0.6 - Transparência

Eu sabia que não ia conseguir fugir por muito tempo de James. Mas eu esperava que ele me deixasse pelo menos chegar em casa para começar o interrogatório.

— Então? – ele falou logo que nos distanciamos o suficiente da área do colégio.

— Então o quê? – retruquei.

— Bella...

Suspirei.

— Quer começar por onde? – perguntei.

— Por que estava tão alterada durante o almoço?

Fiquei em silêncio. Eu não sabia o que responder. Não sabia como responder. E não queria James chateado comigo.

— Vou reformular minha pergunta – ele falou quando eu não respondi. – Por que você estava laçando tantos olhares à mesa dos Cullen durante o almoço? Ou melhor, a um Cullen em especial...

— James – comecei, hesitando. – Não consigo. Não [i]quero[/i], seria o certo. – Suspirei novamente – Não quero ficar longe de Edward.

Ele ficou em silêncio e eu enrijeci esperando sua resposta.

Entramos na área da reserva e eu comecei a desacelerar. Gostava de ver as pessoas dali, as casas antigas. Era tudo tão calmo, diferente. Como se La Push tivesse seu próprio ritmo de funcionamento, isolada do resto do mundo.

— Pode me dizer o porquê? – James falou de repente.

Medi minhas palavras antes de soltá-las. Não queria que James pensasse que eu havia mudado o que pensava dos Cullen.

— Não sei dizer ao certo. Mas acho que você pode entender por si próprio – falei calmamente.

Havíamos chegado em casa, mas nenhum dos dois se moveu de dentro do carro. Encostei a cabeça no banco e fechei os olhos para começar a falar.

James continuava calado e eu senti seu corpo encostar no banco, assim como o meu.

— Imagine que você descobrisse ter alguma "possível" ligação com uma pessoa que deveria odiar. Que coisas estranhas acontecessem entre você e essa pessoa, como ela te fazer sentir o calor, por exemplo. Você não iria querer saber mais, James? Não iria querer ficar perto da pessoa até descobrir a verdade?

Eu sabia que as perguntas eram retóricas, portanto, continuei de olhos fechados e em silêncio, deixando que ele refletisse.

— Tudo bem – ele respondeu e eu fiquei surpresa ao ouvir sorriso em sua voz. – Você está certa, como sempre. – Sorri também. – Eu apenas tenho medo por você, Bella. Não sei até onde vai esse seu ódio por Carlisle.

— Não se preocupe, cabeção. – Agora o clima entre nós estava mais leve. – Eu sei até onde vai.

Sai do carro e entrei em casa, indo para meu quarto. Percebi que James não havia me seguido. Fui até a minha sacada e o vi ainda dentro do carro.

— Posso dar uma volta? – ele gritou, colocando a cabeça para fora da janela.

Revirei os olhos, sorrindo.

— Pode, James.

Joguei a chave para ele, que pegou e em menos de dez segundos já estava fora de vista.

Sorri sozinha, voltando para meu quarto e olhando a bagunça que se armara ali. O sorriso se desfez enquanto eu começava a me perguntar quando ficara tão desleixada.

Bem, não era porque eu era uma vampira que eu não tivesse obrigações parecidas com a dos humanos, correto?

Tirei as botas, colocando-as ao lado dos outros sapatos no compartimento certo do closet improvisado que eu havia feito. Comecei a catar as roupas que havia espalhado pelo chão de manhã enquanto procurava algo adequado para ir ao colégio.

Depois que o quarto já estava com cada coisa devidamente arrumada em seu lugar, não encontrei mais nada para fazer. E o que é pior: sem nada para fazer, minha cabeça encheu de pensamentos sobre Edward. Ou melhor, estes pensamentos voltaram ao plano principal da minha mente, pois eu não havia parado de pensar nele desde que nos separamos na aula de Educação Física, quando ele disse que "sabia quase tudo".

Ardi em curiosidade e estava prestes a me render e perguntar, mas ele foi embora sem me dar chances de retrucar.

Mas ele não ia me escapar. No dia seguinte eu iria exigir que Edward me dissesse tudo que sabia.

Desci as escadas e fui até a biblioteca, encontrando caixas e caixas contendo meus livros preferidos, espalhadas por todos os cantos visíveis. Olhei para as prateleiras ainda vazias e decidi que aquela seria uma boa hora para começar a organizá-las.

Tirei todos os livros das caixas e comecei a empilhá-los: por preferência de autor, de título, por data, local em que comprei, etc.

