Dianna levou a mãe ao aeroporto, pois ela ficaria apenas aquela noite, enquanto Lea seguiu para o estúdio. Uma hora depois a loira chegou. A manhã foi apenas de ensaios e as gravações de cena ficaram para a parte da tarde.
Dianna iria gravar antes da Lea. Coincidentemente a cena dela seria com a atriz que fazia sua mãe na série.
- Ok, preparadas, ação!
- Quinn, minha filha, você anda esquisita. Muito calada!
- É que estou em período de provas e isto sempre me deixa assim.
- Se você precisar de alguma coisa, pode me falar. Eu era ótima aluna!
- Claro, mãe!
- Mudando de assunto, aquele menino Kurt saiu do Colégio, não foi?
- Saiu. – ela respondeu – Ele teve uns problemas com um idiota que ficava batendo nele, por ele ser gay.
- Não concordo com violência em nenhuma hipótese, mas acho bom que ele tenha saído do Colégio.
- Por quê?
- Não gosto dessa coisa de homossexualismo. É bom que você não tenha que conviver com este tipo de coisa.
- Você tem preconceito contra gays?
- Não é preconceito, entende? Eu não os odeio ou coisa do tipo, mas prefiro que você fique afastada deste tipo de pessoas.
- Isto é preconceito, mãe!
- Você entenda como quiser! Estou apenas dando a minha opinião. – ela pegou uma revista e começou a folheá-la – Neste ponto eu concordo com seu pai. Ele também se afastava. Sabe os Berry?
- O que tem a Rachel?
- Rachel é a filha deles, não é? Estuda com você, certo? Imagina a educação que esta menina recebeu!
- A senhora não conhece ela, não pode falar.
- Mas eu imagino, Quinnie! Dois pais gays! Só pode ter crescido influenciada. Nem é legal que você fique muito perto. Você promete que não dará muita trela para ela? Não trate mal, mas não fique amiga. Promete?
Quinn saiu da sala sem responder e com lágrimas nos olhos. Foi para seu quarto. Lá chegando pegou um bloco em cima da mesa, um lápis e começou a desenhar. Os contornos de Rachel começaram a aparecer no papel. Mas dessa vez não era um desenho pornográfico ou caricaturado da menina. Ela estava desenhando o rosto mais real possível e estava lindo. Ela desenhou um grande coração em volta. Uma lágrima caiu no papel, molhando um pouco. Quinn enxugou o rosto e pegou o telefone. Discou para Santana.
- Oi, não estou em casa! Deixe seu recado depois do sinal! – era a voz gravada da latina.
- San, sou eu Quinn! Eu não vou conseguir! Não vai dar! Por favor, te peço de novo: Nunca comente nada com ninguém. Eu vou esquecer tudo! Tchau! – ela desligou.
- Corta! Ficou muito bom, Dianna! – disse Brad.
- Ficou mesmo! – disse Lea se aproximando – Estava assistindo dali de trás.
- Que bom! Agora vou me concentrar para filmar com você, porque acho que eu vou chorar.
- Bem, eu sei que eu vou! Não tem jeito, eu sou uma chorona!
- Ainda bem que isso pode fazer parte da cena!
- Bem, vou colocar a roupa da Rachel e passar pela maquiagem. A gente se vê.
- Ok.
Depois de 1 hora, as duas estavam prontas.
- Então, meninas, vamos lá! Chord, pronto? Tomem suas posições. Atenção! Ação!
Sam e Quinn foram ao auditório para ensaiarem sua música. Não perceberam quando Rachel chegou e sentou-se na última fileira, com seu som portátil rosa. Ela decidiu que seria a última a usar o auditório. Ela ouviu os dois cantarem Stop, Look, Listen, originalmente cantadas por Marvin Gaye e Dianna Ross.
Ao terminarem Sam disse:
- Acho que ficou ótimo! O que achou?
- É... acho que sim. – ela deu de ombros.
- Eu tenho que ir ao treino de futebol. Você vem?
- Daqui a pouco. Vou arrumar estas partituras aqui.
Sam saiu deixando Quinn sozinha. Ou pelo menos assim ela achava.
- Ficou bonito, mas o Sam precisa acertar a afinação em algumas partes. – Rachel se aproximou, assustando-a.
- Droga, garota! Você que me matar? - ela disse, com a mão no peito. Depois se recompôs – Pois eu achei que ficou ótimo!
- Você estava bem, mas ele... - ela balançou a cabeça - Desculpe Quinn, mas você merece cantar com um parceiro ou parceira mais do seu nível.
- Questão de opinião. – disse ela voltando sua atenção às partituras. Juntou tudo e ia saindo, quando Rachel perguntou.
- Posso falar com você agora que estamos sozinhas?
- Você é insistente mesmo, não é?
- Eu escolhi uma música que tem a ver com o que eu...
