Cap. 8 –Reencontro

Emmett fora convidado por Fred e Jorge para testar mais uma de suas geminialidades, algo que deixara o vampiro curioso e animado. Os três caminhavam no teto graças a um feitiço nos sapatos. Os gêmeos trocaram um sorrisinho cúmplice ao parar a frente do quarto de Fleur, a vítima escolhida.

-Preste muita atenção na sutileza, meu caro. –Fred fala enquanto retirava a varinha e fazia um estojo de madeira flutuar até a porta do quarto.

-O pulo-do-gato é não fazer alarde. –Jorge completa fazendo um gesto com sua varinha para abrir o estojo, de onde milhares de pequenas aranhas começaram a sair.

-Aranhas? Essa é a grande invenção de vocês? –Emmett resmunga, enquanto olhava, entediado, as aranhas passarem por baixo da porta do quarto.

-Elas são feitas de um material parecido com o plástico, porém possuem pêlos que parecem reais, além de uma mobilidade muito fiel. –Fred explica sem tirar a atenção da porta.

-E o principal: Nenhum feitiço contra aranhas pode "matá-las"! –Assim que Jorge fala, gritos femininos são ouvidos de dentro do quarto e a porta se abre com grande estrondo.

Embasbacado, Emmett observa Fleur sair pelo corredor apenas de lingerie, enquanto Gina estava coberta por um roupão, Tonks era a única normalmente vestida e a mais calma. Fleur e Gina se debatiam e gritavam e tinham aranhas em todo o corpo, enquanto Tonks tentava, sem sucesso, usar feitiços que matavam o espantava aranhas.

Os três rapazes seguravam o riso, mas ao vê-las correndo para as escadas, resolveram ir atrás, já que estavam apenas um andar acima do saguão de entrada. As três correram tentando jogar as aranhas para longe do corpo, mas elas voltavam e deixava-as apavoradas.

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-O que é isso? –Pergunto ao ver Fleur, Gina e Tonks correndo escada abaixo, o corpo delas estava coberto coisas pretas. Edward, Rony e eu havíamos acabado de chegar.

-ARANHAS! –As três gritam ainda se debatendo.

-Calma, eu vou ajudá-las. –Edward tenta se aproximar em velocidade humana para não assustá-las. Ao mesmo tempo eu fazia o mesmo, enquanto Rony andava para trás até se encostar a parede, sua face estava tão branca quanto à parede.

Conjurei dois potes de vidro e dei um a Edward, o outro ficara comigo para por as aranhas que tirava de Fleur, enquanto Edward tirava as de Gina e Tonks. Fred e Jorge logo chegaram e lançaram alguns feitiços mirando nos potes que Edward e eu segurávamos.

-Pode deixar que a gente se livra delas. –Fred fala pegando um dos potes, Jorge pegava o outro.

-Obrigada, Harry! –Fleur fala quase aos prantos, enquanto eu tirava meu sobretudo e colocava sobre os ombros dela.

-Tudo bem, não foi nada. –Digo sem jeito, imaginando o que Gui pensaria se nos visse. Gina e Tonks também agradeciam Edward, que olhava torto para Emmett.

-Vamos subir e nos vestir pro jantar. –Tonks fala e logo depois afasta Fleur de mim, Gina as segue.

-Emmett, você não tinha nada melhor pra fazer não? –Edward rosna para o irmão, me fazendo entender o porquê das aranhas não morrerem esmagas. Só poderia ser invenção dos gêmeos. –Isso é mentira! Diz que é só mais uma brincadeira idiota. –A reação repentina de Edward não tinha sentido, só o vi pulando sobre Emmett que parecia estar arrependido por algo. No instante seguinte Edward corria escadas à cima.

-O que houve? –Pergunto a Emmett que ainda estava no chão, mas no segundo seguinte um grito pavoroso ecoa e imediatamente me levanto, Emmett passara rápido ao meu lado e logo outro borrão o seguia.

