Capítulo 4 – Segundo encontro

Ben passara a tarde na biblioteca pelo terceiro dia seguido, mas fora inútil. Nem sinal de Susana. Desde que a conhecera, quatro dias atrás, ele não conseguia mais deixar de pensar nela. Ele queria vê-la de novo, mas não sabia como.

"Foram apenas três dias... acho que estou ansioso demais", pensou Ben. Ele então desistiu por hora e resolveu ir até o café que havia do outro lado da rua, já que a fome começava a atormentá-lo.

O local era aconchegante e agradável, e Ben gostava muito de frequentá-lo. Lá era servido um cappuccino delicioso, e os biscoitos amanteigados eram simplesmente divinos. E ele não abria mão deles, mesmo no verão. Ben então entrou, escolheu sua mesa e logo fez seu pedido para a atendente que veio recepcioná-lo.

Enquanto aguardava, Ben abriu o livro que trouxera da biblioteca e começou a folheá-lo calmamente, quando de repente um som de risos femininos chegou aos seus ouvidos. Seus olhos imediatamente se voltaram para a direção delas, e então Ben sentiu seu coração parar em seu peito quando distinguiu Susana entre elas.

Lá estava ela, com a mesma tristeza e melancolia em seu rosto. Suas amigas conversavam alegremente e tentavam animá-la, mas seus esforços pareciam em vão. Susana sorria de vez em quando, mas de forma triste e sem vida.

De repente, as moças começaram a cochichar e, em seguida, Susana olhou na direção de Ben, corando imediatamente e fazendo o coração do rapaz disparar. Então ele percebeu que era dele que elas estavam falando. Ele se deu conta de que estivera olhando fixamente para Susana desde que percebera a sua presença, e sem dúvida as amigas dela notaram isso também.

Ele estivera tão mergulhado na visão de Susana que nem percebera quem eram as amigas dela, mas agora ele as pôde distinguir. Eram Marianne, irmã de seu amigo John, e Danna, amiga de infância do casal de irmãos. Aquela era uma informação interessante... Susana e ele tinham conhecidos em comum.

Na mesa em que Susana estava, ela se tornara o centro das atenções.

- Ben Whittaker não tira os olhos de você, Susana! – exclamou Marianne.

- Su, como você é sortuda! – disse Danna.

- É impressão de vocês...

- Não é não! Eu bem notei, faz um bom tempo que ele não para de olhar pra você! Menina de sorte! – retrucou Danna.

- Não o conheço bem, mas meu irmão é amigo dele, e sei que ele é um ótimo rapaz. Rico, bonito e boa pessoa... Tem partido melhor que esse? – disse Marianne, provocando Susana.

- Parem de dizer besteiras...

- Você o conhece, Su? – perguntou Danna.

- Nos conhecemos na biblioteca faz alguns dias, mas mal nos falamos. Eu deixei cair um livro e ele o pegou para mim, foi só isso...

- Ao que parece, foi o suficiente para deixá-lo interessado... – constatou Danna.

Nesse momento, John chegou ao café e logo foi até a mesa em que a irmã estava.

- Olá, meninas! – disse ele ao se aproximar.

- John, que bom que chegou! – disse Marianne, fazendo um gesto ao irmão para que ele se aproximasse mais dela – Não quer convidar seu amigo para se sentar conosco? – cochichou ela.

- Que amigo? – perguntou John, olhando em volta, até que percebeu a presença de Ben em uma das mesas – Hum, sim... Mas posso saber ao que se deve esse seu interesse?

- Bom, na verdade o interesse parece ser dele... Ele não tirou os olhos de Susana desde que notou a presença dela. Você sabe, Susana está sempre sozinha e triste... e Ben é um ótimo partido e está sempre sozinho também... Acho que não seria nada mal aproximar os dois, o que você acha?

- Você não muda, não é mesmo? Sempre dando uma de Cupido... – riu John.

- Ora, eu só quero ver as pessoas felizes... – respondeu ela, sorrindo.

- Bom, a ideia é interessante... Mas deixe-me falar com ele primeiro.

- Tudo bem...

- Meninas, vou até ali cumprimentar o Ben e já volto. Esperem por mim! – disse ele.

John então se dirigiu até a mesa em que Ben estava.

- Ben, você por aqui? – disse John, arrancando uma risada de Ben, já que o amigo sabia que aquele era um dos lugares preferidos dele.

- Como vai, John?

- Hum, melhor agora... – disse ele, lançando um olhar amoroso para Danna, mas sem ser notado por ela.

- Quando você vai se declarar para ela, hein?

- Não sei... Tenho a impressão de que ela continua me vendo como um irmão. Você sabe, fomos criados juntos, brincávamos juntos... Tenho medo de estragar a nossa relação se eu disser o que eu sinto...

- Entendo...

