16 – Correndo Riscos
Ouvi passos nos alcançarem e logo reconheci James. Pensei que ele teria a decência de passar direto e não interromper a mim e Edward. Mas é claro que ele não ia perder essa oportunidade.
― Tudo bem, Bella, eu deixo, só discordo em uma coisa ― James disse, me obrigando a parar de beijar Edward e olhar para ele.
― O que é? ― perguntei, um tanto brusca.
― Edward não vai dormir aqui, pelo simples motivo que ele não dorme ― ele respondeu, uma expressão de sarcasmo em seu rosto.
Revirei os olhos para o céu e enterrei meu rosto na curva do pescoço de Edward.
― É uma força de expressão, seu cabeçudo ― respondi, desnecessariamente, com a voz abafada, ouvindo a risada suave de Edward.
― Eu sei, Bellinha, fica tranqüila. Vou liberar a casa para vocês. ― Ouvi os passos de James atravessarem a pista e pararem perto de mim. ― Já que não vai usar seu carro, será que poderia...
― Como se eu não soubesse que você ia pedir isso ― falei, finalmente voltando a olhar para James, que me encarava com uma expressão perversa. Peguei a chave e joguei para ele, que pegou-a como uma criança que ganha o presente de Natal. ― Tenha cuidado, por favor.
― Eu sempre tenho ― ele respondeu, piscando para mim. ― Agora será que podem me dar licença?
Eu e Edward nos desencostamos do carro e James entrou, arrancando em menos de dez segundos. Grunhi, pensando no que ele poderia fazer com o meu querido carro.
― Relaxe, querida ― Edward disse, me envolvendo por trás com seus braços. ― Ele gosta desse carro tanto quanto você.
― Espero que sim. Vamos entrar?
Edward assentiu e nós entramos. Quando chegamos ao meu quarto, um silêncio anormal havia caído sobre nós dois. Era estranho, mas agora eu já não sabia como me comportar perto dele.
Sentei na cama e fiquei observando seus movimentos, explorando meu quarto até se deter na pilha de CD's, sobre uma mesa.
― Você tem uma coleção interessante ― ele observou, puxando um CD antigo da pilha.
Não respondi, continuando a observá-lo. Ele passou dos CD's para alguns livros que eu gostava de manter perto de mim, erguendo uma sobrancelha ao ver vários livros de filosofia. Não fiz nenhum comentário quando ele pegou "O Pequeno Príncipe" para folhear, abrindo em uma página específica e lendo algo em voz baixa.
― "Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos".
Ele terminou de ler e sorriu para mim, largando o livro de qualquer jeito na mesa e vindo em minha direção. Edward apoiou os braços em minha perna, descendo o corpo até que nossos olhos estivessem à mesma altura.
― Você sabe enxergar com o coração, Bella? ― ele sussurrou, seu hálito beijando meu rosto.
― Talvez você esteja me ensinando ― respondi, fixando o olhar em seus lábios convidativos, a apenas alguns centímetros de distância dos meus.
Suas mãos, antes apoiadas perto dos meus joelhos, começaram a trilhar um caminho perigoso para cima, parando ameaçadoramente perto da minha virilha, os dedos longos quase tocando meu sexo.
Ficamos um segundo interminável parados naquela posição, um sentindo a respiração do outro, os lábios muito próximos. Se eu tivesse um coração vivo, provavelmente estaria batendo freneticamente antecipando nossos próximos movimentos.
Quando nossos lábios finalmente se encontraram havia muito mais do que desejo no beijo. Havia quase um desespero, um carinho, uma vontade de unir cada vez mais nossas bocas, ultrapassar o limite do impossível. Sua língua procurava avidamente pela minha, explorando minha boca com minúcia, enquanto seus dedos desabotoavam minha calça com facilidade, adentrando a roupa habilmente, tocando o sexo exposto sem nenhum pudor.
Dois dedos seus encontraram minha entrada úmida, não perdendo tempo em me adentrar. Cravei minhas unhas na nuca de Edward, ao mesmo tempo em que sua outra mão invadia minha blusa, apertando meu seio com força, o que só fez aumentar meu desejo. Ele parou de me beijar e tirou os dedos de dentro de mim, prendendo meu olhar enquanto levava a mão à boca e sugava todo o meu líquido que estava ali.
