HUGO E MONICA

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.:. CAPÍTULO 21 .:.

RECONCILIAÇÕES

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Hugo estava deitado em sua cama jogando a goles para cima. Havia fechado as cortinas ao seu redor numa tentativa vã de se isolar dos acontecimentos do dia. Nem gostava de lembrar que teceu tantas expectativas para aquele trinta e um de outubro... Nunca imaginaria que ia terminar desse jeito: jogado na cama amaldiçoando a própria sorte... E tudo por culpa dele mesmo, como Alice fez questão de dizer e os outros fizeram questão de não desmentir. Mas, droga! Ele não sabia que Monica ia aparecer lá! Como é que ele ia avisar alguém de alguma coisa que ele não sabia que ia acontecer? Ele não é um maldito vidente... E agora tanto Monica quanto Sarah estavam... Merda! Ele até pode ser meio tapado pra entender essas coisas, mas apesar delas terem conversado normalmente, o olhar que Monica lançou pra ele logo antes de desaparatar não deixou dúvida: ela estava muito magoada. E Sarah... Ela não deixou nada em meias palavras no fim das contas...

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Logo que Monica desaparatou, Sarah passou a caminhar em direção ao castelo sem nem ao menos uma palavra para Hugo. Ainda tentando pensar sobre o que iria acontecer em seguida, ele demorou alguns segundos para notar que ela se afastava, mas logo passou a segui-la, tentando acompanhar seus passos sem correr. "Sarah!" Por mais que ele chamasse, ela não diminuía os passos nem olhava para trás. "Espera, poxa!"

Quando ele menos esperava, no entanto, ela parou. Olhou a sua volta e se virou para encarar Hugo. Ele engoliu em seco ao ver a expressão do rosto dela. Ele não tinha bem certeza de como definir, mas seria algo bem próximo de raiva... "É ela, não é?"Hugo não queria ter entendido a pergunta, mas sabia exatamente do que ela estava falando. Mesmo assim resolveu permanecer em silêncio, nutrindo a vã esperança dela desistir do assunto. Mas ela insistiu. "É ela quem anda te mandando aquelas cartas!"

Hugo olhou pra Sarah e mesmo sabendo que a última frase não fora realmente uma pergunta, sabia que ela queria uma resposta. E sabia que não tinha outra opção além de dizer a verdade. "É." Sarah não esperou ouvir mais nada e voltou a seguir o caminho. Hugo então a pegou pelo braço e se prostrou em frente a ela. "Sarah, escuta. Ela é só minha amiga! Não acredito que tás fazendo drama porque eu estava conversando com uma amiga!"

"Não me trate como idiota, Hugo..." disse soltando seu braço. "Eu vi muito bem o jeito que tu estavas conversando com ela! Eu não sou cega e nem tola o suficiente pra não reconhecer quando alguém está flertando, então me poupe do teu discurso!"

"O quê?" Hugo esperava qualquer coisa, menos aquilo. Ela achava que ele estava flertando? Tudo bem que Sarah sempre foi ciumenta, mas isso já era ridículo... "Para de ver coisa onde não existe!"

"Para tu de fazer de conta que não tava acontecendo nada! Ninguém me contou, eu vi!" Ela então fechou os olhos e respirou fundo. Quando voltou a falar com Hugo, estava com a voz mais controlada, mas ele ainda podia ver a mesma intensidade no olhar. "Mas se não é nada então me conta: Porque nunca me contasse sobre ela? E porque nunca contasse pra ela que tavas namorando? Não diga que contasse, porque eu vi na cara dela que não tinhas contado..." Sarah suspirou e disse cabisbaixa. "Sabe o que machuca mais? É que eu realmente achei que gostavas de mim..." Ela soltou um riso nervoso e virou as costas para ele. "Eu sou uma tola mesmo..."

