Cap. 7 –Investigação

Depois de conversar boa parte da madrugada com Hermione e Gina, não foi surpresa ter acordado tão tarde. Lembrando que Edward não estava, não senti muita pressa em me arrumar e descer, no entanto me arrependi de ter demorado ao sentir o cheiro do café da manhã servido no salão principal. Era incrível como aquelas criaturazinhas cozinhavam bem, se não tomasse cuidado acabaria engordando.

Havia na mesa apenas alguns membros da ordem que comiam em silêncio, seus olhos marcados por olheiras profundas e as bandagens que apareciam discretamente mostravam que deviam ter voltado de alguma missão. Por isso me mantive em silêncio, logo depois seguindo para o jardim para aproveitar o primeiro dia de sol que via nas últimas semanas.

Não foi uma grande surpresa encontrar os Weasley e alguns membros da ordem no jardim, admirando os Cullen no lago. Jasper e Emmett usavam sungas e brincavam dentro da água, já Alice e Rosalie tomavam sol trajando apenas biquínis mínimos, enquanto Esme usava um comportado maiô e lia de uma posição em que poderia vigiar os rapazes.

-Onde estão Hermione e Carlisle? –Pergunto a Gina, que conversava com Fleur. A bruxa metade veela parecia não estar gostando muito da atenção que os rapazes estavam dispensando a Rosalie.

-Carlisle está cuidando de um pessoal que chegou ontem, parece que eram prisioneiros. Já Hermione ficou furiosa quando Emmett e Jasper a pegaram e jogaram na água. –Gina riu ao lembrar-se da cena. –Eles disseram pra ela ir por um biquíni e se juntar a eles, aliás, pelas minhas contas, se ela não aparecer em três minutos vão até lá buscá-la! –Gina além de rir parecia esperar que Hermione não aparecesse, só pra ver os irmãos Cullen a trazer a força. Cena que seria de fato muito cômica.

-Meninas, o que acham de se trocarem e se juntarem a nós? –Alice pergunta se aproximando sem ser percebida.

-Algum problema Alice? –Pergunto ao notar que ela parecia estar se concentrando em algo enquanto falava.

-Hermione decidiu não vir, está sem jeito por causa do brilho. –Aquilo era de se esperar, fora o novo corpo que certamente chamaria mais atenção do que ela iria querer. –Vejo que eles realmente vão atrás dela e isso não será muito bom, sabe como Emmett tem tendências destrutivas e Hermione perde a cabeça fácil. –Opa, a mistura de provocações de Emmett e feridos sangrando não geraria uma cena nada bonita.

-Já entendi. –Falo já pensando em como seria vergonhoso estar de biquíni ao lado de Alice e Rosalie, nunca havia passado por isso e sei que seria traumatizante, mas ao menos Edward não estaria ali para ver. –Gina, Fleur, será que poderiam falar para os rapazes também porem roupas de banho? Acho que isso melhoraria o clima pra Hermione.

-Sem problemas, eles não vão precisar de um segundo pedido. –Gina declara dando uma olhada rápida para os gêmeos e Carlinhos, que conversavam sem desviar os olhos de Rosalie.

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Estávamos parado do lado de fora da Rarus –Artefatos raros de todo o mundo, a loja indicada pelo informante de Lupin. Edward estava monitorando as consciências no interior da loja, havia dois clientes e um balconista. Esperamos os dois saírem e evitamos que outros entrassem usando um feitiço de confusão.

-Está na hora. É só seguirem o plano. –Rony fala um pouco nervoso, mas já se preparando pra entrar. Eu só aceno que sim, minha mente muito ocupada com as últimas imagens que tinha de Draco Malfoy.

Edward passa a minha frente e entra seguido de Rony, chamando a atenção do dono da loja, que só percebe minha aproximação quando eu já estava perto do balcão. Como o esperado seus olhos vão direto pra minha cicatriz, mas antes que ele possa pegar a varinha ou soar algum alarme, Edward e Rony seguram, cada um, uma das mãos, prendendo-as sobre o balcão, então lanço um feitiço para trancar a porta.

