0.5 – É mesmo segredo?

Após a aula de Educação Física, eu e Edward nos despedimos com um "até logo", ladeados pelos olhares furiosos de Lauren e Jéssica, que prometeram uma revanche para o dia seguinte. Coitadas.

Troquei de roupa rapidamente no vestiário, evitando esbarrar em uma das duas pelo caminho, e saindo na chuva grossa para esperar James no estacionamento.

Não houve mais nenhum sinal de Edward ou dos outros Cullen enquanto eu e James íamos até a secretaria para entregar os formulários que os professores assinaram durante o dia. Fiquei um pouco incerta quanto à aula que havíamos cabulado, mas James disse para eu não me preocupar, ele daria um jeito de enrolar a secretária. E eu já não duvidava que isso fosse possível.

Entramos na sala apertada da secretaria, e eu deixei que James fizesse todo o trabalho, ficando apenas calada e observando.

— Olá, Srta. Cope – James disse à secretária em uma voz melodiosa.

Pudemos ouvir o coração dela acelerar e eu transformei a gargalhada que estava presa em minha garganta em um acesso de tosse.

— Oi – ela balbuciou nervosa enquanto pegava os formulários das mãos de James. – Como foi o primeiro dia?

— Bem, obrigado – ele devolveu sorrindo para ela.

Eu não sabia até que ponto isso era saudável, pois o coração dela estava tão acelerado que eu tive medo de ela começar a passar mal ali.

— Ah... Tiveram algum problema? Faltaram à aula no mesmo horário – ela disse, olhando os formulários. Lancei um olhar rápido a James, que se apressou em explicar.

— Bella não se sentia muito bem e eu quis fazer companhia a ela.

Revirei os olhos para esta explicação ridícula. E eu pensando que ia sair algo mais bem elaborado de James.

— Ah... Por que não vieram até a enfermaria?

Queria ver James se safar dessa.

— Não sabíamos se era permitido vir sem a autorização de um professor. E era apenas um enjôo, ela já está melhor.

Ok, da próxima vez, eu inventaria as desculpas. Permissão de um professor para ir à enfermaria? Essa é boa.

— Bem... Não sei se posso liberá-los com uma das assinaturas faltando – a Srta. Cope falou com a expressão de quem sentia muito.

James debruçou-se no balcão que ela ocupava, falando baixo e perto de seu rosto.

— Ah, Srta. Cope... Não pode deixar passar essa?

Ela ficou ainda mais desnorteada, piscando freneticamente, enquanto tentava falar algo coerente.

— Eu... eu... – ela fechou os olhos e respirou fundo. – Tudo bem. Mas espero que isso não se repita. Se isto ocorrer novamente, venham até a enfermaria.

James lançou um sorriso brilhante para ela, e quando ela estava de costas, ele olhou para mim e piscou, dizendo "não disse que conseguiria?" em uma voz que só eu pude ouvir. Bati palmas silenciosamente, com a melhor expressão de sarcasmo que consegui colocar no rosto.

— Estão liberados. Espero que tenham apreciado seu primeiro dia aqui. Até logo. – Ela deu um sorriso nervoso.

James tomou uma de suas mãos, depositando um pequeno beijo, fazendo-a corar até a raiz dos cabelos.

— Você não presta, James – disse a ele sorrindo assim que saímos novamente para a chuva grossa de Forks.

— Brilhante descoberta.

Fomos rindo até o carro, entrando rápido, encharcados até os ossos. Coloquei a chave na ignição, ligando o motor e dando a partida.

Devido à chuva grossa, o trânsito para sair do colégio estava caótico, de forma que ficamos engatados na fila de carros por quase meia hora, atrás de um volvo prateado.

— Uau, que carro massa. Melhor que o seu, Bella.

— Pelo menos eu não chamo tanta atenção perto dele – respondi distraída.

A fila andou e o carro continuou parado na minha frente. Esperei alguns segundos, mas como ele não andava, comecei a buzinar. Depois de várias buzinadas, percebi que o motorista estava com o vidro baixo e sorria para mim através do retrovisor lateral. Era Edward.

Dei um sorriso amarelo falso e continuei buzinando com fúria, agora ainda mais enraivecida, pois eu poderia jurar que ele estava me prendendo ali de propósito.

Minha convicção foi derrubada quando Alice e Jasper saíram do refeitório e entraram no carro. Ah. Então Edward estava apenas esperando eles. Certo.

— Por que o Cullen sorriu para você? – James perguntou, desconfiado.

