HUGO E MONICA
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.:. CAPÍTULO 18 .:.
A TÃO ESPERADA RESPOSTA
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Aqueles que tivessem coragem de se aventurar na Floresta Proibida naquela manhã de segunda-feira, mas se aventurar bem profundamente na floresta, encontrariam Sarah agachada ao lado de um vidro escuro olhando dentro de um buraco parcialmente oculto por uma grande moita com flores amarelas. Ela estava com as vestes sujas e o braço levemente arranhado. Uma pequena lágrima escapou de seus olhos e marcou a poeira que cobria seu rosto. Duas mãos então saíram do buraco e, logo depois, o rosto de Hugo surgiu.
"O que houve? Saudades?" riu enquanto impulsionava seu corpo para fora e com a varinha trazia um vidro semelhante ao que Sarah tinha consigo flutuando atrás de si.
"Até pode ser." disse ainda cabisbaixa. "Mas na verdade um deles me mordeu e eu acabei esmagando por reflexo..." Eles estavam procurando besouros-da-melancolia para a aula de Trato das Criaturas Mágicas, pois o estoque da escola estava baixo da secreção deles. Como o próprio nome deles diz, a secreção causa melancolia, um ótimo antídoto para crises de histeria, mas um potencial problema se a pessoa não está em uma, como no caso de Sarah, pois a pessoa pode até perder a vontade de buscar ajuda e ficar prostrada até que alguém a encontre.
Sem dizer nada, Hugo sentou em frente à Sarah, e afastou o cabelo da frente de seu rosto ao colocar as mechas atrás das orelhas dela e depois aproximou o rosto, juntando seus lábios. Tinha certeza que nunca se acostumaria com aquele toque; se arrepiava quando sentia a língua de Sarah roçando na sua e sabia que sempre seria assim. Depois de algum tempo se afastou alguns centímetros, mas manteve-se próximo a ela, "Melancólica ainda?"
"Receio que sim." disse Sarah tentando colocar um sorriso em seu rosto. "Acho que beijos podem ser descartados como antídotos."
"Acho que só precisamos tentar com um pouco mais de convicção." Hugo então enlaçou a cintura de Sarah e a puxou para si, fazendo-a sentar-se em seu colo, enquanto seus lábios novamente se tocavam. As mãos dele encontraram uma fresta nas vestes dela e se aventuraram pelas costas da garota. Subiu sua mão pela pele macia de Sarah até encontrar uma barreira de tecido. Ainda decidia o que fazer agora que havia encontrado o sutiã dela quando Sarah se afastou, ainda com a mesma expressão no rosto.
"Para, Hugo. Isso não vai funcionar. A gente precisa voltar, entregar os besouros pro professor Hagrid e depois ir à ala hospitalar."
"Tentar mais um pouco não vai machucar ninguém." Hugo tentou se aproximar mais uma vez, mas Sarah o afastou. "Tu gostas de me torturar né?" riu.
"Até gostaria se aquele besouro não tivesse me impedido de sentir mais nada além dessa apatia absurda. Sem contar com o fato de que eu ainda tenho História da Magia no próximo período."
"Eu já estaria melancólico só com essa perspectiva..." riu Hugo. Ele então se levantou e estendeu a mão para ela. "Mas tudo bem, vamos de volta para o castelo." Depois de deixar seus besouros com o professor, caminharam até o castelo, Hugo praticamente arrastando Sarah que volta e meia desistia de caminhar. Quando finalmente conseguiram chegar na ala hospitalar, Hugo entregou a namorada aos cuidados da senhorita Strout e sentou-se numa das cadeiras da área de espera. Resolveu finalmente abrir as cartas que havia recebido naquela manhã e simplesmente jogado dentro da mochila já que pretendia namorar um pouco antes da aula começar. A primeira era a resposta de sua mãe à carta que havia enviado naquele fim de semana. Já a outra, bem, mal pôde acreditar quando viu o remetente. Monica finalmente havia respondido a carta. Logo agora que ele finalmente teve coragem de se aproximar de Sarah? Se bem que, se fosse pensar bem, Monica era só amiga dele, não é mesmo? Ela nunca nem pensou em ser mais nada além disso, não é? E isso era suficiente, não era? Melhor do que ficar sem falar com ela. Por alguma razão o fato de ela não ter respondido o estava incomodando mais do que ele queria admitir e agora que chegou a resposta ele estava ansioso pra ver o que ela havia escrito. Mas teria que esperar, Sarah se aproximava.
