Autora: Blanxe
Revisada por: Andréia Kennen
Casal: SasuNaru
Gênero: Yaoi, Canon, Romance, Angst, MPREG, Violência.
Estou aqui sem você, amor
Mas você continua em minha mente solitária
Eu penso em você, amor
E sonho com você o tempo todo
Estou aqui sem você
Mas você continua comigo nos meus sonhos
E esta noite só existe você e eu.
3 Doors Down — Here Without You
oOo
Itachi…
Era sempre Itachi e Naruto.
Anteriormente, quando o pai fizera a comparação entre sua aparência ser idêntica a de Itachi Uchiha e ter o sorriso de Naruto, a insegurança retornara com mais força dentro do coração de Hoshi. Naquele momento, nada comentou a respeito, pois não desejava perturbar ainda mais o pai, porém, dentro de si, a dúvida ainda o corroia.
Sabia que não deveria ser tão importante, que deveria ignorar a história contada por Orochimaru, mas simplesmente não conseguia esquecer.
Porém, se alcançasse seu intento, saberia a verdade.
Por enquanto, se ocupava em limpar a casa e colocá-la habitável novamente. Seu pai não dissera quando iriam embora e parecia que desde que retornara àquela residência, não tinha mais ânimo de deixar o lugar.
Para Hoshi era melhor que ficassem, pois poderia agilizar seus planos e procurar alguma assistência. Só não sabia ainda a assistência de quem.
Quem seria realmente confiável para compartilhar o segredo?
Sakura era legal, mas vira que era muito devotada à Hokage, além do mais, estava de luto também, como seu pai, por causa da morte do marido.
Gaara ainda estava na Vila, mas como Kazekage, será que se disporia a ajudar, sem denunciá-lo?
Não tinha intimidade com ninguém daquele lugar para compartilhar seu intento. Por isso, sentia-se preso e, internamente, desesperado.
Da cozinha, onde preparava um café da manhã para levar para o pai e o qual desconfiava que seria novamente ignorado, Hoshi escutou as batidas na porta da casa.
Deixando de lado imediatamente o que fazia, foi atender quem quer que estivesse ali e, em confusão, deparou-se com uma mulher.
Era uma desconhecida, realmente. Mas se recordava de tê-la visto no dia da homenagem, a qual trouxera o pai e ele até Konoha, e também, se lembrava dela do dia do enterro dos ninjas mortos por Kyuubi. Se não estava enganado, o marido dela fora um dos assassinados na missão de resgatá-lo. Ela estava acompanhada por uma garota de longos cabelos castanhos e ambas tinham olhos bem esquisitos, na opinião de Hoshi.
— Olá, chibi.
Uma das sobrancelhas de Hoshi se elevou, desconfiado, e sem saber muito bem como reagir, apenas cumprimentou:
— Olá.
— Você não se lembra de mim, mas sou amiga de seus pais. Me chamo Hinata Hyuuga e essa é minha filha Kiseki.
Aquele nome não dizia nada para Hoshi, porém, não se incomodou com isso. Ela mesma salientara que não se lembraria dela.
— Acho que não veio numa boa hora, se o que quer é falar com meu otousan. — comentou, prevendo o motivo daquela visita, a seu ver, muito inoportuna.
Hoshi poderia ser gentil, poderia ser amável e ter uma personalidade afável, mas quando se tratava de Sasuke, qualquer um ou qualquer coisa que o perturbasse, fazia com que seu lado mais protetor e egoísta aflorasse.
— Pelo contrário, acho que essa é a melhor hora. — Ela insinuou, demonstrando no olhar que sabia exatamente pelo que Sasuke estava passando. — Me deixaria conversar com ele?
Hoshi olhou por mais uns segundos para a mulher desconhecida, ponderando. Se ela fosse tentar ajudar o pai a sair daquele estado depressivo, não teria nada a perder, sendo assim, abriu a passagem para que entrasse e ela lhe sorriu agradecida.
— Você realmente cresceu bastante. — ela comentou, reparando com carinho no adolescente. — E se parece muito…
— …com Itachi. — ele concluiu para ela, mostrando-se aborrecido.
Geralmente, não ficava aborrecido, mas ser o tempo todo comparado com o tio não estava fazendo bem para seu humor. No entanto, ela sorriu, parecendo divertir-se com a sua presunção.
