O sol nem bem tinha nascido quando Dianna acordou. Passou a mão pelo colchão ao seu lado e sentiu que estava vazio. Lea já levantara. Então ela pegou o travesseiro da morena, abraçou-o fechando os olhos e sentindo o cheiro dela. Um barulho de algo quebrando chamou sua atenção.

- Merda! – Dianna ouviu Lea exclamar da cozinha.

Deu um sorriso e levantou. Encontrou-a sentada na cadeira, olhando os cacos da xícara que acabara de derrubar. Lea então percebeu Dianna entrando na cozinha.

- Desculpe se te acordei! – ela disse.

- Eu já tinha acordado mesmo. Estava com preguiça de levantar. Bom dia! – ela se aproximou pulando os pedaços da xícara no chão e deu um selinho nela.

Lea fez uma cara feia.

- Minha cabeça está me matando!

- Toma outra aspirina!

- Já tomei! – disse ela – Fiz o café também! Só Deus sabe a que custo! Parece que a bateria do Cory está dentro da minha cabeça e tem dezenas de baquetas martelando tambores e pratos, tudo ao mesmo tempo.

- E isso aí foi a conseqüência? – perguntou a loira apontando para os cacos.

Lea afirmou com a cabeça e fez outra cara feia, levando as mãos a sua fronte.

Dianna sorriu e se abaixou para recolher os cacos.

- Deixa Di, eu vou ter que varrer depois mesmo.

- Eu quero ajudar. Se você se abaixar, vamos ter que recolher os cacos e limpar seu vômito. Deixa que eu varro!

Lea fez outra cara de quem comeu e não gostou.

- Di...

- Fala, meu amor!

- Eu acho que eu não vou conseguir gravar essa manhã.

- Fica em casa! Eu dou uma desculpa lá por você. – ela fez um carinho nela – Eu bem que ficaria aqui cuidando de você, mas eu tenho que gravar uma música com o Chord agora de manhã.

- Pode ir. Eu não estou doente. É ressaca braba mesmo! Eu vou melhorar e vou à tarde.

- Ok.

Paramount Estúdios

Dianna chegou e estacionou o carro. Quando estava saindo dele, notou um carro preto estacionando ao seu lado. Era Mark. Ela ia seguir para o estúdio, quando ele lhe fez um sinal, pedindo que aguardasse. Ela esperou ele sair do carro. Ele tirou os óculos escuros e a encarou. Ele conseguia estar com a fisionomia pior que a de Lea.

- Dianna, desculpe! – ele disse baixando rapidamente o olhar e depois voltando a encará-la – Olha, a culpa foi minha, ok? Fui eu que a beijei. - ele guardou a chave do carro, disfarçando, sem graça – Espero que vocês não tenham brigado por isso. Eu nem sabia que vocês tinham voltado.

- Ok, Mark. Eu não briguei com ela. Fique tranqüilo quanto a isso.

- Só quanto a isso? Você não vai brigar comigo então, vai?

- Eu não vou brigar com você. – ela saiu caminhando ao lado dele – Mas não gostaria mais de ver sua língua dentro da boca da minha noiva, ok? Senão você vai finalmente conhecer o Charlie!

Mark riu ergueu os dois braços na defensiva.

- Ok, ok, ok! Epa! – ele se tocou – Você disse noiva?

- Sim! – ela sorriu – Com direito a anel e tudo!

- Uau! Que bom para vocês! – ele a olhou com um sorriso maroto – Você sabe que aquele convite, lá do ano passado, ainda está de pé.

Dianna riu.

- Ok, Mark, se um dia eu e Lea quisermos fazer um threesome, você encabeça a lista dos pretendentes, satisfeito?

- Oba! – ele riu – Por falar em Lea, como ela está? Não veio com você?

- Não! Ela está com uma ressaca do cão! Você é bem mais resistente.

- Você não faz idéia como está minha cabeça! É porque eu tenho que gravar uma música com a Amber pela manhã, senão, nem viria.

- A Lea virá à tarde.

- Bem, eu estou satisfeito que vocês não brigaram. Eu me sentiria um monstro se isso acontecesse.

- Mark, se todos os problemas meus com a Lea se resolverem como se resolveram... – ela suspirou e sorriu para ele, arqueando as sobrancelhas.

- Oahhh! Não precisa mais falar, senão vou ter que ser mais insistente naquele convite. – E eles entraram no estúdio rindo.

Jenna passou por eles e estranhou.

- Está tudo bem, Jenna! Eu ainda estou vivo! – Mark brincou.

- Você está de ótimo humor, depois de tudo e do porre. – ela disse.

- É porque minha amiga aqui não está zangada comigo. Isso me deixa feliz!

Os três foram conversando até o estúdio 4, onde ficava o cenário do Glee Club. Lá encontraram os outros. Estes imediatamente pararam o papo e olharam para Dianna.