- Olha, eu não quero ouvir nada. Deixe-me em paz!
- Por quê?
- Por que eu deveria ouvir?
- Isso diz respeito a você. Diz respeito a nós.
- Que nós, garota? – disse já sem muita convicção na voz – Não existe "nós"! Existe "você" e existe "eu", a léguas de distância.
- Se você é tão indiferente assim a mim, por que faz aqueles desenhos?
- Que desenhos? – se fez de boba.
- Você sabe que desenhos! Você mesma me contou ano passado que é você quem os faz.
- Eu gosto de irritar você, ok? Satisfeita?
- Por que, Quinn?
- Ora, por quê?.Porque... porque... – ela não conseguiu responder.
- Por que vários desenhos têm corações em volta? E por que aquele último que eu vi está dentro de um coração?
- Você quer saber mesmo? Ok, eu vou falar! – ela respirou fundo – Antes de eu namorar o Finn, antes mesmo de eu entrar para as cheerios, eu tinha inveja de você.
Rachel estreitou os olhos.
- Inveja?
- Inveja sim. Eu queria ser como você! Tirando as roupas horríveis que você usa, claro! Sempre invejei a sua disposição para participar de tudo, a sua inteligência, a relação que você contava que tinha com seus pais. Eu nunca tive essa cumplicidade com os meus. Eles sempre foram muito distantes.
- Mas Quinn...
- Agora me deixa terminar! – ela continuou – O fato é que eu sempre quis ser sua amiga, mas não sei porque, nunca consegui. Esse teu jeito, apesar de me dar a maldita inveja, me assustava um pouco.
- Por que você nunca veio falar comigo? Você sabe que eu nunca tive amigos. Talvez esse "meu jeito", como você diz, não assustasse só você.
- Eu tive medo.
- Medo de quê? Eu precisava tanto de uma amiga! Você era a pessoa que eu mais admirava e queria tanto ficar perto de você!
- O problema é que eu tinha medo do que sentia. – disse Quinn de cabeça baixa – E isso ficou pior depois que eu ouvi você cantar.
- Sentia? Você sentia algo por mim? O que você sentia?
- Não importa agora, Berry, porque eu nem sinto mais! – disse ela virando-se novamente para sair e, disfarçadamente, enxugando uma lágrima que desceu pelo seu rosto.
- E os desenhos? Os corações?
- Esquece Rachel! – ela disse sem se virar e continuou seu caminho.
A morena a acompanhou com o olhar, até que ela saiu de vista. Rachel virou-se triste para o seu som portátil e acionou o play. A melodia começou a tocar e ela cantou.
The closer I get to you
The more you make me see
By giving me all you've got
Your love has captured me
Quinn estava parada, escondida atrás da cortina, no final do auditório. Fechou os olhos, ouvindo-a cantar.
Over and over again
I tried to tell myself that we
Could never be more than friends
But all the while, inside , I knew it was real
The way you make me feel
Lyin' here next to you
Time just seems to fly
Needing you more and more
Let's give love a try
Quinn sabia que a música era sobre ela e para ela. Para as duas.
- Deus, eu tenho que fazer algo! – sussurrou para si mesma.
Sweeter and sweeter love grows
Rachel parou ao ouvir outra voz. Então abriu os olhos e viu Quinn descendo o corredor do auditório, indo em direção ao palco e cantando.
And heaven's there for those
Who fool the tricks of time
With hearts of love will find
True love in a special way
Rachel deu um sorriso e deixou as lágrimas descerem livremente.
Rachel: The closer I get to you
Quinn: The more you make me see
Rachel: By giving me all you've got
Quinn: Your love has captured me
E as duas terminaram juntas.
Ohh, over and over again
I tried to tell myself that we
Could never be more than friends
But all the while, inside , I knew it was real
The way you make me feel
Quinn deu um sorriso com os olhos marejados, enquanto Rachel chorava. A loira então se aproximou e segurou o rosto da morena.
- Não chora! – pediu ela, enxugando as lágrimas da outra com os polegares - Não chora, por favor! – então ela a abraçou forte, aninhando a cabeça de Rachel em seu pescoço – O que está acontecendo conosco?
Elas se afastaram um pouco para se encararem, sem sair do abraço.
- Eu não sei Quinn. Eu só sei que eu estou sentindo uma coisa forte, aqui. – botou a mão no coração e sorriu lacrimosa – Uma coisa que me faz te querer perto. – ela baixou a cabeça envergonhada – Me faz querer...
Quinn levantou seu queixo delicadamente.
- Isso? – Quinn desceu a cabeça e roçou seus lábios brevemente nos de Rachel.
