HUGO E MONICA

--------------------------------------------------------------------------------------------

.:. CAPÍTULO 20 .:.

DIA DAS BRUXAS

--------------------------------------------------------------------------------------------

O que você considera um dia perfeito? Uma bela tarde de sol numa praia? Uma manhã gelada de inverno? Um dia de chuva no campo? Uma tarde no cinema com os amigos? Aquele jantar com a família? Se fizéssemos essa pergunta para o Hugo naquela manhã, ele diria, sem pestanejar: dia das bruxas; no sábado; em Hogsmead. E exatamente por isso ele acordou com toda a disposição. Afinal o que podia ser melhor? Na opinião dele, nada poderia estragar um dia desses!

"Anda, Alec!" gritou Hugo enquanto acabava de abotoar sua camisa. "Eu já estou quase pronto e morrendo de fome! Não queremos perder nosso último Dia das Bruxas em Hogwarts, não é?" Ao ver que Alec não se mexeu, Hugo foi até a cama do amigo e puxou o cobertor dele com força.

"Devolve minha coberta, Hugo! Deixa de ser mala! Tá frio!" reclamou Alec tentando pegar a coberta de volta das mãos de Hugo.

"Da próxima vez dorme de pijama, então. Não preciso ficar te vendo desfilar de cueca no quarto. E agora que já tás acordado aproveita pra te arrumar de uma vez. Hoje a Dedosdemel vai estar lotada. Se a gente demorar é capaz de não ter mais nenhuma varinha de alcaçuz..." Alec resmungou, mas acabou levantando. Hugo sabia que sua ameaça funcionaria. Alec havia prometido comprar esse doce para Alessia que estava na ala hospitalar depois de receber um balaço na cabeça no treino de quadribol durante a semana. "Vou lá acordar as gurias." Disse antes de sair do quarto. Chegando ao salão comunal, encontrou Kai emburrada prendendo o cabelo. "Alice já acordou?"

"Acordou?" Kai bufou irritada. "Acho que ela nem dormiu! Ela tá lá frenética decidindo qual o melhor sapato pra usar com o vestido que ela finalmente decidiu depois de horas. Dei minha última opinião e saí antes que ela me deixasse maluca!" Disse tão rapidamente que quando terminou precisou recuperar o fôlego para depois continuar em tom de súplica. "Não me peça pra voltar lá pra chamar ela..."

Hugo riu, mas antes mesmo que pudesse dizer alguma coisa, ouviu dizerem do corredor: "Ninguém precisa me chamar." Ao se virar, encontrou Alice parada com um sorriso estampado no rosto. "E então? Estou bonita, mas sem parecer oferecida?"

Ele resolveu correr os olhos pela roupa da amiga. Apesar de não entender muito de moda, ele podia dizer que o sapato combinava com a roupa, que a estampa do vestido era bacana e que ela provavelmente não ia passar frio já que estava de mangas longas. Mas, conhecendo Alice, achava que essa resposta não ia ser suficiente para ela, então bolou uma mais incrementada. "Acho que vou fazer um favor pro teu pai e não te deixar sair do salão comunal. Será que ele vai me dar uma boa nota no trabalho que entreguei essa semana por isso?"

"Deixa de ser tolo, Hugo!" Alice sorriu e ele notou uma pitada de satisfação na voz dela. "O Alec não vem?"

"Aqui estou!" Alec se aproximou do grupo e todos saíram em direção ao Salão Principal para tomar o café da manhã. Terminando de comer, Jacob veio buscar Alice e os dois partiram. Logo Hugo foi buscar Sarah e seguiram, junto com Alec e Kai para o vilarejo. Caminharam contando piadas e decidindo sobre o que fazer durante o dia. Se tudo ocorresse dentro do planejado, realmente seria o dia perfeito que Hugo havia antecipado. Primeira parada, sem nenhuma oposição: Dedosdemel. Depois passariam na Zonko's e então no Três Vassouras antes de ir embora. Mas já notaram que sempre que planejamos alguma coisa, outra acontece pra acabar com todo o plano? Pois é... Mas vocês logo vão ver do que estou falando. No momento, os quatro ainda estavam na Dedosdemel – Hugo e Sarah estavam nos fundos da loja, enquanto Kai e Alec corriam pelas prateleiras se abastecendo dos mais variados doces e dando um tempo a sós para os enamorados.

"Não vou fechar os olhos, Hugo!" protestava Sarah com os braços cruzados sobre o peito. "Pelo menos não enquanto não largares essa caixa de Bertie Bott's."

"Que é isso! Esses feijões são deliciosos, só precisas saber escolher. E eu sei." Ele se aproximou dela e deu um sorriso maroto. "Eu não te daria um com gosto esquisito. Não confias em mim?" Ela suspirou derrotada e fechou os olhos. Hugo então pegou o feijão que havia escolhido do pacote e colocou entre os lábios dela que se abriram receosos, mas logo se moldaram num sorriso ao sentir o sabor adocicado. "Viu? Caramelo. Eu te disse que tenho uma técnica pra descobrir os que têm sabor estranho."

