Capitulo 02- Sangue.
Você adormeceu rápido depois de uma longa e prazerosa noite. A sensação de tê-las em meus braços,da união de nossos corpos,do quente...era inesquecível. Sentia que estava nervosa,preocupada. Adormeci também,mas acordei bem na hora,era quatro da manhã. Estava adormecida,com seu ombro nu exposto,dormindo de lado. Não resisti e beijei delicadamente,para então levantar e me vestir,voltar para o Moon Dormitory. Tentei entrar o mais silencioso possível,mas para minha surpresa,todos estavam na sala. Ruka,Rima,Akatsuki,Shiki,alguns outros alunos e Aidou,com cara de culpa. Não me dei trabalho de imaginar porque sua cara estava assim,tinha feito besteira de novo.
"Você também contou a eles?" perguntei para Aidou,incrédulo.
"Foi sem querer." Olhou para o lado,emburrado.
Contou-me que tinha chegado no dormitório,todo alegre,Ruka e Akatsuki estavam ali,sentados,conversando sobre algo,quando repararam na grande caixa de Pocky. Perguntaram onde que arranjou tanto doce de uma hora para outra e pensando que era algo óbvio e tinha se lembrado da briga,disse que foi a namorada do Ichijou que tinha dado. Que você não sabia que vampiros não comemoravam Natal e que por isso não era culpa dele que tinha aberto o presente na hora errada. Me perguntei como é que ele conseguia dizer essas coisas e nem perceber que estava falando algo que não devia. Quando percebeu,viu que Rima e Shiki estavam descendo e alguns estudantes vindo para dormir. Todos ouviram e a notícia se espalhou-se de um modo rá de esganá-lo não antes que pudesse fazer ou falar algo, Seiren então apareceu e me disse que Kaname-sama queria me ver. Engoli seco,deveria estar preparado para isso a muito tempo,mas nem estava. Respirei fundo e fui em frente,de cabeça erguida. Bati na porta e disse que estava entrando,abri e ouvi Yuuki discutindo com ele,que estava sentado. Ela me viu e parou de falar. Cumprimentei com a cabeça e sorriso,pondo-me em frente a mesa,curvando um pouco para Kaname-sama. Sua irmã ficou do meu lado.
"Nii-sama! Deixe Ichijou em paz. Se ele a ama,você não pode fazer nada." Ela disse,com um tom de reprovação.
Ele a ignorou e virou a cadeira para a janela. Sempre estive acostumada com sua voz dessa vez tinha me deixado preocupado,talvez até arrepiado.
"Por que você escondeu de nós,seu relacionamento?"
Fiquei pensativo,mas logo respondi.
"Porque pensei que Kaname-sama não aprovaria,um vampiro com uma humana." Disse em um tom calmo e confiante.
"Ou talvez esteja escondendo algo além mais?" deu um sorriso discreto.
Como é que ele conseguia deduzir essas coisas? Como podia ser tão esperto assim? Perdi parte da minha confiança e olhei para o chão. Era esperto demais.
"Você não queria que ela virasse comida para nós,não é? Não queria que sentisse a mesma coisa que eu senti quando Zero bebia sangue da Yuuki. Mas não há motivos para isso,sabe que eu proíbo essas coisas. Acho que tem algo mais."
Apertei meus punhos fortemente. Não tinha o que dizer,só sentia raiva de como ele desconfiava das coisas certas. Sempre. Achei que não tinha mais tempo de sobra para esconder,a verdade estava ficando cada vez mais próxima. Como eu vou reagir? Ou como ELA vai reagir? Essas perguntas me atormentaram por dentro.
" Quem é ela?"
Agora que não queria mesmo responder. Com isso,poderia muito bem ir atrás dela na escola e qualquer coisa acontecer. Qualquer coisa. É meu pesadelo vê-la com uma marca de mordida. Como queria ser invisível naquela hora,para poder escapar sem ninguém ver ou saber,poder esconder tudo que queria,longe das mãos dele. De qualquer perigo. Kaname-sama virou-se para mim e parecia que me devoraria com aquele olhar. Logicamente não gostava de ser deixado esperando por uma resposta.
"Responda-me."
Engoli seco. Não podia desrespeitá-lo,se não estaria contra,como Aidou tinha falado. Um sangue puro contra um nobre,sem chance. Seria ir contra minha moral,trairia sua confiança de tantos anos. Como era horrível estar dividido assim,ficar dos dois lados era impossível. Espero que nunca tenha que escolher,teria de achar uma maneira de poder conviver pacificamente com os dois...Abaixei os olhos,triste.
