Cap. 9 –Lobisomens

Eu havia acabado de tomar o café da manhã, quando Edward entra ignorando Rosalie e vindo se sentar ao meu lado. Sem dar chance para ele reclamar ou tentar me dar sermão, me lanço em direção a ele, beijando-o como ansiava por fazer a dias, ignorando a presença de Rosalie.

Sinto Edward não apenas corresponder, mas se aproximar, se juntando a mim na cama, seus lábios tomando os meus quase furiosamente, uma de suas mãos percorrendo meu corpo, me fazendo estremecer ao lembrar-me do prazer que conseguíamos alcançar juntos.

-Isabela e Edward Cullen! Onde vocês pensam que estão? –A voz rigorosa e desaprovadora de madame Pomfrey nos fez quase saltar e tive certeza de que se pudesse, Edward coraria.

-Sinto muito, madame Pomfrey, não se repetirá. –Edward se desculpa após se recuperar rapidamente, logo voltando para a cadeira ao meu lado.

-Espero realmente, Edward. Não só pelo local, mas pelo estado delicado de Bella. –Ela fala em tom de aviso, antes de voltar a sua escrivaninha. Aquilo foi o suficiente para fazer o clima tenso retornar.

-Conversei com Carlisle. –Pressenti que aquilo ia nos levar a mais uma discussão. –Ele me contou que o bebê está se desenvolvendo muito rápido, que vai quebrar suas costelas, comprimir seus órgãos internos, isso se conseguir sobreviver. –Edward tinha um tom frio, provavelmente querendo me chocar com o que me aguardava, mas eu já sabia de tudo aquilo e não desistiria.

-Já sei disto tudo, Edward, e não vou desistir. –Sua postura mudou rapidamente, como se quisesse me ocultar algo. Minhas mãos foram para meu ventre já um pouco protuberante, de alguma forma me senti ameaçada.

-Se algo acontecer a você, nunca perdoarei a mim ou a esse demônio, nem a você Rosalie. –Edward fala antes de se levantar e sair, ignorando os chamados que fiz por seu nome.

-Não se deixe intimidar, Bella. Edward está tentando mexer com seu psicológico, plantar a dúvida na sua mente, mas deixe sua barriga crescer e o bebê aparecer na ultra-sonografia que eu tenho certeza de que ele vai amolecer.

-Espero que sim, Rose. Quero que os dois se amem, não importa o que aconteça. –Eu tinha plena consciência do que poderia acontecer comigo, mas não poderia deixar nada acontecer com meu bebê.

Quando cheguei à sala dos professores, McGonagall conversava com Jasper, o representante Cullen que sempre estava envolvido nas estratégias. Lupin estava a um canto conversando baixo com Tonks, mas ao me ver chegar pára e acena para mim.

-Vejo que podemos começar com a reunião. –McGonagall fala ao interromper a conversa com Jasper. Eu apenas me dirijo à cadeira ao lado do vampiro, enquanto Lupin e Tonks sentam a nossa frente.

-Edward não participará? –Pergunto estranhando a ausência dele. Rony não estaria porque tivera que ir a Londres com os irmãos pegar alguns suprimentos em geminialidades para algumas missões da ordem.

-Ele foi a Forks, deve estar de volta no máximo até amanhã à noite. –Jasper explica calmamente. Eu já fazia idéia do que ele fora fazer e esperava que tivesse êxito. –Mas ele passou todas as suas impressões iniciais para mim e posso falar por ele.

-Neste caso, gostaria que me fizesse um relato detalhado do que aconteceu, Harry. Depois você pode fazer adendo e observações Jasper. –McGonagall inicia a reunião e eu apenas concordo, antes de tomar fôlego e começar o relato detalhado e um tanto chato das campanas, mas me atendo em riqueza de detalhes ao final.

-Se isto que está nos dizendo é verdade, então seria importante ter Narcisa e Draco aqui, pois ao que parece são os únicos contatos de Snape. –Tonks fala após meu relato, sua mente parecia fazer rápidas associações. Lupin já sabia dos detalhes e ainda parecia relutar em acreditar em Snape.

-Pelo que conhece de Draco, Harry, acredita que ele realmente pode vir a colaborar conosco? –McGonagall pergunta parecendo incerta, porém ninguém poderia ter mais motivos para desconfiar dele que eu.

