HUGO E MONICA

--------------------------------------------------------------------------------------------

.:. CAPÍTULO 15 .:.

PARA ISSO QUE SERVEM OS AMIGOS

--------------------------------------------------------------------------------------------

Era uma manhã quente de sábado e quase todos os alunos de Hogwarts que já haviam acordado podiam ser encontrados no jardim aproveitando o sol. Mas como não são todos os alunos que nos interessam, vamos nos concentrar na beira do lago. Por quê? Bem que podia ser apenas porque ali tem uma temperatura mais agradável, mas na verdade é para observar nosso querido Hugo que estava sentado à margem com a cara amarrada.

"Deixa de ser um chato, Weasley!" gritou Alec assim que emergiu, "Entra logo na água! Anda!"

"Já disse que não quero, poxa!" resmungou Hugo antes de jogar mais uma pedra no lago. Preparava-se para jogar outra quando sentiu a água fria lhe acertando o rosto. Levantou-se num pulo e logo outro montante de água lhe acertou encharcando sua roupa. Ergueu os olhos e viu Alec gargalhando e teve certeza que fora ele quem lhe molhara. "Pra que isso?!"

"Pra refrescar tuas idéias," disse Alec ainda rindo.

"E quem é que disse que minhas idéias precisam ser refrescadas, posso saber?" Hugo acenava com a varinha tentando secar sua roupa.

"Deixa de ser teimoso," disse Alec se aproximando do amigo, "Vais ficar com essa cara de bunda o dia inteiro?"

"Eu não queria vir, lembra?", disse Hugo deitando na grama. Alec havia lhe enchido a paciência até que ele concordasse em vir ao lago.

"E eu ia te deixar sozinho no salão comunal esperando as pedras mudarem de cor?" Alec se sentou ao lado de Hugo, mas manteve seu olhar no lago. "Eu sei que tás chateado, mas, sinceramente, adianta alguma coisa tu ficares desperdiçando o teu sábado só porque ela não respondeu uma maldita carta?" Hugo apenas continuou a olhar para o alto. "Quer dizer, não estou dizendo que a Alice tenha razão, ok? Talvez essa tal de Monica seja realmente legal e tudo mais, mas não consigo acreditar que tás deixando de curtir teu último ano em Hogwarts pra ficar na fossa por conta de um rolo que nem chegou a acontecer."

Hugo não conteve um sorriso abafado, "E que nem vai acontecer tu queres dizer né?"

"Isso tu tens que perguntar pra Lily," riu Alec, "Ela é que está fazendo adivinhação ainda." Hugo riu também. Após alguns segundos Alec continuou, "Sabe, é só que eu acho que a Kai tem razão quando diz que às vezes a gente precisa ir pra direita pra chegar à esquerda."

"Acho que ela diz algo com leste e oeste na verdade..." disse Hugo sentando-se.

"Bem, o que importa é o sentido," disse ao bater na nuca de Hugo, "Não adianta nada tu ficares aqui amaldiçoando a sorte e coisas do gênero."

Hugo respirou fundo e absorveu as palavras do amigo. Ele passara os últimos dias esperando uma resposta que nunca chegou e lamentando sua sorte. Alec estava certo. Esse era o último ano deles em Hogwarts, tinham que aproveitar ao máximo ou iriam se arrepender depois. Levantou-se num pulo e disse, tirando a camisa, "Quem chegar por último do outro lado do lago tem que fazer o trabalho de Runas essa semana." Alec apenas riu antes de se jogar na água com o amigo e começar a nadar: era bom ter o velho Hugo de volta.

-------------------------------------------------------------------------------------

Monica estava sentada em sua cama apertando incansavelmente os botões do controle remoto. Havia sido removida para o quarto há apenas algumas horas, as quais, em sua maior parte, ainda foram repletas de visitas dos funcionários do hospital, mas mesmo assim já estava entediada. Estava passando pela quinta vez pelo mesmo canal da televisão quando a porta de seu quarto abriu.

"Já estava achando que tinhas sumido," disse Monica com a voz fraca assim que viu Kate passar pela porta.

"E te deixar sozinha nesse quarto feio? Nunca," sorriu Kate, "Trouxe aquele livro que tavas lendo, pra passar o tempo quando a gente não estiver aqui." Kate colocou o livro ao lado de Monica, puxou a cadeira e se sentou perto da cama. "Mel queria ter vindo, mas o restaurante não deu folga pra ela agora. Acho que ela vem no final da tarde." Monica viu quando lágrimas escaparam do rosto da amiga.

"Kate, eu to bem. Não precisas chorar, ok?" disse tentando acalmar a amiga.

"Como é que tu podes fazer isso com a gente, hein? Sair por aí levando tiro sem nem avisar!" brincou Kate, secando as lágrimas. Monica riu e sentiu uma leve pontada de dor no ventre. Ao ver a expressão de dor no rosto da amiga, Kate continuou, "Ok, nada de piadas por mais um tempo."

