Traduzido e Revisado por Amora Mory
Revisado por Viian
Capítulo Quinze
"Como diabos ela conseguiu...?" Edward começou a falar, mas em seguida, ambos congelaram por um instante horrorizados e olharam um para o outro quando ouviram a porta do escritório de Jacob abrir. Jacob enfiou o arquivo de volta no armário e fechou a gaveta. Ele e Edward mergulharam sob a mesa e tentaram se esconder tanto quanto possível, mas Jacob era uma massa de músculos sólidos e Edward era apenas alguns centímetros mais baixo e nenhum dos dois era constituído para se esconder embaixo de uma mesa, embora a mesa fosse velha, e misericordiosamente larga. Na penumbra, seus olhos se encontraram.
Estamos fodidos, Edward murmurou.
Jacob revirou os olhos para o céu e apertou as palmas das mãos em oração. Edward o cutucou com o cotovelo. Agora não era o momento para provocar o Todo-Poderoso.
A porta se abriu e as luzes foram ligadas. Uma voz feminina cantarolava, de modo aleatório uma melodia indecifrável. Do outro lado da mesa, um par de sapatos bege caminhou em direção ao gabinete de arquivo. Houve um pequeno ruído que soou como uma chave que estava sendo colocada em uma fechadura. "Huh!" ela disse quando descobriu que ele já estava destrancado.
Ela não teve tempo para pensar sobre isso porque houve uma batida na porta. Seus pés desapareceram quando ela foi atender.
"Estou feliz que você pode vir", disse Jessica.
"É melhor que seja bom", Tanya advertiu. "Encontrar você aqui a esta hora da noite? Isso é loucura."
"Tinha que ser aqui", disse Jessica. "E este é o único momento do dia em que esse lugar é seguro, eu queria ter certeza de que não seriamos ouvidas".
Houve outra batida na porta.
"Lá está ela," Jessica suspirou, parecendo aliviada. "Bem na hora."
O par de sapatos laranja bronze, ridiculamente altos de Tanya, apareceu na borda da mesa. Ela se deixou cair em uma das duas cadeiras colocadas lá. A bolsa Prada caiu no chão ao lado dela e Noodles apareceu. Edward deu ao cão um olhar ameaçador e ele voltou para a segurança da bolsa.
"Jessica?" A voz de Lauren era petulante. "O que está acontecendo?"
"Você conhece Tanya, não é?"
"Nós nos encontramos algumas vezes em festas da faculdade", Lauren disse, e pelo seu tom de voz, ela não estava muito impressionada. As duas mulheres trocaram um rápido cumprimento.
"Esse era o único lugar seguro", Jessica repetiu.
"Seguro do que?" Tanya exigiu.
Um par de botas de couro preto apareceu na frente da outra cadeira.
"Eu sinto muito que seja tarde, mas Lauren não podia entrar no campus até depois do expediente. Eu mesma verifiquei o cronograma do zelador para garantir que o edifício estaria vago, de modo que não seriamos ouvidas."
Tanya suspirou alto. "Nós não poderíamos nos encontrar em sua casa, ou na minha?"
"Não, eu tenho certeza que minha casa está sendo vigiada e a sua... Ela já esteve dentro de sua casa".
"O que diabos você está falando?" exigiu para Jessica.
Jessica deu a volta para o seu lado da mesa e puxou a cadeira para trás para se sentar nela. Edward se afastou mais. Seu cotovelo pegou Jacob no intestino e ele expeliu uma respiração com um pequeno grunhido. Edward se aproximou ainda mais de Jacob, empurrando-o contra a parte de trás da mesa. Jessica deslizou sua cadeira e parou com o joelho um milímetro do nariz de Edward. Ele estava com medo de respirar, para que ela não sentisse. Ele virou a cabeça e apertou sua bochecha contra o fundo da gaveta do meio.
"Ok, eu sei o quão louco isso parece," Jessica começou. "É sobre Bella Cullen..."
