IV – RESGATE
Notas: O capítulo contém cenas muito pesadas, com sexo, violência e estupro. Se não gosta ou não tem a idade suficiente, por favor, NÃO leia!
_ O que pensam que estão fazendo? – debatia-se, tentando se soltar, mas era inútil. Seus pulsos e tornozelos estavam atados por grossas cordas ao redor de uma mesa de madeira circular. Sua camisa fora rasgada e um pentagrama fora desenhado em seu peito.
Desenhado com sangue arrancado de si.
_ O que vão fazer? – gritava assustado, mas os três homens ao seu redor nada diziam.
Desenhos eram feitos no chão, ao redor da mesa. Não podia vê-los, mas não parecia coisa boa. Maldita hora que decidira entrar naquela gangue! Eram os mais temidos da cidade e agora sabia de onde vinha a fama. Eles não levavam nada na brincadeira. Entrar no grupo era uma escolha para a vida toda. Aquele seria o seu ritual de iniciação, mas não tinha a mínima noção do que fariam consigo.
_ Hei! Falem alguma coisa! – berrou, tentando chamar-lhes a atenção, mas foi ignorado completamente.
Após terminarem os desenhos, dois dos homens encapuzados puseram-se de pé, ao lado dos braços do moreno, enquanto o terceiro subiu em cima da mesa com um punhal em mãos, preto com adornos prateados.
_ Bem vindo ao nosso grupo, garoto! Após o ritual será considerado um irmão para a irmandade. Esse é um contrato eterno, seja para a vida toda ou para a morte, depende do que desejar. – ajoelhou-se tendo o corpo do moreno entre suas pernas, levantou o punhal acima da cabeça, um feixe de luz batendo em sua lâmina, a única iluminação vinda de fora do galpão.
_ Pare! – desesperou-se, debatendo-se mais, as cordas cortando e marcando seus pulsos – Eu não quero isso!
_ Não quer? – suas feições não podiam ser vistas, mas pela voz de escárnio percebeu que não querer não era uma opção – A partir do momento que quis entrar para a gangue, quis que isso acontecesse. Não há voltas!
_ Por favor... – lágrimas brotaram de seus olhos, molhando sua face alva. Não era para ser assim. Só queria ser respeitado. Ser temido. Não queria participar de rituais como aquele.
_ Ora, já está chorando? Nós nem começamos! – esnobou um dos homens que estava ao seu lado, fazendo os outros dois gargalharem.
O homem sobre a mesa desceu a lâmina, ato que fez o moreno fechar os olhos bem apertados. Se fosse pra morrer, pelo menos que fosse rápido. Contudo o golpe não veio. O que sentiu foi uma ardência sobre seu peito desnudo. Abriu os olhos e viu que estavam desenhando nele também, aqueles mesmo símbolos estranhos que estavam fazendo no chão. Os outros dois acenderam velas negras e pousaram no tampo da mesa, duas acima de sua cabeça e duas aos pés.
_ Agora, que se inicie o ritual! – o homem sobre a mesa falou baixo em seu ouvido, ao mesmo tempo em que levava a mão ao seu cinto, desabotoando-o.
_ NÃO! PARE! – debatia-se, chorava e gritava, tinha que sair dali – Por favor! Alguém! Socorro!
_ Não adianta gritar, não tem mais ninguém aqui. – riu um dos encapuzados ao seu lado. _ Por que não tenta aproveitar e se divertir também? – o outro gargalhou maldoso.
_ Não... eu não quero... – sussurrou choroso.
Preferia morrer a passar por aquilo. Sentiu sua calça e sua boxer sendo descidas por seu corpo até chegar aos seus joelhos. Virou o rosto para o lado e fechou os olhos, não queria ver aquela cena e se possível gostaria de não sentir também. Por que não o deixaram inconsciente antes de fazerem aquilo? Sentiu seus joelhos serem afastados e erguidos. Ouviu o outro abrir as próprias calças. Uma mão foi pousada em sua coxa e outra em sua cintura, mantendo-o parado no lugar. Perdeu o fôlego quando seu corpo foi invadido com toda a força que o homem possuía. Conseguiu encontrar um pouco de forças e gritou até sua garganta doer e arranhar. Seu corpo estava sendo partido ao meio. O homem retirou-se de dentro de si e voltou a estocá-lo brutalmente, arrancando sangue no processo. Mais gritos saíam de sua garganta, lágrimas não pararam de rolar por sua face, tentou mexer-se, soltar os braços, porém nada adiantava. Era segurado fortemente contra a mesa. Os outros homens apenas riam da agonia e dor que o moreno sentia. Mal sabia o garoto que eles também fariam parte do "ritual".
_ Só mais algumas, chorão! – avisou o homem com a voz rouca tomada pelo prazer que sentia. Saiu de novo de seu corpo, olhou para os companheiros e após receber um aceno afirmativo, lançou-se para frente, pronto a estocá-lo de novo, mas foi impedido por uma mão em seu ombro.
