois! Ah, relaxem, que Sirius está meio deprê por enquanto, mas logo logo vai se animar! Continuem lendo e me dizendo o que acham!
Respondendo as reviews:
Lady Barbie Pontas Potter: Quem não quer o Sirius? Todos o amam, e até ele sabe disso. Hahahaha. Que bom que gostou! Me diga o que acha dos outros dois!
Julia Bona: Sério, MARA foi o melgor adjetivo que a fic já recebeu ;*
bruh prongs: Bom, se gostou do primeiro capítulo, espero que goste dos outros dois... É, o Sirius sem dúvida é uma figura. Daquelas que brilham no escuro, e que quase ninguém consegue, infelizmente. Vou passar lá na sua fic!
Bruna Luiza Black: Também adoro Sirius/ Marlene (oho, isso é óbvio) e fico feliz que tenha gostado!
- KaoriH: Sirius entrou na própria crise existencial agora! Hahaha, ele está até mais monótono, tadinho. Fiquei muito feliz por você ter gostado da fic, e espero que continue a ler :)
