Passava um pouco das dez da manhã, quando Bella parou sua velha caminhonete em uma clareira que ficava em um desvio na trilha que levava a casa dos Cullen. Edward não demorou a aparecer, indo cumprimentar a noiva com um abraço e um beijo carinhoso, cheio de saudade.

-Nunca pensei que sentiria tanto a sua falta, sabendo que você estava bem e tão perto. –Desabafa apoiando o rosto no peito frio e rijo do vampiro.

-Eu também já não agüento mais ficar de babá. Quer dizer, Hermione é uma companhia muito agradável quando consciente, mas ao ser dominada pela besta fica completamente insana, nem Jasper em seus maiores ataques já nos deu tanto trabalho.

-Mas tirando esses momentos vocês estão se dando bem, não é? Ela passa a maior parte do tempo normal, certo?–Pergunta olhando-o bem, tentando ver se não tentaria camuflar algo para tranqüilizá-la.

-Sim, acredito que durante cerca de setenta por cento do dia ela fica bem, o problema maior é que a transformação de humor é repentina e costuma nos pegar de surpresa. Mas Emmett adora ir às caçadas com ela, por causa do jeito agressivo e violento, sempre atacando a presa mais forte do bando. Jasper tem se sentido mais forte ao ver o descontrole de Hermione, acho que está fazendo bem ao ego dele. O resto de nós prefere quando ela está consciente, Hermione é muito inteligente e sempre que conversamos não nos faz sentir muito mais velhos e experientes, também tem o poder de nos fazer navegar por diversos assuntos sem que percebamos, fazendo conversas agradáveis durarem longas e prazerosas horas. –Edward parecia bastante sincero, no entanto isto não era exatamente um alívio para si, visto que o sorriso que se formou em seus perfeitos lábios lhe provocava uma pontinha de dor no peito.

-Harry sente muito a falta dela, andei observando-o de longe e volta e meia vejo-o resmungar o quanto gostaria que ela tivesse com ele. Talvez esteja se dando conta do quanto gosta dela. –Apesar de não querer fazer uma cena, não conseguiu evitar o comentário em um tom fingidamente casual.

-Ela também sente muito a falta dele. Não sei se por fraqueza ou por cortesia, Hermione tem deixado sua mente aberta para mim. –Edward a aconchega melhor em seus braços e começa a afagar-lhe os cabelos. Talvez ele houvesse percebido o ciúme e estivesse tentando tranqüilizá-la, o que estava dando certo.

-Ela pensa muito nele? Não que isso seja da minha conta, mas é que essa relação dos dois me intriga. –Desde que os conhecera melhor no bar, tivera a impressão de que havia lago mais que amizade e nos últimos dias a impressão ficara ainda mais forte.

-Eu te entendo. Nunca vi tanto poder de negação antes, é como aquele ditado que diz: "O pior cego é aquele que não quer enxergar." –Bella ia dizer algo, mas Edward pára e a afasta, deixando-a protegida atrás de si. –Hermione está se aproximando muito rápido, posso ouvir seus pensamentos então creio que seja seguro, mas ao menor sinal de alteração da parte dela, entre na caminhonete e saía o mais rápido possível. –Edward instrui cauteloso e Bella confirma rapidamente, já encaixando a chave na ignição.

Instantes depois, as árvores a frente se moveram e Hermione caiu após dar um grande salto. Ela pareceu farejar o ar e olhar ao redor como se procurasse por Harry, depois deu alguns passos para trás, parecendo desapontada.

-Me desculpe se atrapalhei, mas senti um cheiro familiar, achei que fosse Harry. –Hermione se desculpa, os braços estavam juntos, como se ao se abraçar, ela pudesse se conter melhor.

-É que eu o ajudei a ir pra cama antes de vir, ele havia dormido no sofá. Mas ele está bem, só me parece um tanto teimoso. –Bella diz calmamente, tentando tranqüilizar Hermione, que parecia preocupada.

-Harry é muito teimoso mesmo, é difícil fazê-lo mudar de opinião sobre algo. Carlisle me disse que conversaram e que eu iria vê-lo amanhã. Ele quer mesmo me ver? –Bella quase sentiu pena de Hermione, ela parecia estar com medo de perdê-lo.