"Aki Hayasaka." disse baixinho,mas Yuuki escutou.
"Aki? Sabia que já tinha visto aquele rosto. Mas só não a reconheci direito,porque me parecia mais...feliz." começou a falar com um tom alto,que foi baixando até ficar quase inaudível.
Não pude deixar de sorrir.
Kaname-sama fez um movimento para que continuasse a falar o que sabia. Ela não ficou muito feliz,deduzi que tinha um pouco de medo de falar demais e estragar.
"Aki,2ªB. O pessoal a conhece por muitos apelidos," o fantasma", "a incomunicável", "a nª 100"... ela sofre bullying. Nunca falei com ela,mas já assisti uma cena dessas,as garotas tinham inveja e por isso a xingavam,gritavam e batia. Dizem que Aki só tirava 100 nas provas,mas não abria a boca durante o dia inteiro,nunca sorria,apenas tinha olhos para ela mesma. Teve até algumas que tentaram fazer amizade e tirar proveito disso,mas recusou todas. Em uma das brigas que assisti,tentei ajudá-la,mas Yori disse que eu poderia ser linchada. Ela é...forte. Não deixava barato,revidava a qualquer custo,mesmo levando a pior." comentou com os olhos abaixados.
Bullying. Isso me deixava com raiva. Sentia inútil,um desgraçado que não podia fazer nada ao vê-la na cama,toda machucada,inchada e roxa,me esperando sentada. Cortava meu coração quando sorria ao me ver,comentando que tinha conseguido deixar marca nas garotas,mesmo recebido o triplo que tinha desolado,meu coração martelava tentando dizer que deveria avisar as garotas para não fazerem mais isso.Só que sabia que se eu pedisse,suspeitas seriam levantadas e talvez as garotas ficariam com mais inveja e raiva. Você não gostava de ir na enfermaria,por isso sempre tive que tratar seus ferimentos. Lembro que ficava vermelha toda vez que fazia isso,eu não sabia por que. É,com certeza gostava disso,a única atenção que queria era minha,nem de mais ninguém. Tão forte por fora,tão fraca por dentro.
"Apesar de tudo,sinto que é uma boa pessoa. Ela parece ter um gênio forte,ao contrário de Ichijou. Por favor..." Yuuki comentou,para finalizar.
Kaname-sama não tinha dito nada,estava pensativo. Fechou os olhos e sorriu,levantando da cadeira,indo em direção a sua irmã.
"Os segredos virão a tona,quando o dia chegar." disse para mim e saiu com Yuuki para fora da sala.
Ele tinha razão. E sabia que estava próximo quando descobriria tudo. Talvez já seria na noite seguinte,quem sabe. Eu deveria ser forte,confiante que tudo sairá bem. Sim,sairia tudo bem,pensei. Ah, se eu soubesse que os problemas só complicariam depois disso,que vai de suicídio até ciúmes e cúmplices em uma trama nada boa. Fiquei aliviado quando tudo acabou e sai da sala,me deparando com Shiki. Sua expressão não estava muito boa.
"O que foi,Shiki?" perguntei,com um sorriso habitual.
"Ele disse algo?" colocou as mãos no bolso da calça.
"Nada." respondi,aliviado e ao mesmo tempo receoso,o que poderia acontecer agora?
Shiki olhou para o chão. Eu fiquei preocupado.
"Ichijou...ninguém está apoiando seu relacionamento. Você é um vampiro nobre,o mais antigo de todos. O que seus pais falariam quando descobrissem isso,você com uma humana? Proibiriam na hora."
Eles...estavam todos contra? Só por causa disso? Só naquele instante tive a certeza do quão difícil seria. Fiquei assustado,sem palavra. Como vou enfrentar isso agora? Nunca tinha imaginado que ninguém gostaria da nossa relação. Por que ninguém gosta dela? O que tem de errado nela?Por que?Por que não enxergam o mesmo que eu? Eu tive vontade de chorar de desespero. O que fazer para eles aceitarem-na? Meu coração ficou tão apertado que pensei que ficaria sufocado.
"Eu também não aprovo,Ichijou. Mas é por outro motivo." e entrou no seu quarto.