"Tu e tuas técnicas secretas..." riu Sarah. "Não vais me contar essa também?"

"Sempre podes tentar me persuadir a te contar, sabe como é..." disse erguendo a sobrancelha e dando um sorriso torto.

Sarah então sorriu timidamente e mordeu o lábio inferior se aproximando dele. "Uma pena que não queiras me contar." Disse e depois apoiou suas mãos no peito de Hugo e tomou delicadamente os lábios dele com os seus. Ela se afastou alguns centímetros dele e murmurou. "Isso foi só uma amostra do que podias ganhar enquanto estivesse me ensinando, sabe como é..."

"É melhor comprares algumas caixas... Nunca se sabe quanto tempo vais precisar pra aprender. É uma técnica bem complicada, sabe?" disse matreiramente antes de colocar suas mãos na cintura dela e se aproximar tentando beijá-la novamente. Mas mal havia terminado de dizer isso quando ouviu um pigarro atrás de si e, ao se virar, encontrou uma amiga de Sarah parada atrás deles.

"Sarah? Eu não queria incomodar, mas é que... bem..." Ela contorcia as mãos, parecendo desconfortável. Hugo tinha certeza que ela estava escolhendo suas próximas palavras. O que não pode significar boa coisa, vocês hão de convir comigo... "Não tem outra forma de dizer isso... Seus pais... Eles estão no Três Vassouras. Pediram pra te chamar..."

Hugo alcançou a mão de Sarah e segurou com força. Desde que começaram a namorar, Sarah não havia mais conversado com seus pais, exceto pela carta que havia enviado apenas dizendo que precisava de um tempo para pensar. Pelo jeito eles achavam que já havia passado tempo suficiente. Será que Sarah também achava?

"E então? Compraram o que precisavam?" disse Kai animadamente ao chegar com Alec. Depois, ao notar a tensão evidente nos olhos de Hugo, continuou: "Por que a cara de enterro? O que houve?"

"Os pais de Sarah estão no Três Vassouras. Querem conversar com ela." Ele respondeu segurando mais firmemente a mão da namorada, confirmando que estava ali. Apesar de não ser nada de mais para muitas pessoas, sabia que aquela situação a abalava. "Eu vou com ela."

Sarah olhou para ele e sorriu, encolhendo os ombros levemente. "Obrigada, Hugo. Mas eu acho que é melhor eu ir sozinha..." Ela apertou a mão dele e suspirou. "Não tem como ficar adiando conversar com eles pra sempre mesmo..."

"Tem certeza? Não seria problema nenhum." Hugo insistiu. Mas Sarah garantiu que ficaria bem e que se encontraria com eles mais tarde e então saiu da loja. Hugo acompanhou os amigos em silêncio pelo restante do tempo que ficaram ali. Assim que acabou de pagar suas compras, se virou para eles. "Vocês vão pra Zonko's... Eu vou pro Três Vassouras. De repente a Sarah precisa de alguma coisa..."

"A gente fica esperando contigo." Alec se prontificou.

"Não, cara. Sério. Vão lá... Tavas dizendo até ainda pouco que precisavas comprar alguma coisa lá. Eu é que tô sem ânimo pra ir mesmo..." E então, com um aceno, os amigos se dividiram em Hogsmeade: Kai e Alec em direção à Zonko's e Hugo em direção ao Três Vassouras. No entanto não chegou nem perto de lá. Mal havia dado alguns passos quando encontrou alguém que não esperava. Caminhou para em sua direção a passos largos; o sorriso voltando a aparecer no seu rosto sem que ao menos notasse. Ela estava distraidamente olhando uma vitrine. Hugo não conteve o impulso de com calma parar ao lado dela e dizer casualmente. "Vejo que estás viva ainda." Ele riu quando Monica o encarou assustada.

"Enquanto não me matares do coração, pelo menos." Monica riu. "Sabe, já estava achando que ias estragar minha surpresa decidindo ficar em Hogwarts. E que eu ia ficar mais uma vez sem sorvete..."

"Acho que não podemos deixar isso acontecer..." Não teria problema nenhum, não é mesmo? Só conversariam um pouco e depois Hugo iria encontrar Sarah. Afinal ele ia ficar sentado fazendo nada, assim pelo menos passava o tempo... Em seguida, os dois já caminhavam pela rua procurando uma carrocinha de sorvete...

------------------------------------------------------------

Espero que não se importem, mas resolvi deixar o Hugo e a Monica conversarem sossegadamente, sem nenhuma contadora de histórias abelhuda rondando. Vocês queriam que eu ficasse de olho neles né? Mas podem fazer o que quiserem, estou decidida. Vamos ver o desenrolar da história por um outro olhar. Por causa disso, avançaremos um pouco no tempo e entraremos no aquecido ambiente do Três Vassouras.

