Autora: Lab Girl
Beta: MLSP
Categoria: Bones, B&B, 5ª temporada, BIPTHC!9 BIPTHC!38 BIPTHC!44 NFF, romance, humor
Advertências: Nehnuma!
Classificação: PG-13
Spoilers: menções a acontecimentos dos episódios 4x24, 4x25, 5x1 e 5x4
Capítulo: 3/5
Status: Em andamento
Sumário: Os adultos costumam complicar as coisas mais simples. É por isso que Parker faz uma pequena intervenção para resolver um probleminha que o está atrapalhando a conseguir algo que ele quer muito.
"Bones, eu vou ter que pegar o Parker na escola antes de deixar você em casa. A mãe dele ficou sem carro e me pediu pra buscá-lo. Você se importa?"
"Claro que não, Booth. Além do mais, é no caminho."
"Assim que deixar ele em casa eu levo você para a sua."
"Sem problemas" ela sorriu.
Dentro de poucos minutos, estavam estacionando o carro em frente à escola de Parker. Booth desceu para encontrar o filho, e Brennan observou, de dentro do veículo, a interação entre pai e filho com um pequeno sorriso. Os dois se abraçaram, e ambos pareciam muito felizes na companhia um do outro.
Eles ainda conversaram por algum tempo na porta da escola, e ela os observou, curiosa. Parker ergueu a mochila nas mãos, mostrando algo nela para o pai. Booth deu uma olhada e meneou a cabeça.
Temperance mexeu-se um pouco no banco do passageiro, tentando imaginar o que poderia ser. Mas logo os dois rumaram para o veículo.
"Ei, Bones!" a voz de Parker preencheu o carro assim que o garotinho entrou, avistando-a.
"Olá, Parker" cumprimentou o garoto.
"Bones, eu vou ter que comprar uma mochila nova para o Parker antes de irmos. A dele rompeu a alça e ele tem aula amanhã bem cedo."
"Tudo bem, Booth. Não estou com pressa" ela respondeu, compreensiva.
"Eu posso ficar aqui no carro esperando com a Bones?" Parker perguntou rapidamente.
"Bom... pensei que você quisesse escolher a mochila nova, amigão" Booth franziu a testa.
"Não. Pode comprar a que você quiser, eu vou gostar" o menino meneou a cabeça. "Eu estou meio cansado" o pequeno bocejou de maneira um tanto exagerada, antes de completar, "Vou esperar aqui com a Bones."
Booth estreitou os olhos, encarando o filho. Temperance notou que ele parecia estudar, desconfiado, a expressão do garoto, mas interveio com um sorriso, tentando tranquilizá-lo. "Por mim, tudo bem."
O parceiro retribuiu-lhe o sorriso, indicando sua gratidão. "Vou dar um pulo num mercado aqui perto. Vocês podem me esperar aqui então. Acham que podem se comportar na minha ausência?"
"Mas é claro que sim, Booth" Temperance arqueou as sobrancelhas, como se a resposta fosse óbvia. "Eu sou uma adulta responsável e Parker é um garoto bem educado" ela sorriu para o parceiro, lançando um rápido olhar ao pequeno no banco de trás, que meneou a cabeça em concordância.
"Ok. Confio em vocês" Booth sorriu. "Eu volto logo" dizendo isso, ele bateu a porta e Temperance o observou afastar-se a passos largos pelo retrovisor.
Assim que a figura do parceiro sumiu de vista, seus olhos encontraram as feições de Parker Booth no banco de trás do carro. O garotinho agora estava estranhamente quieto, e ela notou que repentinamente o rosto infantil adquiriu uma expressão um pouco desanimada.
"Você me parece triste, Parker. O que houve?"
"Eu pedi um irmãozinho ao papai" o menino soltou, sem rodeios.
"Oh!"
"Ele disse que não pode me dar um porque não tem uma namorada" Parker deu de ombros. "Eu disse a ele pra falar com você, mas ele disse que não era uma boa ideia."
"Ele disse isso?"
O menino meneou a cabeça. "Ele disse que não pode sair por aí pedindo as pessoas para terem um bebê com ele."
"Eu pedi a seu pai para ter um bebê comigo" Temperance comentou.
"Mesmo?" os olhos de Parker se abriram, adquirindo um brilho expressivo.