"A esposa do Edward?" Tanya cuspiu a palavra como se provasse algo ruim.
"Sim, ela. Eu... hum... eu vou direto ao ponto: eu acho que ela é uma vampira."
Tanto Edward quanto Jacob pararam de respirar, porque o silêncio foi tão profundo, que eles tinham certeza que iriam ser ouvidos. Seus olhos se encontraram com um horror mútuo.
Tanya riu, não uma risada de diversão, mas um escárnio. Edward tinha ouvido muitas vezes, muitas vezes voltado para si mesmo. "Uma o quê ? "
"Apenas me ouça. Vi Edward na biblioteca há alguns dias atrás e ele estava pesquisando sobre lendas de vampiros da América do Sul".
"Então?"
"Ele fez anotações comparando seus traços a um 'B'." Houve outro ruído, como se ela inserisse uma chave na gaveta do meio. Jacob tentou achatar-se, mas não havia nenhum lugar para ele ir. Edward fez uma careta quando ela puxou a gaveta ao longo de sua bochecha e, em seguida, empurrou-a de volta rapidamente. Houve um farfalhar de papel, como se ela provavelmente passasse as notas para as duas mulheres, do outro lado da mesa.
"Isso não prova nada", disse Tanya.
"Lauren, você a viu na América do Sul, certo?"
"Sim".
"Logo depois que uma múmia tinha desaparecido do templo."
"Nós não podemos provar que já houve uma múmia", Lauren disse lentamente. "Deve ter havido detritos no fundo do sarcófago."
"Não se era realmente um vampiro lá e eles... você sabe... a tenham acordado."
"Jessica, isso é uma loucura ", Lauren protestou.
"Ela tem os dois sob um feitiço", Jessica insistiu. "É por isso que eles estão agindo de modo estranho. Tanya, você mesmo me disse que Edward nunca teria terminado com você, se ele estivesse em seu juízo perfeito."
"Isso é verdade..."
"Alguma de vocês já a viu durante o dia?"
Silêncio.
Tanya foi quem quebrou. "Eu não tenho exatamente observado."
"Bem, eu tenho", Jessica anunciou. "Eu fiquei estacionada perto do seu prédio a última semana, e eu não a vi durante o dia, o tempo todo".
"Você estacionou em frente a seu prédio?" Lauren repetiu lentamente.
"Bem, eu não podia entrar no lobby. Eles têm um segurança. Então eu estacionei na rua, porque eu não queria que Jake me visse e pensasse que eu sou algum tipo de perseguidora louca".
Os olhos de Jacob e Edward se encontraram novamente. Jacob girou um dedo no ar ao lado de sua testa.
"Eu achava que era estranho quando Esme disse que Bella não falava espanhol," Tanya meditou. "Quero dizer, é quase como a linguagem de Catalupa, sabe?"
Jessica não fez comentários sobre esse brilhante raciocínio. "Depois que eu vi o livro e as notas, eu comecei a manter um olho nos registros da biblioteca de Edward. Vi uma anotação que hoje, ele ligou para a biblioteca e nos pediu usar o sistema de empréstimo inter-biblioteca para tirar um livro sobre Quechua, a língua que os incas falavam".
Edward fechou os olhos. Droga.
"Por que ele iria querer isso?" Perguntou Tanya. "Todos eles não morreram, há tipo, um milhão de anos atrás, ou algo assim?"
Jake teve que morder o lado de seu punho para não rir. Seu corpo tremia em silêncio. Edward deu uma cotovelada nele novamente.
"Não, ainda existem falantes de Queucha," Lauren disse em uma terrível voz grave, que tremia um pouco, a partir de seus próprios esforços para não rir. "Se ela ficou selada em um túmulo desde a era pré-colombiana..." A voz de Lauren sumiu quando ela deu uma pequena risada triste. "Isso é uma loucura".
"Pense sobre isso", Jessica pediu. "Eles foram embora antes ou depois que você relatou que o túmulo tinha sido roubado?"