-Sr. Jones, eu ouvi algumas informações interessantes ao seu respeito. Ao que parece está ganhando bastante dinheiro contrabandeando artigos ilegais para Voldemort. –O homem treme diante do nome, mas seus lábios permanecem fechados. –Também soube que estaria usando um de seus depósitos para ajudar o filho de um grande amigo e cliente, Lucius Malfoy. –Podia jurar que seus olhos me disparavam maldições. –Agora, o que acha de ter a gentileza de me dar o endereço do esconderijo de Draco? –Pronunciou as palavras com calma, em entonação uniforme, algo que Edward havia ensaiado comigo para garantir que o sujeito pensaria no local.

-Eu não sei de nenhum esconderijo! –Jones fala com firmeza, os olhos fixos em meu rosto calmo. –Agora é melhor me soltarem, ou relato ao Ministério da Magia que invadiram minha loja e me ameaçaram. Eu sou um simples comerciante, só isso. –Rony e eu nos entreolhamos e rimos, era muita cara de pau para uma pessoa só.

-Então rapazes, o que acham de sermos mais convincentes? –Rony pergunta olhando de Edward para mim e vendo a permissão dele e meu sorriso cúmplice.

Não é como se eu realmente sentisse prazer em espancar alguém, mesmo sendo um covarde interesseiro que ganha dinheiro a custa de uma guerra, porém tínhamos que ser convincentes e isto pedia uma boa dose de violência e repetição exaustiva das perguntas.

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-Ânimo, Mione! Os garotos deram uma olhadinha em você, mas não tem como ninguém competir com a Rosalie e a Fleur. –Gina comenta ao se aproximar, Bella e Alice estavam com ela.

-Realmente, ficar discutindo quem tem o corpo mais perfeito por horas é irracional! –Alice resmunga e eu vejo que Jasper estava com Emmett e os rapazes, todos rindo e olhando para as duas loiras.

-Se o Harry e o Rony estivessem aqui, em que eles votariam? –Gina pergunta pra mim e, tudo bem que eu os conheço bem, mas daí a perguntar isso justamente pra mim?

-O Rony eu não sei, mas tenho certeza de que o Harry só teria olhos pra Hermione. –Não pude evitar olhar pra Bella que tinha um sorriso ao mesmo tempo confiante e malicioso. –Qualquer um pode ver que foram feitos um para o outro. –Meus olhos rapidamente registraram a expressão de Gina, que me olhava interrogativamente.

-Imagina Bella, o Harry é apaixonado pela Gina, os dois só terminaram pra segurança dela, você sabe Voldemort poderia fazer algo com ela para atingi-lo. –Pude ver que Bella ultrapassou vários tons de vermelho rapidamente e, apesar de Alice disfarçar bem melhor, também parecia incrédula.

-Harry comentou algo sobre isso? Quer dizer, sobre voltarmos depois que tudo isso terminar. –Ótimo, saí da frigideira e fui pro fogo. Claro que Harry não havia dito nada, estava muito ocupado pra isso.

-Correspondência, Mione, melhor você ir ver. –Alice tinha o tom sério e levemente preocupado, não parecia ser só uma desculpa pra me ajudar.

-Ok, vou verificar isso. –Agradecida, corro em direção ao meu quarto, ou melhor, de Harry, onde agora eu estava.

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Estava completando uma semana que estávamos de tocaia, apenas observando o depósito indicado por Jones, não que ele soubesse disto. Contudo, Edward havia nos alertado que Draco não estava escondido no depósito, havia uma mulher que ia até o depósito buscar comida e dinheiro trouxa para levar até Draco.

-Quem disse que ser espião ou qualquer coisa do tipo é divertido? –Rony resmunga enquanto comia mais dos biscoitos que havíamos comprado aquela manhã, se continuasse naquele ritmo, ia ficar do tamanho do Goyle.

-Não estamos aqui pra nos divertir, além disso, ela não deve demorar a aparecer, tem que ser hoje ou no máximo amanhã. –Eu estava tentando ser otimista, mas os resmungos do Rony me faziam ter vontade de esmurrá-lo.

-Daqui a cinco minutos. –Eu tive que olhar para Edward pra poder acreditar. –Ela está vindo do leste, podemos interceptá-la no beco.

-É melhor você ir sozinho, será mais discreto assim. Rony e eu daremos cobertura. –Edward assente em concordância e sai rápido e silencioso.