Meus olhos ficaram tristes. Entrei no meu também e fiquei olhando para o vazio. Quantas possibilidades e escolhas eu podia fazer. Só que eu não sabia mais o que era certo ou errado. As vezes ficava pensando se você seria apenas uma paixão momentânea,como nos mangás, e que nem todo sacrifício era necessário,pois poderia vir algo mais e melhor depois de você. Fui no armário,abri uma gaveta e tirei umas fotos que tínhamos tirado naquelas cabines coloridas e engraçadas que tinha nos parques. Fiquei olhando,será mesmo que é apenas algo momentâneo? O amor é tão cruel,pode ser trocado se quisermos,quando cansamos já não sentimos mais aquela paixão e ardência de antes. Um sentimento tão profundo e ao mesmo tempo enganoso,até amor tem seu lado negativo. Desejei que estivesse enganado,que meu amor por você não fosse temporário,que fosse eterno como o céu azul.
Os dias passaram normalmente. Sempre saia com você a noite,íamos no restaurante,passeávamos em algum parque,ficávamos cantando a noite inteira no karaokê ou simplesmente observava a neve. Na véspera de Natal,cozinhamos a nossa ceia. Digo que foi uma confusão,nenhum de nós sabíamos cozinhar,então foi um monte de livros de receita natalinos espalhados pela cozinha,comida queimada,massa de bolo que não crescia,tempero ruim ou salgada demais,sujeira esparramada...foi uma festa. Até Aidou mais tarde apareceu e nos ajudou,fazendo mais confusão ainda. Mas tudo valeu a pena,porque no final tudo deu certo e nos divertimos muito,apesar que foi uma constante briga entre os dois,você odiava quando ele te contrariava com a receita, e o loiro de olhos azuis ficou tão irritado que disse que não passaria o Natal conosco. Você tinha respondido que ninguém tinha convidado-o em primeiro lugar. Claro que ficou ainda mais emburrado e começaram tudo de novo. Tive direito até com farinha no meu rosto,sua cabeça com ovos quebrados e Aidou com molho de tomate na roupa. Ah,esses dois. Ah,coitado de mim. Depois de tudo,rimos ainda mais,não sei se era por causa da situação cômica ou se era por causa do trabalho que teríamos para arrumar tudo de novo a cozinha. Lembranças preciosas para minha memória,você rindo tão alegremente,tão viva. Só de pensar que eu veria isso novamente apenas alguns meses depois... De qualquer jeito,o Natal tinha chegado e tinha até música natalina tocando baixinho no rádio. Arrumamos a mesa com os pratos e decidimos que faríamos a troca de presente primeiro. Você abriu primeiro o meu pacote verde com laço vermelho.
"Um...celular?" observou o aparelho branco,com penduricalho de sino e gatinho.
"Sim,é que sabe,se eu continuar a te visitar tão frequentemente como fiz até agora,acho que vou reprovar na escola,então quando você tiver vontade,é só mandar uma mensagem,que te responderei na hora. Pode me ligar também no horário em que não tenho aula." respondi com um sorriso.
"Ah." você apenas disse isso,enquanto estudava o aparelho profundamente,tentando entender como funcionava.
Tive impressão que não estava entendo nada o que estava escrito no manual,mesmo dizendo que estava entendendo,então ajudei-a e ensinei os comandos bá até uma foto de nós dois juntos e coloquei como papel de parede no aparelho. Seus olhos incrivelmente brilharam e de repente estava tirando fotos minhas em todos os ângulos possível. Feliz,guardou no quarto. Estava usando um vestido básico vermelho. Seus cabelos estavam mais penteados que o normal,presos em um rabo e cheiravam rosa. Estava radiante,romântica. Sempre a vi usando roupas escuras e uma maquiagem mais ou menos pesada,por isso estava diferente. Cheguei perto e sussurrei em seus ouvidos "Você está linda". Imediatamente ficou vermelha como pimentão e eu apenas ri,achando-a tão fofa e inocente. Bem,eu acabei levando uma presentada na minha cara. Abri e era uma edição especial do meu mangá favorito,contendo um autógrafo do mangaká,ilustrações exclusivas da edição e duas histórias extras. Morri de felicidade. O mangá em si tinha acabado e era tão bom ver de novo os meus personagens preferidos em ação.
"O que tem de tão especial em um mangá?" de repente ouvi a voz de quem eu pensei que não ouviria naquela noite,ainda mastigando um pedaço de carne.
