HUGO E MONICA
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.:. CAPÍTULO 6 .:.
UMA SIMPLES TARDE NO PARQUE
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Hugo pedalava com gosto, fazia tempo que não desfrutava de sua bicicleta, há quase um ano esquecida no fundo da loja no Beco Diagonal. Sentia os músculos da perna reclamando, desacostumados com o exercício. Desviou de um carro e subiu pela rampa da calçada, cuidando para não esbarrar nos poucos pedestres que passavam, e entrou no parque. Seguiu pela ciclovia até se aproximar do memorial, diminuiu a velocidade, observando as proximidades para ver se a encontrava. E ali no local combinado estava Monica, próxima de uma árvore, sentada sobre uma manta xadrez, lendo um livro. Hugo desceu da bicicleta e seguiu andando até onde ela estava, aproveitando para observá-la. Ela estava tão compenetrada no livro que levou um susto quando Hugo o tirou de sua mão após ter ficado cerca de cinco minutos sentado ao seu lado.
"Chás e infusões. A verdade por trás dos antigos ensinamentos de cura trouxa", disse ele lendo o título, "Realmente achas isso divertido?", disse dando um sorriso torto.
"Muito", disse ela pegando o livro de volta, "Me faz lembrar da minha vó cuidando de mim quando eu ficava gripada... Os trouxas têm muitas crenças interessantes nessa área, sabe? Acreditam que várias plantas curam", acariciou a capa do livro e guardou em sua mochila em seguida, "Tás aqui há muito tempo?", disse virando para Hugo.
"Não muito, mas tempo suficiente pra ver que eu precisaria fazer alguma coisa pra tu notares que eu tava aqui", disse rindo.
Monica não conseguiu conter o rubor que apareceu em seu rosto, "Desculpa... Já me disseram que eu tenho essa mania de me entreter demais quando estou estudando e esquecer do mundo em minha volta", Hugo riu e Monica ficou ainda mais vermelha. Ela então sorriu e disse, "Por um momento achei que não vinhas".
"Por um momento eu quase não vim...", disse Hugo de cabeça levemente abaixada brincando com a grama.
"Posso saber por quê?", disse ela virando o rosto a fim de ver o rosto dele
"Que tal porque ontem eu fiz um papel de palhaço?", disse ele com um sorriso torto olhando de soslaio para ela.
"Tu não fizeste papel de palhaço, Hugo", disse ela, mas ao ver que ele revirava os olhos ela riu, "Ok, ok, fizeste sim, mas foi bem de leve, acho até que foi um certo sucesso tua dança ontem, tenho certeza de ter visto algumas pessoas imitando depois", disse ela fazendo uns gestos com as mãos que lembravam levemente a coreografia de Hugo na festa.
Sei que não fui muito explícita quanto ao episódio, mas, apesar de acreditar que vocês devam recordar, vou refrescar suas memórias: mesa, música retrô, interpretação de macaco. Lembraram? Bem, ela estava tentando imitar isto, só que sentada. Devo acrescentar que algumas pessoas que passavam pelo parque começaram a olhar torto na direção deles. Notando isso, Hugo riu e tentou parar as mãos de Monica que se agitavam no ar e acabou caindo em cima dela. Monica começou a gargalhar e não notou como a proximidade afetou Hugo. Ele agradeceu mentalmente ela estar de olhos fechados uma vez que não conteve a vermelhidão que subiu no seu rosto ao ficar com seu rosto tão perigosamente perto dos lábios dela. Ele se afastou, forçou uma risada e passou a mão pelos cabelos tentando diminuir o ritmo cardíaco.
"Não ficou parecida minha dança então?", disse Monica, ainda deitada, ao conseguir controlar o riso.
"Não é isso... As pessoas estavam olhando...", disse ele forçando um sorriso.
Monica então olhou para Hugo e ao ver a vermelhidão que, apesar de mais leve, ainda tomava seu rosto, assumiu que fosse por vergonha das pessoas que passavam. "Não devias te preocupar com isso, né? Não é como se devêssemos explicação a qualquer um deles", disse ela gesticulando ao redor de si, indicando as pessoas do parque. Hugo deu de ombros e deitou ao lado de Monica, só que de bruços. "Mas foi só por causa da tua performance ontem que pensaste em não vir?", disse ela sentindo que havia mais por trás da história.
Hugo olhou para ela e ponderando se valia a pena falar. Ela sorriu para ele e ele fechou os olhos, se arrependendo imediatamente ao dizer, "É que na verdade estou de castigo por ter pegado o carro ontem... Patético, não?", como resposta Monica apenas riu e se virou, ficando na mesma posição que ele, ambos encarando o lago que se estendia mais a frente.
"Não quero te arrumar mais confusão. Podias ter dito que a gente marcava de vir outro dia".
Hugo deu de ombros, "Conheço minha mãe, ela só ficou brava porque papai tomou uma decisão contra o que ela já havia dito. Além de que eu duvido que ela ainda me deixe de castigo amanhã".
"Ela é das que não conseguem manter um castigo por muito tempo, é?"
"Na verdade ela é bem rígida com isso. É só que, bem...", disse ele abrindo um grande sorriso e virando-se para Monica, "Amanhã é meu aniversário".