Enquanto colocava Sidney Sheldon na primeira fileira, ouvi um barulho na parte de trás da casa. Fiquei imóvel, ouvindo os passos se aproximarem cada vez mais da porta da cozinha. Soltei o ar pesadamente quando reconheci o cheiro.

— Bella? – a voz aveludada de Edward chamou, ainda na porta da cozinha.

— Pode entrar, estou na biblioteca – respondi entediada.

Logo Edward apareceu na porta, me encarando com um sorriso torto.

— Não consegue passar uma tarde sem mim? – perguntei irônica, parando de organizar os livros e olhando para ele.

— Na verdade, não – ele respondeu, também irônico. – É um dos meus preferidos – ele comentou, olhando para o exemplar de "A Ira dos Anjos" que eu segurava nas mãos.

— É, é o meu preferido – respondi, balançando o livro nas mãos e voltando a arrumar a prateleira.

— Apesar de achar que Adam Warner foi um idiota.

Olhei-o com uma sobrancelha erguida.

— Por quê? Ele apenas estabeleceu prioridades. E Jennifer não estava entre elas – retruquei.

— Se ele a amasse de verdade, teria ficado com ela – Edward insistiu, dando dois passos em minha direção.

— Ah, francamente, Edward. Amor? Você acredita nisso?

— Você não? – ele devolveu, franzindo o cenho.

— Há muito tempo ele deixou de existir para mim – respondi amargamente, voltando a lhe dar as costas.

— Eu não tenho a sua idade, nem a sua experiência, mas... – Ouvi-o se aproximar mais de onde eu estava, mas me controlei para não esboçar qualquer reação a isso. – Não acho que você deva desistir tão fácil assim de encontrá-lo, Bella.

Uma de suas mãos tocou a ponta de meus cabelos, fazendo uma onde forte de energia percorrer meu corpo, proporcionando uma imensa sensação de bem-estar.

Virei de frente para ele, encontrando seus olhos curiosos pousados em mim.

— Me dê pelo menos um bom motivo para não desistir, Edward – devolvi, cruzando os braços sob os seios em atitude desafiadora.

Edward, então, fez a última coisa que eu esperaria dele naquele instante: ergueu a mão e, com as pontas dos dedos, tocou minha face gentilmente. No mesmo segundo o calor pareceu irradiar daquele ponto e, apesar de assustada e muito surpresa com aquele gesto, não pude evitar deixar escapar um pequeno sorriso ao ouvir duas palavras que ecoavam insistentemente em seu pensamento.

"Tão perfeita"

— Você pode sentir isso, Bella? – ele perguntou, ainda acariciando meu rosto.

"Eu sei que você está sentindo o calor."

— Sim – respondi simplesmente.

Edward abriu um pequeno sorriso de satisfação, finalmente abaixando a mão.

— Quer mais algum motivo? – ele perguntou.

Não entendi o que uma coisa poderia ter a ver com a outra. Onde o amor se encaixava ali? Decidi mudar o foco da conversa, a fim de resistir ao impulso de tocá-lo novamente apenas para sabe onde ele queria chegar com tudo aquilo.

— Você não veio até aqui por isso – afirmei, imprimindo um tom de acusação na voz.

Ele riu baixo, balançando a cabeça, imagino que pelo corte brusco no assunto.

— Não. Vim avisá-los para não irem à aula amanhã – ele respondeu distraído, olhando o céu através da janela.

— E por que faríamos isso?

Edward revirou os olhos e voltou a me olhar.

— O dia vai amanhecer nublado, mas depois abrirá um sol radiante em Forks, daqueles que só se vê uma ou duas vezes por ano. Você não vai querer sair da aula andando no sol, não é mesmo? Não acho que alguém acharia normal uma pessoa que brilha à luz do sol – ele comentou irônico.

— E como você saberia disso, caso fosse mesmo verdade? – perguntei, erguendo uma sobrancelha desconfiada.

— Hum... – Ele pareceu estar deliberando sobre algo. – Digamos apenas que minha família tenha uma visão mais ampla do que irá acontecer.

Fiquei calada encarando-o, procurando algo em quê retrucar, sem sucesso. Sol radiante em Forks? Isso era algo que eu realmente estava pagando para ver.

Ouvimos o som de um carro se aproximando. Meu carro.

— Acho melhor você ir – sugeri a Edward.

— O que? Não quer que seu amigo me encontre aqui? – Edward retrucou petulante.

