Cap. 6- Caçada
Estava no jardim observando o alvorecer, o momento do nascer de um novo dia. Era estranho observar Hogwarts e ter a sensação de nunca ter estado lá, era tudo muito diferente, as cores, as formas os cheiros... Um barulho chama minha atenção e vejo uma coruja, a muito conhecida, me entregar um pergaminho.
-Olá Edwiges, como vai? –Pergunto acariciando lhe suavemente a cabeça, de certa forma surpresa por ela não me rejeitar. Só então reparei que observava o pergaminho, parecendo determinada a ficar até obter uma resposta. –Já vou ler e escrever. –Aviso, observando-a voar até a árvore mais próxima.
Olá, como você se sente?
É tão estranho ter que escrever pra você estando tão perto, chego a ficar sem saber o que dizer.
Rony me disse que conversaram, que está preocupada comigo, mas não fique, não precisa. Eu estou bem, apesar de sentir sua falta... seria difícil dizer isso pessoalmente, talvez seja uma vantagem das cartas.
Rony e eu estamos atrás da pista do Draco, pensamos que através dele podemos achar uma pista dos comensais ou mesmo dos horcruxes, mesmo que ele não saiba nada a respeito. Pergunte a ele mais detalhes, quem sabe você não tem alguma boa idéia pra nós.
Beijos, Harry
Ler aquelas palavras me fazia sentir bem, preenchida por dentro, no entanto sentir o cheiro dele no pergaminho me lembrava às sensações horríveis daquele dia, os pensamentos sombrios, violentos. Limpei minha mente, aquilo não me levaria a nada, eu havia caçado a menos de doze horas e estava bem. Após conjurar pergaminho e pena, me pus a escrever, ou ao menos tentar.
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-Já aqui, Bella? –Alice pergunta ao vê-la entrar no salão principal, junto a si havia um prato com comida quente, o que obviamente não devia ser para ela.
-Certo, o que você viu que te fez estar aqui? –Pergunto após suspirar derrotada, não era como se eu fosse vencê-la em um jogo de cartas marcadas.
-Nada, só uma conversa franca entre amigas. –Alice parecia animada, o que a fazia gemer por dentro. –A não ser que você prefira conversar com Hermione. –Ótimo, nada melhor que um pouco de chantagem emocional.
-Eu adoro conversar com você Alice, não se preocupe quanto a isso. Agora, sobre o que gostaria de falar? –Agora é a hora em que torço para um gongo salvador, penso resignada.
-Na verdade achei que você é quem quisesse conversar, fazer perguntas a alguém mais experiente. –Alice realmente esperava que eu fosse fazer perguntas e confissões?
-Oi! –Minha heroína! –Alice, eu estava pensando em caçar, será que gostaria de vir? Emmet e Edward já confirmaram. –Hermione pergunta com um sorriso sincero, mas me dirigindo uma rápida piscadela.
-Vocês vão caçar? –Rony parecia ter ouvido o convite ao passar pelo corredor e agora vinha até nós.
-Eu estou querendo, só pra garantir. –Senti que havia algo mais, mas deixei para perguntar depois.
-Tem relação com a carta do Harry? –Quanto tato! Será que não pensa que talvez ela não queira compartilhar conosco?
-Não sei se é psicológico, mas só em sentir o cheiro dele pelo pergaminho, já me fez ficar tentada, minha boca se encheu de veneno. –Ela fala olhando para Alice, como se buscasse uma explicação.
-Eu nunca tive uma experiência como essa, talvez só Edward possa te responder. –Alice responde olhando-a com ternura, devia estar tão preocupada quanto eu.
-Falando em experiência, posso vê-los caçar? –Rony pergunta empolgado e tanto Hermione quanto Alice reagem com espanto. –Não em terra, mas no ar. Poderíamos ir de vassoura, acho que isso não chamaria a atenção de vocês, não é? –Era uma ótima idéia e certamente eu queria participar.
-Não sei, teríamos que falar com Carlisle. –Hermione responde pensativa, tentando avaliar a situação.
-Vejo eles nos cumprimentando e algo sobre uma aposta. –Alice tinha um tom levemente interessado, obviamente já sabia o resultado.
