- Bella POV:

Acordei com minha cabeça latejando de dor. Liguei meu celular e logo uma música infernal tocava dentro da minha cabeça.

Fiz questão de olhar o visor: Casa Forks.

- Oi mãe! – atendi.

- Bella minha filha onde você está? Estão todos te procurando! Alice, Edward e até Esme já ligou pra cá atrás de você. O que houve querida?

- Nada mãe. Só não quero ver ninguém, só isso. – respondi.

- Querida, Esme me contou o que aconteceu. Edward está... – a cortei.

- Mãe, tenho que ir depois eu te ligo. – desliguei sem dar a chance dela se despedir.

Olhei o relógio na cabeceira, 9 da manhã.

Liguei pra recepção.

- Por favor, eu preciso de dois analgésicos e uma caixa grande de presente, você arruma pra mim? – perguntei.

- Claro senhorita! – ela respondeu – Os analgésicos logo serão entregues, a caixa irá assim que providenciarmos.

- Obrigada! – desliguei e deitei de novo.

Lembrei que eu tinha que ir pra Milão à tarde e não tinha nada arrumado. Não queria ir ao meu apartamento, mas também não podia desistir de Milão por isso.

Tive uma ideia. Peguei meu celular e procurei seu nome na agenda, discando em seguida.

- Alô? – ela atendeu e graças a Deus não parecia que eu tinha a acordado.

- Anne...é a Bella! – me anunciei.

- Oh...oi Bella...está tudo bem? – ela quis saber.

Provavelmente ela estava estranhando porque nosso relacionamento sempre foi profissional, acho que nunca nos falamos fora do trabalho.

- Vai ficar! Você irá pra Milão? – perguntei.

- Vou, por quê? – ótimo seria bom a companhia dela na Itália.

- Suas malas estão prontas? É que eu precisava de um favor seu! – disse sem graça.

Pra ela fazer o que eu estava pensando precisaria de tempo.

- Está tudo pronto...mas me diga, o que é? – ela perguntou desconfiada.

- Preciso que você vá ao meu apartamento. Briguei com as meninas e não queria ir lá. – menti – Vou te falar o que pegar e você coloca na mala pra mim. Preciso de umas roupas pra vestir agora também. Tem como fazer isso por mim?

- Tem, tem sim! – ela disse – Onde você está?

Um anjo na minha vida.

- Estou no Plaza. Na suíte 1002. Não pergunte por mim na recepção, eles diram que não estou aqui.

- Ok, estou indo prai! – nos despedimos e desliguei.

Ouvi batidas na porta. Era um rapaz novinho com meus comprimidos numa bandeja em uma das mãos e em baixo do outro braço a caixa.

Tomei logo os dois comprimidos e devolvi o copo a bandeja.

- Entre! – pedi a ele.

Ele hesitou por um momento, mas entrou.

- Preciso que faça um favor pra mim. – falei.

- Tudo bem, o que é? – ele disse.

- Preciso que essa caixa seja entregue em um endereço. Pode cuidar disso pra mim? – perguntei.

- Sim senhora.

Fui até a cadeira e peguei todos os presente que Edward havia me dado na noite anterior.

Primeiro o vestido, as sandálias e por último os brincos. A calcinha eu joguei fora já que estava usada.

Olhei pra minha mão direita e vi mais uma de suas mentiras, o anel de compromisso. O tirei do meu dedo e coloquei por cima de tudo.

Fui até a mesinha que ficava o telefone, peguei uma folha de papel, uma caneta e escrevi.

"Estou devolvendo tudo que você me deu, faça bom proveito.

Espero não te ver mais, meu coração não agüentaria.

Adeus. IS"

Fechei a caixa e entreguei ao menino. Passando também uma folha com o endereço de Edward.

- Por favor, não diga onde estou. Com certeza ele irá te perguntar onde trabalha também, não diga, entendeu? – perguntei.

- Sim senhora! – ele assentiu.

- Ok, pode ir. Entregue nas mãos dele e depois venha me avisa. – peguei uma nota de 50 dólares e coloquei no seu bolso.

Ele saiu e depois de minutos bateram na minha porta. Era Anne.

Mandei que entrasse e me sentei na cadeira pra ter apoio na mesa. Escrevi tudo que ela precisava pegar pra mim. De produtos de higiene a meias e calcinhas.

Entreguei a ela junto com a chave do apartamento.

E pedi que ela não dissesse a Alice ou Kate onde eu estava.

Liguei pro serviço de quarto e pedi café-da-manhã completo pra uma pessoa.