Lauren parecia assustada quando ela respondeu: "Antes..."
"Não faz sentido que Jake de repente decidisse abandonar o achado do século e sair correndo... A não ser que eles tinham algo - ou alguém - para esconder".
Lauren não disse nada e Edward se perguntou se ela estava se lembrando de sua tentativa de chantagem. Ela certamente não ofereceu isso como uma explicação alternativa.
"Eu falei com o barman no Tuneville". Jessica continuou. "Ele disse que ela não bebeu nada, quando ela estava lá. Quem vai a um bar e não bebe?"
Ambas Tanya e Lauren concordaram que era um comportamento bizarro.
"Minha amiga Becky estava lá. Ela disse que ela pulou em cima do palco. Nenhuma garota deveria ser capaz de saltar tão alto. Ela não conseguiu uma foto dela, mas ela conseguiu uma foto dela cantando. "Houve um baque leve como se Jessica deixasse cair da mão a foto que segurava em cima da mesa, como um promotor em um drama policial jogando as provas contundentes de que ele pegou o réu em uma mentira. Houve um silêncio solene, todas elas aparentemente olhando a foto. "Ela cantou duas músicas, mesmo sem saber Inglês. Pelo que Becky disse, era uma espécie de truncado, como se ela estivesse apenas repetindo os sons que ouvira, mas as lendas dizem que os vampiros têm superpoderes que lhes permitem fazer esse tipo de coisa."
"Ela me derrubou, sem me tocar", Tanya disse suavemente. "Eu não contei a ninguém, porque simplesmente parecia tão... Ninguém iria acreditar em mim, eu pensei. Mas eu juro que é verdade."
"É por isso que eu disse que não poderíamos nos encontrar em sua casa", disse Jessica. "Ela esteve lá dentro. Eu não sei se ela pode entrar em edifícios públicos como este sem um convite, mas essa parecia ser a aposta mais segura. E a minha casa está sendo vigiada agora. Eu sei. Se pudermos nos livrar dela, Jake e Edward vão voltar para suas antigas personalidades. E nós poderemos continuar de onde paramos."
"Nós?" Lauren estalou.
Houve um longo momento de silêncio. "Jake terá a chance de decidir qual de nós ele quer."
"Ele não quer você, isso é certo", Lauren falou. "Ele nunca sequer tentou entrar em suas calças."
"Ele me respeita", Jessica rosnou. "O que é mais do que eu posso dizer sobre você. Ele apenas não está pronto para um relacionamento sério ainda, mas assim que ele estiver eu serei a garota que ele-".
"Espere, espere," Tanya interrompeu. "Meninas, você podem brigar sobre isso mais tarde. Eu quero saber mais sobre essa magia e como podemos quebrá-la."
Os dedos de Jessica bateram no tapete. "Todas as lendas dizem que eles podem controlar as pessoas, obrigá-los a fazer o seu lance do mal".
Tanya bufou. "Você não precisa de um feitiço para o Edward."
"Cadela!" Jacob murmurou e, em seguida, colocou a mão sobre sua boca.
"Desculpe-me?"
"Eu não disse nada."
"Então, Edward e Jake são como Renfield*... comendo insetos e porcarias?" Lauren interrompeu.
*Um personagem de Drácula. Ele é o protetor do Drácula, durante o dia.
"O quê?" Perguntou Tanya. "O que é um Renfield?"
"Você sabe, de Drácula."
"Eu nunca vi esse filme", disse Tanya com desdém. "Então, como é que vamos quebrar o feitiço?"
"Eu tenho algumas idéias que podemos tentar. Venham comigo." Jessica deslizou a cadeira para trás e levantou-se. Lauren e Tanya a seguiram pela sala. Lauren estava pedindo mais detalhes sobre o incidente em que Bella jogou Tanya do outro lado da sala sem colocar um dedo nela. A porta se fechou atrás delas e, em seguida, eles ouviram a porta do escritório de Jacob ser fechada.