Revirei os olhos, respondendo impaciente.

— Me poupe a explicação. Obrigada pelo aviso, verei o que posso fazer – disse, dando-lhe as costas e voltando a arrumar as prateleiras.

— Bella. Por favor. Não vá à aula. Estou falando sério.

— Já disse que verei o que posso fazer.

Ficamos em silêncio, mas eu sabia que ele ainda estava de pé ali. Teria ouvido se ele fosse embora.

— Bella, por favor. – Sua voz estava grave. – Me prometa que não vai. Você poria a todos nós em risco.

Suspirei pesadamente, voltando a ficar de frente para ele.

— Tudo bem, Edward. Eu não vou. Satisfeito?

Ele abriu aquele sorriso torto de tirar o fôlego até mesmo de quem não precisava respirar.

— Sim. Agora sim. Até mais, Bella.

Ele virou de costas e então eu lembrei que Edward me devia uma coisa.

— O que você vai fazer amanhã? – perguntei antes que ele sumisse de vista.

— Pretendia caçar. Por quê?

Caçar. Humanos.

Respirei fundo, teimando em engolir as palavras irônicas que estavam prestes a sair de minha boca, afinal, Edward havia acabado de me fazer um favor.

— Podemos nos encontrar? Você me deve algumas respostas – falei, me surpreendo com o tom grave de minha voz.

Ele ficou me encarando com o cenho franzido e então pareceu lembrar de algo.

— Certo. Onde e que horas?

Ouvimos o carro estacionar na frente da casa.

— Em frente à loja dos Newton, às 10h – falei, enquanto Edward sumia pela porta, murmurando um "combinado" rápido.

Ouvi a porta da cozinha bater ao mesmo tempo em que James abria a da sala.

— Bella? – ele chamou.

— Aqui na biblioteca.

Menos de dois segundos depois ele aparecia. Rezei muito para ele deixar passar as perguntas sobre Edward. Sim, porque eu sabia que ele sentiria o cheiro dele em qualquer parte da casa por onde Edward houvesse passado. Mas James não era tão bobo assim, nem eu tinha tanta sorte.

— O que o Cullen estava fazendo aqui? – Foi a primeira coisa que ele disse ao me ver.

Continuei arrumando os livros calmamente, me concentrando em manter a ordem em que havia os separado.

— Veio nos avisar para não ir à aula amanhã. Disse que vai fazer um dia ensolarado – respondi tranqüila.

— Sei. – Me surpreendi com o tom irônico de sua voz. – E você vai acreditar?

— Talvez. Não vejo porque os Cullen não iam querer que fossemos à aula.

Ouvi-o respirar profundamente.

— Tem mais coisa aí do que você está me contando, Bella.

Fiquei tão surpresa com a acusação, que virei de frente para ele, encontrando seus olhos fechados em apenas dois traços.

— O que foi, James? Deu para desconfiar de mim agora?

E foi quando eu senti.

James trazia consigo um cheiro diferente. Estava impregnado em sua roupa, em seus cabelos, em sua pele. Era um cheiro feminino, um que eu nunca havia sentido antes.

— Onde você esteve, James?

Sua postura mudou rapidamente. De desconfiado, James agora estava nervoso. Sua mãos foram parar diretamente nos bolsos da frente da calça jeans, seus olhos se fixavam em qualquer ponto que não fosse em mim.

— Fui até Port Angeles – ele respondeu rápido. – Uau, Bella, seu carro corre mesmo! Ele é o máximo. Você já testou a potência total desse motor? Eu fiquei muito tentado a fazer, mas não sabia se você ia gostar que eu o fizesse. – ele tagarelou.

Continuei encarando-o cética. Eu conhecia essa postura. James só tagarelava assim quando estava nervoso. Afinal percebi que quem escondia algo ali era ele.

— James, eu só vou perguntar uma vez. E se você não me disser a verdade, então não terá o direito de me cobrar mais nada – falei seriamente. – Com quem você estava? Quem é ela?

Ele continuou sem me encarar, respirando profundamente. Por fim, seus olhos se fixaram em meu rosto e quando sua voz saiu estava extremamente grave.

— Victoria. Eu encontrei Victoria em Port Angeles, por acaso.

Meu queixo caiu. Eu juro que queria retrucar alguma coisa ou esboçar uma reação coerente, mas isso estava parecendo impossível.

Victoria era a "mãe" de James. Não no sentido biológico da palavra. Era ela quem havia transformado ele.