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Tonks guiara uma trêmula Fleur para o andar de cima, Gina ia a frente olhando atentamente o chão para ver se haveria algum sinal daqueles bichos. De repente, um vulto salta sobre Fleur e Tonks, lançando-as no chão. Gina se vira rapidamente com a varinha em pulso, mas fica estática ao ver Hermione empurrar Tonks para longe e agarrar os cabelos de Fleur.

Tonks, com seus rápidos reflexos de auror, já sacara sua varinha e rapidamente lança um feitiço expulsório em Hermione, jogando o corpo dela para longe de Fleur. Mas a vampira se recupera imediatamente, lançando um feitiço em Tonks que defende com um feitiço escudo, Gina também lança um feitiço, que conjura correntes em volta de Hermione.

Antes que as duas bruxas pudessem ver, Hermione salta para trás delas arrebentando a corrente com sua força maior e lança feitiços que lançam as duas no ar, sobre a mureta de segurança perto das escadas. Porém Emmett subia e pega as duas no ar, deixando-as inconscientes no chão, enquanto Hermione pegava Fleur, que estava inconsciente, pelo cabelo.

-Hermione, não! –Alice brada velozmente, instantes depois se chocando contra Hermione e rolando no chão com ela. –Lute, você pode! –Alice tenta fazê-la retomar o controle, enquanto desviava por milímetros dos socos que Hermione tentava lhe desferir.

Cansada dos desvios de Alice, Hermione lança um feitiço que faz o chão sob Alice quebrar e despencar com a vampira, enquanto Emmett se lançava sobre ela, fazendo-a também atravessar o buraco.

-Alice, você está bem? –Emmett pergunta indo até a irmã e vendo-a se levantar meio tonta.

-Hermione. –Ela diz brevemente e Emmett rapidamente age, sentindo o deslocamento de ar na direção de onde vinha o cheiro de Harry.

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Após o segundo borrão passar por mim, algo me fez sentir que o problema envolvia Hermione, então recuei e voltei para perto de Rony. Do salão principal saía Esme, McGonagall e Carlisle, que pareciam falar com Rony em busca de informações.

Ia me juntar a eles, quando um barulho semelhante a uma explosão soou atrás de mim, do corredor que levava a cozinha. No instante seguinte Esme e Carlisle ficaram a minha frente, enquanto uma nuvem de cachos castanhos parecia correr em minha direção.

Meu coração dispara, não poderia ser, não depois de tanto tempo. Mas após o som de trovão, pude ver os olhos vermelhos e famintos sobre mim, de sua boca pingava uma substância quase translúcida, mas que apesar de lembrar saliva devia ser veneno. Contudo, a expressão antes angelical e agora irreconhecível, era o que mais machucava.

Emmett e Alice logo se juntaram a Carlisle e Esme em uma luta feroz e muito rápida para nossos olhos humanos, apesar de agressiva para os nossos ouvidos. De repente os quatro Cullen estavam caídos e pareciam feridos, uns sobre os outros jogados contra uma parede.

Hermione tinha uma posição felina, os olhos eram famintos e superiores, a expressão completamente bestial. Ela se lançaria sobre mim e me devoraria, mas assim que deu um passo a frente, uma esfera roxa a atingiu e lançou contra a porta aberta, lançando Hermione para o jardim. No segundo seguinte os Cullen saíam pela porta em velocidade sobre-humana, seguidos por McGonagall.

-Rony, cuide dele. Tudo ficará bem. –Ela fala para Rony, provavelmente captando meu jeito imóvel, completamente impotente.

-Agora entendo o que ela quis dizer. –Rony fala se aproximando e me abraçando, como se passasse força. Viro-me para ele sem entender e vejo que seus olhos estavam marejados. –Ela me disse que era um monstro e nunca mais seríamos um trio.