Ambos suspiraram e começaram a se erguer e se desembaralhar de suas posições incômodas. Jacob pegou as notas de Edward de cima da mesa, onde Jessica tinha deixado e, em seguida, abriu o arquivo do gabinete para pegar a pasta de papel pardo que continha as cópias. Jacob abriu a porta cautelosamente e olhou para o corredor. Quando ele viu que estava vazio, ele fez um gesto para Edward e os dois correram como o inferno para a porta da frente. Eles explodiram do lado de fora para o ar fresco e correram pelo estacionamento. Jacob tinha estacionado o Rabbit de Emmett no estacionamento dos dormitórios. Eles chegaram simultaneamente e Jacob se atrapalhou com as chaves. Ele deslizou para o banco do motorista e estendeu a mão para puxar para cima o botão de bloqueio na porta de Edward. Ele pulou para dentro. "Vai, vai, vai!"
Os pneus guincharam no pavimento quando Jacob dirigiu para fora do estacionamento. A fumaça subia por trás deles, embora, se era dos pneus ou do sistema de escapamento do pobre carro, ninguém poderia dizer. Jacob parou no final do estacionamento e desviou para a rua.
"Puta merda, essa foi perto, "Jacob suspirou.
"Nunca mais", Edward prometeu. "Considere isso a minha aposentadoria oficial da vida de crime."
"Graças a Deus que ela não empurrou mais a sua cadeira, não é?" Jacob deu-lhe um sorriso alegre que fez Edward quer bater na cabeça dele.
"Que diabos vamos fazer agora, Jacob? Elas sabem sobre Bella, ou suspeitam, de qualquer maneira."
O sorriso de Jacob desapareceu. "Eu não sei."
Ambos pensaram sobre isso em silêncio. Edward enfiou as mãos pelo cabelo. Seus pensamentos estavam correndo como enchentes, confusos e desordenados.
"Nós vamos ter que reforçar a segurança", Jacob disse de repente. "Se Jessica foi capaz de nos vigiar por dias sem que ninguém percebesse..."
"Você sabia que ela era..." A voz de Edward sumiu.
"Uma garota insana e perseguidora?" Jacob ofereceu. "Não, eu não tinha idéia."
"Eu ia dizer algo como: 'Emocionalmente ligada a você'"
Jacob balançou a cabeça. "Rose disse alguma coisa enquanto estávamos a bordo do navio, mas eu pensei que era apenas... eu não sei, um pouco de paixão. Rose estava interpretando mal alguma coisa, talvez." Ele gemeu. "Droga, eu vou ter procurar uma nova assistente".
Edward riu e com o olhar indignado de Jacob, ele riu ainda mais. De todos os problemas que tinham aparecido esta noite como flores rançosas, Jacob estava mais preocupado em ter que arranjar uma nova assistente.
"Jessica, Lauren e Tanya... Jesus, esse é um trio terrível" Jacob estremeceu.
"Talvez devêssemos ter ficado e segui-las para ouvir os seus planos."
Jacob zombou. "O que é que elas vão fazer? Eles não podem realmente machucar Bella, e eu duvido que elas façam qualquer coisa publicamente que pudesse trazê-la à atenção dos Volturi. Elas sabem que tudo isso soa louco. Mas eu acho que é hora de chamamos a cavalaria."
"Quem?"
"Sua mãe."
"Espera. Você acha que devemos contar a minha mãe que Bella é uma vampira?"
Jacob deu de ombros. "Cinco dólares que ela vai ficar legal com isso. Ela ama Bella. Pensa que ela é toda graciosa e elegante e essas merdas."
"De jeito nenhum." Edward balançou a cabeça. "Só... não. Nós faremos isso se não tivermos alternativa, mas não agora."
Jacob ainda estava dormindo quando Felix bateu em sua porta na tarde seguinte e lhe disse que tinha uma visita. Jacob resmungou enquanto ele vestiu suas roupas. Por que diabo Felix não tinha acordado Edward em vez disso? Era o apartamento dele, não era?