-Então vamos poder vê-los? –Pergunto só para confirmar, mal acreditando que poderia vê-los caçar, apesar de ainda não estar certa de se seria algo bom ou não.
-Creio que sim, vou procurar Carlisle para confirmar. –Ao que parece eu tinha sido salva, pelo menos por enquanto. Assim que Alice sai, Hermione volta a falar.
-Sabe, não é algo bonito de se ver. –Hermione começa cabisbaixa, o tom um tanto vago. –Viramos predadores selvagens perseguindo, matando, devorando, é algo não só assustador, mas nojento. –Eu podia imaginar, afinal Edward também nunca quis que o visse, mas eu precisa ver, afinal logo estaria com eles.
-Não se preocupe Mione, ninguém vai ficar com medo de você, nem qualquer outra coisa. Nada vai mudar. –Rony fala tranqüilo, logo depois apertando brevemente a mão dela. –Vou falar com o pessoal, juntar as vassouras.
-Espera. Harry mencionou que vocês estão atrás de pistas, parece que ouviram algo do Draco. O que vocês têm afinal? –Assuntos sobre a guerra, isso era interessante, ainda não havia presenciado uma reunião.
-Umas indicações, um possível esconderijo. Mas não é nada muito certo, precisamos ir e fazer umas perguntas. –Apesar das boas notícias, Rony não parecia tão animado.
-Eu gostaria de poder ir, mas já que não posso, pelo menos levem um dos Cullen. –Hermione pede, visivelmente preocupada.
-Deveriam ir com Edward. –Os dois me olharam surpresos e só podia ser por causa de nossa lua-de-mel, como se isso fosse mais importante que uma guerra. –Edward e eu teremos toda a eternidade juntos, agora o mais importante é vocês encontrarem as horcruxes.
-Realmente Edward seria perfeito, enquanto vocês fariam perguntas, ele veria as respostas corretas na mente do interrogado. –Hermione parecia gostar da idéia, seria seguro e simples.
-Mas esse sujeito até poderia nos apontar Draco, mas certamente Draco nos apontaria outro, que apontaria outro, poderia demorar uns dias. –Rony me avisa, sabendo que eu não gostaria da idéia. Era horrível pensar que justamente agora teríamos que nos separar, mas eu não poderia ser tão egoísta, Edward era a melhor opção deles.
-Tudo bem, vou falar com ele assim que comer, creio que não haverá problemas. Mas posso saber os detalhes? –Pergunto querendo saber exatamente aonde eles iriam e quais os riscos.
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Harry estava sozinho em seu quarto, havia acabado de falar com Lupin e avisar que partiria com Rony para seguir pistas de Draco. Como era de se esperar, nem Lupin e nem Minerva ficaram contentes com aquilo, porém eles também não poderiam segurá-los ali e não tinham o que fazer, além de dar uma série de recomendações.
Ao olhar para a mesa de cabeceira, viu a carta que Hermione lhe mandara e decidiu abrir, precisava tirar um pouco as horcruxes da cabeça. Além disso, estava ansioso para ver o que poderia ter deixado o envelope tão estufado.
Harry, adorei receber sua carta, não é o que eu gostaria, mas por hora é o melhor jeito de nos comunicarmos. Pensei então no que gostaria de te falar se estivéssemos frente a frente, descobri que era bastante coisa, como pode ver pelo tamanho do outro pergaminho.
Preocupa-me não poder ir com você e com Rony, discutirei com ele os detalhes assim que o vir, falarei para levarem ao menos um dos Cullen, me sentirei mais segura dessa forma. Sei que você vai achar exagero da minha parte, mas por favor, tome cuidado, não perca a paciência se algo sair errado, pense duas vezes antes de sair... Sabemos que você é temperamental e esse talvez seja o seu maior defeito, então comece a trabalhá-lo.
Sinto muito sua falta, acho que antes não imaginava o quanto sua simples presença já era gratificante, assim como seus olhares, nossos silêncios reconfortantes e nossas conversas despretensiosas. Vou me esforçar o máximo possível para em breve podermos nos ver, até lá, por favor, se cuide.
Com carinho, Hermione.