Não me pergunte como é que ele conseguiu entrar nos apartamentos desse jeito. Você tinha dado um pulo de susto e quase quis enforcá-lo por ter entrado daquele jeito e não ter nos deixado a sós nem no Natal. Aidou protestou e comeu ainda mais,só para provocá-la. É claro que você não deixaria barato e tentou comer mais que ele. Bem,eu não podia ficar para trás. Conclusão: uma tremenda dor de barriga em nós três. Aidou murmurou algo como "odeio comida de humano" e pareceu que vomitaria. Depois que a dor passou,você mostrou para ele o que tinha ganhado. Um erro,começou a tirar fotos dele mesmo e te entregou,todo feliz da vida. Não pensou duas vezes e você apagou todas. Ele arrancou o celular da sua mão,envolveu seu braço até o seu outro ombro e tirou uma foto,colocando como papel de parede. Quem disse que eu não tive vontade de chutá-lo de lá? Enfim,arrumamos a mesa,lavamos os pratos,assistimos um filme de comédia no escuro e conversamos,enquanto Aidou só contava fatos dele mesmo e os meus,os piores aliás. Você apenas escutava,não tinha nada de feliz para contar,nada em sua vida foi feliz antes de me encontrar. Nada. As vezes abaixava os olhos,sentindo inveja de tanta coisa boa que Aidou contava. Acho que se perguntava o que tinha feito para merecer apenas o pior. Por que é que não tinha nenhuma lembrança feliz além de quando eu apareci? Mas mesmo assim sorria,prestando atenção no que ele dizia.
Enfim,Aidou tinha ido embora. Você deu graças que tinha ido embora e agora era apenas só nós dois. O que faríamos agora?Te agarrei na cintura,você colocou seus braços em volta do meu pescoço e te beijaria se Aidou não tivesse aberto a porta de repente. Nós dois gritamos unissonamente "o que quer agora?". Me parecia um chiclete no meu sapato. Mas então vimos que segurava um gato branquinho,todo machucado,de olhos fechados. Você não pensou duas vezes e pegou-o,pedindo para mim trazer uma toalha limpa e o kit de primeiro socorros. Fui pegar as coisas e de repente ouvi você falar alto.
"Não Aidou!" com um tom de sofrimento.
Não pude deixar de sentir aquele cheiro de sangue. Sem pensar duas vezes,corri e avancei nele,que lambia a sua mão machucada,com aqueles olhos vermelhos. Apertei seu pescoço,os olhos vermelhos tremendo de raiva.
"Não ouse contar a ninguém. Não ouse,ou se não..."
Olhei para você,sem terminar a frase. Não era de ameaçar as pessoas de morte,nem ele. Parecia assustada,não entendendo nada. Aidou tinha me tirado de cima dele e verificava seu pescoço. Seu olhar estava sério,sem mais aquele vermelho sangue no olho. Respirei fundo,ainda tentando fuzilá-lo com os olhos, para me acalmar e quis tratar o bichinho,mas ele estava de pé,rosnando como um tigre furioso. Ele deve ter a mordido enquanto tentava tratar,perfurando a pele,fazendo o sangue sair. O cheiro deve ter enlouquecido Aidou,o que o fez lamber seu sangue. Ficou o silêncio absoluto,se podia ouvir até o que o vizinho conversava e claro,o rosnado do gato. Você então pegou um frasco para desinfetar sua mão e eu tentei me aproximar do animal,mas sem chance. Então Aidou conseguiu pegá-lo no colo e o distraiu,enquanto eu cuidava dos ferimentos. Você deixou o gato cheirar sua mão machucada e então começou a lamber as faixas que tinha colocado sobre a mordida. Você tinha sorrido carinhosamente para o animal,mesmo pensando em outra coisa. Aidou acariciava a cabeça,ronronando deliciosamente. Consegui terminar e ele o soltou para cheirar o lugar. Levantamos do chão e ele disse que já sairia de lá.. Comentou que achou o gatinho camuflado na espessa neve e estava tão fraco que morreria de qualquer jeito,sem tratamento ou não. Mas só o pegou porque mesmo acabado daquele jeito,o gatinho conseguiu se levantar e rosnar para ele,lembrando de uma certa pessoa teimosa. Prometeu que não contaria a ninguém sobre o que descobriu e andou até a porta,mas você tinha pegado sua mão e o abraçou,sussurrando algo que não consegui entender. Ele ficou ainda mais sem graça e fechou os olhos. Só depois descobri que tinha agradecido pelo presente de Natal seu,uma vida nova para o gatinho. Fiquei feliz,parecia que não guardava nenhum ódio ou raiva dele,continuavam a ser bom amigos como sempre foram. Finalmente quando se foi,fizemos a nossa verdadeira festa.