-Sou a pessoa errada para lhe responder isto. Não gosto de Draco Malfoy, não me imagino confiando nele de alguma forma. –Era melhor ser sincero, até porque sabia que Jasper devia estar sentindo minha animosidade.

-Edward viu na mente dele que, apesar do rapaz parecer realmente não ser nenhum herói, ama a mãe e está odiando o lugar onde está. Ele tem altos padrões de vida e sente falta do conforto, está a ponto de explodir, principalmente porque a mãe não está muito mais feliz que ele. A única coisa que ainda o mantém agindo racionalmente é o medo de perder a mãe, por quem tem grande afeto.

-Acredita que ele pode aceitar vir para cá se oferecermos o conforto de que ele sente falta, é isso? –Lupin pergunta mantendo o tom de voz normal, apesar de suas mãos estarem apertando levemente seus braços. Ao que parecia ele estava se obrigando a encarar o vampiro a sua frente.

-Talvez se eu for até lá e usar de meu i parentesco /i com eles, Narcisa se sinta mais segura e possa aceitar vir. Também posso levar minha mãe, as duas são irmãs e isso deve fazer alguma diferença. –Tonks não gostava da idéia de ter um parentesco com os Malfoy e eu não poderia culpá-la.

-Não sabia disto. –Jasper fala surpreso, mas parecendo não gostar de não ter aquela informação, que de fato era bem relevante. –Me conte sobre suas relações familiares. Talvez isto seja essencial para não só trazê-los, mas principalmente mantê-los aqui e fiéis.

Um pouco incerta, entrei na enfermaria e olhei para onde Bella estava com Rosalie. Ouvi-a me chamar e me aproximei devagar, observando que sua face estava mais pálida, as bochechas não tinham o tom róseo que costumavam mostrar sob o sol. Apurei meus ouvidos e notei que seu coração não batia com regularidade, seria bom sugerir alguns exames cardíacos e de pressão.

-Até que enfim apareceu! Estava me perguntando se havia desistido de me proteger. –Bella falava brincando, provavelmente tentando me assegurar de que era bem-vinda.

-Eu passei boa parte da manhã usando o presente que me deram e depois fui caçar antes de vir, só para garantir. –Vi não só Bella, como Rosalie me olharem esperançosas e soube o que queriam ouvir. –Muito obrigada por esse presente adiantado de aniversário, é maravilhoso. –Vi as duas erguerem as sobrancelhas e logo imaginei o que viria.

-Quando é seu aniversário? –Bella pergunta curiosa, Rosalie sorria como se planejasse algo.

-Dia dezenove, ainda falta um tempo.

-O da Bella é dia treze, podemos fazer uma grande festa. –Alice mal acabara de entrar e já estava ao nosso lado na cama, devia ter visto que a conversa a interessaria.

-Não sei se estarei muito para festas. –Bella fala enquanto acariciava o ventre protuberante. Aquilo era algo que realmente me preocupava, apesar de acreditar que algo poderia ser feito.

-Não me fale! Eu tento ver o futuro e não vejo nada, isso é agonizante. –Alice admite com certo tom dramático, mas podia entendê-la bem. Quando a única coisa certa, na qual sempre se podia confiar, de repente não mais estava lá, o mundo parecia ruir.

-Acalme-se, eu estou confiante que acharemos um jeito de fortalecer Bella. Os exames de Carlisle estão para chegar e os do St. Mungus também, então teremos um ótimo panorama.

-Mas, pela sua magia, você realmente acredita que é um bebê saudável? –Rosalie pergunta um pouco receosa, provavelmente queria saber se era de fato um bebê ou algum monstrinho, mas jamais conseguiria dizer as palavras, já amava a criança como se fosse sua.

-Eu não posso afirmar nada por enquanto, minha magia não consegue penetrar devidamente na forte placenta, mas do ponto de vista biológico, Carlisle e eu achamos que é bem possível. –Oculto a informação de que Carlisle e eu estávamos cheios de hipóteses boas e ruins, mas nada que pudesse negar ou confirmar algo.

-E Edward, onde está? –Bella pergunta para Alice, que torce o nariz e bufa em desaprovação.

