Cartas

Capítulo Sete

"Querido Prongs,

Meu dia também foi um tanto quanto chato em Hosgmeade. Meu acompanhante era meio tedioso e, para falar a verdade, a única coisa divertida que aconteceu foi Remus Lupin ter esbarrado na garçonete fazendo o café ser derramado sobre o Lucas! (risos)

Não! Não estamos namorando, de onde você tirou essa idéia? (risos) Somos só amigos e, graças ao Lupin, eu nem precisei fugir do beijo dele (foi bem quando ele tentava me beijar que o café caiu sobre ele, uma providência de Merlin!).

Ah! A Annabelle finalmente chegou! Vai querer me contar tudo e fazer mil perguntas!

Até mais,

Lily."

De fato, Annabelle passou bastante tempo falando sem cessar, contando como fora maravilhoso seu dia com Sirius pelos lugares desertos e sombrios de Hogsmeade e quis saber todos os mínimos detalhes sobre o dia de Lily.

- Oh, meu Merlin!! – gritou Annabelle.

- O que foi? – perguntou a ruiva, sem entender a reação da amiga.

- Você não percebeu?? É ele!!

- Ele quem, Belle??

- Remus Lupin! O correspondente misterioso!!

Lily franziu a testa, juntando as sobrancelhas, confusa.

- Mas não pode ser, ele nem tem irmãos!

Annabelle colocou as mãos na cintura.

- Ora, Lil, você sabe como esses marotos são, eles se consideram irmãos!

- Mas... – a ruiva tentava argumentar, mas a amiga era mais rápida.

- E ele é gentil e educado, me parece do tipo que escreveria cartas...

- Sim, ele é, mas...

- E estava sozinho na Madame Puddifoot... - continuou, depois piscou para a ruiva de forma insinuativa.

- De fato, estava, mas...

- E ficou com tanto ciúmes ao ver o Lucas tentando te beijar que jogou o café em cima dele!! Ou você acha MESMO que foi coincidência isso acontecer BEM nessa hora??

Boquiaberta, Lily não tinha o que dizer. Porém, lembrou-se de um detalhe que fazia toda a diferença e que ela não havia contado a Annabelle: sobre Prongs ter sido até bem pouco tempo do tipo de garoto como o Black, que sai com inúmeras garotas e as descarta depois.

- Mas... Lupin já saiu com muitas garotas do castelo?

- Acho que sim, mas nunca namorou ninguém... – respondeu Belle, olhando para as próprias unhas – Por quê?

- Uau. – fez Lily, com os olhos arregalados – O Remus... Progns? Ciúmes?! – então a ruiva piscou com força e sacudiu a cabeça – Espera um pouco, você acha que ele gosta de mim?

- Duh! É claro que gosta! – respondeu Annabelle, impaciente – Você é lesada? Que tipo de homem conversa todas as noites com uma garota? – e ela mesma respondeu – O tido que gosta dela!

Lily balançava a cabeça negativamente.

- Não, você não entende, nós somos amigos...

- Então tá bom, Lily, eu vou tomar meu banho quente bem demorado enquanto você lê a resposta dele e pensa bastante. – respondeu, apontando para a coruja voando do lado de fora da janela.

E a resposta parecia colaborar ligeiramente com a teoria de Annabelle.

"Puxa, fico aliviado em saber disso! Quero dizer, acho que você precisa de um cara mais divertido ao seu lado, não um intelectual almofadinha tedioso! (Sem ofensas ao seu amigo).

Há! Parece ter sido engraçado mesmo esse acidente! Pobre garçonete! (risos)

Até mais, minha querida, divirta-se com Annabelle!

Prongs."

Lily realmente ficou pensativa em sua cama enquanto o barulho do chuveiro preenchia o quarto. Hermes estava deitado de maneira aconchegante ao seu lado. Naquele momento, entretanto, ela não estava refletindo sobre quem seria seu correspondente misterioso, mas sim no que Annabelle lhe disseram sobre o tipo de garoto que conversa com uma garota todos os dias.

Realmente, a ruiva não conseguia se lembrar de uma só noite em que eles não tivessem se falado desde que chegaram ao castelo. E, como ela não sabia quem ele era, não tinha como lhe enviar cartas, era sempre ele quem começava a conversa. Só então, com Hermes já no quarto de Lily, é que lhe era possível enviar uma carta para ele. E ele sempre mandava uma carta. Toda noite. Animado, fazendo perguntas, querendo saber mais sobre ela, de como fora o dia dela, querendo conversar...

