Edward's POV

Eu estava ansioso. Alice estava me deixando às escuras por muito tempo e isso me irritava profundamente. Ela estava extremamente cautelosa. Eu ficava sempre alerta pra qualquer brecha que ela desse. Mas incrivelmente ela não deu nenhuma. De nenhuma das visões dela, de nenhum dos planos, de absolutamente nada!!!

A viagem da família estava chegando e eu podia apostar que ela estava tramando algo. Eu sentia. Eu sabia! Afinal, eu conhecia aquela baixinha melhor do que ninguém! E Jasper era menos cauteloso com relação aos sentimentos dela. Ela andava ansiosa e saltitante... Concentrada e, com certeza, planejando... Eu também sabia que Carlisle sabia de algo. Não foram poucas vezes que eu o peguei pensando. Alice tem que tomar cuidado ao se meter muito na vida dos outros. Mas ninguém ia contra ela. Ninguém conseguia. Persuasão era sua arma mais eficaz!

Eu continuava então com a minha rotina. Via Bella dormir e a ouvia chamar meu nome durante a noite. E quando estava prestes a amanhecer o dia eu ia embora com muita dor no coração. Cantava sua canção de ninar quando ela estava agitada e ela se acalmava quando ouvia minha voz. Mesmo que no dia seguinte, ela não se lembrasse de nada, pra mim era tudo o que eu tinha.

Na escola, eu dava espaço. Mas me pedir pra parar de olhar pra ela era demais... Então eu me permitia mergulhar nos seus olhos de chocolate. Sentir o seu cheiro doce e saboroso. Sentir a garganta arder e queimar enquanto ela estava perto era um prêmio! Quer dizer que ela estava viva e perto de mim! Tudo era novo! Uma sensação nova. Eu precisava tê-la de volta. E se ela precisava ficar longe de mim ou falar comigo somente o essencial eu topava. Desde que ela voltasse depois de um tempo. Vê-la com Jacob era um suplício! Mas ela sempre estava muito distante dele. E sempre perto de Alice. Alice a protegia e cuidava dela por mim. E ainda me deixava ver as imagens que anestesiavam meu coração sempre que pudesse.

E lá estava eu. Esperando encostado no Volvo a minha irmã querida voltar de não sei onde pra viagem em família. Eu queria muito ir, mas também não queria ficar longe de Bella. Se eu fosse e a deixasse sozinha, eu poderia perdê-la de vez. E isso me doía muito. E pensar que ano passado eu cheguei a pensar que isso seria bom pra todos. Não me cansava de me chamar de burro por isso!

Rosalie estava ansiosa. Será que deu alguma coisa errada?! O que daria errado? O que elas estavam planejando? Ela percebeu. Droga Edward! Saia da minha mente!

Sorri e continuei voando de mente em mente pra saber o que estava acontecendo. Descobri que nossa viagem em família traria alguém especial, mas ninguém me dava um nome, ninguém fora tão cauteloso com uma informação assim antes! Até que uma voz conhecida reapareceu em minha mente junto com um barulho de uma caminhonete que fazia meu coração saltar, mesmo sem vida em meu peito. Surpresa, maninho!

E ela apareceu no banco do carona da sua caminhonete vermelha. Alice estacionou a caminhonete na garagem e cobriu com a capa da Mercedes de Carlisle. Eu não conseguia pensar em nada. 'Ela estava aqui! Ela iria com a gente!' Que sentimento forte e intenso encheu meu peito de tal maneira que não conseguia esconder o sorriso. Aquele sorriso que ela dizia ser o sorriso dela. Ela veio me ver. E eu só consegui expressar tudo o que estava sentindo numa frase simples para tamanha importância.

"Você veio!"

Ela sorriu embaraçada. "Vim!" Aí, tudo parou. Tudo, toda minha vida rodava em torno dela. Ela era o meu tipo de heroína. Meu vício. Minha vida. Tudo agora era diferente. E eu não conseguia me desligar dos seus olhos de chocolate. E ela também parecia responder da mesma forma. Parecia um imã. Se eu pudesse só...

Edward. Eu não queria deixar de olhar pra ela. Carlisle me chamou de novo, mais autoritário. Olha pra mim! Com muita relutância, eu olhei. Ela seguiu o olhar. Vai com calma! Você tem três dias! Assenti.

"Vamos lá! Estão resolvendo as últimas coisas!" E num impulso, diria quase reflexo, eu peguei a sua mão para levá-la ao grupo de vampiros que compunham minha família. Foi um choque que percorreu meu corpo. Parecia que todo meu corpo havia vivificado de novo. Que todos os meus órgãos estavam vivos e uma corrente elétrica passava dentro de mim. Soltei a mão para poder chegar ao nível de normalidade em minha mente e conseguir prestar atenção no que estava sendo tratado no circulo.

"-E Edward irá com Bella no Volvo e o restante das malas." - Alice terminou de falar. E eu só consegui pegar essa última frase tamanho êxtase eu estava.

"Como Alice?"

"É isso mesmo Edward! Sem reclamações" Adoro ver você assim de novo! Eu sorri pra Alice.

"Por mim, ótimo!" Emmet concordou com um tom malicioso... O banco de trás do conversível me traz lembranças tão hots... Rolei os olhos e bloqueei todo pensamento vindo dos dois. Não precisava ver as imagens que ecoavam de ambas as mentes.

"Então vamos! Temos que estar lá pela manhã!" Me dirigi ao Volvo com Bella ao meu lado e abri a porta pra ela. E fui com a minha velocidade para o outro lado e o liguei. Bella estava mexendo com os dedos em sinal de que queria fazer uma pergunta. Sem aliança! A voz de Alice ressoou em minha mente. Não diz onde é!

"Pelo menos você poderia me dizer onde estamos indo?!" Ela estava curiosa. Se era surpresa ele não iria jogar areia, né?! Eu apenas sorri e ela deu de ombros.

Ganhamos estrada e o silêncio predominava entre nós. Durante a música Clair de Lune, eu olhei pra ela. Ela estava sorrindo e os olhos fechando. Mas ela sacudia a cabeça e não se deixava dormir. Eu sorri com aquilo. Era tão... Bella!

"Dorme, Bella! Senão quando chegarmos você não vai agüentar!" - Eu estava feliz! Eu não conseguia acreditar que tudo estava acontecendo. Que ela estava ao meu lado, viajando comigo. Era perigoso. Mas pela primeira vez, eu mandei a prudência catar coquinho! Eu precisava disso! Eu precisava Dela! Aqui!

"Você não vai me contar mesmo?!" Tadinha! Ela estava com sono. Parecia que a voz dela tinha sido reduzida a velocidade. Mas mesmo assim era linda.

"Não." Ela olhou para as mãos e senti que ela notou a ausência de algo que seria importante ali. Fiquei apreensivo. E se ela quisesse voltar e pegar, ou desistir. Mas, ao contrário de todas as minhas perspectivas pessimistas, ela deu de ombros e se ajeitou na cadeira. Foi quando eu mudei a música no rádio pra canção de ninar. É. Eu tinha gravado num cd... E comecei a cantarolar baixinho... E ela começou a dormir. Ao pegar no sono, ela chamou meu nome. E eu passei minhas mãos frias no rosto dela. Esse fim de semana seria tudo o que eu precisava. E ela ia ser minha pra sempre.