Hermione continuava a mesma, sempre tão preocupada, quase tinha vontade de rir com todo aquele jeito quase maternal da amiga. No entanto, não ouvir sua voz em tom mandão e nem seu olhar sério de quem não permitiria ser contrariada, lhe tiravam até a vontade de sorrir. Afastou aqueles pensamentos e pegara o outro pergaminho, bem maior que o primeiro, lembrando-lhe as enormes anotações que a amiga fazia durante as aulas.
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Confesso que estava um tanto nervosa, já havia tentado imaginar como seria, mas sabia que mesmo já os tendo visto em batalha, não seria a mesma coisa. Porém o que mais me preocupava agora, enquanto estava no jardim com todos, era a perspectiva de voar tão alto em algo tão frágil quanto uma vassoura.
-Não deve se preocupar, Bella. –Harry fala ao se aproximar, segurando uma vassoura muito bem cuidada. –As vassouras são muito seguras quando se tem um piloto experiente no comando e, modéstia a parte, eu também sou bastante habilidoso e não a deixarei cair. –Eu não sabia se estava tão óbvio assim o meu receio, mas o jeito simples como Harry falara e sua mão confiante fazendo uma leve pressão no meu ombro, me acalmaram um pouco.
-Obrigada. Agora, quando nós vamos? Não temos que estar no ar antes deles saírem para caçar? –Pergunto observando que os irmãos Weasley, alguns professores e membros da ordem conversavam animados a alguns metros de nós.
-Eles estão fazendo apostas, os gêmeos adoram isso! –Harry sorri achando aquilo divertido, mas o sorriso não chegava aos seus olhos.
-Não era bem a situação em que você gostaria de vê-la, não é? –Pergunto de modo suave, segurando sua mão livre tentando passar algum conforto.
-Não. Mas estive conversando bastante com Carlisle, estou tentando entender tudo melhor. Ele até disse que se Hermione continuar se adaptando tão bem, podemos tentar um encontro em umas duas semanas. –Novamente havia um sorriso, mas que não chegava aos olhos e eu sabia como ele se sentia, já tinha estado em situação semelhante.
-Hermione me contou que você escreveu. Foi uma ótima idéia, acredito que quanto mais contato vocês manterem, melhor será. Aliás, também estive pensando em uma coisa, não sei se vai dar certo, mas pode ser que ajude.
-Qualquer coisa está valendo, é só falar. –Aquela reação me pegou de surpresa, lembrando a mim mesma quando havia acabado de conhecer Edward, só que talvez com um pouco de urgência a mais.
-Quando Edward desistiu de lutar contra o que sentíamos, quando passamos um dia juntos em uma clareira num dia de sol, ele me contou que com o passar do tempo ficava mais fácil. Que estar perto de mim e sentir meu cheiro ajudava-o a se controlar mais e que se não se afastasse de mim por mais que uns poucos minutos, nossa convivência poderia ser mais fácil para ele. –Harry me olhava interrogativo, afinal ele não podia ficar nem no mesmo andar que Hermione, quanto mais perto. –Ela não precisa estar ao seu lado pra estar em contato com seu cheiro.
-Fala de eu dar uma roupa minha pra ela ficar cheirando? –Eu tive que me controlar para não rir da careta que ele fez ou o jeito como ele disse.
-Não. Você e Rony vão sair, passar um tempo fora investigando, nesse tempo Hermione poderia ficar no seu quarto, certamente há muito cheiro seu por lá. Claro que seria desaconselhável que qualquer humano ficasse perto dela no quarto ou mesmo perto do quarto, mas seria um jeito de ela se acostumar um pouco com as sensações que seu cheiro provoca. –Pela primeira vez, desde que ele e Hermione se afastaram, vi um brilho quente em seus olhos.
-Isso poderia dar certo e seria fantástico! –Ele sorria abertamente e só não continuamos o assunto, porque nos chamavam. Era hora de voar e ver o espetáculo.
Harry fez a vassoura flutuar ao seu lado e então montou com uma perna a cada lado, depois fez um sinal para que sentasse a sua frente, de lado. Obedeci um pouco relutante, era fácil se desequilibrar, mas então ele sussurrou que eu estava segura e me abraçou firme e delicadamente, de modo a me fazer sentir realmente estável enquanto subíamos devagar. Os outros já estavam em grande altitude e já se dirigiam para um ponto sobre a floresta, mas Harry parecia não estar com pressa.
