Capítulo 2 - Enfeitiçada
Ginny estava a comportar-se de forma deveras diferente do usual. Estava na Sala Comum dos Slytherin há cerca de uma hora, conversava com vários rapazes e observava atentamente Draco Malfoy. Não se sentia plenamente consciente, mas imaginava que isso era efeito dos vários firewhiskeys que já tinha bebido.
- Queres dançar, Ginny? - perguntou um rapaz do terceiro ano, baixinho e sorridente.
- Ela está comigo. - intercedeu Malfoy que há pouco estava distanciado, a conversar com os seus colegas de turma Crabbe, Goyle e Zabini. - Não estás a ver?
Malfoy pôs o braço à volta da cintura de Ginny e o sorriso do rapaz esmoreceu. Amedrontado pelo olhar intimidador do outro, saiu logo dali.
- Não sabia que estava contigo. - disse Ginny virando-se para o loiro e colocando os braços à volta do seu pescoço. - Mas, se queres saber, não me importo.
- Óptimo. - retorquiu Malfoy.
Ginny não sabia o que estava a dizer, as palavras saiam-lhe da boca sem ela as medir apesar de não se sentir assim tão bêbeda. Reparou que Malfoy olhou para alguém atrás de si mas fixou o olhar nos olhos do rapaz. Pareciam hipnotizá-la.
- Não queres sair um pouco daqui? Para falarmos mais à vontade? - perguntou Malfoy agora com ambas as mãos na cintura da ruiva.
- Quero sim. Temos muito que falar... - E, com isto o instinto de Ginny levou-a a dar um beijo na bochecha de Malfoy.
Enquanto andava, levada pela mão de Draco Malfoy, nas masmorras de Slytherin, Ginny Weasley só pensava que isto só podia ser uma anedota. Contudo, os seus lábios sorriam. Isto não podia estar a acontecer.
- Então, que achas dos aposentos da nossa equipa? - perguntou o rapaz alto e bem constituído que descia as escadas para os dormitórios à sua frente.
- São acolhedores! Não tanto como os de Gryffindor, claro. - respondeu Ginny. - Malfoy, para onde estamos a ir?
- Estamos quase lá. Vais gostar. - respondeu puxando-a pela mão.
Passaram vários dormitórios de outros anos dos quais se ouviam os mais variados sons. Alguns pareciam gritos de dor, outros de prazer, outros... bem, Ginny não pensou muito nisso porque estava mais preocupada com a sua própria situação.
- Eu não sei se devia estar aqui...
Malfoy parou de repente e Ginny esbarrou nele.
- Weasley, vieste aqui, por alguma coisa foi. Provavelmente estás farta dos teus amiguinhos e estás farta que toda a gente pense que és uma santinha que só te dás com gente de bem. Acertei?
- Bem... sim, mas...
Malfoy voltou a pegar-lhe na mão e desceu o último lance de escadas.
- Chegámos. - disse ele abrindo uma porta.
Estavam num dormitório como todos os outros em que Ginny já havia estado, excepto que as decorações eram em tons de verde e prateado.
- Eu tenho a minha cama isolada do resto do quarto por vários feitiços. Para estar à vontade e tal.
- Claro, à vontade e tal. Faz todo o sentido. Mas não sabia era que eras assim tão bom em encantamentos.
- Não sou, o Blaise dá-me umas dicas.
Malfoy tinha-la conduzido para a última cama de dossel do dormitório, que ficava junto à janela. Ginny reparou que, ao aproximar-se da área das cortinas, deixou de ouvir qualquer ruído do exterior e sentiu a magia dos encantamentos a funcionarem. Malfoy sentou-se na sua cama, estava no lado oposto de Ginny.
- Então, queres falar de quê? - perguntou a rapariga, um pouco tímida.
- Quero que te sentes aqui ao meu lado. - respondeu-lhe.
Ginny sentou-se.