Senti meu sexo formigar. Eu não poderia agüentar muito mais.
― Tire suas roupas ― ordenei, minha voz saindo rouca pela luxúria.
Edward não perdeu tempo em obedecer, tirando calça e camisa em questão de segundos. Eu ainda estava sentada na beira da cama, então apenas chutei a calça jeans para qualquer lugar, abrindo as pernas para receber Edward entre elas. Ele se ajoelhou à minha frente, puxando meu corpo mais para perto de si, até que nossos sexos estivessem à mesma altura.
Colocando uma mão em cada perna minha, Edward me segurou com força, ao mesmo tempo em que tomava meus lábios nos seus, em um beijo violento e cheio de desejo. Seu membro brincava em minha entrada, até que suas mãos puxaram com força meu corpo de encontro ao seu, fazendo-o me penetrar de uma vez só, um grito alto meu sendo abafado por sua boca.
Suas mãos continuavam em minhas pernas, mantendo-as abertas o suficiente para que seu membro pudesse entrar e sair com facilidade. Apoiei meus braços atrás do corpo, na cama, e Edward começou a estocar cada vez mais forte e rápido, fazendo nossos corpos balançarem com violência, o barulho do choque de nossos sexos ecoando alto pelo quarto.
Com duas estocadas particularmente fortes, vi Edward gozar, falando meu nome incontáveis vezes. Ele continuou estocando, aumentando a velocidade, até que senti os tremores começarem a percorrer meu corpo com intensidade e apenas deixei a sensação me levar, jogando a cabeça para trás e gemendo alto quando o orgasmo potente me atingiu.
Edward empurrou meu corpo levemente para trás e, sem sair de dentro de mim, deitou-me na cama. Beijou meus lábios lentamente, como se estivesse procurando gravar meu gosto. Levei minhas mãos à sua nuca e, deixando minha mente aberta, ouvi seus pensamentos fluírem através de mim.
"Eu sei que não devo, mas eu quero amar você... Eu vou me machucar, mas, Deus, você é tão perfeita, Isabella"
Sorri em sua boca e ele parou de me beijar, me encarando com uma sobrancelha erguida.
― Não seja tão precipitado ― falei, acariciando seu rosto com carinho.
― O qu... ― ele parou no meio da interrogação. ― Ah. Certo. Você ouviu.
― Sim. Você sabe que eu não vou retribuir, não é mesmo? Você realmente vai se machucar.
Ele continuou me encarando e, pegando minha mão entre as suas, falou comigo em seus pensamentos.
"Vale a pena correr o risco"
Sorri para ele e toquei seus lábios com os meus. O beijo carinhoso logo acelerou, e não demorou muito para que o desejo nos consumisse novamente.
Aquela noite, nós não conversamos sobre nenhuma de nossas diferenças; não nos preocupamos com o que iria acontecer depois, ou com o quanto aquilo poderia ser perigoso para ambos. Perigoso para ele, que iria sair machucado caso se deixasse envolver; perigoso para mim, que não sabia o quanto deveria me envolver, ou o quanto deveria deixar Edward se envolver.
Nós apenas aproveitamos a noite como dois amantes que não perdiam o fôlego e o desejo. Cedemos completamente à nossa luxúria, ao calor que nos envolvia a cada toque. À cada pensamento "impuro" que eu pegava de Edward, começávamos tudo de novo, sem preocupação com o tempo ou o espaço.
Éramos nós dois. E só.
― Acho que devemos nos arrumar agora ― Edward murmurou.
Edward estava do lado de fora da varanda, encostado à porta, comigo aninhada em seus braços. Suas mãos deslizavam em meu cabelo, da raiz à ponta dos fios, provocando um arrepio gostoso quando ele, sem querer, tocava algum pedaço da minha pele.
― E eu acho que não devemos ir à aula hoje ― respondi, enterrando meu rosto na curva de seu pescoço.
Edward riu, fazendo nossos corpos balançarem juntos.
― Bella, Bella, não me tente.
Suspirei. Ele tinha razão.
― Tudo bem, vou bancar a responsável hoje. Wir¹.