-Ele está louco pra te ver, não pára de falar em você e acho que se pudesse faria alguma mágica pro tempo andar mais rápido. –Bella fica aliviada ao ver Hermione sorrir timidamente.

-Diga a ele que eu estou bem, que ele não deve se preocupar comigo. Lembre-o de que viemos aqui para montar o quebra-cabeça que Dumbledore nos deixou. –Hermione fala parecendo se esforçar, a voz já ficando mais rouca e grave, os olhos estavam quase negros. Bella sentiu que Edward estava pronto para atacar, mas não fora necessário, a bruxa logo partiu velozmente para o interior da floresta, na direção da área de caça.

Logo depois Edward pega o celular e disca um número da memória, depois começa a murmurar velozmente, a ponto de Bella ouvir apenas algumas oscilações de ar como uma respiração irregular e forte. Um minuto depois ele desliga o celular e se volta para ela, que sabia que aquele tempo fora o suficiente para uma longa conversa.

-Falei com Alice, ela disse que viu Hermione conversar conosco e enviou Emmett e Jasper, e já tinha dito a eles onde ela iria caçar. –Novamente Edward envolveu sua cintura com seus braços fortes, beijando-a brevemente nos lábios e depois deixando-a perto de si.

-Ela parecia bastante preocupada com Harry. Não entendo como ela pode pensar tanto nele, estando em uma situação tão difícil e inesperada. –Murmura pensativa, vira que Hermione quando chegara estava com os olhos vermelhos como se houvesse acabado de se alimentar, no entanto instantes depois seus olhos já estavam de um negro intenso, que a fez sentir como se a qualquer momento ela fosse pular em cima de si.

-Me surpreende que logo você faça essa pergunta, quando você mesma age desta forma! –Sente seu rosto corar e lembra-se do que fizera quando esteve ameaçada por James, Riley e Victoria, ou ainda pelos Volturi.

-Eu te amo, a idéia de te perder é inconcebível, o mesmo com minha mãe e, além disto, não sou do tipo que agüenta ficar parada vendo outra pessoa precisando de ajuda. –Tenta se justificar, mesmo sabendo que ele não aprovava nenhuma de suas ações seja quais fossem seus motivos.

-Bom, acho que Hermione também o ama, pelo menos é o único motivo que me parece bom o suficiente para justificar a guerra interna que eu ouvi em sua mente agora pouco, não imaginava que alguém que acabara de se transformar pudesse ter tal autocontrole. –Bella podia ver que ele realmente estava intrigado e surpreso, então se lembrou da conversa longa que tivera com Alice.

-E o que Alice disse a respeito disto? –A pergunta parece surpreendê-lo, mas ele apenas responde.

-Que o futuro dela é completamente nublado e que também não consegue ver nada sobre Harry, ao que tudo indica os dois estão avaliando muitas coisas ao mesmo tempo e mudando muito rapidamente de planos. Porém, ela vê no futuro de Carlisle que ele visitará a Inglaterra em breve. –Por mais que já esperasse pelo apoio dos Cullen a Harry, não pôde evitar a surpresa.

-Só não quero que se esqueça dos nossos planos. –Edward fecha o semblante demonstrando que entendera exatamente o que ela quis dizer.

-Não se preocupe, o casamento será na data marcada, Alice já está terminando os preparativos. Porém, acredito que teremos que mudar o nosso roteiro da lua-de-mel. Você se importa?

-Claro que não! Adoraria conhecer a Inglaterra, principalmente a parte bruxa. –A única vez que saíra do país não fora bem a passeio, mas ainda sim havia podido ver paisagens belíssimas e estava empolgada em repetir a dose, principalmente quando a situação não seria de risco de morte iminente.

O telefone volta a tocar e Edward atende, novos sussurros rápidos ecoam, mas desta vez por apenas segundos e logo ele volta a desligar o telefone, desta vez com um ar mais sério.

-Alice me avisou que Hermione vai perder um pouco o controle e que Emmett e Jasper precisarão de nós, preciso ir. E você vá o mais rápido que esta antiguidade permitir. –Bella não iria discutir, se o aviso partia de Alice, não seria ela a ficar a menos de cem quilômetros da luta.

-Cuidado e ligue pra mim quando terminar. –Bella fala e depois beija rapidamente o noivo, antes de vê-lo disparar na direção que Hermione seguira minutos atrás.

