Cartas

Capítulo dois

- Pára tudo! Como assim?? – perguntou Sirius, indignado – Mal chegamos e você já está recendo cartinhas de garotas apaixonadas?! Nós nem fizemos apostas esse ano! Assim não vale! Eu não consegui nada ainda!

Entretanto, vendo o estado de inércia em que o amigo se encontrava, Sirius percebeu que não se tratava de uma carta qualquer.

- Prongs? O que houve? – perguntou, agora em um tom de voz sério, sentando-se ao lado do outro na cama.

- Evans. – foi tudo o que James conseguiu dizer, ainda encarando o pergaminho, com a testa franzida.

- Evans? A ruiva chata de quem você só leva fora? Te mandando uma carta?

Então Sirius começou a rir.

- Tá achando que eu vou cair nessa, cara? – perguntou, entre gargalhadas.

- Não, é sério!! Olha!

James colocou o pergaminho na frente de Sirius tão perto que o outro precisou afastar a mão dele para conseguir ler a assinatura.

- Putz!! Pior que é mesmo!!! Como você conseguiu?? Por acaso ela está te amaldiçoando na carta?

James fez uma careta rejeitando o deboche do outro e lhe explicou que estava enviando uma carta a Remus e que aparentemente Evans havia interceptado acidentalmente sua carta e lhe respondido.

- Caramba, cara, que sorte!! O que você vai fazer? Declarar seu amor por ela? Convidá-la pra sair por carta? Agora você vai poder levar fora por escrito também! – disse Sirius, desatando a gargalhar novamente.

James tomou a carta das mãos do outro com raiva.

- Em primeiro lugar, eu não sou apaixonado por ela, só continuo convidando-a para sair porque acho que todas as belas garotas devem ter a chance de sair com um cara maravilhoso como eu. Ela não pode me desprezar sem nem ao menos experimentar! Em segundo, vou fazer algo muito melhor do que isso, eu vou responder e me tornar amigo dela. Logo ela vai perceber que eu sou irresistível e se apaixonar por mim.

- Praticamente um plano de dominação mundial! – debochou Sirius novamente, ainda rindo.

- Você não está percebendo, Sirius? Ela não precisa saber quem eu sou! Assim, sem todo aquele muro de proteção por detestar o estereótipo de "James Potter", ela vai poder me conhecer de verdade! Não sei como não pensei nisso antes!

- Cara, ela respondeu uma carta, nada garante que ela vá continuar a se corresponder com você!

- Quer apostar?

- Claro! Aposto um beijo na garota mais feia do castelo que esse seu plano só vai dar um mais um belo fora!

- Fechado. – disse James, apertando a mão de Sirius.


Na manhã do dia seguinte, Lily acordou com o suave pio de uma coruja em sua cama, cutucando seu travesseiro.

- Bom dia pra você também. – disse meio irônica, sonolenta, sendo obrigada a pegar o pergaminho que a coruja insistentemente lhe oferecia.

Sentou-se em sua cama e abriu a carta para ler.

"Queria Srta. Evans,

Muito obrigado por cuidar de Hermes, minha coruja. Parece que ele gostou muito de você, pois ficou muito feliz quando eu pedi para lhe entregar esta carta.

Agradeço também por me devolver minha carta, que já foi devidamente encaminhada ao meu amigo enfermo através de outra coruja.

Acredito que você tenha interceptado acidentalmente minha carta em seu quarto, estou certo? Por acaso a Srta. também está doente? Desculpe se estou tirando conclusões precipitadas, mas é que, tendo em vista o horário em que eu mandei a carta, suponho que mais ninguém tenha ido tão cedo ao quarto na primeira noite de volta ao castelo. Em caso afirmativo, estimo melhoras e gostaria de saber se há algo que eu possa fazer.

Atenciosamente,

Prongs."

Lily ficou encantada com a gentileza demonstrada pelo rapaz. Imediatamente tratou de responder. Molhou a tinta e a dirigiu ao pergaminho, porém parou no meio do caminho. Deveria se dirigir a ele formalmente, continuando com o "Prezado"? Ele havia respondido de maneira educada, porém não tão formal. Havia chamado-a de "querida", como geralmente se faz em uma carta para amigos e familiares. Bom, ela nem mesmo o conhecia, era melhor manter a formalidade.