Nos arrumamos rapidamente, mas havia um pequeno problema me incomodando.
― Você vai com a mesma roupa para a aula hoje? ― perguntei a Edward enquanto saíamos para a manhã chuvosa.
― Não. Você vai para a aula e eu vou em casa, trocar de roupa ― ele respondeu, jogando as mãos casualmente para dentro dos bolsos.
― Quer que eu o deixe em casa? ― sugeri, mas quando parei para pensar no que havia dito, percebi que não fora uma boa idéia.
― Seria uma ótima idéia ― ele comentou, deixando uma pontada fina de ironia transparecer ―, mas Alice está vindo me buscar.
― Tudo bem, então ― respondi, mais por não saber o que dizer.
Chegamos à porta do meu carro e ele me deteve antes que eu conseguisse abrir-la. Procurei seus olhos e eles me tentavam a fazer algo bem irresponsável. Suas mãos subindo pelos meus quadris e me puxando de encontro a seu corpo também não me ajudavam a ser racional.
Seus lábios tomaram os meus em um beijo sem pressa, nossas línguas se procurando em uma dança que já era familiar para ambos. Ele parou de me beijar apenas para ficar me olhando, como se admirasse algo muito raro. Procurei suas mãos, apenas para ler o que ele estava pensando, e não pude conter o sorriso quando entendi o motivo daquele olhar.
― Você... ― Mas o barulho do carro de Alice me interrompeu. ― Nos vemos depois ― falei, depositando um beijo rápido em seus lábios.
Alice acenou para mim do carro e eu acenei de volta. Quando eles se foram, James apareceu atrás de mim.
― Bella, precisamos conversar ― ele falou, e seu tom era tão sério que eu instantaneamente fiquei alarmada.
― Ok, entre no carro ― respondi, e ele fez o que eu disse.
Assim que pegamos a estrada para sair da Reserva, James voltou a falar.
― Victoria me encontrou ontem ― ele começou, torcendo os dedos sobre as pernas. ― Eu estava indo para a casa de Angela e Victoria estava me esperando no caminho.
― Ela estava perto da casa da Angela esperando você? ― repeti, preocupada com essa informação.
― Sim. Disse que precisava conversar comigo sobre Angela.
― E o que ela disse? ― insisti, temendo a resposta.
― Disse que se eu não me separasse de Angela, iria me denunciar para os Volturi ― ele soltou e sua voz era apenas um murmúrio.
― Para os Volturi? Victoria enlouqueceu? ― Minha voz soava uma oitava acima, tamanho era o meu nervosismo.
― Tecnicamente, ela nunca foi muito equilibrada. Mas simplesmente não conseguiu aceitar quando eu disse que queria ficar com Angela. Ela disse que eu era dela e que se eu não quisesse ficar com ela, iria denunciar aos Volturi que uma humana sabia do nosso segredo. ― A voz dele estava muito mais grave que de costume quando ele acabou de falar. ― Não pensei que Victoria fosse capaz disso ― ele completou.
Eu conhecera os Volturi, uma espécie de "polícia dos vampiros", em uma das viagens que fiz à Itália. Óbvio que a minha memória de vampira nunca me deixaria esquecer aquilo. Saí de lá com apenas uma conclusão: eles não eram pessoas amigáveis. Aro, particularmente, não ficou nem um pouco feliz com a minha visita, já que eu não tinha nada a oferecer a ele, por não ter nenhum dom visível.
E o principal é que eles não costumavam ser tolerantes com as pessoas que descobriam o segredo da existência dos vampiros. Havia duas saídas: ou eles matavam a pessoa, ou a transformavam. Com a ressalva de que a primeira saída era quase sempre a vitoriosa. Só nos casos mais raros, quando os Volturi tivessem alguma consideração pelo vampiro que deixou escapar o segredo, eles concediam que a pessoa fosse apenas transformada.
― O que você disse a Victoria? ― perguntei, fazendo as curvas da estrada mais devagar, para dar tempo de conversarmos antes de chegar à escola.
― Pedi que ela não fizesse isso, é claro ― ele respondeu na defensiva. ― Por tudo o que já vivemos, que ela apenas aceitasse que eu havia encontrado outra pessoa. Que ela poderia encontrar também e que não precisava terminar assim.