-Olhe como é bonito aqui de cima. –Ele tinha a voz suave e, sem tirar a mão de minha cintura, apontava o lago e cabana de Hagrid. –Não precisa temer, são minhas pernas que dão estabilidade a vassoura, as mãos servem para dar direção apenas. –Depois de um comentário daqueles, foi impossível não me atentar as coxas firmes e fortes mantendo a vassoura perfeitamente estável durante o vôo lento.
-Estou me sentindo como a princesa Jasmine. –Foi uma péssima tentativa de piada, mas ele surpreendentemente riu.
-Só não espere que eu cante, faria você querer se jogar daqui! –Foi minha vez de rir, ele realmente se lembrava desse antigo filme.
-Depois vou querer que me leve para passear, mas agora é melhor acelerar, eles já estão bem na frente. –Ele me olha como se querendo saber se eu tinha certeza daquilo e eu sorrio confiante em resposta, sabia que ele me manteria segura.
Senti a vassoura acelerar, mas de modo suave, não era nem de perto a loucura de estar em um carro com Edward ou seus irmãos. Rapidamente nos juntamos aos outros, que olhavam os Cullen mais novos saindo da casa. Carlisle havia saído com Remo Lupin e Esme devia estar com a professora de Herbologia nas estufas.
Quase mais rápido do que poderíamos acompanhar, eles entraram na mata, fazendo com que as vassouras tivessem que se mover rapidamente para acompanhá-los. Todos se moviam graciosamente, especialmente as garotas, que iam atrás, Emmet ia à frente de Rosalie, Jasper no meio dos três e a frente de Alice e Edward à direita, a frente de Hermione. Foi impossível não me imaginar no lugar dela, flutuando sobre as raízes, movendo-me com segurança e agilidade, protegida por Edward.
-Todos os animais parecem ter ficado em silêncio, muitos estão fugindo. –Harry fala apontando uns pequenos pontos que se moviam. Certamente ele enxergava melhor que eu, mesmo usando óculos.
-Problemas! –Me viro para olhar um dos gêmeos, ele usava uma espécie de binóculos. –Tem centauros a caminho, estão liderados por aquele mal-humorado que não gosta de bruxos.
-Mas eles sabem que os Cullen têm permissão de caçar, não sabem? –Pergunto sem tirar os olhos dos meus amigos.
-Sabem, mas não significa que todos os centauros concordem com isso. Porém, duvido que eles possam realmente ferir qualquer um dos vampiros.
Aquela afirmação de Harry me tranqüilizou. Ele me passou um daqueles objetos parecidos com binóculos e eu passei a olhar os centauros se organizando, se camuflando. Vi que os Cullen haviam parado, Jasper fazia um sinal e então a formação havia mudado. Emmet e Jasper recuaram, de modo que Rosalie e Alice estivessem entre eles. Edward e Hermione se adiantaram, eram os mais rápidos e Hermione era a mais forte entre eles.
Consegui aproximar mais a imagem e vi que os lábios de Edward tremiam, provavelmente estava sussurrando o que conseguia captar dos pensamentos ao seu redor. Mas talvez não soubessem onde os centauros estavam, porque ficavam olhando para os lados, a procura de algo.
De repente ouvi um grito feminino e afastei a imagem para poder ver o que acontecia. Rosalie estava ferida no ombro, havia uma flecha encravada lá, mas como poderia? Como uma simples flecha poderia penetrar na pele tão resistente de um vampiro.
Não tive mais tempo para pensar em nada, pois logo uma chuva de flechas começou a cair sobre eles. Harry me apertou mais forte contra si, provavelmente nervoso com o que via, em dúvida se ajudava ou não. Os Cullen pareciam se desviar das flechas, mas então, as flechas que pareciam cair aleatoriamente, brilharam e uma luz saía delas e se encontrava com as outras de modo a formar uma rede mágica que pareciam aprisionar os vampiros.