Ele não reconheceu o homem na sala de estar, quando entrou. Ele havia arrumado cuidadosamente o cabelo castanho-escuro e estava vestindo um terno que até mesmo Jacob poderia dizer ser de corte e tecido fino.
"Olá", disse Jacob, estendendo a mão. "Me desculpe, mas eu não entendi o seu nome."
O homem lhe deu um aperto firme. "Paul Lahote".
"Não me diga?" Jacob soltou e Paul riu.
"Sim, eu imagino que eu estava um pouco diferente da última vez que me viu."
"Sim, wow ... hum, sente-se."
Os dois sentaram-se, Paul no sofá e Jacob em uma das poltronas. "Eu queria agradecer a Sra. Cullen, mas Felix me disse que ela não está disponível no momento."
"Esme?" Jacob piscou. "Oh, espere! Quer dizer, Bella."
"Sim, Bella." Paul disse o nome com um tipo de reverência normalmente reservado para santos ou divindades veneradas. "Ela e a outra Sra. Cullen tem sido tão... tão..." Paul parou por um momento enquanto procurava uma palavra. "Bem, 'gentis' realmente não expressa tudo."
"Sim, Bella é uma ótima garota." Jacob sorriu. "Não a chame de Sra. Cullen, apesar de tudo. Ela não saberia com quem está falando."
"Eu sei que isso pode parecer loucura, mas ela é... especial? Vi algo que -" Ele balançou a cabeça. "Algo que deve ser impossível."
Jacob acenou com a cabeça. "Ela é especial, mas ainda estamos gratos que você a protegeu."
Paul sorriu e indicou seu terno. "A Sra. Cullen vem mostrando o seu apreço muito generosamente. Ela me deu um emprego na Masen Internacional antes mesmo que eu dissesse a ela que eu tive Mestrado em administração de empresas."
Um mendigo com mestrado em negócios? Paul riu ao ver a expressão no rosto de Jacob. "Sim, eu já tive um mestrado, de Stanford, acredite ou não."
Teve? "O que aconteceu?" Jacob esperava como o inferno que ele não parecesse ofensivo, mas sua curiosidade era muito intensa para ser ignorada.
Felix trouxe uma bandeja e lhes ofereceu dois copos de café. Paul esperou até que ele tinha partido antes de responder. "Foi uma combinação de drogas, jogos de azar e arrogância teimosa. Fui contratado por uma empresa Fortune 500, que devia permanecer anônima, logo após a faculdade. Eu era o novo garoto prodígio, o jovem figurão que pensei que iria governar o mundo, e por um tempo realmente parecia que eu podia tudo, o que eu tocava virava ouro e eu pensei que era um gênio O jogo foi um desdobramento do que... Eu pensei que cada decisão e escolha que eu fiz eram perfeitas, e por um curto tempo, parecia que eu realmente tinha uma vida encantada. Meu jogo e investimentos especulativos valeram a pena. Me Casei com uma das mais belas socialites de Nova York e continuei subindo cada vez mais na empresa. "
Paul tomou um gole de café e balançou a cabeça. "Eu era um babaca egoísta arrogante, para dizer a verdade. Eu era como um fanático religioso, mas eu era o meu próprio Deus, e eu acreditava que era infalível. O ego me levou a assumir riscos cada vez maiores. Muitos deles eu consegui resolver. Mas alguns deles não, o que foi um verdadeiro choque para o meu sistema. Apliquei mais dinheiro nas falhas, porque eu não conseguia admitir que estivesse errado e eu estava convencido de que iria virar e eventualmente provar que eu tinha estava certo o tempo todo. Foi a mesma coisa com o jogo. Quando eu comecei a perder, eu apostei ainda mais. A tensão começou a crescer e eu comecei a usar cocaína, o que me deu de volta esse sentimento intocável."