-Não! –Eu não podia acreditar naquilo, não conseguia imaginar minha vida sem aquela que sempre estivera pronta para me entender, para me apoiar, a única que realmente me conhecia completamente. –É como se ela estivesse doente, nós só precisamos dar um tempo para ela se recuperar, tomar o controle. E se for preciso que eu faça mais alguma coisa, eu farei, não importando o que. –Eu estava de terminado e, sabendo que ele tentaria falar algo em contrário, me livrei dele e segui para cima, para meu quarto.

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Entro na enfermaria, Jasper estava a um lado de Bella e Rosalie de outro. Madame Pomfrey olha para mim indicando que eu deveria ter calma. Ando em velocidade humana, não por medo de assustar alguém, mas porque meu corpo todo tremia, eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo, mesmo vendo-a deitada na cama, pálida e com leves olheiras sob seus olhos.

-Bella, me diz que o que eu vi na mente de Emmett não é verdade. –Peço quase implorando, não queria pensar no que aconteceria se fosse verdade.

-Se o que viu, é que será pai, viu certo. –Ela tinha um grande sorriso nos lábios, apesar da voz fraca, parecia entorpecida, provavelmente por Jasper estar jogando uma atmosfera tão densa de calma pra mim, coisa que só me irritava mais.

-Jasper, creio que sua presença seja mais necessária lá embaixo. Hermione está totalmente descontrolada. –Todos ouviram os sons de luta e, após uma breve hesitação, Jasper sumiu pela porta da enfermaria.

-Eu estou protegendo-a, então nem pense em tentar algo. –Rosalie avisa quase rosnando, mas eram seus pensamentos agressivos e de proteção a Bella que me assustavam tanto quanto me surpreendiam.

-Está tudo bem, Rose. Edward jamais me machucaria. –Bella se mostra tranqüila, a voz ganhando um pouco mais de força. Ela estende a mão para mim e eu vou me sentar ao seu lado, segurando sua mão com carinho e depositando um beijo suave em sua testa.

-Bella, eu entendo que seja difícil para você, mas às vezes um sacrifício é necessário. Como quando um bebê é acéfalo e a mãe tem que abortar. É difícil, doloroso para os pais, mas necessário. –Tento me acalmar, enquanto Rosalie me lançava imagens nada agradáveis de bebês mortos, mesclando-as ao discurso de Carlisle.

-Nosso bebê está bem e eu vou fazer de tudo para mantê-lo assim, pode custar muito, mas irei fazer com que nasça com vida e saudável. –Ela estava determinada e aquilo era um enorme problema, principalmente porque ela tinha apoio. Não contive um suspiro enquanto compreendia que precisava ser duro.

-Acontece que eu não posso te dar um bebê! O que eu pus aí dentro é um monstro. Um monstro que quer te matar. –Falo mantendo o tom calmo, mas sendo firme e talvez um pouco agressivo, pois Rosalie se levantara e parecia pronta a saltar sobre mim caso eu me movesse minimamente.

-Edward, nada que possa vir do nosso amor será diferente dele! Aqui há um símbolo da pureza, da força e verdade de nossos sentimentos. Sei que pra você é difícil entender, mas acredito que com o tempo você verá que estou certa. –Mas uma vez ela se mostrava resoluto e muito calma, calma demais. Por experiência, sabia que toda aquela calma significava o quão certa de sua decisão ela estava, mesmo que para isso precisasse dar sua vida.

-Ouça, meu amor. Eu adoraria que fosse possível formarmos uma família, mas não é. E entre você e um bebê, acredite, eu escolho você. É de você que eu preciso para viver. –Pela primeira vez em meu quase século de existência, eu não conseguia pensar com clareza, parecia que meu mundo estava desabando.

-Você ainda me terá. Carlisle está fazendo diversos exames e estudando meu estado, os bruxos também farão isso. Madame Pomfrey já realizou alguns exames e amanhã chegará uma curandeira especializada para cuidar de mim. –Pela mente de Rosalie, podia ver que não só ela, como Hermione pareciam otimistas, até mesmo Molly Weasley estava alimentando suas fantasias.