- Mas não vamos falar de mim... Acabei de saber por Marianne que você não tira os olhos da amiga dela... – disse John, deixando o amigo extremamente corado.

- Err... eu...

- Ora, ora... Parece que as suspeitas de minha querida irmã têm fundamento... – riu John, notando o rubor na face de Ben – Vamos nos sentar com as damas?

- John, não sei se é uma boa ideia... Acho que Susana não gosta de mim.

- Não seja tolo, vamos!

John puxou Ben e o levou até a mesa das meninas.

- Podemos fazer companhia às senhoritas?

- Deixe de cerimônias e sente-se logo, John! – riu Marianne – Olá, Ben! Seja bem-vindo!

Ben cumprimentou Marianne e Danna e sentou-se ao lado de Susana, que ficou extremamente nervosa com a situação. A presença dele a perturbava. Susana então lançou um olhar fuzilante para Marianne, percebendo agora o motivo dos cochichos entre ela e John.

- Como vai, Susana? – perguntou Ben, tentando esconder seu nervosismo.

- Vou bem, e você? – respondeu ela, tentando se manter calma.

- Tudo bem também... Não a vi mais na biblioteca... – disse ele, imediatamente se arrependendo disso, já que sem querer revelou que a estivera procurando.

Susana ficou sem palavras por um instante. Então ele voltara à biblioteca nos últimos dias na esperança de vê-la novamente?

- Bom, eu... ainda não terminei de ler os livros que retirei naquele dia... – respondeu Susana, cada vez mais retraída em sua cadeira.

- Entendo... – disse Ben, notando o distanciamento de Susana.

Nesse momento, a atendente chegou com os pedidos dos rapazes, e Susana aproveitou para puxar assunto com Marianne e Danna. Ambas estiveram observando esporadicamente a interação entre os dois, e não entendiam como Susana conseguia manter uma postura tão distante de Ben, mesmo ao lado dele. Ela tinha uma oportunidade de ouro nas mãos e estava desperdiçando, pensavam elas.

Enquanto tomava seu cappuccino, Ben observava Susana discretamente. Ele mal podia acreditar que a havia encontrado de novo, mas ao mesmo tempo estava decepcionado com a postura dela. Era como se ela não se sentisse confortável com a presença dele, era como se ele tivesse feito algo para ela e ela não o tivesse perdoado... Por que ele tinha essa impressão?


Depois de conversarem sobre assuntos variados, a noite finalmente caiu e já era hora de ir embora.

- Bom, eu e Marianne levaremos Danna até a casa dela. Você pode levar a Susana, Ben? – perguntou John.

- Claro, será um prazer... Tudo bem para você, Susana?

- Sim... – respondeu ela, sem ter certeza do que estava fazendo.

John, Marianne e Danna então se despediram de Ben e Susana, os três torcendo silenciosamente para que Susana resolvesse dar uma chance a Ben.

O caminho até o alojamento durou poucos minutos, e Ben ficou contente ao saber que Susana estudava na mesma universidade que ele. Então ele teria mais oportunidades de vê-la quando recomeçassem as aulas. Ainda que estudassem em prédios diferentes, ele certamente daria um jeito. Ao chegarem à entrada do alojamento, Ben saiu do carro e rapidamente foi até o outro lado para abrir a porta para Susana. Ben não queria que aquele momento chegasse, mas era hora de se despedir. Demorou um pouco até ele decidir o que dizer.

- Susana... – Ben hesitou um pouco, mas tomou coragem para continuar – Desde o dia em que a conheci, eu quis muito voltar a vê-la... Fiquei muito feliz por hoje. Podemos nos encontrar outra vez?

- Não acho que seja uma boa ideia – disse ela de forma seca.

Aquela resposta não o surpreendeu.

- Por que não?

- Eu talvez não seja a pessoa que você imagina, Ben... Você não me conhece...

- Mas eu quero conhecê-la... Se você me permitir, é claro... – disse ele ternamente.

- Ouça... Eu não estou preparada...

- Deixe-me pelo menos ser seu amigo...

Aquela frase deixou claro que a intenção dele era ser algo mais que apenas um amigo, e Susana se surpreendeu com a nova revelação. Na verdade ela já desconfiava, o modo como ele a olhava não mentia. Ela queria se afastar dele, mas ele queria justamente o contrário... Ela precisava fazer alguma coisa, precisava desencorajá-lo, e já.

- Ben... Agradeço sua gentileza de me trazer aqui, mas eu preciso entrar... Adeus...

- Susana, espere...

- Você ainda não entendeu que eu não quero nada com você? Por favor, me deixe em paz! – disse ela, entrando rapidamente e fechando a porta do alojamento.

Ben ficou profundamente magoado com a reação de Susana. Por que ela o rejeitava desse jeito? Será que ele a aborrecia tanto assim? Mas ela tinha razão, eles mal se conheciam... E mesmo assim ele já se sentia extraordinariamente atraído por ela. O que estava acontecendo afinal? Que espécie de poder era aquele que ela exercia sobre ele?

