Capítulo 10 – Encontro inesperado

Era uma noite fresca e agradável, e ele estava encostado no parapeito da janela de seu quarto, admirando a lua e sentindo a brisa fresca que entrava. A ansiedade já o estava quase enlouquecendo, quando ele finalmente ouviu a porta de seu quarto se abrir. Ele ficou parado, olhando enquanto ela fechava a porta e em seguida se aproximava dele.

Susana sorriu meio sem jeito, a luz da lua denunciando o rubor que surgiu em sua face. Ela era tão adorável... Ele queria tomá-la nos braços e beijá-la apaixonadamente, mas ele não sabia se era apropriado. Na verdade aquela situação em si já não era muito apropriada, Susana estar em seu quarto àquela hora da noite...

Ela então se aproximou mais dele e levou sua mão ao rosto dele para acariciá-lo, enquanto o olhava nos olhos intensamente. Ela então deslocou a mão para a nuca dele e puxou seu rosto em direção ao dela, beijando-o em seguida.

O beijo começou calmo, delicado, sereno. Mas em pouco tempo a vontade de torná-lo mais profundo se mostrou irresistível. Susana começou a aprofundar o beijo e suas línguas logo se encontraram e se entrelaçaram num beijo ardente. As mãos dele seguravam mais firmemente a cintura de Susana, fazendo-a estremecer levemente.

Quando sentiu que estava a ponto de perder o controle, ele decidiu interromper o beijo, mas seus lábios pareciam ter vida própria agora... Eles de fato deixaram os lábios dela, mas para continuar em outro local... Ele então começou a beijar o queixo dela e foi descendo, até chegar ao pescoço da jovem.

Susana arfou e estremeceu mais uma vez, dessa vez mais intensamente. E num esforço sobre-humano, ela conseguiu fazer sua voz sair num fraco sussurro.

- Oh, Caspian...

Ben abriu os olhos e sentou-se na cama num rompante. Seu coração estava acelerado. Maldição, por que eu tive que acordar agora?

Ben deitou-se novamente e fechou os olhos para se lembrar do sonho, o que não foi muito difícil. Ele conseguia se lembrar perfeitamente da sensação de ter Susana em seus braços, de beijá-la daquela forma... Ah, eu queria tanto que não tivesse sido um sonho...

Era inevitável que ele acabasse tendo um sonho daquele tipo com Susana, principalmente depois do que ele sentiu ao abraçá-la no cemitério, no dia anterior. Ele experimentara uma proximidade que o fez querer mais, mas não sabia se seria possível estar com ela daquela forma outra vez. E estar com ela como ele estivera naquele sonho parecia impossível...

Aquele sonho fora diferente dos que ele tivera com Susana até então. Em todos os outros, o sonho era vago, como que envolto numa névoa, e na verdade ele mal conseguia distinguir Susana a não ser pelos olhos. Mas dessa vez foi diferente. O sonho fora límpido, claro, mais parecia uma lembrança... Mas obviamente se tratava de um sonho.

E, como quase todo sonho, ele teve seus elementos curiosos... A começar pelo quarto em que ele se encontrava. Definitivamente não era o dele, e ele teve um pouco de dificuldade de defini-lo. Parecia um quarto em estilo medieval... Mas ele não era de todo estranho. Parecia familiar, apesar de Ben nunca ter estado num quarto como aquele. Mas o mais estranho do sonho foi o nome pelo qual Susana o chamou. Caspian...

Se sonhos são frutos dos desejos interiores, aquele era facilmente explicável. Ele amava Susana e desejava ter aquele tipo de proximidade com ela, apesar de parecer impossível, e por isso ele sonhou com isso... Quanto ao quarto, pode-se dizer que Ben tinha certa simpatia por temas medievais, o que decerto era uma explicação.

Mas e o que dizer de Susana o ter chamado de Caspian? Ninguém o chamava pelo seu nome do meio, e ele frequentemente era reduzido a uma inicial, motivo pelo qual muitas pessoas não sabiam o que o C de "Benjamin C. Whittaker" significava. Bom, apesar disso, ele gostava desse nome, e sempre achou que combinava bastante com ele, apesar de suas irmãs nunca perderem a oportunidade de implicar com ele por causa disso...

"Ben, você tem que agradecer muito a Deus por ter sido concebido no Mar Cáspio... Já pensou se a mamãe e o papai tivessem escolhido o Oceano Atlântico, ou quem sabe o Pacífico, para fazer o cruzeiro de segunda lua de mel? Você estaria perdido!", brincou Hilda certa vez.