-Não há nada que eu possa fazer, para que você mude de idéia? –Pergunto já sem saber o que mais fazer.

-Não. Eu não vou mudar de idéia Edward e em breve você me agradecerá por isso. –Eu precisava de um tempo para pensar e, principalmente, falar com Carlisle.

-Vou procurar Carlisle, depois eu volto. –Me esforço para manter a fachada calma, mas antes de ir, tomo seus lábios mostrando o quanto eu havia sentido sua falta.

-Não demore, ainda sinto sua falta. –Sorrio tentando mostrar que ficar com ela era tudo o que eu queria, apesar de ter imaginado um reencontro bem diferente.

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Ouço batidas na porta e meu primeiro pensamento é em mandar a pessoa pro inferno, mas pensando que poderia ser alguém com notícias de Hermione resolvo mandar entrar. Sentei-me na cama e quando olhei para o lado me surpreendi ao ver Lupin, que não costumava vir ao castelo com freqüência.

-Olá Harry! –Ele fala tentando sorrir, mas minha cara não devia ser muito encorajadora.

-Oi, Lupin. Como ela está? –Pergunto indo direto ao ponto, enquanto ele se sentava a minha frente com uma expressão séria.

-Me chame de Remo, já está mais que na hora. –Eu assinto e ele continua. –Ela está sob controle. O grandão a levou pra caçar. –Aquilo me deixou mais aliviado, apesar de não acabar com minhas preocupações.

-O nome dele é Emmett. –Completo enquanto meus pensamentos vagam para o que eu deveria fazer.

-Eu ainda não convivi muito com eles, mas vou fazer um esforço. –Lupin se sentia desconfortável na presença dos vampiros, que por sua vez pareciam mais acostumados com a presença de lobisomens, diziam até que o cheiro dele era bem mais agradável que o dos Quileute.

-Então vai ficar por aqui? –Aquilo era novidade e algo me dizia que tinha a ver comigo.

-Enquanto não houver algo que exija minha presença, vou ficar e ajudar vocês.

-Não tem como. Você sabe o que houve hoje... ela perdeu o controle só de sentir meu cheiro no sobretudo. Eu vi os olhos dela me fitando e eram irreconhecíveis, perto de mim ela não pode ser ela mesma. -Cada palavra pronunciada parecia arranhar minha garganta como se estivesse expelindo diabretes.

-Mas não é se afastando que você irá ajudá-la. –Apenas ergui a sobrancelha, não era possível que ele achasse que eu poderia simplesmente ir até ela e falar, mesmo com todos os Cullen entre nós. –Minerva e eu conversamos muito sobre essa situação e ambos chegamos à mesma conclusão. Vocês três se conheceram ainda crianças e passaram por muitas coisas que os fizeram amadurecer muito rápido e passaram por tudo isso juntos, ajudando uns aos outros a descobrirem-se. E agora Hermione está num novo processo de descoberta e não pode fazer isso sozinha, precisa de vocês dois perto.

-Remo, eu daria qualquer coisa para estar ao lado dela, seria capaz de fazer o que fosse, mas na atual situação eu não sei o que posso fazer. Nem praticamente todos os Cullen juntos conseguem segurá-la quando ela está perto de mim.

-Eu sei que não há como ficarem por perto agora, mas deve haver um jeito de vocês se manterem em contato, nem que seja por cartas. Eu até pensei em algo, pode ser meio bobo, mas talvez dê certo e a ajude a se sentir mais perto de você.

-Aceito qualquer sugestão. –Já havia tentado as cartas e achei muito impessoal e vazio, além de difíceis de escrever.

