HUGO E MONICA
--------------------------------------------------------------------------------------------
.:. CAPÍTULO 5 .:.
FESTA ESTRANHA COM GENTE ESQUISITA
--------------------------------------------------------------------------------------------
A luz pulsava, dando impressão de movimento mecânico a todos que estavam ali. Mil cores se misturavam pois enquanto muitos estavam com roupas multicoloridas, outros estavam totalmente de preto, mas traziam as cores no cabelo. As paredes vibravam, o chão tremia levemente. Algumas pessoas dançavam, outras se sacudiam, outras se penduravam nas paredes, tudo no ritmo da música. Música esta que estava em um nível ensurdecedor. O bar estava apinhado de gente e o barman preparava as bebidas enquanto dançava. Sentada num dos bancos do bar estava Monica observando todos os aspectos da festa: em um dos cantos pôde ver um grupo de meio-gigantes dançando alegremente – o motivo do chão tremer ela supôs –; logo ao lado, causando grande contraste, estava um casal de elfos domésticos namorando, digamos, animadamente; nos sofás à esquerda do salão estava um grupo de duendes que pareciam mais preocupados em fechar algum tipo de negócio do que em aproveitar a música; através de uma das paredes do salão, que era de vidro podia-se ver jovens sereianos dançando alegremente – sim, a festa acontecia num salão subterrâneo logo ao lado de um lago –; isolados num pedaço do salão, próximo de onde Monica estava, dançavam quatro rapazes e duas moças que, pela hostilidade que recebiam de alguns e pelas cicatrizes, ela assumiu serem lobisomens; isso sem contar na imensa quantidade de bruxos de todas as idades apinhados ali dentro.
"Posso me sentar?", disse um rapaz moreno se aproximando de Monica e lhe oferecendo um drinque.
"O banco é público", respondeu ela sorrindo e pegando a bebida, voltando a observar a diversidade que tanto lhe agradava.
"Tens um bonito sorriso, sabias?", disse ao se sentar bem próximo dela. Ela apenas sorriu em resposta, tomando um gole de sua bebida em seguida. "Vais ficar sentada aqui a noite toda ou preferes ir ali dançar? Te faço companhia", disse dando uma piscadela.
"Quem sabe mais tarde. Estou esperando alguém", respondeu Monica indicando a porta de entrada com a cabeça.
"Desculpe, gata, mas se for algum cara, ele só pode ser um bruxo muito tolo por te deixar aqui dando sopa", disse ao pé do ouvido dela, "Alguém pode querer roubar você...", sorriu aproximando o rosto do dela.
Antes que ele a beijasse, Monica o empurrou levemente e disse sorrindo, "Acontece que eu sei me defender muito bem sozinha". Ela pegou um novo drinque com o barman e saiu dali, procurando um outro lugar para esperar. Ao olhar em direção à entrada sorriu.
--------------------------------------------------------------------------------------------
Peço desculpas antecipadamente, mas vou ter que levá-los de volta alguns minutos no tempo. De volta até o momento em que Hugo acabou de se aprontar para a festa e tomou coragem de ir falar com seus pais, ou quase isso.
"O papai tem que estar sozinho. Ele tem que estar sozinho", Hugo repetia mentalmente enquanto descia as escadas. Ao ver a sala respirou aliviado: não apenas seu pai estava sozinho como ainda por cima os Canhões de Chudley tinham acabado de marcar um ponto contra um time qualquer da China... Hugo pulou os últimos degraus e se sentou ao lado do pai. Respirou fundo, tentando se acalmar.
"E aí, garoto! Resolveu ver os Canhões massacrarem os Vassouras Vermelhas?", disse Ron com um grande sorriso no rosto dando tapinhas nas costas do filho.
"Na verdade eu queria te pedir uma coisa, pai", disse Hugo encarando o chão. Respirou e olhou para o pai que estava sorrindo, "Será que eu podia usar o carro pra ir pra uma festa hoje?"
"Claro, filho!", disse Ron sorrindo.
"Quem sabe daqui a alguns anos. Não tens idade pra dirigir ainda", Hugo ouviu sua mãe dizer enquanto passava pela sala com uma pilha de livros flutuando atrás dela. Assim que ela subiu as escadas Hugo viu seu pai se levantando.
"Por favor, pai?", implorou.
"Sua mãe está certa filho", respondeu e antes que Hugo pudesse protestar continuou, "Vem aqui um pouco". Eles foram até o escritório de Ron que abriu uma gaveta, pegou algo pequeno de dentro dela e nele fez um pequeno feitiço. "Pronto", disse Ron entregando o objeto enfeitiçado ao filho, "Agora ninguém vai saber que ainda não podes dirigir", depois jogou a chave do carro que Hugo quase deixou cair, "E cuidado na estrada", Hugo sorriu com as chaves do carro e a carteira de motorista adulterada em mãos, e saiu rapidamente da casa antes que sua mãe notasse que ele havia levado o carro.
Hugo dirigiu calmamente até o local da festa, nenhum percalço, nenhum guarda trouxa parando o carro. Chegando lá batalhou por um lugar para estacionar sempre dizendo que na primeira oportunidade faria seu exame de aparatação. Depois teve que enfrentar o tumultuo na entrada da festa. Passou pelo mais variado tipo de pessoas, algumas com roupas estranhas até mesmo para os padrões bruxos, outras com mais brincos no rosto do que todas tinham todas as mulheres da família dele juntas.
Mal havia conseguido ultrapassar a barreira de pessoas que achava mais divertido ficar parado na porta que ir para a festa em si e já foi puxado por alguém, "Hugo, meu caro! Até que enfim! Achei que não vinhas!", ouviu o velho Henry Flint dizer enquanto o arrastava pelo salão, "Vou te apresentar uma galera maneiríssima". Hugo tentava desesperadamente se desvencilhar do velho Henry Flint, mas sem sucesso. Já estava quase desistindo quando a viu se aproximando, balbuciou um "Por favor" e ela veio rindo em direção a eles.
