Cartas

Capítulo três

O primeiro dia de aula passou rapidamente, os professores despejaram matéria sem cerimônia e já começaram a passar montanhas de deveres de casa. Remus já pôde retornar ao castelo, de modo que sua ausência foi quase imperceptível. Após as aulas da tarde James tratou logo de fazer uma reunião com o time de quadribol para acertar alguns assuntos técnicos.

Foi apenas depois do jantar que James se recolheu no quarto para escrever mais uma carta. Seria fácil, a garota já tinha lhe dado motivo pra escrever ao lhe fazer uma pergunta.

"Querida Lily," – começou ele, então parou. Não, pensou, muito íntimo. Melhor deixar que ela tomasse a iniciativa de permitir que ele a chamasse pelo primeiro nome, o que ele sabia que não demoraria muito para acontecer. Amassou o pergaminho e recomeçou.

"Querida Srta. Evans,

Quanto a sua pergunta sobre irmãos, a resposta é não e sim. Hahaha, eu posso explicar: Eu não tenho irmãos de sangue, mas meus pais adotaram alguém que tem sérios problemas com a família, então já faz algum tempo que tenho um irmão. De vez em quando nos estranhos, mas somos muito amigos, então não costumamos ter muitos problemas. Ontem ele me deixou furioso debochando de mim, mas logo nos entendemos. Na maior parte do tempo estamos tramando algo juntos. Hahaha. Espero que você se acerte com sua irmã.

Quanto a Hermes, você tem razão, não é coincidência. Minha mãe sempre gostou de mitologia grega, ela diz que os livros trouxas sãos os melhores, porque são mais fantasiosos. Ela diz que o fato de eles não terem magia os deixa mais criativos. Eu acho que ela tem razão.

Bom, não quero tomar muito o seu tempo, temos muito dever de casa pra fazer.

Até logo,

Prongs."

James releu. Pensou se não deveria deixar uma pergunta, para garantir que ela iria responder, mas acho que não seria necessário. Ela responderia de qualquer forma. Sorriu confiante. Enrolou o pergaminho e o prendeu em Hermes, que rapidamente voou feliz. Parecia que a coruja já havia se apaixonada por Lily. James ainda não sabia, mas logo também se apaixonaria.


Foi somente quase duas horas mais tarde que Lily entrou no quarto, vinda da biblioteca, carregando alguns livros e pergaminhos. Sorriu ao ver Hermes em sua cama. Jogou tudo no chão ao lado da cama, sentou-se e pegou a carta. Ao terminar de ler Lily chegou a duas conclusões: 1) Seu correspondente misterioso tem um irmão que também está no castelo; 2) Provavelmente não é da Sonserina, pois não tinha preconceito com trouxas. É claro que não era uma certeza absoluta, pode sim existir sonserinos que não odeiem trouxas, mas ela sabia bem como isso era difícil. Entretanto, o termo "tramando" usado por ele na carta a havia deixado intrigada. Seria ele um sonserino excepcional?

Bom, estava na hora de perguntar isso a ele.

"Querido Prongs,

Sua mãe parece ser uma mulher muito sábia. Realmente a falta de magia faz os trouxas precisarem inventar muitas coisas pra ajudá-los no dia a dia, eles são muito criativos mesmo.

Espero sinceramente que minha irmã me aceite um dia. Nós éramos mais amigas antes de eu descobrir que era bruxa.

Eu gostaria de saber qual o seu nome. Eu o conheço? Esqueci de lhe perguntar isso na carta anterior. É estranho falar com alguém que está tão próximo sem saber exatamente quem é.

A propósito, pode me chamar de 'Lily'. Até porque eu estou lhe chamando por um apelido, não é mesmo?

Até logo,

Lily."

A garota prendeu a carta em Hermes e teve de empurrar a coruja para fora do quarto, pois ela relutava em se afastar dela.


James releu a carta pela terceira vez para um emburrado Sirius.

- Ela respondeu na mesma hora, como eu havia dito. – disse confiante – Acho melhor você ir se preparando pra encarar uma baranga logo logo!

- Será mesmo, James?? Você não está ignorando a parte em que ela pergunta seu nome, está? E aí? O que acha que vai acontecer quando você responder? Teremos ensopadinho de Potter no café da manhã!

- Mas é aí que você se engana, meu caro amigo sem visão! Eu já tenho um plano! Eu não vou dizer quem eu sou. Vou enrolá-la até ela estar totalmente apaixonada pelo maravilhoso cara que lhe escreve e aí o meu nome já não vai mais importar!