"Benjamin Atlantic Whittaker ou Benjamin Pacific Whittaker? O que seria pior?", continuou Marion, caindo na gargalhada em seguida.

Ben amava demais as irmãs, e a relação entre os três sempre fora muito carinhosa. Mas elas definitivamente conseguiam ser bem irritantes de vez em quando... Só espero que isso nunca chegue aos ouvidos de John, senão estarei perdido... Ben sentiu um calafrio ao pensar naquela possibilidade.

Ben decidiu pensar sobre coisas mais agradáveis e voltou a se lembrar do sonho. Eu queria tanto que isso um dia se tornasse realidade... Susana e eu...

"Até quando você vai conseguir esconder esse sentimento dela, Ben?", perguntou John na última conversa que tiveram. "Vocês estão sempre juntos agora, eu juro que não sei como você consegue resistir. Eu pelo menos mantenho uma distância segura de Danna..."

"Eu já disse, John... Não quero arriscar nossa amizade, não quero que ela me rejeite de novo."

"Eu duvido que ela o rejeite, Ben. Ela gosta de você, isso está na cara. Marianne e Danna vivem 'reclamando' que Susana as trocou por você..."

"Mas isso não quer dizer que ela gosta de mim do mesmo jeito que eu gosto dela."

"Talvez não, mas já é um começo... Na verdade, eu acho que ela já gosta de você mais do que como um amigo... Mas ela talvez ainda não tenha se dado conta disso."

"Hum... Você já pensou que isso pode se aplicar a Danna também?"

"Eu nunca vou conseguir te dar um conselho amoroso sem que isso imediatamente se volte contra mim, não é?"

"Não."

"Imaginei."

Ben sorriu. Talvez seu amigo tivesse razão... Talvez fosse besteira continuar alimentando o medo de ser rejeitado de novo. Afinal, até quando ele conseguiria ficar perto de Susana sem tomar nenhuma atitude? Até quando ele conseguiria reprimir aquele sentimento que crescia tão intensamente a cada dia? Mais cedo ou mais tarde aquilo acabaria se tornando doloroso para ele: estar com ela sem poder acariciá-la, abraçá-la, beijá-la...

Já era quase de manhã, mas as trovoadas do lado de fora anunciavam um domingo chuvoso e monótono, perfeito para estudar um pouco, como disse Susana no dia anterior, já prevendo o tempo de domingo com base no sábado pouco promissor. Ben acatou a ideia, já que desde o início das aulas ele não abrira sequer um livro para estudar... Mas ele definitivamente não precisava acordar tão cedo para isso, e ele decidiu voltar a dormir, embalado pelas lembranças de seu doce sonho...


Susana passara o dia estudando os textos das duas primeiras semanas de aula, já que no fim de semana anterior ela passara praticamente todo o tempo com Ben – um dos motivos pelo qual Marianne e Danna reclamaram com ela recentemente. E era justamente em Ben que ela não conseguia parar de pensar... A cada duas ou três páginas lidas, a imagem dele vinha à sua mente...

Ela não se cansava de se lembrar do gesto de carinho de Ben, abraçando-a e confortando-a quando o que ela mais precisava era justamente isso, o carinho e o conforto de uma pessoa querida. E o que ela sentiu quando ele a abraçou foi excepcional... Ela se sentiu amada e protegida como há muito tempo ela não sentia... Para falar a verdade, até então ela só havia se sentido daquele jeito com uma pessoa: Caspian.

Susana pôde sentir claramente o coração de Ben disparar quando ela o abraçou mais forte... Ela pôde sentir até mesmo certa alteração na respiração dele... Aquilo definitivamente significava algo. Será que ele ainda tinha sentimentos por ela, mesmo depois de ela ter provado não ser digna de ser amada por ninguém? Pois era essa a opinião dela a respeito do ato covarde de que ela fora capaz...

Pensar nessa possibilidade fez Susana se sentir mais confusa do que ela nunca sentira em toda a vida. Por um lado, seu coração se alegrou ao pensar que Ben pudesse ainda estar apaixonado por ela... A cada dia que passava mais ela queria estar perto dele, a companhia dele fazia um bem inestimável a ela.

