HUGO E MONICA

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.:. CAPÍTULO 17 .:.

CUIDADO: FRÁGIL

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"Maldito ar condicionado..." resmungou Monica desistindo de cobrir suas costas parcialmente descobertas devido à vestimenta do hospital e tratando de empurrar a porta do banheiro com o seu andador, pois ainda não tinha forças para caminhar sem auxílio. Fechava a porta lentamente quando quase caiu ao ouvir um pigarro atrás de si. "Pelo amor da santa virgem, Phillip! Queres me matar do coração?!" exclamou com a mão sobre o peito.

"Não era esse o meu objetivo." riu se aproximando de Monica. "Não sabia que já estavas podendo caminhar sozinha."

"E não posso." Monica respondeu enquanto ele a ajudava a deitar novamente na cama. Ao notar o olhar que ele lhe lançava continuou. "E não faça essa cara de 'só porque é curandeira acha que sabe mais que os médicos daqui'. Eu precisava ir no banheiro e não pretendia me molhar toda só porque uns idiotas resolveram bater com o carro e fazer todas as enfermeiras ficarem a disposição deles..."

"Além de achar que sabe mais do que eles..."

"Tá... Isso também." Monica riu enquanto Phillip ajeitava o travesseiro atrás dela. "Pelo menos eu sei porque é que já estou praticamente recuperada."

"Ah, sim. Dá de ver pela tua cara o quão recuperada que já estás." Ele revirou os olhos enquanto sentava na poltrona ao lado da cama.

"Ha... ha... ha..." debochou Monica. "Sarcasmo nunca foi o teu forte, Phil, desista. E quero que saibas que eu me sinto muito melhor do que pareço estar." E Monica realmente sentia-se muito bem. Pelo menos para quem havia levado um tiro a cerca de uma semana. Mas sabia que sua aparência estava longe de demonstrar isso. Havia admirado seu rosto no espelho em sua recente ida ao banheiro e a visão realmente não era animadora: estava magra, pálida, com olheiras fortes, lábios rachados e cabelos sem volume. Ela podia entender a preocupação de todos ao seu redor, pois transparecia fragilidade, mas sabia que era tudo consequência da poção que estava tomando. A poção fazia seu corpo se concentrar em recuperar os órgãos feridos, não deixando nada além do necessário à sobrevivência do restante do corpo. "Mas e então, voltasse pra Londres só pra bancar o meu herói?"

"Sei que querias que fosse assim, mas eu vim mostrar minhas fotos pra editora e depois tirar uns meses de descanso." Ele riu. "A Kate me fez prometer ficar no apartamento de vocês por um tempo. Vais até cansar de me ver por ali."

"E tu ainda lembras de como é viver como um trouxa?" duvidou Monica.

"De leve." Phillip sorriu passando a mão na nuca. "Mas eu estou adotando a estratégia de evitar ficar em casa muito tempo quando a Mel está lá."

"Boa estratégia." riu Monica. "Mas não precisas te preocupar muito. A Melanie normalmente é tão distraída que se deres um passo em falso ela vai achar que foi só imaginação..." Monica ficou em silêncio alguns segundos com o olhar distante, "Não vejo a hora de ir pra casa, ficar na minha cama e comer a comida da Mel..." Monica suspirou, depois abriu um sorriso e continuou. "E de ganhar um chamego do meu gatinho. Chegasse a conhecer o Ed?"

"E tem como não conhecer ele? Mal cheguei no apartamento ele já veio pedir carinho. Mas sério mesmo, até a Kate que não é muito fã de gatos está apaixonada por ele. Do jeito dela, claro."

"Sério? Ela não me contou nada!"

"E tu achas que ela iria admitir?" riu Phillip. "Ela chama ele de 'pequena bola de pelo fedida e nojenta', mas é ela quem cuida de tudo: dá comida, limpa, coloca brinquedos pra ele na sala. Até já vi ela conversando com ele e explicando porque não tavas lá. Essa minha irmã é uma figurinha..."

"Mas isso deve ser temporário." Monica riu. "Só porque ela está de bom humor por ter conseguido um papel naquela peça."

"Ou com pena por estares ainda no hospital..."

"Ou isso." concordou Monica. "De qualquer forma, logo, logo ela volta ao normal."

"Provavelmente. Mas agora tenho que ir." sorriu Phillip se levantando. "Tenho outra reunião com a editora. Espero que a última."

"Ah, claro!" disse Monica se ajeitando na cama novamente. "Sobre o que são tuas fotos mesmo?"

"Pontos turísticos mágicos. Pra um guia turístico. Mas este já está resolvido, agora eu estou tentando vender outras fotos minhas. Encontrei alguns animais e plantas durante a viagem e as fotos ficaram legais."

"Conhecendo tuas fotos provavelmente ficaram muito mais que legais."

"Ah sim, minha 'Fã número dois'."

"Por enquanto. Um dia vou desbancar tua mãe do posto de 'Fã número um'. Ela vai ver só!" riu Monica.

"Vai ser difícil... Ela tem a vantagem de ser mãe, sabe..." piscou Phillip enquanto remexia em sua bolsa. "Mas como prêmio por seres minha 'Fã número dois'... Sorria!" disse apontando uma máquina fotográfica para ela.

"Não, não, não!" Monica colocou as mãos em frente ao rosto tentando se esconder. "Não vais tirar fotos minhas nesse estado deplorável!"