― James, você não está fazendo muito sentido para mim. Pensei que você amasse Victoria e largasse qualquer coisa por ela. Agora você se põe contra ela por causa de uma pessoa que acabou de conhecer ― acusei.
― Eu pensei que amasse Victoria, sim ― ele respondeu, mais uma vez na defensiva. ― Mas eu amava a Victoria que me aceitava como eu era. Eu amava a mulher que não queria me mudar.
― Victoria tentou mudar você? ― inquiri, assustada.
― Eu não contei para você, mas a encontrei em um dia desses que você ficou ensaiando até mais tarde ― ele falava tão baixo que um humano com certeza não conseguiria captar o som. ― Ela pediu que eu fosse com ela, que largasse você e essa "dieta vegetariana sem graça" ― ele fez as aspas no ar ―, mas é óbvio que eu não aceitei. Disse que se ela não me quisesse como eu era agora, não haveria acordo. E ela não quis.
Percebi que eu conhecia – e talvez até entendesse – um pouco dessa história. Só que, no meu caso e de Edward, eu abri mão de tentar mudá-lo, mesmo sem entender o porquê de ter feito isso. E agora essa atitude fazia ainda menos sentido. Por que, se Victoria amava mesmo James, ela não foi capaz de aceitá-lo como ele é, mas eu, que não amo Edward, fui capaz de fazer isso?
― Você ama Angela? ― perguntei, a única coisa que me veio à mente àquela hora.
― Sou capaz de lutar contra os Volturi para mantê-la viva, se isso for preciso ― ele respondeu, e dessa vez não havia medo ou incerteza em sua voz. ― Eu sei que já quis que Victoria mudasse, mas... Era para o bem dela ― ele concluiu, com um suspiro. ― Bella, eu disse isso a você apenas para mantê-la em alerta. Não sei se Victoria realmente terá coragem de fazer isso.
― Vamos ter cuidado, de qualquer forma ― respondi, entrando na rua da escola. ― Angela já sabe disso?
― Não quis contar a ela ontem. Mas hoje mesmo ela ficará sabendo.
― Certo. Boa aula, cabeção.
― Boa aula, Bellinha. ― Ele deu um beijo em meu rosto e saiu do carro.
O carro de Edward ainda não estava por ali. Faltavam apenas cinco minutos para a aula começar e, como tínhamos a primeira aula juntos, decidi esperá-lo na sala.
E ele chegou dez minutos atrasado. Sentou ao meu lado, plantando um beijo em minha bochecha, recebendo um olhar furioso de algumas garotas. Sorri para ele, murmurando um "por que você se atrasou?", que ele respondeu apenas com "depois conversamos", pois o professor já estava de olho em nós dois.
Mas nós não tivemos tempo de conversar depois, porque ele saiu correndo quando Alice o chamou à porta da sala para falar algo. Os dois foram para algum lugar fora do meu campo de audição, então não pude saber do que se tratava. Na aula de Educação Física, no entanto, ele não teria como fugir de mim.
Ele, entretanto, fugiu. O professor escolheu aquele dia para nos fazer jogar vôlei, de forma que passamos a aula inteira ocupados, sem chances de eu conseguir perguntar algo a Edward. Estava começando a achar que ele poderia estar evitando me dizer alguma coisa, pois ele se afastava cada vez que eu chegava perto e não me deixava tocá-lo, em hipótese alguma.
Mas hoje nós teríamos ensaios. Duas horas inteiras com ele. Ele não teria como escapar.
O ensaio já estava acabando e eu não conseguira falar com Edward. A professora estava aqui hoje e não nos deixou a sós por um segundo sequer, fazendo-nos ensaiar várias cenas. Hoje ela estava com pressa, pois achava que havíamos ensaiado pouco e a peça já estava perto.
Faltava mais de duas semanas para o espetáculo.
Qual não foi minha surpresa quando, ao acabar o ensaio, Edward pediu para falar comigo antes de irmos embora.
― Você aceitaria se eu fizesse um convite? ― ele perguntou, parecendo realmente apreensivo.
― Depende do convite ― respondi, destravando as portas do meu carro.
