12 – Do Outro Lado
~Edward's POV~
Beijar Bella era uma das melhores coisas que eu já havia experimentado na vida. Nas duas vidas. Ela possuía um sabor único, viciante.
Ser interrompido por Carlisle era a última coisa que eu poderia querer naquele momento. E, quando Bella interrompeu o beijo, eu pensei seriamente em avançar em Carlisle e fazê-lo em pedacinhos. Mas é claro que não foi isso que eu fiz.
Para meu total espanto, Bella não confrontou Carlisle. Ela apenas foi embora, me deixando a sós com meu "pai". E, por falar nele, este agora me olhava esperando uma explicação.
― Estou esperando ― ele disse, como se o seu olhar confrontador não fosse o suficiente.
― Eu sei que está ― devolvi. ― Mas eu não me lembro de te dever nada. Muito menos explicação sobre meus atos.
― Bem, receio que você esteja enganado ― ele disse, com uma falsa cordialidade pontuando cada uma de suas palavras. ― Eu deixei você conversar com ela, então, acho que você me deve sim uma explicação.
― Você não tem que "deixar ou não". Eu vim porque quis, não porque você deixou ― retruquei, cerrando os punhos.
Carlisle me encarou com os olhos vermelhos e eu pude ver que ele estava decidindo se levaria a frente a discussão ou pararia por ali mesmo.
― Só quero que tenha cuidado, Edward. Isabella pode ser perigosa quando quer ― ele disse por fim, seu tom dando a entender que a conversa estava encerrada.
Mas eu não queria encerrar ainda.
― Todos podemos ser perigosos, pelo que eu acabei de saber, Carlisle.
Ele estava a meio caminho de entrar no carro de Alice e parou, virando novamente para me encarar.
― O que você está dizendo? ― ele inquiriu, um vinco se formando no centro de sua testa.
― A verdade.
Ficamos nos encarando por um bom tempo até que, finalmente, ele cedeu.
― Vejo que essa garota está fazendo uma lavagem cerebral em você. ― Ele suspirou. ― Vamos para casa. Lá conversaremos mais sobre isso.
Percebi que era inútil insistir. Se Bella me parecia cabeça dura, Carlisle era três vezes mais.
Ele dirigiu até a nossa casa ― bem, a casa dele ― fora dos limites de Forks, escondida em uma estrada de terra, no meio da floresta.
Ao estacionarmos o Porsche na garagem da casa, Alice correu até nós, se debruçando na lataria.
― Meu bebê, estava com saudades ― ela murmurou, depositando um beijo no capô.
― Jasper vai ficar com ciúmes ― retruquei, sorrindo para ela enquanto saía do carro.
― Acho que estou me acostumando ― Jasper disse, aparecendo ao lado de Alice.
Carlisle havia desligado o carro e entregado as chaves à Alice, entrando em casa rapidamente. Não me preocupei em segui-lo. Tínhamos a eternidade para continuar aquela conversa.
― Então, como foi com a Bella? ― Alice perguntou.
Revirei os olhos para ela e a baixinha sorriu.
― Vocês se beijaram. E dessa vez ela queria. Você deveria confiar mais nas minhas visões às vezes, irmãozinho ― ela cantarolou, abraçando Jasper pela cintura.
― Não me diga no que devo confiar ou não, Alice. Você sabe que nem sempre acerta ― retruquei, entrando em casa e sendo seguido por ela.
― Deixe de ser bobo, ela vai amar você. Um dia. Pode escrever o que estou dizendo ― Alice insistiu, parando de me seguir quando subi as escadas em direção ao quarto.
Não respondi a ela, mas sorri um pouco enquanto fechava a porta do quarto. Como eu queria que Alice estivesse certa, por mais que me custasse acreditar em suas visões.
E agora aqui estava eu, dirigindo com ela de volta para casa, após ter passado um dos meus melhores momentos com Bella, em uma sala vazia, onde éramos apenas eu e ela.
― Está feliz, irmãozinho ― Alice cantarolou, me olhando de lado.
― Pensei que fosse de Jasper o dom de sentir as emoções das pessoas ― respondi, fazendo uma curva suavemente, mesmo estando a 200 km/h.
― Você sabe, eu sei de tudo ― Alice respondeu sorrindo.
― É, eu sei ― concordei, também sorrindo. ― Então você deve saber por que estou feliz.
― Bella está na sua, não é mesmo? Eu já sabia! ― a louca exclamou, batendo palmas.