"Ah, que é isso! Uma só! De recordação!" Como Monica não baixava as mãos ele pediu, "Por favor... Não precisas mostrar pra ninguém se não quiseres."

"Argh..." fez Monica ao desistir e baixar as mãos. "Mas se mostrares essa foto pra alguém tu vais te arrepender!" Após alguns flashes Phillip saiu e Monica logo pegou no sono novamente.

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"Espero que não seja preciso, mas mesmo assim pedi autorização pra colocar uma dessas aqui na tua casa." disse Samantha, colega de classe e companheira de trabalho de Monica, tirando uma sombrinha quebrada de uma sacola. Estavam ela, Monica e Kate já confortavelmente instaladas de volta ao apartamento, no quarto de Monica. "Se bem que devo dizer que só consegui porque o Scorpius pediu diretamente para o pai dele."

"Nada como ter contatos no Departamento de Transportes Mágicos..." sorriu Monica enquanto afagava Ed atrás das orelhas. Desde que chegara o gato havia se aconchegado em seu colo e adormecido tranquilamente. "Mas não é preciso, vou me comportar."

"Queria muito acreditar nisso, mas não confio muito na senhorita." riu Samantha. "E em caso de emergência a Kate aqui precisa conseguir te levar pro St. Mungus."

"Isso quer dizer que tem mais por trás dessa sombrinha desasada do que parece, certo?" disse Kate enquanto olhava com desgosto para o tecido multicolorido que estava rasgado em diversas partes.

"Já usasse uma chave de portal?" disse Samantha recebendo um aceno negativo de Kate. "Bem, vou colocar um feitiço nessa sombrinha e caso essa senhorita aqui apronte alguma, é só pegares ela e depois segurar a sombrinha e então vocês vão ser levadas para o St. Mungus."

"Será que vai funcionar? Quer dizer, eu não sou mágica..." perguntou Kate se servindo de mais uma xícara de chá. "Mamãe sempre dizia que alguns objetos enfeitiçados respondem ao poder dos bruxos e não só aos feitiços colocados neles."

"A chave do portal é para funcionar." disse Monica calmamente. "Mas se não der, coloque na minha mão e segure firme em mim."

"Acho que era isso..." disse pensativamente Samantha. "Lembrando: uma colher de sobremesa três vezes ao dia da poção do frasco verde e uma colher de sopa pela manhã da poção do frasco azul. Está tudo anotado aqui." Ela então se levantou e pegou sua bolsa. "Eu e Scorpius nos responsabilizamos em cuidar de ti, então vamos nos revezar nas visitas. Vamos vir todos os dias perto das seis horas da noite, mas se precisarem da gente antes é só chamar. Agora eu tenho que ir, meu plantão começa em vinte minutos."

"Obrigada por tudo, Sam... Não sabes como eu já estava cansada daquele lugar." despediu-se Monica com um sorriso.

"Disponha." acenou Samantha já se afastando com Kate que a acompanhou até a porta.

Monica então aproveitou que estava sozinha e, com a varinha, pegou as cartas que havia recebido em sua "ausência". Algumas contas, outras propagandas, um cartão postal e um envelope. O cartão postal tinha uma foto de uma pirâmide Maia e no verso sua mãe dizia que estava se divertindo, mas que estava preocupada e esperava que Monica se recuperasse logo e que desse notícias. Monica escreveu uma resposta logo depois de confirmar a Kate que não precisava de nada e esta foi tomar seu banho. Assim que pegou o envelope reconheceu a caligrafia. Hugo havia respondido suas cartas finalmente. Sorriu e retirou cuidadosamente o pergaminho do envelope.

"Oi Monica,

Acho que quem deve desculpas sou eu e não o contrário. Se é que posso dizer alguma coisa em minha defesa sobre aquele dia no Beco Diagonal é que não é fácil pra mim ouvir alguém defender o Malfoy. Bem, minha mãe sempre diz que sou mais parecido com o meu pai do que deveria mesmo... E podem falar o que quiserem, tem certas coisas que a gente não consegue controlar... A rixa Malfoy-Weasley é uma delas.

Mas deixando esse assunto chato de lado, sim, acho que te devo um sorvete. E, sei lá, se quiseres vir para Hogsmeade num fim de semana desses... Bem, to mandando uma cópia das datas que vamos poder ir pra vila. Não que tu precises ir se não quiseres, mas, bem, caso queiras é só mandar uma coruja avisando. Ou só aparecer também, não é como se Hogsmeade fosse muito grande de qualquer forma.

Abraços,

Hugo.

P.S.: Desculpe a demora para responder... É que passei o fim de semana fora de casa, me despedindo dos meus avós, e depois os primeiros dias de aula foram tumultuados, muita gente pra conversar. Hehehe."

Monica sorriu e, pegando papel e caneta, escreveu sua resposta, desta vez ela explicando o porquê da demora da resposta.

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N.A.: Bem, agora é a minha vez de explicar o porquê da demora do capítulo? Eu até podia, mas seria algo tão entediante no início, depois tive um grave caso de 'bloqueio criativo' e agora teve o filme (para quem não sabe, então tive que assistir todos os outros filmes e ler o livro de novo antes de ir ao cinema). Já foram ver?

E quanto aos próximos, já sabem, qualquer idéia ou sugestão é bem vinda! Espero que tenham gostado desse. Beijos!