Kamus estava sentado na cadeira do toucador e Milo na cama.
-Certo dia, apareceu nos portões do castelo do rival do esposo de minha mãe, uma jovem camponesa loura muito linda. Ela chorava, gritando que os soldados do castelo de Redstone (o castelo de minha família), haviam levado seu rebanho e ela exigia ser vingada.
Alguns minutos mais tarde, em Redstone, a mesma loura aparecia, desta vez toda machucada e com roupas belíssimas e bem trabalhadas, o vestido estava rasgado em vários pontos e ela estava com folhas em seus cabelos. Suas lágrimas, agora, eram refinadas e contidas.
Ela contou, entre soluços, a história de que era filha de um senhor muito rico da Itália e estava de passagem para o seu casamento no Norte. Porém, agora estava desgraçada, não poderia mais se casar, pois o primogênito do castelo de Wood (os rivais da família) havia desonrado-a.
Em momento algum sugeriu um ataque ou vingança e, quando todos os cavaleiros do castelo, inflamados de fúria, juraram vingá-la, ela ficou pálida e disse que não queria ser a causa de tanto horror.
O velho a abraçou e disse que mandaria uma carta ao seu noivo, explicando o ocorrido e dizendo que cuidaria dela até estar em condições de viajar para o norte. Acrescentou ainda, que, caso ela fosse rejeitada, poderia se casar com seu filho Abel. A mocinha, entre lágrimas, sorriu e disse que seria uma honra.
Milo virou para Kamus, sorrindo.
-Genial o meu plano não?
Kamus entendeu.
-Você se transfigurou numa moça e lançou as duas famílias em uma guerra que mataria a todos. -Disse, indiferente.
O sorriso de Milo se alargou ao notar que o outro não o recriminava.
-Melhor. Me vinguei e livrei meu Senhor de um castelo excessivamente irritante sem mover uma palha.
-Você é doente. –Murmurou, antes de se afastar de Milo.
Foi em direção à cama. Mas Milo interrompeu seu intento, puxando seu braço com violência e colando os corpos novamente.
-Mas você me ama. Não me ama...? –Perguntou-lhe o loiro, com a voz trêmula de medo. –Você não vai me abandonar, não é...? Não é...?
Kamus empurrou-o. Não com raiva, apenas incomodado com a situação.
-Do que está falando? Você é só um insano que decidiu me perseguir. –Falou, calmamente, apesar de ter medo da criatura.
Milo segurou seus pulsos com uma das mãos com muita força, machucando-o conscientemente. Kamus fez uma cara de desagrado.
-Sou um demônio insano que decidiu te perseguir, francês. Não me desafie. Me ame ou...
Os olhos de Kamus não demonstravam o medo, demonstravam desprezo.
-Ou o que, Milo? Vai me destruir? Destrua. O que você vai ganhar com isso? Mais uma alma nas suas legiões, sem vontade própria, obrigada a te servir? Isso é vitória para você?
Milo não respondeu em palavras, não resistia àquela criatura. Beijou-lhe de uma forma faminta, desesperada. Ele era frágil, podia sentir seus ossos contra seu corpo, a qualquer instante, ia se desfazer. A pequena vela no meio da tempestade que ele, como uma criança obstinada, insistia em tentar manter acesa o maior tempo possível.
Kamus sentia todas as fibras do seu corpo pedirem por mais, ele era fascinante, encantador como nunca havia conhecido. Seu cérebro já havia deixado de gritar que era errado fazia tempo, apenas pedia por mais. Sabia que, se continuasse a se envolver nesse ritmo, ficaria tão preso, tão enredado na trama daquele fascinante predador que nunca mais se libertaria. Amor era uma palavra forte, mas tudo aquilo que sentia por ele...se acreditasse em encarnações passadas, diria que tinham sido almas gêmeas pela forma que os corpos, as bocas se encaixavam e mergulhavam ambos em um torpor tão intenso e feroz que...quando acabou, a vida parecia não ter sentido sem Milo.
Milo, a maçã envenenada que ele mordera com tamanho prazer e não ligava mais se era pecado ou não. Que os anjos tentassem expulsá-lo do paraíso.
Era tarde e Kamus dormia, Milo havia concordado em dormir no quarto de hóspedes, mas não cumprira a promessa. Tão logo o ruivo dormiu foi observá-lo.
Os fios da cor do sangue mais venal se espalhavam pelo travesseiro. Tão finos, tão lisos, tão macios...A pele era branca e levemente sardenta por conta do verão europeu. Os olhos da cor do chocolate estavam fechados e o rosto sério estava relaxado, gentil. A boca vermelha como um botão de rosa era convidativa.
Ele era tão puro...tão puro...
Milo sentiu um nó trespassar sua garganta, não podiam destruir aquilo...Apenas ele teria esse direito.
Apenas ele podia ter o direito de vê-lo dormir assim todas as noites. De ouvir sua voz grave sussurrando que o amava. Coisa que ainda não conseguira.
Ainda.
Kamus se mexeu nos lençóis tão sedosos quanto sua própria pele. Franziu a testa, perturbado com o sonho.
-Não...não Milo...não...
Milo se debruçou ainda mais sobre a cama. Ele estava sonhando consigo, pensou, exultante.
-...Milo, deixa ele em paz...não machuca ele, Milo...
O demônio franziu a própria testa, intrigado e irritado. Kamus estava sonhando com outro que não ele?
-...deixa ele em paz...deixa o Shura em paz...vai embora daqui...não destrói minha vida...minha curta vida...
Ele agarrou os lençóis com força, com mágoa. Então Kamus o queria longe? Longe para viver em paz com o seu amado? O problema era dele. Milo tinha orgulho próprio.
Se levantou e sumiu no ar.
Antes de poder ouvir o fim do murmúrio de Kamus.
-...vai embora porque eu não quero me apaixonar por você...porque nós só vamos nos destruir...vai embora porque eu não quero te ferir...porque eu sou só uma vela.
N/A: êÊê \o/
Finalmente! \o/
O capítulo dois está aqui!
Tive bloqueio durante taaaanto tempo, gente, cês num sabem, mas ok .."
Bem, aqui está. Descobri que Milo quer dizer Maçã graças a'O Casamento Grego e...cara, o cara do filme é quase tão gostoso quanto o Mizinho O
Agradeçam o fim do meu bloqueio graças à uma fic MiKâ que tá em andamento que eu estou fazendo. É um presente para a YumiNii tenho a impressão de que minhas fics de yaoi são todas presentes pra ela .."""
Quem quiser que eu adiante alguma coisa da fic, me mande reviews.
Beijocas,
Nii