Malfoy mexeu-lhe no cabelo desviando-o da cara da ruiva.
- És muito bonita, sabias?
- Não sou nada. - riu. - Sou normal. Não! Sou uma Weasley. Nem acredito que estás aqui comigo.
- Era isso que querias não era?
- Até parece! Tu é que me arrastaste para aqui! Aliás, eu não sei mesmo o que faço aqui. Tu até não és nada de se deitar fora, mas és um atrasado!
Ginny começara a afastar-se e ia levantar-se. Malfoy parecera perder controlo da situação e apressou-se a dizer:
- Pensei que querias mostrar aos teus amigos que não eras nenhuma santa.
- Sim, quero. Mas a própria Luna me avisou para eu não sair e olha no que deu estou aqui e...
Ginny tinha-se levantado. Como estava embrenhada no seu discurso não reparou que Malfoy também se tinha levantado, que deu a volta à cama, saiu da área dos encantamentos e lhe lançou um feitiço.
Ginny voltou a sentir uma tontura. Malfoy desviou a cortina e foi de encontro à rapariga.
- Estás bem? - segurando-lhe o rosto.
- Sim. - respondeu Ginny.
- Ainda achas que deves ir embora? - perguntou.
Ginny, em vez de lhe responder, deu-lhe um beijo na boca.
- Também me pareceu que não.
Ginny estava de novo presa na sua mente. Não sabia onde tinha a cabeça para estar ali, na cama de Malfoy, com Malfoy e a curtir com ele. O seu impulso era sair dali. Estava com raiva de si mesma por ter-se deixado levar pelo desejo de uma aventura.
Contudo, o rapaz de Slytherin supostamente irritante e odioso sabia o que fazia naquele departamento. Suscitava nela arrepios de prazer onde quer que tocasse - e ele já estava a tocar em muitos lados. Mas Ginny não se continha, pensava em afastá-lo, mas as suas mãos aproximavam-no. Ginny viu-o sorrir e tentou transmitir através do olhar que algo de errado se passava com o seu corpo. Mas logo se apercebeu que nestas situações, quem é que vai pensar duas vezes quando a outra pessoas está a corresponder?
O que mais a preocupava neste momento é que Malfoy estava em cima dela, colado ao seu corpo, e ela não parava de pensar numa coisa: ela ainda era virgem. Não tinha qualquer plano romântico para a ocasião, mas Malfoy não estava, definitivamente, na lista de candidatos.
Enquanto o loiro lhe beijava o pescoço e abria o colete, a rapariga entrava em pânico. Não conseguia reagir, controlar os seus movimentos, desviar-se dos beijos do rapaz ou fugir. Era como se alguém a estivesse a controlar.
De repente, tudo fez sentido. Ginny não era fraca nem burra. Não, de todo.
Os seus colegas de Slytherin haviam-na tomado por uma presa fácil e tentaram usar a maldição Imperius numa forma mais simples que os comedores da morte usam. Nesse momento a ruiva de formas sensuais e lábios rosados pôs uma perna à volta da cintura do abusador e mordeu-lhe a orelha. Subitamente, empurrou-o para um lado ficando por cima dele.
O loiro suspirou: - Tinham-me dito que eras boa, mas isto...
- Nem imaginas o quanto.
Ele estava confuso mas não se rendia, pois imaginava que aquilo eram efeitos do feitiço em Ginny. Tentava de todas as maneiras dominar a acção e levá-la a despir-se por completo.
Ginny, porém, entretia-se a despi-lo a ele. Desabotoou a sua camisa com uma rapidez surpreendente. Malfoy aproximou-se dela para a beijar mas ela afastou-se. Ginny estava com nojo do loiro, não o queria beijar.
- Então? - questionou-a.
Ele tinha já o peito a descoberto e Ginny lambeu-lhe o mamilo. Ela não o queria beijar, mas tinha de se vingar de alguma forma.
