Bella's POV
Uma baita dor de cabeça e vazia. Isso resumia exatamente como estava
me sentindo essa manhã. O barulho do despertador era como se eu
estivesse com a cabeça dentro de um sino, e estivessem fazendo-o
tocar. Desliguei e voltei com a cabeça no travesseiro.
"Hora
de acordar e conversar!"
Não acredito. Charlie no meu
quarto? Querendo conversar? Definitivamente, esse não era meu
dia.
"Estou estourando de dor de cabeça, pai! Pode deixar
pra depois?"
"Não mesmo! O que você está pensando?
Você está noiva do Jacob! Como pôde sair correndo sei lá
pra onde-"
"Itália!"
Ele me olhou assustado,
engoliu a seco e continuou. - "pra Itália só pra tirar
o Edward de problemas?"
"OK..." - tudo latejava. -
"Posso ir à escola?" Eu queria me enterrar no travesseiro,
mas se tivesse que aturar Charlie querendo conversar, eu teria que me
esforçar e ir para a escola.
"Jacob está lá embaixo!"
Não,
Não, Não!... Tudo o que eu não queria estava acontecendo
exatamente naquele dia? Hoje que eu não queria falar com ninguém?!
Os personagens principais da minha vida aparecem?
"Acho
melhor você colocar a aliança e não deixá-la perdida no chão do
seu quarto!"
Eu olhei pro chão e lá estava ela. Uma
verdadeira algema... Nunca me senti tão burra em toda minha vida
como naquele exato momento. Como encontrar Jacob? Como tratá-lo como
noivo quando definitivamente meu coração havia finalmente
reencontrado seu dono? Droga de promessa!
"Posso me arrumar
então?"
Charlie ficou vermelho e saiu do quarto. Peguei a
primeira roupa que vi no armário. Depois que percebi que era azul.
Meu inconsciente e meu consciente estavam andando em terreno
perigoso... O que raios eu estava fazendo comigo mesma?
Desci. E
dei de cara com Jacob sério olhando pra mim.
"Oi"
"Oi"
sem vontade alguma.
"Está de ressaca?" - ele estava
tentando parecer que tudo estava normal, quando não estava. Minha
cabeça estourava!
"Me deixa comer e tomar um remédio em paz
por alguns instantes?" Fui grossa. Arrependi-me logo depois. Ele
não merecia. "Desculpa, Jake! Desculpa mesmo... É que-"
"Toma
seu café e vamos"
Tomei tudo junto com um analgésico bem
forte. Lavei a louça e me preparei pra sair. Quando percebi uma moto
no quintal.
"Cadê a chave da caminhonete?"
"Você vai comigo na
moto!" Ok. O remédio devia estar fazendo efeito, porque eu não
devia estar ouvindo isso... Por isso eu ri! Sério... Eu soltei uma
gargalhada, e o pior, é que eu não sabia como parar. "O que
tem de tão engraçado?"
"Pára a brincadeira... me dá
a chave da caminhonete!"
"Não você vai comigo na
moto!" ele estava irritado. Tinha motivos, mas eu conseguia
irritar ele mais ainda.
"Não, não vou!" - Nunca fui
tão firme na minha vida.
Ele ficou me encarando e eu o encarei de
volta. Realmente, essa não era eu.
Ele saiu andando pra
caminhonete com a minha chave na mão.
"O que você está
fazendo?!"
"Realizando seu desejo, madame! Nós vamos de
caminhonete!"
Comecei a rir de novo. Meu mau humor estava se
transformando em ironia o tempo todo.
"Nós? Desde quando você
estuda na mesma escola que eu?"
"Desde ontem. Mas você
estava dormindo depois da sua aventura em salvar o sanguessuga"
"Não
fala dele!" Como ele me irritava hoje? Estava sendo uma tarefa
extremamente fácil pra ele hoje.
Ele me ignorou. "Então?
Vamos para a escola ou você prefere ficar discutindo?"
Bufei,
tropecei, mas entrei no carro.
Ele deu a partida e fomos até a
escola.
Enquanto ele acertava o carro na vaga, meus olhos
focalizaram o volvo prata estacionando logo atrás do meu.
Meu
coração parou. E olhava pro retrovisor do meu carro numa tentativa
de inutilmente saber quem estava dirigindo. Nem percebi que Jacob
estava do lado de fora do carro esperando eu abrir a porta do meu
lado e sair.
"Vai ficar trancada aí?" Ele falou bufando
percebendo aonde eu estava olhando. Abri a porta lentamente. E saí
no exato momento que Edward saiu do carro também. Ele saiu junto com
toda a família. Eu fiquei estática olhando pra ele. O coração a
mil por segundo. Ele saiu andando em direção a secretaria. Mas me
deu um olhar de canto e um sorriso. O meu sorriso. Aí tropecei de
novo. Minhas pernas tinham derretido?
Jacob veio andando do meu lado, com seu corpo duas vezes maior que o
meu. E eu me arrastando. Até o prédio da minha aula. Que droga do
lado da secretaria? Era perseguição.
Jacob parou na minha
frente, segurando a chave da caminhonete na frente dos meus olhos.
Fui pegar. Ele segurou firme.
"Legal estamos brincando de cabo
de força?" ironia mode on... Que droga eu não era assim,
mas não conseguia evitar. Ele ficou olhando pra mim, o que aumentava
a culpa em meu ser.
"Só queria te avisar que ainda sou seu
NOIVO..."
"Não preciso de aviso. Eu sei."
"Mais que
isso. Eu não fugi de você, e nem te deixei no estado deplorável
que você ficou quando ele foi embora! E nunca o faria!" OK. Essa
doeu.
"Eu também sei disso!" não consegui esconder a
tristeza na minha voz dessa vez. Não gostava de lembrar. Ele
continuava segurando a chave. Estávamos nos encarando como se
desafiando um ao outro até onde o outro conseguia ir. "Posso ir
para a minha aula? Ou você quer ficar segurando a minha chave pelo
restante do dia? Se for assim eu ficaria dormindo!"
"Me dá um
beijo!"
Eu ri. Estava com dor de cabeça. O amor da minha vida
havia voltado no exato momento em que estava noiva e estava no prédio
ao lado, com certeza ouvindo a conversa... E o meu noivo vem e pede
um beijo... Era pra rir. Virei pra porta do prédio puxando a chave
que ele prendeu entre seus dedos. Puxou-me e me deu um beijo. Eu não
consegui... Eu já fizera isso antes... Várias vezes até! Mas hoje
não. Fiquei parada até ele acabar. Ele parou e olhou pra mim com um
ar triste.
"Posso?" Estava enojada comigo mesmo. Porque não
conseguia beijar o Jacob sem pensar no Edward? Porque não conseguia
tratá-lo como antes?
"Te vejo no refeitório?"
O refeitório... Droga! "Não."
"Posso ir a sua sala?"
"Não. Quero ficar sozinha! Por
favor!" Os olhos dele ficaram tristes... Não... Não queria isso.
Mas também não queria que ele levasse mais patadas por hoje. "Te
vejo na saída, então, Jake... na caminhonete." Ele ficou me
fintando triste. "Prometo!" E me deixei fazer um carinho no rosto
dele. Ele suspirou.
"Ok!" Ele saiu em direção ao seu prédio.
Eu suspirei e virei pra entrar no meu prédio. Foi quando o vi. Na
porta da secretaria olhando pra mim. Como uma estátua perfeitamente
esculpida. Os olhos estavam claros hoje. Derretidos. Tristes. Num
esforço sobre-humano desviei o meu olhar do magnetismo do dele e
entrei no prédio para minha aula.