Jacob acenou com a cabeça. Ele só tinha experimentado cocaína uma vez e sentiu essa incrível corrida de poder e invencibilidade que Paul descreveu. Tinha sido tão intenso que assustou Jacob um pouco, porque ele sabia que ia ser muito fácil se tornar viciado nessa sensação. Ele nunca tocou o material novamente.
"Antes que eu percebesse, eu estava endividado e só crescia mais meu desespero e irresponsavelmente comecei a fazer empréstimos. Apenas um pouco, eu dizia a mim mesmo. Comecei a desfalcar dos cofres de investimentos que eu tinha feito para a empresa e eu tentei esconder as perdas, fiz coisas idiotas, como a venda de bons investimentos para pagar os ruins".
"Como você foi pego?" Jacob perguntou, porque essa realmente era a conclusão inevitável.
"Eu não poderia esconder isso para sempre, porque em algum momento, alguém ia olhar os livros e eu não seria capaz de esconder a minha besteira deles. Um dos homens cuja carreira eu tinha arruinado em minha negligência escalada na corporação, descobriu toda a bagunça e colocou-a na frente do conselho de administração. Meus superiores tiveram uma conclusão precipitada, mas decidiram manter o desfalque escondido. O escândalo teria destruído o pouco que lhes restava. Um dos membros do conselho também fazia parte do conselho de regentes de Stanford. Eles fizeram algumas escavações e descobriram que eu tinha plagiado alguns dos meus trabalhos, então meu mestrado foi cassado. Minha esposa me deixou, os poucos amigos que eu tinha me abandonaram e eu estava quebrado. Encontrei-me, literalmente, atirado nas ruas sem ter para onde ir".
"Jesus", disse Jacob brandamente.
"Eu não tinha ninguém para culpar além de mim mesmo, mas me levou muito tempo para chegar a um ponto onde eu poderia admitir."
"Você ainda tem algum problema com drogas?"
"Não. Eu sou um amigo de Bill W.*"
*Foi co-fundador do grupo de mútua ajuda Alcoólicos Anônimos.
Jacob compreendeu. Ele arrastou seu pai a muitas reuniões dos Alcoólicos Anônimos ao longo dos anos e sabia que os Narcóticos Anônimos usavam os mesmos passos e tradições.
"Estou limpo há quatro anos", Paul disse com orgulho evidente em seu tom.
Jacob se assustou. "Você está nas ruas há quatro anos?"
"Doze, na verdade."
Jacob balançou a cabeça lentamente em reverência. Como Paul tinha sobrevivido tanto tempo lá fora?
"Você não poderia ter... Eu não sei..."
Paul acenou com a cabeça. "Eu entendo o que você está dizendo. Você está se perguntando por que eu não poderia ter tentado até mesmo um emprego de salário mínimo e me tirado das ruas com algum tipo de programa de assistência. A verdade é que até quatro anos atrás, eu estava muito destruído para trabalhar em qualquer lugar, especialmente porque muitos empregadores pedem testes de drogas hoje em dia. Quando você vai preencher um currículo, a primeira coisa que eles pedem é um endereço e um número de telefone onde possam contatá-lo. Acho que eu poderia ter usado o de um abrigo, mas se o empregador ligasse ali, para falar comigo... Bem, as pessoas muitas vezes falam mais de compaixão com os sem-teto do que eles realmente agem quando são confrontados com um. Meu currículo provavelmente seria jogado em silêncio para o fundo da pilha em favor de um candidato mais normal, e mesmo se eu tivesse conseguido uma entrevista, o que eu ia dizer que estava fazendo há quase uma década? Isso é uma lacuna no currículo. Quando eu finalmente consegui ficar limpo, eu senti que não merecia nada melhor, considerando como eu tinha perdido a minha vida e as oportunidades incríveis que tinham sido entregues a mim".
"E agora?"
"Esme se ofereceu para pagar por isso, se eu quiser voltar para a faculdade e ganhar um diploma, eu acho que eu vou fazer. Eu admito que eu realmente não sei se há um poder superior ou não, mas eu tenho sido abençoado com uma segunda chance e sei quão raro e precioso isso é. "
"Você arriscou sua vida para tentar proteger Bella. É o mínimo que podemos fazer."
