– Mudança
Nunca gostei muito de manter residência fixa. Mas também não era do tipo que se podia chamar de nômade, pois não vivia 'pulando de galho em galho'. Eu apenas não gostava, como Tanya e o resto das Denali, de ficar muito tempo em um lugar só.
Para ser mais clara: apesar de minhas coisas ficaram na casa de Tanya, e eu tecnicamente morar com ela, eu raramente passava mais do que cinco anos em casa.
Eu gostava de viajar, ser livre, gastar meu dinheiro com coisas boas, conhecendo diversos países, povos e costumes. Um hábito um tanto estranho para uma vampira, pode-se dizer.
Mas agora eu estava partindo para uma vida nova: um reencontro com os Cullen. E fixando residência, algo que – com certeza – eu teria muita dificuldade para me adaptar.
Minha bagagem já estava toda arrumada – super velocidade sempre ajuda nessas horas – e eu esperava apenas por James, que viria me buscar de táxi para que fossemos até o aeroporto. Tudo bem que tínhamos métodos mais rápidos de chegar lá, mas preferimos nos comportar como humanos a fim de não chamar atenção para nós mesmos.
Tanya, Kate e Irina estavam sentadas no sofá da sala, tentando parecer indiferentes ao fato de que eu partiria dentro de alguns minutos. Só quem conseguia realmente aparentar isso era Irina, mas eu tinha certeza que minha partida não significava mesmo tanto para ela.
Ouvimos o táxi que trazia James se aproximar e Tanya me olhou apreensiva, como se esperasse eu mudar de idéia a qualquer instante. Dei um sorriso afetuoso para ela, que correu até mim, me envolvendo em um abraço terno e duradouro.
— Eu espero mesmo que você venha me visitar, Bella. Não quero ter que me abalar daqui até Forks para vê-la.
— Eu já prometi, não foi? – respondi, soltando o abraço. – Obrigada por tudo, Tanya. E vocês também, meninas – disse, me voltando para as outras duas. – Obrigada por me acolherem.
— Bella... Pode me prometer uma coisa? – Kate falou em uma voz suplicante.
— Claro.
— Por favor, não arranje confusão com os Cullen. Forks é pequena demais e com certeza você os encontrará lá, mas saia do caminho deles. Eu não suportaria se algo acontecesse a você...
— Não seja boba, Kate. Eu sei me cuidar.
As três me olharam querendo acreditar, mas sabendo que eu não faria nada para sair do caminho deles caso os Cullen me encontrassem. Eles eram culpa do que eu havia me tornado antes de conhecer as irmãs Denali: um monstro. E me deviam muito por isso.
O carro finalmente estacionou na frente da casa e James desceu para pegar minhas malas. Não que eu não conseguisse levá-las sozinha, mas ele adorava ser cavalheiro comigo.
— Tanya, Kate, Irina – ele as cumprimentou. – Está pronta, Bella?
— Estou sim.
Após um último abraço em cada uma das meninas, saí acompanhando James até o carro.
— Elas até que são fortes... Eu estaria me descabelando se perdesse uma mulher tão linda assim – James comentou sentado ao meu lado no banco de trás do táxi.
— Isso porque você é homem.
— Não só por isso. Você é uma boa amiga, Bella, não deve ser fácil ver você se mudar para tão longe.
— Está tentando me fazer desistir, cabeção? – James odiava quando eu o chamava por esse nome. Nossa piada particular.
— Já disse para não me chamar assim. Mas não, não quero que você desista. Apenas não quero arrependimentos.
— Não vou me arrepender. E você já me conhece o suficiente para saber disso.
— Tudo bem. Mas eu tinha que tentar. Nunca sabe, não é mesmo?
Apenas revirei os olhos, não me dando ao trabalho de responder.
Eu já começava a ficar entediada com a velocidade daquele carro, quando finalmente avistamos o aeroporto. Abarrotado de turistas, óbvio. Eu odiava ficar perto de humanos por muito tempo, eles me cansavam com aqueles olhares insistentes. Principalmente os homens.
Não me entenda mal, não é que eu não goste de homem. Mas eu garanto que qualquer uma ficaria irritada de estar na minha pele e ter todos eles, sempre sempre, babando aos seus pés. Tira um pouco a graça, pois eu não preciso conquistar nenhum deles. Tenho o homem que eu quero, a hora que eu quero.
James e eu havíamos escolhido viajar pela parte da noite justamente para evitar isso. Além do nosso pequeno probleminha de brilhar sob a luz do sol.