Os dois se conheceram em Nova York, em 1950. A história de amor deles seria maravilhosa, se não fosse trágica.

Victoria e James estudavam no mesmo colégio. Eles haviam começado a namorar apenas um mês depois de terem se conhecido e pareciam ter sido feitos um para o outro.

Em uma noite particularmente fria, Victoria andava sozinha por uma rua escura que levava direto até sua casa. De repente, um homem todo vestido com roupas escuras apareceu em sua frente. Ela tentou lutar com ele, mas ficou muito impressionada com a força excepcional daquele ser, que não lhe deu sequer chances de resistência. O homem, é óbvio, era um vampiro.

Não sei se por sorte ou azar, ele não bebeu todo o seu sangue e decidiu deixá-la viver. Mas não havia mais volta: o veneno dele havia penetrado nela e agora a transformação aconteceria.

Durante três dias, Victoria ficou jogada em um beco escuro, sem ter a menor idéia do que poderia estar acontecendo com ela.

Completada a transformação, ela voltou para casa. Os familiares e James, obviamente, estavam muito preocupados com o sumiço de três dias. Mas quando ela reapareceu, eles sabiam que ela não era mais a mesma.

Primeiro por que ela matou e sugou todo o sangue do irmão mais novo. E segundo porque Victoria estava ainda mais bonita, algo que ninguém julgava ser possível, mas de uma forma totalmente inumana.

Ela sabia que tinha de se afastar da família e de todos os que amava, ou acabaria machucando-os ainda mais. Victoria nunca perdoara a si mesma pelo irmão morto.

Ela, então, decidiu se afastar e morar em um lugar distante da família e de James.

Mas ele não aceitou. James insistiu que iria com ela. Ele acreditava que, no fundo, ainda existia aquela mulher que ele tanto amara e por quem havia se apaixonado perdidamente.

Victoria se recusava veementemente a deixá-lo ir com ela, mas ele não desistiu. Ela, por fim, se rendeu e acabou deixando ele ir, pois sabia que não iria agüentar sozinha.

Os dois se mudaram para o Alaska, onde conheceram o Clã das Denali. Eu, nessa época, estava em mais uma das minhas longas viagens, por isso não cheguei a conhecê-la. Eles ficaram muito impressionados com o modo "vegetariano" de viver das Denali e James até sugeriu que Victoria tentasse mudar sua dieta, mas ela se mostrava irredutível.

Ninguém conseguia entender a relação dos dois. Porque, por mais que Victoria não resistisse a qualquer sangue humano que estivesse a menos de 50 metros dela, o sangue de James não era atrativo para ela.

Certa vez, em uma discussão entre os dois, James se exaltou e acabou jogando um vaso de vidro na parede. Depois que a briga acabou, ele teve que limpar e acabou se cortando em um caco, abrindo um golpe particularmente grande na mão.

O sangue de James poderia não ser atrativo para Victoria, mas vê-lo jorrar ali e resistir já era demais para ela.

Victoria atacou James e teria sugado todo o seu sangue se Tanya não tivesse aparecido na hora para uma visita casual.

Depois desse dia, nunca mais tivemos noticia alguma de Victoria. Pelo menos até hoje.

Tanya não conseguiu evitar que o veneno se espalhasse e esperou a transformação de James terminar. Ela e as Denali ajudaram ele na nova vida "vegetariana" que ele havia escolhido seguir. James nunca havia colocado sequer uma gota de sangue humano na boca.

— O que aconteceu? Vocês conversaram? – perguntei assim que consegui encontrar as palavras.

— Conversamos – ele respondeu simplesmente, mesmo sabendo que eu não me contentaria só com aquilo.

— O que ela disse? – insisti.

— Nada de importante – ele voltou a responder evasivamente.

Eu já estava perdendo a paciência. Desde quando James me escondia as coisas? Por que ele não queria me contar?

— James, o que você está me escondendo? – perguntei antes que pudesse me conter.

— Ah, eu não posso esconder nada, não é mesmo, Bella? – Fiquei surpresa com a ironia amarga em sua voz. – Só você pode esconder as coisas aqui. Só eu tenho que explicar, você não me explica nada. Eu pensei que não precisasse perguntar as coisas a você, Bella. Pensei que me contaria se algo acontecesse entre você e o Cullen. Mas já vi que você não pensa o mesmo. Ou você achou que o fato de o seu carro estar impregnado com o cheiro dele é irrelevante para mim? – Ele soltou todas essas palavras e saiu correndo para fora da casa, não me dando chance alguma de responder.

