Autora: Lab Girl
Beta: MLSP
Categoria: Bones, B&B, 5ª temporada, BIPTHC!9 BIPTHC!38 BIPTHC!44 NFF, romance, humor
Advertências: Nehnuma!
Classificação: PG-13
Spoilers: menções a acontecimentos dos episódios 4x24, 4x25, 5x1 e 5x4
Capítulo: 4/5
Status: Em andamento
Sumário: Os adultos costumam complicar as coisas mais simples. É por isso que Parker faz uma pequena intervenção para resolver um probleminha que o está atrapalhando a conseguir algo que ele quer muito.
"Então... aqui estamos! Está entregue, Bones" Booth murmurou, puxando o freio de mão do carro.
Temperance olhou rapidamente pela janela, para a fachada de seu edifício. De repente, subir e passar mais uma noite solitária parecia tão... sem apelo.
Ela sentiu um suspiro escapar, um que nem havia se dado conta de estar segurando.
"Tudo bem, Bones?" Booth perguntou.
Brennan ergueu o olhar para ele, ansiosa.
"Você gosta de mim, Booth?"
A pergunta o pegou inesperadamente de surpresa.
"Como assim, Bones? Mas é claro... nós somos amigos, parceiros... você sabe que eu gosto de você."
"Não como amiga. Nem como parceira. Você gosta de mim, Booth?" ela repetiu a pergunta.
E Seeley Booth teve a sensação de se engasgar com a própria saliva. Apertou os dedos de uma das mãos no volante, enquanto os outros correram por entre os próprios cabelos, num gesto que tentava aplacar um pouco seu nervosismo.
Sabia que Bones costumava ser bem direta com as coisas. Mas aquilo – realmente – o pegava de surpresa.
"Eu... eu gosto de você, Bones" resolveu ser sincero, e virou-se para a parceira.
Seus olhos encontraram os dela, que ainda estavam firmes sobre ele. E ela tinha uma expressão séria, como se dependesse daquela sua resposta para tomar uma decisão. E isso fez seu coração balançar um pouco dentro do peito.
"Mas eu acho que a sua pergunta não foi por acaso" ele sorriu, tentando relaxar a ambos para aquela conversa que parecia se descortinar à frente.
"Eu gosto de você, Booth. Muito."
As palavras dela foram ditas de forma tão séria e decidida que Booth chegou a sentir um certo calor do lado de dentro do colarinho da camisa.
"E eu gosto de passar meu tempo com você" ela continuou. "Eu confio em você e eu respeito você. Na verdade, eu o admiro, Booth."
Uau! De onde vinha aquilo tudo?
"Puxa, Bones... você sabe mesmo como animar um sujeito" riu, tentando levar a coisa na brincadeira.
Mas ela ainda estava séria. E olhando para ele de forma determinada, sem desviar os olhos por um minuto sequer.
"Eu também acho você muito atraente, e acredito que seria bem interessante explorarmos essa atração mútua que existe entre nós."
Opa! De repente, alguém tinha acendido uma fogueira ali dentro do carro? Ele se sentiu repentinamente transportado para o meio de um lual para o qual nem mesmo fora convidado.
"B- f- eu..." gaguejou incoerentemente, parecendo que nem havia sido alfabetizado algum dia.
"Você está nervoso, Booth?"
"Eu? Nervoso?" sacudiu a cabeça, esfregando a nuca e tentando parecer o mais calmo possível.
"Porque você me parece nervoso."
"Não, Bones. Por que eu estaria nervoso?"
Só porque você parece estar se declarando para mim?
"Bom, eu não queria aborrecer você com essa conversa. Obrigada pela carona, nos vemos amanhã" ela começou a abrir a porta do carro para sair.
Mas Booth a interrompeu. Sua mão voou sobre a dela, impedindo-a de continuar o procedimento.
"Não, Bones... eu..."
As palavras pareceram lhe fugir momentaneamente, mas respirou fundo, buscando coragem para dizer o que pretendia.