"Será que posso pegar teu amigo emprestado?", disse Monica ao alcança-los.
"Ah! Claro!", sorriu o velho Henry Flint, "Devias ter me dito que tavas acompanhado, meu caro!", disse ele depois passando o braço nos ombros de Hugo e Monica, "Se precisarem de mim, vou estar ali atrás. Tem uma sereiana me dando mole", e saiu dançando um passo muito esquisito que ele chamava de 'sapo voador'.
"Esse cara pediu pra ser maluco e entrou na fila redonda", riu Hugo.
"Ele parece divertido", comentou Monica sorrindo, "Já estava achando que não vinhas".
"Não podia te deixar sozinha aqui...", disse ficando vermelho. Monica riu e pegou em sua mão levando-o para a pista, "O que você acha que está fazendo?", perguntou desesperado.
"Dançando", riu virando de frente pra ele e começando a dançar.
"Eu não danço", respondeu. Ela apenas riu e continuou dançando com ele praticamente imóvel em sua frente. Ficaram ali alguns minutos, com Hugo no máximo batendo o pé no chão, até que Monica fez sinal de que estava com sede e foram em direção ao bar. Monica pediu dois drinks – Hugo ficou com vergonha de dizer que não bebia. Assim que pegou o copo da mão de Monica, um rapaz seminu se aproximou deles. Sim, ele estava apenas de tênis, meia branca esticada na canela, cueca samba canção e camiseta preta. Hugo preferiu fazer de conta que não o tinha notado na esperança de que o ser resolvesse desaparecer.
"Monica?", disse o homem e em seguida Hugo viu que os dois se abraçavam e, bem, aquele cara parecia... mas não podia ser...
"James, nossa! Faz tanto tempo já!", disse ela soltando o abraço e Hugo não pôde deixar de lamentar sua sorte, seu primo James podia ser extremamente inconveniente quando queria.
"Pois é, não te vejo desde a época em Hogwarts e... Hugo!", disse ao reconhecer o primo, "Que tás fazendo aqui pirralho?", disse rindo e abraçando-o.
"Ele tá comigo, James", respondeu Monica se sentando e tomando um gole de sua bebida, "Vocês já se conhecem?"
"Infelizmente...", sussurrou Hugo, mas ninguém pôde ouvir por conta do volume da música.
"Se eu conheço? Mas é claro! Lembra da Rose, minha prima?", com o aceno afirmativo de Monica, James completou, "Então! Esse é o irmãozinho mais novo dela!"
Monica olhou surpresa para Hugo, que ficou com o rosto vermelho antes de virar garganta abaixo aquele que seria o primeiro copo de bebida daquela noite.
--------------------------------------------------------------------------------------------
Assim como posso voltar no tempo, também posso pular para o futuro, mais uma grande vantagem de ser uma contadora de histórias. Neste exato momento vou me utilizar desta prerrogativa e adiantar algumas horas desta noite com o nobre propósito de poupar Hugo de futuras humilhações. Pare. Não adianta me olhar desse jeito, eu não vou contar. Ok, eu não resisto a esse olhar, mas eu também devo ao Hugo certa discrição, portanto vou apenas dizer que envolve principalmente uma mesa, uma música retrô e uma interpretação de macaco... O restante fica por conta de vocês, deixem a imaginação fluir.
"Hugo, tu estás bem?", disse Monica se aproximando dele e ajudando-o a se levantar do tombo que havia levado. Assim que ele se levantou, ao tentar dar um passo sentiu o mundo girar e resolveu voltar a se sentar no chão. Monica se sentou rindo ao lado dele, "Muita bebida, né?".
Hugo fez que sim com a cabeça mas logo se arrependeu, "Acho que cheguei no meu limite...", Monica riu em resposta, "Tás rindo porque não é contigo..."
"Não estou rindo de ti, mas da situação", disse ela sentando mais próxima a ele, "Normalmente a gente conheceria melhor uma pessoa tomando café que numa festa dessas. Mas no nosso caso foi aqui na festa que descobri tudo que sei a teu respeito".
Hugo riu e disse, "E o que descobrisses?"
"Até agora que és um garoto de 16 anos que não está acostumado a beber e nem a vir a festas e que definitivamente não sabe dançar".
"Nenhuma qualidade então", disse Hugo olhando para Monica.
Ela sorriu, se levantou e estendeu a mão a ele, ajudando-o a se levantar. Assim que ele o fez e eles começaram a caminhar ela disse, "Aposto que teremos mais oportunidades pra conhecer as qualidades".
Hugo não conseguiu impedir que suas orelhas ficassem vermelhas com o comentário, mas logo empalideceu ao ver o horário, "Merda...", ao ver a expressão preocupada dela completou, "Bem, minha mãe vai me matar... Já é quase duas e meu pai me deu o carro escondido..."
Monica sorriu, "Vem, te levo pra casa. Não estás em condições de dirigir". Com isso os dois saíram da festa em direção ao estacionamento.
--------------------------------------------------------------------------------------------
N.A.: Gente, desculpe pela demora, mas é que o trabalho está uma loucura e mal tive tempo de me concentrar para escrever o capítulo. Não bastasse isso, no outro fim de semana foi minha formatura então eu estava completamente focada nos preparativos. Viram? Nem todos os motivos foram ruins! Parabéns pra mais nova bacharel em Direito! Hehehe!
Mas voltando ao que interessa... Gostaram? Se vocês quiserem que pensamentos positivos voem em sua direção basta ir ali e deixar um comentário que eu respondo com energias positivas =D! Beijos!