"Será que posso te acompanhar até sua sala, senhorita Perkins?" Hugo fez uma reverência em frente à namorada. Ela riu e saiu de mãos dadas com Hugo enquanto acenava para a enfermeira.
"E o que estavas lendo?" disse Sarah quando já estavam chegando à sala do professor Binns.
"Recebi notícias de casa." disse Hugo encolhendo os ombros.
"Legal."
"Então a gente se vê à tarde na aula de Feitiços." Hugo deu um beijo de leve em Sarah e começou a se afastar quando sentiu a mão dela em seu braço.
"A gente não vai almoçar juntos?"
"Eu... Eu prometi que ia almoçar com o pessoal do time de quadribol, sabe? Eu ajudo a Kai nos treinos..." Hugo disse e, ao ver a expressão cabisbaixa de Sarah emendou, "Desculpe."
"Tudo bem, mas agora preciso entrar. Até mais tarde." Sarah acenou levemente e entrou em sua sala de aula.
Hugo por sua vez seguiu pelos corredores e subiu as escadas até alcançar a biblioteca. Alice estava sentada sozinha em uma das primeiras mesas, alguns livros empilhados à sua frente e a cabeça apoiada em uma das mãos.
"Onde está o Alec?" Hugo disse ao se entar ao lado de Alice. "Achei que iam estudar Transfiguração juntos." Depois espiou o livro aberto sobre a mesa. "Animagos?"
"E estamos estudando... Alec foi guardar uns livros na estante. E sim, temos que fazer uma redação sobre como alguém pode se tornar um animago, as formas de identificar e... Ah, sim, e porque eles precisam ser registrados no Ministério da Magia." Alice disse enquanto se espreguiçava. "Essa parte teórica sempre me dá sono..."
"Oi, Hugo!" disse Alec se juntando aos dois. "Como foi a aula?"
"Divertida."
"Nota-se." Alice riu enquanto examinava a roupa suja de Hugo com expressão de nojo.
"Entrar em buracos escuros atrás de besouros peludos é sempre garantia de diversão." Hugo riu e depois com um aceno de varinha tirou o excesso de sujeira da roupa. "E, como bônus, ainda pude bancar o herói levando a Sarah pra ala hospitalar. Ela esmagou um besouro-da-melancolia e se contaminou, mas já tá tudo certo."
"Mas então por que tás com essa cara?" Alice comentou enquanto Alec organizava os livros sobre a mesa.
Hugo tamborilou os dedos sobre a mesa e olhou para Alice antes de responder. "Chegou uma carta da Monica."
"Sério? E o que foi que ela escreveu?"
"Não sei, não li ainda." Hugo suspirou. "O problema é que não sei se devo... A Sarah viu eu mexendo nas cartas e me perguntou o que era... Não tive coragem de dizer que tinha recebido uma carta da Monica. E ela nem sabe que a Monica existe. E a Monica é só uma amiga. Quer dizer, não era pra ser um problema, então porque que eu não contei pra ela?"
"Porque tu sabes muito bem que tu querias que a Monica fosse muito mais que só uma amiga." comentou Alec.
"Cala boa, Alec." ralhou Alice.
"Deixa ele, Alice." disse Hugo apoiando a cabeça sobre a mesa. "Ele deve estar certo... Mais um motivo pra eu não ler... As coisas estão ótimas entre mim e a Sarah. E eu sempre quis namorar ela, não vou estragar agora."