"Ei, legal! O meu vai ser na outra semana, no dia 20!", disse ela sorrindo e batendo de leve com seu ombro no dele, "Peraí, não é qualquer aniversário! Vais te tornar legalmente adulto amanhã!", ele assentiu com a cabeça, ficando com as bochecas levemente rosadas, "Devias ter me dito, podia ter trazido pelo menos um presente pra ti...", disse ela forçando uma cara de emburrada.
"Não é preciso. Mas podes ir à minha festa amanhã se quiseres", disse ele amaldiçoando as orelhas que teimavam em avermelhar. Pessoalmente eu acho este traço um tanto charmoso, mas todos os Weasley que herdaram o que chamam de 'orelhas flamejantes' ou 'alarme de ansiedade' as odeiam...
"Infelizmente não posso... Tenho plantão no hospital amanhã".
"Ah...", disse Hugo. Eles ficaram em silêncio alguns momentos, "Mas porque me chamaste aqui?"
Agora foi a vez de Monica ficar encabulada, "Ah, nada... Queria ver se estavas bem, só isso..."
"Ah sim, tudo certo. Graças à poção que deixaste no meu quarto e que achei antes da minha mãe. Sabe, ela segue o lema de que se não se sente a ressaca não se aprende que a bebida não faz bem...", ele virou para Monica e viu que ela estava com as sobrancelhas erguidas, num sinal claro de descrença, "Ao que tudo indica, o único dia que ela bebeu mesmo foi no casamento dela".
Eles ficaram ali deitados lado a lado até o anoitecer, conversando sobre os mais diversos assuntos, ouvindo músicas no aparelho que ela havia levado, discutindo sobre cinema. Apenas saíram dali quando os estômagos protestaram e resolveram ir a uma lanchonete que havia ali perto. Monica aproveitou um momento em que estavam sozinhos e transfigurou a bicicleta dele, guardando o agora 'relógio' em sua mochila. Na lanchonete fizeram sua refeição em silêncio, mas um silêncio confortável, se é que me entendem.
Depois caminharam pelo parque até o estacionamento onde Hugo se surpreendeu ao ver que Monica havia vindo ao parque de moto. Ela estendeu um capacete para ele após convencê-lo de que o levaria para casa assim que deixasse a moto em casa. Estacionaram a moto na garagem e fizeram uma aparatação conjunta até a proximidade da casa dele.
"A gente se vê, então", disse Hugo abrindo o portão que leva a sua casa.
"Claro, já sabes até onde moro afinal", sorriu Monica. Antes que ele dissesse outra coisa ela se aproximou dele e o abraçou, dando um leve beijo no rosto dele. Chega a ser engraçado poder saber como se sentem os nossos protagonistas em momentos como estes, pois ambos neste momento dividiam o mesmo pensamento: agradeciam o breu por esconder suas feições. Monica então se afastou, correndo a mão pelo braço dele, "Sei que ainda não é hora, mas feliz aniversário".
Hugo agradeceu e a viu se afastar e aparatar. Entrou então silenciosamente em casa, seguindo para o quarto logo após uma parada estratégica no banheiro. Em sua cama já estavam alguns pacotes, presentes e cartões dos amigos que já haviam chegado. Tirou os sapatos e a roupa, jogando-os num canto do quarto e vestiu a que usava para dormir. Sentou na cama e olhou rapidamente os remetentes e um deles chamou sua atenção, era de Sarah. Deitou e, após rodar o cartão algumas vezes entre os dedos, o abriu e leu as palavras padrão impressas no papel com um simples 'parabéns' manuscrito abaixo. "Porcaria...", pensou ele olhando para o teto, "Pensar em uma podia pelo menos fazer eu não pensar na outra, né? Mas não, tenho que ficar pensando nas duas ao mesmo tempo... Carta de uma, cheiro de outra", sorriu ao lembrar do dia que passara com Monica, depois respirou fundo e o sorriso desapareceu, "Mais uma 'amiga' pra lista talvez...". Colocou o cartão na mesa de cabeceira e, depois, ainda atormentado por aqueles pensamentos, pegou no sono. Nem mesmo havia começado a sonhar quando sentiu que alguém deitava com ele na cama.
"Só não vai me agarrar, maninho", sorriu ao ouvir a voz da irmã, "Feliz aniversário", e então sentiu e ouviu um beijo estralado na bochecha.
"Obrigado, Rose", disse se espreguiçando, "Já pareço mais velho?", disse fazendo cara de pensativo, coçando o queixo.
"Hum, vejamos... Acho que sim, posso ver umas rugas já". Nesse instante entraram seus pais no quarto segurando um pequeno pedaço de bolo com uma vela acesa cantando os parabéns para ele. Mais um aniversário normal. Quando voltou a dormir nem ao menos lembrava de se sentir tão decepcionado com sua vida amorosa a menos de meia hora.
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N.A.: E aí galerinha! Gostaram? Não sei se ficou muito bom, mas tudo bem... Tava meio sem idéias pra este capítulo e ninguém me ajudou! Humph... Mas tudo bem, mesmo assim saiu hehehhe!
Beijos especiais pra Aninha e pro Guh, sempre me cobrando pra sair o capítulo de uma vez! E pro Be e pra Biah por ter me aturado enchendo a paciência pra conferir se não tinha nenhum erro ainda (apesar de ter publicado antes deles me responderem =P)
Bem, se puderem apertar aquele botãozinho verde ali em baixo e deixar um comentário eu agradeço! Beijos!
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