Decidimos dar o nome de Fuyuko,a criança do inverno,porque tinha vindo justamente nessa estação e que parecia uma criança chata e teimosa. E enfatize esses adjetivos. Nos acordou no meio da madrugada,derrubando um monte de coisa que estava em cima da mesa,sem contar que as paredes e a porta estavam todos arranhados. Nos primeiros dias se recusou a comer,mas a fome era tanta que comeu. Arranhava a porta,querendo sair do apartamento,mas você não deixava. Fuyuko não gostou muito disso e te arranhou várias vezes. Dormia em cima das almofadas,uma coisa que não gostou nem um pouco,quando queríamos dar banho,o gato se recusava. É,foi uma semana difícil para Fuyuko e para você.
Logo em seguida veio o Ano Novo,não fizemos nada demais,apenas passei a noite no seu apartamento até virar o ano,com champanhe e frutas. Adivinha quem estava lá também? Ele mesmo. O chiclete do meu sapato,o botão do meu casaco. Na rua do apartamento,fizeram um grupo para soltar balões brancos no céu quando desse meia-noite. Nós participamos,segurando a taça de champanhe em uma mão e a outra um balão. Contamos até três,deu meia noite e soltamos,gritando "Feliz Ano Novo!" e bebendo. O céu preto ficou inteiramente branco e o barulho de conversas e risadas aumentou. Aidou virou para mim,sério.
"Então era por causa disso. Realmente,tentador." Comentou,enquanto bebia um gole de champanhe.
Eu não disse nada. Não queria falar sobre isso.
"Nem quero imaginar a cara de Kaname-sama quando descobrir. É melhor se apressar Ichijou. A primeira mordida sempre é a melhor." Sorriu maliciosamente.
Minha vontade foi de bater nele,mas havia muita gente.A primeira mordida é realmente tentadora,mas Aidou falava como se eu tivesse ficado com ela só por causa disso. Não era verdade. Quantas vezes já não quis mordê-la,quantas oportunidades já tive. Resisti a todas,mesmo sofrendo. Eu não queria que a machucassem,mas ao mesmo tempo eu queria machucá-la. Meu coração apertou de novo,de angustia e raiva. Quantas coisas estava totalmente erradas,opostas e complicadas.
"Tome cuidado,Ichijou. Nem sempre o inimigo é o que você mais espera." ele disse,com uma cara de astucioso.
Eu sabia o que você queria dizer. Não pensei duas vezes em avançar,agarrei pela gola e comecei a falar baixo,mas com raiva. Queria fuzilá-lo com meu olhar.
"Toque nela uma vez,e eu te mato." o larguei e dei as costas.
Mas depois disso,tudo ficou escuro. Eu tinha desmaiado por causa do estresse. Vocês tinham me levado para o apartamento e Aidou me disse que você quase o matou enforcado após ver que o lugar estava todo bagunçado e as almofadas rasgadas por causa do Fuyuko,dizendo que era culpa dele por ter trazido o gato. Eu tinha ficado deitado por um bom tempo até eu ter recuperado a consciência,lentamente. Mas não tinha aberto os olhos imediatamente,fiquei ouvindo a conversa de vocês.
"Acho que o remédio vai fazê-lo bem." Aidou tinha dito e pareceu ter sumido do quarto.
Você ficou segurando minha mão e senti Fuyuko passar perto de mim. Deduzi que o tal remédio era as pílulas de sangue. Eu estava estressado,acho que por causa de tanta preocupação que havia na cabeça. Quantos dias eu não passei em claro,pensando nisso. Sim,me sentia exausto,era verdade. E o remédio não me fez nem um pouco bem. Enquanto bebia,senti que você segurava fortemente minha mão,como senão tivesse gostado que eu bebesse aquilo. Aidou colocou o copo em cima da mesa e começou a falar.
"Você está em desvantagem,Aki. Todo mundo sabe. E não gostaram nem um pouco."disse,seriamente
Agora sua mão tremia,estava tensa. Não disse nada.
"O que vai fazer?Eles não vão permitir."
Soltou minha mão e se levantou.
"Que venham. Eu já disse,não tenho medo deles. Que tentem as coisas mais sujas que poderem,mas não vou desistir. A não ser que Ichijou queira." você falou de um jeito tão sério e determinada,que pude sentir uma aura sombria a sua volta.