― Se você diz... ― ponderei, não conseguindo deixar de sorrir. ― Mas eu não teria tanta certeza. Sabe como é, com Bella nunca se sabe.
― Nossa, como você é incrédulo. ― Alice cruzou os braços e se encostou no banco, fitando a paisagem que passava rápido pela janela lateral.
― Sou apenas realista ― retruquei.
Desacelerei, entrando pela estrada de terra que levava à residência dos Cullen. O carro de Carlisle estava na garagem e eu dei um longo suspiro ao fazer tal constatação.
― O que me espera? ― perguntei a Alice, estacionando e desligando o carro.
― Agora quer saber de minhas visões, é? ― ela desdenhou, abrindo a porta e saindo. Repeti seu movimento, mas a baixinha fugiu antes que eu pudesse perguntar mais alguma coisa.
Alice sabia ser irritante.
Desde o dia em que Carlisle me surpreendeu com Bella, eu havia fugido ao máximo de ter a tal "conversa". Mas, pelo jeito como ele me olhava agora, parece que eu não poderia fugir muito mais.
Andei calmamente ao seu encontro, sentando no sofá em frente ao dele. Ou melhor, me esparramando no sofá impecavelmente branco de Esme. Estávamos sozinhos na sala, mas eu sabia que os outros estariam por perto ouvindo tudo.
― Tudo bem, não vou fugir. O que você quer? ― Fui direto ao ponto.
Carlisle se recostou no sofá, cruzando os braços no peito e estreitando os olhos para mim.
― Quero saber o que Bella anda dizendo a você. No que a história dela difere da minha ― ele respondeu diretamente.
Respirei fundo, não sabendo exatamente o que contar ou por onde começar. Eu já havia decidido por um ponto final nessa história, acreditando nos dois e em nenhum dos dois ao mesmo tempo. Eu simplesmente não queria escolher. Não agora. Não enquanto não fosse preciso.
Mas, pelo visto, para Carlisle não havia ponto final algum. E eu duvidava que para Bella houvesse.
― Difere em alguns pontos, Carlisle ― respondi cansado. ― Isso importa mesmo?
― Pode não importar para você, mas eu quero saber o que andam falando de mim ― ele respondeu.
― Não te consola saber que ela não está nem aí para você? Não dá para aceitar apenas isso e esquecer o resto? ― sugeri, soando meio exasperado.
― Não. Agora, se não se importa em começar, vou acabar me atrasando.
― Para o quê?
― Não importa. Vai começar ou não?
E era isso. Carlisle nunca nos dizia o que estava fazendo. Suspeitava que nem Esme soubesse desses encontros misteriosos dele. Eu sabia apenas que ele não trabalhava em nada fixo, ganhava dinheiro com ações que movia de diversas empresas. Pelo tempo de vida, ele já havia acumulado uma boa poupança para passar, pelo menos, a metade da eternidade.
― Tudo bem, eu vou contar. Mas vou dizer a você a mesma coisa que disse a ela: eu, sinceramente, não quero saber quem está certo ou errado. No momento, eu não quero escolher um lado ― afirmei, tentando não aumentar demais o tom.
― Prossiga ― ele respondeu, ignorando o que eu havia dito.
― Bem ― suspirei ―, a história de Bella difere da sua em apenas um ponto. O que eu julgaria mais importante. ― Esperei que ele falasse algo, mas como não houve resposta, continuei. ― Você havia dito que vocês dois não conheciam outra forma de se alimentar quando começaram essa vida. Que ela achava errado beber sangue humano, mas vocês não sabiam nada sobre outra forma de alimentação.
― O que é verdade ― Carlisle disse e em sua expressão não havia nada que o contradissesse.
― Bem, mas esta não é a história dela. Segundo ela, vocês conheceram uma dupla de nômades que lhes apresentou a opção de beber sangue animal. Bella aceitou prontamente, mas você não quis. E foi quando ela se separou de você ― concluí, não querendo prolongar demais a conversa.
Carlisle demorou algum tempo fitando o chão e eu me perguntei no que ele estaria pensando. Depois de alguns minutos, ele pareceu lembrar que eu estava ali e voltou a me olhar, recompondo a expressão, de pensativa à preocupada.
― E você não quer mesmo saber a verdade? ― Carlisle perguntou, erguendo uma sobrancelha.