"Prezado Sr. Prongs,

Fico feliz que sua carta tenha chegado ao seu amigo, estou certa de que o apoio dos amigos será ótimo na recuperação dele.

Não estou doente, mas obrigada por se preocupar. Vim para o quarto porque"

Lily parou novamente, levando a mão ao queixo, pensativa. Deveria mentir? Inventar uma desculpa qualquer? Afinal, ela não precisava contar seus problemas a um estranho. Mas, por alguma razão desconhecida, parecia mais fácil falar de seus problemas a um estranho do que a suas amigas, que já deviam estar cansadas de vê-la retornar triste de casa. Então retomou a escrita:

"Vim para o quarto porque não compartilhava da animação que meus amigos demonstravam, minhas férias em casa nem sempre são agradáveis, minha família é trouxa e nem todos aceitam minha condição de bruxa. Por acaso você tem irmãos? Se tiver, deve saber como convivência pode gerar muitos conflitos."

Mais uma vez a ruiva parou de escrever e levou a mão ao queixo. Foi trazida de volta à realidade pelo pio insistente da coruja, que lhe beliscava suavemente o braço. Sorriu para a bola de pêlos brancos.

- Belo nome você tem, seu dono deve gostar de ler.

"A propósito, Hermes é um amor, também gostei muito dele. Suponho que o nome não seja mera coincidência com o nome do deus mitológico grego mensageiro.

Atenciosamente,

Lily."

Finalizou a carta e a entregou a impaciente coruja, que logo voou pela janela.

- Droga! Esqueci de perguntar o nome dele! – murmurou Lily.

- Lily? – ouviu a voz sonolenta de uma de suas amigas. – Ta tudo bem?

- Sim, Belle, não foi nada. Vamos levantar para tomar o café da manhã!

- Não. – disse a outra, virando-se para o outro lado na cama – Ainda tá muito cedo.

Annabelle tinha razão, mas Lily não conseguia mais dormir. Estava muito intrigada pensando em quem seria o gentil rapaz misterioso. Pensava que conhecia todos no castelo, mas talvez estivesse enganada. Ou talvez o conhecesse e apenas não sabia de seu estranho apelido.

Enquanto se arrumava a outra acabou também se levantando e as duas desceram para o salão principal. Inconscientemente Lily estava olhando para todos os rapazes e avaliando se eles poderiam ou não ser seu correspondente. Pela preocupação e gentileza, ele parecia ser maduro, o que já cortava um grande número de alunos daquele castelo. Talvez ele fosse mais velho, como Nathan Lafferty da Corvinal ou o Lucas Scott da Lufa-Lufa. Como se percebessem que ela os olhava, os dois rapazes encontraram o olhar dela e ela sorriu envergonhada, antes de se virar e sentar à mesa da Grifinória.

- O que está havendo com você hoje, Lil?? Recebendo cartinhas de manhã cedo, olhando os meninos e ficando corada! Você está apaixonada??

- Não! – Lily respondeu imediatamente – Não é isso!

Então a ruiva explicou a sua amiga sobre a carta e seu remetente misterioso.

- Puxa, isso é tão excitante!! – disse Annabelle – Pode ser qualquer um!!

- Fala baixo!! – pediu Lily, já que algumas pessoas na mesa já começavam a olhar para elas – Não qualquer um. – completou, em tom de desprezo, enquanto os garotos da Grifinória passaram por trás dela.


James sorriu orgulhoso após passar pela ruiva, tendo percebido que ela falava sobre sua carta e sobre ele, sem saber. Sirius fez um "Hum!" contrariado, pois tinha lido a resposta da garota e ela parecia que iria continuar a se corresponder.

- Mas quando ela descobrir quem você é, você está frito!! – disse Sirius, ao se sentarem à mesa.

- Até lá vai ser tarde demais, meu caro! – ele mantinha o sorriso confiante, inclinando-se para trás e apoiando a cabeça nos dedos entrelaçados na nuca – Você vai ver, hoje à noite eu vou mandar outra carta e ela vai responder na mesma hora!


N/A: Obrigada pelo voto de confiança! Consegui terminar logo o cap 2! \o/

Sim, é a mesma Annabelle de sempre, pq eu a adoro tanto que não vale a pena inventar mais uma amiga para Lily. ^_^

Deixem reviews e até mais!

Beijos!