-Eu vou pro carro, você observa da esquina. –Rony coloca o boné e os óculos antes de seguir para a posição indicada.

O carro estava bem em frente ao beco, os vidros escuros ocultavam minha presença, me dando liberdade para observar o movimento do depósito, as pessoas que saíam e o que levavam. Foi então que a vi, era ruiva e tinha olhos negros, o porte, o semblante e o jeito de andar revelavam que devia ser de família rica e tradicional, apesar de tentar disfarçar usando roupas simples.

Algo pareceu chamá-la e ela se vira na direção do beco, onde o apenas o rosto de Edward era visível, apesar de parcialmente oculto pelas sombras. Instantes depois ela havia entrado no beco, quase não acreditei. Ele não usara a força ou magia, ela simplesmente entrara, não podia ser tão estúpida!

-Cara, você viu aquilo? –Rony pergunta entrando no carro pela porta de trás, parecia tão incrédulo quanto eu.

-Sim. Pelo visto não teremos trabalho nenhum com ele por perto. –Aquilo devia ser algo bom, mas ficar tanto tempo parado era um saco, eu precisava de adrenalina.

-Espero que não tenham esperado muito. –Edward tinha um tom divertido, provavelmente vira na mente de Rony o quanto aquela ação tranqüila, depois de uma semana de tédio, era irritante.

-Só vamos até onde o idiota do Draco está. –Falo observando a rua, apesar de Edward sempre dirigir rápido demais para apreciar a paisagem.

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-Cansou de se esconder? –Pergunto ao encontrar Hermione na biblioteca, era a primeira vez que a via em três dias.

-Estava me embriagando. –A resposta veio em tom bem humorado, mas mesmo sem olhá-la, sabia que era só uma tentativa de brincar com a situação. –Você tinha razão, a tortura dá certo, me sinto um pouco mais no controle. –Depois de por o livro que havia terminado no lugar, pego outro que estava logo acima e o ponho em cima da mesa, sentando-me a frente de Hermione.

-Isso é ótimo, mas tem algo mais, não tem? –Apesar da face quase inexpressiva, Hermione dizia muito com os olhos rubros e distantes. –Sabe que pode me dizer qualquer coisa que não vou achar estranho, não sabe?

-Sim. –Ela parecia hesitante, por isso me mantive em silêncio, esperando que ela estivesse pronta. –No outro dia você falou sobre o Harry e eu, na hora vi que não só você, mas a Alice também parecia acreditar que havia algo entre nós. –Apenas fiz que sim, me lembrava daquela errata horrível que havia cometido como se houvesse acabado de acontecer. –Não foi a primeira vez que disseram isso, mas quando eu era humana era mais fácil bloquear esse tipo de pensamento, havia tanta coisa em que pensar... -Ela parecia não saber como continuar, então resolvi dar uma forcinha, afinal sabia como era complicado admitir que amava alguém.

-Mas agora, como toda essa capacidade de pensar em muitas coisas ao mesmo tempo, fica difícil não pensar, ainda mais estando no quarto dele, sentindo-o tão intensamente, principalmente pela ausência.

-É como se faltasse algo. É ótimo estar com vocês, mas nem todas essas habilidades, esses poderes, nada vale a pena se pra isso eu tiver que ficar longe dele, é um preço alto demais. Eu preferia que Carlisle não tivesse feito nada por mim. –Eu entedia o que ela estava sentido, havia sentido o mesmo quando Edward me deixara.

-Hermione... –Eu ia tentar consolá-la, mas antes que eu pudesse terminar de levantar, ela já sumia pela porta da biblioteca. –Porque amar geralmente faz sofrer e não o contrário?

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Estávamos em North Lincolnshire, a pescaria tinha um papel importante na economia local, por isso demoramos um pouco até achar o galpão certo. O carro da ruiva estava lá, então ficamos por perto esperando ela sair, era melhor que ninguém suspeitasse de que Draco havia sido descoberto.

-Há quantas pessoas aí dentro? –Harry pergunta assim que entram no galpão que parecia um armazém onde os peixes eram limpos e preparados para a venda. Havia também um frigorífico a um lado onde as sobras do dia deveriam ficar.

-Um vigia dormindo e lá embaixo quem procuramos. –Edward fala enquanto abria a portinhola que dava acesso ao subterrâneo, havia uma tranca eletrônica protegendo-o e se o número digitado não fosse o correto, um alarme era disparado.