Ah! Esqueci de mencionar que meu celular tocava insistentemente. Ora Edward, ora as meninas. Até que chegou uma hora que eu coloquei no silencioso.

Depois de quase 3 horas Anne voltou.

Ela carregava 3 malas e minha mala de mão – que usava pras coisas de higiene pessoal, todas Louis Vuitton.

- Estou te devendo minha vida Anne! – brinquei com ela enquanto a ajudava a colocar as malas dentro so quarto.

- Que isso Bella! – ela disse envergonhada.

- Como foi lá? – perguntei mordendo os lábios.

- Seu namorado estava lá! – ela disse – Me encheram de perguntas...onde ela está? Ela está bem?...ele praticamente implorou que eu dissesse.

- Ele não é meu namorado Anne. – falei triste.

- Bom, ele falou que era. Ficou em cima de mim enquanto eu fazia as malas e me perguntava de 2 em minutos pra onde você ia viajar.

- Você não falou, falou? – perguntei aflita.

- Não, mas foi muito difícil ficar calada. – ela riu.

- Vamos almoçar? – a convidei. Era o mínimo que podia fazer pra retribuir o favor. – Gosta de japonesa?

Já tinha visto no cardápio que eles tinham todos os tipos de comida japonesa.

- Gosto, mas preciso ir e me arrumar. Se chegar atrasada Tânia me deixa pra trás. – nós rimos.

- Por favor, como forma de agradecimento. – sorri juntado minhas palmas na frente do peito.

- Ok!

Pedi e minutos depois já estavam entregando no meu quarto.

Comemos animadas, conversando sobre bobeira.

Era bom ter uma companhia, assim não ficava pensando muito na noite anterior.

Mas infelizmente chegou a hora dela ir.

Já eram 1 da tarde. Fui tomar um banho, não queria me atrasar.

Coloquei uma roupa pro frio europeu, pedi que viessem pegar minhas malas e chamasse um táxi pra mim.

Recebi uma mensagem:

"Porque esta fazendo isso Bee? Me deixa ao menos explicar. Eu to um lixo. Preciso de você comigo Bella. Me diz onde você esta indo, por favor? Eu te amo tanto..."

A apaguei depois de ler.

Coloquei minhas luvas na bolsa, peguei meus óculos escuros e desci pra fazer o check-out.

- Boa tarde, fecha o 1002 pra mim por favor. – pedi a recepcionista.

- Qual o nome? – ela me perguntou.

- Marie Brandon. – Sorri pra ela.

Usei meu segundo nome e o sobrenome de Alice pra me hospedar. Conheço Edward ele iria me procurar em todos os hotéis de NY.

- Está feito Srta. Brandon. Obrigada e volte sempre. Seu táxi a aguarda na frente da portaria.

Fui até ele e ele me levou ao JFK.

Quando cheguei lá reconheci algumas pessoas que trabalhavam comigo e Anne estava entre elas.

Conversamos animados sobre nossas expectativas até a hora do embarque. O vôo sairia às 5 da tarde.

O vôo durou longas 8 horas. Muitas dessas 8 horas eu dormi.

Chegamos em Milão uma hora da manhã de NY e 7 da manhã aqui na Itália.

Por mais que eu tenha dormido estava exausta. Assim que eu cheguei na minha suíte, desliguei o telefone e dormi.

Graças a Deus não trabalharíamos nessa segunda.

- x –

- Edward POV:

Quando acordei meu corpo todo doía. Acho que porque dormi no chão todo torto e bêbado...vai ver foi por isso.

A primeira coisa que eu fiz foi ligar pra Renee. Tinha esperança que ela tivesse ido pra lá, já que não achei ela em NY.

Mas ela não estava.

Liguei pra minha mãe. Eu precisava desabafar.

- Oi querido! – ela atendeu.

- Oi mãe! – falei desanimado.

- Uhmmm...pela sua voz eu nem vou perguntar se está tudo bem, porque eu sei que não está. – ela disse. – O que houve meu filho?

- Bella me deixou mãe! – falei quase chorando.

- Porque? – sua voz tinha incredulidade. – Vocês se amam tanto Edward, o que aconteceu?

- Eu ainda a amo, mãe...demais...não sei mais o que fazer, ela sumiu...ninguém sabe onde ela está, nem mesmo Renee...eu tô desesperado mãe. – desabafei.

- Edward, se acalme e me conte o que ouve. – ela pediu calmamente.