"Bones, eu... eu gosto de você há muito tempo. Mas eu só tomei consciência, consciência de verdade sobre isso, depois da minha cirurgia" suspirou, afastando a mão e o olhar dela. "Eu quis te dizer antes como eu me sinto a seu respeito, mas perdi a coragem."
Pronto. Finalmente tinha confessado.
"Aquele dia em que você me disse... que me amava?" ela perguntou, hesitante.
"É" confirmou com um aceno de cabeça, voltando a olhar para ela. "Eu tentei, mas achei que talvez você não acreditasse em mim. Por causa da cirurgia recente e o meu coma e..." suspirou, passando as mãos nos cabelos e rindo, um pouco nervoso. "Eu também achei que tivesse assustado você com o que eu disse, você me olhou de um jeito."
"Eu fiquei surpresa, é verdade" ela disse, "Confesso que não esperava, e me assustei um pouco. Mas depois você disse que era só uma coisa de colegas... então eu achei que tivesse entendido errado num primeiro momento e..."
"Não, Bones. Era sério" murmurou, agora completamente voltado para ela. "Eu quis dizer aquilo. Eu quis dizer que te amava. Não como amiga, apenas. Nem como colega. Mas..." tentou buscar as palavras certas, correndo a ponta da língua sobre os lábios incrivelmente secos "...mas como um homem ama uma mulher."
O silêncio que se seguiu inundou o carro. E nada podia se sobrepor ao som do coração de Booth quando a viu abrir lentamente um sorriso... um lindo sorriso.
"Então..."
"Então, eu amo você, Bones. De verdade" disse, o mais sério que pôde.
"Eu também te amo, Booth" ela ainda sorria, linda feito uma menina.
"Como amiga?" atreveu-se a perguntar, com medo de que estivesse entendendo mais do que devia.
"Mais do que isso" o sorriso travesso ainda brincava nos lábios dela.
Então, Booth cedeu a vontade que o dominou naquele instante, mais forte do que sua resistência. E ele se inclinou um pouco sobre o banco, o suficiente para testar seus limites.
Um sorriso grande brotou em seus lábios ao perceber que ela não desviou, nem fez menção alguma de se afastar.
"Se você quiser romper aquela linha..." ela começou, numa voz suave e sussurrada.
E foi o que bastou para ele. Uma de suas mãos envolveu o rosto dela, e apreciou quando ela roçou o rosto contra sua palma, em nítida apreciação de seu toque.
"Eu não só quero, Bones... como eu acho que já passou da hora."
Uma respiração. Dois segundos. Três rápidas batidas de um coração apressado.
Foi o tempo que levou para que seus lábios se encontrassem.
Um minuto. Um suspiro. O palpitar acelerado de seus pulsos.
Foi o tempo que suas mentes levaram para registrar o que estava acontecendo. Realmente acontecendo.
E aquelas paredes, linhas, muros invisíveis se dissolveram completamente... os resquícios se misturando em suas respirações, se dissipando por completo no ar da noite.
Quando suas mãos se procuraram, quando seus gostos se misturaram, o beijo se tornando uma confirmação e uma afirmação de quão tolos haviam sido por tentarem atrasar aquele momento, o mundo pareceu simplesmente parar.
Seus lábios se afastaram depois de um longo tempo, que podia ser uma eternidade. Mas nenhum dos dois se atreveu a afastar-se.
Booth, ainda com a mão no rosto de Brennan, encostou suas testas, esperando que suas respirações se recuperassem.
"Você quer entrar?" a voz dela, suave e sussurrada, soou clara o bastante no silêncio do carro.
"Não precisa perguntar duas vezes" ele sorriu, já abrindo a porta.
Após fechar o veículo, seus corpos se procuraram facilmente como numa espécie de acordo mútuo, andando lado a lado, as mãos entrelaçadas, na direção da entrada do prédio.
Quando uma risada inevitável escapou de Booth, os olhos de Brennan o buscaram, querendo saber qual era a graça.
"O que foi?" ela perguntou, parando bem diante do portão de entrada.
"Acho que sei de alguém que vai adorar saber da novidade."
Booth não precisou dizer mais nada. O imenso sorriso dela lhe disse que ela sabia exatamente de quem ele estava falando.
~..~
...Continua...