-Pegou um testrálio essa manhã e está invisível. –Ela fala em tom amargo, em total desaprovação a atitude do irmão, coisa que ultimamente parecia acontecer com muita freqüência.

-Invisível? Como assim? –Bella ficou subitamente preocupada e eu tive que segurá-la, Rosalie rapidamente apanha um copo e enche com água, pegando um comprimido do frasco de calmante que Carlisle havia deixado.

-Ele foi para Forks, não para Itália, não se preocupe. –Bella respirou pesadamente e fechou o semblante, cruzando os braços sobre o ventre. Provavelmente podia imaginar Edward indo falar com os lobisomens, mais especificamente com Jacob.

O vôo fora mais rápido do que havia imaginado, os testrálios eram animais fantásticos. Ao estarmos sobre Forks, o direcionei para a reserva dos Quileute, voei em círculos em grande velocidade usando meus olhos aguçados para ver, mesmo na escura madrugada, se encontrava algum sinal de Jacob, o que não aconteceu, porém Paul pareceu me ver e considerei isto o suficiente. Conduzi o testrálio até uma parte remota, onde ele poderia caçar e eu também, até que os lobos viessem verificar o que estava sobrevoando a reserva.

Demorei apenas cinco minutos para encontrar um cervo e caçá-lo, terminando com minha parte e oferecendo a carne ainda quente ao testrálio, que o pegou de bom grado. Paralelamente a isto, minha mente girava em torno da conversa que tive com Harry durante a madrugada. Ele me ouviu e, para minha surpresa, me compreendeu plenamente, não condenando meus pensamentos sobre Jacob e me incentivando a vir.

-Edward! O que faz aqui com essa coisa? –Seth me pergunta em pensamento, ainda na forma de lobo e se aproximando cautelosamente. Também podia ver que ele buscava fazer associações entre o testrálio e outros animais, em uma vã tentativa de descobrir o que era.

-Essa coisa é um testrálio, uma espécie de cavalo alado, coisa de bruxos. –Respondo dando de ombros, vendo nas mentes que eles não concordavam muito com a definição de cavalo alado, já que o animal era realmente sombrio. –Eu vim para falar com você, Jacob. –Falo olhando para o lobo que sabia ser ele, esperando que se transformasse em humano. Não seria uma conversa fácil, via que ele tinha certeza de que Bella já era uma de nós e pensava em mil maneiras de me matar.

-O que quer comigo, Cullen? Veio me trazer uma última lembrança da Bella? –O tom de Jacob era agressivo, mas não chegava perto da violência de seus pensamentos.

-Bella ainda é humana. E é justamente por ela que vim te procurar, mas gostaria de conversar a sós com você. –Sabia que a resposta seria não, até via alguns zombando mentalmente daquilo, já que todos tinham acesso à memória uns dos outros quando transformados.

-Não preciso dizer que isso é besteira. Agora, fale de uma vez. Mas se for uma espécie de convite para uma festinha de despedida, desista. –Em sua mente via que ele ainda desconfiava de que Bella realmente pudesse estar viva, mas quanto aquilo eu não poderia fazer nada.

-Meu pai ou qualquer um de nós sabia que havia algum risco, casais como Bella e eu não existem, apesar de haver àqueles que seduzam mortais para depois da "diversão" se alimentarem. –Jacob rosnou e os lobos os seguiram, em suas mentes havia imagens grotescas que bani tentando focar em meu objetivo. –O que quero dizer com isso, é que quando consumamos o casamento, não usei qualquer tipo de preservativo, o que ocasionou em uma gravidez.

-O que? Você veio aqui dizer que a Bella está esperando um monstrinho... –A mente dele foi tomada por imagens minhas com Bella e o ciúme o dominou, mas ao sentir suas palavras ecoarem em sua mente, pôde entender o que poderia ter me motivado a procurá-lo. Seus pensamentos me mostravam criaturas grotescas que a minha não havia alcançado. Elas devoravam Bella de dentro para fora e, por mais que quisesse gritar que não era verdade, eu não podia, porque no fundo era uma verdade possível.