- Antes que alguém me pergunte, ela está de ressaca. Vem à tarde. – ela disse, sentando-se.

- Mas ela está legal? – perguntou Naya.

- Com muita dor de cabeça, mas é normal, nas circunstâncias.

- Ok, gente! – era Brad – Todos vão gravar músicas agora pela manhã, então – ele parou e passou o olhar pelo grupo – Cadê a Lea?

Ninguém respondeu e, automaticamente, todos foram virando o olhar para Dianna.

- Ela não está passando bem agora de manhã. – foi Mark quem falou – Mas virá à tarde. Ela ia ligar para cá. Ainda não ligou? – se fez de bobo.

- Obrigada. – sussurrou Dianna para ele.

- Eu estava te devendo uma. – ele pegou a mão dela e deu um beijinho.

As gravações transcorreram normais.

Enquanto isso, no apartamento de Lea, ela estava deitada no sofá com um saco de gelo na cabeça. Estava se sentindo um pouquinho melhor. Tomou um banho, comeu uma fruta, se arrumou e foi em direção ao estúdio. No caminho, sentia sua cabeça ainda latejando. Ao chegar ao estúdio, viu que o estacionamento estava lotado. Para parar na única vaga, ela teria que ficar manobrando. Do jeito que estava sua dor de cabeça, ela nem quis arriscar. Pediu a um dos manobristas para estacionar o carro para ela. Ficou aguardando para pegar a chave. Ao entregar a chave a ela, o rapaz viu que ela estava bem mal.

- Srta Lea, a Srta quer que eu lhe acompanhe até o estúdio?

- Você não se incomodaria? Realmente eu não estou passando muito bem.

- Não, de forma alguma.

- Acordei assim. Está brabo de agüentar! – ela desabafou.

- Às vezes acontece. É só tomar o remédio certo.

- Já tomei. Diversos deles! – ela riu e fez cara feia.

- Vai melhorar. Tem que esperar fazer o efeito.

Ela balançou a cabeça positivamente para ele e sentiu nova onda de dor. Nossa! Não conseguia nem mover a cabeça direito sem fazer a dor piorar. Percebendo isso, o rapaz não puxou mais assunto e seguiu caminhando ao seu lado.

Lea odiou com todas as forças que o estúdio 4 fosse o mais afastado do estacionamento. Naquele momento ela queria que o mundo sumisse da sua frente.

De repente, por trás dos óculos escuros que usava, ela avistou uma menina de uns 14 ou 15 anos, vindo em sua direção com bloco e caneta na mão. Ai, por Deus, ela vai me xingar, mas não dá! Sinto muito! Ela pensou e desviou o caminho para fugir de ter que dar autógrafo. Sentiu pena da menina e se odiou por ter tido que fazer aquilo, mas ela iria acabar tratando-a mal e isto era a última coisa que queria. Ainda ouviu o manobrista dizer à menina que aquele não era um bom momento. Depois agradeceria a ele a gentileza.

Finalmente ela chegou ao estúdio. Graças aos céus tinha pouca luz! O que ajudava a aliviar a dor. Avistou Dianna conversando com Amber, Cory e Chord. Aproximou-se.

- Boa tarde! – disse ela com uma voz de enterro e sem tirar os óculos.

Dianna se virou.

- E aí, melhorou, meu amor? – ela disse e se arrependeu, corando, sem graça. Havia esquecido que não estavam sozinhas.

Cory segurou um riso. Amber ficou tão sem graça quanto ela, baixando a cabeça e Chord fingiu que não ouviu.

Lea nem ligou e respondeu:

- Que nada! Estou tão mal que acabei de dar uma de diva máxima agora há pouco. A menina vai falar mal de mim por aí por ter fugido dela, tenho certeza! Não dei o autógrafo que ela queria.

- Você não é obrigada a dar autógrafo a ninguém. – defendeu-a Dianna – Já disse isso a você!

- Mas Di...

- Você está passando mal! Se ela não entende isso, dane-se! Você é um ser humano, caramba! É gravar as cenas, é ensaiar coreografia, é gravar no estúdio mais músicas que todos nós, é dar entrevistas, bater fotos. Ser simpática todo o tempo cansa! E você, mais do que todos aqui, é a que todo mundo quer falar, quer autógrafo. Eu, no seu lugar..., ah, você me conhece.

- Ela tem razão, Lea. – concordou Amber.

- Ah, mas coitada da menina. – disse a morena

- Lea! – repreendeu Dianna.

- Ok, ok. A que horas começarão as gravações da tarde?

- Em 20 min. – respondeu Cory.

- Então vou aproveitar e ficar no escuro lá no trailer um pouquinho. Vem comigo? – ela levantou a mão para Dianna.