"Por falar em tempo," disse Monica se arrumando na cama, "os médicos daqui estão impressionados com a minha recuperação, sabia? Era para eu estar na UTI por mais algumas semanas", depois sorriu e encarou Kate, "Não sei por que, mas acho que tem dedo teu nessa história."

"Dedo do Phillip pra ser mais exata," disse encabulada, "Ele é que teve a idéia de enfeitiçar os médicos pra eles te darem as poções que ele trazia do St. Mungus ao invés dos remédios daqui..."

"Acho que tenho que agradecer o teu irmão então. Já estou entediada e olha que não faz nem uma semana que estou aqui... Imagina se tivesse que passar alguns meses..." disse rindo.

"Acho que ele vem aqui amanhã. Daí podes agradecer ele pessoalmente." Kate então tirou um folheto de sua bolsa e entregou para Monica.

"Que é isso?" perguntou confusa.

"Olha ali em baixo," indicou Kate, "É um papel pequeno, mas mesmo assim, eu estou dentro da peça!"

"Isso mesmo, a gente tem que começar por baixo não é?" Monica estava visivelmente extasiada com a notícia, "Se eu pudesse eu te daria um grande abraço agora! Parabéns, Kate!" comemorou, depois continuou, fazendo uma cara triste, "Só não acredito que vou perder a festa de comemoração."

"Que nada, vamos esperar pra comemorar junto com a tua alta do hospital." As duas ainda ficaram conversando alguns minutos até que o médico apareceu para medicar Monica e pedir para que Kate saísse e a deixasse descansar.

-------------------------------------------------------------------------------------

"Hugo, para de jogar essa bola na parede e presta atenção aqui, por favor!", disse Kai desesperadamente, "Preciso da tua ajuda pra decidir isso!"

"Eu sei. Calma!" Hugo segurou a bola em suas mãos e depois voltou a se debruçar sobre a mesa com a amiga, "Eu tava pensando."

"Alguma idéia então?" Kai era capitã do time de quadribol pelo segundo ano consecutivo, mas desde antes de assumir a posição Hugo já era considerado o estrategista. Ele tinha uma teoria sobre o quadribol se assemelhar ao xadrez e usava as estratégias que aprendeu com o pai no tabuleiro para auxiliar o time. Dizia que era a forma que tinha para ajudar já que não era bom o suficiente para entrar em campo. Os testes para o time da Lufa-Lufa foram nesta tarde e agora estavam os dois tentavam montar o time antes de saírem pra jantar.

"Alessia é uma boa apanhadora, acho que não tem dúvida que essa posição seja dela. Tu vais continuar como goleira, claro. O Alec é o melhor artilheiro que temos, não podemos tirar ele dali." Enquanto falava, Hugo colocava bonecos de jogador sobre o campo em miniatura que havia na mesa. "Os outros é que são o problema..."

"Bem, eu acho que temos que conversar com o Rodney... Tudo bem que ele quer ser artilheiro esse ano, mas os candidatos a batedores são muito fracos... O melhorzinho foi o Derek, mas ele é muito verde ainda, precisa treinar bastante pra pegar o jeito do jogo."

"Eu também tava pensando nisso," concordou Hugo, "Até porque temos mais opções para artilheiros."

"Sem dúvida." Kai alcançou umas miniaturas e começou a colocar sobre o campo, "Ele aceitando ficar como batedor, a gente tem o Lewis e a Carol pra colocar como artilheiros. A Carol não é ótima, mas ela melhorou muito do ano passado pra cá, acho que vai dar conta do recado."

"É... Pode ser," disse Hugo pensativamente enquanto coçava o queixo, "Mas vamos ter que começar a treinar logo."

"Sim, sim. Vou fazer o calendário assim que tiver o plano de aula de todos os selecionados," disse ao alcançar uma pena e um pergaminho, "Todos os outros que fizeram o teste vão ficar na reserva."

Hugo se levantou e depois passou os olhos pela sala abarrotada de alunos, "Visse pra onde aqueles dois foram?"

"Acho que a Alice deve ter carregado o Alec pro quarto de vocês... Ela ia começar os deveres de Runas e sabes que ela não gosta da bagunça do Salão Comunal nessas horas..." respondeu Kai já debruçada sobre o pergaminho anotando a lista de selecionados para pendurar no mural.

"Vou lá chamar eles pra gente ir jantar, então." Hugo foi pelo corredor e entrou em seu impecável quarto – graças ao Alec, claro – encontrando Alice folheando despreocupadamente o livro e Alec roncando no sofá abraçado com outros volumes. "Ele ajudou alguma coisa?" riu Hugo.

"Sim, ele desmaiou há menos de cinco minutos," sorriu Alice, "Já era hora da gente dar uma pausa mesmo. E vocês? Decidiram o time?"