Ben ainda ficou alguns minutos parado, sem saber o que fazer. Depois de algum tempo, ele finalmente entrou no carro e seguiu para casa. Seu coração doía e ele não pôde conter as lágrimas que insistiam em brotar do canto de seus olhos.

Ele não sabia nem como nem por que, mas já estava profundamente apaixonado por Susana. Apenas dois encontros e ela roubara seu coração completamente. Como aquilo era possível? Ele nunca imaginou que pudesse se apaixonar tão rapidamente por uma pessoa, ainda mais por alguém que até agora só o rejeitava.

Estava claro que Susana não queria ter nenhum tipo de relação com ele, nem mesmo amizade. O que fazer com aquele sentimento que surgira tão intensamente então?


Susana entrou em seu quarto no alojamento e foi direto até a garrafa de whisky recém-comprada. Os acontecimentos daquele dia a fizeram desejar mais do que nunca algumas horas de esquecimento, e era isso o que ela teria.

Ela então abriu a garrafa e começou a beber. Como era fraca para álcool, com poucos copos ela já se sentiu tonta e sonolenta, e logo caiu em sua cama, mergulhando num sono profundo.

Um sonho então começou a tomar forma em sua mente. Mas na verdade não era um sonho, e sim uma recordação...

Susana aninhou-se confortavelmente no peito de Caspian, que a beijou carinhosamente na testa. A respiração de ambos ainda estava acelerada, assim como as batidas de seus corações, pelo que acabara de acontecer entre os dois.

- O que você acha que vai acontecer agora?

- Eu não sei... Seja lá o que aconteça, eu gostaria que você ficasse...

- E se eu não ficar...?

- Eu vou lutar para você ficar, Susana.

- Caspian, não é tão simples assim... Pertencemos a mundos diferentes. Eu não estou pedindo para você lutar por mim, não seria justo. Se o desejo de Aslam for que eu volte para o meu mundo, não há nada que possamos fazer.

Caspian olhou para Susana com tristeza. Ela estava certa.

- Se você for embora... Quero que saiba que eu sempre vou amar você, não importa o que aconteça...

- Eu também, meu amor...

Caspian sentiu as lágrimas de Susana molharem seu peito nu, e delicadamente deitou-a de costas na cama, inclinando-se sobre ela em seguida para beijá-la. Ela retribuiu o beijo com todo o seu coração, enquanto entrelaçava seus dedos aos cabelos dele. Quanto tempo mais restaria para eles? Susana queria que aquele momento durasse para sempre... O beijo então foi se tornando cada vez mais profundo e apaixonado, despertando mais uma vez, e de forma mais intensa, o desejo que acabara de ser saciado momentos antes...

Susana acordou com lágrimas nos olhos, uma dor de cabeça tremenda e uma revolta extrema. Será possível que até aquele whisky a estava traindo? Ela queria esquecer o que a fazia sofrer, e não lembrar. E teve que lembrar justamente a coisa mais mentirosa que já ouvira na vida.

- "Eu sempre vou amar você, não importa o que aconteça." Sei... – disse Susana, ironicamente – Me amou tanto que na primeira oportunidade se casou com a filha do tal Ramandu. Mentiroso! – gritou ela, imediatamente levando a mão à testa. O grito fez sua cabeça doer ainda mais.

Susana resolveu tomar um banho antes de tentar dormir de novo. Tirou a roupa, deixando as peças pelo caminho, e entrou debaixo do chuveiro. Ela deixou a água cair livremente em seu rosto, mantendo os olhos fechados, desejando que aquela água pudesse levar embora seu sofrimento.


Demorei mas cheguei! Espero que tenham gostado do capítulo! :)

Agradecimentos a Elena0017, Diessika e Perola Negra pelos reviews. Thanks a lot! :D

A pesquisa do capítulo anterior continua de pé, quero mais opiniões! E vou fazer aqui o mesmo apelo que eu fiz na When it's Love. Aos leitores "ocultos": por favor, manifestem-se! Eu sei que a minha fic tem "ibope" porque o Story Traffic não mente. Poxa, não custa deixar um review... Sem eles a fic não anda, gente! Então eu peço encarecidamente: deixem mais reviews e façam uma ficwriter feliz! =)

PS: Vocês viram o trailer de A Viagem do Peregrino da Alvorada? Eu amei! Só acho que o Caspian podia ter aparecido um pouco mais... Aliás, ele está lindo DEMAIS! *-*

PPS: Por falar em A Viagem do Peregrino da Alvorada, eu atualizei o nome da filha do Ramandu no primeiro capítulo. Já que agora ela tem um nome "oficial", acho que convém adotá-lo! :)