"Olha aqui. Se queres brigar comigo, ótimo. Mas então brigue por algo que eu fiz! Podes me xingar quanto quiseres por ter esquecido de ir no Três Vassouras. Faça eu me sentir péssimo por não estar lá quando teus pais saíram." Hugo imaginava como Sarah podia estar se sentindo. Acima de tudo ela devia estar meio mexida pela conversa com os pais. Mas chegar a ponto de dizer que ele... Ele respirou fundo e continuou. "Mas isso... Quer dizer, é isso que tu achas de mim? Que eu estou o quê? Brincando contigo? Que esse namoro foi só..."Apenas imaginar o que se passava na cabeça dela fazia Hugo se perguntar se ela realmente o conhecia. E por mais que soubesse que havia errado, seu orgulho falou mais alto. "Quer saber? Estou indo! Eu não preciso ouvir isso." Ele deu alguns passos e depois voltou a olhar para ela. "Eu vou estar no meu quarto. Quando tu notares que eu não estava te enganando, que eu realmente gosto de ti, tu vens falar comigo." Ele respirou fundo colocando seu temperamento Weasley sob controle. Tarefa nem sempre fácil. "E eu sinto muito por não ter ido no Vassouras..." Em seguida Hugo caminhou a passos largos pela estrada, sem ao menos virar para ver se Sarah o seguia.

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Hugo se sentia patético por gostar tanto de Sarah. E com raiva de si mesmo por não ter ido direto pro Três Vassouras esperar por ela. E por não se arrepender de ter ficado conversando com Monica. Ele achava que tinha que se sentir mal por isso, mas foi a única coisa no fim daquela manhã da qual ele não se arrependeu. Ele gostava de conversar com Monica. Qualquer que fosse o assunto. Não tinha como achar isso errado... Por mais que tentasse, sempre parecia... certo.

Olhou no seu relógio. Nove da noite... Muito cedo pra dormir ainda... Passara o dia todo no quarto – tirando as saídas estratégicas para as refeições, é claro – e nem sinal da Sarah. Se ela não acreditava que ele realmente gostava dela, então nenhum pedido de desculpas dele faria sentido. "Bosta de dia..." reclamou antes de jogar a goles novamente pra cima. Assustou-se ao ver uma mão afastando as cortinas da cama e a bola acabou caindo em seu nariz. "Bosta!" disse ao levar a mão ao rosto.

"Machucou?" Sarah então se aproximou rapidamente e ergueu a mão na direção do rosto dele.

"Eu estou ótimo." Disse bruscamente afastando a mão dela e sentando-se com as pernas cruzadas sobre a cama.

Sarah recolheu o braço lentamente e suspirou. "Desculpa. Eu não devia ter dito aquilo... Eu... Eu só estava me sentindo..." ela fechou os olhos e apertou os lábios. "Abandonada. Tens que entender."

Hugo suspirou derrotado. Por acaso ele conseguia resistir ao jeito dela? "E eu entendo. Eu devia estar lá contigo e eu sinto muito por não estar. Mas isso não quer dizer que eu não gosto de ti..."

"Eu sei." Ela disse antes que ele pudesse continuar. "Mas era o que eu estava sentindo... Eu não queria que fosse assim, mas às vezes eu... Às vezes eu canso de ser a tua segunda prioridade. Sempre depois dos teus amigos."

Ele sacudiu a cabeça e estendeu a mão para ela, fazendo-a sentar em frente a ele. Ele afastou o cabelo do rosto dela. "Não existe esse negócio de segunda prioridade. Não quero que penses desse jeito, já te falei. Mas se te fizer te sentir melhor, vou tentar arrumar mais tempo pra ficar contigo. Só que quando começamos a namorar já sabias que era assim..." Ela ia retrucar, mas ele colocou um dedo nos lábios dela, como quem pede silêncio, e sorriu. "Mas não vamos falar disso agora... Como foi com teus pais?"

"Aquela coisa..." disse encolhendo os ombros. "Acho que não tem volta mesmo..." Ela olhou nos olhos de Hugo e segurou as lágrimas. "Querem que eu escolha com quem vou morar..."