"Da melhor forma possível." Hugo mal havia se sentado na cama quando ouviu uma batida na porta e uma garota um pouco mais nova do que eles entrou devagar: Alessia.

"Oi, vim buscar meu namorado," acenou sorrindo, depois, ao ver Alec sobre o sofá, revirou os olhos, "Mas vejo que ele está dormindo." Alice e Hugo riram. Alessia sentou num pedaço livre do sofá e começou a tentar acordar Alec.

"Bem, enquanto vocês lutam essa batalha inglória eu vou ao corujal mandar uma carta pra minha mãe," Hugo levantou pegando o envelope de sua gaveta, "Senão é capaz dela achar que a Lula Gigante me seqüestrou de verdade dessa vez. Encontro vocês depois no Salão Principal." Ele acenou para as garotas e saiu. Seguiu pelos corredores girando a carta entre os dedos até chegar ao corujal. Mal havia atado a carta à perna da coruja quando ouviu alguém entrar na torre. "Oi," disse ao reconhecer Sarah, "Mandando notícias pra casa?"

"De certa forma." Ela virou de costas, mas ele viu as lágrimas correrem pelo rosto da garota enquanto ela amarrava a carta à perna da coruja.

"Aconteceu alguma coisa?" disse preocupado levando a mão ao ombro de Sarah.

"Não, nada." Sarah correu as mãos pelo rosto secando as lágrimas, depois forçou um sorriso no rosto e continuou, "Bobagens..."

"Não deve ser bobagem se tás chorando. Não queres dar uma volta?" Hugo notou certo desconforto no olhar de Sarah. "Não precisa conversar se não quiseres. Só caminhar."

Ela sorriu e os dois caminharam em silêncio pelos corredores. Atravessaram uma porta lateral e seguiram pelo jardim até que Sarah parou. "Meus pais estão se divorciando." Ela mais uma vez forçou um sorriso no rosto. "Viu, eu disse que era bobagem."

Mas Hugo sabia que não era, principalmente para alguém como Sarah, alguém de uma família tão tradicional quanto se pode ser hoje em dia. Os Perkins eram respeitados na sociedade bruxa e trouxa há muitas décadas e conhecidos por seu respeito pelos costumes e, como diz seu tio Charlie, pelo excesso de pompa. Hugo tentou, mas sabia que nunca seria capaz de entender verdadeiramente o que significava para Sarah o divórcio dos seus pais.

"Como? Quando?" Ele resmungou, não sabendo que falar.

"Eles mandaram uma carta logo depois que cheguei na escola dizendo que estavam pensando nisso," ela se sentou sobre a relva, "mas hoje chegou outra dizendo que os papéis foram assinados." Hugo sentou-se ao lado dela e passou o braço sobre seus ombros. "Como eu vou conseguir olhar pras pessoas quando a notícia sair?"

"Ninguém vai ligar pra isso, tu vais ver." Hugo tentava escolher as melhores palavras. "Muitos alunos tem os pais separados, eles sabem o que é isso."

"O problema não são eles... Sou eu." Sarah não conteve as lágrimas. "Pode até parecer exagero, mas parece que o meu mundo desabou... Eu não sei o que fazer." E Hugo não sabia o que dizer, então apenas apertou levemente o braço que estava ao redor dos ombros de Sarah. Eles ficaram ali alguns minutos enquanto lágrimas silenciosas corriam pelo rosto da garota. Ela então secou o rosto e colocou um leve sorriso no rosto. "Obrigada, Hugo. Por ouvir, por estar aqui...Por tudo."

"Que é isso..." Ele disse enquanto as famosas 'orelhas flamejantes' entravam novamente em ação. "É pra isso que os amigos servem, não é?"

Hugo manteve o olhar à frente e não pôde ver o rubor subir às faces de Sarah quando ela virou o rosto para ele e chamou seu nome não mais alto que um sussurro. Ele virou seu rosto para ela e sua respiração falseou ao ver a expressão no rosto de Sarah que mordia o lábio inferior. Naquele momento sabia que não conseguiria conter seu impulso, pois involuntariamente começava a aproximar seu rosto do dela.


N.A.: Espero que tenham gostado! Sei que demorei um pouco pra atualizar mas várias coisas aconteceram: tive visitas durante um fim de semana e depois, quando foram embora, chegou meu novo jogo de PS3 e eu fiquei jogando ao invés de escrever =P. Mas foi porque eu não sabia o que colocar nesse capítulo... Acabei até adiantando o que eu queria que demorasse mais um pouco pra acontecer =P. Se possível deixem um comentário, ok? Ouvir a opinião de vocês sempre deixa o meu dia mais feliz e as especulações e idéias de vocês sempre me dão inspiração para capítulos futuros! Beijos!

** Quem quiser pode me adicionar no Live Messenger (bizinhavieira (at) hotmail . com) ou no Twitter (/bizinhavieira)