- Meu pai...ele fez uma aposta entre eu e Rose. Eu tinha que fazer uma mulher se apaixonar em 1 mês por mim e Rose escolheu justo Bella. Mãe, eu juro que no inicio eu só queria a conta e o dinheiro, mas depois percebi que eu a amava e desisti da aposta. Pedi, me humilhei pra meu pai me liberar da aposta e ele não deixou, ameacei me demitir, mas ele nem ligou. E então ele fingiu que tinha me liberado, eu achei que estava tudo bem, mas ontem teve uma festa e Rosalie contou pra Bella da aposta, da pior maneira possível, por pura vingança. Ela disse que se eu tivesse a conta não teria Bella. Mãe, ela me odeia... – eu já estava chorando como uma criança.

- Meu filho, eu sinto muito, me dói saber da crueldade do seu pai e da sua irmã...- sua voz morreu.

- Desculpe te contar isso mãe, mas só posso conversar com você! – falei.

- Edward, estou preocupada com você. Nunca te vi assim meu filho! – ela disse com tom de voz preocupado.

- Mãe eu a amo tanto que chega machucar meu peito...e...e...ela me odeia, nem quis me ouvir...se ela deixasse eu explicar... – pausei – Eu tive medo mãe. Não contei pra ela antes justamente por medo de perdê-la e agora eu nunca mais a terei de volta.

- Ela não te odeia Edward, ela só está ferida. Dê um tempo a ela, sabe...pra cabeça esfriar e a raiva passar, quando ela estiver mais calma ela vai te ouvir, eu tenho certeza. Mas você tem que ser sincero com ela, contar tudo o que você acabou de me contar...ai eu tenho certeza que tudo ficará bem. – ela me disse calmamente e uma paz me invadiu.

- Obrigado mãe! Eu...vou...agora eu vou ao apartamento dela ver se ela voltou, mesmo que ela não me ouça...só preciso saber se ela está bem.

- De nada meu filho! Fique com Deus. – nos despedimos e eu desliguei.

Desci, tomei um café da minha máquina e subi pra tomar um banho.

Eu iria ao apartamento das meninas, na esperança que Bella tivesse voltado ou ao menos dado notícias.

Coloquei a primeira roupa que eu achei no closet, peguei a chave do meu carro e fui até lá.

Alice me atendeu.

- Oi Alice! – forcei um sorriso.

- Oi Edward. – ela também forçou um – Entre, Jazz esta na cozinha tomando café.

Eu entrei.

- Não vim atrás de Jasper Alice...Bella está ai? – perguntei com cautela.

- Não! – ela falou tristemente – Ela não voltou, não ligou e não atende o celular.

- Eu sei! Também estou tentando falar com ela.

Fomos até a cozinha.

- Bom dia! – cumprimentei Kate e Jasper que estavam sentados no balcão.

- Bom dia Edward! – Kate me respondeu.

- E ai irmão? Tudo bem? – Jasper quis saber.

- Uma merda Jazz, uma merda! – respondi e todos ficaram em silêncio.

- Senta Edward, toma café com a gente! – Kate me apontou um banco e eu sentei em silêncio.

Tomei um copo de leite puro e algumas bolachas. Estava sem fome nenhuma, só comi por educação.

A campainha tocou.

- Será que é Emmett? – Kate perguntou animada.

Alice já tinha saído da cozinha pra atender a porta. Poucos minutos ela entrou com uma mulher – que eu nunca tinha visto – na cozinha.

- Meninos, essa é a Anne! – ela falou pra mim e pro Jasper.

Kate tinha uma cara de confusão.

- Pode me levar ao quarto dela Alice, estou com um pouco de pressa! – a tal Anne perguntou a Alice.

- Claro, vou te levar ao quarto de Bella! – ela olhou pra mim quando falou Bella.

Me levantei num pulo.

- Hey! Anne não é? – perguntei a ela enquanto ela virava pra sair da cozinha.

- Isso! – ela deu um sorriso voltando a me olhar.

- Eu sou Edward, namorado da Bella. – menti. Com certeza nesse momento ela não me consideraria mais seu namorado.

- Oh...oi...eu preciso pegar umas coisas dela. – ela disse sem graça apontando com o dedão por cima do ombro.

- Coisas? Que coisas? – perguntei – Onde ela está? Ela está com você? – perguntei desesperado. Via a esperança em forma de mulher na minha frente.

- Não e sim...- ela sorriu – Ela pediu que eu não dissesse nada. – ela fez uma careta.

- Por favor, só preciso saber onde ela está...por favor...ela está bem? – quis saber.

- Ela diz que sim, mas ela está bem triste. – ela respondeu.

Se eu pudesse me matava...eu estava fazendo ela sofrer.

- Venha, vou te levar até o quarto! – Alice a puxou pelo braço.

Eu fui atrás.