Emmet tentava usar sua força para rasgar a rede, mas ela apenas se esticava até absorver a força do golpe. Alice estava parada e atenta, provavelmente tentando enxergar algo do futuro, mas do mesmo jeito que lobisomens a deixavam cega, centauros também poderiam. Hermione foi rapidamente até Rosalie e tocou o local onde havia a ferida, Jasper e Edward mantinham a postura acompanhando os movimentos que a mata fazia antes de revelar os dez centauros. Todos parecendo imponentes e vitoriosos, com flechas prateadas posicionadas em seus arcos, prontos para atirar.
Parecia haver uma conversa que eu não pude ouvir, então Edward pareceu rir, logo depois saía um clarão avermelhado da mão de Hermione na direção do chão, causando um pequeno tremor e então despedaçando a rede. Os centauros pareceram não se assustar e atiraram, cada um devia atirar um flecha a cada dois segundos. Mas suas posições já estavam reveladas, então cada um dos Cullen apenas escolheu o seu e seguiu correndo mais rápido do que eu poderia ver até alcançar seu centauro, Hermione atirara feitiços em dois e os derrubara, acorrentando-os e desarmando-os com magia.
O que veio a seguir foi puro terror, os seis trocaram rápidos socos com suas vitimas, deixando-as caídas, Rosalie e Alice quebrando os braços e patas dianteiras antes de cravar as presas nos pescoços. Hermione, impaciente para lutar, sedenta de sangue como qualquer vampiro recém-nascido, arrancara a cabeça do centauro com uma espécie de tapa e bebia o sangue que espirrava do ferimento totalmente aberto.
Devíamos estar a mais de cem metros de altura e mesmo assim ouvíamos claramente os gritos de agonia e dor, não só das vítimas, mas dos que estavam presos e se debatiam para sair. O pânico provavelmente lhes deu novas forças, pois no minuto seguinte eles estavam correndo, cada para um lado. Mas Hermione e Edward perceberam, cada um soltando um uivo mais aterrorizante que outro, fazendo 0s centauros correrem mais. Porém não demorou nem dois minutos e Edward já saltava sobre o centauro fugitivo, usando suas garras para cortar a carne e causar múltiplos ferimentos, antes que este já estivesse imobilizado pronto para servir de banquete.
-Hermione! –Ouvi Harry e então, por reflexo, o segurei, impedindo-o de virar a vassoura e partir para floresta.
-Ela ficará bem. –Me forcei a dizer, logo depois vendo que mais cinco centauros a cercavam, lançando flechas mágicas nela, o fogo no local aumentou de repente e isso impediu minha visão. –Gira, vamos pra trás das chamas. –Harry vez uma manobra nada suave com a vassoura, mas me segurando bem.
Eu tinha a impressão de que ele iria interferir, se jogar no meio da luta, caso a imagem fosse dura demais. Era um pouco pior do que imaginávamos, Hermione estava coberta de sangue e urrava vitoriosa, em baixo havia um amontoado de pedaços, o sangue estava todo vermelho por causa do sangue e logo os outros Cullen chegaram, se servindo um pouco mais junto a Hermione.
Por sorte já havia tempo que eu havia almoçado, então só precisei respirar fundo e afastar o binóculos do rosto. No entanto os irmãos Weasley olhavam a cena hipnotizados, os professores e membros da ordem já estavam a meio caminho do castelo. A caçada havia terminado.
-Quer voltar? –Harry pergunta aconchegando-me um pouco contra si.
-Se importa se acompanharmos a volta deles? –Pergunto sabendo que a imagem não era das melhores, mas sabendo que não poderia ir até que os visse saindo em segurança da floresta.
-Tudo bem, mas não precisa olhar. Eu aviso quando estiverem voltando. –Eu assenti, grata por seu cavalheirismo, não precisava ter mais imagens de caça do que as que eu já tinha.
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Após o banho demorado, sentia-se razoavelmente melhor, apesar de ainda não conseguir tirar a expressão do rosto de Bella ao conversar com Hermione, cujas roupas estavam razoavelmente manchadas de sangue. Rapidamente cruzara os degraus que levavam ao quarto e surpreendeu-se ao ver Bella sentada na cama, virando-se para olhá-lo ao notar sua presença. Não queria que esse momento chegasse tão rápido, ainda não sabia bem o que dizer e não sabia como fazê-la ficar, caso ela quisesse deixá-lo, voltar para Forks com medo ou talvez nojo de si e de sua família.