Mas, por outro lado, havia o verdadeiro motivo por trás de tudo aquilo. Seria muito errado alimentar os sentimentos de Ben quando o que realmente a atraía nele era a semelhança com Caspian. Ela poderia esconder isso e se aproveitar da situação, mas isso seria uma atitude horrível... Sua consciência jamais aprovaria. Aquilo não seria justo com Ben. Ele era tão bom, tão meigo, tão sensível, tão amável, tão... perfeito. Ela precisava dar um jeito de refrear sua atração por ele.

Eu queria tanto poder conversar com alguém sobre isso... Se Lúcia estivesse aqui ela me entenderia, ela poderia me aconselhar...

Susana não queria desabafar com as amigas. Ela teria que tomar cuidado com as próprias palavras, para não correr o risco de revelar sobre Nárnia, o que provavelmente faria que elas a considerassem louca... E todas as pessoas relacionadas a Nárnia de alguma forma agora estavam mortas... Seus irmãos, o professor Kirke, a senhorita Plummer...

Já era quase noite e a tempestade finalmente se fora. Agora o céu estava quase limpo, e a noite prometia ser bela. Susana fechou seus livros e decidiu descansar um pouco. Ela estudara praticamente o dia inteiro. Ela então foi até a janela para dar uma olhada no lado de fora e teve uma grata surpresa ao notar o carro de Ben parado do outro lado da rua. Ele estava do lado de fora, encostado no carro, olhando em direção à janela de Susana, e o sorriso que se formou em seu rosto quando a viu foi arrebatador.

Susana retribuiu o sorriso e quase não pôde conter a alegria ao vê-lo. Ela mais do que depressa saiu de seu quarto e desceu até a rua para encontrá-lo.

- Ben, o que está fazendo aqui? – perguntou ela com um largo sorriso no rosto, o que fez o coração de Ben se acelerar.

- Eu passei o dia estudando, e quando terminei vi que a chuva havia dado uma trégua... Então resolvi dar uma volta e pensei em vir até aqui ver se você já tinha terminado de estudar também...

- Há quanto tempo você está aqui?

- Eu acabei de chegar... – mentiu ele. Ele já estava ali há pelo menos meia hora, olhando para a janela dela e criando coragem, decidindo se deveria chamá-la para sair ou não.

- Eu acabei de estudar agora há pouco, e agora estou sem nada pra fazer...

- Eu estava pensando... – Como chamá-la para ir ao cinema sem que pareça claramente um encontro? – Tem um filme que acabou de estrear e estão falando muito bem dele, mas é um suspense e...

- "O Terceiro Homem"?

- Esse mesmo. Já ouviu falar nele?

- Claro, eu estou louca para assisti-lo! Tentei chamar as meninas para ir comigo, mas elas só gostam de dramas e comédias românticas... Não que eu também não goste, mas eu gosto de outros gêneros também.

- Você gostaria de assisti-lo comigo? – perguntou Ben sem hesitar, num raro momento de coragem.

- Você está me chamando para um encontro, Ben? – disse ela com um meio sorriso no rosto, mas logo se arrependendo da brincadeira. Ela já estava acostumada a fazer brincadeiras com Ben, mas dessa vez ela soou um tanto diferente...

Ben corou imediatamente, o que não passou despercebido por Susana.

- Err, eu... Bem, eu só queria...

- Estou brincando, Ben! – sorriu Susana, tentando consertar a situação depois de ver a reação de Ben – Claro que eu quero ir com você! Só me dê um minuto para eu trocar de roupa, eu já volto!

Susana mais do que depressa voltou para o alojamento para se arrumar, deixando Ben sem fala.

Só uma brincadeira... Claro...

Ben encostou-se ao carro numa posição confortável, preparado para esperar pelo menos 40 minutos até Susana terminar de se arrumar. Surpreendentemente, Susana voltou apenas 20 minutos depois – contrariando as expectativas de Ben. E quando Ben a viu, ele não foi capaz de pronunciar sequer uma palavra. Aliás ele não foi capaz de fazer nada além de admirá-la.

- Ben, estou pronta. Vamos?

Ele não respondeu e continuou fitando-a como se estivesse hipnotizado. Tão linda... Susana estava com um vestido cor-de-rosa, num tom bem clarinho. Ele tinha um decote discreto, mas que fora suficiente para ativar certas fantasias em Ben... O vestido ia até um pouco abaixo dos joelhos, deixando à mostra uma parte das pernas bem-delineadas de Susana, que estavam elegantemente equilibradas num par de sapatos de salto alto, de cor bege e que combinava com a delicadeza dela. Seus cabelos estavam soltos, como Ben nunca havia visto. Ela sempre usava algo para prendê-los, mas dessa vez as mechas caíam livres sobre seus ombros, de forma graciosa.