Quando chegamos no quarto ela tirou uma folha de papel da bolsa e foi até o closet de Bella com Alice.

Voltaram com 3 malas enormes.

- Ela vai viajar? – perguntei.

- Sim, hoje a tarde. – ela respondeu.

Me levantei e segurei seu braço quando ela passou perto de mim.

- Pra onde? – perguntei desesperado – Pra onde ela vai? Por favor, Anne me ajude! – pedi. Já não sabia mais o que fazer pra conseguir vê-la de novo.

- Sinto muito Edward! Ela deixou bem claro, praticamente me fez jurar, que eu não contaria nada. – meu rosto caiu – Eu...sinto muito!

Ela olhava na folha, entrava no closet, voltava e colocava alguma coisa dentro da mala. Perdi a conta de quantas vezes ela fez isso.

Passei os olhos na folha, era a letra de Bella.

Não me restava nada a não ser ficar ai vendo as malas dela serem arrumadas pra ela fugir de mim.

- Tchau Edward e ...me desculpe! – ouvi Anne falar, mas não me concentrei. Não tinha força nem pra responder.

Depois de alguns minutos sentado na cama dela, sentindo seu cheiro no seu quarto eu acordei do meu transe e tive uma ideia.

Como não pensei nisso antes! – pensei.

Ia seguir Anne e ela me levaria até Bella.

Sai correndo, passei pela sala como uma bala, pude sentir 3 pares de olhos nas minhas costas.

Pela primeira vez na minha vida eu desejei que nenhum táxi existisse na cidade de NY.

Mas quando cheguei na calçada ela já tinha ido embora.

Me sentei derrotado na calçada e escondi meu rosto nas mãos.

- Venha, vou te levar pra casa! – ouvi a voz de Jasper e em seguida sua mão no meu ombro.

- Eu não quero ir pra casa Jazz, eu quero ela. – disse olhando pra ele.

Ele estendeu sua mão e me ajudou a me erguer da calçada.

Entramos no seu carro e fomos pra minha cobertura. Pedi pra que Jasper fosse embora, eu queria ficar sozinho.

Liguei inúmeras vezes pro celular dela, em vão.

Mandei uma mensagem:

"Porque esta fazendo isso Bee? Me deixa ao menos explicar. Eu to um lixo. Preciso de você comigo Bella. Me diz onde você esta indo, por favor? Eu te amo tanto..."

Fiquei alguns minutos olhando o visor na inútil esperança de uma resposta.

Minha campainha tocou. Por um momento pensei em não responder, mas insistiram então eu achei melhor atender.

- Sr. Edward Cullen? – um garoto de uniforme perguntou.

- Eu mesmo! – ele tinha uma caixa grande e branca nas mãos.

- Encomenda pro senhor! – ele me estendeu a caixa e eu peguei.

- Quem mandou? – perguntei.

- Não sei, ela não me disse seu nome, só disse que teria que entregar nas suas mãos. – ele deu de ombros.

Ele parecia ser mensageiro de algum hotel. Impossível! Eu fui em quase todos ontem atrás dela.

- Onde você trabalha garoto? – perguntei esperançoso.

- Desculpe senhor, não estou autorizado a dizer. – ele se virou e foi embora.

Suspirei pesadamente. Talvez minha última chance de saber onde ela estava antes de viajar se foi.

Me sentei no sofá e fiquei olhando a caixa.

Puxei o ar e a abri.

Meu coração foi partido.

A primeira coisa que eu vi foi o anel que eu dei a ela.

Meus olhos encheram de lágrimas.

Peguei o anel nas mãos e fiquei alguns minutos o olhando.

Era isso, o fim? Ela nem ao menos me daria a chance de explicar? Porque era tão teimosa e orgulhosa?

Me escuta Bella! – gritei mentalmente.

Olhei de novo a caixa e tudo que eu dei a ela no dia anterior estava ali.

O vestido, as sandálias, os brincos...e um bilhete.

"Estou devolvendo tudo que você me deu, faça bom proveito.

Espero não te ver mais, meu coração não agüentaria.

Adeus. IS"

Amassei o papel e o joguei longe, junto com a caixa.

Eu estava me sentindo o pior ser humano da face da terra. Se eu não fosse um filho da puta de um frouxo eu teria contado a ela...e agora estaria nos amando nesse sofá.

Fechei meus olhos e senti seu cheiro, a textura dos seus cabelos fazendo cócegas no meu peito, seus dedos desenhando na minha barriga...seus lábios.

Segurei o anel fortemente no centro da minha mão e deitei no sofá.

Não sei como, mas entre lágrimas e pensamentos eu dormi.

- x –