Assim que chega a casa, Bella sente um cheiro apetitoso vir da cozinha e vai até lá já sentindo o estômago se manifestar. Harry estava lavando louça enquanto algo cozinhava em uma panela no fogão.

-Não sei o que é, mas o cheiro está ótimo! –Harry se vira com um sorriso discreto e se aproxima dela, que se sentava à mesa da cozinha.

-Que bom que gostou, aliás, me desculpe ir me intrometendo e fazendo o almoço, mas é que eu não consigo ficar parado e precisava distrair minha cabeça com algo. Além disso, não gosto da idéia de ficar aqui sem fazer nada, sinto como se estivesse abusando de sua hospitalidade.

-Imagine, não precisa fazer nada se não quiser. A propósito, meu pai adorou a limpeza que você deu no banheiro, ele ficou parecendo novo. –Transmite os elogios que o pai deixara em um bilhete e o vê corar levemente, passando a mão nos cabelos naturalmente arrepiados. Aquele parecia ser um gesto natural que ele fazia sempre que ficava sem jeito e era até bem charmoso. –Mas e então o que vamos ter no almoço? –Pergunta curiosa e já sentindo a boca salivar, o que o fez sorrir de canto, outra coisa que, de um jeito diferente, também o deixava bem charmoso.

-Eu improvisei com o que tinha, mas acho que vai gostar da minha massa especial! –Harry fala com um sorriso confiante e estufando o peito de modo pomposo, fazendo-a rir, porém ele deu um sorriso que não lhe chegava aos olhos.

-Você quer saber sobre Hermione, não quer? –Pergunta lembrando de que tinha dito a ele que se encontraria com Edward aquela manhã.

-Sei que é chato ficar falando sempre do mesmo assunto, mas confesso estar ansioso para saber se ele te disse algo. –Harry agora mexia os dedos nervosamente e a olhava apreensivo.

-Ele me disse que ela está se dando bem com todo mundo, que a acha muito inteligente e adora conversar com ela. –Essa lembrança a fez novamente sentir uma pontada de ciúmes.

-Hermione é realmente uma ótima companhia, às vezes passamos horas conversando sem que eu sinta, outras só ficamos calados perto do outro, trocando olhares de vez em quando e é muito confortável, porque não temos aquela obrigação de falar, sentimo-nos bem em só ficar perto e em silêncio. –Harry tinha uma expressão que mesclava saudade e preocupação.

-Eu te entendo, sei como é bom ter alguém assim. Er... eu a vi hoje. –Fala sem muita certeza se que aquilo seria algo bom ou ruim na visão dele.

-E como ela estava? Você chegou a falar com ela? –A pergunta foi feita em tom ansioso e mostrava grande preocupação com a reação de Hermione.

-Bem, se aproximou ao sentir um cheiro familiar e surpreendeu a Edward e eu. Mas não se preocupe, ela se controlou muito bem, era visível que estava lutando muito consigo mesma, mas não lançou sequer um olhar mais apetitoso ou cobiçoso em minha direção. Edward ficou bem impressionado. Ela apenas perguntou de você e depois saiu tranquilamente. –Harry sorri aliviado e feliz pela notícia. Era o sorriso mais largo e sincero que ele já dera desde que o conhecera, do tipo que devia dar sempre a Hermione e fazer o coração dela pular no peito.

-Hermione sempre teve um grande autocontrole, sempre se mostrando muito racional e conhecedora de seus limites. Só teve uma vez que ela perdeu o controle, quando acertou Draco com um soco no nosso terceiro ano. –Harry parece se lembrar da cena e sorri satisfeito.

-Ela me pediu para te dar um recado. –Agora Harry volta a ficar sério e a encara atento. –Disse que você não deveria se preocupar com ela, porque ela se sente bem, e que você devia se dedicar a montar o quebra-cabeça que Dumbledore deixou.

-Esse é o tipo de coisa que ela diria, sempre tentando não deixar ninguém preocupado e tentando manter o foco no trabalho ou no que fosse realmente urgente. –Harry parecia mais calmo ao ouvir isto, o que a deixou mais tranqüila.