— Eu ia dizer que se parece muito com seus pais.
Se Hoshi pudesse pelo menos ter certeza de quem um deles realmente era, aquela conversa seria menos frustrante.
— O otousan está no quarto, posso acompanhá-la até lá.
— Não há necessidade, eu sei o caminho.
Sabe o caminho? — Hoshi indagou, desconfiado. Que tipo de mulher era aquela que sabia o caminho para o quarto de seu pai?
Observou-a subir os degraus de madeira até o andar superior e sumir no corredor que dava nos quartos, enquanto esqueceu-se completamente da presença da garota que acompanhava aquela mulher e só se deu conta que ela continuava ali, lhe encarando, quando falou consigo:
— Minha mãe contou que na época em que você nasceu, passou um tempo cuidando de você e da casa.
Hoshi piscou e voltou seu foco para a garota ali parada. Os mesmos olhos da mãe, aquela cor perolada esquisita, mas num geral, ela não era feia. Tinha os cabelos bem lisos e de um castanho amendoado que descia ao longo das costas exibindo algumas mechas finas trançadas que se destacavam entre os fios soltos. A pele era bem alva e o rosto fino. A estatura mais baixa lhe dava impressão de que ela poderia ser uns dois anos mais nova do que ele.
— Seu pai matou o meu. — ela lhe disse repentinamente.
— O quê? — questionou, pego de surpresa, sem compreender bem aquela afirmação.
Ela ergueu o rosto, mostrando altivez, e repetiu com detalhes:
— Seu pai, aquele que chamam de Naruto Uzumaki, matou o meu pai.
Algo naquela acusação não soou muito bem para Hoshi. Talvez fosse o jeito petulante ou o ar arrogante que a garota transmitia. Foi tolerante, até porque se compadecia da perda dela, já que o pai havia mesmo sido assassinado há pouco tempo.
— Não foi o Naruto quem matou o seu pai, foi a raposa de nove caudas. — Hoshi explicou.
— Dá no mesmo. — ela deu de ombros. — Não tem vergonha de ser filho daquela criatura?
Uma veia pulsou no canto da testa de Hoshi.
Poderia não ter conhecido Naruto como deveria, mas, ainda assim, ele era seu pai e de certa forma, o incomodava ouvir um insulto como aquele.
Era também outra prova de que o mundo inteiro sabia de quem fora gerado, menos ele. Porém, tinha que levar em consideração que Konoha fora o local onde Naruto e Sasuke viveram. Seria difícil que as pessoas do lugar desconhecessem sobre seu nascimento. O jeito como a garota lhe dizia aquilo — com um semi-asco embutido naquele rosto altivo — era exatamente um dos motivos que seu otousan julgou necessário esconder a verdade de si.
Sasuke não queria que sofresse com certo tipo de discriminação.
— Olha, eu não to te entendendo. Eu nem te conheço e você vem cheia de…
— Se não o tivessem matado antes, eu mesma o mataria. — ela o interrompeu, não lhe dando chance de dizer nada.
Hoshi estava pensando seriamente em dar as costas para aquela garota e voltar ao que estava fazendo antes da visita daquela gente estranha. Afinal, a outra adolescente nitidamente não se mostrava disposta a ter um dialogo decente consigo.
Porém, a meio movimento de fazer exatamente o que pensava, Hoshi parou. O semblante contrariado se transformou, ficando rapidamente focado enquanto a ideia surgia em sua mente como a coisa mais absurda que já havia cogitado, até então.
Kiseki mostrava sua revolta e ressentimento pela morte do pai de um jeito tão aberto e intenso. Seria muita pretensão pensar que ela faria tudo para tê-lo de volta? Seria presumir demais que aquela garota presunçosa fosse a peça que faltava em seus planos?
Levando em consideração a ameaça feita por ela, a pequena loucura surgiu na mente do garoto. Ele reparou na bandana pendurada no pescoço alvo da garota e só para ter certeza, questionou:
— Oi, espirro de sebo, você é uma ninja?
A garota elevou uma das sobrancelhas finas e, ignorando a forma como fora chamada, respondeu com evidente orgulho de si mesma:
— Sou uma das melhores que se formou na academia, afinal, sou uma Hyuuga.