"Mas ele desistiu da ideia" ela falou, talvez tão desanimada quanto o garoto.
"Por quê?" Parker quis saber.
"Acho que ele acredita que para ter outro filho precisa estar num relacionamento estável com a mãe da criança, e embora eu pense que isso somente criaria um laço emocional desnecessário, seu pai não pensa assim."
O menino franziu o cenho, parecendo estar processando o que ela havia acabado de dizer.
Percebendo que talvez tivesse usado mais palavras do que o necessário para a compreensão de uma criança de oito anos, tentou reformular seu comentário.
"O que eu quis dizer foi que seu pai acha que para ter outro filho nós precisamos estar juntos de uma forma mais forte. Romanticamente envolvidos, você entende o que isso quer dizer?"
"Vocês têm que ser namorados pra terem um bebê" o menino concluiu, balançando a cabeça.
"Algo do tipo" Temperance meneou.
"Então por que você não quis namorar o papai? Assim você podia ter o bebê que pediu pra ele e eu um irmãozinho" Parker disse, como se estivesse lhe apresentando uma solução simples para uma equação complicada.
"Eu não poderia namorar o seu pai, Parker. Já lhe disse que nós trabalhamos juntos, e por isto não seria apropriado."
"E eu falei que é um motivo idiota" o menino revirou os olhos.
"Idiota? Por que seria idiota?" Temperance franziu o cenho.
"Os pais do meu amigo Ben trabalham juntos. Os dois são advogados."
"É diferente, nesse caso."
"Não é, não" Parker insistiu. "Eles também têm que se ver todos os dias e estão juntos no trabalho e em casa. E o Ben tem dois irmãos!"
"No caso do seu pai e eu..." Temperance virou-se no banco, de forma a ficar de frente para o garoto. "Nosso trabalho é perigoso, envolve riscos que o seu pai acredita que seriam maiores se eu me envolvesse com ele. Além disso, o FBI não permite que agentes, como o seu pai, namorem consultores, como eu."
Parker coçou a cabeça, franzindo a testa por um momento. Em seguida, jogou-se contra o encosto do banco.
"O Max tem razão" ele bufou.
"O quê? Meu pai?" Temperance virou-se para o menino outra vez. "Ele tem razão em quê?"
"Quando os adultos não têm problemas eles inventam um!"
Brennan não soube o que responder ao garoto.
"O que eu sei é que pra duas pessoas terem um filho elas têm que namorar..." Parker declarou, emburrado.
"Não necessariamente" Brennan interveio, mas logo uma vozinha no fundo de sua consciência, uma com o mesmo timbre de Booth, lhe alertou para o fato de que o pai não gostaria nada de saber que ela estava dizendo ao filho dele que bebês não nasciam só do amor. "Mas, em geral, é assim que acontece" complementou.
"Duas pessoas que se amam podem namorar" o garotinho prosseguiu. "E papai ama você, Bones!"
Ela franziu a testa. "Bem... ele já me disse isso uma vez. Ele me ama como um colega, como um parceiro... um amigo."
"Nah!" Parker deu uma risada. "Você é brilhante, Bones, mas às vezes não consegue entender as coisas mais simples."
"Ok, eu sei que sou um tanto inábil socialmente falando, mas..."
"Papai ama você como... como pra namorar, entende?" o menino a ignorou, lançando suas palavras como se fossem a coisa mais simples de se entender.
"Não, eu... acho que você está enganado."
"Ele disse que você é linda" Parker sorriu, um sorriso encantador, que Brennan logo teve de reconhecer que anos mais tarde se transformaria num daqueles sorrisos charmosos tipicamente Booth.
"Sim, eu sei que sou muito bonita" disse, aprovando o cumprimento.
"Ele gosta de ficar com você o tempo todo" Parker continuou, enumerando nos dedos. "E ele sempre fala de você, e sempre que fala está sorrindo."
Sorrindo... Booth sorria quando falava nela? A informação fez um rápido registro em sua mente, e ela deixou que ficasse guardada em um lugar próximo à superfície de sua consciência, para futuras lembranças.
"Você acha o meu pai feio?" Parker perguntou de repente, curioso.
"Não" Temperance apressou-se em dizer. "Seu pai é um homem muito atraente."
"E você gosta de sair com ele?"
"Sim... eu gosto da companhia dele" Temperance ouviu-se dizer.