A morena passou seus braços em volta do pescoço da loira e a puxou para perto. Então as duas começaram a se provar, experimentando a maciez dos lábios da outra com beijos leves, devagar, deixando-os molhados. Rachel sentiu Quinn escorregar a língua pelo seu lábio inferior e entreabriu a boca para recebê-la. Quinn então a puxou pela cintura e aprofundou o beijo, tornando-o muito quente. As duas não faziam nenhuma menção de parar. As mãos de Quinn desceram para os quadris de Rachel, então...
- Corta! – exclamou Brad - Uooohh! Chega, né, meninas? O que houve com vocês? Vocês sabem que isso não vai ao ar deste jeito!
Lea e Dianna se olhavam hipnotizadas, até que se tocaram que haviam exagerado.
- No texto está escrito que elas deveriam se beijar. – Dianna falou – Não foi o que fizemos?
- Sim! Vocês foram tão convincentes que levariam o Emmy, com certeza, se houvesse a categoria de Melhor Beijo. – ele disse divertido – Está aqui no texto. - ele leu – "Quinn e Rachel se beijam docemente". Do-ce-men-te e não se engolindo, como vocês fizeram. Já disse isso antes: Esse programa passa às 20h! Deus!
- Brad – Lea começou – se não era assim que queria, por que não nos interrompeu antes?
- Porque eu...
- Porque ele, assim como eu, queria ver até aonde vocês iriam. – Ryan Murphy disse, descendo pelo auditório.
Lea e Dianna se olharam de rabo de olho.
- Não entendi! – disse Dianna.
- Você entendeu, sim! – ele disse – E Lea também! – ele continuou – Por que acham que eu escrevi essas cenas entre vocês? Não era minha intenção colocar mais um casal gay na série. E eu nem sei se isso vai ao ar, mas eu precisava testar vocês.
- Nos testar? Por quê? – perguntou Lea.
- Eu queria saber se, ter colocado vocês separadas, fez vocês ficarem mais... assim... sei lá, mais conscientes das escolhas e das conseqüências delas. Na verdade eu fui pressionado pela Fox e tive que acatar. Por isso aquilo tudo no final de 2009.
- Nos forçar a morar separadas. Nos forçar a evitar os contatos na frente das câmeras. Nos forçar a arrumarmos namorados. Você não pensou que isso poderia acabar nos aproximando ainda mais? – perguntou Dianna.
- Ryan, você sabia o que sentíamos uma pela outra e tentou acabar com isso! Isso foi cruel demais! – disse Lea.
- Uma tortura! – completou Dianna.
- Eu escrevi essa história Faberry por isso. Eu consegui provar minha teoria. Na verdade, sempre tive esta convicção. Quando duas pessoas, independente da personalidade, classe social, cor, é até do sexo de cada uma, são feitas para ficarem juntas, não adianta lutar contra! É uma guerra perdida! A paixão, o desejo, o amor vão sempre prevalecer. – ele continuou – Desculpe-me meninas! Que se dane todo mundo! Sejam felizes, como quiserem ser! A vida é de vocês! – ele finalizou.
Lea e Dianna sorriram. A loira abraçou Lea pelo ombro, enquanto esta passou o braço pela sua cintura.
- E a Fox? – perguntou Dianna.
- Existem diversas outras emissoras que dariam montanhas de dinheiro para nos levar para lá.
Lea ficou surpresa.
- Mas a maioria delas tem o mesmo ponto de vista. – disse ela.
Ryan suspirou e deu um sorriso.
- Sempre tem a HBO! – ele riu e foi saindo do auditório, levando toda a equipe. – A propósito – ele se virou – Gostaria muito de ser o padrinho! – e piscou para elas.
Elas se olharam com um sorriso contagiante.
- Se você quiser, amanhã mesmo a gente sai para ver um apartamento novo! – disse Lea à Dianna.
- Você sabe, eu gosto muito dos nossos. Não queria largar os dois assim. – disse a loira.
- No meu ou no seu?
- O seu é maior! – disse Dianna – Além do mais, quando a família crescer...
- Ooohh! Família? Crescer?
- Case comigo, Lea! Vamos ficar juntas de vez!
Lea sorriu.
- A hora em que você quiser, meu amor!
- E quanto à família crescer...
- Você sabe que eu adoraria! – ela lhe deu um selinho – A gente pode adotar, ou então uma de nós duas poderia...
- Ou as duas... – sugeriu Dianna com um sorriso.
- Ou as duas! – Lea concordou abraçando-a.
- Que tal comemorarmos? Vamos brindar a isso!
- Humm, tem uma garrafa de um vinho excelente lá em casa. Podemos brindar com ele. A comemoração, eu estive pensando em uma viagem...
- Boston? – perguntou Dianna com um sorriso maroto.
Lea riu.
- Você leu meus pensamentos. – disse ela.
- Mesmo hotel...
- Mesmo quarto...
- Mesma banheira... só nós duas!
- Isso! Para sempre! Só eu e você.
FIM