Internamente, Hoshi fez uma careta de desdém, porém, a ideia maluca já ganhava proporções irreversíveis. Estaria sendo precipitado? Não sabia. Estaria metendo os pés pelas mãos? Só arriscando para ter certeza. Afinal, não havia ninguém mesmo que pudesse dizer, com confiança, que o ajudaria acaso contasse seus planos e, infelizmente, nascera com aquele impulso e impaciência.
Impulso e impaciência que hoje em dia sabia ter sido herdado de Naruto.
Confiante de que aquela garota poderia ser a ponte que precisava para chegar até seu objetivo, Hoshi a fitou com um sorriso de canto e afirmou:
— Então, você pode me ajudar.
oOo
Ela o encontrou exatamente onde Hoshi havia indicado: no quarto principal do casarão. Por mais que sua tristeza pela morte de Neji a consumisse, sua solidariedade para com Sasuke sobrepujava a dor da perda, principalmente porque não havia como comparar o quanto o Uchiha estaria sofrendo.
Hinata sentia a perda do marido, o assassinato, mas Sasuke sentia o remorso e a culpa, misturados com a repetição de um episódio que enfrentara há quinze anos. Ela não estivera presente quando Naruto morrera para salvar a Vila do ataque de Madara; também não presenciara o retorno do hospedeiro de Kyuubi e sua segunda morte. Todavia, era capaz de medir o tamanho do peso que Sasuke carregava sobre os ombros e não o desmereceria por isso.
O homem estava recostado no espelho da cama, olhando para a janela como se houvesse algo que o entediava ali. Sua expressão era a mais impassível existente. Constringia o coração de Hinata ver alguém tão forte quanto Sasuke daquele jeito.
— Sasuke-kun? — chamou, antes de adentrar o aposento.
Ele desviou o olhar da janela e os olhos negros se encontraram com os perolados. Reparou na mulher que nos dias atuais usava um corte de cabelo menos longo, onde os fios azulados pendiam retos sobre os ombros delicados; se deparando também com a maturidade e segurança que a Hyuuga adquirira através dos anos.
Embora houvesse a frieza e indiferença peculiar de sempre, as esferas ônix pareciam, ainda, perdidas.
— O que você quer, Hinata? — ele a questionou, monotonamente.
Ela se aproximou, então, adentrando o quarto de casal e falando enquanto caminhava:
— Você cuidou muito bem do chibi.
— Veio aqui pra fazer comentários idiotas? – retorquiu, asperamente.
— Desculpe. — Hinata pediu, se retraindo um pouco, mas não desistindo. — Eu só queria que lembrasse que ele ainda precisa de você e que, talvez, não devesse permanecer. A casa, tudo aqui… é doloroso, Sasuke-kun.
Sasuke desviou os olhos para a janela novamente, fixando-os na chuva que continuava a cair do lado de fora. Perdido em sua própria angústia, acabou confessando usando de um timbre mais baixo do que o normal:
— Eu só quero me sentir mais perto dele… E eu estive tão perto, tão perto…
Hinata fitou-o em simpatia. Era mesmo como estar vivenciando o pesadelo pela segunda vez.
— Não houve escolha, Sasuke-kun. Mas nós temos que continuar pelos nossos filhos. Naruto-kun se zangaria se o visse assim; ele queria que você fosse…
— Mas ele está morto. — o moreno disse estreitando os olhos na direção dela. — Não importa se eu estou feliz ou não, porque ele não pode sentir ou repreender mais nada.
Hinata não queria aceitar que via aquele homem se entregando a tristeza daquela maneira. Mas, tão pleno quanto o dia, estava à entrega de Sasuke ao sofrimento. Não era à toa que Hoshi aparentava transtorno e resguardo.
— Erga a cabeça…
— Erguer a cabeça? — o Uchiha sibilou. — Você não pode sequer imaginar o que é carregar o sangue dele nas mãos. Eu falhei há quinze anos, e eu o matei de novo. Sabe o que é atravessar o peito da pessoa que você mais ama, com a sua própria mão, Hinata? Não, você não sabe! Então, não venha aqui pregar palavras bonitas e querer que eu levante a cabeça quando o que me consome é justamente o contrário!