- Ben...? – Susana tentou "acordá-lo".

- Você está linda... – disse ele, sem conseguir conter sua admiração.

Susana corou intensamente com o elogio, mas em vez de desviar o olhar, ela o manteve nos olhos de Ben, lisonjeada pelo modo como ele a olhava.

- Obrigada... – respondeu ela, surpresa com a reação de seu coração àquele momento. Ela sentiu algo morno, agradável e que o fazia bater mais forte.

Ben continuava fitando-a, e Susana finalmente foi vencida pela timidez e abaixou os olhos, sorrindo sem jeito. Ben percebeu que a deixara desconcertada, mas preferiu deixar a situação daquela forma, em vez de se desculpar ou de se desdizer. Ela estava linda, ela era linda, e ela definitivamente merecia saber disso.

- Vamos? – perguntou Ben, finalmente.

- Sim, vamos...


- Ben, o filme foi fantástico! – disse Susana animadamente.

- Foi mesmo, fazia tempo que eu não via um filme tão bom!

Ben e Susana continuaram falando sore o filme enquanto se dirigiam à lanchonete do outro lado da rua. Enquanto esperavam seus lanches, falavam sobre as partes mais interessantes do filme. De repente, algo chamou a atenção de Susana. Em uma mesa no lado oposto ao que eles estavam, havia uma mulher e um menino, que devia ter por volta de 8 anos de idade. Ela não parava de olhar para Susana e Ben, e a expressão no rosto dela era de total perplexidade – aliás a mesma expressão que se desenhou no rosto de Susana ao vê-la.

Susana fitou-a por mais algum tempo até finalmente tomar coragem.

- Algo errado, Susana? – perguntou Ben, preocupado.

- Não... É que eu vi uma pessoa que eu não via há muito tempo... Você se importa se eu for até lá um minuto cumprimentá-la?

- De forma alguma. Eu espero aqui...

- Ok, já volto...

Susana levantou-se e respirou fundo enquanto caminhava na direção deles. A mulher viu que ela se aproximava e sua expressão agora era indecifrável. Desconfiança? Surpresa? Mais perplexidade? Era impossível definir.

Quando Susana chegou à mesa, a mulher se levantou em sinal de respeito e a cumprimentou.

- Rainha Prunaprismia...

- Rainha Susana...

- Por favor, não precisa me chamar assim... Não sou rainha neste mundo... – sorriu Susana.

- Nem eu... Nem em Nárnia eu fui, para falar a verdade, não é mesmo? – disse Prunaprismia, com um leve tom de tristeza em sua voz.

- Vamos deixar os títulos de lado então...

- De acordo. Mas... jamais imaginei encontrá-la por aqui... – disse ela, claramente surpresa.

- Nem eu... – disse Susana, tão surpresa quanto ela. Ela então olhou para o menino – É o seu filho?

- Sim, é o meu menino... – Filho, diga "olá" para Susana...

- Olá, Susana! Você é bonita!

- Oh, obrigada... – agradeceu ela, sorrindo ternamente para o menino – E você é um belo rapaz!

- Aquele que está com você... por acaso seria o...?

- Não, não é ele. Se parecem muito, não é?

- Se parecem demais... A semelhança é incrível!

- Prunaprismia... Eu gostaria muito de poder conversar com você agora... – Susana olhou na direção de Ben – Mas será que poderíamos nos encontrar um outro dia?

- Claro, claro! Sabe, eu nunca pensei que um dia pudesse cruzar com você ou com seus irmãos aqui, apesar de estarmos no mesmo mundo agora... Mas já que eu a encontrei, eu gostaria muito de conversar com você...

- Será um prazer. Vocês estão morando aqui em Londres?

- Na verdade não... Chegamos ontem e vamos ficar na cidade durante um mês. Meu marido está aqui a serviço, e nós viemos acompanhá-lo. Eu me casei novamente há alguns anos...

- Entendo... Será ótimo poder conversar com você. Que tal se nos encontrássemos amanhã? Eu faço faculdade, mas posso encontrá-la depois da aula.

- Perfeito.

As duas então combinaram o horário e o local do encontro e em seguida Susana se despediu dela e de seu filho. Susana voltou para a sua mesa, e a surpresa continuava estampada em sua face.

- Está tudo bem?

- Sim, é que... Fazia realmente muito tempo que eu não a via, e sinceramente não pensei que eu fosse voltar a vê-la algum dia...