— Hum... – Edward deu a partida e eu o segui. O carro dele desviou para o caminho oposto ao meu, e eu e James pegamos a estrada deserta para La Push.

— Bella... – James falou em um tom repreensivo.

— Ok. Nós estamos na mesma turma de Educação Física. – O detalhe que ele era meu parceiro era irrelevante, certo?

— E? Ele está sorrindo apenas porque vocês estão na mesma turma?

Ok, talvez não fosse tão irrelevante. Relanceei um olhar a ele, que me espreitava por duas fendas. Seus olhos, que sabiam que eu escondia algo.

— Nós agora somos parceiros. Na educação física, digo.

Fiquei esperando o sermão. Que não veio.

— Não vai falar nada? – perguntei temerosa.

— Não.

Agora era eu quem não estava entendendo mais nada.

— Quem é você é o que fez com o James?

Deu certo. Ele riu.

— Bella, eu falei uma vez. Não vou ficar te cobrando nada, até porque sei que você não precisa disso. Você tem mais tempo de existência do que eu, sabe o que está fazendo.

Esse era um dos motivos pelos quais eu gostava de viajar com James e tê-lo por perto: ele me conhecia como ninguém, sabia muito bem quais os tipos de relacionamentos que eu apreciava ou não. Sabia, por exemplo, que não adiantava ficar me impondo coisas, que se eu decidisse não cumpri-las não haveria quem me fizesse pensar o contrário.

— James, por favor, entenda. – Mesmo assim, eu me sentia na obrigação de explicar. – Eu sei que prometi manter distância dele. Mas não é algo que dependa só de mim. O professor de educação física, por exemplo, praticamente nos obrigou a formar a dupla. Você pode entender isso?

A pergunta era inútil. Eu conhecia James tão bem quanto ele me conhecia.

— Você sabe que sim.

Dei um sorriso sincero para ele, fazendo as curvas das estradas de La Push me sentindo com um pouco mais de ânimo.

Algo que eu não falaria a James, porque não podia ser uma promessa, era que eu ia tentar, sim, manter certa distância de Edward. Ia tentar apenas por uma questão de princípios. Porque eu não conseguia esquecer quem ele era e o que fazia.

Por mais que isso já estivesse sendo superado por outras coisas em minha mente.

O tempo que passei com Edward, as frações de segundos em que nossos olhares se encontraram, deram a entender que ele não era como os outros Cullen. E, por mais incrível que possa parecer, Jasper e Alice também não tinham aquela arrogância de Carlisle.

Edward era diferente. Ele não parecia fazer questão de demonstrar que não apreciava a minha dieta, como normalmente os vampiros como ele faziam. E, se a minha percepção não falha – e ela não costuma falhar – ele até parecia curioso com relação a mim. Mas era muito difícil observá-lo quando ele percebia que eu o estava fazendo. Sobretudo, Edward era muito reservado, e não parecia disposto a se abrir para uma vampira recém-conhecida.

Essas eram coisas que por vezes me faziam esquecer das vidas humanas que ele e sua família nojenta tiravam.

No dia seguinte, eu me sentia extremamente apreensiva para ir ao colégio. E ridícula por estar sentindo isso.

Tentei convencer a mim mesma que era apenas nervosismo. Eu estava nervosa pela minha aproximação inevitável com Edward, ela poderia estragar tudo.

Mas a quem eu queria enganar? Eu poderia até conseguir dizer isso a James ou a qualquer outro, porém, não poderia enganar a mim mesma. Eu estava nervosa porque veria Edward novamente. Porque não sabia o que esperar dessa nossa aproximação. Não sabia até que ponto seria saudável estar tão perto dele.

Me arrumei distraída, espalhando roupas pelo quarto até encontrar algo que me agradasse . Desci as escadas e fui direto para o carro.

— Bom dia – James me esperava do lado de fora.

— Bom dia – respondi sem olhá-lo, abrindo carro e sentando ao volante.

Fomos calados até o colégio. Eu não estava com vontade de conversar e ficava feliz que ele respeitasse isso. Mas eu sabia que não poderia fugir.

Chegamos ao estacionamento da Forks High School e o Volvo prateado já estava lá. Meu estômago deu um solavanco.

Estacionei a três vagas de distância dele e desliguei o carro.

— Pode ir, vou dar um tempo por aqui – falei a James, ainda sem olhá-lo.

— Você está bem?

— Estou, obrigada. Quero ficar um pouco sozinha.

Eu podia sentir seus olhos preocupados em mim. Então o encarei.