-Ele está sozinho? –Rony pergunta estalando os dedos, apesar de eu já ter avisado que não era pra encostar no Draco antes de termos a informação que queríamos.

-Não, a mãe dele está lá também. –Aquilo me pegou de surpresa, mas também era uma ótima notícia, algo mais com que barganhar.

-Caramba! Aqui em baixo fede mais a peixe que lá em cima. –Rony fala parecendo enjoado, algo que eu também compartilhava. –Sorte sua não precisar respirar. –Edward, em resposta, apenas mostra os dentes brancos em um sorriso presunçoso.

Seguimos por mais dois minutos até chegar a um cômodo que parecia uma sala mal organizada, havia uma lareira improvisada a um canto e caixotes na sala usados como assento. Mais ao longe havia uma mesa com vários pacotes de comida e o que parecia alguns exemplares do Profeta Diário.

-Ali. –Edward aponta para um local mais escuro e me aproximo para enxergar melhor. –Só a mulher dorme. –Ele me diz e então Rony aponta para dois colchões, mas somente um estava ocupado.

-Onde está Draco? –Pergunto não enxergando muita coisa, então Edward faz um sinal para que o sigamos.

Havia outra porta do outro lado da sala, que Edward informou ser o banheiro. Esperamos sentados nos caixotes até que Draco saísse, o que ajudou nossos olhos a se acostumar com a escuridão e os nossos narizes com o fedor de peixe.

-Até que enfim! Já tava achando que tinha se afogado na privada. –Rony resmunga ao ver Draco sair.

-Nem pense nisso, Draco, até porque nós queremos apenas conversar. –Edward fala em tom calmo, mas firme, provavelmente reagindo a algo que viu na mente de Draco.

-O que você quer, Potter? –O tom era o mesmo que ele sempre usava, mas pude notar que parecia preocupado com a mãe, que ainda dormia no quarto.

-Propor um acordo. –Ele apenas me olhou com uma expressão de dúvida e pelo jeito de Edward pensava em um jeito de derrubar nós três, se bem que provavelmente a pouca luz havia o impedido de notar que Edward era um vampiro. –Eu tomei Hogwarts de Voldemort, agora sou o novo rei do castelo e estou disposto a te oferecer um quarto confortável, sem fedor de peixe, com belas refeições preparadas pelos elfos, enfim, total liberdade desde que respeite os outros moradores do castelo.

-E em troca, o que você quer? –Havia um tom de desdém que mostrava que ele não levara a sério a proposta, o que de certa forma era esperado.

-Quero o local onde Snape está escondido. A cabeça do traidor, por sua liberdade. –Pude ver que os olhos acinzentados, se estreitaram e pareceram faiscar. –Sei que de alguma forma ele é próximo de você e de sua mãe, mas ele matou Dumbledore friamente. Traiu a confiança dele! E isso pra que? Ele não conseguiu salvar você de Voldemort, ainda te obrigou a ficar preso aqui, nesse lugar imundo!

-Agora que já falou o que queria, dê o fora do meu lugar imundo e volte pro seu castelo, otário. –Aquela pose de engomadinho que se julga bom demais pra se misturar me deixou irritado e eu teria azarado ele, Rony também havia avançado um passo quando Edward se pôs a nossa frente.

-Vamos, não conseguiremos mais nada hoje. –Eu ia protestar, mas ao ver que Edward parecia realmente ter algo a dizer, concordei e sinalizei para Rony também ir.

-Draco, ao menos pense no que te disse, consulte sua mãe. Sei que apesar de ser um idiota, você não é um comensal e nem um criminoso, então pense bem antes de tomar uma decisão. –Digo tentando parecer calmo, logo depois me virando para sair.

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Depois da conversa que tive com Hermione na biblioteca, estava decidida a ajudá-la, afinal ela havia me ajudado muito com Edward e agora eu poderia retribuir. Então meu primeiro passo foi conversar com Gina sobre Harry, perguntar do relacionamento deles sem, é claro, parecer uma intrometida ou fofoqueira, o que foi fácil já que ela parecia ansiosa por contar. A seguir procurei Alice e pedi que ela chamasse Esme e Rosalie para uma reunião na cozinha, enquanto eu iria atrás de Tonks, que parecia ser amigas de Hermione e Gina e conhecê-las bem.