_ Mas, o que...? – virou-se para ver quem o segurava quando um soco o lançou para o chão, deixando-o desacordado.
Ainda temendo a ação que viria de seu agressor, o moreno continuou de olhos fechados, com medo que o outro só esperasse abri-los para ver o horror estampado em suas íris. Ouviu um tiro e mesmo assim não ousou abrir os olhos. Será que alguém havia aparecido para ajudá-lo?
_ O que é você? – era a voz de um dos caras de capuz, parecia assustado – Que aberração é essa?
Mais tiros. O que estava acontecendo? Queria abrir os olhos mas tinha medo. A curiosidade não podia falar mais alto, não em um momento tão perigoso quanto esse. Outros gritos e tiros surgiram no ar e depois o silêncio. Estava agoniado. Queria sair dali. Seja lá qual fosse o motivo daqueles tiros, queria ir embora. Não importava mais se moraria na rua e não teria comida. Só queria sair vivo dali.
_ Pode abrir os olhos. – alguém de voz macia e reconfortante estava desamarrando as cordas de seus pulsos e de seus tornozelos, depois arrumou as roupas em seu corpo.
Abriu-os lentamente, temendo o que veria ao redor, mas não agüentava mais ficar no escuro. Um homem alto, loiro e com olhos achocolatados o encarava com feições preocupadas. Era muito belo, mas aquela tristeza em seu olhar não combinava consigo. Estava perdido em pensamentos, admirando-o, quando algo atrás do loiro chamou sua atenção. Aquilo eram... asas? Certo... ou ele morrera, o que seria estranho, pois sempre achou que iria para o inferno, ou ele estava delirando devido à dor que ainda percorria seu corpo. A segunda opção era mais viável. E mais fácil de acreditar.
_ Está tudo bem. Está salvo. – um pequeno sorriso adornou-lhe a face, mas foi suficiente para aquecê-lo por dentro.
Alguém o salvara. Estava bem agora. Podia descansar tranquilamente. Seus olhos pesaram, iria desmaiar. Ainda olhou mais uma vez para o homem ao seu lado. Queria gravar seu rosto na memória. Caso aquilo não fosse uma ilusão criada por sua cabeça, estava mesmo diante de um anjo.
_ Não durma. – ouviu a voz sussurrar ao seu lado, mas estava difícil atendê-la. Um calor envolveu-lhe e sentiu que seu corpo abandonava a mesa. O anjo tirava-o daquele lugar imundo. Até a dor em seu corpo ia sumindo aos poucos.
_ Você... é... – precisava saber se era real, se não estava sonhando, mas não conseguia formular a pergunta.
Todo seu corpo pedia por descanso, tentou abrir os olhos novamente, mas tudo ao seu redor pareciam sombras, vultos entrando e saindo de foco.
_ Você precisa ajudá-lo. – virou o rosto para ver quem falava consigo, mesmo já distinguindo a voz de seu superior – Ruki o prenderá no mesmo pesado hora após hora, até enlouquecê-lo.
_ O que eu faço, Kai-sama? – se alguém podia ajudá-lo no momento, era o anjo a sua frente – Por que ele fez isso? – questionou choroso, apertando mais o corpo do moreno contra o seu.
_ Ele ficou com ciúmes. De você e do rapaz com quem conversava lá fora. – explicou calmamente.
Muito calmamente para uma situação tão desesperadora. Será que ele não se importava?
_ Espera... Como sabe que eu conversava com ele? – olhou incrédulo para o homem atrás de si – Estão nos vigiando?
_ Infelizmente foi necessário. Ruki vigia vocês o tempo todo, alguém precisa vigiá-lo, para que ele não interfira. Como você é um dos meus protegidos, estou fazendo isso. – ele pareceu nervoso e sua resposta não foi completamente verdadeira.
_ E como eu posso salvá-lo? – ignorando uma voz interior que dizia para ele tentar ajudar o moreno sozinho, ele pediu auxílio à Kai.
_ Se você também quebrar a regra... – desviou o olhar, temendo o que sugeria.
_ Mas, eu não vou reviver... aquilo... de novo? – olhou temeroso para o superior.
_ Eu vou colocá-lo no mesmo lugar que Aoi está. Também irei fazer algo que não devia mas... é o único jeito.
Do que ele estava falando? Se Kai quebrasse regras também não seria punido? Mas, se era pra ajudar Aoi, ele faria. Já tinha perdido suas asas, não podia perder o moreno também.
Abraça-o fortemente em seus braços e sela seus lábios em um leve beijo. Como sentiu falta se sentir a textura macia daquela boca, o gosto único que ele possuía. Aprofundou o beijo, acariciando seu rosto, mesmo não sendo correspondido, sentiu que agora estava completo.
Um farfalhar de asas às suas costas e tudo escureceu.
Notas finais: Gostaram? Odiaram? Pra quem quiser a continuação, é só deixar uma review me dizendo o que achou, contando sua opinião e até sugerindo ideias do que pode acontecer. Isso me deica muito feliz! A quem esperou tanto pela atualização, espero que não tenham se decepcionado!