Ele a abraçou e beijou sua testa. "Vem, deita aqui." Ele se deitou na cama e Sarah se aconchegou com a cabeça sobre o ombro dele. Ele afagou o cabelo dela por algum tempo enquanto ela chorava silenciosamente. "Queres conversar sobre isso?" Sarah se ergueu apoiando-se sobre seus cotovelos e olhou para Hugo acenando negativamente com a cabeça. Hugo sorriu levemente e secou as lágrimas dela. "Desculpa por não estar lá contigo..."

"Já passou." Ela fungou levemente e sacudiu a cabeça agitando os cabelos de leve depois ensaiou um sorriso. "Achei que ias me mostrar tua técnica secreta pra separar os sabores bons na caixa de Bertie Bott's."

Hugo a pegou pela cintura e girou-a deitando-se por cima dela e, em seguida, fechando novamente a cortina da cama. "Mais tarde quem sabe." Ele deu um sorriso matreiro e aproximou o rosto do dela. "Tenho outros planos agora..."

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Monica olhou para as próprias mãos e constatou que seus dedos já estavam murchos. Soltou um grunhido e mergulhou mais uma vez na banheira. A vontade que tinha era de ficar em baixo da água para sempre, ou pelo menos até deixar de se sentir uma idiota. Mas seu pulmão logo protestou por ar e ela tirou a cabeça da água. Ouviu um miado baixo e viu Ed a encarando com curiosidade. Ela sorriu e resolveu sair dali. Secou-se e rapidamente vestiu o roupão, protegendo-se do vento frio que entrava pela janela. Pegou Ed no colo. "Tu tás ficando grande demais, peludinho." Colocou suas pantufas e foi com ele para a cozinha. "Será que já está na hora de jantar, hein? É por isso que tás miando?" Monica não tinha noção de que horas seriam, só que havia passado a tarde toda tentando avançar em sua pesquisa. Sem muito sucesso, diga-se de passagem. Não conseguiu se concentrar, o tempo todo a cena daquela manhã voltava para sua mente. Sentia-se burra e enganada. Na opinião dela, não podia haver nada pior. Encarou o relógio sobre o balcão: nove da noite... O dia estava praticamente terminando e não conseguiu fazer nada do que havia planejado.

Bufou enquanto limpava a caixa de areia de Ed e lhe enchia a tigela de comida. Sentou no chão da cozinha observando o gato comer. Amaldiçoou-se por seu peito apertar quando a imagem de Hugo com a namorada voltou à sua mente. Podia sentir o nó na garganta e as lágrimas enchendo seus olhos. Respirou fundo, tentando controlar as emoções, no entanto logo primeira lágrima cortou seu rosto e ela a secou com raiva. "Sabe, Ed. As únicas pessoas que merecem lágrimas tuas são aquelas que nunca vão te dar motivos pra chorar. Nunca esqueça disso." O gato olhou para ela curiosamente. "Eu sei, é mais fácil falar do que fazer, mas é preciso tentar, sabe. Não se deve desperdiçar lágrimas com qualquer um..." Ela fez uma pausa e então levou a mão ao rosto soltando um riso nervoso. "Agora estou dando conselhos para um gato!"

Ela se levantou bruscamente e foi em direção à sala tentar encontrar uma distração. Ligou a televisão e tentou encontrar algum canal que prendesse sua atenção, mas sem sucesso. E ela devia ter imaginado isso. O que ela precisava era falar com alguém pra manter sua mente longe de Hogwarts, de Hogsmeade ou de qualquer coisa do gênero. Mas quem? Mel estava num encontro, Kate tinha uma oficina, ou sabe-se lá o que é que os atores fazem antes de uma peça. Não podia ligar pra nenhuma delas... O Phillip, por sua vez, estava sabe-se lá deus onde e ele não tinha celular. Só se então... Sim, ele era o único que tinha alguma noção sobre o que estava acontecendo, pelo menos até então. Pegou seu celular em sua bolsa que estava na poltrona da sala e procurou o número na agenda.

"Oi, Scorpius?" disse assim que atenderam a ligação. "Tens tempo pra falar agora?"

"Monica? Na verdade eu estou um pouco ocupado... Estou jantando na casa da Rose. Algum problema?" Ela ouviu a voz preocupada do outro lado da linha e tratou de garantir que estava tudo bem.