— Estou apenas preocupada, James. Preciso só organizar um pouco as idéias aqui e já vou, ok? Não se preocupe comigo. Estou bem. – O vinco em sua testa já estava se desfazendo. – De verdade – acrescentei, tentando sorrir.

Ele deu um sorriso fraco para mim.

— Tudo bem, vou deixar você só com seus pensamentos. – Ele deu um beijo rápido em minha face, saindo do carro e me deixando sozinha.

Fechei os olhos, encostando a cabeça no banco.

Eu precisava me acalmar. Aquilo não era certo. Era ridículo. Eu estava agindo como uma adolescente. Quem era experiente ali, afinal? Como eu poderia me deixar afetar por uma pessoa que conhecia há apenas um dia?

— Ridícula – sussurrei para mim mesma.

Olhei o relógio e ainda faltava meia hora para começar a primeira aula. Ainda tinha tempo para ficar ali em meus pensamentos.

Eu gostava de ficar só. Me ajudava a pensar com clareza, a mergulhar em minha mente, nas minhas incertezas e ilusões, sem ninguém para atrapalhar.

Falar sozinha também era uma mania. Uma mania que eu trazia da minha vida humana. Assim eu não corria o risco de ser repreendida por falar besteira e podia falar o que me viesse à mente.

Eu sabia que esses não eram comportamentos de uma pessoa normal. Mas, afinal de contas, eu não era uma pessoa normal.

Estava pensando nisso, quando senti seu cheiro. Aquele cheiro tão atraente para mim. Droga.

Olhei para o lado e ele já estava sentado no lugar que James ocupara a alguns minutos.

— Bom dia – ele deu aquele sorriso torto deslumbrante.

— Bom dia – cumprimentei, sem conseguir não sorrir.

Ele voltou sua cabeça para olhar através do pára-brisa e eu fiz o mesmo.

— Por que você está aqui? Onde está aquele seu... amigo?

Percebi a pergunta real por trás da pergunta que ele havia feito e abri um sorriso um pouco maior.

— James. E ele é só meu amigo sim. – Por que diabos eu estava dizendo aquilo a Edward? – Já entrou.

— Hum. E você não foi porque...?

— Não que isso seja da sua conta. – Percebi pelo visão lateral que seu rosto se abriu em um pequeno sorriso. – Mas eu gosto de ficar só às vezes. Faz bem.

— Acho que eu entendo você. – Sua voz era apenas um sussurro. – Imagine a mim, então, que moro numa casa cheia.

— Deve ser difícil.

E então eu me lembrei dos vampiros que moravam com ele. Mexi o corpo um pouco desconfortável com essa lembrança. Eu não tinha certeza se Edward sabia da minha relação com Carlisle.

— Por que você veio para Forks? – ele perguntou inesperadamente.

— James me convidou. Eu achei que seria bom respirar outros ares.

— Certo. Como você sabia que eu era um... – ele parecia ter dificuldade para falar a palavra – um Cullen?

— Simples. Os Cullen são um dos únicos clãs que mantém residência fixa e bebem sangue humano. E, além do mais, eu sabia que só havia os Cullen de clã fixo aqui em Forks.

— Eu já ouvi falar de você, Bella.

— Ah. Imagino as coisas lindas que Carlisle fala a meu respeito – comentei ironicamente, olhando pela janela.

A chuva grossa começara a cair, formando uma cortina espessa de água no vidro. Quem olhasse de fora, não veria nada do interior do carro.

— Na verdade, ele pouco fala de você. Comecei a saber a seu respeito quando soubemos que estava vindo para Forks.

Eu estava hesitante. Edward, como eu havia pensado, não era ruim. Ele não era hostil comigo. Pelo contrário, parecia estar se esforçando para fazer amizade. Eu precisava fazer a pergunta crucial.

— O que você sabe sobre mim, Edward? – falei, finalmente olhando para ele.

Ele ficou em silêncio por algum tempo, contemplando a chuva.

— Depois. Vamos nos atrasar.

Olhei meu relógio de pulso e faltavam apenas dois minutos para começar a aula.

Saímos do carro e fomos juntos para a sala, sem trocar uma palavra sequer.

Era engraçado andar perto de Edward. Havia muito burburinho nos corredores quando ele passava. Não preciso dizer que eram femininos, não é?

"Lá vem ele, lá vem ele!"

"OMG! Eu estou bem? Vamos ver se ele me olha dessa vez."

"Vem ser gostoso assim lá na minha cama..."