Hinata deu um passo para trás, realmente afetada pelo tamanho do desespero que se evidenciava nos olhos escuros do Uchiha. Não havia como remediar o que enxergava ali, muito menos como suavizar o estrago feito por uma única ação.
Ela soube assim que qualquer tentativa de tirá-lo da beira daquele precipício seria inútil, pois, se estivesse no lugar dele, provavelmente pensaria e sentiria o mesmo.
oOo
Estava arriscando contar sobre seus planos e a respeito do que escondera no sótão do casarão.
Hoshi entrou no local e em meio à quinquilharia antiga que ainda não fizera questão de investigar, buscou aquilo que havia camuflado dentro de uma arca antiga que estava repleta de coisas. Os olhos pálidos da garota fitavam o outro adolescente com desconfiança, esperando que ele revelasse o motivo de tê-la trazido até ali.
Quando ele estendeu o pergaminho no chão, olhando para os caracteres contidos neles, a Hyuuga se aproximou curiosa. Ela ajoelhou-se diante da extensão de papel, assim como Hoshi, e analisou tudo o que continha ali, com os olhos perolados compenetrados e o semblante muito sério.
— Onde conseguiu isso? — ela questionou, sem desgrudar os orbes claros do papel.
— No esconderijo do Orochimaru, antes da galera de Konoha fazer a limpa. — o garoto contou, torcendo internamente para que o pergaminho deixasse a garota tão interessada quanto ele próprio. — Com isso eu posso ajeitar as coisas.
— Jutsus proibidos não têm esse nome à toa. — a garota disse, olhando-o de soslaio, num tom de censura. — É um crime que se descoberto, o responsável recebe uma punição severa.
Hoshi ficou tenso por um momento. Teria se enganado com a garota e se precipitado em acreditar que ela seria uma boa comparsa? Agora era tarde demais. Se ela não compartilhasse de seu ideal, teria que convencê-la, de qualquer jeito.
— E quem vai descobrir? — indagou, em tom de desafio. — Temos uma chance única nas mãos, mas se quiser medrar, tudo bem. Pensei que fosse mais corajosa já que estufa tanto o peito quando fala o nome do seu clã.
A Hyuuga o observou com os olhos estreitados de quem não gostara de ser subestimada, até que olhou novamente para o pergaminho e cedeu:
— Podemos fazer isso.
Primeiramente, um sorriso adornou os lábios de Hoshi, contente por ter convencido a morena a ajudá-lo, mas, no instante seguinte, o mesmo se fechou ao perceber como ela se incluíra na equação.
— Ei! "Podemos" não! — apontou enfaticamente para o pergaminho e esclareceu: — Eu só quero saber como faço pra conseguir ativar essa droga.
— Eu vou com você. — Ela afirmou, sentando-se no chão de pernas cruzadas, de frente para ele, fechando os braços sobre o peito.
— Não mesmo. — Hoshi balançou a cabeça negativamente, achando a atitude da garota um tanto infantil. — Não quero ninguém pendurado em mim.
Hoshi assustou-se e arregalou os olhos quando a mão delicada da garota fechou-se na gola de seu colete branco e o puxou para frente, deparando-se com os aborrecidos orbes foscos da Hyuuga
— Olha aqui, Uchiha, você é um idiota que não sabe lutar, não tem poder algum além do seu sharingan que, pelo que fiquei sabendo, também não serve pra nada porque você não sabe como usar. Você não conhece droga nenhuma de quem foi Naruto, nem como tudo realmente aconteceu com detalhes. Acha mesmo que vai conseguir ser bem sucedido nessa missão, sem mim?
Era incrível como as fofocas corriam por aquela Vila — Hoshi pensou desolado.
— Se isso der certo, meu pai também será salvo. — ela continuou, incisiva. — Por isso, pra sua segurança e pelo sucesso dessa missão, eu vou também.
Hoshi ponderou por um instante.
O que ele tinha a perder?
Nada.
Realmente, nada.
Respirou fundo e decidiu:
— Tudo bem, mas se você me atrapalhar, vai se ver comigo.
— Se você estragar tudo, sou eu quem vai acabar com a sua raça. — ela finalizou, empurrando-o e soltando sua roupa, fazendo com que caísse sentado.