Quando ela se virou completamente para si, tinha os olhos baixos provavelmente não queria encará-lo, olhar sua face que ainda devia assustá-la. Um nó estranho se formara em sua garganta, não sabia se conseguiria pedir que ela ficasse, as imagens dela lhe dizendo de várias formas que iria embora não paravam de surgir em sua mente. Porém, ela não falava nada, o que lhe angustiou ainda mais, fazendo-o vacilar entre amaldiçoar sua habilidade de reservar seus pensamentos ou ficar feliz por na poder ver o quanto a enojava. Contudo, precisava enfrentar aquela situação o mais breve possível.
-Bella. –Chamo com ternura, na esperança de que olhe para mim. –Bella. –Repito um pouco mais firme, sentindo uma angustia estranha. –Bella, por favor... –Minha voz morria em minha garganta, saindo tão baixo que não soube se ela poderia ter ouvido.
Ela não se movera, ainda tinha os olhos fixos na direção... da toalha? Só olhando atentamente, percebi que seus belos olhos pareciam brilhar de excitação observando uma gota de água que passava por meu abdômen até ser aparada pela toalha. Seria possível que mesmo depois de tudo ela ainda pudesse ter esses pensamentos sobre mim?
-Bella! –Agora minha voz estava firme, o que a fez parecer despertar de seus devaneios e finalmente me observar. –Você está realmente pensando em tirar minha toalha? –Não sabia bem o porquê, mas minha voz saíra em tom acusatório, talvez até recriminador, causando um rubor irresistível nas faces alvas.
-Eu posso? –Pergunta mordendo o lábio, meio sem jeito, porém com os olhos passeando por meu tronco nu, cheios de desejo.
-Bella! –Disse de forma dura, não era possível realmente que ela pudesse estar pensando nisso num momento desses.
-Desculpe, você quer conversar, certo? –Sua voz mostrava o quanto estava envergonhada, apesar de nem um pouco arrependida.
- Momentos atrás você me viu caçar, como um predador faminto e selvagem... não se sente com nojo de mim? Talvez com medo? –Pergunto completamente perdido naquela reação tão irracional, afinal qualquer humano ajuizado estaria o evitando, completamente apavorado.
-Mas é claro que não! –Ela parecia achar um absurdo que eu pensasse assim, uma reação típica dela e apenas possível pra ela. –Edward, eu sei o que você é, o que precisa fazer para sobreviver...
-Eu tirei a vida de alguém, suguei seu sangue como uma besta assassina! –Não era possível que ela ainda não pudesse enxergar minha verdadeira face, não era possível que visse o que realmente sou.
-Uma besta assassina mata por diversão, apenas por matar. Vocês mataram para comer, porque precisam disso para sobreviver. Por acaso você recriminaria um homem pobre, que vai a uma reserva caçar para alimentar a si e sua família? Vocês não são tão diferentes, na teoria é claro. Além disto, foram aqueles centauros que os atacaram, vocês estavam atrás de animais e não deles. –Era incrível como a mente de Bella parecia raciocinar por "caminhos tortos" e, de certa forma, fazer tudo parecer diferente, quase me sentia menos culpado, menos selvagem.
-Ainda sim nos viu matá-los, ouviu seus gritos de agonia, o terror em seus olhos, nada disso nos impedindo de sugar-lhes o sangue, pelo contrário, nos estimulando a isso. –Era difícil admitir o prazer que aquela caçada o havia proporcionado, ele e seus irmãos estavam exultantes, havia sido tão fantástico, que esqueceram de que estavam sendo observados.
-Não estou dizendo que gostei de ver, apesar de ter sido bom. Eu olhava para Hermione e não conseguia parar de me imaginar no lugar dela, era assustador, mas ao mesmo tempo senti um pouco de ansiedade. Sei que é estranho, soa ruim até pra mim, mas eu adoraria poder estar lá, compartilhando aquela alegria que você sentia...
-Não consigo te entender, eu tento, mas eu não consigo. –Confesso sem saber o que sequer pensar. Também deixando de tentar ao sentir seu toque quente e suave em meu rosto.