-Pare! Por favor, chega. –Peço o mais firme que podia. Sem nem perceber havia me sentado recostado em uma árvore, minha cabeça estava em minhas mãos. Era o reflexo do medo e da culpa, que me castigaria levando a razão de minha existência. –Passei tanto tempo a protegendo dos outros, convencendo-a a tomar tantos cuidados e no final, serei o único responsável por sua morte. –Era um desabafo inconformado, quase um ato covarde. Jacob deveria estar rindo de mim e da minha impotência mesmo com todas as minhas habilidades e dinheiro, no entanto ele estava solidário, de algum jeito não conseguia ter raiva de mim, não desejava mais me matar, e estava confuso sobre isso, porém eu sabia que ele apenas sentia pena.

-O que você espera de mim? –Pergunta tentando se recompor, o que era bom, porque eu precisava falar, tirar minha atenção dos pensamentos ao meu redor.

-Quero que vá comigo à Inglaterra, vá até ela e diga o quão estúpida ela está sendo não permitindo que interrompamos a gravidez. Ela sabe que corre risco de vida, mas precisa de alguém que a faça entender que a vida dela não vale o sacrifício.

-Como se você não conhecesse a Bella! Ela deve imaginar que vai nascer um bebê lindo e perfeito com a sua cara. Drogue ela e faça o trabalho, depois ela não vai querer olhar a sua cara, mas ficará viva.

-Eu o faria se fosse tão fácil. Não estou pensando em mim, o problema é que Bella conseguiu o apoio de Rosalie, Esme e Hermione. Emmett não deixaria que tocássemos em Rosalie, Carlisle não iria contra Esme e, mesmo que contornássemos isso, ainda há Hermione. É necessário todos os Cullen para segurá-la.

-Se tem gente apoiando essa loucura dela, não vai ser minha opinião que vai mudar as coisas. Não adiantou quando resolveu se casar com você, não vai adiantar agora. –Em sua mente via o quanto se sentia impotente e o quanto isto o enfurecia, mas nem era necessário usar meu dom. O corpo de Jacob tremia e ele parecia prestes a explodir.

-Pense bem Jacob, Bella tem todo um carinho especial por você, é como se tivessem uma ligação tão forte quanto a minha com ela, de um jeito diferente. Use isso para comovê-la, cite Hermione como um exemplo do que acontece com uma recém-nascida. Hermione tem se controlado até certo ponto, mas ontem quase matou uma de suas amigas e Harry, seu melhor amigo, alguém por quem ela já arriscou a vida. Diga ainda que se ela quer tanto ter filhos, é porque não está preparada para a vida imortal, ofereça a ela uma família grande, cheia de filhotes. –As feições de Jacob permaneciam inalteradas, mas sua mente foi gradativamente formando o quadro. Vendo um filme passar em câmera lenta, Bella e ele cercados de crianças sorridentes e de pés no chão correndo pela reserva.

-É uma visão tentadora, mas o que garante que depois você não mudaria de idéia? Você já foi embora uma vez e voltou, demoliu o que eu havia conquistado e a tomou para você! –Aquilo era verdade e só aumentava meu desespero, porque ainda não havia chegado ao ponto de me amaldiçoar por ter voltado, mas era uma nova verdade e uma nova prova de como a minha fraqueza poderia significar a morte dela.

-Eu juro que não voltarei, principalmente porque saberei o quanto posso fazê-la sofrer. Acreditei que Bella poderia abrir mão de seus instintos e anseios humanos, mas não é verdade, e isto me motivará a manter distância. –Fui o mais sincero que pude, até podia ver o desespero de meus olhos através das outras mentes. Para eles eu era a imagem do desespero, do arrependimento, alguém que não cativava ódio e sim piedade.

-Eu preciso de um tempo. Quando você vai voltar para ela? –Jacob pergunta e eu me sinto mais tranqüilo, apesar de saber que Sam não permitiria.

-Eu ficarei até amanhã. Partirei ao pôr-do-sol, assim garanto que ninguém vai nos ver. Se precisar falar comigo, estarei na minha casa. –Jacob apenas assentiu e, se transformando em lobisomem, se voltou para os seus que saíram. Ainda pude ver que Seth desejava ficar, mas uma reunião de emergência fora convocada. Sam estava determinado a negar, a obrigar Jacob a ficar, porém se Jacob realmente quisesse ir, bastaria deixar que seu sangue nobre falasse mais alto.