Ela era bem violentinha para uma garota…
Hoshi suspirou, vencido, pensando se talvez não teria sido melhor arriscar contar sobre o pergaminho para o Kazekage. Porém, o que estava feito, estava feito, e tudo o que poderia esperar era que conseguisse fazer o pai feliz ao final de tudo aquilo.
oOo
Precisariam se preparar antes.
Kiseki sugeriu que conseguissem o máximo de informações sobre a época em que tudo havia ocorrido, principalmente datas. Ela queria estar preparada para o que poderiam enfrentar e, internamente, Hoshi esperava que ela estivesse realmente preparada.
Estariam entrando em mundo ao qual não estavam acostumados, em meio a uma guerra que jamais haviam enfrentado. Combinaram que seria com o raiar do dia que se encontrariam para dar início ao plano que traçara. Hoshi dormira com o pai na cama de casal, novamente, acordando e vendo que o mais velho continuava com os olhos abertos, denunciando que passara a noite sem dormir, mais uma vez.
Hoshi suspirou; em seguida, levantou-se, indo metodicamente fazer algo que deixaria o pai chateado. Infelizmente era isso ou, ver Sasuke entrando em colapso.
Quando retornou para o quarto, trazia nas mãos uma bandeja, contendo uma porcelana branca com chá.
— Otousan… — chamou, vendo o pai voltar-se para si e fitar com desgosto a bandeja que trazia.
— Eu não quero chá. — Sasuke negou, fazendo Hoshi rodar os olhos já cansado de escutar a mesma negativa.
— Só essa xícara. — o adolescente negociou, oferecendo o conteúdo da bandeja para o pai. — Eu quero conversar com o senhor.
Sasuke aprumou-se na cama e realmente se esforçou para atender ao pedido do filho. Pegou a xícara, desviando da dor que era olhar para o sorriso de Hoshi.
— Conversar sobre o quê? — o Uchiha mais velho indagou, fitando o líquido âmbar dentro da xícara que esperava para ser sorvido.
— Otousan… — Hoshi parou por um momento para pensar como abordaria o assunto sem parecer forçado demais, mas achava que qualquer tipo de abordagem seria um pouco estranha. — Você pode me contar como o senhor e o Naruto… humm… se apaixonaram?
Sasuke voltou a fitar o garoto. Diferente do que Hoshi havia pensado, Sasuke não desconfiou da pergunta, a princípio. Levou em consideração todos os eventos recentes e seu atual estado de desmotivação, acreditando que a curiosidade do filho provinha disso.
— Não tem um momento preciso para isso… — respondeu, sucinto. — Apenas aconteceu.
Porém, para Hoshi não era suficiente. Ele precisava de detalhes, alguns pelo menos para poder formar seu cronograma.
— Mas…
— Não tem. — Sasuke o cortou, incisivo, porém, acabou confessando: — Acho que… desde que éramos crianças. Não tem como contabilizar o tempo.
Hoshi ficou quieto, observando com ansiedade o pai finalmente provar do chá e, pelo menos, um ponto positivo viria daquela conversa que iniciara com Sasuke: ele finalmente iria descansar.
— Poderia me contar um pouco mais de como vocês ficaram juntos? — Hoshi coçou a nuca e riu, um pouco sem graça por estar aparentando ser um garotinho querendo se meter no passado do pai, mas justificou-se: — Olha, o ofídio me disse um monte de besteiras, e eu só queria saber a história real.
Sasuke o olhou por um instante e Hoshi quase podia ler o que o mais velho pensava: se você sabe que eram besteiras, porque está me perguntando?
Sim, fora uma coisa idiota de se dizer, mas não demorou muito para que o pai finalmente começasse a falar, como se relevasse a sua estupidez.
— Quando eu tinha uns treze anos, abandonei a Vila para conseguir me tornar mais forte. Eu queria destruir Itachi, pois pensava que ele era o responsável pelo extermínio de nosso clã… Três anos depois, achei que estava forte o suficiente, destruí Orochimaru, ou pelo menos pensei que havia destruído e parti para cumprir minha meta.
— Foi procurar por Itachi? — o garoto rapidamente raciocinou, ganhando um olhar curioso do pai.