-Eu te amo e nunca sentiria nojo de você e muito menos medo. Ou você acha que ainda não me deu provas o suficiente de que nunca me machucaria? –Tive que sorrir ao senti-la passando a mão suavemente em meu abdômen, sua voz doce e suas palavras carinhosas sussurradas perto da minha boca. Era tentação demais para qualquer um, principalmente com a chama que ainda ardia fortemente nos olhos castanhos.
-Ainda está louca pra tirar minha toalha, não? –A provoco, sentindo-a soltar o ar com força, ouvindo seu coração acelerar como uma Ferrari.
-Eu posso? –Sua voz era quase uma súplica, o que somado a excitação da caçada, me fez vislumbrar uma série de possibilidades incrivelmente excitantes.
-Não, ainda não. –Ela estremeceu, provavelmente antecipando o que meu tom de voz rouco e grave e meu sorriso malvado prometiam.
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Eu não gosto de atrasos, ninguém gosta, mas Rony andar de um lado pra outro certamente não ajudava a me acalmar. Tínhamos marcado uma hora pra ir, mas também não tínhamos hora marcada com ninguém.
-Rony, andar de um lado pra outro não vai fazer Edward chegar mais rápido. –Observo tentando soar despreocupado.
-Tínhamos um cronograma, um plano feito detalhadamente. E ele está duas horas atrasado! Se desistiu de vir, deveria pelo menos nos informar. –Rony estava aborrecido, tudo bem que Alice os informou que Edward atrasaria um pouco, mas duas horas estava longe de ser pouco.
-Eu não desisti, apenas tive um imprevisto. Mas eu já estou aqui. –Edward fala após aparecer de repente, devia ter vindo correndo.
-Tudo bem. Nós entendemos que pra você deve estar sendo difícil ir. Aliás, obrigado por vir. –Falo surpreendendo Rony, mas sabendo que só o poder de Edward poderia nos ajudar a descobrir as respostas que precisávamos.
-Bom, vamos então, já está ficando tarde. –Rony os lembra e os dois seguem o ruivo para fora, onde três Trestálios os aguardavam.
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Vira quando Harry, Rony e Edward voaram para além dos terrenos de Hogwarts, acompanhando-os com o olhar, desejando-lhes sorte. Depois, sentindo-se um tanto angustiada, tentou falar com Bella, mas esta dormia profundamente e pelo estado do quarto, não acordaria tão cedo. Decidiu então afastar as preocupações da mente lendo, pesquisando, porém sua maldita capacidade de se concentrar em muitas coisas ao mesmo tempo lhe permitia ler e pensar nos amigos ao mesmo tempo.
-Olá, Hermione. –Ela já havia sentido a presença de Esme, mas não deixou de se surpreender ao ouvi-la falando consigo, sentando-se ao seu lado.
-Oi. Tudo bem? –Pergunto sem entender direito o porquê de ela estar ali, nos últimos dias ela havia passado bastante tempo com a Sra. Weasley e com a professora Sprout.
-Comigo sim, mas com você eu receio que não. Está muito preocupada com seus amigos, triste por não poder ir com eles? –Apenas faço que sim, era a primeira vez que não poderia estar lá para ajudá-los. –Eles estão com Edward, que é muito cuidadoso, inteligente, atento. Ele não deixará nada acontecer com seus amigos.
-Eu sei, mas ainda me sinto mal. Quer dizer, como todos os meus novos poderes e habilidades, era para eu estar lá, eu certamente poderia ajudá-los, no entanto não posso nem ficar no mesmo andar que o Harry. –Era muito doloroso sentir-se tão impotente e saber que isso se devia ainda a incapacidade de estar com seu melhor amigo era ainda mais doloroso.
-Não fique assim, querida. Edward demorou um pouco, mas conseguiu se adaptar a Bella, você também vai conseguir se adaptar ao Harry, ainda mais convivendo tanto com humanos e tomando as poções inibidoras. –Esme tinha um tom tão doce, que era difícil não acreditar no que ela dizia. –Talvez, você deva deixar um pouco essa biblioteca e ir conversar um pouco com seus amigos e, se precisar de um colo, pode contar comigo. –Ela acariciava levemente meu rosto, provocando uma grande sensação de conforto.