-Olá, desculpem a demora. –Tonks fala enquanto entrava na cozinha. Ela tinha o cabelo em um tom estranho de roxo, o que parecia divertir Alice e desagradar Rosalie.

-Tudo bem, Bella aproveitava pra fazer um lanche. –Esme fala de modo simpático, estava junto a Alice e Rosalie de um lado da mesa, do outro Tonks se sentava a minha direita.

-E eu vou acompanhá-la, isso ta com uma cara ótima! Bela idéia fazer uma reunião na cozinha. –Eu sorri, seria ótimo ter alguma companhia para comer, já que por mais que eu já tivesse feito isso várias vezes, ainda era estranho comer sozinha enquanto os Cullen só olhavam.

-Então, será que agora eu poderia saber o motivo dessa reunião? –Rosalie não parecia muito feliz na cozinha, provavelmente porque os elfos domésticos tinham certo medo dela ao invés de lhe adorarem como uma deusa, como os rapazes costumavam fazer.

-Eu queria falar sobre Hermione. –Felizmente todas pareceram atentas e também um pouco preocupadas. –Conversei com ela hoje, antes de ela ir caçar e acho que ela não está nada bem.

-Ela não consegue se conformar por não poder estar com Harry e Rony, não é? –Tonks comenta enquanto se servia de suco, não parecia mais tão animada com a comida.

-Na verdade, ela não se conforma por estar longe de Harry, até chegou a me dizer hoje que se fosse pra ficar longe dele dessa forma, que Carlisle não deveria tê-la transformado. –Tonks se engasgou com o bolo, Alice pareceu ficar mais séria como se monitorasse Hermione só para ter certeza de que ela estava bem, Rosalie tinha uma expressão que parecia quase solidaria e Esme estava visivelmente preocupada.

-Ela está no quarto dele agora, está lendo e ficará fazendo isso por um longo tempo. –Alice parecia mais tranqüila ao dizer isso, não que eu achasse que Hermione fosse tentar se matar, o que não seria tão difícil com aqueles centauros raivosos.

-Eu entendo que ela esteja deprimida por ter que ficar longe do melhor amigo, mas talvez quando ela começar a ir em missões, isso melhore, afinal vai estar ajudando a causa que tanto fez para defender. –Esme fala pensativa, certamente gostaria de conhecer melhor Hermione para poder ajudar.

-Mãe, não seja tão ingênua, garota nenhuma prefere morrer a ficar longe de um amigo ! –Rosalie fala em tom óbvio, o que significava que mais gente concordava com meu ponto de vista.

-Eu sempre achei a amizade deles algo muito bonito, mas um tanto inexplicável. Quer dizer, eles têm não só um grande companheirismo e confiança, mas também um jeito todo especial de se entender, conversando por olhares e pequenos gestos, quando os conheci poderia jurar que havia algo mais, que não fosse um namoro, mas quase isso.

-Não esperava que ele fosse namorar a Gina? –Pergunto tentando entender exatamente como funcionava aquele triângulo.

-Ela parece ter se apaixonado desde antes de conhecê-lo, ao ouvir Rony falando do amigo, das suas aventuras. E chegou até a falar sobre isso com ele na época ela tinha 11 anos e ele 12, mas não deu em nada e o Harry teve uma namorada no quinto ano, a Gina saiu com outros rapazes para tentar esquecê-lo, mas parece que não deu muito certo. Então acredito que ano passado Harry tenha reparado o quanto a Gina havia crescido e se tornado uma bela garota, ela é muito popular entre os rapazes da escola, em paralelo a isso, parece que Hermione se interessou pelo Rony, que por sua vez namorou outra.

-Hermione gostava do Rony? –Rosalie pergunta em descrença, algo em que eu concordava totalmente com ela. Não conseguia imaginar Hermione ao lado de um garoto como Rony, não que ele não fosse legal, mas parecia tão imaturo.

-Acho que sim, eu não posso afirmar porque ela nunca me disse nada, na verdade Hermione sempre foi muito reservada quanto a isso. –Tonks parecia um pouco perdida e Alice novamente tentava enxergar algo a frente.