— Isso — ele confirmou. — Pouco antes de realmente ter meu embate com meu irmão, encontrei Naruto e…
Os olhos de Hoshi se arregalaram, prevendo o que viria a seguir e rapidamente fez uma expressão desgostosa, pedindo:
— Tá, velho, me poupe dos detalhes sórdidos.
Sasuke, indiferente, tomou mais um gole do chá e em seguida continuou contando:
— Itachi e eu lutamos, venci e descobri através de Madara que o extermínio do nosso clã não havia sido culpa do meu irmão, então, voltei meu ódio para Konoha.
— Ia se vingar da Vila?
— Pretendia. — disse, sem demonstrar remorso algum.
Hoshi percebeu, principalmente devido ao olhar de rancor que o pai expressava que ele realmente não sentia arrependimento nesse sentido. As palavras de Orochimaru, acusando-o de não conhecer o verdadeiro Sasuke Uchiha, voltaram a zombar de si em sua mente, mas sem vacilar, afastou a dúvida e questionou:
— E o que aconteceu?
Sasuke respirou fundo e, finalmente um pequeno sorriso surgiu, iluminando o rosto dele.
— Naruto aconteceu… Ele nunca desistiu de me trazer de volta para Konoha. — disse quase que ternamente. — Nós lutamos e ele me venceu. Foi quando eu descobri você. Não imagina o susto que levei… e se não fosse por Itachi, a mensagem que ele deixou no subconsciente de Naruto…
Imediatamente, Hoshi tomou uma postura mais tensa e instantaneamente aquela desconfiança pairou em sua mente.
— Mas como ele deixou uma mensagem no subconsciente de Naruto, otousan?
— Eu não sei. — Sasuke parou para pensar em tal fato e, vendo claramente como a mente do filho trabalhava, fez questão de garantir, ao mesmo tempo em que devolvia a xícara para o mais novo. — Hoshi, não existe essa possibilidade de Itachi ser seu pai. Orochimaru estava blefando.
— Como você pode ter tanta certeza? — ele insistiu, sem conseguir se impedir.
— Esqueça isso. — Sasuke ordenou, rispidamente. — Você é meu. Meu filho e de mais ninguém.
Embora a afirmação do pai lhe trouxesse alento, Hoshi era incapaz de se livrar daquela sensação de que algo não se encaixava. Afinal, se Sasuke passara tanto tempo longe de Naruto, como poderia afirmar que…
Balançou a cabeça negativamente, deixando o quarto e retornando a cozinha, onde lavou e guardou a porcelana. Tentou se concentrar nas informações que Sasuke havia lhe passado na pequena conversa que haviam tido.
Seria impossível conseguir datas precisas, mas já sabia a data da morte de Naruto — a mesma da homenagem que trouxera seu otousan e ele até Konoha — e quando mais ou menos o loiro se tornara amante do pai… logo depois do assassinato de Itachi.
Praticamente dezesseis anos atrás, contando com os meses de sua gestação.
oOo
Hoshi olhou da porta do quarto a cama onde o pai descansava em um sono pesado. Sentia-se mal por ter que trapacear, mas se não fosse assim, seu otousan acabaria ficando doente. O chá havia sido lhe dado por Sakura, depois de ter conversado com ela sobre o estado depressivo de Sasuke. Realmente, não havia sabor algum de sonífero, pois o mais velho tomara o líquido morno sem se queixar.
Era um verdadeiro alívio para Hoshi ver o pai dormindo.
Escutou as batidas na entrada da casa e soube que era a sua hora.
Respirando profundamente, adentrou o quarto e cobriu o pai com cuidado.
— Quando você acordar, não vai ter mais tristeza, otousan. — beijou a testa de Sasuke e sorriu. — Eu prometo.
Sem remorso, se afastou e apressou-se para atender a porta no andar inferior da casa. Ao fazê-lo, deparou-se com a já esperada presença de Kiseki que, para a sua surpresa, jogou uma mochila em seu peito — a qual segurou fazendo uma careta — e passou por si, sem pedir licença.
— E aí? Conseguiu alguma data a qual possamos nos apegar? — ela indagou, já subindo para o sótão.
Hoshi rodou os olhos, fechou a porta e adiantou-se em seguir a garota.