― Bem, se você vai me dizer que ela está errada e você certo, não. Eu não quero saber ― respondi, mantendo a voz firme e o tom normal.
Ele balançou a cabeça em concordância, voltando a fitar o chão. Antes, eu tinha certeza que quando eu contasse o que Bella havia dito, ele prontamente iria negar. Mas a sua reação agora estava totalmente me surpreendendo.
― Parece que você é mais complicado do que eu pensava, Edward ― ele falou, quase sorrindo.
― Quero apenas não ter que escolher, Carlisle. Bella está se mostrando uma boa pessoa e eu, obviamente, tenho muita consideração por você. Não quero ser obrigado a escolher entre os dois ― afirmei, concluindo com um dar de ombros.
Carlisle levantou do sofá e, colocando as mãos nos bolsos, ficou de frente para mim, me fitando de cima.
― Mas você não conseguirá fugir disso para sempre, Edward ― ele murmurou gravemente. ― Um dia, você será obrigado a escolher. E, quando esse dia chegar, espero que faça a escolha certa.
E ele saiu, mal me dando tempo para formular uma boa resposta.
Dei de ombros para mim mesmo e subi para o meu quarto, deitando na cama ― sim, eu tinha uma cama ― e colocando os braços atrás da cabeça, fitando o teto.
Carlisle talvez tivesse alguma razão. Mas por que isso me importaria agora? Agora que Bella parece mais suscetível a se deixar levar por mim, que as coisas parecem certas para nós. Eu não vou começar a procurar problemas com ela.
― Vamos caçar ― Alice anunciou, irrompendo em meu quarto como um furacão. ― Você vem?
― Não, estou alimentado ― respondi, continuando a fitar o teto.
Alice ficou algum tempo parada no meio do quarto e, ao lançar a ela um olhar de canto de olho, a vi me fitando com os olhos apertados e as mãos nos quadris.
― O quê? ― perguntei, finalmente olhando para ela.
― Alguma coisa sobre você e Bella... ― ela respondeu vagamente.
― Não quero saber, guarde suas visões para você ― respondi rapidamente.
― E quem disse que eu ia dizer a você? ― ela respondeu sorrindo. ― Ela vai gostar do presente.
― Que presente? ― perguntei, mas ela já havia ido, deixando apenas o som de sua risada para trás.
Já disse que às vezes Alice sabe ser irritante?
Pior é que eu não fazia idéia de qual presente poderia ser. Droga.
― Esperem! ― gritei, já na porta da frente da casa.
Jasper, Alice, Emmett e Rosalie estavam no Jipe de Emmett saindo para caçar. Ele parou o carro quando me viu, revirando os olhos.
― Sabia que você viria ― Alice disse assim que sentei ao seu lado no banco de trás.
Limitei-me a revirar os olhos.
― Que presente, Alice? ― inquiri.
― Você disse que não queria saber de nada das minhas visões ― ela respondeu, fazendo um bico falso de lamento.
― Quando elas me interessam, eu gosto de sabê-las ― respondi.
― Pois agora eu não quero contar.
― Anda logo.
― Não vou a lugar algum ― ela rebateu e se esgueirou para mais perto de Jasper, sentado ao seu outro lado.
― Eu sei que você quer contar ― insisti.
― Jasper, pode dizer a Edward que eu não quero contar? ― Alice disse, fitando as próprias unhas.
― Esquece, cara, você não vai conseguir nada dela agora ― Jasper disse, me lançando um olhar solidário.
Bufei de frustração, me recostando no banco e olhando a paisagem passando rápida pela janela do Jipe.
― Qual seu problema, pequeno Eddie? Alice não quer brincar? ― Emmett perguntou, inclinando a cabeça para me fitar pelo retrovisor.
― Me erra, Emmett ― respondi.
― Ui, ele está nervosinho ― ele insistiu, rindo da própria piada.
Não sabia exatamente aonde estávamos indo, mas também não era preciso ser dito.
Desde que nos mudamos para Forks, Carlisle estipulou para nós pontos fixos de caça, assim não corríamos o risco de matar muitos humanos a cada caçada e levantar suspeitas sobre nós. Os pontos se distribuíam entre La Push e Port Angeles, sendo a caçada liberada para qualquer lugar de Seattle. Mas raramente saíamos de Port Angeles.