-Acho que isso realmente não importa agora. Não devia estar falando isso, me pareceu uma confidência, apesar dela não ter pedido segredo, mas ela está percebendo o quanto gosta do Harry e isso só está tornando toda essa situação pior pra ela. –Me senti um pouco culpada, mas eu precisava fazer algo e precisaria de ajuda.

-Que ótima hora pra ela perceber isso! –Rosalie recebeu meu melhor olhar recriminador, mas ignorou. Como ela podia dizer que havia hora errada para descobrir o amor?

-Não consigo ver nada sobre isso no futuro deles, pelo menos vejo Harry dizendo que não está mais interessado pela Gina, vai dizer a ela que eles não vão voltar independente do que aconteça e ela até reage bem. –Alice parecia otimista, apesar da indefinição do destino de ambos.

-Nesse caso, precisamos pensar em como juntar os dois, independente deles se verem ou não! –Tonks parecia decidida e seu cabelo mudara do roxo para um vermelho intenso, como se estivesse em chamas. As outras também pareciam animadas, como havia imaginado, elas adorariam bancar os cupidos.

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-Então Edward, porque não me deixou acertar aquele idiota? –Rony pergunta assim que sai do banheiro, havíamos feito questão de ir para um hotel e tomar banho pra tirar aquele fedor de peixe.

-Porque podemos estar enganados quanto ao Snape. –Aquilo quase me fez rir, como eu poderia estar enganado de algo que eu vi . –Vi claramente que Snape estava comprometido a ajudar Draco. Se ele não conseguisse, deveria pegar para si o fardo de Draco...

-Ninguém mandou ele prometer algo que não deveria! –Rony estava tão indignado quanto eu, não poderíamos simplesmente perdoar uma traição daquelas.

-Dumbledore sabia dessa promessa e, devido ao veneno que o mataria de qualquer forma, autorizou Snape a matá-lo, na verdade depois que ele tomou a poção que protegia o falso colar, ele estava sofrendo muito e não teria mais tempo de vida. Ao que parece, Snape fez um favor aliviando o sofrimento de Dumbledore. –Edward continuou como se não tivesse sido interrompido e olhava pra mim com a expressão firme, aparentemente sem emoções, mas os olhos esperavam que eu fosse nobre, o herói que todos pareciam querer que eu fosse.

-Você sabe onde o Snape está? –Rony me lançou um olhar de dúvida, mas apenas fiz que não.

-Ele irá se encontrar com Draco em quatro dias, irão trocar de esconderijo como fazem periodicamente, apesar de provavelmente ser tão inóspito quanto esse.

-Vamos surpreendê-los. Então eu farei as perguntas e você forçará a mente dele. Vou deixá-lo tonto com um feitiço e então as proteções dele ficarão frágeis o suficiente. Se o que Draco sabe for mentira, eu matarei na hora, senão poderemos conversar. –Era uma decisão definitiva, por isso ignorei tudo e sai, precisaria de tempo sozinho pra pensar.

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Já havia quase duas semanas que Edward havia partido e cada dia parecia durar uma eternidade, nem meu envolvimento com os problemas de Hermione parecia capaz de me distrair de sua ausência. Era diferente de quando ele havia me deixado, agora eu sabia que ele me amava e voltaria pra mim assim que pudesse. No entanto isso não sossegava meu coração e chegava a se manifestar fisicamente, me sentia sonolenta quase sem vontade de me levantar, tentava suprir a falta de seus carinhos com chocolate, o que me deixaria gorda e cheia de espinhas.

-Você não está bem. –Era Hermione, nos últimos dois dias vivia atrás de mim só porque havia me visto ter uma tontura, disse que foi por levantar muito rápido, mas ela parecia não acreditar.

-Eu estou ótima! Com um pouco de sono, mas bem disposta. O que acha de irmos a Hogsmeade fazer umas compras? Alice está meio ansiosa desde que Jasper saiu em missão. –Aquilo seria perfeito para distraí-las, além de me dar um pouco de paz. Hermione conseguia ser pior que Edward quando decidia cuidar de alguém.

-Vamos levá-la a Carlisle, ele já espera na enfermaria. –Alice surge de repente a minha frente, mas o borrão colorido que ela formou logo se transformou em escuridão.

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