Depois de vários minutos ouvindo uma enxurrada de pensamentos, finalmente vi Seth aparecer. Ele caminha vacilante até mim, sentando-se ao meu lado na varanda. Em sua mente só havia um nome e uma pergunta.

-Ela está bem. Ela se adaptou bem as poções e a vida com os amigos, não tinha perdido o controle nenhuma vez até ontem. A amiga dela estava com um sobretudo que Harry havia usado várias vezes nos últimos dias e que usava uns momentos antes de dá-lo para a amiga se cobrir. Ouvimos um grito no andar de cima e soube o que havia acontecido. Mas não foi culpa da Hermione, ela ainda é muito frágil em relação ao cheiro do sangue do Harry e estava há um tempo sem se alimentar para dar apoio a Bella. –Os pensamentos me vieram à mente, mas imediatamente os suprimi e busquei me concentrar no que havia na mente de Seth.

-Eu pensei nisso algumas vezes, mas achei que ela só sentia tanto a distância dele por ele estar no meio de uma guerra e marcado para morrer. Mas depois de tudo que disse, fico pensando se essa coisa de cantante não seja como nosso imprinting.

-Não creio. Veja bem, Carlisle e Esme, Alice e Jasper e Emmett e Rosalie não eram cantantes e, no entanto, não imagino algo que possa separá-los. Além disto, ser o cantante de alguém é ser uma vítima em grande potencial, o que é o contrário de sofrer imprinting. Não há um sentimento de proteção e cuidado e sim de desejo brutal e dominador.

-Então, porque incomoda tanto a ela? Digo, o tal Harry estava com você, estava seguro e bem, então qual é o problema? –Tive que me segurar para não rir, talvez por ainda ser muito jovem, Seth não conseguia entender o que unia Hermione e Harry e talvez nem soubesse o que ele mesmo sentia.

-Eles têm uma relação muito especial, uma amizade que ultrapassa a sua com Jacob ou qualquer outra amizade que você conheça. Mas para saber mais detalhes, creio que terá que perguntar a ela. –Nesse momento ouvimos uivos, Seth reconheceu como uma convocação e se apressou em levantar.

-Sam chama. Creio que terá sua resposta ainda hoje. De toda forma, desejo-te sorte Edward. –Agradeci com um gesto de cabeça, não queria pensar no que estava por fim, principalmente porque não dependia de mim, eu estava de mãos atadas e a sensação crescente de impotência ia contra toda a minha natureza.

Oi, você está aí? -Escrevo esperando ansioso por uma resposta. Não havíamos combinado horários para conversar, por isso andava sempre com o diário, mas não sabia se ela fazia o mesmo.

Oi, estou sempre com diário. -Não segurei o sorriso ao ler a resposta, significava que ela estava se pondo sempre a minha disposição.

E está ocupada agora? Não quero te atrapalhar. -Estava falando mais por educação, queria conversar com ela sobre meu dia e saber como Bella realmente estava.

Eu estava dando uma olhada em uns livros e exames, mas posso parar um pouco pra conversar, terei todo o restante da noite para continuar os estudos.

Como Bella está? Acredita que realmente nascerá um bebê? -Não deixei de estremecer diante da pergunta, afinal em um dia Edward estava feliz com o casamento e sua vida com Bella e no outro parecia o homem mais infeliz do mundo.

Bom, eu li algumas pesquisas que Carlisle fez sobre vampiros e paralelos que ele traçou entre vampiros, humanos e lobisomens e, com base nisto, acredito que geneticamente seja possível. Eu poderia te explicar as razões, mas seriam páginas suficientes para escrever um livro sobre engenharia genética.

E desde quando você entende tanto de genética? Aliás, pelo que andei ouvindo, é como se depois de virar vampira você tivesse, de fato, a resposta para qualquer coisa. Até Jasper diz que nunca ouviu falar em tamanha capacidade intelectual.

Eu entendo como se sente, até eu me surpreendo e até estranho o funcionamento da minha mente. Basta ler uma vez sobre algo ou examinar mais de perto que de repente as informações de compreensão brotam em minha mente. É como se olhando para uma poção e examinando seu odor e textura, eu pudesse já ter quase certeza de como é feita ou seu efeito, uns testes superficiais e posso te dizer exatamente o que é e para que se aplica. O mesmo com feitiços que desconheço e exames de laboratório que nunca havia visto antes.