De fato, isso só faz sentido quando se chega à conclusão de que ele gosta dela.

Mas e aquela garota de quem ele falava às vezes, que ele sempre tentou conquistar? Teria desistido? Quem seria? Ele não falava muito dela.

E ainda havia outro problema: se ele gostasse mesmo dela, o que ela faria? Gostava de conversar com ele, é claro, mas será que sentia algo além de amizade? Na verdade não o conhecia o suficiente para sentir mais do que isso.

- Eu sei no que você está pensando. – disse Belle, fazendo Lily pular com um susto – Você precisa confirmar isso, não é mesmo? Pois eu tenho uma idéia.

A ruiva sorriu de leve, sabia que o foco de Annabelle era descobrir quem ele era e por isso a amiga tinha se enganado sobre os pensamentos dela.

- Marque um encontro com ele. – disse Belle, incisiva – Diga que você quer sair com ele. Ele gosta de você, não vai resistir.

Lily não respondeu nada, apenas continuou pensativa em sua cama. Por mais estanho que lhe pudesse parecer, ela não sentia a necessidade de descobrir de imediato quem ele era. Mais do que isso, ela queria saber sobre ele. E sabia que ele se abriria melhor através das cartas.

Assim que Annabelle dormiu, ela pegou pergaminho, tinta e pena.

"Espero não te acordar, eu sei que já está tarde, mas eu não estou conseguindo dormir.

Eu queria te perguntar uma coisa, já que você entrou no assunto de namoro... É sobre aquela garota que você disse há um tempo atrás que estava tentando conquistar. Como vão seus planos de conquista? Você já conseguiu sair com ela? Ela é da sua casa? É do nosso ano?"

A resposta, como sempre, não demorou.

"Não se preocupe, Lily, eu também não estava conseguindo dormir.

Sobre a garota, não, eu ainda não consegui sair com ela, o que é uma pena. Sim, ela é da minha casa e também do nosso ano. Mas não sei se eu tenho alguma chance com ela."

A ruiva então continuou o questionário.

"Você gosta dela? Vai continuar tentando conquistá-la?"

O que ela não sabia era que esse questionário estava começando a se tornar um problema para James. Além de a descrição poder denunciá-lo, ele se via diante de uma encruzilhada. Se demonstrasse o que sentia pela garota afastaria Lily e para cortejá-la através das cartas precisaria dizer que não havia mais ninguém (O que era verdade! As duas eram a mesma pessoa!), precisaria afastar essa "garota" da mente de Lily. James percebeu que ela não se deixaria seduzir por Progns enquanto não tivesse certeza de que ele não estava tentando conquistar outra garota. Então resolveu recorrer a um artifício típico de quem não quer mentir: desviar o foco.

"Pra falar a verdade, eu estou gostando de uma garota sim. Uma garota que eu conheci acidentalmente e que não sai da minha cabeça. Uma garota tão irresistível que até mesmo os olhos de Hermes brilham ao ouvir o nome dela. É essa garota que eu gostaria de conquistar agora."

A ruiva engoliu em seco ao terminar de ler. Annabelle estava certa. Ele gostava mesmo dela. Seu coração batia acelerado em seu peito. Não imaginara que ficaria tão animada com essa confirmação. Agora precisava saber quem ele era. Resolveu seguir o conselho de sua amiga. Respirou fundo e escreveu.

"Prongs,

Você quer sair comigo?

Lily."


Sirius acordou com a movimentação no quarto e jogou um travesseiro em James. Teria se virado para voltar a dormir se não tivesse estranhado tanto o fato de seu amigo não ter sequer reclamado ou lhe jogado o travesseiro de volta. Então se sentou e olhou para o outro, que parecia hipnotizado, tenso e assustado encarando um pergaminho. Só podia se tratar de uma carta da ruiva. Mas o que poderia ter ali de tão sério para deixar o maroto daquele jeito? Sirius precisava descobrir. Foi até a cama do outro e jogou-se ao lado dele.

- O que foi? - perguntou.

James, ainda com os olhos vidrados na carta, não podendo acreditar no que estava lendo, a entregou para Sirius.

- Cacete!! Você não pode recusar!!!

- Exato! Eu não posso! Esperei por isso durante anos!! E agora ela própria está me convidando!! Depois de todos aqueles foras!!