A mulher em questão surgiu do quarto de Edward vestindo um roupão e seu favorito par de pantufas de coelhinho cor de rosa. Seus olhos se iluminaram quando viu seu convidado. "Paa!"
"Boa noite, Bella," Paul respondeu e levantou-se. Ele estendeu a mão para ela tremendo, mas ela ignorou e o pegou em um abraço. "Paa bonito!"
"Graças a vocês", Paul disse. Ele sorriu para ela. "Eu não tenho certeza se você vai entender tudo isso, mas eu sou profundamente grato por tudo o que você e Esme fizeram por mim. Obrigada. Do fundo do meu coração, muito obrigado".
"Po nada." Bella sorriu e deu um tapinha no ombro dele. "Paa bom. Bella bigado".
Paul tomou-lhe a mão e se inclinou sobre ela para dar um beijo na parte de trás. Jacob escondeu um sorriso. Bella tinha um novo adorador.
O livro Quechua chegou na manhã seguinte e Edward colocou todo o poder do seu cérebro prodigioso para aprender a língua.
Edward tinha um talento especial para línguas e aprendeu rapidamente, apesar do fato de que havia vários dialetos, e o dialeto de Bella era um pouco diferente do que os abrangidos pelo texto, mas com as notas que ele tinha feito sobre os desvios de pronúncia (seu dialeto faltava os sons das consoantes espanholas e termos que se tornaram parte de algumas variações), era felizmente uniforme. Bella estava muito animada que Edward estivesse aprendendo uma língua que poderia, finalmente, compartilhar, e ansiosamente o assistia.
Jacob tentou, mas ele não tinha um décimo do intelecto quase sobrenatural de Edward. O livro era em espanhol, o que Jacob não sabia ler, o que significava que ele não poderia estudar por conta própria. Edward tinha uma paciência infinita, mas Jacob não, o que o fez ficar frustrado com o ritmo lento. Ele se perguntou, não pela primeira vez, o que Edward via em pessoas comuns como ele, incapaz de suspirar conceitos que Edward entendia facilmente, as suas mentes aprendiam com o ritmo de uma tartaruga, enquanto a sua era a lebre que já havia vencido a corrida e agora se ocupava fazendo animais de origami.
Dentro de alguns dias, Edward era capaz de ter conversas simples com ela e dentro de uma semana depois, eles estavam conversando e rindo um com o outro, enquanto Jacob ainda estava tentando memorizar listas de palavras e sufixos nominais pessoais. Edward manteve Jacob informado sobre os detalhes que ele tinha aprendido com Bella, como ela se tornou a Deusa das Trevas e que a sua vida tinha sido assim até que ela decidiu entrar em hibernação, seu pesar por seus sacerdotes, a sua confusão sobre o porquê deles nunca a terem acordado. Jacob se perguntou sobre o que tinham encontrado em seu templo, as pedras que tinham sido movidas para o lado, o que tinha revelado as escadas para seu quarto de hibernação abaixo. Algum de seus sacerdotes as moveu e foi interrompido antes que ele pudesse completar a tarefa? Ele sugeriu que Edward não mencionasse a ela.
Jacob tinha muito tempo para estudar, porque eles estavam mais ou menos escondidos no apartamento como uma fortaleza. Jessica deixou de estacionar perto do prédio, uma vez que ela tinha sido confrontada pelos seguranças do edifício. Em vez disso, ela circulava o bloco em torno do edifício em voltas infinitas. Isso deixava Edward paranóico e o estresse aparecia no seu rosto sempre que Jacob sugeria um passeio, fazendo Jacob decidir parar, até que Edward se acalmasse um pouco.
Jacob estava estudando na sala de estar quando Felix acompanhou Esme para dentro. "Olá, Sra. Cullen", disse ele e se levantou educadamente.