Havíamos caçado não fazia nem uma semana e eu sabia que os outros não deveriam estar com sede. Eu mesmo não estava. Mas era indispensável estarmos sempre bem alimentados se quiséssemos conviver pacífica e invisivelmente com os humanos, sem correr o risco de atacar um deles caso houvesse um sangramento acidental, por exemplo.
Quando chegamos a Port Angeles, antes do final do entardecer, o sol ainda brilhava em alguns dos principais pontos de caça. Pontos estes que Emmett imediatamente ignorou, indo em direção a um aeroporto particular na cidade.
― Posso saber aonde estamos indo? ― perguntei aos outros quando Emmett parou o carro no estacionamento do tal aeroporto.
― O que você acha? ― Rosalie respondeu e eu me surpreendi ao vê-la sorrindo para mim. ― Vamos torrar um pouco o dinheiro fácil do papai.
Bem, isso era uma explicação e tanto.
Todos saíram do carro e eu os acompanhei. Havia um jatinho pousado ali perto, com o motor ligado, onde um senhor de meia idade esperava sorrindo para nós. Jasper foi até ele, pegando uma chave e dando a ele uma quantia em dinheiro. Quando o homem se afastou, nos aproximamos de Jasper e ele sorriu, as chaves balançando na mão direita.
― Todo nosso ― ele informou e Alice deu pulinhos de alegria.
― Quem vai pilotar essa coisa? ― perguntei a ninguém em específico, mas não houve resposta.
Jasper entregou as chaves a Emmett e ele e Rosalie entraram no jatinho, indo em direção à cabine do piloto.
― Você vai deixar Emm dirigir? Ficou louco? ― gritei a Jasper, entrando atrás dele e de Alice no jatinho.
― Relaxa, Edward, não vamos morrer se o jatinho cair ― Jasper respondeu tranqüilo, escolhendo um dos assentos do jatinho de luxo.
Ele sentou relaxado, Alice prontamente se aninhando em seu colo.
Emmett fez o jatinho decolar, rapidamente ganhando altitude. Ele levou algum tempo para conseguir estabilizar o pequeno avião, mas logo estávamos voando normalmente e eu consegui esquecer que era o meu irmão cabeça oca que estava conduzindo.
Sentei de frente para Jasper e Alice, me arrependendo instantaneamente de tê-lo feito. Os dois não conseguiam ficar dois segundos sem tocar um no outro, me obrigando a assistir a tudo de camarote.
― Podem dar um tempo? Estou começando a me sentir carente aqui ― reclamei quando Alice estava prestes a tirar a camisa de Jasper.
Os dois sorriram como se, repentinamente, lembrassem que eu estava ali assistindo e Alice saiu do colo dele, sentando ao seu lado e se conformando em ter apenas os braços dele em volta dela.
A viagem passou rapidamente e logo Emmett estava diminuindo a altitude.
― Onde estamos? ― perguntei a Jasper.
― Seattle. Vamos caçar aqui hoje ― ele respondeu.
Já estava completamente escuro quando Emmett abriu a porta do jatinho para nos dar saída. Percebi que a blusa dele estava vestida ao avesso, e que não estava assim antes de embarcarmos em Port Angeles. Preferi não pensar no que ele e Rose poderiam ter feito na cabine do piloto, me recusando a imaginar a vida sexual do meu irmão. Já bastava ouvi-los quase todos os dias.
É, super audição tem seu lado ruim.
Havia um carro nos esperando no estacionamento do aeroporto particular de Seattle. Emmett dirigiu-o de lá até uma das boates mais badaladas do lugar, que, apesar de estarmos em pleno dia de semana, estava apinhada de jovens.
Escolhíamos esses lugares para nos alimentar porque era onde as pessoas ficavam mais vulneráveis. A combinação "bebida-sexo" sempre estava presente, fazendo os humanos se tornarem presas fáceis para os vampiros irresistivelmente lindos.
Ignorando a fila gigantesca que se formava na porta da boate, nos dirigimos à entrada, onde Emmett apenas falou com o segurança, que sorriu para ele e nos deixou passar sem problemas.
A música alta atravessou meus tímpanos assim que passei pela porta. O lugar estava como eu lembrava: mal iluminado e cheio de sangue disponível. Imediatamente nos separamos, os casais indo juntos para qualquer ponto da boate e eu indo caçar sozinho, obviamente.