-Tente dar a ela presentes. Se não todo dia, algumas vezes na semana. Pode ser uma bela flor que viu no jardim, ou um desenho, um poema copiado de algum livro, qualquer coisa que ache que ela gostaria. Coisas simples, mas com significado. –Se a situação não fosse tão séria, eu iria rir.

-Remo, eu não sou um admirador secreto, não quero conquistá-la! -Eu deveria ter soado irônico, mas a idéia era boba demais para eu conseguir ficar sério.

-Bom, sei que pode parecer isso, na verdade até foi em uma experiência dessas que me baseei, mas pode ser aplicada a dois amigos que não podem se ver. É só algo para fazê-la se sentir mais perto, coisas mais palpáveis. –A sugestão até que não era ruim, mas se alguém ficasse sabendo, certamente interpretaria do jeito errado.

-Eu entendo e até acho uma boa idéia. Vou ver no que consigo pensar. –Essa seria a parte difícil, sempre que eu pensava em presenteá-la, logo me vinha um livro a mente e isso não seria o mais adequado, além disso, eu não sabia o quanto ela havia mudado.

-Agora me fale da sua missão. Como foi? –Uma boa mudança de assunto e pelo visto Remo se sentia muito mais à-vontade neste.

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Durante toda a noite eu pensei no que havia acontecido, não conseguia tirar a face de Hermione de minha mente, seus olhos pareciam me assombrar sempre que fechava os meus. Decidi sair do quarto, precisava me exercitar um pouco, esvaziar a mente para me concentrar em um jeito de sumir com aquele monstro e trazer a minha amiga de volta.

Caminhava devagar quando Edward veio ao meu encontro, parecia tão mal quanto eu, então o convidei para ir comigo a sala precisa conversar um pouco. No caminho ele me contara que Bella estava grávida e quando fui dar os parabéns, ele recusou e contou o que estava acontecendo com ela. Imediatamente compreendi seu estado de espírito, principalmente quando este mencionou que Rosalie não saía de perto de Bella e que lançava imagens que o feriam e provocavam.

Ao chegar à sala precisa, tentei pensar em um lugar onde poderia liberar aquela tensão e creio que Edward tenha feito o mesmo, pois ao entrarmos a sala estava vazia, parecia maior, as paredes estavam cobertas por um material resistente, assim como o teto, o chão parecia firme e tinha uma textura que parecia não permitir que o pé deslizasse.

-Quer ter uma luta comigo? –Edward pergunta quase sarcástico, estava claro que achava uma idéia ridícula e estava convencido da vitória fácil.

-Quem sabe eu não consigo usar novamente aquela magia toda que experimentei contra os comensais. –Provoco de volta, tentando suprimir as imagens que provocaram tal explosão.

-Você quem sabe, Harry. –Ele parecia claramente me subestimar e aquilo era algo que eu não tolerava.

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Assim que acordei, senti pontadas doloridas na região do abdômen e gemi baixinho, logo sentindo mãos frias me tocando, o que me acalmou e fez levantar rapidamente, no entanto as mãos pertenciam a Rosalie, que sorriu divertida diante do meu desapontamento e depois apontou para um ponto atrás de mim. Virei-me esperando ver Edward, mas o que vi foi um rapaz sem camisa, as costas fortes estavam machucadas, havia curativos em um dos braços e uma mancha vermelha tomando parte do rosto e pescoço.

-Ela acordou. –A voz musical de Rosalie fez o rapaz se virar surpreso. O rapaz era Harry, que tinha ferimentos também na frente de seu corpo.

-O que houve com você? –Minha voz saiu mais chocada do que eu esperava, o que o fez rapidamente pegar uma camisa para se vestir. –Não precisa. Quer dizer, deve estar doendo.

-Além disto, a visão estava ótima, mesmo com todos estes hematomas. –Aquele comentário me surpreendeu, tudo bem que Harry era muito bonito, mas ela amava Emmett. –O que? Só porque amo alguém não posso mais apreciar um belo rapaz, vai me dizer que pra você o único que existe é Edward? –Ela parecia incrédula, mas a verdade era que a resposta era sim, talvez porque tudo ainda fosse muito recente.