-Obrigada Esme, você tem sido incrível. –Agradeço me levantando e a abraçando, sentindo aquele calor maternal tão confortável.
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Quando acordei, eu tinha duas grandes certezas: a primeira era que nunca havia sido tão feliz e nunca havia gostado tanto de passar uma tarde na cama e a segunda é que eu nunca havia sentido tanta fome. Tomei um banho rápido e quase corri até a cozinha, meu estômago doía tanto que sentia que se não comesse logo iria desmaiar.
Os elfos não eram lá o que eu esperaria de um elfo, tinham uma aparência estranha, mas até simpática, porém eram super-gentis. Assim que cheguei à cozinha fui recebida por vários deles, todos ansiosos para me servir as mais deliciosas comidas, claro que tanta atenção é de deixar qualquer um sem jeito, mas aceitei tudo de bom grado e comi lá mesmo, conversando com o mais simpático, chamado Dobby. Hermione havia me contado a história dele e ele tinha muitas outras para contar.
Assim que terminei, resolvi dar uma volta, era meio tarde para os humanos, mas certamente poderia encontrar um dos Cullen. Passei pelo hall, iria para o salão principal, mas a porta estava aberta então resolvi dar uma espiada no jardim, vendo duas silhuetas sentadas há alguns metros, provavelmente Hermione e Gina.
-Olá, boa noite! –Cumprimento as duas, que se viram para me cumprimentar exibindo sorrisos sinceros.
-Passou na cozinha? –Hermione pergunta olhando para mim, que me sentava a frente delas, como me apontava Gina.
-Sim. Pode sentir o cheiro dos elfos? –Perguntei e ela acenou que sim. –Eu fui comer algo, não foi difícil achar a cozinha, mas fiquei impressionada, não sabia que havia tantos elfos domésticos aqui! E todos são tão simpáticos e gentis, me encheram de comida. –Fiz uma careta ao final, estava me sentindo completamente cheia, acho que nunca havia comida tanto.
-Mas certamente o Edward te ajudará a manter a forma. –Gina fala com um sorrisinho malicioso, deixando Bella corada e fazendo Hermione rir levemente.
-Se te consola, Alice e Jasper, Emmet e Rosálie estão sumidos desde a hora da caçada. –Aquilo realmente me pegou de surpresa, talvez não fosse tão ruim assim a vida de casada após a transformação.
-Vampiros são muito diferentes de humanos? -Só consegui erguer uma sobrancelha como resposta. –Falo sobre namoro, quer dizer, você deve ter saído com alguém antes do Edward, não? –Ela estava realmente curiosa, então olhei para Hermione e ela parecia me incentivar a continuar. Talvez um pouco de conversa feminina me fizesse bem.
-Na verdade eu nunca tive um namorado antes do Edward. –Achei que ela faria algum comentário, mas apenas olhou de mim para Hermione algumas vezes.
-Acho que descobriu uma versão americana de você mesma. –Gina fala para Hermione com um sorriso estranho nos lábios.
-Eu disse a Gina o que costumávamos fazer pra passar o tempo e ela mal acreditou. Gina gosta de um pouco de agitação. –Hermione explica balançando a cabeça.
Após isso começamos a conversar sobre as coisas que as garotas bruxas costumavam fazer e tive certeza de que não importa o país ou o tipo de origem, garotas sempre são garotas, falando de garotos, moda, música, as estrelas mais quentes do momento. Então nos dedicamos a comparar as musicas trouxas e bruxas, que também me pareciam bem interessantes, apesar de eu não entender quase nada das letras.
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N/A: Neste capítulo vimos um pouquinho de ação, inclusive um pouco do poder dos centauros, que apesar de terem perdido, quase pegaram os Cullen.
Polly: Próximo capítulo tem Draco, acha que ele vai colaborar com o Harry?
Angel Cullen McFellou: O Edward abdicou, mas por um ótimo motivo né? Rsrsrsrsrs Se você gostou do "complô" da Mione com a Bella, aguarde que virá um "complô" bem mais elaborado pró H/H!
Perseus Fire: O reencontro realmente acontecerá antes do que você possa imaginar e, acredito eu, você gostará. Mas me diga, o que você espera da reação do Draco?