Por uma questão de princípios, eu bebia apenas o sangue de mulheres, mas nunca o suficiente para matá-las. Eu gostava de seduzi-las, levá-las para a cama e beber o sangue enquanto transava. Isso era, ao mesmo tempo, um álibi e um prazer. Um álibi porque, com a rápida cicatrização, elas mal percebiam que eu havia tirado sangue. Um prazer porque... bem, essa parte dispensa explicações.
Mas hoje eu não me sentia especialmente atraído pela idéia. Eu nem estava com sede, para começo de conversa. Eu sabia, porém, que esta não era a razão pela qual eu não queria nenhuma mulher daquela boate.
A razão verdadeira estava em Forks, provavelmente fazendo alguma coisa com o melhor amigo, na casa deles em La Push.
Independente das minhas razões e vontades, eu sabia que deveria me alimentar um pouco. Depois de hoje, a próxima caçada provavelmente iria demorar.
Fui até o bar, pedindo um whisky sem gelo e me escorando no balcão para olhar em volta. Rapidamente visualizei uma mulher sozinha, remexendo seu Martini, sentada em dos bancos altos do balcão. Ela usava um vestido simples, preto, marcando seu corpo nos lugares certos. Seus cabelos estavam soltos, formando uma cortina em volta de seu rosto, deixando-o parcialmente coberto.
― Posso fazer companhia? ― sussurrei em seu ouvido, adorando sua reação assustada e, ao mesmo tempo, deslumbrada ao me encarar.
― C-c-c-claro ― ela murmurou atordoada, mesmo sabendo que eu, normalmente, não poderia tê-la ouvido no meio daquele barulho todo.
― O que uma mulher tão linda faz aqui sozinha? ― perguntei, sentando no banco ao seu lado e me aproximando o suficiente para roçar meu hálito em seu rosto.
Ela levou um minuto para se recuperar e conseguir responder.
― Se eu fosse mesmo linda assim, não estaria sozinha ― ela respondeu, voltando a encarar o próprio Martini.
Esse é o problema dos homens hoje em dia. Muitos deles não tem coragem o suficiente para convidar uma mulher para sair ou até mesmo para uma dança. A conseqüência disso é que elas acabam pensando que o problema está nelas, não neles, os babacas covardes.
― Pois eu vou te convidar para uma dança e te provar que você é uma das mulheres mais encantadoras deste lugar ― informei a ela, concluindo a frase com uma piscadela e sorrindo torto.
Ela piscou algumas vezes atordoada antes de responder.
― E por que você faria isso? ― ela perguntou, me encarando com o cenho franzido.
Havia várias razões pelas quais eu estava fazendo aquilo. A principal seria, talvez, porque ela tinha o formato dos olhos parecido com os de Bella. Ou seu perfume, que me parecia vagamente familiar. Mas creio que nenhuma dessas explicações seria muito esclarecedora para ela, então improvisei.
― Não pergunte, apenas aceite o convite ― falei em seu ouvido, imediatamente levantando e oferecendo uma mão a ela.
Ela sorriu tímida antes de aceitar, mas acabou pegando a mão que eu estava oferecendo, não parecendo se incomodar com a baixa temperatura do meu corpo. Conduzi-a para o centro da pista de dança, colando nossos corpos quando consegui um espaço para dançarmos juntos. Ela era apenas um pouco mais baixa que eu, logo, seu ventre estava quase na direção do meu. Devo ressaltar que o pano fino do vestido preto que ela usava deixava muito pouco do seu corpo fora do meu tato.
Flexionei levemente as pernas, encaixando seu corpo no centro do meu e envolvendo sua cintura com um dos braços, enquanto firmava a outra mão em seus quadris e guiava seus movimentos no ritmo da música.
Friccionei nossos sexos no ritmo da batida eletrônica da música agitada, prendendo seu olhar com o meu e deixando nossos lábios a dois centímetros de se tocarem. Um sorriso torto meu, ao vê-la percorrer meu corpo com um olhar faminto, foi o suficiente para nossas bocas se encontrarem em um beijo violento.
Suas mãos se infiltraram em meus cabelos, me puxando para si com o que eu imaginava ser toda a sua força. Esfreguei sem pudor minha ereção em seu sexo, arrancando um gemido de sua garganta.
― Vamos sair daqui ― ela murmurou em meu ouvido, me puxando pela gola da camisa.
Ela me conduziu a uma parte mais escura da boate e eu logo percebi que não éramos o único casal do lugar. Joguei seu corpo em uma pilastra particularmente afastada da pista de dança, e que não recebia quase nenhuma luz do lugar.