— Ele me contou algumas coisas e eu fiz umas contas. — elucidou, vendo que a Hyuuga carregava nas costas uma mochila como a que lhe cedera. — Acho que tenho uma estimativa boa de onde devemos chegar e… a quem procurar.
— Então, vamos. — a morena disse, subindo os degraus do sótão.
Ela esperou que ele lhe entregasse o rolo do pergaminho e logo que o teve nas mãos, desenrolou e estendeu na superfície de madeira do chão do sótão. Hoshi respirou fundo ao ver os caracteres e a forma com Kiseki os revisava.
— Sabe mesmo como fazer isso funcionar?
Ela o olhou com desdém e retorquiu:
— Eu preciso que você se concentre em Konoha de dezesseis anos atrás e não resista ao fluxo de chakra que vou absorver de você.
— Só isso? — Hoshi ainda parecia duvidoso.
Ela ergueu uma das sobrancelhas castanhas e rebateu:
— Até um idiota como você é capaz de fazer isso, não?
— Olha aqui, espirro de sebo, se continuar com essa pra cima de mim eu te deixo de fora. — Hoshi lhe apontou o dedo, começando a se irritar com a atitude da garota.
Ela estapeou a mão do outro adolescente para o lado e contrabalanceou:
— Vamos ficar discutindo ou fazer logo esse kinjutsu funcionar?
Hoshi suspirou, vencido, e acalmou seu gênio. A prioridade era aquele bendito kinjutsu.
— Eu realmente espero que você saiba o que está fazendo. — resmungou, se ajoelhando no chão.
Kiseki assentiu, ajoelhando-se de frente para Hoshi. Entre eles somente o pergaminho estendido.
— Quando eu terminar de invocar o kinjutsu, você só tem que cobrir as minhas mãos com as suas e focar no tempo: dezesseis anos no passado. Isso vai drenar muito chakra… E se você não estiver comigo, para que eu possa me apoiar no seu chakra, não vamos conseguir.
Hoshi assentiu, sem confessar a sua insegurança e nervosismo. Aquilo tinha que dar certo; e aquela garota realmente tinha que saber o que estava fazendo, caso contrário…
Não queria pensar nas consequências se o jutsu proibido não funcionasse.
Viu Kiseki inserir outros caracteres ao pergaminho, seus nomes, estimativa do tempo regredido e alguns outros que ele não conseguiu entender muito bem para que serviam. Observou-a inspirar profundamente e iniciar a sequência de selos com as mãos. Rapidamente ela executou e, com determinação, espalmou a folha aberta do pergaminho nos locais certos e, imediatamente, Hoshi fez o mesmo, colocando as mãos por cima das dela.
A princípio nada ocorreu.
Hoshi engoliu em seco, sem saber o que esperar. Ele olhou para o rosto ainda concentrado de Kiseki, cujos olhos focavam-se nas mãos unidas, mas depois de alguns segundos…
Nada aconteceu.
— Não deu certo. — Hoshi atestou, apreensivo.
— Você não se concentrou.
— Eu me concentrei. — Hoshi contra-atacou, apertando as mãos da garota que estavam abaixo das suas.
Ela o olhou, irritadiça, e acusou:
— Não, se tivesse feito o que eu mandei, teria dado certo. Era só concentrar nos malditos dezesseis anos, Uchiha!
— Eu me concentrei na merda dos dezesseis anos! — explodiu o adolescente, frustrado com a visível falha na invocação do jutsu.
— Eu sabia que…
Ainda mantendo suas posições, uma luz intensa irradiou do papel, por baixo das mãos dos adolescentes e ambos arregalaram os olhos. A energia era quente, no limite do suportável, e fez com que ambos soubessem o que acontecia.
Em seguida, aquele branco ofuscou todo o cômodo, cegando a ambos.
oOo
Continua...
Resposta dos Reviews sem Email:
Inu - eu sei que prometi atualizar a The Sacred Line, mas, infelizmente a inspiração não está ajudando... Porém, estou me esforçando pra conseguir terminar pelo menos um capítulo, ok? Obrigada por se manifestar e cobrar a atualização
Coisinha Uchiha - Sim, postei bem rápido porque eu já tinha o prólogo escrito há muito tempo... Espero que tenha gostado do prólogo e desse primeiro capítulo!