"Ele faz você sorrir?"
Temperance teve que parar por uns segundos, quando as imagens de momentos passados com Booth pareceram vir à sua mente sem prévio aviso. E quando se deu conta, um sorriso estava em seus lábios – bom, aquilo provavelmente respondia a pergunta de Parker.
"E você ama o papai?"
"Em um sentido amplo, significando que eu gosto muito dele e me preocupo com ele, eu devo dizer que sim. Eu amo o Booth."
"Ótimo! Então vocês podem namorar!" o garoto sorriu, cruzando as mãos sobre o estômago.
"Não... não é tão simples assim" ela discordou.
"Por que não?" o menino fez beicinho.
"Porque... porque os relacionamentos românticos como namoro e casamento sempre acabam. Já os de amizade e parceria, como o que eu e seu pai temos, possuem uma probabilidade de duração muito maior."
"Eu não acho" Parker cruzou os braços, fechando a expressão.
"É verdade. Você deve ter muitos amigos cujos pais são separados" ela ponderou. "Alguns nem mesmo chegam a se casar. Vê o caso dos seus pais, por exemplo? Seu pai e sua mãe namoraram e não ficaram juntos."
"Papai me disse que ele amou a mamãe por um tempo."
"Viu só? E o que aconteceu com esse amor deles?"
"Se transformou em mim!" Parker deu um sorriso.
Brennan franziu o cenho, confusa.
"Papai me disse que o amor que ele sentia pela mamãe e ela por ele se transformou em mim... e que hoje eles se amam como amigos, já que o amor que eles sentiam um pelo outro virou eu" Parker apontou para si mesmo, sorrindo. "Então se eles se amavam como namorados e esse amor se transformou em amor de amigos... com vocês dois é o contrário. O amor de amigos pode se transformar em amor de namorados! E vocês podem me dar um irmãozinho!" ele sorriu mais ainda, feliz com a própria conclusão.
Brennan tinha que reconhecer a inteligência do garoto em absorver aquelas palavras de Booth. E tinha também de reconhecer que o parceiro havia feito um ótimo trabalho encontrando uma forma de explicar para o filho por que não havia se casado com Rebecca.
"O que eu quero dizer, Parker... é que, na maioria dos casos, os casais que namoram ou se casam acabam deixando de se amar. E se separam. Ou seja, um relacionamento romântico tem fim. Já um relacionamento de amizade..."
"Papai diz que existem várias formas de amor" o garoto a interrompeu. "Que ele ama várias pessoas de jeitos diferentes. E que algumas dessas pessoas ele vai amar pra sempre."
"Mesmo?" perguntou, curiosa.
"Hum-hum" ele balançou a cabeça. "Eu, o Pops, e você."
"Eu?" ela perguntou, surpresa.
"É! Ele disse que você vai sempre ser especial pra ele."
Brennan sentiu uma pequena onda de calor aquecer suas faces. "Booth também vai ser sempre especial para mim."
"Seria mais especial se vocês tivessem um bebê juntos" Parker sorriu, arqueando as sobrancelhas.
Brennan teve que rir. O garoto estava mesmo fascinado com a ideia de ter um irmão.
Ela não podia reprová-lo. Ela própria havia se apegado à ideia de ter um bebê naquela ocasião em que Booth havia se oferecido para ser o pai de seu filho.
Mas, ao mesmo tempo, tinha medo de arriscar e perder certas coisas. Coisas que ela somente havia conhecido com Booth.
"Existem coisas no relacionamento que tenho com seu pai que eu não gostaria de perder. E se nós namorássemos, essas coisas poderiam se perder."
"O quê?"
"Bom... a confiança que nós temos um no outro... o respeito..." seus olhos se perderam por um instante na rua do outro lado.
Só de imaginar perder o que tinha construído com Booth, uma sensação aguda apertava seu estômago.
"Papai me disse que quando a gente ama alguém tem que existir confiança e respeito. E que um tem proteger o outro."
"Seu pai está certo. E ele faz isso muito bem" se ouviu murmurar.
"Então por que não namoram?"
"Eu..." Temperance se viu repentinamente sem resposta.
"Você ama o papai e o papai ama você. Você acha ele bonito e ele acha você bonita. Vocês gostam de ficar juntos, e ele é bom em proteger as pessoas e você pode confiar nele. O papai nunca mentiu pra mim nem me prometeu nada que não cumpriu. Ele é ótimo!"