-Se você quiser, pode me falar um pouco mais sobre as horcruxes e o tal quebra-cabeças. No último ano ganhei bastante experiência em resolver mistérios e tramas complexas. –Bella propõe tentando distraí-lo de suas preocupações com Hermione e parecendo conseguir.

-Tudo bem, mas a história é grande e confusa. –Avisa parecendo ver se ela realmente queria se envolver naquilo.

-Não se preocupe, só vou pegar um bloco e caneta pra fazer anotações e já volto. –Se levanta disposta, vendo-o rir e então esperando alguma explicação.

-Pode ir Srta. Holmes, quando voltar o almoço estará sendo servido. –Harry fala em tom divertido, já se levantando e indo até o fogão.

-Nesse caso vou e volto correndo. –Bella já se virava e saía apressadamente para o quarto.

A macarronada com molho especial do Harry foi amplamente aprovada por Bella, que se ocupava em comer e anotar algumas das informações que Harry lhe passava sobre Tom Riddle. Depois do jantar saíram para ir ao mercado e Harry continuou contando sobre suas aventuras e o que sabia sobre as ações de Voldemort, pararam apenas ao encontrar os amigos de Bella, com quem conversaram um pouco. Quando voltaram para casa, fizeram uma rápida arrumação, enquanto Bella fazia perguntas sobre Hogwarts, os professores e amigos de Harry, só parando a conversa quando o pai de Bella chegou.

Harry se sentia um tanto desconfortável ao lado do Sr. Swan, membro da polícia local da cidade. Era estranho estar com alguém que não sabia nada sobre vampiros e bruxos e ao mesmo tempo deveria, ao menos em tese, ter faro investigativo.

-E então Harry, você conhece beisebol? –O homem pergunta descontraidamente enquanto observava-o acabar de por a mesa, Bella esquentava a macarronada feita à tarde.

-Não, na Inglaterra gostamos muito de futebol, quer dizer, vocês aqui chamam de soccer, não é? –Responde um pouco incerto, não era tão fã de esportes trouxas.

-Sim, isso mesmo. Mas não acompanho muito, não temos uma liga muito forte aqui, mas seu país parece ser bom nisso, não é? –Agora os dois estavam sentados frente a frente, enquanto Bella colocava a travessa de macarrão entre eles.

-Sim, temos times muito fortes e de grande expressão internacional. Mas confesso que não me interesso tanto assim por nenhum esporte em especifico, gosto de praticar, mas não torço pra ninguém. –Disfarça enquanto se servia, não saberia o que responder se o assunto persistisse.

-Você mora em que cidade? –Surpreendeu-se com a mudança brusca de assunto, mas responde sem maiores problemas.

-Londres. Mas minha escola fica mais para o interior. –Responde um pouco hesitante, não saberia precisar bem onde Hogwarts ficaria.

-E você mora com seus pais ou apenas com um deles, como a Bella? –Logo que pergunta, o chefe Swan experimenta a macarronada e faz um som de aprovação. –Muito bom, Bell! Se superou hoje.

-Na verdade foi o Harry quem fez pro almoço, também foi ele quem limpou o banheiro e também me ajudou a arrumar a casa hoje. –Bella fala no que parecia uma tentativa de mudar o assunto.

-Hum... você não precisa fazer algo assim, é nosso hóspede. –O homem tinha um olhar sério, mas Harry também viu um pouco de constrangimento ou talvez fosse impressão.

-Não é nenhum trabalho, estou acostumado. Eu moro sozinho, então costumo fazer as tarefas domésticas. Além disso, já estava ficando um tanto ansioso sem nada pra fazer. –Responde de modo sincero, conseguindo arrancar um sorriso simpático do chefe de polícia.

-Mora sozinho? Com quantos anos se conquista a maioridade na Inglaterra? –Aquela pergunta o pega de surpresa, mas acha melhor responder sem hesitar.

-Com dezoito, mas como meus pais morreram quando eu ainda era um bebê e eu recebi no último verão outra herança de um padrinho, então meus tios e eu concordamos que eu tinha condições para morar sozinho. –O chefe de polícia pareceu ficar sem jeito e Bella lhe lançou um olhar dizendo que estava bem e que o pai não deveria fazer mais perguntas.