- James, seu idiota, mesmo que ela seja ingênua e romântica a ponto de se apaixonar por alguém que lhe escreve cartas anonimamente ela ainda assim vai fazer picadinho de você quando descobrir que é você!!!

James juntou as sobrancelhas, ofendido.

- Você está me subestimando e menosprezando! Se você não quer me ajudar ou apoiar tudo bem, mas então não me atrapalhe! – gritou ele, antes de entrar na cama e fechar as cortinas do dossel.

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O dia seguinte passou muito devagar para Lily, que olhava para o seu relógio a cada meia hora, embora ele lhe mostrasse que haviam se passado apenas cinco minutos.

- Está ansiosa. – constatou Annabelle.

- Não, estou só entediada com a aula. – tentou disfarçar

- Não minta, sua cara de pau! – disse a amiga, fingindo estar ofendida – Ande, conte o motivo da ansiedade.

- Não é nada, Belle, eu só estou curiosa.

- Há! – ela abriu um sorriso malicioso – É por causa do seu correspondente misterioso, não é mesmo??

Lily tentou disfarçar o sorriso tímido, mas sabia que a amiga percebia tudo.

- Eu perguntei o nome dele na última carta.

- Uhhh, será que vamos descobrir hoje quem ele é?? Quais são as suas apostas??

Lily logo trocou a expressão de ansiedade pela de animação, dessa vez sem tentar esconder nada. Aproximou-se da amiga, para poder conversar melhor.

- É alguém que tem um irmão estudando aqui também. Provavelmente não é sonserino. Nem mais novo, portanto deve ser sétimoanista também.

Annabelle pensou por alguns segundos, olhou para os garotos em sala, depois perguntou, apontando para um dos garotos.

- Aquela gracinha de lufo, Scott, tem irmão?

- Não sei, mas também pensei nele. – disse a ruiva, com um sorriso malicioso.

Enquanto isso, James revirava os olhos no fundo da sala, observando as duas cochicharem.

- Ah, não! Não acredito que ela acha que eu sou o lufo! Aquele garoto é muito sério pra ela! Imagina uma conversa deles dois?! Seria entediante! Ela não estaria respondendo às cartas chatas dele!

- Você já pensou que ela pode se convencer de que você é ele a tal ponto de se envolver com ele? – perguntou Sirius, sentado atrás de James, inclinando-se sobre sua mesa.

- O que eu te disse sobre não atrapalhar??

- Eu achei que estivesse ajudando! – Sirius voltou à posição normal em sua cadeira, cruzando os braços – Impedindo que você mesmo se prejudicasse...

- Certo. – disse James, mais amigável – Depois eu dou um jeito de ela descartar essa idéia ridícula.

- Quando você vai escrever a próxima carta? – perguntou Sirius, inclinando-se novamente para poder falar em voz baixa.

James levantou o pergaminho em sua mesa para que o outro pudesse vê-lo.

- O que é isso? – perguntou Remus, sentado ao de James, puxando o pergaminho da mão dele.

Enquanto Remus lia, a aula terminou e todos os alunos se levantaram e foram saindo da sala, exceto pelos três. Quando a sala já estava vazia, James lhe explicou rapidamente.

- James, você precisa aprender a diferença entre convencer uma garota por uma noite e convencer uma garota pra vida inteira. Na segunda opção, você precisa ser sincero. Pense bem em qual dos dois você deseja pra Evans.

Então Remus colocou o pergaminho na mesa de James e saiu da sala. Sirius saiu em seguida. O maroto restante olhou para a carta e a releu.

"Querida Lily,

Sim, minha mãe é demais, vocês se dariam muito bem se se conhecessem.

Não se preocupe com a sua irmã, ela deve estar com inveja.

Se não se importa, gostaria de não me identificar ainda. Escrever cartas vai perder toda a graça se pudermos conversar nos corredores do castelo ou nas aulas! Brincadeiras à parte, a verdade é que, como sou muito tímido, se você souber quem eu sou vou ficar envergonhado de lhe contar certas coisas nas cartas para evitar momentos embaraçosos quando nos encontrarmos pela escola. Não é melhor continuarmos do jeito que estamos?

Tenho certeza de que irá entender.

Até mais,

Prongs."

Remus tinha razão. Aquele cara descrito na carta não era ele. James amassou o pergaminho e o incendiou. Começou a escrever outra carta.


N/A: Pessoal, não vou entrar no mérito de quem é monitor ou não. Também vou ignorar o Peter. Assim a fic flui mais rápido.

Deixem reviews e até mais!

Beijos!