Acha que este é seu dom? Aprender as coisas muito rápido e sem explicação aparente? -Aquilo sem dúvidas fazia sentido, afinal Hermione sempre se destacou por sua inteligência, memória e rapidez de raciocínio, mesmo em situações críticas.

Bom, falando em termos de quadrinhos acredito que seja uma soma de Aptidão Intuitiva e Memória Expandida. A aptidão intuitiva faz com que eu aprenda rapidamente sobre qualquer coisa muito mais rápido que uma pessoa normal. A memória expandida me permite me lembrar de qualquer coisa que eu já tenha lido ou aprendido. Em termos gerais significa que tenho um super QI, mais ou menos como uma versão feminina e vampírica do Batman. (risos) -Foi impossível não imaginá-la em um colã preto com capa e uma máscara, no peito o símbolo do morcego duplamente justificável. Ri como há muito tempo não ria. Harry, você ainda está aí? Minha piada foi tão ruim assim?

Ruim? Eu estou chorando de tanto rir! A imagem de você de colã preto, com capa, máscara e, principalmente, o morcego no peito é impagável! - Ainda ria, por isso a letra saíra tremida, muito pior que sua letra normal.

Essa imagem te fez rir? Se fosse outro qualquer poderia achar muito sexy. -Tive que reler para acreditar que ela realmente havia escrito aquilo, no entanto uma rápida reavaliação da imagem inicial mostrou que certamente ela estava certa. Aquilo tirou qualquer traço de riso e me deixou subitamente corado, não devia pensar essa coisas de minha amiga. -É brincadeira, não estou reclamando. Você ainda está aí?

Sim! Não fiquei chateado, é só que precisei de tempo para reavaliar. Quer dizer, antes eu não havia realmente imaginado algo como a roupa da Batgirl. (risos)

(risos) Me imaginou vestida realmente de Batman? -A letra geralmente impecável estava trêmula, o que significava que ela estava rindo. Aquilo me fez sentir um aperto no peito, pois podia me lembrar bem da minha antiga amiga rindo, as covinhas que se formavam em suas bochechas e o som quase musical e discreto do riso.

Queria estar aí vendo e ouvindo-a sorrir. Sinto falta do som da voz, do seu riso. Na verdade não consigo lembrar-me da última vez que realmente rimos juntos. -A verdade daquelas palavras machucava e me fazia perguntar que tipo de vida ele estava levando, se valia a pena tanto sacrifício.

Eu também não lembro, mas tenho uma idéia. Vou ver se consigo uma penseira, então sempre que houver algo importante que eu deseje compartilhar, porei minha lembrança lá, para você ver, como por exemplo, essa conversa. Você faz o mesmo, então será como se estivéssemos um pouco mais perto. Gosta da idéia?

Claro! Vou colocar as lembranças da missão de busca ao Draco e a surra que dei no Edward na última madrugada. Você vai ficar orgulhosa do que eu fiz. - Escrevo animado, não resistindo em fazer um desenho, mesmo sem muito jeito, de um bonequinho piscando.

Você está melhorando, por acaso você e Rony andam praticando? -Podia ver o semblante recriminador, já que Rony e eu geralmente só desenhávamos durante as aulas, quando elas estavam tediosas demais.

Então, você acredita que a Bella tenha chances de sobreviver? -Mudo para um assunto mais seguro, não queria levar sermão via diário, ainda mais se não estávamos em época de aula.

Fugindo do assunto? Desta vez deixo passar, mas só porque realmente estou preocupada com ela.

N/A: Eu havia desistido de postar esta fic, mas como andei recebendo algumas reviews e vi que alguns adicionaram a fic a lista de favoritos, irei combinar o seguinte: Postarei um capítulo a cada 7 comentários de pessoas diferentes para o último cap postado. Já tenho alguns capítulos prontos, então a postagem pode ser rápida dependendo de vocês. Nada de comentários do tipo: Estou gostando, postaaaa! ... Tentem escrever o que gostaram ao ler o capítulo, o que menos gostaram, façam críticas aos personagens dizendo de quais estão ou não gostando na fic, se tem algum mal aproveitado ou muito diferente dos livros, enfim, critiquem, apresentem sugestões, ajudem-me a escrever uma estória cada vez melhor!