Aidou deu uma leve risada,gostando disso. Você deve ter feito uma expressão nada boa quando olhou para o remédio.
"O que foi? Não gostou da cor?" ele perguntou,fingindo ser inocente.
Ficou um silêncio de repente antes de você responder.
"Isso me lembra...sangue." seu tom de voz parecia de medo.
Senti tensão no ar,quantos minutos devia ter passado depois que tinha falado. Decidi então acordar realmente para acabar logo com esse tortuoso momento. Abri meus olhos devagar e você apertou minhas mãos novamente,chamando-me. Não tive nem tempo de levantar direito,você se jogou,me abraçando. Me senti um pouco sufocado,mas não liguei,retribui o abraço,de olhos fechados. Aidou estava de costa e disse que já estava indo. Queria levantar para me despedir,mas você não deixou,continuou agarrada a mim. O loiro apenas riu e saiu. Achei...que estava chorando. Pude ouvir uns soluços reprimidos,senti agarrar minha blusa fortemente. No fundo,você deveria estar se culpando,sabia que o motivo do meu estresse era ela mesma,mas era orgulhosa demais para admitir. Sentia raiva e ódio de si mesmo,as lágrimas tentando soltar esses sentimentos e você as reprimindo para dentro. Por que Aki?Por que? Você é livre de me mostrar tudo que seu coração passa,por que quer sofrer sozinha? Deixe-me ajudar,deixe-me sentir que sou útil para você.
No final,nós éramos exatamente iguais. Só naquele momento,pensando sobre isso,me dei conta que eu estava agindo como você. Me corroendo por dentro,não dizendo nada para te preocupar,apenas querendo que a sombra ficasse sobre mim e não em você. Mas não adiantou,a sombra já estava sobre nós dois,sem eu me dar conta. Eu vou tirá-lo de você,Aki. Eliminá-la-ei antes que perceba,para que não sofras mais. Já sofreu demais,minha menina. Demais. Empurrei sua cabeça para trás,revelando as lágrimas. Parecia que seus olhos diziam me,imploravam "Me abandone,Ichijou. Acabe com seu sofrimento de uma favor." Mas não tinha coragem de ficar sozinha de novo,de viver sem mim. Dei um sorriso,para confortá-la e beijei-lhe a testa.
No último dia de férias,decidi jantar em um restaurante com você e queria ainda te dar um presentinho. Enquanto procurava algo para te dar,em uma lojinha,vimos dois policiais conversando com um casal. Ouvimos que eles tinham se perdido do seu filho de 5 anos. Você olhou triste para os dois,mas seguimos em frente. Quando finalmente havia comprado o que queria,você tinha desaparecido. Arregalei meus olhos quando não te vi,quase entrei em pânico,quando vi sua mensagem no celular. "Eu vi a criança entrando na parte pobre da cidade. Estou tentando alcançá-lo.". Não pude deixar de ficar nervoso e desesperado,aquela parte era onde havia mais vampiros level E escondidos. Tentei não pensar no que podia acontecer a criança,muito menos com você. Procurei-a desesperadamente,nos becos escuros,nas casas abandonadas. Quanto mais demorava,mais perdia as esperanças de te encontrar viva. E eu estava sem minha espada. Finalmente,eu vi alguém agachado,de cabelos prateados e curtos. Não dei nem um passo para se aproximar dele,o garoto apontou sua pistola na minha direção.
"Sem mais um passo,vampiro." Disse,seriamente e se levantou.
"Zero..." foi a única coisa que me veio a mente.
Então vi duas sombras se levantarem. Reconheci imediatamente quem era. Você correu na minha direção e ficou na frente,entre a pistola e eu.
"Terá de me matar,se quiser atirar nele,Zero." Disse,olhando-o friamente.
A criança estava atrás de Zero,assustado e ao mesmo tempo confuso. Minha mente também parecia estar girando. O que estava acontecendo?
"Uma humana protegendo um vampiro. Tão raro e tão estúpido. Saia da minha frente."
"Eu já disse e não repito. Não vou deixá-lo matar,mesmo que o ache um monstro porque ele bebe sangue."
Eu não tive palavras para falar o que sentia naquele momento. Achei que estava até entendendo tudo errado,que era tudo alucinação. Acho que tremia e meus olhos estavam arregalado. Todo esse tempo...Aki...você sabia que eu era uma vampiro.