O jantar seguiu em silêncio por mais algum tempo, até que Bella se lembrou de falar sobre alguns detalhes do casamento que Alice tinha lhe falado por telefone, ela queria saber se ele já havia preparado a roupa e quando poderiam fazer o primeiro ensaio da cerimônia.

Na manhã seguinte, Harry estava agitado, não conseguira dormir e não conseguia se concentrar em nada. Bella lhe falara sobre como era se transformar em vampiro e como eles agiam, mas o que mais lhe assustara, fora saber sobre os recém-nascidos que apareceram na região há alguns meses.

Durante o caminho para a casa dos Cullen, Harry manteve-se calado e ficou grato por Bella também não puxar algum assunto. Pela janela via as árvores passarem rapidamente, mas a sensação era de que o tempo se arrastava. Ao alcançarem a trilha que levava a casa, pôde ver os estragos provocados pela batalha anterior, havia marcas de fogo e muitas árvores faltando, a clareira aumentara em pelo menos mais dez metros de raio, por sorte a casa não fora atingida.

-Tente se manter calmo, o cheiro do medo aguça os sentidos dos vampiros. –Bella o instrui antes de pararem em frente à casa dos Cullen.

-Pode deixar, não tenho porque ter medo. –Não mentia, medo era algo que nunca conseguiria ter de Hermione, no entanto estava receoso sobre como as coisas seriam dali para frente.

Os Cullen saíram devagar, primeiro Edward, Alice, Rosalie e Esme, depois Carlisle e Jasper aos lados de Hermione e Emmett logo atrás dela. Os vampiros formavam uma espécie de parede protetora e pareciam prontos para atacá-la a qualquer momento, apesar de direcionarem sorrisos simpáticos para os recém chegados.

-Bem vindos! Aproximem-se um pouco mais. –Esme os chama simpaticamente, havia pelo menos dez metros entre eles e os vampiros.

-Olá Hermione, como está? –Harry pergunta e vê Hermione sorrir, no entanto, ao dar mais um passo, os olhos que antes pareciam dois rubis, ficaram negros como uma noite sem lua e o sorriso terno se transforma em um predador, que deixava os caninos à mostra.

-Corra Harry! Leve-o daqui, Bella, rápido! –Edward fala enquanto Emmett segurava Hermione por trás com força e Jasper lhe dava um soco no estômago.

Harry corre, mas se vira a tempo de ver Hermione lançar Emmett por cima de si e pra frente, derrubando Jasper e Edward. Alice e Rosalie tentam agir, mas são afastadas por feitiços que saem das mãos de Hermione e então três borrões se misturam e no instante seguinte Carlisle e Esme derrubavam os três rapazes que se levantavam. Bella já estava no carro, ligando-o, Harry ia entrar, mas sabia que Hermione pegaria o carro, então rapidamente saca sua varinha e murmura um feitiço que lança concorrentes sobre ela, fazendo-a cair no chão.

-Rápido, Harry! –Bella já tinha o carro ligado e acelerava a velha máquina. Harry entra e vê que as correntes só a atrasaram por uns segundos, porém o suficiente para que os vampiros conseguissem se reagrupar e atacar em uma velocidade tão grande que ele apenas via borrões e ouvia sons de trovão. –Não sei o que houve, ela parecia tão bem! –Bella desabafa parecendo um pouco nervosa, seus olhos estavam fixos na trilha acidentada, que exigia mais do que os antigos amortecedores poderiam suportar àquela velocidade.

-Será que não a alimentaram bem? Ou talvez a presença de dois humanos tenha sido demais, não é? –Sentia-se confuso, sua mente girava em busca de explicações e aquela lhe surgira como uma boa possibilidade, apesar de assustadora.

-Eu não sei, mas pode ser e o vento também estava levando nosso cheiro direto para ela, talvez fosse melhor nos encontrarmos em outro lugar e enquanto chovesse, isso ajudaria. –Bella diz parecendo mais calma, talvez fosse pelos altos sons estarem bem distantes.

-Sim, quando chegarmos a sua casa, telefonamos para lá e combinamos isto, então. –Sua voz estava falhando, de tudo que imaginara, nada havia sido pior. Pensara que poderia ter apenas poucos minutos de conversa e ensaiara suas perguntas, mas nunca imaginou que não conseguiria ao menos dizer algo além de oi.

