Konnichiwa, aqui é Yulliah, e depois de um carnaval que oscilou de Amy Winehouse à Maísa "meu mundo caiu", eu trago um capítulo imeeenso. Era par ter saído antes, mas o não ajudou muito... Primeira incursão ao mundo interior da Momo-chan, e olha só, até um Shinigami Golden ^^ e sim, foi tenso escrever, eu senti em mim cada ato, cada dor... mas whatever. Leiam com o maior sadismo possível.
***
- Não pense que eu vou fazer isso agora pra te fazer poderosa. É só a praxe. Fora que, acho que você não sobreviveria muito tempo aqui sem algumas adaptações. Temos algumas garotinhas muito ciumentas, que andam me dando um trabalho danado com outras hóspedes, e eu não estou em condições de deslocar pessoal pra proteger qualquer um, você entende, ne?
Não se impressionar com migalhas, manter-se em seu lugar... é, deve ser isso. Baixou a cabeça, tentando resistir em pé, onde fora colocada. O Hougyoku cintilou nas mãos do seu ex-capitão, refletiu no seu rosto. Suou frio, fechou os olhos e tomou fôlego, ia começar, o que quer que fosse. Começara a sentir um mal estar, mal teve tempo de perceber a náusea, tombou no chão.
Um jardim de inverno japonês, com três pedras arredondadas e grandes.
Uma fonte de bambu, com seu barulho de água correndo, tactuc... tactuc...
E uma frondosa ameixeira em flor.
No centro do conjunto. Ela estava de volta seu mundo, caída e frágil, a sombra da sua própria alma.
Uma brisa leve levantava a franja da sua testa suada.
Brisa que virou vento, que virou tempestade.
Trovoadas.
A ameixeira despetalou-se. Flores voadoras de ameixeira.
Era um tempo terrível, mas ainda era bonito, a água corria com dificuldade, mas o bambu ainda batia, tactuc, tactuc, ainda havia esperança.
Nada destruiria o seu mundo.
A tempestade, cada vez mais intensa.
A árvore sacudia, os galhos mais baixos fustigavam o telhado e o chão. As carpas sumiram.
Agarrou-se à árvore, sua vida dependia disso.
Galhos finalmente se quebram, e ela sente toda a dor da fratura em si, nos seus ossos.
Agora as folhas começam a se soltar. Sua pele arde como em chamas.
Sentada na areia branca, abraçada aos próprios joelhos, ela chora, a dor das telhas quebradas, dos galhos partidos, ela toma toda pra si.
Pronto, agora eu vou morrer, pensou.
A silhueta da gueixa passa pelas portas de papel, e sussurra "Já vai acabar, Peach querida, levante-se. Sobreviva. Por nós."
E a dor passou.
Abriu os olhos...
E estava de volta ao salão vazio em Las Noches.
- Deu certo, Aizen-sama?
- Falta pouco, já vai acabar.
Dito isso, uma náusea violenta a transpassa. Curva-se no chão. Como se vomitasse cacos de vidro, ela se contorce. A voz da gueixa ainda em sua mente. Não, não ia desistir, prometera a ela. Prometera a si. Graças a promessa renovada, não verteu uma lágrima, mesmo com seu ventre dilacerado. Cuspiu uma massa branca, disforme e acre, cobriu-a a cara, quase sufocou. Aos poucos, a massa tomou forma. Uma máscara branca, feições de gueixa, olhos semicerrados. E pétalas de ameixa ao seu redor. Não conseguia mover-se. Olhou suplicante pro seu amado sedutor.
- Terminamos. Acho que não tem problema algum em deixá-la aqui por uns instantes. Até ela poder andar de novo. Bem, fique quietinha aqui e recupere-se bem. Até o próximo chá, Hinamori-kun.
Farfalhar de capas, eles saem. Ela está só. De novo. Até um novo ranger de porta e farfalhar de capa anunciarem a nova presença. Uma reiatsu gelada e cortante, de fazer a pele doer. Não era o seu taichou. Chegou por trás, tocou-a com os pés.
Chutou. Com toda a força. Ainda estava fraca demais pra falar, quem dirá para gritar. Outro chute, nas costelas. E outro, outro, outro... A risada cínica poderia ser reconhecida em qualquer lugar. Ele se divertia em pisar na sua carne inerte. Sentiu sangue na boca, e tentou olhar pra cima, pra confirmar o que já sabia.
Ichimaru Gin. Venenoso e enciumado.
Chutou novente, rolou metros pela sala. Abaixou-se e a agarrou pelos cabelos.
-Aizen-taichou, ai, Aizen-taichou! - cospiu no chão – Achei que tinha me livrado dessa ladainha mas não! Você insiste! O que eu vou precisar fazer pra me livrar desse ratinho imprestável?
A atira contra as paredes, e ela cai como um saco de caquis podres. Encurralada contra o paredão, mais chutes. Peito, barriga, costas, e nada mais do que gemidos em resposta. Não fosse a sua pele parecer mais rígida agora, provavelmente já estaria a beira da morte. Apanhava como um homem, como numa expressão ouvida a muito tempo, no mundo humano. Forçou pensar num jeito de escapar a situação, decidiu fingir desmaiar. Não adiantou muita coisa, parecia ter dado carta branca para ele tentar matá-la. Ele a ergueu pelos cabelos novamente, e notou a sua máscara hollow cair do meio das vestes, rachada em três pontos.
- Ahrrrrrrrrrrg mas que merda! - a joga no chão, furioso – eu vou te deixar por enquanto, porque Sousuke daria sua falta se você sumisse agora... mas deixa ele arrumar outra distração, e vai ser o seu fim. O seu fim! Rato imundo...
Sai, batendo a porta, e fazendo ventar os corredores. A gueixa reflete rapidamente na vidraça do salão, velando-a em sua exaustão, e renovando votos.
Sobreviva, Peach.
***
*Shinigami Golden!*
Após atravessar a garganta, Hitsugaya avista Las Noches...
- Pô, tá pertinho já, moleza...
Quinze minutos de corrida, e nada. Meia hora. E nada. Dois dias de caminhada... E nada.
-Mas que merda é essa?
Mais três dias de areia na cara... e nada. O castelo nem se aproxima no horizonte. Sentado embaixo de uma árvore de quartzo, ele pensa em comemorar seus onze dias de estadia no Hueco Mundo com uma maratona de 24 horas andando, pra ver se adianta a distância. Até comprovar que não conseguiria contar as 24 horas na noite eterna do lugar. Arrastando os pés, cantarolando " 427 quilômetros, 427 quilômetros, pára um pouquinho, descansa um pouquinho, 427 quilômetros... 428 quilômetros, 428 quilômetros..." ele continua... continua... Até ser atropelado pelos Grandes Irmãos do Deserto!
- Putaquipariu, era só o que me faltava... PORQUE, Ó DEUS, POR QUE??? Olha, Hinamori, quando eu chegar aí, se algum arrancar não tiver te matado, eu mesmo mato, ô desgraça!