- Está maluco, cara? Você também não pode aceitar!!

- Eu sei, está muito cedo! Ela me odiaria ao me ver e nunca mais falaria comigo!! Eu preciso de mais tempo pra conquistá-la o suficiente pra que ela possa me perdoar depois!

- Então o que você vai fazer??

James então escreveu a resposta.

"Querida Lily,

Sim, eu quero sair com você. E muito. Mas não agora. Por favor, confie em mim, não vai demorar muito para você saber quem eu sou.

Prongs."


Foi com muita frustração que ela leu a resposta dele. A ruiva ponderou por alguns minutos e tomou uma decisão: queria continuar a ser amiga dele, então confiaria nele e lhe daria mais um tempo. Resolveu, entretanto, estabelecer algumas regras. Não podia continuar a conversar com um fantasma.

"Todo bem. Se você me prometer responder algumas perguntas que eu for fazendo até lá. A começar por esta: você estava no café da madame Puddifoot hoje?"

A resposta foi como esperava.

"Sim, Lily, eu prometo. E sim, eu estava. Eu precisava ir até lá para ver vocês dois."

Pelo menos uma coisa agora estava clara: se ele precisava vê-la com outro cara é porque gostava mesmo dela. E também sabia que ele era alguém que estava no café. Mas não podia perguntar diretamente se ele era Remus Lupin, pois assim estaria quebrando a sua promessa de confiar nele e esperar. Achou melhor encerrar por ali. Já estava ficando tarde e Lily não sabia mais o que dizer. Mas foi uma longa noite encarando o céu estrelado e a lua crescente.

Passou o dia seguinte, domingo, distraída, tentando juntar todas as informações que tinha sobre o seu correspondente misterioso e analisando se elas se encaixavam ou não na descrição de Remus. E a cada combinação perfeita, ficava cada vez mais chocada.

Ela até mesmo foi assistir ao treino de quadribol da grifinória com Annabelle por saber que ele estaria lá dando uma força para os amigos.

- Remus, será que posso falar com você um instante, em particular? – pediu ela, após o treino, nem percebendo a expressão de espanto, revolta e questionamento de Potter.

- Claro! – respondeu ele.

Os dois saíram do campo de quadribol e pararam em um espaço deserto mais adiante. Lily não sabia como perguntar, mexia suas mãos nervosamente enquanto desviava o olhar, pois não conseguia encará-lo. Precisava saber se era ele. E se fosse mesmo ele, não saberia como reagir sabendo que ele gostava dela. E se não fosse ele, faria papel de idiota. De qualquer forma, a situação era muito embaraçosa.

- Eu realmente sinto muito pelo acidente no café ontem, espero que o seu amigo não tenha ficado muito chateado. – começou Remus.

- Não é sobre isso. – disse ela – Quero dizer, tem a ver, mas não como uma reclamação... é que... – ela parecia perdida – eu queria saber, se você me permite perguntar, o que você estava fazendo sozinho no café?

O maroto estranhou a pergunta e demorou alguns segundos para responder. Segundos de aflição para Lily.

- Bem, eu estava esperando uma amiga, mas ela não apareceu. - ele aparentava estar triste.

- Oh. – fez Lily, sentindo-se envergonhada.

- Então eu cansei de esperar, fiquei meio nervoso e acabei esbarrando na garçonete ao sair. Eu sinto muito. Mas por que você está me perguntando tudo isso?

A ruiva espremia os dedos das mãos, sem saber o que dizer. Sabia que era uma péssima mentirosa. Resolveu não dizer nada.

- Não é nada, me desculpe. – e foi embora.

Remus observou a menina se afastar.

- Droga. – disse, falando sozinho – Preciso falar com James.

Lily, que estava tão rubra quanto seus cabelos, passou de volta pelo campo encarando o chão e foi direto para seu quarto, sendo seguida por Annabelle. A morena fechou a porta e ela lhe contou tudo.

- Lily, sua anta, como pode ser tão inocente?! - perguntou, com as mãos na cintura - Por acaso ele disse o nome da garota?

- Não. - respondeu quase que em um sussurro.

- Ele está mentindo! Ele não quer que você saiba! E tem mais, ele se esconde por causa do amigo dele, o Potter, que a escola inteira sabe que é louquinho por você. Já imaginou a situação dele?

Por mais louca que parecesse, a teoria de Annabelle fazia sentido.

Para piorar a situação de Lily, algo inesperado aconteceria no dia seguinte, deixando-a ainda mais confusa.