Minhas mãos foram parar uma em cada seio, fazendo-a gritar em desespero, mesmo que mais ninguém ali pudesse ouvir. Cobri sua boca mais uma vez com a minha, logo traçando beijos pelo seu queixo, fazendo o contorno do maxilar com pequenas mordidas, até chegar ao pescoço.
Subi um pouco até seu ouvido, precisava fazer uma pergunta antes de me alimentar.
― Qual seu nome? ― grunhi em seu ouvido, gemendo quando uma de suas mãos envolveu meu membro rijo por cima da calça.
― I-i-isabella ― ela respondeu e eu virei uma estátua.
Parei de beijar seu pescoço apenas para encará-la. Conseguia distinguir perfeitamente seu rosto, apesar da escuridão do local, e ela era pura frustração.
― Isabella do quê? ― insisti.
― Martinez, por quê?
Realmente, "por quê"? Não fazia idéia de porque havia feito essa pergunta. Claro que não podia ser Bella, a minha Bella, nem ninguém que conhecesse ela.
Sorri torto para a mulher à minha frente, voltando a beijar seu pescoço, descendo as duas mãos até suas nádegas, infiltrando-as no vestido e apertando a região com força, colando inteiramente nossos corpos.
― Por nada, Srta. Isabella ― murmurei, antes de cravar meus dentes em seu pescoço.
Eu sabia que ela não sentiria a dor, pois, neste exato instante, eu tirei meu membro da calça e apenas levantei seu vestido, afastando a calcinha e penetrando-a num só impulso, fazendo seu corpo se chocar à parede em suas costas. Suas pernas, automaticamente, envolveram meus quadris, aumentando o contato entre nossos corpos.
Isabella arqueou a cabeça para trás, chocando-a contra a pilastra no movimento, e me dando um ângulo melhor para chupar seu pescoço.
Concentrei-me apenas em fazer os movimentos de vai e vem dentro dela, mantendo uma mão em sua cintura e fazendo-a rebolar em meu ritmo. Suguei mais um pouco de seu sangue e lambi a mordida, para acelerar a cicatrização, um pouco antes de ela gozar, apertando meu membro dentro de si.
Com uma última estocada, libertei meu líquido dentro dela, murmurando "Bella" enquanto gozava. Bem, ela não era exatamente a Isabella que eu tinha em mente, mas ela também não precisava saber disso.
Saí de dentro dela, depositando seu corpo com cuidado no chão e esperando ela se firmar nos próprios pés antes de soltá-la.
― Wow ― ela murmurou, imaginando que eu não podia ouvir. ― Isso foi... Wow.
Sorri torto e, com um beijo rápido em sua bochecha, me afastei. Senti, porém, alguém segurar meu pulso e me voltei, apenas para ver Isabella me encarando.
― Não sei seu nome ― ela gritou para ser ouvida.
― Isso não importa ― gritei de volta. ― Você é uma mulher linda, curta a sua noite.
E eu me afastei, desta vez sem ser detido.
O celular vibrou em meu bolso e eu peguei, vendo uma mensagem de Alice.
"Estamos na porta de trás, apenas esperando por você. Eu sei que você já acabou. Venha agora ou não voltaremos a tempo de ir para a escola."
Perder a escola decididamente não estava nos meus planos. Não agora que eu sabia como era gozar murmurando "Bella".
Era a melhor coisa do mundo. E eu suspeitava que fosse ainda melhor se feito com a Bella certa.
(N/A: Ok, eu estou lendo os pensamentos de vocês: tem muita gente aí querendo me matar.
Mas, antes que eu receba reviews impróprios para com a minha pessoa (leia-se: me xingando), quero lembrar duas coisas:
Meu Edward não é o bonzinho da Stephenie.
Ele ainda não tem nada sério com a Bella [portanto, não traiu ela]
E, acreditem em mim, no próximo capítulo vocês vão entender porque ele teve que fazer sexo com a mulher, porque ele não a matou nem transformou enquanto tirou sangue.
Agradeço muito a paciência de vocês em esperar os capítulos e espero que tenham um pouco de paciência também para esperar o próximo.
Preciso dos reviews, amores. Me digam o que acharam do POV Edward, se querem que tenha mais POV's dele [acho que vou fazer, mesmo que vocês digam não :P], o que eu deveria mudar e... bem, me xinguem, eu aguento. :D
Beijos. o/)