"Não sei não Hugo..." suspirou Alice. "Tu ficasse todo chateado porque ela não respondeu a tua carta. Agora que chegou a resposta tu simplesmente não vais ler?"
"Ela tá certa, sabe. Além do que, aposto que estás curioso pra saber o que ela escreveu."
"Sem contar que tu mesmo disse que vocês são só amigos. Vais te afastar dos teus amigos só porque começasse a namorar?" disse Alice afagando as costas de Hugo.
"Vou pensar no assunto..." disse Hugo abrindo seu livro de Poções. Algo lhe dizia que nesta tarde ele teria que esmagar os besouros que recolhera pela manhã.
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Durante o almoço, Kai se inteirou do assunto e concordou com Alice e Alec. De acordo com ela, o melhor era ele decidir depois de ler a carta o que fazer. As aulas da tarde o fizeram esquecer o assunto, até porque Sarah cursava as disciplinas com ele e ela conseguia fazer ele se esquecer da vida se quisesse. Mas agora, quando se preparava para dormir, tudo voltou à tona. Rolava a carta entre os dedos e diversas vezes se conteve antes de abrir. Alec tentava ignorar Hugo, enquanto tentava decifrar um mapa astronômico para o dia seguinte, mas não se conteve por muito tempo e, depois de ameaçar ele mesmo ler a carta se Hugo não o fizesse de uma vez, foi que nosso prezado Weasley rompeu o envelope.
"Oi Hugo,
Só hoje recebi tua carta, desculpe a demora, mas estive, digamos, impossibilitada de checar minha correspondência. E o motivo é público e notório, por assim dizer. Mas não se preocupe por não saber o que aconteceu, saiu apenas nos jornais trouxas. Estava em dúvida se te contaria ou não, mas como essa é a única novidade que aconteceu nos últimos tempos, então lá vai. Mas antes de qualquer coisa, quero dizer que estou ótima já. Bem, teve um assalto aqui perto da minha casa e eles acabaram machucando algumas pessoas e eu fui uma delas. O problema todo é que me levaram para um hospital trouxa, então minha recuperação está demorando um pouco mais. Mas, como disse, já estou ótima e de volta em casa.
Por isso não posso afirmar que eu vá tão cedo aí para Hogsmeade te visitar, me trouxeram pra casa hoje, mas me fizeram prometer primeiro que seria uma boa menina e faria repouso. Mas pode ter certeza que em algum desses fins de semana eu vou, só precisa coincidir com minha folga.
Quanto ao fato Malfoy-Weasley, vou considerar uma página virada, mas só quero reforçar que por mais que queiras proteger tua irmã, a vida é dela. E eu tenho certeza ela seria mais feliz se tu simplesmente aceitasse quem ela escolheu para namorar, ou que pelo menos tentasse uma trégua.
A propósito, o Ed está te dizendo 'oi' (Ed é o gato, não sei se já havia te contado o nome dele). Ele acordou agorinha mesmo e veio reclamar que não estou dando atenção pra ele. Ah! E por acaso tu treinasse ele antes de me mandar foi? É que um pouco antes de eu parar no hospital, o Ed estava atacando um brinquedo que eu comprei pra ele e ele fazia igualzinho aquele passo de dança teu, fui obrigada a rir. Muito fofo!
Mas chega de falar das coisas daqui, como está Hogwarts? Aprontando muito ou resolveu ser um menino comportado e estudar? Mande notícias! Eu falei sério quando disse que me diverti contigo em todas as vezes que saímos. Já estou sentido falta de conversarmos. Espero que respondas logo.
Bem, preciso descansar agora. Essas poções me dão muito sono.
Com carinho,
Monica"
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N.A.: Já sei o que estão pensando, mas não, não é uma miragem! Eu postei outro capítulo em uma semana! *imagina uma salva de palmas* Espero que tenham gostado e que deixem um comentário! Beijos!