- Ela não pode achar que é você!! – gritou James, no quarto.

- Mas pensa bem, depois do que fizemos ontem no café, faz todo o sentido! – argumentou Remus.

- Cara, você se meteu em uma baita confusão! – disse Sirius, rindo em sua cama.

- Mas isso não pode acontecer! Ela não pode achar que é alguém específico! – James andava de um lado para o outro, passando a mão por seus cabelos.

- Já pensou se ela se apaixona agora pelo Remus?? – Sirius continuava a rir.

- Não, eu preciso tirar essa idéia da cabeça dela.

- Como? Se você não sou eu, você não sabe que ela acha isso porque não sabe que ela foi falar comigo, então como pode dizer a ela que não sou eu??

- Eu não sei, eu vou dar um jeito nisso essa semana. E você, se mantenha longe dela. – disse para Remus – Não me entenda mal, mas eu não posso deixar que ela se apegue a sua imagem...

- Claro, porque depois seria impossível pra ela se contentar com James Potter ! – Sirius agora gargalhava.

James e Remus o fuzilaram com o olhar.

- Até lá, eu vou atacar como James mesmo. – disse, decidido.


E foi o que ele fez no dia seguinte. Disse aos outros que fossem entrando na sala de Poções e deu a volta no corredor para que, coincidentemente, andasse ao lado da ruiva no caminho até a sala. Ele sorriu para ela, fechou a entrada da porta com a mão, prendendo-a de frente para ele.

- Olá, Evans.

- A resposta é não. – disse ela, já revirando os olhos.

- Eu não perguntei nada. – ele riu.

- Mas vai perguntar.

- Não vou. – ele ainda ria.

- Não? – surpresa e descrença na voz dela.

- Não. Eu vou te pedir algo.

- Pedir pra sair comigo é uma pergunta, Potter. – disse impaciente.

- Evans, você é péssima na arte da adivinhação. – ele ainda ria.

- Certo, então ande logo, peça e acabe logo com isso.

- Eu queria te pedir uma chance. – ele sorriu gentilmente.

- Uma chance? – surpresa e desconfiança agora na voz dela.

- Sim, uma chance pra te mostrar quem eu realmente sou. Por trás dessa imagem maravilhosa que você vê – ele deu seu sorriso galanteador – existe um cara que você não conhece e nunca me deixou te apresentar.

Ela riu.

- Parabéns, essa nova, Potter. Mas a resposta continua sendo não. Eu não vou cair na sua lábia, não existe nada além de mentiras sedutoras por trás desse seu sorriso conquistador barato. Agora me deixe entrar na sala.

- Certo, mas pense com carinho. – disse ele, sem perder o sorriso, abrindo passagem para ela.

Durante a aula os três marotos dividiram um calderão na frente da sala e James contava, em voz baixa, sobre a conversa com a ruiva, enquanto o professor andava pela sala examinando as poções.

Mas enquanto não estava falando sobre ela, James estava pensativo. Tanto que, se não fosse por Remus impedi-lo de jogar o ingrediente errado, o calderão teria explodido.

- No que está pensando, Prongs? – perguntou Remus.

- Estava pensando se seria muito errado fazê-la falar de mim na próxima carta... Ainda mais se ela pensa que eu sou você...

- Certamente isso só iria aumentar a raiva dela ao descobrir que você é você. Ela se sentiria muito mal sabendo que falou de você pra você sem saber! Imagine, é pior do que ouvir escondido!

Sirius, entretanto, discordou.

- Eu acho que ele está muito certo em fazê-la falar dele, afinal essa é a única maneira de ele saber a opinião dela de forma imparcial, sem todas aquelas pedras na mão que ela carrega toda vez que vê a gente!

- Exatamente! E eu posso tentar influenciar a opinião dela! Se o amigo anônimo, independente de quem ele seja, a convencer de dar uma chance a mim, que mal pode haver nisso? Se ela confia no amigo anônimo é porque confia em mim, só não sabe disso!!

Remus levantou as sobrancelhas e deu de ombros.

- Você pode ter razão. Mas ainda assim ela vai ficar furiosa.

- Isso ela já é comigo! Sempre! Por natureza! O que eu tenho a perder?

- Nada. – responderam os outros dois juntos.

Então, com um sorriso confiante, James soltou o ingrediente que tinha na mão dentro da poção.

E BUM!