― Quero que vá até a minha casa. ― Abri a boca para objetar, mas ele não deixou. ― Não tem ninguém lá. Todos saíram para caçar e só voltam amanhã pela manhã.
― Mas eles, obviamente, vão saber que eu fui lá.
― E daí? Eu moro lá também, Bella. ― Ele puxou de encontro ao seu corpo e eu envolvi meus braços em seu pescoço. ― O que eu preciso fazer para convencê-la a vir comigo?
Não respondi, preferindo beijar seus lábios vermelhos, percebendo naquele instante que já estava com saudade de seu gosto. O beijo começou lento, mas logo ele estava imprensando meu corpo à lataria do carro e percorrendo minha barriga com dedos quentes, deixando um rastro de calor por onde tocava.
Interrompi o beijo, lembrando que ainda estávamos no estacionamento da escola.
― Tudo bem, você já me convenceu ― disse, passando a mão nos cabelos.
Edward apenas sorriu e nós entramos no meu carro.
Mal podia acreditar que estava fazendo aquilo. Quem um dia iria dizer que eu iria à casa de Carlisle por vontade própria? Só esperava não me arrepender amargamente de ter aceitado a idéia maluca de Edward.
― Por que chegou atrasado hoje? ― perguntei, não conseguindo mais conter a pergunta.
― Estava resolvendo alguns problemas ― ele respondeu, vago.
― Algo que me diga respeito?
A resposta demorou e eu cogitei se ele não estaria decidindo o que deveria me dizer. Ou arrumando uma boa desculpa para não dar a resposta correta.
― Por enquanto, não ― ele disse, finalmente, não me convencendo nem um pouco dessa resposta.
Permanecemos em silêncio após isso, apenas quebrando quando ele me indicava o caminho. Eu realmente não fazia idéia de onde os Cullen poderiam morar. E não era nada perto da cidade ou das outras casas: a estrada que levava à casa era a mesma que levava para a saída de Forks. Uma trilha se abria ao lado da estrada e, entrando ali, Edward me indicou a casa de Carlisle.
Estacionei na entrada, logo analisando cada detalhe da casa por fora. Era um lugar estranho. Nada parecido com a minha casa na Reserva. Havia paredes de vidro, de onde era possível ver uma decoração extremamente moderna e impessoal. Bem a cara de Carlisle, mas nada parecido com Alice ou Edward.
― Bem vinda ― Edward disse, segurando a porta para que eu passasse.
Por dentro, a casa era ainda mais impessoal e estranha. Os móveis eram extremamente espaçados, todos brancos ou pretos. Sem graça.
― Olhando assim, nem parece que Alice mora nessa casa ― comentei enquanto Edward acendia algumas luzes.
― Carlisle nunca deixou ela mexer na decoração da casa. Mas você deveria dar uma boa olhada no quarto dela e de Jasper antes de pensar isso ― ele respondeu, subindo as escadas e fazendo um gesto para que eu o acompanhasse. ― Não vou tirar dela o direito de mostrá-lo a você. Ela ficaria magoada ― ele disse, passando direto pelo corredor do andar de cima, até chegar à última porta, que ele abriu sem tirar os olhos de mim. ― Meu quarto.
― Nossa, você realmente não perde tempo ― não pude deixar de falar e ele riu.
― Na verdade, é apenas porque tenho algo a dar a você. Sente, por favor ― ele falou, saindo momentaneamente do quarto e entrando no que eu achava ser o banheiro.
Sentei na cama, aproveitando para apreender cada detalhe daquele ambiente. O quarto dele era exatamente como eu imaginava. Metodicamente arrumado, com uma coleção enorme de CD's e livros, pôsteres de carros e times de beisebol nas paredes.
Quando voltou, vi que havia uma espécie de caixa comprida em suas mãos. Ele rapidamente escondeu a caixa atrás do corpo, antes que eu pudesse decifrar o que havia dentro.
― Não vai me mostrar o que tem aí? ― perguntei e recebi um sorriso torto.