"Não, deixa. Amanhã eu te conto se fores pro hospital. Divirta-se aí!" Disse antes de desligar. Riu da própria sorte. Scorpius não podia falar com ela porque estava na casa da família do Hugo. Até isso pra lembrá-la do ocorrido. Pegou uma bola de pano que estava ao lado de si e jogou com raiva na parede. Segundos depois ela sorriu ao ver Ed se eriçando para atacar a bola. E enquanto o observava desistiu de segurar as lágrimas. Se elas queriam tanto sair, que saíssem de uma vez.

Não sabia precisar quanto tempo ficara ali, daquele jeito, mas sabia que não fora muito, pois ainda passava o mesmo programa sobre construção de aviões quando ouviu a porta ser aberta. Não se mexeu um único centímetro de onde estava, apenas secou o rosto com as mãos. Ouviu colocarem a chave sobre a mesa e logo tomaram o lugar ao lado do seu no sofá. "Essas lágrimas não devem ser porque estão trocando o motor do avião." Phillip disse apontando para a televisão. "Queres me contar o motivo delas?"

Monica ficou em silêncio olhando para frente; então Phillip apenas se ajeitou no sofá e ficou assistindo o programa com ela sem falar mais uma palavra. Após alguns minutos embalados apenas pelo som da televisão, ela falou. "Ela é loira, magra, alta, fina, aquela pessoa que tu notas de longe que é sofisticada, sabe? Não posso culpar ele por preferir ela. Quer dizer, olha pra mim! Todas essas sardas idiotas no rosto e um pouco acima do peso e esse cabelo desgrenhado... Além de ser idiota por achar que vocês homens não ligam pra isso. Que o importante é a personalidade..." bufou "Enfim, estou com ódio de mim mesma..."

Phill se arrumou no sofá e virou para ela. "Olha pra mim. Pra começar, eu nem sei de quem tu tás falando, mas independentemente disso, não tás parecendo a Monica autoconfiante que eu conheço. E pra tua informação, quem gosta de osso é cachorro. E personalidade importa sim. Sério mesmo." Ele sorriu, mas Monica continuou a lhe encarar com o mesmo olhar opaco. "E se te servir de consolo, eu acho as tuas sardas adoráveis." Disse acariciando as maçãs do rosto de Monica. "Assim como esse teu cabelo bagunçado e esses teu olhos de menina levada." Ela não conseguiu segurar um sorriso, e nem o arrepio que lhe percorreu a espinha quando a mão dele alcançou sua nuca. "E acho que nem preciso dizer nada sobre teus lábios." Monica fechou os olhos ao sentir o rosto dele se aproximando do seu. "Esse cara só pode ser um idiota, se queres saber..." No instante seguinte Monica sentiu os lábios dele urgentes contra os seus. Sua cabeça girou. Colocou todo o receio sobre um possível relacionamento com Phillip e o que sentia por Hugo no fundo de uma gaveta imaginária e se deixou levar. No momento tudo que ela precisava estava ali – as mãos de Phillip em sua cintura, o cabelo dele entre seus dedos, os lábios dele percorrendo seu pescoço.

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N.A.: Desculpem a demora desse capítulo. Além de ter ficado meio doente nesse meio tempo, não conseguia ficar contente com o que escrevi... Ainda não estou 100% satisfeita, mas essa foi a melhor versão que escrevi. Bem, o que vocês acham?

E pra quem perguntou, não sei quantos capítulos mais vou escrever... Tenho mais dois capítulos estruturados, só esperando eu escrever, então provavelmente devo chegar ao trinta, mas é possível que passe disso... Não posso dar certeza também, as histórias tendem a querer se escrever, vocês não acham? Hehehe!

A propósito, acho que o autor dessa novela "Viver a vida" leu minha mente! O personagem do Thiago Lacerda, pelo que dá de perceber na propaganda pelo menos, é o Phillip! Exatamente como eu havia imaginado! E se puderem deixar aquele comentariozinho eu agradeço!

Ah sim! Já ia esquecendo. Tem bonus! Deem uma olhada na história "There and back again" se quiserem ler!