O restante do caminho foi feito em um silêncio quase fúnebre, ambos estavam confusos e pareciam não querer debater o assunto por medo de chegarem a uma conclusão desesperadora, ao menos para ele. No entanto o olhar tenso de Bella e o jeito como volta e meia tamborilava os dedos no volante e quase perdia as curvas dava-o a impressão que a situação era pior do que poderia imaginar.

-Eu vou telefonar para lá... –Bella dizia enquanto entrava, mas pára ao ver Edward de pé na sala, esperando-os.

-Vocês demoraram, está tudo bem? –Edward pergunta observando-os como se estivesse à procura de ferimentos.

-Sim, eu é que estava nervosa demais para dirigir rápido. –Bella responde já indo até Edward e o abraçando como se assim pudesse se sentir melhor e mais segura.

-O que houve? Porque Hermione tentou nos atacar? –Pergunta ao respirar fundo e usar de toda sua coragem, mesmo sabendo que não gostaria da resposta, seja lá qual fosse.

-Ela tentou te atacar. Para piorar, os sentimentos dela invadiram Jasper de um jeito que quase o fez se virar contra nós também. –Bella se afastou dele e lançou-lhe um olhar realmente preocupado.

-Porque você disse que ela tentou atacar a mim e não a nós? –Harry não queria saber sobre Jasper e sentira que Bella perguntaria sobre isso, então interveio.

-Vi os pensamentos dela com muita clareza. Ela estava muito feliz em poder te ver, comprovar que estava bem. Então você se aproximou, isso somado a corrente de vento que trazia o cheiro de vocês, atiçou os sentidos dela de forma violenta. Eu vi os pensamentos dela e o desejo de sugar seu sangue era tão forte, que eu quase pude senti-lo, talvez se eu e Jasper não estivéssemos bem alimentados nós dois teríamos resolvido atacar tamanha a força do desejo de Hermione.

-Você falando assim parece com quando você me falava sobre como se sentia tentado comigo. –Bella fala se abraçando, como se de repente houvesse sentido frio, provavelmente a lembrança a assustava.

-Exato. O que vi na mente de Hermione me remeteu ao dia em que nos conhecemos, no entanto Hermione não tem minha experiência, por isso achamos que seria mais seguro para Harry, que ele saísse da cidade. -Nesse momento o chão pareceu sumir debaixo dos seus pés e o mundo girou mais rápido, por sorte estava apoiado contra a parede e conseguiu disfarçar. Percebera que Edward tentara ler sua mente e intensificou suas proteções.

-Vou para Inglaterra hoje mesmo. Creio que Esme seja a menos forte de vocês, então peça a ela que venha comigo, ela poderá voltar amanhã, quero apenas que alguém vá pegar as coisas de Hermione, imagino que ela esteja precisando de roupas, livros e outras coisas. –Apesar de sentir que seu mundo começara a desabar, manteve-se firme, não demonstrando nada em sua voz.

-Certo, eu vou falar com ela, vou pedir para Hermione fazer uma lista do que precisa. Esme deve estar aqui em uma ou duas horas. –Edward estava sério, mas em seus olhos Harry podia ver que ele parecia sentir pelas más notícias.

-Obrigado. Minhas coisas já estão prontas, eu pensava mesmo em partir hoje ou amanhã. Há um vôo saindo daqui quatro horas, acha que conseguimos pegá-lo? –Harry pergunta a Edward, que pensa um pouco antes de responder.

-Sim, imagino que não terão problemas. Mais tarde eu volto, Bella. –Ele se vira e beija carinhosamente a noiva, que murmura algo em seu ouvido antes que ele se afaste. –Creio que nos reencontraremos em breve. –Edward fala a Harry e depois sai, provavelmente iria correndo até sua casa falar com Esme.

-Harry... –Bella começa, mas a interrompe.

-Está tudo bem, eu vou terminar de ajeitar minha mochila e já desço. –Bella não o impediu, apenas fez um sinal afirmativo antes de ir se sentar no sofá, de onde ficou observando-o subir a escada.

N/A: Olá, obrigada a todos pelos comentários, sem dúvida este é o motivo pelo qual eu estou atualizando tão rápido.

N/A²: Capítulo um pouco preocupante, mas essencial para formar a base dos envolvimentos dos personagens e a futura relação H/H.