― Você já vai saber. Mas antes... ― Ele depositou a caixa em uma escrivaninha ali perto e veio até mim, pegando-me pelas mãos e me fazendo ficar de pé. ― Quero que saiba que você mudou minha existência, Bella. Eu não sei se o que temos aqui é eterno, apesar de eu estar disposto a dar o meu melhor para que seja, mas vai ser eterno para mim. Mesmo que eu esteja sendo precipitado, mesmo que você um dia me esqueça, vá embora e tente me deixar para trás; mesmo que tudo isso aconteça, eu jamais esquecerei você e as coisas que me ensinou.
Eu não precisava estar lendo seus pensamentos para saber que suas palavras eram sinceras. Seu olhar transparecia verdade a cada palavra e a forma como suas mãos seguravam as minhas me dizia que ele não mentiria sobre aquilo; que as palavras vinham do coração, e não simplesmente da razão.
― Por que está me dizendo isso agora? ― perguntei, sabendo que não era o adequado a se dizer naquele momento.
― Porque eu estou apaixonado demais por você, Isabella ― ele respondeu, simplesmente, soltando minha mão esquerda e levando a sua até meu rosto. ― Mas eu sei que não deveria. Há coisas sobre você que eu não entendo e, por isso, tenho medo que você me deixe aqui se decidir que o melhor para você é ficar longe de Forks.
Mais uma vez, eu estava sentindo o quanto aquelas palavras soavam verdadeiras. Eu não poderia dizer até que ponto Edward estava certo. Há algum tempo, se eu visse que realmente não deveria ficar em Forks, não pensaria duas vezes em me mudar daqui. Mas agora, depois de conhecer Edward e dessa conexão estranha que havia entre nós, será que eu realmente estaria pronta para me afastar daqui a qualquer hora e deixá-lo para trás?
― Eu não acho que seria capaz de deixá-lo para trás ― falei, minha voz saindo menos que um sussurro. Levantei a mão que ele havia soltado e toquei seu rosto com as pontas dos dedos. ― Eu também estou apaixonada por você, Edward. ― Me surpreendi ao ver que aquela era a primeira vez que eu admitia aquilo, tanto para mim quanto para ele. ― Não pretendo deixá-lo. Não tenha medo.
Ele tocou meus lábios com os seus, apenas aproveitando o contato de nossas bocas, sem aprofundar o beijo. Sua língua fez o contorno do meu lábio inferior, provocando uma cócega gostosa, mas antes que eu pudesse continuar o beijo, ele interrompeu o contato, indo até a escrivaninha e pegando a caixa preta.
― Mesmo assim, eu quero que fique com isto. ― Ele me ofereceu a caixa, mas eu não a abri imediatamente. ― É apenas uma lembrança. Para que, se um dia você for embora ou precisarmos nos separar, você não esqueça que estarei sempre aqui por você.
Lancei um último olhar a ele antes de abrir a caixa de veludo. Contive uma exclamação quando vi seu conteúdo.
― É... Lindo ― falei, simplesmente.
Tratava-se de um cordão contendo um pingente em forma de flor, cravado em diamantes. Mesmo a delicadeza da jóia não deixava esconder seu valor. Era uma das jóias mais bonitas que eu já havia visto na vida.
― Obrigada ― falei a Edward, que sorria bobamente para mim. ― Pode colocar?
Ele pegou o cordão de minhas mãos e abriu o fecho habilidosamente. Dei-lhe as costas, segurando o cabelo para o lado enquanto ele prendia o fecho. Um beijo molhado e suave foi depositado em meu pescoço, fazendo um calafrio percorrer minha coluna. Virei de frente para ele e Edward tinha um brilho diferente nos olhos.
Novamente seus lábios encontraram os meus, mas dessa vez havia pressa. Uma espécie de urgência repentina de suas mãos por meu corpo, o beijo sendo intensificado com rapidez, sua mão se infiltrando em minha nuca e puxando com força meus cabelos.
Minhas mãos criaram vida própria, adentrando sua camisa e percorrendo seu tórax, arranhando levemente quando uma de suas mãos desceu até uma nádega minha, apertando-a sem nenhum carinho.
Estava prestes a arrancar sua blusa, quando som de um carro dobrando a estrada para pegar a trilha cessou todos os meus movimentos.
― Quem...? ― comecei a perguntar, mas Edward praguejando baixinho dispensou qualquer interrogação. ― É Carlisle?