Olhei para ele, que parecia nem estar ouvindo tudo isso. Mas sua audição era tão boa quanto a minha, é claro que ele estava ouvindo.

"O que essa sirigaita pensa que está fazendo com o meu Cullen?"

Ok, isso foi comigo. Eu não sabia se ria mais dessa garota ou da expressão com que Edward me olhava agora. Era um misto de vergonha com diversão.

— Isso foi realmente absurdo! – ele sibilou de um jeito que só eu ouviria.

— Nossa, você faz sucesso mesmo! – provoquei.

Ele revirou os olhos e eu sorri mais ainda.

— Você sabe muito também que também faz – ele sussurrou.

Eu não tinha como contra-argumentar. Ele estava coberto de razão. Com a pequena diferença de que os comentários dos meninos com relação à mim eram muito mais... intensos.

Eu ia responder, mas nesse momento chegamos à sala de aula e o professor já estava começando a falar.

Entramos rapidamente, levando conosco mais burburinhos e olhares curiosos do tipo "ela é rápida" e "oh, meu Deus! Eles estavam realmente juntos?". Eu ainda conseguia me impressionar com o quanto esses adolescentes de hoje em dia eram idiotas.

Eu não conseguia entender quase nada do que o professor dizia. O cheiro de Edward parecia estar grudado em mim. Definitivamente, passar aquele tempo sozinha com ele no carro não fora uma boa idéia.

Ele estava totalmente parado em sua cadeira. Uma pessoa mais observadora poderia se perguntar como um ser humano consegue ficar parado na mesma posição por tanto tempo. Mas, pelo visto, eu era a pessoa mais observadora daquela sala de aula. E eu sabia muito bem que Edward não era humano.

A aula passou mais devagar do que o normal. Talvez fosse minha idiota apreensão para a maldita aula de educação física. Com Edward.

— Nos vemos mais tarde – ele falou para mim, saindo da sala quando a aula acabou.

— Ok.

O dia passou indistintamente. James percebeu que havia algo diferente em mim durante o almoço, quando eu não parava de lançar olhares furtivos à mesa dos Cullen, sempre encontrando os olhos de Edward em mim.

— Bella, o que... – James começou.

— Podemos conversar em casa? Você sabe que tem muita gente ouvindo aqui.

— Vamos fingir que nem estamos aqui, Bella – Edward falou de sua mesa com a voz divertida.

— Engraçado.

Quando – finalmente – a aula de educação física chegou, meu corpo era todo apreensão. E raiva. Eu estava com muita raiva de mim por estar sentindo isso.

Fui direto para o vestiário, sem sequer olhar para a quadra e correr o risco de ver Edward em algum lugar por ali.

Peguei o uniforme e comecei a me despir. Ouvi Lauren soltar uma piadinha sobre a minha cor. Minha fúria comigo mesma era tanta que eu não consegui conter as palavras que coçavam em minha língua.

— Escuta aqui, sua fedelha – falei para ela, que me olhava admirada de eu ter ouvido o que ela dizia -, não estou ligando a mínima para o que você pensa de mim. Muito menos essas suas amiguinhas ridículas. E eu acho bom você parar de soltar essas piadas de mau gosto, ou vai se arrepender muito de ter cruzado o meu caminho.

Pude ver um arrepio percorrer seu corpo, uma reação de defesa natural à espécie humana quando se deparava com a nossa. E, a julgar pelos seus olhos arregalados e a expressão de pavor que estava em seu rosto, Lauren faria o que eu estava aconselhando.

Terminei rapidamente de trocar de roupa, sob a atmosfera tensa que havia ficado dentro do vestiário, e saí furiosa, procurando por Edward.

Ele estava encostando a um canto da quadra, olhando curioso enquanto eu ia em sua direção pisando forte e tentando por tudo manter as aparências, apesar da minha vontade imensa de voltar lá e fazer picadinho de Lauren.

— O que aconteceu? – ele perguntou, franzindo o cenho para mim.

— Nada! Vamos jogar.

Ele ainda ficou um tempo parado me olhando, mas pareceu desistir de perguntar.

(N/A: Light Up The Sky – Yellowcard)

Dessa vez, nem Lauren nem Jéssica quiseram jogar contra nós, de forma que eu e Edward acabamos jogando contra Mike – o garoto que se apresentara para mim no dia anterior e que eu nem havia percebido estar na mesma turma de educação física – e Tyler, um garoto que eu ainda não havia visto.

— Tem certeza que quer jogar contra nós dois, Bella? – Mike provocou. – Somos os melhores da turma.