-Bom, claro que eu acho o Harry bonito, mas eu só penso no Edward. Quer dizer, você e o Emmett estão juntos há décadas e talvez daqui uns anos eu também me sinta um pouco mais livre, mas por enquanto tudo o que quero é estar com ele.

-Isso é bom, quero dizer, ter alguém importante assim com você. –Harry fala já com a camisa e vindo se sentar ao meu lado. –Edward deve vir assim que souber que já acordou, ele passou a madrugada preocupado com você. –Harry me diz como se tentasse me tranqüilizar, mas não escondeu que também estava preocupado, assim como os outros.

-Eu estou bem, estou confiante na medicina bruxa e trouxa! –Digo tentando animá-lo, mas consigo apenas um tímido sorriso. Ergo a mão direita, tocando-lhe suavemente a face sobre a macha já arroxeada. –Hermione fez isso ontem? –Pergunto o mais delicadamente que posso, tentando não julgá-la.

-Não, ela nem tocou em mim. Os Cullen são muito rápidos, você sabe como são ótimos protetores! –Eu concordei sorrindo, Rosalie concordava parecendo orgulhosa. –Esses arranhões foram feitos em um treino amistoso com Edward, mas não fui surrado, saibam que ele sofreu um bocado com meus feitiços, não está ferido, porém garanto que o ego está em muito pior estado que eu. –Ele parecia bastante orgulhoso, o que me fez ficar um pouco apreensiva por Edward, apesar de saber o quanto os vampiros são resistentes.

-E onde está o meu irmão? Escondido com medo de você? –Rosalie pergunta parecendo achar graça naquela situação. No instante seguinte, Tonks, que acabava de entrar, responde.

-Ele está no salão principal, narrando como Harry foi muito bem no treino esta madrugada. Parece que ele está bolando algo com Jasper e Emmett para ajudar a desenvolver os poderes de Harry. –Era ótimo ouvir aquilo, pois significava que Edward tinha outras preocupações na mente, que pudessem diminuir sua preocupação comigo.

-Hermione está lá? –Harry pergunta parecendo um pouco receoso, mas eu tinha certeza de que não era medo por ele e sim preocupação com ela.

-Não. Parece que está se isolando de tudo. Alice disse que ela não vai deixar ninguém se aproximar, mas que aceitará isto. –Tonks responde enquanto dava um embrulho para Harry, o que fez meu coração acelerar, era a fase 1 do plano, só poderia ser.

-É a nossa encomenda? –Pergunto sem me agüentar de curiosidade, enquanto Harry analisava o embrulho.

-Sim. E este é o seu par, Harry, abra. –Tonks o incentiva. Ele lança um olhar desconfiado a nós duas, mas depois abre, ficando surpreso ao ver um livro de capa negra totalmente em branco.

-É um diário de par. Você sabe o que é? –Digo sem me conter de expectativa. Tonks e Rosalie pareciam tão em expectativa quanto eu.

-Sim. Mas não sei se Hermione vai querer falar comigo depois de ontem. –Ele tinha um tom de lamento na voz que me fazia ter vontade de chorar, se bem que no momento quase tudo me dava vontade de chorar.

-Se você não tentar, não vai saber. Além disso, ela pode achar que você não quer falar com ela. –Rose foi direta e precisa, pois na mesma hora pude sentir mudança na postura dele.

-Tem razão. Eu vou descer pra tomar café e tento escrever. Também vou pedir que mandem comida pra você, Bella. –Havia um brilho diferente nos olhos dele, algo que me fazia acreditar que daria certo.

-Obrigada, estou faminta! Peça que caprichem nos ovos. –Eu estava com tanto desejo, que poderia passar o dia só comendo ovos, o que me fazia pensar que odiaria ovos no futuro. Com um aceno, Harry se despediu de nós, deixando-nos conspirando sobre o que poderíamos fazer para resolver o problema causado na noite anterior.