"Seu pai é um homem incrível, sim, Parker" sorriu, concordando com o menino.
Não havia dúvidas de que Seeley Booth era um grande homem. E ela não seria parceira dele por tanto tempo se não achasse isso.
Ela sabia que, no fundo, talvez apenas estivesse com medo. E medo era um mau conselheiro. Sabia que estava perdendo oportunidades em sua vida ao se fechar tanto... tudo por medo de sofrer, de se decepcionar.
Mas, afinal, Booth havia se mostrado fiel ao longo daqueles anos em que se conheciam. Ele havia se provado íntegro, fiel, confiável.
E a verdade era que, bem no fundo, guardado num lugar secreto que não se atrevia a revelar a ninguém mais, Temperance queria muito que Seeley Booth fosse parte de sua vida de uma forma mais definitiva, de uma forma que seria possível tê-lo para sempre... mesmo quando a parceria que tinham terminasse.
Tinha sido por isso que havia pedido a ele para ser o doador. Tinha sido por isso que havia pensado nele para ser o pai de um filho seu. Seria a forma mais segura de se unir a ele – mesmo que tivesse dito a Booth que ele não precisava se envolver, era o que mais queria... ver toda aquela preocupação e dedicação, todo aquele instinto alfa de proteção dele concentrados em sua vida... em sua pessoa. E com um filho isso seria não só possível, como aceitável.
Ela sabia que Booth jamais se manteria afastado de um filho, mesmo que ela pedisse. Para o parceiro, esse tipo de coisa era sempre tudo ou nada. E Temperance sempre havia observado como, mesmo à distância, Booth era o pai mais presente que podia ser na vida de Parker. E havia se surpreendido querendo um pouco daquela dedicação para si. Querendo ser alvo daqueles traços e características que ela admirava tanto no homem que era Seeley Booth.
Temperance precisava daquilo em sua vida... carinho, proteção, segurança. Precisava de Booth. Mesmo que fosse difícil admitir, ela sabia disso.
Quando ele havia sido diagnosticado com aquele tumor, só a possibilidade de perdê-lo a havia assombrado. Sabia que era benigno, que a probabilidade de recuperação era extremamente grande e ele estava nas mãos de médicos competentes. Mas nada daquilo servira, na época, para acalmá-la de todo. Nenhuma racionalidade fora capaz de acalmar seu coração quando ele não retornara da anestesia. E só de imaginar seu mundo sem ele... ela havia perdido o rumo.
Escrever tinha sido a forma de lidar com aqueles momentos de angústia e medo. E ela havia criado um mundo à parte... um mundo onde as coisas podiam ser diferentes, onde ela era amada e se deixava amar... sem medos, sem restrições. Um mundo para ela e Booth.
Mas a vida não era feita de sonhos. E ele havia acordado, de volta ao mundo real onde os dois eram apenas amigos e colegas de trabalho. E ao perceber que ele estava confuso, a mente afetada pela história que ela havia criado durante a inconsciência dele... por um momento havia sentido medo – medo e uma pontada de emoção.
Depois, quando ele havia retornado ao trabalho e durante uma investigação havia dito a ela, no meio da rua, que a amava... Temperance havia sentido o mesmo misto de medo e emoção. Mas logo ele havia explicado a que tipo de amor se referia, e as coisas haviam ficado claras entre eles. Mesmo assim, ela ainda se surpreendia desejando que as coisas pudessem ser um pouco mais parecidas com seu mundo secreto de fantasia...
"Bones?" a voz do pequeno Parker a arrancou de seus devaneios. "Você ta aí?"
"Claro que estou. Eu não saí do carro, ainda estou aqui."
"Parecia que você estava em outro mundo" o garotinho a olhou, estreitando os olhos.
"Isso seria cientificamente impossível!" Temperance riu.
"Bom, aqui estamos" a voz de Booth chegou a seus ouvidos, fazendo-a virar-se para vê-lo entrar no carro. "Como se comportaram na minha ausência?"
"Muito bem" Parker sorriu, e Temperance o viu piscando para ela através do espelho retrovisor.
Ela retribuiu o sorriso, sem conseguir evitar.
~..~
...Continua...