- Entendo... – disse Ben, olhando em seguida na direção de onde Susana viera.

A mulher continuava olhando para eles, e quando Ben a viu, ele sentiu algo ainda mais estranho do que quando viu as fotos dos irmãos de Susana no cemitério. Nesse momento, ela e o filho se levantaram para ir embora. Ben os acompanhou com o olhar, completamente estupefato, enquanto uma cena se desenhava na sua mente: aquela mesma mulher, vestida numa espécie de camisola de modelagem antiga, segurava uma arma, uma besta, e o apontava na direção dele.

- Ben?

Ele pareceu não ouvir a voz de Susana. A cena continuava na sua mente, e uma expressão de dor surgiu em seu rosto quando, na cena em sua mente, ele vira a mulher atirar em sua direção e ferir-lhe o braço.

- Ben!

Ben pareceu voltar a si com o chamado de Susana e olhou para ela.

- De-... Desculpe...

- O que houve? Você está bem?

- Sim, estou... Eu só... – Como explicar isso a Susana? – Eu achei que conhecesse aquela mulher de algum lugar e estava tentando me lembrar de onde, mas foi inútil... Acho que foi só impressão minha...

Susana estranhou a reação de Ben diante de Prunaprismia. Será que aquilo significava algo? Será que...? Susana nem chegou a completar seu raciocínio, pois logo se lembrou da conclusão a que ela havia chegado no outro dia: seria impossível que Ben e Caspian tivessem existido ao mesmo tempo em mundos diferentes. Deve ser só coincidência. Ele deve ter conhecido alguém parecido com ela, só isso... Ela então decidiu não se ater mais a essa questão e voltou para o seu lanche, que havia acabado de chegar.

Depois de algum tempo, os dois deixaram a lanchonete e Ben levou Susana até o alojamento.

- Obrigada, Ben... Achei que o dia de hoje fosse ser um completo fracasso, mas você salvou a minha noite!

- Não... Foi você quem salvou a minha noite...

Susana sorriu, encantada pela gentileza de Ben. Nesse momento, ele se aproximou de Susana de uma forma que fez o coração dela disparar, mas ele se limitou a dar um beijo em sua testa.

- Boa noite, Susana...

- Boa noite, Ben... – respondeu ela, um pouco perturbada.

Ela então seguiu em direção à porta do prédio e entrou, lançando mais um olhar na direção de Ben, que acabara de entrar no carro. Ele então sorriu mais uma vez para Susana e partiu.

Susana seguiu para seu quarto e foi direto para o chuveiro. Tomou um banho longo e relaxante, depois vestiu um pijama confortável e foi para a cama. Mas ela estava longe de estar com sono. Só queria ficar deitada, quieta, no escuro, apenas a luz da lua iluminando discretamente o quarto. Só queria ficar a sós com seus próprios pensamentos, e conjecturas, e sentimentos...

Mais cedo ela havia chegado à conclusão de que precisava dar um jeito de refrear a atração que sentia por Ben, talvez se afastar dele um pouco. Mas foi só ele aparecer que ela simplesmente se esqueceu de sua resolução e se deixou levar pelo seu coração, que ansiava pela companhia dele.

Deus, o que está acontecendo comigo...?

Susana se lembrou da forma como Ben a olhou mais cedo e do modo como ele a elogiou, e se lembrou do que ela sentiu...

Eu quase derreti olhando nos olhos dele... Oh não, eu não posso, eu não posso... Eu não posso enganar Ben, é Caspian que eu amo... Não posso ser egoísta a ponto de me aproveitar dele só para me sentir próxima de Caspian...

Mas ao mesmo tempo não consigo evitar... Não posso me afastar de Ben, eu quero estar com ele, quero a companhia dele... Já sofri tanto, não posso me impor mais esse sofrimento... Não tenho forças pra isso...

Depois do "monólogo mental", Susana, já sonolenta, chegou à conclusão de que não suportaria se afastar de Ben, mas, para o bem dele, ela precisava dar um jeito de refrear e esconder seus sentimentos por ele, que na verdade eram por Caspian. Pelo menos era nisso que ela acreditava...


Oi, pessoal! Espero que tenham gostado deste capítulo! Continuem deixando reviews, eles são o meu combustível para continuar escrevendo! ^_^


REVIEW REPLY

Rosalie Hale Nessie: Relaxa, sei como é net discada, já sofri desse mal... rs E obrigada pelos elogios, espero que tenha gostado deste capítulo também! Beijos! ^.^