"Olá, Jacob", ela respondeu. Desde seu retorno da Catalupa, Esme era um pouco mais simpática com ele. Parecia que ela finalmente aceitou o fato de que Jacob seria uma parte da vida de seu filho. "Onde está Edward?"
"Em seu quarto. Vou buscá-lo."
Ele bateu na porta do quarto e esperou apenas alguns momentos antes de Edward atender. Bella ainda estava dormindo e ele estava deitado na cama ao lado dela, lendo. Ele saiu para beijar sua mãe na bochecha.
"Olá, querido. Você tem planos para amanhã à noite?"
"Não, não especificamente", disse Edward.
Esme sorriu. "Ótimo. Então você não se importa de vir para minha festa."
Edward fez uma careta. "Mãe..."
"Você nunca teve um casamento ou recepção adequados. Quero apresentar a minha nora para a sociedade."
"Não dá para esperar até que ela aprende Inglês?"
"Oh, ninguém nessas festas nunca tem nada de interessante para dizer, de qualquer maneira", Esme respondeu. "Eu disse aos meus amigos e eles entenderam".
Advertiu-os, o mais provável. A nora de Esme seria aceita, mesmo que Esme tivesse que guerrear constantemente para isso acontecer. Se Edward tivesse se casado com Tanya, Esme teria feito a mesma coisa, mesmo que ela tivesse arrancado pedaços dele com os dentes antes. Bella ainda não tinha visto essas matriarcas do poder social e ela já tinha influência sobre todas elas.
"Bree vai trazer um vestido para ela em algum momento esta noite." O que significava que ela tinha antecipado a aceitação de seu filho e ele iria querendo ou não.
"Ela já tem um monte de vestidos formais."
Esme balançou uma mão com desdém. "Toda garota fica entusiasmada em ganhar algo novo. Por favor, chegue a La Push por volta das nove."
Edward odiava La Push. Ele tinha participado de pelo menos meia dúzia de festas naquele restaurante. Ele sempre estava lotado de clientes bem vestidos e ricos que vinham para ver e serem vistos enquanto mordiscavam pratos caros e bem apresentados que eram geralmente tão desagradáveis quanto massinha de modelar.
"Bella vai adorar", Esme declarou. "Jacob, você vai trazer uma companhia?"
Jacob piscou. Ele estava prestando mais atenção à sua lista de palavras do que na conversa. "Eu... uh... Eu acho que sim." Ele não tinha idéia de quem ele ia convidar porque ele não estava saindo com ninguém no momento.
"Ótimo. Vejo vocês amanhã à noite. Dê a Bella um beijo por mim, Edward." Ela beijou a bochecha de seu filho e se dirigiu para a porta. Edward esperou até que ela tinha saído antes de cair com um gemido.
"Eu prefiro fazer um tratamento de canal", ele murmurou.
"Não vai ser tão ruim", Jacob prometeu. "Vou fazer interferências para você como eu fiz da última vez e você pode se esconder até que esteja terminado."
"E quanto a Bella?"
"O que tem ela? Ela estava bem no Tuneville".
"Não, ela não estava. Eles notaram que ela não bebeu nada e pulou para o palco. E se ela fizer alguma coisa que pareça... vampiresco?"
Jacob riu. "Isso é uma palavra?"
"Foda-se. Estou preocupado."
"Com Bella ou de ter que ir a uma festa?"
"Ambos," Edward resmungou. "Esta é uma má idéia. Haverá mídia lá".
"Edward, eles iriam saber sobre o seu casamento, mais cedo ou mais tarde. Francamente, estou surpreso que está tudo quieto até agora. Não se preocupe. Você pode falar com Bella agora, pelo menos o suficiente para ajudá-la a entender o que ela precisa fazer".
Edward acenou com a cabeça, mas ele não parecia tranqüilo.
N/Paulinha: Acho que agora as coisas normalizaram kkkk
Eu espero ne
Nos vemos semana que vem ;)
