N/A: Agradeço a Moonlit que betou esse capítulo. o/

Muito obrigada também a quem deixou review no cap anterior: Chibi, Honey G, Nanda, Pam e Ms. Pad's. Espero que gostem desse cap novo.


Capítulo II

O Dente Que Não Caía


Naquela noite, Ron e eu nos sentamos à mesa da cozinha da Toca para o pequeno jantar que eu havia preparado, tomando cuidado para não queimar nada nas preciosas panelas de cobre de Molly. O ambiente estava silencioso, o que era novidade para mim, tão acostumado com a barulheira da casa que abrigava sete filhos e dois adultos.

Quando Ron finalmente se serviu de um último pedaço de pudim – que Molly havia feito pouco antes de partir – ele me encarou, num sorriso torto.
- O que podemos fazer agora, pai?

- Como assim?

- Para o meu dentre cair logo, ué – ele abriu a boca e moveu o dente incisivo, que parecia preso por um fio.

Eu quase sorri com a ansiedade do garoto, lembrando-me que eu não ficava tão contente ao descobrir futuras janelas no meu sorriso quando criança. Com uma idéia repentina, ergui o indicador no ar e toquei o nariz sardento de Ron antes de me levantar, procurando a fruteira que deveria estar sobre a mesa.

- Ah, excelente! – exclamei ao notar a dupla de maçãs que enfeitavam o objeto, acompanhando um cacho de bananas e algumas peras, que também pareciam muito apetitosas. – Tome.

Entreguei a maçã ao meu filho mais novo e observei seu rosto confuso se contorcer numa careta enjoada.

- Ah, pai... Estou cheio. – reclamou, esfregando a barriga por cima do suéter cor de tijolo.

- É para o seu dente, filho. – expliquei, forçando a fruta em sua mão estendida – Agora dê uma mordida forte, que seu dente vai ficar preso na maçã.

Ron observou a maçã um momento, um olhar apreensivo estampado no rosto até me fitar; continuei sustentando o sorriso confiante e lhe dei uma piscadela. O garoto afundou os dentes na maçã com vontade, mas ao afastar para ver se a experiência funcionara, seu ânimo murchou.

- Por que não saiu, pai?

- Puxa vida, eu tinha quase certeza que isso ia funcionar – cocei o queixo, confuso. Então me lembrei de outra experiência que meus primos fizeram em um dos meus dentes-de-leite. – Venha comigo.

Ron seguiu-me até a porta do banheiro anexo a sala de estar e hesitou me obedecer quando eu indiquei o vaso sanitário, mas o fez. Ele continuou me olhando enquanto eu abria o armarinho sobre a pia e retirava o rolinho do fio dental, amarrando uma ponta na maçaneta da porta e lhe trazendo a outra ponta.

- O que faço com isso?

- Amarre no dente, assim quando eu fechar a porta... Plim! Ele sai!

- Plim, pai? Como tem certeza que não vai me machucar mais?

- Machucar como, filho? Olha só, esse fio é fininho... O suficiente para um único dente.

- Sei disso, mas Fred sempre diz que eu sou um anão cabeçudo e magricela... E se esse fio arrancar minha cabeça? Será que meu corpo aguenta?

- Fred é um cabeça-de-bagre, filho. Não ouça as bobagens que ele diz... – baguncei seus cabelos com a mão livre antes de rir do seu medo – Confie no papai.

Ron apanhou o fio dental com cautela e amarrou no dente, mas abraçou os ombros e fez cara de quem estava pronto para o pior. Eu saí do banheiro e contei em voz alta.

- Um... Dois... TRÊS! – dei um pequeno puxão e a porta colidiu com o batente num ruído seco e irritante.

- AI!

- E então? – indaguei, no mesmo tom anterior.

- NÃO, PAI!

- Car...amba! Que dente resistente! – disse aos meus botões antes de abrir a porta e notar Ron, ainda sentado na tampa fechada do vaso, parecendo muito infeliz.

- Eu queria tanto comprar um boné voador nesse Natal... – sua voz saiu embargada e ele limpou os olhos marejados com as costas das mãos.

- É para isso que você quer o galeão?

- Hum... Era, mas se meu dente não cair logo, o Natal vai passar e não haverá mais bonés voadores nas lojas para vender... – ele engoliu o choro novamente – Eu queria tanto um.

E começou a chorar baixinho, ao que eu me aproximei e o puxei para o meu colo. Ergui o tecido do seu suéter, usando para limpar as lágrimas de Ron, falando por fim:

- Amanhã tenho que comprar o presente da sua mãe, mas não vá contar que eu esqueci, certo? Shhhhhh... – coloquei o indicador sobre os lábios e ele acenou positivamente – Também posso comprar o seu boné e quando o seu dente cair e a fada trouxer seu galeão, você me paga o empréstimo, que tal?

As lágrimas desapareceram como mágica de seu rosto sardento quando ele sorriu para mim e me abraçou bem forte.

- Obrigado pai, você é o melhor.


No próximo capítulo, Hermione aos 4 anos (quase cinco).