Desde que havia chegado em casa Alice não comia nada e recusava-se a sair da cama. Nunca em sua breve vida a garotinha tinha se sentido assim tão triste. Mary tentava consolá-la sem sucesso. Frank por sua vez parecia ter esquecido a filha por quem havia armado aquela confusão toda. Só pensava em Hermione. No que ela havia feito. Sua cabeça latejava,tanta era a raiva que sentia. Não só raiva da professora. Raiva de si mesmo também. Raiva por ter baixado a guarda. Raiva de ter se permitido apaixonar-se por Hermione. Não adiantava mais negar,era isso o que havia acontecido. Não era ternura,não era amizade. Ele apaixonara-se pela professora. Essa era a verdade.
- Ahh Luna, por que você se foi?! – Perguntou, olhando a foto da esposa dentro do medalhão em seu pescoço – Tudo seria tão mais fácil se você estivesse aqui.
Afastou a mesa do escritório e deixou-se cair sobre a cadeira. A angústia impedia-o de respirar. Quando o sol da manhã começou a desabrochar no céu, ele dormiu. Seus olhos feridos pelas lágrimas eram incapazes de encarar a luz matutina.
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Hermione fazia um esforço sobre-humano para beber o café amargo. Dizia a si mesma que precisava se alimentar. Só não conseguia dar-se um por quê. Há dias sentia-se um farrapo. Sua mente privilegiada não conseguia processar direito os últimos acontecimentos. Alternava o tempo entre culpar-se e culpar Frank. Contudo, logo a impiedosa realidade veio retirar a grifinória de seus devaneios. Ela precisava de um novo emprego. O dinheiro que Frank havia lhe dado não ia durar para sempre e Hermione não era o tipo de pessoa que protelava as obrigações. Levantou-se da cadeira dura e abriu o jornal na parte de classificados. Estava de volta a velha rotina. Recortou as boas propostas, vestiu-se decentemente e saiu. Não precisou andar muito, foi contratada na primeira loja em que parou. De início a dona do lugar lançou-lhe um olhar azedo, provavelmente devido à expressão moribunda no rosto de Hermione, mas assim que soube que ela era "A famosa Hermione Granger" não hesitou em contratá-la. Felizmente para Hermione, poderia começar a trabalhar ainda naquele dia. Ninguém melhor do que a morena sabia o quanto precisava distrair a cabeça e nada seria melhor para isso do que aquela livraria imensa.
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Enquanto Mary subia as escadas em direção ao quarto de Alice com a bandeja do café-da-manhã nas mãos ela refletia sobre os últimos acontecimentos. Uma voz lhe dizia que as coisas estavam prestes a mudar definitivamente naquela casa. Ela só não sabia se mudariam para melhor ou para pior. Ela abriu cuidadosamente a porta para não acordar a criança e pôs a bandeja com a comida em cima da cômoda. Em seguida, aproximou-se de Alice. Tocou o rosto da menina ternamente para que esta despertasse. O contato com a pele de Alice fez a mão de Mary queimar. A febre já passava dos 40°C. O medo tomou conta da governanta. Quem visse Mary ali, naquele estado, não a reconheceria. Ela correu para o escritório do patrão e bateu impacientemente na porta.
- Entre. - Disse Frank.
- Alice está morrendo. - Disparou Mary, sem nenhum tato.
- O quê?! – Perguntou ele, perturbado.
- Chame a senhorita Granger. – Mary disse com voz firme.
- Você está louca?O que você pensa que está fazendo Mary?Que tipo de comportamento insano é este?
- Alice está mal desde o dia em que o senhor demitiu aquela pobre jovem, agora ela chegou ao seu limite. Se não trouxer Hermione de volta irá perder a única pessoa com quem ainda se importa.
- Quem você pensa que é para me dar ordens?Eu sou seu patrão!Se minha filha está doente é de um curandeiro que ela precisa, agora vá e chame um!
O rosto de Mary tingiu-se de vermelho.