Sarah estava sentada nos fundos do bar. Ela não podia ter esperado, ou desejado, melhor lugar. Ali ninguém pôde ouvir sobre o que conversara com seus pais. As palavras deles ainda ecoavam em sua cabeça – 'a decisão foi muito bem pensada', 'não tem mais volta', 'não ache que é porque não amamos vocês' –, e elas, ao invés de diminuirem a dor, parecia que cortavam ainda mais profundamente sua alma. Saber que nem mesmo haviam cedido quando ela ameaçara não voltar para casa, sepultava as suas esperanças. E agora, além de lidar com o fato de que seus pais não formariam mais uma única família, ainda haviam colocado sobre ela a questão de com quem ela iria morar. Ela não iria decidir agora; precisava pensar. Como podia escolher entre sua mãe e seu pai? Pelo menos eles entenderam isso e deram a ela todo o tempo que precisasse para decidir.

Agora que eles haviam ido embora, ainda mais lágrimas marcavam seu rosto. Outro ponto positivo daquela mesa afastada: ninguém mais conseguia ver as lágrimas que escapavam do seu rosto. Ela não gostava de chorar na frente de ninguém. Na verdade, as únicas pessoas do colégio que já a haviam visto chorando eram Molly, sua melhor amiga, e Hugo... Ao lembrar dele, ela soltou um grunhido baixo e pegou um espelho de sua bolsa, pondo-se a secar as lágrimas e arrumar a maquiagem. Era bem verdade que Hugo já a havia visto chorar, mas não precisava encontrá-la com o rosto inchado. Além do mais, ele estaria acompanhado dos amigos dele. Sarah ainda se impressionava com o fado de que ele nunca estava sozinho, sempre tinha alguém pedindo direções para alguma sala, ou precisando de ajuda numa redação, ou discutindo táticas de quadribol, ou querendo jogar xadrez, ou ainda só jogando conversa fora. Ele vivia pedindo pra ela ter calma, mas às vezes era irritante ter que dividi-lo com quase todo o colégio.

Ao ficar satisfeita com sua aparência, Sarah pediu uma cerveja amanteigada e ficou observando o lugar. Como era de se esperar, estava cheio de alunos, todos com sacolas repletas de doces. Mas nenhum sinal de Hugo. Ou dos amigos dele. Sarah se perguntava que horas seriam, já que nenhum deles ainda havia chego. Pensava se deveria tentar encontrá-los nas outras lojas quando viu Alec entrar no bar com Kai, que ao notar Sarah acenou e puxou Alec até a mesa em que ela estava.

"E então? Tudo certo? Onde foi o Hugo?" ela disse ao sentar-se à mesa ao lado de Alec.

Sarah os olhou confusa. "Ele estava com vocês até onde sei..." Alec e Kai se encararam, confusão clara em seus rostos. "Vocês não viram que ele ficou lá na Dedosdemel com vocês?"

"Sim... Mas é que... Bem... Ele disse que não queria ir na Zonko's... Que ele queria vir pra cá, pro caso de tu precisares dele... " disse Alec lentamente. "Tens certeza que ele não veio pra cá?"

"Aqui ele não está agora." Sarah tomou seu último gole de cerveja amanteigada e se levantou. "Vou procurar por ele, ok?" Foi ao balcão e pagou sua bebida, saindo em seguida para a vila. Tentou imaginar onde Hugo poderia ter ido. A primeira opção que passou por sua cabeça é que ele tivesse ido comprar penas novas, já que tinha reclamado que tinha quebrado quase todas. Enquanto caminhava para a Loja de Penas Escriba, uma cena lhe chamou a atenção: Hugo estava sentado num banco com uma garota que ela não reconhecia. O problema é que não estava só conversando. A verdade é que ele ria descontraidamente e estufava o peito como um pavão – o que ela reconheceu como um sinal claro e evidente de flerte. Sarah respirou fundo, juntou toda a sua dignidade, arrumou a postura, agradeceu mentalmente ter retocado a maquiagem, passou as mãos pelos cabelos, colocou um sorriso no rosto e foi em direção aos dois. Os dois só notaram a presença dela quando Sarah tocou no ombro de Hugo. "Já estava preocupada. Esquecesse que ias te encontrar com a gente no Três Vassouras?" Sarah podia ouvir o cérebro de Hugo processando a situação e até teria se divertido com a cara de perdido que ele estava não fosse pela raiva que a consumia.

"Eu... Já estava indo." Ele disse por fim enquanto se levantava. "Acabei encontrando a Monica no caminho e perdi a hora. Fazia tempo que a gente não se via." Ele olhou rapidamente de novo para a garota – Monica ao que tudo indicava –, e se despediu rapidamente. "A gente se vê outro dia então." Depois colocou as mãos nos bolsos e se virou novamente para Sarah. "Vamos?"

Mas ela já estava com a mão estendida na direção de Monica. "Desculpe o Hugo, às vezes ele esquece as boas maneiras." Depois sorriu triunfante. "Eu sou Sarah. A namorada dele."

------------------------------------------------------------

N.A.: De volta ao tamanho normal dos meus capítulos. Espero que tenham gostado! Estou adorando receber todos os comentários, fazem o meu dia muito mais feliz! Beijos!