- Vou. – ela disse e entrelaçou sua mão na de Lea.

- Ei Dianna – disse Cory – não esqueça que a Lea está com dor de cabeça, hein. – ele brincou.

Dianna estreitou os olhos para ele e levantou o dedo médio, com um sorriso.

- Foi tudo bem pela manhã? – Lea perguntou.

- Sim, tudo tranqüilo. – ela respondeu entrando no trailer com Lea e sentando-se no sofá – Você vai melhorar, vem cá! – colocou a cabeça de Lea em seu colo e ficou fazendo-lhe carinho no rosto e nos cabelos.

Lea fechou os olhos.

- Você me perguntou ontem o que você havia feito para me merecer. Pois eu devolvo-lhe a pergunta agora: O que eu fiz para merecer você?

- Você não precisa fazer nada, basta você existir! – ela disse passando os dedos pelo contorno do rosto da noiva – Você é a minha vida!

Lea abriu os olhos e a encarou com um sorriso e lágrimas nos olhos.

- E você é a minha. – disse ela e fez menção de levantar para dar um beijo em Dianna, mas logo deitou de novo.

Dianna riu.

- Vai passar. – então ela se abaixou e depositou um beijo leve nos lábios da morena – Onde dói? Aqui? – ela pressionou os lábios demoradamente na testa de Lea.

- Ainda dói! Você podia deixar sua boca aí mais um pouco – disse Lea com um sorriso, depois que a loira ergueu a cabeça.

- Já vi que está bem melhor! – riu Dianna.

- Um pouco melhor. Suas mãos e sua boca são milagrosas. Claro que o mundo não precisa saber que eu tenho este tipo de santa aqui comigo. – ela sorriu.

- É, está melhor mesmo. Levanta daí. – disse Dianna começando a levantar.

- Ai, estraga prazeres. – disse sorrindo.

- A gente tem que gravar!

- Eu sei, vamos.

Depois do ritual de figurino e maquiagem, novamente estavam todos no Glee club

- Atenção! Ação! – exclamou Brad.

Rachel não prestava muita atenção ao professor, pois olhava abertamente para Quinn. Esta, por sua vez, estava muito incomodada com a situação. Sentia que o olhar da colega estava nela. De vez em quando ela se pegava olhando de canto de olho, porém rapidamente desviava.

- Você está bem? – perguntou Sam.

- Sim, por que não estaria?

- Não sei. Você ficou um pouco nervosa com a Rachel. Você sabe o que ela quer falar com você?

- Não faço ideia. – disfarçou ela.

- Tem alguma coisa a ver com o que ela me perguntou ontem? – ele insistiu.

- Sam, vamos trocar de assunto? Não me interessa nada relacionado à Berry, ok?

- Ok, ok, não precisa brigar!

Novamente ela arriscou olhar para Rachel, mas dessa vez a menina não a encarava. Pelo contrário. Ela olhava para o chão. De onde estava, pareceu a Quinn que ela chorava. Ela se sentiu mal, mas manteve a pose. Só aí prestou atenção no que o Sr. Shuester falava.

- Ok, a tarefa de vocês será fazer um dueto de uma música dos anos 70. Qualquer uma dessa época.

Todos, imediatamente, escolheram seus pares, sem interferência do professor. Mike e Tina, Artie e Brittany, Santana e Finn, que depois que largou a Rachel, se jogou nos braços da latina, Quinn e Sam. Puck e Mercedes olharam para os dois lados e só viram Rachel, desligada de tudo. Eles então resolveram fazer o dueto juntos.

Rachel estava tão absorta e desolada no seu lugar, que nem se deu conta que ela sobrara. Lauren havia ficado doente e tirado uma licença e Kurt, lógico, estava na Dalton Academy. Quinn a olhou com certo pesar, pensando em trocar de parceiro. Olhou para Sam e desistiu da idéia. Muita bandeira.

- Rachel! – chamou Will.

- Sim, Sr. Shuester.

- Você não tem par para o dueto. Você quer fazer a música sozinha ou prefere aguardar a volta da Lauren?

- Hein, que dueto?

- Rachel, você estava prestando atenção?

Ela baixou a cabeça.

- Na verdade não. Desculpe.

- O que está havendo?

- Nada! Não é nada! – ela olhou para Quinn e viu que ela olhava. Na mesma hora a loira desviou o olhar. – Eu faço sozinha mesmo. Não tem problema.

- Ok, então. Pessoal, ânimo, ok. Os anos 70 foram muito bons!

Rachel levantou a mão e Dianna ficou com medo.

- Sr. Shuester, eu posso escolher uma música que expressa meus sentimentos por alguém?

Quinn gelou e Finn estufou o peito com um sorriso, tomando uma tapa de Santana.

- Claro que pode Rachel! E para quem seria?

- Corta!