― O próprio ― Edward respondeu, desarrumando os cabelos nervosamente. ― Merda! Alice garantiu que ninguém voltaria aqui até amanhã de manhã.
Eu estava tão desapontada quanto ele. Não só Carlisle interrompera uma noite que prometia ser perfeita, quanto me encontraria em sua casa. Eu tinha plena convicção que aquilo não era nada bom e que ele não ia deixar barato.
― É melhor descermos ― Edward falou, segurando a porta aberta para mim.
Descemos as escadas juntos, sem trocar uma palavra sequer. Eu me sentia apreensiva, quase nervosa.
Quando chegamos ao primeiro andar, o carro de Carlisle estava estacionando na entrada. Edward sentou displicentemente no sofá, me chamando para sentar ao seu lado e ligando a televisão.
Carlisle entrou, eu percebi, com mais fúria do que teria entrado normalmente, se eu não estivesse ali.
― O que está fazendo aqui? ― ele perguntou, sem rodeios, parando em frente ao sofá onde eu e Edward estávamos.
― Eu... ― comecei a explicar, mas Edward me interrompeu.
― Ela veio porque eu pedi. Pensamos que não haveria ninguém em casa ― ele explicou com a voz calma, pegando gentilmente uma de minhas mãos entre as suas. ― Alice nos garantiu que não haveria ninguém aqui. Por que você não foi caçar com eles?
Em sua mente, as verdadeiras palavras eram "O que diabos deu errado na visão de Alice? Ela me ajuda a planejar a noite perfeita e depois ela mesma estraga tudo!"
― Tive coisas mais importantes a resolver na cidade. Posso caçar depois. ― Enquanto ele falava, seu olhar acompanhava os dedos de Edward massageando minhas mão em círculos. ― Mas isso não lhe dava o direito de trazer essa garota para cá.
― Essa garota tem nome ― falei, sem consegui me conter.
― Essa garota ― Carlisle repetiu, aproximando-se mais de mim ― não é bem vinda nesta casa.
― Por quê? Tem medo que eu estrague a mentira tão bem ensaiada que você contou a eles? ― provoquei, levantando do sofá para encará-lo melhor.
― Você está indo longe demais ― Carlisle respondeu, seus olhos cintilando perigosamente para mim, sua boca se crispando em uma linha fina de raiva.
― Eu não seria a primeira de nós dois a ir longe demais com algo ― rebati, aproximando-me um pouco mais de seu rosto.
― Cale a boca, Isabella. Você continua sendo a criança mimada que não sabe o que está fazendo ― ele bradou com raiva.
― Eu sei muito bem o que estou fazendo, Carlisle Cullen ― respondi, colocando toda a raiva que eu sentia dele em minha voz. ― Mas você, tenha cuidado. Todas as mentiras um dia acabam caindo.
― A única mentirosa aqui é você ― ele rebateu.
― Idiota! ― bradei, levantando a mão a fim de acertar um murro no meio do rosto daquele infeliz. Mas Edward segurou meu braço a tempo de evitar que eu conseguisse acertar Carlisle. ― Me solta, Edward, que droga! ― gritei, mas ele tinha mais força e não cedeu nem um pouco seu aperto em meu braço.
― Chega, Bella ― ele falou em meu ouvido, me puxando em direção à porta. ― Vamos para sua casa.
― Isso, sumam daqui, os dois, agora mesmo ― Carlisle concordou, apontando um dedo em minha direção antes de falar pela última vez. ― Nunca mais apareça aqui. Ouviu? Nunca mais.
― Figlio de una puttana²! ― xinguei, sabendo que ele sabia italiano o suficiente para saber o que eu dizia.
Com um último olhar de desprezo, saí da casa, deixando um Carlisle furioso para trás.
1 – Vamos, em alemão
2 – Filho da puta, em italiano
(N/A:
Oláaaaaa, pessoal!
Quanto tempo, hein? Estava com saudades daqui. Saudades de escrever, de postar, falar com vocês...
É tão bom voltar a escrever!
Já sabem o que fazer: reviews fazem a força!
Um aviso básico antes: a fic já está se encaminhando para o fim... Não sei exatamente com quantos capítulos vou acabar, mas falta pouco. Quando estiver no penúltimo, avisarei. :D
Beijos.)