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Cheguei rapidamente à cozinha e pedi o café para Bella, depois peguei algumas torradas, um pedaço de bolo, um copo de suco e uma xícara de café. Segui com meu lanche para uma sala vazia no segundo andar, sentando-me na mesa do professor e organizando a comida de um lado, enquanto me sentava mais para o outro com o diário a minha frente.

-Vai dar tudo certo, ela vai responder! –Digo para mim mesmo, depois conjuro uma pena sem o auxilio da varinha, era um bom jeito de ganhar confiança.

Hermione, você está aí? Preciso falar com você. -Escrevo e então aguardo. Ela poderia ainda não estar com o diário, além disto, ela veria o brilho de aviso de mensagem.

Tentando não pensar que ela poderia simplesmente estar me ignorando, tento comer o bolo, deixando as torradas para depois. Já estava no fim do bolo e na metade do café, quando vejo a letra elegante e bem desenhada surgir rapidamente logo abaixo da mensagem que eu havia escrito.

Harry, me desculpe, eu sinto muito! Eu sou um monstro horrível, devia ter morrido quando fui atingida pelo comensal, Carlisle nunca deveria ter Vendo o caminho das coisas, resolvi escrever interrompendo-a. me transformado, bruxos devem ser vampiros completamente descontrolados, por isso não há outros por aí

PARE! Não quero que escreva mais esses absurdos! -A vi parar de escrever, pelo visto estava disposta a ver o que eu tinha a dizer. - Hermione, eu não a culpo. Não estou com raiva, medo ou qualquer coisa assim. É claro que estou preocupado com você, não quero que se sinta mal, que se sinta culpada. Meus sentimentos a seu respeito não mudaram, pelo contrário, passei a noite sofrendo por não poder te procurar, te abraçar e dizer que tudo ficaria bem. Nunca me senti tão impotente em toda minha vida. -Paro de escrever ao ver que ela escrevia algo, as primeiras palavras acabando por ficar misturadas as minhas últimas.

Não diga isso, já estou arrasada por ver que todo meu esforço não adiantou de nada. Saber que você também sofre, só me faz sofrer mais, pois acredite, não há lugar em que eu gostaria de estar mais, que não em seus braços. -Houve uma pausa, mas a pena parecia ainda estar no diário, então esperei um pouco. -Eu ganhei habilidades maravilhosas, não falo as força ou velocidade, mas os meus sentidos. É tão incrível tudo o que eu agora posso ver, ouvir e sentir, no entanto toda essa maravilha é facilmente obscurecida por essa sede angustiante e opressiva. É bom poder estar perto dos outros, mas é horrível não poder confiar em mim quando estou perto deles, porém isto ainda é suportável. Já não poder estar ao seu lado, te ajudando nesse momento em que o que você mais precisa é ajuda, me faz sentir tão vazia que torna toda essa beleza o cenário do pesadelo mais longo e cruel que já tive. -Nunca em toda minha vida eu senti tanto ódio de Voldemort e tudo aquilo que ele representava, ele não só havia destruído minha vida, como parecia determinado a destruir a vida de todos que me amavam.

Por favor, não se sinta assim. Tenho certeza que mesmo que não esteja fisicamente comigo, pode me ajudar muito. Além disto, esta idéia dos diários de par é ótima. Se fechar os olhos e tentar imaginar, pode sentir que estamos juntos, aposto que pode até ouvir minha voz!

Não sei.

Por acaso já esqueceu como é minha voz?

Não, claro que não!

Então me sinta sentado ao seu lado, bem perto, minha mão tocando de leve a sua, meus dedos se entrelaçando aos seus e então minha voz soando baixa em seu ouvido. Pode sentir isto?

Sim. Eu posso.

Viu, nada pode nos separar, Mione, nada.

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