Eu estava estupefata. De onde viera tudo aquilo? Sim, eu sabia que James estava certo. Eu deveria ter contado a ele sobre a conversa que tivera com Edward de manhã dentro do carro. Mas eu esquecera completamente de mencionar o fato a ele.

Eu sabia que se deixasse passar não conseguiria falar tudo a ele depois. Eu acabaria amenizando as coisas e James possivelmente não ia querer me ouvir. Decidi sair atrás dele, rezando para que não tivesse ido muito longe e eu pudesse achá-lo.

Felizmente, encontrei-o sentado em um tronco de árvore caído na praia. Me aproximei lentamente, temendo que ele pudesse se afastar novamente. Mas ele não esboçou qualquer reação à minha presença, de forma que eu me aproximei de vez e sentei ao seu lado.

— Me perdoe – murmurei receosa.

A chuva tornou a cair, passando rapidamente dos chuviscos para um temporal. James não parecia incomodado, então continuamos sentados lado a lado, calados. Ele fitava um ponto indistinto no horizonte, os olhos novamente parecendo duas fendas.

— Me perdoe você, Bella – ele falou, me assustando. – Eu não tinha o direito.

— Claro que você tinha, James. Nós somos amigos e moramos juntos, eu não tenho nada a esconder de você.

Ele demorou a responder e quando o fez sua voz estava mais tranqüila.

— Eu também não tenho nada a esconder. Mas, me diga, por que não quis me contar que o Cullen esteve no seu carro? Você sabia que eu perceberia.

Respirei fundo e torci para que ele não achasse uma baita mentira o que eu contaria a seguir.

— Eu esqueci. – Ele bufou. – É sério, James. Não é que eu não achasse relevante, eu apenas adiei e acabei esquecendo.

Ele ficou calado, pegando uma pedra nas mãos e girando-a entre os dedos.

— Eu e Victoria conversamos. Ela me contou por onde esteve depois de... – ele hesitou enquanto transformava a pedra em farelos em suas mãos. – Bem, depois de todos esses anos.

— Você já perdoou ela, James?

— Eu não posso reclamar da vida que eu tenho, Bella. Quando eu decidi seguir Victoria, sabia dos riscos que corria. A culpa não foi totalmente dela, foi minha também.

Não era a primeira vez que eu fazia essa pergunta, tampouco era a primeira que conversávamos sobre isso. E James tinha sempre a mesma postura. Eu ficava impressionada com a capacidade dele de perdoar alguém tão responsável por ele ter se tornado o que era agora, alguém que quase o matou. Ele, porém, era muito sincero quando dizia que havia perdoado e eu acreditava.

— E você? O que aconteceu?

Me pus a explicar a ele tudo que eu e Edward conversamos dentro do carro e o que aconteceu na biblioteca. James pareceu entender o que Edward quis dizer com a história de não desistir do amor, mas eu me recusava a acreditar em sua hipótese.

— James, nos conhecemos há apenas alguns dias. Como se pode falar de amor em tão pouco tempo? Não, você está errado – afirmei veementemente.

— Isso só o tempo poderá dizer, Bellinha. Mas eu tenho grande probabilidade de estar certo, você sabe.

Revirei os olhos.

— Vamos caçar amanhã? – ele sugeriu depois de uma pequena pausa entre nós.

— Não. Amanhã Edward vai me contar tudo o que ele sabe.

James respirou fundo.

— Bella, tenha cuidado, ok? Você pode não gostar do que ele vai dizer – James advertiu seriamente.

— Eu tenho certeza que não vou gostar, James. Mas pode deixar, estou ciente dos riscos – assegurei.

— E mais uma coisa – ele falou, levantando em um pulo e me puxando para ficar de pé.- Me prometa que vai me contar tudo, ok?

Sorri para ele, piscando um olho.

— Pode deixar. Sem segredos. Transparência é meu lema agora, ok?

Ele também sorriu e pegou minha mão na sua, nos conduzindo de volta para casa.

(N/A: Então, finalmente, aí está o capítulo. Ufa, suei. :D

Bem, no próximo capítulo a história "Bella-Carlisle" começará a ser revelada... Ele vai demorar um pouquinho porque esse é um dos capítulos mais importantes da fic e eu tenho que ter cuidado para escrever. :D

Vou fazê-lo o mais rápido possível. o/

E thanks pelos reviews dos últimos capítulos... Acreditem, isso é importante. :D

Beijos.)