Descarregamos as malas e eu insisti para carregar as minhas, pois era muito suspeito um homem conseguir carregar as suas malas e as de outra pessoa sem fazer esforço algum.
— Eu sou forte, garota.
— Eu sei, mas ninguém aqui precisa saber o quanto.
Ele sorriu e algumas meninas que o encaravam tropeçaram nos próprios pés. Aproveitei a deixa e agarrei seu braço, fazendo outras quererem cortar as próprias cabeças.
— Você não presta, Bella. Coitadas. – Ele tentou me repreender, mas também sorria.
Essa era nossa piada particular preferida: James era, assim como todos os vampiros, extremamente bonito. Qualquer mulher ficava deslumbrada com ele. E eu adorava fazer as outras morrerem de inveja fingindo que ele era meu namorado. Assim como ele adorava fazer o contrário: sempre que muitos homens começavam a me encarar, James me segurava em seus braços e começava a me chamar de amor.
Mas isso eram apenas piadas. James e eu éramos muito amigos e eu jamais me envolveria com ele. Até porque, logo que nos conhecemos, ele tentou uma aproximação direta, mas percebeu que não obteria sucesso e a amizade conseguiu prevalecer.
Fizemos o check-in e ficamos na sala de embarque esperando o momento da decolagem.
Era apenas mais uma das minhas viagens, mas eu sentia uma certa ansiedade. Talvez por fazer muito tempo que eu não visitava Forks. Ou talvez por saber quem eu encontraria lá.
O chamado para o embarque interrompeu meus devaneios e eu e James fomos para o avião, que embarcou alguns minutos depois rumo a Seattle. Lá pegaríamos outro avião menor que seguiria para Port Angeles, onde eu havia comprado um carro e iríamos até Forks nele.
A viagem passou até rápido, eu e James conversando parte do caminho, até os outros passageiros que queriam aproveitar a viagem noturna para dormir nos mandarem calar a boca.
Peguei um dos muitos livros que havia trazido na bagagem de mão e abri-o, enquanto James fingia estar dormindo.
— Tira uma soneca, Bella, a viagem é longa.
— Cala a boca, James.
Eu mal senti o tempo passar e já estávamos pousando em Seattle. Eu e James desembarcamos e junto com um pequeno grupo de passageiros fomos para o outro avião menor que nos levaria até Port Angeles.
A viagem era curta e logo chegamos a nosso destino. James e eu pegamos nossas bagagens e chamamos um táxi para ir até a concessionária onde eu pegaria meu carro.
— Vai, Bella, não seja malvada, diz logo qual é o carro.
— Não. É surpresa! - respondi com um sorriso malicioso. Ele estava me perguntando isso há dias e eu havia conseguido manter o mistério.
Chegamos à concessionária, onde eu dei meu nome e o vendedor me entregou as chaves, conduzindo-nos até meu carro. Se pudesse, James teria infartado.
(N/A: Aston Martin Vanquish)
— Bella! É… é… p... perfeito!
Eu sorri, piscando para ele e abrindo a porta do motorista.
— Quer uma carona?
Aquele carro havia sido uma indicação de Tanya. Eu havia pedido uma sugestão de carro que fosse 'discreto', estiloso e ao mesmo tempo veloz. Não suportava essa lerdeza de velocidade com que os humanos dirigiam. Mas qual não foi minha surpresa quando James comentou que o carro fora usado em um dos filmes 007, e por isso não se via muitos pela rua.
— Você vai chamar a maior atenção com esse carro, garota.
— Que ótimo – comentei ironicamente.
Logo chegamos em Forks e James me indicou o endereço da casa que ele havia comprado na praia da reserva La Push. Eu havia achado a idéia de dois vampiros morando na praia absurda, mas James me garantiu que eu gostaria quando visse e eu acabei confiando nele.
E não me enganei: a casa era bem afastada e ele me garantiu que poucas pessoas apareciam por ali raramente.
Era uma construção antiga, construída no século XIX, logo reconheci. Por fora, era relativamente simples, pintada de branco e com algumas janelas de vidro. Por dentro, era decorada com muito bom gosto em tons de cinza e preto. As paredes e o chão internos eram de madeira, dando um charme especial ao lugar. Apesar de eu não ser muito caseira, me apaixonei instantaneamente pelo tom aconchegante da casa.
— Ela passou por umas reformas recentemente – James comentou enquanto estávamos parados no hall.
— É perfeita. Antiga, mas não velha. Eu adorei!
— Que bom. Então: bem-vinda ao lar! – ele deu um sorriso e fez um gesto abrangente indicando a casa.