- Senhor Longbottom,preste atenção no que vou lhe trabalho nesta casa há sei de tudo o que ocorreu de todos os momentos difíceis que precisou enfrentar e sempre tentei ajudá a senhora Luna morreu eu não concordei com as suas decisões de como criar Alice,mas eu respeitei e continuei aqui por que eu amo aquela não vou deixar que ninguém faça mal a ela,nem mesmo o muito bem que não é de curandeiro que ela precisa,é da senhorita ão se o senhor não for chamá-la agora eu irei até a polícia e o denunciarei por maus-tratos e por todos os subornos que pagou ao ministério da magia para que não vistoriassem essa casa!
Frank olhava incrédulo para Mary.
- O tempo está passando senhor.
Frank levantou-se, pegou um pouco de pó de flu e atirou-o na lareira do escritório. Em poucos segundos estava dentro do apartamento de Hermione.
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Frank levantou-se e limpou o carvão das vestes, olhou ao redor mas não havia ninguém no apartamento. Um turbilhão de emoções inundava Frank. Raiva por ter sido tratado por Mary daquele jeito. Vergonha por ter que se humilhar frente a Hermione Granger e pedir-lhe para voltar. E mais importante,medo de perder sua filha. Ele precisava agir rápido para evitar o pior. Desceu correndo as escadas do prédio em busca de alguém que pudesse dar-lhe alguma informação sobre Hermione. Encontrou o porteiro. Antes que o homem pudesse perguntar como ele havia entrado ali Frank exigiu que ele lhe contasse o paradeiro de Hermione. Pensando tratar-se de alguém perigoso, e priorizando a própria vida, o porteiro revelou onde Hermione estava trabalhando. Como Frank conhecia o lugar pôde aparatar até lá.
- Eu preciso que volte. - Disse ele assim que avistou Hermione arrumando uma estante de livros raros.
Hermione fitou-o surpresa. Não esperava encontrá-lo nunca mais.
- Sinto muito, já tenho outro trabalho. Um menos complicado – Disse ela soberba.
- Não faça por mim, faça por Alice. Ela precisa de você.
- Você não pensou nisso antes de me demitir.
- Por favor, Hermione, Alice está morrendo.
Hermione olhou-o assustada. Alice?Morrendo?Seria verdade?
- Não brinque com uma coisa dessas. – Ela disse.
- Eu jamais faria isso. Você sabe. - Disse ele encarando profundamente os olhos castanhos de Hermione.
Ela podia ver o desespero nos olhos dele. Aquela imagem era uma tortura para a morena.
- O que eu preciso fazer para você vir comigo?Me ajoelhar aos seus pés? – Ele perguntou ajoelhando-se frente à grifinória.
- Por favor, não faça isso! - Disse Hermione constrangida. – Eu irei com você.
- Obrigado. - Ele disse, sem conseguir encará-la.
Hermione segurou o braço de Frank e os dois aparataram, para a total surpresa da nova patroa de Hermione.
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De volta ao jardim da mansão os dois correram em direção ao quarto de Alice. A menina continuava na cama sendo observada atentamente por Mary. Nos seus delírios a menina chamava por Hermione.
- Estou aqui minha querida! - Disse Hermione pegando Alice no colo.
A menina abriu os olhos com esforço.
- Senhorita Granger? – Ela perguntou, fraca.
- Sim meu bem, eu estou aqui. Nunca mais irei deixá-la, eu prometo!
A pequena sorriu docemente e Mary respirou aliviada.
Em poucas horas Alice já não tinha mais febre, confirmando o diagnóstico de Mary.
Hermione então põe a menina de volta na cama e seus olhos cruzam com os de Frank. A tensão tomou conta do ambiente. O casal sabia que ainda teriam muito sobre o que conversar, e que a conversa não seria agradável.
- Eu voltarei para a loja e explicarei tudo a sua patroa – Disse Frank, fugindo dos olhos acusadores de Hermione.
- Eu aprontarei o quarto para a senhorita. - Disse a governanta estampando um sorriso que a professorinha desconhecia.
Hermione só conseguiu assentir com a cabeça e deitar-se junto de Alice na cama.
A morena estava visivelmente abalada, mas ainda assim estava feliz. Tudo finalmente voltara à anormal normalidade.
Continua...
N/A: Um capítulo mais longo para compensar minha longa ausência. Espero que gostem. Na minha opinião foi o melhor capítulo até agora.
Ah,este capítulo é dedicado ao melhor homem do mundo,meu noivo Johannes. s2.
É isso, beijos:
Srta. Almofadinhas.