Houve uma grande explosão e líquido verde voou para todos os lados, inclusive sobre o professor, que passava pela mesa deles na hora. A maioria dos alunos riu. Todos pensaram que James havia feito aquilo de propósito, como costumava fazer pra transformar uma aula chata em um piada.

- Potter!!! – gritou o professor, furioso – Achou isso engraçado?!

- Mas senhor, foi um acidente!! – ele tentou se defender, contudo o professor não ouviu.

- Eu estou cansado das suas brincadeirinhas!!

- Mas professor, não foi uma brincadeira!! Foi um acidente!

- Vamos ver se você vai achar a detenção engraçada!! Conversaremos após a aula! – disse, incisivo.

O professor usou um feitiço para se limpar. Remus e Sirius fizeram o mesmo sobre si e James ia fazendo também quando foi impedido pelo professor, permanecendo todo sujo de verde até o fim da aula.

Quando a aula terminou, James só rezava para que a detenção não atrapalhasse o quadribol.

- Gosta de descansar aos domingos, Sr. Potter?

- Sim, professor. – respondeu desanimado.

- Pois não descansará por um mês! Nós próximos domingos quero o Sr. arrumando a biblioteca, obviamente sem o auxílio de magia. Sabe como se faz isso?

- Sim, senhor. – respondeu, mas o outro continuou.

- Andando, carregando pilhas de livros pesados, subindo e descendo escadas. Quem sabe assim você não cria uma afeição aos livros, não é mesmo? – perguntou, em tom sarcástico.

- Quem disse que eu não gosto de livros? – James deixou a pergunta escapar.

- O que foi, senhor Potter?? – o tom ríspido do professor demonstrava que ele não havia gostado nada da pergunta ou do tom dela.

- Nada, senhor. Estarei na biblioteca domingo.

- Sim, estará. Ela abre às nove horas, caso o Sr. não saiba. Até mais, Sr. Potter.

Ao fim do dia, James estava desanimado com o rumo das coisas.

1) Sua garota acreditava que se correspondia com Remus. 2) Estava em detenção pelos próximos quatro domingos. 3) Treinos ao longo da semana e jogo tenso de quadribol contra a sonserina no sábado. 4) Evans havia lhe rejeitado menos com sua nova abordagem. Sua balança de coisas boas e ruins havia despencado para o lado negativo.

Enviou uma carta para Lily na esperança de uma boa notícia. A resposta dela levou sua balança a mudar de lado radicalmente, como não houvesse mais nada na bandeja do lado negativo, havendo uma pesadíssima barra de ouro na do lado positivo.

"Prongs,

Me lembrei hoje do que você disse sobre as pessoas esperarem sempre o pior de você, durante um incidente na aula de Poções. Um garoto explodiu seu caldeirão e a turma inteira, assim como o professor, acharam logo que ele o fizera de propósito, como uma brincadeira, uma piada. Ele realmente merece a fama que tem, são anos fazendo essas piadas de mau gosto pelo castelo, essas brincadeirinhas vexatórias durante as aulas. Mas o fato é que, dessa vez, eu acho que foi apenas um acidente e ele foi injustamente punido. Eu acho isso porque reparei que ele estava meio aéreo na aula, muito pensativo, parecia não estar prestando atenção no que estava fazendo, sabe?

Deixe-me explicar, eu não fico prestando atenção no Potter durante as aulas como uma garotinha apaixonada, não me entenda mal, eu nem gosto dele! Muito pelo contrário, minhas brigas com ele pelo castelo são lendárias, você deve saber disso. Mas acontece que hoje ele falou comigo de uma maneira tão estranha que me fez prestar atenção nele depois disso. Sabe, ao invés de me convidar pra sair como ele sempre faz, ele me pediu uma chance. Uma chance pra me mostrar quem ele realmente é. Eu achei isso tão estranho, tão poético e profundo pra ele. Deduzi logo que era mais uma artimanha de sedutor barato, cujas mentidas conquistam as meninas ingênuas ao dizer justamente o que elas querem ouvir.

Então, pensando nisso, com raiva por ele estar tentando dizer o que supostamente eu quero ouvir, eu acabei prestando atenção nele e vi como tudo aconteceu, como ele realmente estava diferente e como realmente foi um acidente.

O que você acha disso?

Lily."

James mal pôde acreditar no que lia. Engoliu em seco. Ela estava mudando sua visão sobre ele. Ele ainda tinha uma chance.