Ok, eu não tinha me enganado, Mike era mesmo retardado.

— Tenho sim, Mike – sorri amavelmente falsa para ele, que piscou um olho para mim.

Eu podia ouvir a risada musical baixa de Edward em minhas costas. Virei para ele com toda a fúria, mas ele já havia parado de rir e fingia que nada acontecera.

Eu fiz o primeiro saque, lançando a bola um pouco longe demais da quadra. Foi horrível. Tyler e Mike comemoraram a minha falta de jeito.

"Your making the choice to live like this"

Você está fazendo a escolha de viver assim

Pude ver pelo canto do olho Edward me encarando, mas não me atrevi a olhá-lo nos olhos.

Mike voltou com a bola, sacando com perfeição. Peguei a bola, mais uma vez colocando força demais e mandando-a para as arquibancadas.

— O que está acontecendo? – Edward perguntou enquanto o jogo estava parado.

— Nada que seja do seu interesse.

— Claro que é do meu interesse se minha parceira está jogando mal.

— Cala a boca, Edward.

— Venha calá-la para mim.

"And it's still so hard to be who you are"

E ainda é muito difícil ser quem você é

Olhei para ele com os olhos arregalados. Sério mesmo que ele estava fazendo essa piada de super mau gosto comigo?

Antes que eu pudesse retrucar, Tyler sacou e eu me empenhei e me concentrar no jogo. Rebati a bola normalmente para Mike, que rebateu para Edward, que conseguiu marcar ponto para nós, já que nenhum dos nossos adversários conseguiu pegar a bola que ele mandou com perfeição.

— Ainda estou esperando, Bella.

— Esperando o que?

— Você vir calar minha boca.

— Não seja ridículo, Cullen.

— Ah, voltou a me chamar de Cullen?

Olhei para ele, tentando fuzilá-lo com os olhos.

— Você sabe muito bem que posso fazer picadinho de você, não é?

— Gostaria de ver você tentar – ele respondeu com um sorriso torto.

Mike nos entregou a bola e Edward se adiantou para sacá-la.

O resto do jogo correu do mesmo jeito: eu por vezes desconcentrada, Edward soltando piadas de mau gosto, e Mike e Tyler achando que poderiam jogar melhor do que eu e Edward.

Quando a aula finalmente acabou, eu não agüentava mais um minuto perto daqueles três idiotas, então saí quase correndo da quadra.

— Bella, espere – Edward gritou, mas eu não lhe dei ouvidos e continuei meu caminho para o vestiário. – Você não está me ouvindo? – Ele gritou perto de mim, tocando meu pulso para girar meu corpo.

Talvez eu estivesse errada e Edward realmente esquecera o que acontecia quando nos tocávamos. Mas, a julgar pela expressão que ele fez depois de tirar os dedos do meu pulso, ele esquecera apenas momentaneamente.

Nós dois olhamos para o lugar que ele havia tocado, sentindo a mesma sensação de calor. Porém, ao contrário do que eu havia pensado na primeira vez, não era uma sensação ruim. Era gostoso sentir aquele calor em minha pele, depois de tantos anos com o corpo morto, frio.

Mais interessante ainda foram as palavras que eu ouvi quando ele me tocou. As palavras em sua mente.

"Você não pode me ignorar"

— Eu... – ele parecia ter perdido o fio do pensamento.

Bem que eu gostaria de ajudá-lo, mas não confiava que responderia a seus gestos ao invés de seu pensamento.

— Hum – ele parecia estar mais controlado. – Será que podemos conversar?

Respirei fundo, fechando os olhos, para dar alguma resposta coerente. Meus pensamentos ultrapassavam a velocidade da luz, eu não conseguia me concentrar naquele momento.

— Agora não. – Abri os olhos e encarei-o. – Me deixe ir para casa, dia difícil. Conversaremos depois.

Virei as costas para ele, seguindo caminho para o vestiário, mas ele novamente me chamou e desta vez eu não o ignorei.

— Bella?

— Sim? – falei, virando para olhá-lo.

— Eu sei de quase tudo.

N/A: Oieee, Gente.

Então, queria pedir desculpas pela pequena demora no capítulo. Estou realmente com o tempo curtíssimo...

E quero também agradecer muito a todos os reviews recebidos. Obrigada, gente. Eu li cada um, com certeza.

Bem... O próximo capítulo vai demorar um tiquinhoo... Mas prometo fortes emoções para ele. :D

Continuem comentando, os reviews fazem a força!

Beijos. :**